segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Então, África Minha!

Aonde vais!? Aonde vamos!?

Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).

Epístola Primeira:


(I)
            O ano de 1960 é reputado como o (à titulo simbólico) da ascensão do Continente Africano à soberania internacional, por conseguinte, um ano que apela (meio século mais tarde) para a análise do sentido desta independência e uma meditação (assaz) séria sobre o balanço do exercício do poder pelos Africanos (eles mesmos), à frente do seu próprio País de origem.
            Eis nos ante um momento (asado) de recolhimento, visto que a situação actual da África é singular sobre o Globo: Continente repleto de riquezas humanas e naturais, todavia, Continente empobrecido, assistido e fragilizadoE não só!...

(II)
            Antes de mais, visando posicionar, apropriadamente a temática, em análise e estudo, vamos formular um conjunto de questões (assaz pertinentes e quão oportunas), designadamente:
(1)      Por que razão, tantos péssimos dirigentes, rapinadores dos recursos nacionais?
(2)      Por que razão, tanta corrupção e violência?
(3)      Por que razão, tantas guerras locais, tantas enfermidades, tanto “analfabetismo”, tantas crueldades?
(4)      Por que razão, rica (ela) é: de culturas, de dinamismos, de inesgotáveis criatividades, de matérias-primas e de vasto espaço territorial, sim, efectivamente, a África tarda tanto a entrar na dinâmica viva do desenvolvimento?
(5)      Por que razão, as “elites” acreditam tão pouco na África, que se apressam ir investir algures o dinheiro ganho no local (in loquo)?
(6)      Enfim (avisadamente) por que razão, este atraso (chocante) da África?

EM TEMPO

Como se constata, o meu caríssimo amigo e colega, Kwame Condé, não se fez rogado e já enviou a primeira “Epístola” sobre o tema para o qual lhe lancei o repto ― falar sobre a África Independente, pós colonialismo; pós anos sessenta.

Kwame Kondé é um dos intelectuais cabo-verdianos que melhor conhece a História e a Cultura africanas; e estou em crer que não deixou de acompanhar par e passo a caminhada sobretudo dos países lusófonos e francófonos de África desde que estes ascenderam à independência e as suas elites (quase todas militares) tomaram nas suas mãos os mecanismos da soberania e passaram a exercer o poder.

Esperemos que o debate se abra a outros participantes. Todo e qualquer texto referente a este tema, que não contenha matéria ofensiva da honra e o bom-nome das pessoas, será publicado.

No post(*) seguinte farei a publicação do primeiro texto.

(*) Passarei a utilizar o termo post em vez de “posta” visto que constatei e constato à saciedade que esse termo “pegou” entre os bloggers (aqui está outro que também pegou) e o melhor é seguir a tendência geral. Mas não termino sem dizer que “posta” estava bem porque relativo a “correio”.

Se calhar, no futuro, escreveremos todos “poste” e “bloguer”. ― Nada contra!

A "TERRA QUEIMADA" DE SÓCRATES


Assim se deveria chamar aos governos sócretinos que Portugal já conhece. Sócrates, seus companheiros de jornada e o PS têm levado e continuam a levar a cabo, de forma quase sistemática, a destruição de pilares essenciais do Estado.

Primeiro a Saúde “obrigando” os médicos a abandonarem hospitais e outros departamentos do SNS; agora a Justiça, assistindo-se a magistrados judiciais e juízes a fazerem o mesmo que os médicos ― irem para casa reformados antes que sejam desfeitos em lume brando.

Portugal está bonito e há-de ficar ainda mais bonito nos próximos tempos.

Não dá para desejar Bom Ano a ninguém.

domingo, 19 de dezembro de 2010

CINEMA EM 2010

270 filmes que marcaram o ano de 2010

METAMORFOSES QUE O PODER TECE


A cada dia que passa é mais ministra.
A cada dia que passa é menos médica.

No fim desta vida efémera governativa restará talvez apenas uma burocrata mais para a prateleira ou o baú dos cangalheiros da Saúde em Portugal.

sábado, 18 de dezembro de 2010

SINTA-SE BEM

Joana Amaral Dias

BEM HAJAS, KWAME KONDÉ

Passados 50 anos sobre o início das descolonizações dos territórios africanos pelo Ocidente, já vai sendo mais que tempo de responsabilizarmos também os africanos pela imagem que se tem de África; pela destruição de culturas ancestrais que até resistiram ao colonialismo; pelas tragédias humanas que assolam aquele continente e por grande parte da miséria que sabemos que lá existe.

Isso quer dizer que não podemos deixar de falar dos ditadores e das oligarquias cleptocráticas que desgovernam África; das guerras fratricidas entre tribos e povos, guerras alimentadas pela ganância de africanos pelo domínio dos recursos naturais de outros africanos e por aí fora.

Peça Ensaística Septuagésima, no âmbito de

Na Peugada de
NOVOS RUMOS:

Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895)

Africa aliquid semper novi
Plínio, o Velho (23-79)

Acerca da querela das Reminiscências
Ou a colonização inconclusa:

(1)    A Colonização teve, sempre, por finalidade a dominação física e cultural dos povos autóctones. O destino dos Mayas e das tribos ameríndias o atesta, de modo, assaz eloquente, visto que sobre os seus despojos se espalhou a civilização ocidental. Deste ponto de vista, a colonização da África negra permaneceu inacabada, pois que as sociedades africanas foram, profundamente inquietadas, (elas, no entanto) não desapareceram.
(2)    A conquista militar da África negra terminou em 1905, porém, uma outra batalha, imediatamente se iniciou com a Europa colonial: a batalha das memórias. E, para firmar a sua influência, o Ocidente recorreu, com efeito a duas armas temíveis: o livro e o cinema. Tarzan na selva povoada de tribos bárbaras, romances coloniais, obras moralizadoras ou banda desenhada (Tintin no Congo), difundiram, à porfia, a imagem de um negro selvagem, sórdido, “criança crescida”, folião e preguiçoso.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

DEDICADO A JOANA AMARAL DIAS

Peça Ensaística Sexagésima Nona, no âmbito de

Na Peugada de
NOVOS RUMOS:


Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895)

Algunas Marcas pertinentes para principiar oficio:

            1ª MARCA:
                        É um ponto sobre o qual as Sociedades africanas não se distinguem das outras. A vontade do homem de dominar a mulher. Coagido em reconhecer à mulher um papel primordial, o de dar a vida, o homem implantou, nos quatro cantos do Mundo, instrumentos de controlo, assumindo-os, por vezes, até à crueldade. A igualdade dos sexos não é efectiva, em nenhuma parte, mesmo no Ocidente, a despeito de verdadeiros avanços neste domínio. E, que tenha havido ou que haja, amazonas e rainhas, mulheres primeiras ministros ou ministros, a questão nada muda…Que acontece na Ásia, África ou no Ocidente, quaisquer que sejam a cor da pele ou a cultura, os machos se unem para preservar os seus privilégios. Demais, sem dúvida nenhuma, a história é tão vetusta como a Humanidade: a humanidade patriarcal!

A DESGRAÇA DA POLÍTICA

Há dias viajei tendo na fila da frente do avião um político que visitara Cabo Verde; apeteceu-me cuspir-lhe para o toutiço.

Longe vai o tempo em que numa viagem aérea aos Açores identifiquei a bordo o então deputado do PS, Dr. António Arnaut, que tinha sido Ministro da Saúde, e num impulso levantei-me do meu lugar e pedi-lhe permissão para sentar ao seu lado e falarmos durante algum tempo sobre Saúde. Foi um contacto agradável e profícuo que durou toda a viagem; e como ele fazia escala durante algum tempo na Ilha de Santa Maria onde eu estava a trabalhar, convidei-o e levei-o a visitar o hospital de Vila do Porto, no que me agradeceu visivelmente satisfeito e educadamente o convite e a visita.

Hoje o que apetece fazer quando encontro um político é ― cuspir-lhe p'ra cima.

TEIXEIRA DOS SANTOS NÃO SABE O QUE DIZ

E A MINISTRA PERDEU O NORTE
COMPLETAMENTE

É o mínimo que posso dizer para não ofender a senhora Ministra da Saúde, quando leio que a mesma concorda com o desorientado e considerado um dos piores ministros das finanças da União Europeia, Teixeira dos Santos, quando este disse há dois dias que «Os internos do Serviço Nacional de Saúde que vêem a sua formação paga pelo Estado terão que assumir um compromisso de fidelização ao SNS».

A senhora ministra devia ter bem presente que os médicos internos são a jóia da coroa da medicina portuguesa. São mouros de trabalho e são eles que permitiam (não sei se hoje ainda permitem), com o seu trabalho muito mal pago, que nós, especialistas e chefes de equipa (como era a senhora ministra antes de se apanhar no poleiro governativo) pudesse-mos descansar um pouquinho nas urgências, ler um jornal ou ver um pouco de televisão de vez em quando ― e a alguns até dar um salto ao shopping mais perto para desanuviarem a cabeça.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

DO FACEBOOK E QUEJANDOS (2)

ENTRE HOMENS E EMPATAS
CELEBRE-SE O CROMOSSOMA “Y” ACTIVO

Há uma diferença evidente entre indivíduos que são “apenas do sexo masculino” e aqueles que, pertencendo a este sexo, são também... machos.

E esta diferença, que se constata no dia-a-dia, também tem o seu lugar de registo oficial e perene na História:

De Cleópatra a Catarina de Médici, de Lady Diana de Gales a Carla Bruni, a preferência destas mulheres foi (é) evidente, no que ao solitário cromossoma “Y” activo diz respeito.

Quanto aos indivíduos do sexo masculino, temos que: aos portadores do “Y” activo se chama homens, e aos portadores do “apenas “Y”empatas.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Peça Ensaística Sexagésima Oitava, no âmbito de

Na Peugada de
NOVOS RUMOS:


Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).

                        NP:

            Presentemente, em algumas Sociedades de África negra como, outrossim (aliás) as do Próximo Oriente e da Ásia do Sudoeste, o domínio masculino se afirma, de modo assaz violento, através do controlo do prazer feminino. Infibulação e excisão, entre outras, têm como único objectivo (seja o que for que se diga), submeter a mulher ao desejo do seu esposo e senhor.
            Pela ablação ou pelo enfraquecimento de um órgão votado ao prazer sexual, o homem pensa “tornar sensata” a mulher, torná-la fiel e dócil. Numa palavra: controlável!
            Com efeito, no Continente Africano, para encobrir uma ignóbil e detestável realidade, se legitima o acto. Em primeiro lugar, se ensina a mulher que tais práticas datam dos tempos imemoriais e que elas emanam da vontade do antepassado. Desde logo, que pais ousariam romper a longa cadeia que vincula a sua filha ao avoengo? Demais, não mandar excisar a sua filha, é condená-la ao celibato, por conseguinte à vergonha.
           

DE REGRESSO À "PIOLHEIRA"

Sem novidades para contar, mas com vontade de reencontrar alguns amigos.

BOA TARDE!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

É NATAL, É NATAL....

UM PAI NATAL DIGNO DO GOVERNO SÓCRETINO

Peça Ensaística Sexagésima Sétima, no âmbito de

Na Peugada de
NOVOS RUMOS:


Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).

(I)
            Na perspectiva colonial, o mundo negro apenas encarnava uma forma de vida inferior à civilização branca. Uma mentalidade primitiva ou mística lhe aguentava o vínculo de pensamento, residindo a sua principal contribuição à Cultura Humana num temperamento emotivo ao qual a Arte, periodicamente, podia vir se regenerar.
            Conduzidas pelos autores brancos ou negros, as respostas contra esta denegação de humanidade ou de pensamento se conceberam, a maior parte das vezes, consoante um modelo esquimogenético. Todavia, que se inferioriza a visão de um Léopold Sédar SENGHOR, promovendo a emoção negra como complemento da razão helénica, ou que se tenta (pelo contrário) refutá-la (à maneira) de um CHEIK ANTA DIOP, vinculando toda ciência e todo pensamento ocidentais à uma origem negro africana, atitude essa que pode bem mudar, mas a postura permanece a mesma.
            Ela, evidentemente, conta com um ressentimento (MONNÉ DE KOUROUMA em que “escritas africanas de si” terminam por se transmudar, segundo ACHILLE MBEMBE no nativismo ou na vitimação. Contra estas propensões à clausura de identificação, outras representações de si podem, todavia se forjar (avisadamente assevera o historiador camaronense): “à l’interface du Cosmopolitisme et des valeurs autochtomie” (MBEMBE 2000).
            No entanto e, sem embargo, a abertura a outras culturas ou a outros idiomas não coagem em renunciar às tradições (contanto que, evidentemente), que estas últimas não se encarem sobre o modo exclusivo e autoritário, nem como uma realidade sui generis e justificada de pleno direito.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

DO FACEBOOK E QUEJANDOS

Quanto mais primitiva é uma cultura, maior é o controlo da “sociedade” sobre o indivíduo. Sabemos bem que a libertação individual só se faz de duas maneiras: ou pela rotura (com a respectiva automarginalização) do indivíduo em relação à sociedade, ou pela evolução elevação cultural da sociedade e de cada um dos seus elementos.

Não havendo uma evolução harmoniosa das sociedades, é óbvio que em cada uma delas se encontram indivíduos em diferentes estádios de evolução cultural e que tendem a agregar-se aos seus “semelhantes” culturais formando grupos variados que se relacionam, em maior ou menor grau, uns com os outros; mas com relações especiais entre os indivíduos de cada grupo. À medida que os grupos evoluem, o controlo sobre o indivíduo atenua-se e tende a desaparecer; mas este é um processo lento e longo que quase nunca chega a finalizar-se completamente.

domingo, 5 de dezembro de 2010

NA ILHA DOS AMORES











Sigamos estas Deusas, e vejamos
Se fantásticas são, se verdadeiras.−
Isto dito, veloces mais que gamos,
Se lançam a correr pelas ribeiras.
Fugindo as Ninfas vão por entre os ramos,
Mas, mais industriosas que ligeiras,
Pouco e pouco, sorrindo e gritos dando,
Se deixam ir dos galgos alcançando.

Qual cão de caçador, sagaz e ardido,
Usado a tomar na água a ave ferida,
Vendo no rosto o férreo cano erguido,
Pera a garcenha ou pata conhecida,
Antes que soe o estouro, mal sofrido,
Salta n’água e da presa não duvida,
Nadando vai latindo: assi o mancebo
Remete à que não era irmã de Febo.

[De Os Lusíadas de Luís de Camões – Canto IX, Estrofes 70 e 74]