terça-feira, 7 de dezembro de 2010

DO FACEBOOK E QUEJANDOS

Quanto mais primitiva é uma cultura, maior é o controlo da “sociedade” sobre o indivíduo. Sabemos bem que a libertação individual só se faz de duas maneiras: ou pela rotura (com a respectiva automarginalização) do indivíduo em relação à sociedade, ou pela evolução elevação cultural da sociedade e de cada um dos seus elementos.

Não havendo uma evolução harmoniosa das sociedades, é óbvio que em cada uma delas se encontram indivíduos em diferentes estádios de evolução cultural e que tendem a agregar-se aos seus “semelhantes” culturais formando grupos variados que se relacionam, em maior ou menor grau, uns com os outros; mas com relações especiais entre os indivíduos de cada grupo. À medida que os grupos evoluem, o controlo sobre o indivíduo atenua-se e tende a desaparecer; mas este é um processo lento e longo que quase nunca chega a finalizar-se completamente.


A censura moral, o julgamento das atitudes e comportamentos do outro, a crítica, a apreciação ou depreciação do indivíduo pelos do seu grupo, são algumas das formas de controlo do grupo sobre o indivíduo e bem as conhecemos no dia-a-dia − mesmo a simples liberdade de expressão do indivíduo muitas vezes é alvo de tentativas de controlo por parte do grupo que, no mínimo, agindo impulsiva ou deliberadamente consegue perturbar a liberdade do indivíduo tentando controlá-lo mor das vezes por meios subtis..

Sabendo-se que a cultura superior é capaz de libertar o indivíduo do controlo do grupo, sem forçá-lo a abandonar o “redil” para se sentir livre e feliz no exercício da sua liberdade individual, verifica-se, entretanto, que poucos indivíduos conseguem, ao longo da sua vida, ser verdadeiramente livres e felizes, pois, a pulsão primitiva de controlo do outro é talvez geneticamente transmitido e por isso muito difícil de fazer desaparecer em cada um de nós.

Daí a necessidade de tempo e de muito esforço (estudo, leitura, aprendizagem, prática de vida social e convivência com seres superiores) para se obter a conquista da plena liberdade.

Quando a libertação é conseguida, é nesse dia que qualquer um acabará por dar razão a Jaime Nogueira Pinto quando disse certo dia na televisão:

«Não acredito na bondade do Homem».