terça-feira, 14 de julho de 2009

KWAME KONDÉ

INTERVENÇÃO QUINQUAGÉSIMA PRIMEIRA:
(II)

Prosseguindo o nosso Estudo sobre a Estratégia militar israelita, impõe-se, sublinhar, que, na verdade e, na realidade, os responsáveis israelitas nunca levaram em conta a exacta dimensão do peso dos médias e da opinião pública mundial. O Mundo teria aceite, em princípio, que TSAHAL (o exército israelita) violasse o Direito Internacional, com a condição de o fazer, de modo parcimonioso e, na ausência de poder dispor de outros meios de defesa, seguramente.

De feito, a opinião que circulava na década de noventa do século XX pretérito, teria acabado por aceitar e, quiçá mesmo relevar Israel pelo facto de se defender contra o “terrorismo” de “Setembro negro”, liquidando, um a um, os membros do comando que tinha organizado e executado o assassinato dos atletas israelitas em Munique (Alemanha, aquando dos Jogos Olímpicos), no já longínquo ano de 1972. Todavia, as liquidações assinaladas de repetição, no decurso da Segunda Intifada, o uso de Tanques de combates em zonas urbanas, a ostentação perante população pobre e, outrossim e, ainda, o recurso a combatentes invisíveis foram percebidos, de forma, sobremaneira negativa e, muito, muito negativa, mesmo, obviamente.

Sim, efectivamente, a opinião pública Internacional não suportou o excesso da resposta israelita. De feito, os Israelitas não compreenderam que não bastava possuir o direito de exercer a legítima defesa para ganhar a simpatia do público Internacional Era necessário fazê-lo, em proporções razoáveis e, ipso facto, quiçá aceitáveis para a sua sensibilidade. Analisaram, identicamente a opinião pública, de forma passional, acusando-a de se revelar, assaz iníqua e injusta.

Lamentavelmente, em vez de fazer uma análise fria da forma de gerir este constrangimento, os Israelitas, todas as tendências somadas, se inclinam para as recordações do passado anti-semita da Europa, como elemento explicativo do desamor e indiferença respectiva do qual amargam. Existe, com efeito, em Israel, uma ausência total de reflexão acerca da desaprovação internacional a que se encontra condenada, mesmo pelos que fazem parte da oposição de “esquerda” e que contestam os métodos do exército. Esta posição ora enunciada, é visto sistematicamente como uma injustiça insuportável.
Perante à ameaça activa de grupos armados, mestres assumidos na manipulação de imagens endereçadas e dirigidas, em força, ao Público, os Israelitas continuam, neste aspecto, ainda na autêntica Idade da Pedra da Comunicação, que menosprezam, pois, realmente, de tal modo, é convicção que são as vítimas, com razão (com justiça e merecidamente), cujo o resultado é uma deletéria incapacidade para compreender as energias e competências respectivas da emoção do Público.

E, para uma elucidação, do que temos vindo a exarar, vale a pena trazer à colação, o exemplo seguinte, por constituir o paradigma, assaz convincente, no atinente à debilidade enunciada. Ou seja:
Precisamente, no dia do “massacre” de uma família judaica ocupada em festejar PESSAH, em Março de 2002, o Primeiro-Ministro ordena a mobilização de reservistas e a ocupação das cidades palestinianas transpostas sob controlo da Autoridade Palestiniana.
De anotar, antes de mais, que PESSAH significa, em hebraico, Páscoa e é a principal festa familiar da Cultura judaica. Simboliza a Festa da Liberdade e comemora, por conseguinte, a libertação de Israel da servidão Egípcia.
E, como vínhamos dizendo, de repente, a atenção da opinião pública, quão comovida e quão enternecida, porém alarmada, como se pode compreender, pelo atentado perpetrado por NETANYA se voltou para a Cisjordânia. Deste modo, em vez de “enceleirar” os “resultados” do “massacre”, e lograr mobilizar um apoio duradoiro das Nações Unidas e dos Médias, em torno deste Evento/Acontecimento trágico, o governo israelita de então, na sua pressa e rapidez, com isto poder aproveitar o desejado ensejo de dilacerar os activistas palestinianos, acabou por fazer olvidar a tragédia e, deste modo, revirou a opinião pública mundial contra si mesma.

De sublinhar, enfim, que, no âmbito desta deletéria perspectiva israelita, se ouve, quase sempre (a maior parte das vezes, ordinariamente), da boca dos seus dirigentes e responsáveis respectivos e, outrossim e, ainda, de simples cidadãos, o seguinte lamento: “De toda a maneira, o Mundo está contra nós”. Donde, relevante, se assume consignar, que tudo isto se afigura, pelo menos (quanto menos), assaz inconsequente esperar um apoio do Mundo, quando se o acusa de parcialidade.

Lisboa, 10 Julho 2009
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista – Cidadão do Mundo).
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