terça-feira, 18 de novembro de 2008

UMA VERGONHA

UM HORROR É O QUE É

Ver Ricardo Sá Fernandes, o outrora intrépido “Zé”, defensor de causas públicas, hoje vereador da Câmara Municipal de Lisboa, eleito como independente nas listas do Bloco de Esquerda (que no meu entender traiu descaradamente) ― a comiciar ontem na RTP, ao lado da representante do governo, em defesa dos contentores em Alcântara.

Foi uma imagem grotesca aquela que me ficou das intervenções de Sá Fernandes negando tudo em que dizia acreditar aqui há bem pouco tempo; titubeando, engasgando-se, fugindo à discussão do essencial para se situar no acessório e na lateral do problema.

Foi uma ― mais uma ― confirmação de que os homens têm um “preço”; e de que António Costa, com a habilidade que se lhe reconhece, soube bem meter o outrora folclórico “guerreiro do túnel do Marquês” no bolso.

Curioso será ver para que lado virará o cata-vento político de Sá Fernandes, o que fará para sobreviver na Câmara de Lisboa sem novo apoio do Bloco de Esquerda, nas próximas autárquicas. Sim, porque não acreditamos que, uma vez saboreado o mel do poder autárquico, Sá Fernandes queira regressar ao trabalho na profissão.

É por esta e por outras, que, quanto mais conheço os homens, mais gosto dos animais.

domingo, 16 de novembro de 2008

NOXA NOSSA

Uma das formas de emagrecer ― pouco elegante e pouco saudável, diga-se; e medicamente não recomendada, diga-se também ― é vomitar após as refeições. Não o querendo fazer e sendo sensível do estômago, siga então este conselho: abstenha-se de vir aqui depois de comer.

sábado, 15 de novembro de 2008

O CRISTO NEGRO

É evidente que a progressão na escala de uma sociedade organizada acarreta sempre a perda crescente da liberdade individual.
A progressão na escala social aumenta o poder pessoal, mas diminui a liberdade individual; traz normalmente fortuna e aumento de fortuna pessoal, mas diminui a liberdade individual.

Sendo a liberdade o maior bem, não sei se Deus aprova o seu sacrifício a favor do poder. Talvez sim, mas para empresa maior e desígnio superior.

Depois da eleição, Barak Obama quis ir ao seu barbeiro de há 14 anos, mas não o pode já fazer; foi aconselhado a chamar o barbeiro ao apartamento de um amigo para lá efectuar o corte do cabelo.

No meu entender, começa aqui o entristecimento do Presidente Obama que tanta alegria irradia normalmente através da sua contagiante personalidade.

Eu sou dos que acreditam que pouca ou nenhuma coisa deve substituir a alegria, o prazer, a saúde que dá o viver a vida em liberdade: estar, por exemplo, descontraidamente sentado numa cadeira de um barbeiro tradicional apreciando o ambiente, conversando, fazendo humor, etc., enquanto a vida se escoa lá fora e em nós ― Inexorável, contínua e naturalmente...

Os americanos precisam de Obama Presidente. Nós precisamos de Obama Presidente. O mundo precisa de Obama Presidente ― mas Obama não precisa de Obama Presidente. Porque o Presidente vai destruir a personagem Obama; mais que a personagem, o Presidente vai destruir a pessoa Obama tal como ela é.

Obama é, assim, o Cristo Negro cuja presença se aguardava na Terra.

Chegou o Cristo Negro.

O Mundo vai mudar.

JÁ CAÍU VENHA OUTRO

Então como é?

Se o Estado tem tudo organizado e “manipulado” ― polícias armados; tribunais; polícias secretas; informadores, bufos e pides de toda a espécie ―; por que razão não hão-de os alunos ao menos organizar-se e convocarem-se por SMS e email para formalizarem os seus protestos, com todo o direito de os fazerem, por mais absurdos que ao poder pareçam!

Porque há-de o Governo querer sempre ver nas manifestações de cidadãos o dedo “manipulador” do Partido Comunista, à boa moda, aliás, dos tempos do fascismo de tão triste memória?

Neste país ― confirma-se ― ninguém aprendeu nada, ninguém aprende nada com o devir histórico e com os acontecimentos do quotidiano: os argumentos de hoje do secretário Lemos ou da ministra Rodrigues, ou do governo de Portugal, ou, ou, ou... são os mesmos argumentos de José Hermano Saraiva nos tempos de Salazar; de Veiga Simão nos tempos de Marcelo Caetano; de Couto dos Santos nos tempos de Cavaco. Não há a mais pequena novidade nisso; a mais pequena evolução:

«É o Partido Comunista que está a orquestrar o protesto dos estudantes».

Todos vêm na manifestação dos alunos o dedo manipulador do Partido Comunista em vez de compreenderem que os alunos também têm massa cinzenta, sabem reagir por si ao que os afecta, sabem usar (e de que maneira) as novas tecnologias (e o Magalhães, senhores, o Magalhães) para se comunicarem e não precisam por isso que venha o PCP dizer-lhes o que fazer e como fazer.

Mas mesmo que o PCP, através das suas organizações para a juventude, estivesse por trás das manifestações de protesto dos alunos, isso não seria razão suficiente para o governo as condenar liminarmente ignorando com isso as razões desses protestos.

Mas não, o senhor Lemos e demais burocratas da Educação, todos acham que bastará propagar a ideia de que o PCP manipula os estudantes para terem razão e poderem manter as políticas contestadas. Como se o PCP (se por acaso estivesse por trás da organização dos protestos dos estudantes) não tivesse toda a legitimidade de fazer política e enfrentar o governo em todas as frentes que julgue necessário e seja legítimo.

Ao achar que jovens dos 14, 15, 17 anos não são capazes de sozinhos comprar caixas de ovos, precisando antes que um partido político vá descobrir e desviar os ovos de algum cofre-forte de supermercado e lhos distribua em sessões de treino em campos próprios para formação de manifestantes ― tipo talibã ― ao achar isso o governo cai no ridículo.

E com o ridículo cai a ministra da educação mais o senhor Lemos e tutti quanti, pois, de palhaçadas está Portugal farto.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

BOM DIA

Comecemos o dia com humor.

If the global economic crisis continues,
very shortly only two Banks will be operational,
the Blood Bank and the Sperm Bank!

Then these 2 banks will merge and it will be called

"The Bloody Fucking Bank".

Enviado via email por Erros de números.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O ABRUPTO DOENTE

JPP avisa aqui que só tem estado calado depois da eleição de Obama por se encontrar doente com infecção bacteriana (ou será viral? ― os vírus é que costumam dissimular bem a sua identidade).

"África Minha" deseja-lhe francas e rápidas melhoras.

COMO DESTRUIR A ESCOLA

Mais uma excelente "cachimbada", esta, de Carlos Botelho.

Reproduzo-a na íntegra (com fotografia e tudo) pois gostaria muito, muitíssimo, de a ter escrito.


«No Bunker»

«Toda a histeria disparatada que têm exibido nos últimos dias, a ferocidade malcriada que arreganham para qualquer um que se atreva a assomar com uma discordância, aquela inacreditável e já penosa negação da realidade a que temos vindo a assistir, tudo isso mostra que esta gente, neste transe, padece da mesma conformação psicológica daquele maluco que, já enfiado na toca lá em Berlim, cercado por todo o lado, com as granadas a rebentarem-lhe à porta, garantia ainda amarelado e de melena desgrenhada que os Russos iam ter ali a maior derrota da História. Outras vezes, com a caliça a escorrer-lhe para os ombros, rosnava: 'Vamos ao fundo, mas levamos o mundo connosco.'
Como estes. Podem ir ao fundo, mas arrastarão a Escola consigo.»

Como não nos lembrarmos também daquele lunático ministro da propaganda de Saddam a proclamar a vitória iminente contra os americanos, com estes às portas de Bagdad!?

DO AUTISMO E SUAS CONSEQUÊNCIAS

Hoje aqui Baptista Bastos sobre o autismo do governo e da ministra da educação perante os protestos dos professores:

«Um Governo que recusa, constantemente, a obrigação de ouvir o outro, admite a possibilidade do direito à desobediência. A rigidez decisória não conduz ao apaziguamento e distancia-se dos verdadeiros interesses, criando rancores e ressentimentos desnecessários e duradouros. Conversar, escutar, dialogar, debater, por vezes com furor e impaciência, é solução muito mais eficaz do que alimentar uma inconsiderada teimosia, de consequências imprevisíveis.»

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

O FUTEBOL NA BLOGOSFERA

Para mim, quem escreve melhor sobre futebol na blogosfera é o Mar Salgado. Senão vejamos.

Sobre o jogo Sporting-Porto e o golo que Hulk marcou ao deixar para trás o pesadão Rochenback pregado ao chão, escreveu:

«Nunca tinha visto um super-herói ser perseguido por uma abóbora e ainda assim marcar um golo.»

Sobre o Benfica, na sua derrota 0-2 frente ao Galatasaray (falando das contratações dispendiosas de jogadores medíocres como Yebda, Carlos Martins e Balboa), disse:

«Estamos em Novembro. Esta constatação serve para isto: já não adianta lamentar o ticket Yebda-Martins, a ausência de um lateral direito ou os 4 milhões gastos numa coisa que rima com meloa.»


domingo, 9 de novembro de 2008

COMO DESTRUIR UM PAÍS

OU DA IMPORTÂNCIA DOS PROFESSORES

Posta excelente, esta, de Carlos Botelho, no Cachimbo. Reproduzo-a na íntegra (com fotografia e tudo) pois gostaria muito, muitíssimo, de a ter escrito.

«Quando em 39, os valentes rapazes da Wehrmacht avançaram pela Polónia adentro (a velha maneira alemã de estender a sua Kultur a Leste, a maneira da bota), dedicaram-se com esmero (ajudados pelos ainda mais valentes SS) a destruir o país. A acabar com ele. E como? Culturalmente. Não é ironia. As suas Mauser também tinham ali uma missão cultural. O III Reich não queria somente conquistar a Polónia. Queria eliminá-la. A Polónia devia pura e simplesmente deixar de ser. Método usado: chegando a uma aldeia ou vila, fuzilavam o professor lá da terra.
Era gente que sabia muito bem como se fazem essas coisas. Acabar com um país.»

E AGORA O FUTURO

Todos ouvimos há dias o presidente francês, Nicolas Sarkozy, dizer para as câmaras da televisão, mais ou menos isto (e cito de cor):

“Vamos ter uma cimeira com os americanos e vamos ter que chegar a um acordo imediato para resolver a crise financeira mundial. Já chega de uma potência sozinha definir o rumo dos povos; já chega de haver apenas uma moeda a dominar o comércio mundial”.

Pois bem, agora pergunto:

Representando a União Europeia um décimo da economia americana, será que a Europa tem forças para impor seja o que for à América no domínio económico e comercial? Não me parece. O que me parece é que só com aliados de peso, tipo China, Índia, Japão é que a Europa conseguiria dobrar a América. E digo “conseguiria” porque como se sabe:

a) A China é detentora de ― comprou ao longo do tempo ― cerca de dois terços da Dívida Externa americana;

b) O Banco Central da China é proprietária de triliões de dólares americanos;

c) O principal parceiro comercial da China são os Estados Unidos (quer quanto ao volume de exportações, quer quanto às importações).

Assim sendo, quem é que acredita que a China se aliará seja a quem for para afrontar ou enfrentar a América?...

O Japão ― idem, idem; aspas, aspas.

E já não há mais aliados de peso para a Europa. A Europa está condenada a aliar-se aos Estados Unidos e a seguir aquilo que os americanos escolherem como melhor para eles.

Acho, portanto, que a crise europeia se tornará ainda mais séria do que parece, se os dirigentes europeus insistirem em actos de pura bravata, como fez agora Sarkozy, perante os americanos.

A Europa precisa agora é de mudar de paradigma político, económico e social, para acertar o passo com a nova América que aí vem.

Para isso a Europa necessita. Absolutamente. De mudar de líderes.

Não se vê como é que os liberalões que levaram o mundo à catástrofe económica e financeira a que estamos todos a assistir, poderão conseguir aliar-se, a partir de agora, a uma América que vai ser, pelos vistos e ouvidos, diferente da América do senhor Bush; senhor Bush que tanto encantou os actuais dirigentes europeus ao longo dos oito anos catastróficos protagonizados por todos eles em conjunto.

Será preciso ir buscar e mostrar aqui, fotografias e documentos que provam isso? Acho que não.

Obama declarou no seu excelente discurso de vitória, na noite de 4 deste mês de Novembro, entre muitas coisas estas duas:

«... uma nova era de liderança americana está prestes a começar».

«Um homem pisou a Lua, um muro caiu em Berlim, um mundo ficou ligado pela nossa ciência e imaginação».

Quando Obama disse “NOSSA” estava a dizer “AMERICANA”, entenda-se.

CHOVER NO MOLHADO

ESTA GENTE NÃO PODE ESTAR TODA DOIDA...
E QUEM TEM RAZÃO, SER A MINISTRA DA EDUCAÇÃO.
NÃO PODE!

Eu sei que é chover no molhado; mas não posso deixar de me repetir e de repetir o que muita gente com tino tem dito:

«NÃO SE PODE GOVERNAR CONTRA AS PESSOAS»

E acrescento:

― Muito menos se pode governar contra aqueles com que se tem que contar directamente para fazer funcionar a governação.

Parece uma coisa simples de entender, mas, pelos vistos, não é.

É que há alguma diferença entre inteligência e esperteza.

Ontem os professores desceram à rua. E os autistas do governo teimam em ignorar a realidade (como é próprio daquela patologia, aliás).

sábado, 8 de novembro de 2008

BOM FIM-DE-SEMANA

O dia de trabalho hoje vai ser longo: vai ter 24 horas de duração.

Dê uma volta pelos jornais de sábado que tem muita coisa para ler; veja também os principais jornais americanos e perceba que Obama já começou a cumprir as suas promessas eleitorais mesmo antes de tomar posse como presidente dos Estados Unidos: em conferência de imprensa já disse que a prioridade na economia é ajudar a classe média a restabelecer-se e a restabelecer a saúde da economia americana; vai fazer, portanto, o contrário daquilo que o governo português tem feito desde há três anos a esta parte aqui no rectângulo.

E entretanto assiste-se a tentativas ridículas por parte de quem queira imitar-lhe os slogans de campanha!

Há gente que não se enxerga, não é?

Então, até amanhã.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

A PALAVRA AO LEITOR

Exm.o Senhor

Escrevo-lhe a propósito de uma coluna sobre o carácter e a postura moral e ética, acima de qualquer "politiquice" do Baptista-Bastos: é escandaloso que fizeram com ele, pois embora nunca tenha conversado muito com ele, conheço-o e leio-o.
Durante quase quarenta anos fui vizinho dele e da sua minúscula casa, já naquela altura em estado de conservação complicado. Durante esse perído assisti desde cedo às brutais investidas da PIDE (que não brincava) na sua casa, à sua fuga quando foi o famoso "assalto à Sé",no qual ele esteve envolvido até à ponta dos cabelos ( com armas até), tendo de fugir até as coisas acalmarem, deixando a sua mulher e os seus filhos pequenos na casa da sogra, aos sucessivos desempregos que aquele homem teve antes do 25 de Abril e aos problemas graves daí existentes. No Diário Popular ganhava ele (e todos os os outros jornalistas) três vezes menos que os estivadores que moravam lado a lado com ele e nunca se queixou:espartano, saía todas as manhãs de cara lavada para o trabalho. Nunca percebi como é que ele conseguiu escrever livros e ensaios naquelas condições e numa casa do tamanho de uma sala, onde viveram cinco pessoas (ele, a mulher e os seus três filhos). Na sua última vez, já na dita democracia durante o tempo do Cavaco ministro, despediram-no de vários jornais (ele estava na lista negra do primeiro-ministro), a sua casa estava já em estado caótico e muita gente em Alfama tinha sido realojada ou as suas habitações recuperadas com apoio camarário, estando os seus filhos no ensino superior oficial, não tendo outra hipótese senão tirar boas notas, pois não havia dinheiro suficiente para luxos de escolas privadas.Aliás, foram os únicos miúdos lá da rua que tiraram cursos superiores naquela altura!
O senhorio aumentava a renda e nunca fez obras. Após os tribunais não darem em nada, começou a escrever inúmeras cartas para a Câmara resolver a situação de todas as famílias envolvidas e anos depois lá saiu, após técnicos camarários fazerem vistorias as casas todas. O BB já com sessenta e tal anos, foi o último entre dezenas de famílias que de lá saíram para outros lados; entretanto a vida dele começou a endireitar, com os programas de televisão e a escrever regularmente.

Curiosamente, a amizade e a moral sempre estiveram para ele acima da ideologia política, pois sei que teve discussões enormes e até violentas fisicamente na sede do PCP entre meados dos anos setenta até aos anos oitenta, defendendo grandes amigos dele nos antípodas do que ele apoiou políticamente, tais como o João Coito (salazarista dos sete costados e jornalista do jornal o diabo), António Maria Zorro, entre outros que ele nunca sob circunstância alguma deixou de estenter a mão amiga, dar apoio e transmitir respeito.

Voltando à história: o senhorio, quando o prédio ficou devoluto fez obras e alugou dez vezes mais!
Não percebo o silêncio do Mário Crespo, quando ele próprio fez uma reportagem à anos na RTP, sobre um dos sucessivos desempregos do Baptista-Bastos. Muito menos o silêncio dele quando num frente a frente O Vicente Jorge Silva disse que tinha "vergonha de pedir uma casa", mas o Vicente não teve vergonha de pedir para ser deputado (coisa que o BB teria certamente vergonha): isto não se faz a um homem, quanto menos a um colega de trabalho! O Expresso fez cinco artigos contra o homem à três semanas cheios de ódio: não compreendo estes neo-liberais de uma amoralidade que me deixam estupefacto...
Nunca li nada nos Jornais que o BB não atacasse, quando não achava justo, quer à esquerda, quer à direita, até o João Soares, de quem não gosto nada, levou nas "bochechas" quando foi preciso. Fizeram muito mal a um homem demasiado sério, e eu sei que também devem achar que existem aqui uma série de invejas e ódios, despoletados só por colegas, aproveitado por políticos do piorio...algum povo vai atrás desta paródia!
Lembra aquela história do velho Leão cercado por chacais. Têm de ser muitos, pois "mano a mano" ninguém lá vai!!
O BB não se vendeu, nunca foi delator, nem escreveu artigos a elogiar nem a "engraxar" ninguém, senão acho que em vez de ter uma casa alugada à câmara, tinha uma casa própria num condomínio privado, como alguns dos seus colegas têm.
Ainda por cima ele vive ao lado da Quinta do Barros, que são só bairros sociais à volta, e ainda dizem que é um sítio de "classe média/alta"!...Eu tinha mais medo de saír dali à noite, do que em Alfama!
O homem deve andar pelos setenta e muitos anos, pelo que acho a afronta e a falta de respeito ainda maior por um cidadão que tudo fez para honrar e desenvolver o jornalismo em Portugal e é um dos maior escritores de Lisboa!... Ele não se "vendeu" aos trinta,nem aos quarenta, em situações muito piores,com filhos pequenos e era aos sessenta e tal, já velho e numa casa inqualificável?..Além disso se ele quisesse comprar casa, nenhum banco lhe concedia empréstimos - eu sei disso. Por outro lado se ele estivesse morto ou a viver na sua antiga casa, ninguém dizia nada! Eu acho que toda a gente enlouqueceu!...deve ser por causa do "crash" na bolsa, ou não?!

Ele e a família são muito respeitados no bairro de Alfama. pois os mais velhos sabem o que ele passou: os seus jovens colegas de trabalho pelos vistos esqueceram-se.

P.S.- Lembro-me de ele comprar uma minúscúla casa em Constância do Ribatejo,depois de ter feito dois trabalhos para a RTP por 800 contos (uma fortuna!...) e estar a contar isso todo contente lá na rua, para poder guardar as suas largas centenas de livros, porque já estavam a acumular-se na casa de banho!.. Mas acho que casa é tão pequena que a cama foi colocada por cima dos livros! O neoliberal Expresso ainda disse que é "casa de férias"! onde?...na Síbéria?...É só rir!

No Expresso o Miguel Sousa Tavares é um dos que o atacou, esquecendo-se que o Dr. Jorge Sampaio, quando foi Presidente da Câmara, cedeu uma casa ao Pai dele no Lumiar e o filho ainda ia lá visitá-lo!. E o malandro só ataca o BB por isso! Que pouca vergonha!...Eu tenho a certeza absoluta, porque a minha filha vive perto!


Será que vão todos atacá-lo como o fez o jornal Expresso, ou permanecer todos calados (como o Mário Crespo que tanto o louvou e dizia na TV que ele é o maior dos jornalistas, vai permanecer calado na televisão?). Basta lêr o Baptista-Bastos ontem, hoje, e esperemos que por muito tempo), para ver que ele não tem nada a ver com o caso das "casinhas da câmara"! A única coisa em comum é ele ser arrendatário da Câmara! Por comparação: Lá por eu viver em Alfama, não implica que seja fadista ou apregoe peixe!

Espero todos tomemos uma iniciativa após ler isto! Gosto muito do seu Blog: continue assim!
Saúde!

João Coelho
(empregado bancário na pré-reforma, enquanto ainda houver dinheiro em Portugal!)

GESTÃO DE PACOTILHA


Que a coisa nunca funcionou bem, já toda a gente sabia; mas agora a direcção de Vieira, do Benfica, enfiou o “clube dos seis milhões” num caixotinho chamado MEO que quase ninguém tem, fazendo com que o jogo de ontem fosse telespectado por escassos milhares de almas quando o poderia ter sido pelos habituais milhões de telespectadores de um canal generalista ou mesmo da SporTV; que fosse telespectado por larguíssimos milhares de cabo-verdianos e milhões de angolanos e pelo impagável senhor Xanana Gusmão ―, fazendo um manguito colossal a toda aquela gente.

(Não sei se em Cabo Verde e em Angola, que é onde o Benfica tem mais adeptos por metro quadrado, houve suicídios por causa do blackout vieirista).

Um amigo meu que tem a caixinha MEO disse-me que «aquilo é anedótico e de partir o coco»; que «a pouquíssimos minutos do final do jogo, com o Benfica a perder por 2-0 e mais perto de sofrer o terceiro golo do que de marcar, o “comentador”, um funcionário do clube, dizia ― quando no estádio já só metade do número de espectadores inicias lá permanecia ― que ainda era bem possível ao Benfica marcar (não dois mas) três golos aos turcos»...

?!...

Rev. JESSE JACKSON


KWAME KONDÉ (IV)

Intervenção Quarta...

O escritor português e Prémio Nobel de Literatura 1998, José SARAMAGO (n-1922), numa recente conferência de Imprensa, em Lisboa, a propósito do filme: “Ensaio sobre a cegueira”, do Realizador brasileiro Fernando MEIRELLES adaptado de um romance seu, criticou o Sistema Capitalista e a actual lógica de mercado, atribuindo responsabilidades aos “Grandes financeiros, os directores das grandes empresas e dos bancos”. E remata a sua intervenção, argumentando, desabrido e de modo lapidar, com a seguinte sentença: “Marx nunca teve tanta razão como hoje”. Ver mais pormenores sobre a entrevista em apreço na reportagem inserta no Semanário português, “Expresso”de 27 de Outubro de 2008.

Porém, na nossa óptica e perspectiva, não explicitou adequadamente o conteúdo de verdade e de fundo que a sua asserção assume, na sua essência primordial. Eis porque, nos ocorreu a ideia de tecer algumas considerações acerca da Actualidade do Magistério e Pensamento respectivo do filósofo alemão, KARL MARX. Assim, nesta dinâmica, esta nossa peça ensaística surge, enquadrada, adentro da Temática: Na Hora da Verdade!...No caso vertente, Intervenção Quarta, em que vamos apresentar, de forma pedagógica, o nosso contributo, visando uma elucidação, quão percuciente e apropriada no atinente à Actualidade, real das Ideias e Pensamento de Marx.

De feito e, na verdade, o marxismo (grosso modo, se assume como doutrina filosófica, política e económica oriunda da lavra de K. Marx, que analisa os processos históricos consoante métodos dialécticos e materialistas, à luz da luta das classes), constituiu—dizíamos—o movimento político de lutas mais importante contra as excentricidades/extravagâncias do sistema capitalista e do Liberalismo. Contudo, no decurso dos trinta (30) derradeiros anos do século XX pretérito, aparentemente perdeu muito da sua sedução, na sequência dos “êxitos” das “democracias” ocidentais, da “estabilidade” que geraram e do papel desempenhado pelo Estado Providência. Daí, o chorrilho de dislates aventado, por todo um coro de ignorantes, de vários quadrantes, fruto de opiniões apressadas, visando denegrir os válidos e robustos fundamentos da análise marxista, propalando uma mensagem adulterada de que realmente, havia perdida a sua pertinência efectiva.

Todavia, desde alguns anos, o contexto se encontra em vias de mudar. Com efeito, o Ultraliberalismo inaugurado por Ronald REAGAN nos USA e Margaret TCHATCHER no Reino Unido, provocou um incremento das desigualdades entre os pobres e os ricos e, outrossim, uma erosão da classe média. Por sua vez, o crescimento económico mundial não trouxe os proveitos prometidos à imensa maioria dos habitantes dos países mais pobres. Pelo contrário, do facto apenas aproveitou uma débil fatia da população, assim como os usurpadores de capitais das grandes empresas multinacionais.

De anotar, por outro, para tornar a Situação, ainda mais deletéria, por toda a parte no Mundo, aparecem receptáculos/reservatórios de mão-de-obra, com débeis remunerações sob a ameaça de deslocação de fábricas e de externalização da produção. Assiste-se, deste modo, ao retorno do que MARX denominou do “exército industrial de reserva”, que garantiu ao Capitalismo a preservação dos seus imensos lucros, permitindo exercer pressão sobre os salários. Por seu turno, as organizações sindicais e os Partidos operários, pela sua real fraqueza, já não podem impor aumentos de salários e um sistema fiscal de redistribuição das riquezas.

De feito, mais de cento e cinquenta (150) anos após o aparecimento do Capitalismo no século XIX, um novo ciclo parece seduzir com um incremento das desigualdades, das injustiças e da exploração dos trabalhadores. Eis porque, os conflitos vinculados às condições das permutas económicas e ao controlo dos recursos escassos vão se exacerbar a olhos vistos. Deste modo, se afigura sobremaneira provável que a análise marxista, como meio de explicação das situações políticas e económicas, recupera uma nova atracção/influência.

Enquadra-se, efectivamente nesta dinâmica, o caso sobremaneira paradigmático do Movimento altermundialista que vê nas fraquezas do Capitalismo globalizado as mesmas características que as do Capitalismo tal como o descrevia e o criticava MARX. Assim, a ausência de outros modelos de análise político-económico mais coerentes e mais pertinentes para lutar contra os efeitos nefastos do Capitalismo reforça as oportunidades de ver a análise marxista renascer e vir a ser o denominador comum dos movimentos de contestação que avisadamente proliferam, cada vez e mais, por todo o mundo.

Enfim e, em suma, eis porque, para todas as vítimas da Globalização, para todos les laissés pour compte da economia do mercado, para todos os indigentes, os escravos do trabalho e os proletários, a Actualidade do Magistério e do Pensamento respectivo de MARX é um dado inquestionável, absolutamente. E, parafraseando, lúcida e criticamente o filósofo e sociólogo Suíço, Jean ZIEGLER (n-1936), actualmente relator especial da Comissão dos Direitos do Homem (das Nações Unidas), sobre o Direito à Alimentação, urge, se impõe, evidentemente, gritar em alto e bom som: “A demain, Karl”, título, aliás, bastante sugestivo da sua obra, de cariz, um tanto ou quanto, premonitório, datada de 1991.

Lisboa, 03 de Novembro de 2008.

KWAME KONDÉ

terça-feira, 4 de novembro de 2008

KWAME KONDÉ (III)

Informação importante e assaz pertinente acerca do

GRUPO CÉNICO

“TCHON DI KAUBERDI”

Ao mesmo tempo que liquidamos a cultura colonial e os aspectos negativos da nossa própria cultura (…), devemos criar uma outra cultura baseada sobre as nossas tradições, mas respeitando tudo o que mundo conquistou hoje para servir o homem (…) Amilcar Cabral

«C’est un art ― referindo-se obviamente ao Teatro ― qui est très bien reçu par les peuples sous-développés. C’est pour eux un langage extrêmement direct. Il y a un besoin, une faim de théâtre en Afrique noire ». ― Aimé Césaire

Fazer Teatro, em Cabo Verde… foi, na realidade, o grande objectivo do grupo « Korda Kaoberdi ».…Nesta ordem de ideias, era necessário provar que Teatro em Cabo Verde teria, sem dúvida, que existir consequentemente em termos universais. ― Kwame Kondé

O grupo cénico “Tchon di Kauberdi” tem uma existência efectiva de quatro (4) anos. Trata-se de um grupo teatral, de cariz eminentemente experimental, visando a prática avisada de um Teatro Total, na verdadeira e genuína acepção da expressão.
De anotar, que a sua qualidade artística e cénica é fruto de um aturado e lúcido trabalho de fundo, ipso facto, et pour cause, perseverante, que vem desde os primórdios da sua criação e edificação, cujo corolário lógico foi a sua auspiciante Estreia, no tablado, perante um Público exigente, Evento esse, que se saldou por um êxito teatral indiscutível e teve lugar no Pequeno Auditório da Escola Superior de Teatro e Cinema (ESTC), Lisboa Portugal, no ano de 2006.
De salientar, outrossim que não foi, por mero acaso, que, desde a primeira hora do seu Advento temos tido um importante e elevado apoio Institucional e Artístico da ESTC, Instituição, aliás, de reconhecido prestígio nacional e internacional.

De consignar, outrossim e, ainda, que recentemente, recebemos mais um significativo Apoio Institucional oriundo desta magna Instituição, que é efectivamente, a Sociedade da Língua Portuguesa (SLP), cuja actual Presidente é a Professora Doutora Elsa Rodrigues dos Santos, que nos disponibilizou as instalações da sua Sede, em Lisboa para o nosso labor. Deste modo, poderemos levar a cabo, todo o nosso Trabalho de experimentação artística, teatral e estética, designadamente recherche/pesquisa, não só, no âmbito cénico e teatral propriamente dito, como também, no domínio cultural – lato sensu – e, por extensão óbvia, da nossa cultura nacional; ensaios, enfim, todo o leque de actividades, necessariamente consequentes, que um grupo cénico precisa para crescer e se desenvolver consentânea e apropriadamente.
Neste particular, vale a pena referir que está agendado, no Calendário de Actividades Culturais da SLP, actuações do Grupo, já na primeira semana do próximo mês de Dezembro de 2008 em curso, não só, na sua Sede em Lisboa, como outrossim e, ainda, em demais outras salas de espectáculos, quer em Lisboa, quer em outras localidades de Portugal.


Neste momento, por razões e motivos óbvios, o Grupo integra, no seu seio, vinte e cinco (25) elementos, nomeadamente, actores, cenógrafos, aderecista, músicos, bailarinos, sonoplasta, luminotécnico, assessor jurídico, etc, etc. Eis porque, o grupo cénico “Tchon di Kauberdi”assume-se plena e eloquentemente o Estatuto de Grupo teatral de vocação eminentemente experimental apostado na prática consentânea de um Teatro Total, pois que dispõe de estrutura e autonomia suficiente, que lhe confere a competência artística e cénica para levar avante, com eficácia segura, um tal desideratum.


Lisboa, 01 De Novembro de 2008.

Francisco FRAGOSO
(Encenador e Director artístico do grupo cénico “Tchon di Kauberdi”).


O BOMBEIRO PRESUNÇOSO

O Abrupto, lesto, veio ontem desculpar aqui Ferreira Leite considerando «inócua» a declaração desta sobre Cabo Verde e a Ucrânia.

Não tem razão Pacheco!

A declaração fere as pessoas; fere a relação entre as comunidades a que diz respeito; e desvenda um pouco o íntimo político de Ferreira Leite no que às relações internacionais de Portugal diz respeito.

Pacheco não sabe melhor do que aqueles a quem as declarações dizem respeito, se eles se sentem atingidos ou não. Quem sente é que sabe. Ao menos que Pacheco deixe que sejam os atingidos (cabo-verdianos ou ucranianos) a exprimirem os seus sentimentos.

«Inócua» uma ova!

EMTEMPO

Por recear não saber utilizar bem a ironia de forma a fazer-me entender claramente por todos os que me lêem, apresento aqui duas declarações muito curtas:

1) Tudo que tenho dito sobre Sarah Palin é pura brincadeira encontrando-se a verdade apenas quando falo da beleza da senhora.

2) Espero ― tenho mesmo a profunda esperança ― que Barak Obama ganhe as eleições presidenciais americanas dando uma grande, enorme, colossal abada a John McCain.


domingo, 2 de novembro de 2008

A FIGURA DA SEMANA

Como o BPN (Banco Português de Negócios) não lhe relatou as irregularidades que lá eram praticadas;

Constâncio «não sabia que existiam irregularidades no BPN».

E agora perguntemos: Sendo assim, como pode Constâncio vir dizer à malta que está tudo bem com os outros bancos?

Ou será que estes bancos relatariam alguma irregularidade ao Banco de Portugal caso as praticassem?

Socorro!

O SEGURO DE VIDA DE SÓCRATES

Hoje, à hora do almoço, numa entrevista à TSF, Manuela  Ferreira Leite, instada a falar sobre as obras do novo aeroporto e o projecto do TGV, não esteve com meias medidas:

«Estas obras são boas para combater o desemprego em Cabo Verde e na Ucrânia».

Oh santos senhores! Quem é que explica de uma vez por todas a esta pobre gente tipo Ferreira Leite e que tais (que infelizmente ainda há muita) que Portugal é um país de emigrantes que quase desde os seus primórdios teve sempre e tem uma larga fatia do seu povo procurando a vida no estrangeiro, e que, por isso mesmo deveriam ter muito cuidado e respeitinho quando falassem da imigração. É que há portugueses a rodos por este mundo fora (muitos labutando em Cabo Verde e ganhando lá a vida - até extensões de bancos portugueses comerciando clandestinamente em Cabo Verde há, como disse Constâncio hoje) o que dá aos cabo-verdianos, por exemplo, toda a legitimidade de quererem vir trabalhar em Portugal.

Ou não será assim?

Para além do mais deveriam saber que esta coisa da imigração tem muito que se lhe diga sendo por isso preciso ter muito tino quando se o aborda porque lhe costumam estar muito colados o racismo e a xenofobia que, como sabemos, não pedem licença para se manifestarem em certas pessoas. 

Para já uma Associação de Ucranianos em Portugal já respondeu a Ferreira Leite dizendo-lhe que «muitos ucranianos trabalharam já em Portugal, pagaram os seus impostos, descontaram para a Segurança Social e depois foram-se embora deixando tudo isso cá».

Será que Ferreira Leite vai propor ao governo reembolsar esses ucranianos?

Santa paciência!

Ó senhora, vá ver se chove, sim!?

EU ADORO ESTA MULHER!

E ISTO NÃO SE FAZ!

Meu Deus, gozaram com Sarah Palin!...

De um programa de rádio canadiano telefonaram à bela senhora fazendo-se passar pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy ― ingénua e crédula Sarah caiu na armadilha...

Alguns acham que ela fez uma figura ridícula ao telefone. Eu fiquei maravilhado com a genuinidade e disponibilidade espiritual de Sarah Palin.

Podem os americanos eleger Obama daqui a dois dias; mas Sarah Palin será a minha presidente espiritual daqui para o futuro. Não quero outro poder na Terra.

OBAMA 52%


Sondagem nacional da Gallup referente ao dia de ontem, 1 de Novembro (hoje ainda a América está a dormir):

OBAMA: 52%
McCain: 42%



GESTÃO EMPRESARIAL (FABRIL)

Vi este cartaz no Wehavekaos e como cidadão contribuinte e interveniente, social e politicamente, concordo com a mensagem.

Exige-se aos professores o cumprimento integral do horário de trabalho nas escolas? Então, força nisso: cumpram o horário de trabalho integralmente na escola. E não façam MAIS NADA (nenhuma acta, preparação de aulas, correcção de pontos, etc.) em casa; façam tudo isso na escola.

Eu, que tenho outra profissão que não a de professor, já faço isso há algum tempo (desde que também aplicaram a gestão empresarial lá no meu... coiso). Cumpro integralmente o horário de trabalho no local de trabalho (que é como eles querem), e o meu tempo em casa é isso mesmo ― é MEU! Deixei de trabalhar em casa... para o coiso, como fazia dantes. E só atendo o telemóvel porque ainda me resta algum respeito pela profissão, pelos outros, e porque me sentiria indigno se o não fizesse (como querem que eu faça ― na lógica que eles implantaram).

Querem que tudo funcione como nas fábricas?

Então vamos lá a isso e vejamos depois em que estado o País ficará com esta filosofia de gestão empresarial para tudo.

Raio de mentecaptos!

ORGULHO CABO-VERDIANO

Leio no blogue Sobre o Tempo que Passa do Prof. Doutor Jose´Adelino Maltez, linkado aqui ao lado, uma folha do seu diário de Timor, onde se encontra a leccionar, e fico orgulhoso por uma observação que Maltez faz acerca da democracia cabo-verdiana. Foi nesta passagem que transcrevo e sublinho:

«Acordo manhã e domingo e recordo que ainda ontem ao fim da tarde, sentado num sofá do Hotel Timor, estava, mui calma e serenamente o ex-chefe do governo Alkatiri, tomando cafezinho com a filha, a netinha e meia dúzia de amigos e amigas, assim se confirmando como a democracia é real nestas paragens e que a alternância custa, mas é efectiva. Por mim, que ainda não consegui compreender por dentro as divisões políticas entre timorenses, quase me apetece dizer que, entre os hortistas, os xananenses e os alkatirianos, todos eles irmãos, nascidos do mesmo nó de gerações, é mais o que os une do que aquilo que os divide. Uns são mais voltados para uma racionalidade finalística obtida entre os modelos moçambicano-europeus, outros, mais marcados pelos modelos internos do compromisso, mais orientalistas, mais racionais-axiológicos. Se os primeiros preferem o "state building", já os segundos tendem mais para o "nation building". Os dois são necessários e a alternância se for "à cabo-verde" pode ser o sal da terra».

A FOTO DE FRENTE


Ooooops!...

Ter-me-ei enganado... Ou terei sido enganado!?...
Terei fotografado uma outra... Ou foi ela que se vestiu depressa?...
Não sei. Mas acho que não me enganei  é ela! 

BOM DIA.

sábado, 1 de novembro de 2008

SAUDADES DO VERÃO


BOM DIA.

Amanhã publica-se a fotografia de frente. Não perca.

UM ARTIGO DE JORGE MORBEY

Do sempre fixe, Djibla (Daniel Mascarenhas), recebi este interessante e fundamentado artigo da autoria do nosso amigo comum Dr. Jorge Morbey, ex-adido cultural na Embaixada de Portugal na China, publicado na revista Hoje Macau, de Agosto.

MACAU 2008 - A LUSOFONIA EM FESTA

Radica na mais antiga tradição católica lusa o calendário de festas e romarias que assinalam a superação de crises originadas pela guerra, pela doença, por calamidades naturais, etc., cuja celebração inclui manifestações religiosas e profanas.

Os festejos anuais da Lusofonia em Macau, se bem que destituídos de programação de índole religiosa, parecem poder entroncar nessa mesma tradição. O ambiente de festa e alegria não deve, porém, ser impeditivo de alguma reflexão produzida entre os cidadãos originários dos países que têm o Português como sua língua oficial. 

A Lusofonia como, aliás, a Francofonia, a Hispanofonia e a Anglofonia, são espaços que radicam no fenómeno colonial e que assentam no uso da língua do ex-colonizador como cimento aglutinador das antigas colónias. Entre si e com as respectivas metrópoles do passado. Nesses espaços procura decantar-se a História de episódios de força e opressão, transformar em amigos anteriores inimigos, substituir a violência pretérita pelo diálogo, suprir a antiga exploração pela moderna cooperação.

Ao contrário das teses que sustentam que tais espaços existem para manter o espírito colonial, parece que no seu estádio actual eles existem como áreas de catarse ou expiação. E não parece que possam ir mais além, tendo em conta os fortes compromissos existentes entre os países europeus, no seio da União Europeia, que inviabilizam irremediavelmente a participação plena dos países membros da UE em qualquer outra “Comunidade de Povos”. Atente-se no modo como o Acordo de Shengen inviabiliza qualquer expectativa de livre circulação de cidadãos das antigas colónias no território das antigas metrópoles, apesar de pertencerem à mesma comunidade linguística – anglófona, francófona hispanófona ou lusófona.

O fenómeno colonial, na sua formulação pura e dura, foi a revalidação entre as potências coloniais europeias dos seus interesses de exploração em África, formalmente assumida na Conferência de Berlim, em 1885. Aí, muito antes de Shengen, Portugal viu-se forçado a aderir ao discurso colonial europeu, ao arrepio da sua própria tradição e muito para além da capacidade que se lhe exigiu, em resultado da então nova regra colonial europeia que determinava, sem apelo nem agravo, a ocupação efectiva dos territórios africanos.

O anticolonialismo do Século XX e a descolonização por ele determinada foi um facto sem antecedentes na História da Expansão Europeia porque se centrou no objectivo impreterível de reconquista da Soberania pelos povos colonizados.

O Século XIX assistiu à secessão das colónias americanas dos respectivos países ibéricos e o Século XVIII foi o tempo da independência das colónias inglesas da América do Norte, à excepção do Canadá para onde se deslocaram os colonos que preferiram manter-se leais à Coroa Britânica e que ficaram conhecidos por United Empire Loyalists.

A independência das colónias americanas foi um fenómeno sui generis, uma vez que os respectivos territórios não foram restituídos aos seus povos originários mas entregues aos europeus e seus descendentes que aí se tinham estabelecido. A descolonização dos Séculos XVIII e XIX constituiu, portanto, o resultado da secessão de interesses em conflito que opunham europeus geograficamente separados pelo Atlântico, mas unidos pela mesma língua. 

O Século XVII tinha sido a época de consolidação de uma nova ordem europeia no domínio do Mundo cujo exclusivo, ditado em Tordesilhas, deixou de pertencer aos países ibéricos e, em várias partes, foi derrubado e substituído por holandeses, ingleses e franceses. A abertura dos mares à navegação de outros países europeus, além de Portugal e de Espanha, resultou da acção da Reforma iniciada com Martim Lutero e teve por consequência o esvaziamento do poder central europeu pela autoridade pontifícia romana que vigorava desde a queda do Império Romano. 

A hegemonia portuguesa no Índico e no Pacífico durou perto de um século e foi profundamente abalada com a chegada em força dos Holandeses àqueles mares. A transferência de domínios entre países europeus – de Portugal católico para a Holanda protestante, principalmente - constituiu o pano de fundo em que emergiram as Cristandades Crioulas Lusófonas do Oriente.

Com a substituição da dominação portuguesa pela holandesa, permanecendo nas terras que as viram nascer, deportadas para outras paragens, ou forçadas à emigração, essas comunidades mestiças talharam a sua identidade própria que perdurou até aos nossos dias e que assenta em dois pilares principais: a religião católica e a língua crioula. 

A religião católica fora trazida pelos portugueses, directamente de Portugal ou através de Goa – a Roma do Oriente. Convertidos ou nascidos nela, com ela haviam de morrer, geração após geração de euro-asiáticos de origem portuguesa. 

A sua língua crioula era a língua portuguesa na formulação que lhe garantira o estatuto de língua franca no litoral da Ásia e da Oceania, desde o Século XVI até à sua substituição pelo inglês, no Século XIX. Holandeses, ingleses, dinamarqueses e franceses não podiam prescindir de um “língoa” [intérprete] a bordo para poderem comerciar nos portos do Oriente, na língua que era - nada mais, nada menos – aquela que as Cristandades Crioulas Lusófonas do Oriente falavam e, muitas delas, ainda falam. Tratados, contra os interesses portugueses, foram firmados entre representantes desses países europeus e poderes locais nessa mesma língua, por ser a única a que os europeus podiam recorrer para comunicar no Oriente. Ainda hoje, em muitas partes deste lado do Mundo, “Cristão” e “Português” são sinónimos.

A forte identidade das Cristandades Crioulas Lusófonas do Oriente cimentou-se em grande parte na adversidade. O conflito religioso nascido na Europa, entre católicos e protestantes, ramificou-se por todas as paragens do Oriente onde o poderio holandês se firmou. A profanação e a destruição de igrejas e mosteiros, a expulsão dos padres, a proibição de qualquer acto de culto católico, as deportações maciças, a redução de muitos à condição de escravos, compeliram os membros dessas cristandades à clandestinidade e à emigração: Macau, Índia, Insulíndia, Sião e Indochina foram os destinos principais.

Escondidos em suas casas ou refugiados nas florestas, os membros das Cristandades Crioulas Lusófonas celebravam como podiam os actos de culto. Sem padres e sem igrejas, organizaram-se em irmandades clandestinas que, ao fim de décadas, produziram fenómenos de cristalização cultural, de natureza religiosa - e linguística – que impediriam, por séculos, a sua plena integração nas paróquias católicas criadas posteriormente. Tais irmandades permaneceram até aos nossos dias e conservam determinadas prerrogativas que limitam a autoridade dos párocos, o que é visível em algumas celebrações onde os padres se limitam à Eucaristia e à Confissão dos fiéis porque, em tudo o mais, quem manda é a Irmandade. 

À medida que a dominação holandesa foi sendo substituída pela inglesa, as Comunidades Crioulas Lusófonas do Oriente foram ficando menos oprimidas e, em alguns casos, foram as próprias autoridades coloniais britânicas a tomar a iniciativa de lhes facultar padres portugueses.

Perdida a confiança que a Santa Sé depositara desde o Século XV em Sua Majestade Fidelíssima o Rei de Portugal, após o corte das relações diplomáticas por iniciativa do Governo liberal em 1833 e a extinção das ordens religiosas por decreto de 31 de Maio de 1834, o Padroado Português do Oriente sofreu um golpe mortal. Na Índia, no Ceilão - hoje Sri-Lanka -, no Sudeste Asiático, na China e na Oceania. Permanecendo - os que podiam - nas suas missões, os missionários do Padroado não seriam substituídos pelos seus confrades. O clero secular de Goa, numeroso e bem preparado, acorria em socorro das Cristandades Crioulas Lusófonas do Oriente que iam ficando sem religiosos. Quase sempre em vão. Os missionários da Propaganda Fidae e das Missions Étrangères de Paris já as ocupavam e os respectivos vigários apostólicos impediam-lhes o exercício do seu múnus. A expansão missionária francesa no Oriente começara ainda no século XVII.

As Cristandades Crioulas Lusófonas do Oriente, gente simples e temente a Deus, mantidas na ignorância dos conflitos entre Portugal e a Santa Sé, lutaram anos sem fim contra as novas autoridades eclesiásticas com quem conflituavam abertamente e às quais consideravam estrangeiras. Durante décadas pagaram por isso o elevado preço de lhes serem recusados os sacramentos a que só esporadicamente tinham acesso quando aportava um navio com um sacerdote, ainda que espanhol. Clamaram sempre pelo envio de clero. De Portugal, de Goa ou de Macau. Em vão.

A firme identidade das Cristandades Crioulas Lusófonas do Oriente, ainda hoje, evita o casamento dos seus membros com indivídos exteriores a elas e prefere que os futuros cônjuges provenham do seu seio ou de outras cristandades, ainda que distantes. Quando assim não acontece e o casamento une um membro seu a alguém que a ela não pertence, a regra é a conversão deste à religião católica e a aprendizagem da língua crioula.

Algumas dessas comunidades desfrutam de um status ou imagem social positivo nos países onde vivem. Outras, porém, são socialmente desqualificadas e os seus membros são depreciativamente designados por “negros”, apesar da sua côr mais clara - da pele, do cabelo e dos olhos - relativamente aos naturais com outras origens étnicas. 

A nível individual, nos países onde se encontram, podem encontrar-se membros originários destas comunidades nos mais elevados estratos da sociedade: do mundo da política à actividade empresarial próspera, nas mais elevadas funções da hierarquia eclesiástica ou simples párocos de aldeia. Onde se verifique a existência de uma significativa percentagem de membros destas comunidades no clero católico, isso parece resultar da intensa discriminação de que são objecto no acesso ao ensino público e ao mercado de trabalho – público e privado. Em regra, dedicam-se a actividades modestas. São pequenos proprietários, simples trabalhadores agrícolas ou pescadores. 

Com a descolonização das antigas colónias portuguesas de África foi restituído aos seus povos o direito de decidirem sobre as suas línguas nacionais. Em todas elas o português foi adoptado como língua oficial, ao mesmo tempo que se reconheceu expontânea dignidade às línguas maternas dos seus povos.

As Cristandades Crioulas Lusófonas do Oriente, substituído o domínio português, permaneceram sob domínio colonial europeu que as hostilizava ou, pelo menos, não dignificava. Assim permaneceram até à independência dos países em que se encontram, onde constituem minorias com reputação variável em cada um deles. Por naturais razões de unidade do Estado, esses países mantiveram como língua oficial o inglês – a lingua do último colonizador – e privilegiam uma das suas línguas como língua nacional.

O poder colonial inglês não descolonizou as Cristandades Crioulas Lusófonas, no sentido de restituir dignidade à sua identidade, de que a língua crioula faz parte integrante, o que, aliás, não era de esperar. Nem é de esperar que os poderes pós-coloniais de motu proprio venham a dedicar-lhes a atenção a que têm direito. 

A incapacidade de Portugal nesta matéria é uma evidência secular, filha da ignorância e do preconceito, como atestam alguns exemplos que se registam de seguida e que ocorreram num intervalo de cento e cinquenta anos.

1. José Joaquim Lopes de Lima, político português e administrador colonial - governador de Timor que cedeu a ilha das Flores aos holandeses -, no seu “Ensaios sobre a Statistica das Possessões Portuguesas no Ultramar..” (1844) dá uma pequena amostra da desconsideração e desrespeito nutrido em relação às Cristandades Crioulas e à língua por elas falada. No que respeita ao Crioulo de Cabo Verde, classificava-o de gíria ridícula, composto monstruoso de antigo Portuguez, e das Linguas de Guiné, que aquelle povo tanto présa, e os mesmos brancos se comprazem a imitar.

2. Em 1988, transmiti ao Secretário da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Albino Cleto, a disponibilidade do Governo de Macau em apoiar a ida de religiosos portugueses para a Missão de S José de Singapura e para a paróquia de S. Pedro de Malaca, em virtude de se encontrarem praticamente retirados, por doença e velhice, os últimos padres portugueses enviados pelo Bispo de Macau. Respondeu-me S. E. Reverendíssima - de um modo que me pareceu tocado de complexo colonial - que a iniciativa deveria partir do Arcebispo e Bispo respectivos. Sugeri que, ao menos, a Conferência Episcopal Portuguesa os convidasse para as comemorações do Centenário da Missionação e, nessa altura, se abordasse o assunto. Que se saiba, nenhum deles esteve nessas comemorações, por declinarem o convite ou por não terem sido convidados. Suponho que se verificou a segunda hipótese.

3. Em Janeiro de 1996, teve lugar em Malaca uma Conferência sobre “O Renascimento do Papiá-Cristão [Crioulo de Malaca] e o Desenvolvimento do Património Malaco-Português”, a que tive a honra de presidir na qualidade de Adido Cultural da Embaixada de Portugal e a convite da respectiva Comissão Organizadora. Entre as comunicações apresentadas, abordaram-se temas da maior importância: as dificuldades que sobreviriam para os pescadores, representando 30% da Comunidade, em consequência dos planos de desenvolvimento local que previam extensos aterros, afastando o mar para longe das suas casas; o estudo, então em curso, para avaliação do número de falantes do Crioulo [Kristang] e necessidades para o respectivo ensino; o crescente interesse da população estudantil da Malásia, espelhado em teses versando a influência do Português sobre o Malaio e de docentes universitários daquele país empenhados em trabalhos de investigação sobre o Papiá-Cristão; a sumariação dos crioulos existentes no mundo, seus diferentes estatutos, intercâmbio dos seus falantes para troca de experiências, inventário das respectivas necessidades, modos de entreajuda e internacionalização desse património comum espalhado por vários países; a complexidade do sistema educativo da Malásia em que coexistem várias línguas e que permite a inclusão de qualquer idioma – incluindo o Papiá-Cristão e o Português padrão – mediante requerimento de quinze pais ou encarregados de educação, etc.

Expressa ou implicitamente os oradores apelaram ao apoio de “Portugal e das Fundações Portuguesas”. Estávamos no início do ano de 1996. Uma das dez conclusões da Conferência consistiu no pedido de avaliação das possibilidades de ligação das Comunidades Crioulas Lusófonas à Comunidade de Povos de Língua Portuguesa (CPLP). Outra propunha que Portugal viabilizasse a organização de um pavilhão das Comunidades Crioulas Lusófonas na EXPO 98.
Tudo foi transmitido ao Governo português pelos canais habituais. A primeira resposta recebida enviava o preçário de arrendamento dos pavilhões! Insistiu-se através de nova diligência procurando explicar melhor o sentido e alcance do que se pretendia. A resposta ignorante que encerrou definitivamente o assunto foi a de que cada Comunidade deveria diligenciar a sua inclusão nas representações dos respectivos países à EXPO 98... 

Como me referiu o Arcebispo Emérito de Mandalay, na Birmânia, U Than Aung - descendente de portugueses - onde a maioria do clero católico é de origem portuguesa e cuja Comunidade tem as suas origens na cidade de Pegú no ano de 1600, quem nunca recebeu a mais ténue manifestação de solidariedade de Portugal nada tem a esperar daí. 

Na verdade, o que poderão as Cristandades Crioulas Lusófonas do Oriente esperar de Portugal? Reflectindo quanto baste, parece poder concluir-se que:

Não rendem votos aos partidos politicos portugueses, nem remessas de divisas como as dos lucrativos emigrantes portugueses no estrangeiro.

Não rendem votos aos partidos políticos, não proporcionam negócios, nem representam qualquer quota de mercado nas exportações portuguesas. 

Não proporcionam receitas de milhões de euros ao Fisco e à Segurança Social portuguesa, nem a sua força de trabalho está à disposição de empresários portugueses, como acontece com os imigrantes - de África, do Brasil e do Leste Europeu – em Portugal. 

Na estrutura do Governo e da Administração em Portugal não existe espaço nem atenção para as Cristandades Lusófonas do Oriente. Porque elas não são lucrativas para os cofres do Estado.

Ricas e poderosas instituições privadas de utilidade pública, criadas à custa de muito dinheiro levado de Macau para Portugal, em condições que não dignificaram o País e a que caberia prestar atenção às Cristandades Crioulas Lusófonas do Oriente - saber onde estão, quantos são, que carências têm e as potencialidades que nelas existem - encaram as poucas de cuja existência sabem vagamente como criaturas simpáticas a que, de vez em quando, se dão uns amendoins com o afecto próprio do visitante de uma aldeia de macacos num qualquer jardim zoológico.

As Cristandades Crioulas Lusófonas do Oriente são, assim, comunidades de excluídos da Lusofonia que a Lusofonia tem o dever de acolher no seu seio.

O fervor recente de promover internacionalmente a Língua Portuguesa não revela a mínima preocupação de cooperar na valorização desse Património Intangível da Humanidade que é constituído pelos crioulos de base portuguesa: do Oriente e de alguns dos Países de Língua Oficial Portuguesa.

Mas o desconsolo maior é que excluídos da Lusofonia acabamos por estar todos nós. Porque apesar do denominador comum que é a Língua Portuguesa – padrão ou crioula - enquanto estivermos privados da liberdade básica de todas as outras que é o direito de estar e de ir de um lado para o outro – jus manendi, ambulandi eunde ultro citroque –, de circular livremente entre os nossos países, a Lusofonia/CPLP pode ser tudo o que quiserem. Mas não é de certeza uma Comunidade de povos livres de circularem livremente entre os respectivos países.