domingo, 23 de janeiro de 2011

DIÁLOGO COM A MESA DE VOTO

Fui votar vestindo fato e sobretudo azul-escuro, camisa branquíssima, gravata vermelha flamejante e um longuíssimo e vermelhíssimo cachecol de lã descendo pelo sobretudo abaixo até mesmo a meio da canela.

Identificado que fui, recebi o meu boletim de voto. E então começou o diálogo com uma "elementa" da mesa.

Eu ― posso marcar o meu voto com caneta de tinta vermelha?
Mesa ― Não pode. Há uma caneta na cabine de voto.

Eu ― Mas a lei obriga a usar aquela caneta? Não posso usar a minha?
Mesa ― Pode; eu votei com a minha; mas com tinta vermelha não pode.

Eu ― Tem a certeza que isto está na lei?
Mesa ― Certeza não tenho, mas acho que não pode.

Eu ― Ah! Se é a senhora que acha, importa-se então de se informar junto de quem de direito e dizer-me se posso ou não usar tinta vermelha?

... Lá foram três dos quatro ou cinco elementos da mesa consultar uns regulamentos. Depois fizeram um telefonema não sei para quem ou que organismo eleitoral. E por fim disseram-me:

Mesa ― Pode sim, afinal a lei não proíbe o uso de tinta vermelha. Mas não fica bonito.

Eu ― Mas eu não venho fazer arte, minha senhora, eu venho votar. Muito obrigado! E podem ter a certeza que fico muito feliz por poder usar tinta vermelha. Obrigado mais uma vez!