sábado, 9 de outubro de 2010

Peça Ensaística Quinquagésima Quinta, no âmbito de

 Na Peugada de NOVOS RUMOS:

Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).

Na peugada da GENEALOFGIA da Ideia e das Práticas comunistas:

Com efeito, et pour cause:
Le Communisme est une idée qui remonte
Bien avant Jésus-Christ, à Platon, Babeuf
L’a mise en forme du moment de la
Grande Révolution française,
Bien avant la naissance de l’Union Soviétique,
Bien avant Marx et Engels » Déclaration de M. Théo Vial-Massat.

(I)
                Desde o término do Século XVIII e das contribuições de BABEUF, o Comunismo remete duplamente para uma representação negativa do sistema político e económico burguês (uma ideologia crítica) e para um projecto de Sociedade, mais ou menos, pormenorizado, em que, as instituições, infra-estruturas e leis se articulam, de molde que o bem-estar colectivo seja assegurado e as causas do mal, cujo o enriquecimento individual estejam, completa e integralmente jungidas e domadas.
                De feito, O Comunismo de predominante campesino ou o Comunismo proletário e os diversos esquemas utópicos deste Mundo perfeito, sugerem vias de passagem múltiplas, mesmo se o caos social, são, geralmente privilegiados, no modelo (exemplo) de um WILLIAM MORRIS (1834-1896), este pintor e escritor inglês (aliás, um dos fundadores do Movimento Socialista na Inglaterra), que assimilava e identificava os proletários aos bárbaros purificados. Outrossim e, ainda, alguns como o escritor norte-americano, EDWARD BELLAMY (1850-1898), preferiram situar este mundo no término de um processo linear, de um movimento dialéctico que conduziria o capitalismo aos extremos da sua evolução para cair como uma maçã demasiada madura, na escarcela dos trabalhadores.
                E, explicitando o nosso pensamento e as ideias de fundo, temos que:
                --- A revolução sentimental serviu um GRACCHUS BABEUF (1760-1797) e um SÉBASTIEN FAURE (1858-1942), que esperavam submeter (em poucos dias e sem grande efusão de sangue), uma casta privilegiada encurralada na impotência pela força do número e da consciência do Povo ou do proletariado.
                --- Por seu turno, o filósofo e político francês (Um socialista utópico), ÉTIENNE CABET (1788-1856) e o industrial inglês, filósofo socialista libertário (considerado o pai do movimento cooperativo), ROBERT OWEN (1771-1858), adoptaram o trampolim da experimentação, como meio de fazer avançar, nos seus próprios ritmos, os elementos díspares de uma população, cultural e economicamente heterogénea, para os guiar progressivamente para o círculo reduzido dos iniciadores.
                Donde e daí, desta diversidade de abordagens e de métodos, dois (2) pontos emergem, naturalmente:
A)        A aversão da Sociedade de classes e a visão de um Universo conseguido cuja a análise revela invariantes e
B)         Uma base específica que permite distinguir o Comunismo de todo outro esquema alternativo, nomeadamente o Socialismo.

(II)
                Com efeito, se a violência revolucionária permanece o meio privilegiado da passagem de um para um outro, não se pode confundi-la com o Comunismo.
                De facto, sem sombra de dúvida, ela (referindo-se, obviamente à violência revolucionária) serviu os Jacobinos para instaurar a Constituição de 1793, os Termidorianos para a de 1795, outrossim e, ainda, os defensores britânicos de uma Monarquia Constitucional e os líderes carismáticos de um partido nacionalista ou fascista como o de MUSSOLINI.
                Demais e, por outro, é preciso diferençar, pelo menos, um instante, revolução e comunismo, para observar um tipo de organização social assimilável à algum outro, descrevê-lo tal como ele emerge dos ensaios teóricos, das utopias ou ainda das experiências concretas. O que é facto é que, unicamente, uma genealogia do ideal e das práticas comunistas se encontra em estado e posição de fornecer as respostas esperadas, uma recuperação da história, sem ter em conta os gracejos de um GEORGES LABICA – “[…] e porque não remontar à Platão ou Heraclito?” – que se associa ao filósofo francês (especialista do pensamento de GRAMSCI), JACQUES TEXIER para apenas reter do Comunismo o “projecto moderno de uma emancipação humana, uma crítica moderna e racional da modernização e da racionalização capitalistas”. E a despeito disso! (…). Hélas!

(III)
                De sublinhar, antes de mais, que, no âmbito deste trabalho de abordagem da temática em estudo e análise (assaz necessário), duas balizam o marcam, assertivamente. Ou seja:
                --- Por um lado, o cadinho referencial dos Comunistas néobabeuvistas do século XIX, que engloba PLATÃO, THOMAS MORE, CAMPANELLA, MORELY, MABLY e BABEUF;
                --- Pelo outro lado, uma estela erguida nos jardins do KREMLIN (em Moscovo), em honra dos “precursores” e sobre a qual se distinguem, sacralizados, o conjunto destas personagens.
                --- Outrossim vale a pena referir investigações idóneas, (levadas a cabo, de modo avisado), no atinente ao conteúdo de verdade do Comunismo (este autêntico fio de Ariane) permitiu perverter a hipótese de um Comunismo contemporâneo “conduzido pela utopia”, visto que se inscreve na linha dos grandes narradores de uma configuração social desembaraçada do agente de corrupção, o enriquecimento individual. Outrossim, “portador de utopia”, porquanto por sua vez, se tornou traficante, propagador de imagens, mais ou menos, nítidas de um Paraíso sobre Terra. Este traço de união entre Comunismo e Utopia insinuava a existência de um esquema tórpido nos espíritos, tão robustamente ancorado que ele se reconhece, do mesmo modo, em alguns militantes modernos.

(IV)
                À primeira vista, a distância entre as Teses modelares de PLATÃO e os argumentos materialistas de um MARX ou de um LENINE é muito relevante. A República sonhada pelo filósofo heleno se particulariza, antes de mais, pela rejeição do movimento e pela procura de um retorno dialéctico da Sociedade acerca da formação primeira, sobre um sistema de castas cuja a totalidade confundiria com a perfeição dos que governam.
                Eis porque, efectivamente, ante às derivas do tempo, o Estado regenerado se apresenta como o único garante de um conjunto equilibrado e estável, se a virtude dos eruditos e a coragem dos guerreiros permaneçam preservadas da gangrena da cobiça e se o amor pelo lucro, jamais os venha desviar da sua sagrada missão.
                De feito, apenas um ambiente económico e afectivo ascético pode estar habilitado e em condições de garantir a perenidade destas qualidades, funcionando como uma barreira invisível entre um povo ignorante e submisso às necessidades e às pulsões do corpo, assim como aos da carne e uma elite situada num nível de perfeição tal que nem um na base estaria em condições de estabelecer cotejo ou bem emitir o menor desejo de se elevar à mesma altura.

(V)
                O Comunismo aristocrático é o único meio susceptível de se opor à democracia, à corrupção do poder pelo dinheiro. Opostamente, a este pólo societal tórpido na perfeição, o Comunismo de Lenine se caracteriza por um movimento contínuo, transcendência do presente, fusão entre acção e conhecimento científico do processo histórico: “Não existe um grão de utopismo, em Marx; ele não inventa, ele não imagina de raiz uma sociedade nova. Não, ele estuda como um processo de história natural o nascimento da nova sociedade à partir da antiga, as formas de transição desta à aquela” (Lenine In “O Estado e a Revolução”), para lograr com êxito ao aniquilamento das classes sociais, à ruptura das barreiras entre alto e baixo, o que supõe um alargamento das componentes do Comunismo platónico: Não possuir coisa alguma, nada cobiçar!
                Neste primeiro nível de cotejo, o parâmetro cobiça se impõe, por conseguinte, como um elemento fundamental para apreender o conteúdo de verdade, que enforma, em substância o Comunismo, para o discernir, concomitantemente, como força de treino e bússola de governo. De referir, outrossim, que se impõe considerar um segundo elemento (elemento esse), sugerido pelo filósofo francês (pioneiro da moderna Sociologia), ÉMILE DURKHEIM (1858-1917), que se assume na oposição entre arcaísmo e modernidade.

Lisboa, 09 Outubro 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).

BEM, ATÉ LOGO!

― Depois de uma boa sesta vou levar aqui o meu dono a dar uma volta no jardim para me espairecer observando os pássaros nas árvores ao final da tarde; depois passaremos pela charcutaria para trazermos peito de peru fumado de que gosto muito.

― Animal és tu, ó coisa estúpida! ― Desculpem irritei-me aqui com o cão da vizinha, um estúpido que passa a vida a abanar a cauda e a lamber as pessoas.

a) Picasso.

POR ACASO GOSTEI

Gostei, ontem, de ver os miúdos do Sporting, mais uns tantos colegas oriundos de outras escolas de formação, derrotarem a Dinamarca de forma categórica.

João Moutinho, Nani e Cristiano destacaram-se em grande; Carlos Martins e Varela (este por poucos minutos) jogaram muito bem o tempo que estiveram em campo.

Paulo Bento passou um bigode de todo o tamanho a Carlos Queiroz que devia estar escondido a fazer figas para que Portugal não ganhasse o jogo.

Nunca gostei de Queiroz como treinador e seleccionador e disse-o aqui várias vezes.

Mas paguem-lhe lá aquilo a que tem direito porque os processos que lhe arranjaram para o despedirem com alegada justa causa, além de vergonhosos são inacreditáveis e de uma sacanice e “banditice” de bradar aos céus.

CHUMBA! CHUMBA! CHUMBA!

Mais uma vez temos os interesses políticos ― neste caso os interesses políticos e pessoais do presidente Cavaco na própria reeleição ― a comandar os destinos de Portugal, quando se esperaria que pelo menos desta vez contassem apenas os interesses dos portugueses como comunidade.

Toda a orquestra de pressão em funcionamento constante, “sinfonizando” sobre Passos Coelho para que este aprove ou deixe passar o Orçamento de Sócrates & Teixeira (qualquer que ele seja) ― toda essa orquestra, dizia ― é essencialmente composta por gente do PSD (economistas, ex-presidentes, ex-deputados, etc.), gente do PSD afecta ao presidente da República, e por uma franja soarista do PS que detesta o poeta candidato.


O que interessa é a reeleição sem sobressaltos de Cavaco Silva. Para isso o orçamento pode ser qualquer um desde que não haja demissão do governo. Pressiona-se Passos Coelho não porque seria mau o país passar a governar-se com duodécimos (o que daria ou dará no mesmo ou em melhor que isso), mas por outro problema que nada tem a ver directamente com o interesse nacional.

O verdadeiro problema é a reeleição de Aníbal Cavaco Silva. Eles, os apoiantes de Cavaco, não se importam nem se importarão que se continue a viver no pantanal socrático desde que Cavaco possa ter a reeleição no bolso.

Neste momento Portugal é Cavaco e Cavaco é Portugal. E vai valer tudo contra a posição da actual liderança do PSD.

O povo nada conta...!

Nota. Disse e mantenho: Votarei PSD pela primeira vez se este partido chumbar o Orçamento Sócrates & Teixeira. Será a maior vassourada de sempre na política de interesses em Portugal.

BOM DIAAAAAAAAA!

Será preciso continuar a apresentar-vos
Joana Amaral Dias?

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

VOU DIZER UMA ENORMIDADE

Através do blogue Acto Falhado, de Rita Ferro, cheguei a este clip vídeo de um noticiário da SIC Notícias em que intervém o Frei Capuchinho, Fernando Ventura, cujo discurso me prendeu e agradou muitíssimo levando-me a comprar, logo no dia seguinte, o Roteiro de Leitura da Bíblia, de sua autoria. Li-o ontem de um fôlego (por isso a ele voltarei para uma leitura mais cuidada).

Posso estar a ser injusto, cego e estúpido parecendo-me o discurso de Frei Fernando de certa forma datado; mas o pior (talvez só para mim) é que o acho um bocadinho prestidigitador do verbo e aqui e ali vendedor de pele de cobra.

Eu não concebo (como parece-me que Fernando Ventura faz) que os “escritores” da Bíblia fossem assim tão... tão inteligentes e rebuscados que (TODOS eles) escrevessem tudo ao contrário do que queriam dizer ao povo de Deus ― repare-se, ao povo ― de forma tão cabalística, cifrada ou “codificada” que só através de uma máquina tradutora complexa se pudesse vir a compreender o essencial do texto sagrado.

A serem as coisas como Fernando Ventura a mim me parece dizer que são (ou foram), é pena que as grandes universidades e bibliotecas onde alguns profetas e “escritores” da Bíblia se formaram e se esclareceram, até à complexidade máxima da linguagem humana por eles praticada (estou a pensar em S. Mateus e S. Lucas, autores das Bem-Aventuranças, por exemplo), não tenham deixado algum espólio que pudesse esclarecer-nos a nós, pobres de espírito e de formação, de hoje, como é que se aprende a escrever ao contrário* 73 livros (tanto quantos terá a Bíblia).

Mas o que é ainda uma pena maior, sempre quanto a mim, é que a suprema formação dos profetas e “escritores” da Bíblia não os tivesse levado a compreender e a praticar aquilo que parece óbvio: escrever simples porque a Bíblia destinava-se afinal ao povo de Deus.

Porque ― a ser a Bíblia aquilo que Fernando Ventura diz que é ― então é um livro hermético feito por e destinado a apenas iniciados.

Neste caso ― que lhes faça bom proveito.

Mas como isso não é proibido ― eu vou continuar a ler a Bíblia mais à lá Saramago do que à lá Frei Fernando Ventura.

Espero que Deus me perdoe a heresia...!

(*) Apenas um exemplo do que eu chamo escrita ao contrário:

Na página 60 (§ 3º, 3º período) lê-se:


«Ainda que o texto fale da “expulsão do paraíso” como um castigo de Deus, estamos claramente diante de uma explicação de carácter etiológico . No fundo da consciência do autor ou autores, está uma ideia diametralmente oposta

O Roteiro é todo ele assim. Resulta daí que A Bíblia é um livro escrito de pernas para o ar. Não quer, portanto, dizer o que diz. Quer é dizer o contrário do que diz. Mas também não é bem isso, como veremos.

Se a Bíblia não deve ser lida literalmente como faz Saramago e condena Frei Ventura, também parece não deverá ser lida "antiliteralmente" (pelo menos na sua totalidade), pois Frei Ventura, na página 63 (§4), aí, como lhe convém, faz uma leitura integralmente literal do capítulo 21, 1-4 do Livro do Apocalipse. Ficamos assim instruídos que talvez a Bíblia é para ser lida como convém a cada um. Haverá então uma Bíblia para cada leitor. Nesse caso, para que serve tanta exegese já feita? Sobretudo para que serve este Roteiro de que estamos a falar, senão apenas e só para nos trazer a opinião do seu autor?!

Não era bem isso que eu esperava...!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

VAZIO,



O poeta candidato terá recuperado hoje a voz ultimamente perdida para dizer essa evidência que ainda só não passara pelas cabeças dos pregos e alfinetes deste país.

Qualquer dia os candidatos presidenciais aparecerão de boca cosida e atestado médico na mão apenas para que os eleitores possam confiar que, a serem eleitos, não andarão a dissolver parlamentos e convocar eleições antecipadas a torto e a direito, isto é, à doida.

Um simples atestado médico bastará para se ser presidente.

Também...!

ASSIM NÃO, QUERIDA F N A C

Aconteceu-me há pouco ― confesso que fiquei banzado! ― não esperava.

Foi no balcão da FNAC Vasco da Gama.

 ― Por favor, têm o livro tal?

Ela consultou o computador:

― Aqui não temos, mas temos na FNAC Chiado; quer fazer a reserva?
― Quero, quero. Muito obrigado, mas posso vir levantar aqui?
    É mais perto, sabe!
― Deixe ficar o seu número de telefone por favor.
― 91............
― Pronto, já está reservado. Dentro de 8 a 15 dias, quando chegar,
   telefonaremos para vir levantar.
― ??????????

No andar de baixo, felizmente para mim, a Bertrand tinha o livro.
Imaginem só se fosse o Kamasutra de que eu precisasse numa aflição!...

POSIÇÃO EM TEMPO DE CRISE

No dia em que se demonstrar que a dívida soberana dos Estados Europeus é exclusiva ou maioritariamente culpa do Modelo Social Europeu e não dos sucessivos enxames de insectos que tomaram de assalto o poder e desgovernam criminosamente os países, há décadas;

Nesse dia acenderei uma vela a Pacheco Pereira por acirrada e casseteiramente (de cassete) defender essa tese e acreditar que o fim do Modelo Social Europeu, só por si, trará a bem-aventurança a todos, incluindo o povoléu.

Até lá, e no que à crise financeira global diz respeito, continuo a concordar com os que sabem da poda e a atribuem essencialmente ao modelo financeiro vigente que sacraliza o sacrossanto Mercado (passe o pleonasmo) e transforma as pessoas em apenas números.

Toda a responsabilidade pelos abismos sucessivos em que têm tido que cair periodicamente os povos dos países industrializados do mundo é consequência do modelo financeiro vigente e dos serventuários que zelosamente o “implementam” em benefício próprio, de grupo e de classe.

É por isso que acredito que só o povo poderá mudar o rumo dos acontecimentos; as elites nunca o farão porque se prejudicarão em demasia.

E quando o povo dorme profundamente de mais ― como é o caso, actualmente ― talvez o melhor é precatarmo-nos, darmos razão a Marx (mais uma vez ― e talvez sempre, enquanto houver capitalismo), integrarmos coerentemente a classe a que pertencemos e lutarmos fundamentalmente pelos nossos interesses.

É que chega sempre a altura em que não temos mais pachorra para fantasias e solidariedades esquerdistas: como passar os dias em autoflagelação, lutando pelos interesses dos outros com pena por serem pobrezinhos e explorados, etc., enquanto até nos olham muitas vezes como autênticos parvos por isso.

Não terão à mão um pau, uma pedra, um objecto qualquer de arremesso (o "Magalhães", por exemplo) com que possam fazer-se presentes?

Não?!!!

A DÍVIDA PÚBLICA

À ATENÇÃO DO PSD (Que o PS  já se sabe  vive noutro planeta).


   Os sonhos, a premência, a impaciência e a ambição sempre levaram os homens a recorrer a terceiros para conseguirem os fundos necessários à realização dos seus projectos, à consolidação do seu poder, ao aumento da sua fortuna. Primeiro os sacerdotes, depois os comandantes dos exércitos, depois os príncipes e por fim os empresários reúnem, por via da persuasão, da força, do controlo social ou do mercado, capitais cada vez mais significativos, por meio de técnicas cada vez mais sofisticadas.

   Durante muito tempo, o soberano — fosse ele religioso, militar ou político — pediu emprestado a título pessoal, quando não tinha acesso a espólios de guerra e não podia, ou não queria, aumentar os tributos e os impostos. E só reembolsava os seus credores — através de espólios de guerra ou dos impostos — quando precisava de voltar a pedir-lhes dinheiro.

   Passou o tempo e o soberano transformou-se numa entidade abstracta, que se considera imortal e que, para além de se servir dos súbditos, começa também a prestar-lhes serviços; o soberano é agora uma colectividade, uma dinastia, um Estado, uma nação, cujo responsável provisório transmite ao seu sucessor as dívidas que contraiu. Deste modo, os sucessivos detentores do poder soberano podem seduzir os mutuantes, porque estes têm uma certa garantia de reembolso a longo prazo, ou mesmo de remuneração eterna de um empréstimo perpétuo; nascem assim os mercados financeiros, onde os financiadores têm a possibilidade de ceder as dívidas para com eles contraídas.

   Estes mercados começam por financiar a indústria e depois apoderam-se dela, chegando mesmo a assumir o controlo do soberano, quando este se encontra excessivamente endividado; deste modo, o Estado cria mercados que, a intervalos regulares, o encostam à parede.

   É esta a história da dívida pública, que é também a história da constituição da função soberana e daquilo que pode pô-la em causa.

   E é este, ainda hoje, o contexto da dívida pública, que se revelou necessária ao controlo provisório da recente crise financeira, porque todos compreendemos que, se ela continuar a crescer, poderá desencadear uma catástrofe terrível.

[JAQUES ATTALI]

terça-feira, 5 de outubro de 2010

MOSCA DA FRUTA (NOSSA PRIMA)

Pelo menos os dois olhos na “face” e uma boca centrada, mais abaixo,
demonstram que as suas “feições” têm algo de comum connosco.

Ai os genes, esses marotos!...

BOM DIA!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

D. CATARINA DE BRAGANÇA

Hoje, acompanhando uma salsicha bem cozida com um chazinho, à tarde, lembrei-me da História de Portugal, de quando D. Catarina de Bragança se casou com Carlos II, rei de Inglaterra, e “foi ensinar” os ingleses a beber chá, a comer com talheres e a fumar tabaco.

Isso era no século XVII, no tempo em que Portugal era um grande Império e dava cartas ao mundo.

Depois não pude deixar de pensar no azar deste povo ― que foi tão grande no mundo de então e que perdeu em apenas três séculos um Império e ficou sem nada, chegando a esta condição colonial actual indigente ―. E pensei que este povo deve padecer de alguma perturbação genética qualquer, de transmissão dominante, mas com uma variante ainda não estudada que parece levá-lo a ter os filhos cada vez mais burros e incapazes;

Mas supremamente malabaristas, mentirosos e aldrabões.

Eu sei que não terei escapado à herança; mas espero ao menos que com a matriz africana que tenho de permeio o meu ADN não esteja tão roto como os de alguns que eu cá sei.

Embora saiba que o ser humano partilha, exactamente ― sem tirar nem pôr ― (mas exactamente), 60% dos seus genes com a mosca da fruta, e admita que isto pareça a outros um pouco desencorajador,

Acho, contudo, que isso é uma coisa boa pois dá-nos a garantia de que a degradação da descendência portuguesa tem limites.

E que talvez esses limites tenham já sido atingidos, o que explicaria muita coisa que tem acontecido em Portugal: desde o ridículo da composição de certos governos, à ladroagem engravatada, passando pela mentira institucionalizada, a negação da realidade, a vivência em mundos virtuais e a fé no sacrossanto Mercado.

Ah! E também aquela coisa de Lisboa ser «A Praia de Madrid»...

Já agora, em jeito de rodapé e por pura curiosidade: alguém que pesque alguma coisa da História de Portugal que compare o actual “pretendente ao trono real de Portugal”, D. Duarte Pio de Bragança, com a sua antepassada, D. Catarina.

O que é que acham, hã?!

Esta teoria tem ou não tem pernas para andar?...

Nota: a imagem acima foi acrescentada agora (10:45 AM, 5/10/2010) tendo sido picada do DN de hoje.

Peça Ensaística Quinquagésima Quarta, no âmbito de

Na Peugada de
NOVOS RUMOS:


Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).

De feito, de BABEUF a CALLENBACH, passando por
FOURIER ou SAINT-SIMON, todos fizeram da
Pátria imaginada um instrumento para
Melhor compreender e julgar o Mundo Real. (…).

Pensando o Comunismo
Sob o Signo da Utopia:

(1)      Não há dúvida nenhuma, que a UTOPIA é um factor dificilmente identificável entre projecto e fantasma. Todavia, ela possui esta vantagem (avaliando o conjuntural e o teórico), permite re centrar o Comunismo sobre quatro (4) pólos reveladores, servindo-se da lúcida classificação da Professora Universitária francesa, YOLÈNE DILAS-ROCHERIEUX, pólos esses necessários para a sua compreensão global. Ou seja:
a.        A primazia da Ideia com a projecção pelo pensamento num algures magnânimo;
b.        O desígnio, como substância da crença, na possível concretização de um universo, em que os grandes traços, são referências, desde THOMAS MORE;
c.        A rejeição expressa pela estigmatização contínua de um certo tipo de sociedade;
d.        O repto ancorado na vontade de inverter o Curso da História.

(2)      Esta concepção em quatro (4) dimensões dá o desvio entre a “intenção de origem”, expressão da lavra do revolucionário marxista francês (grande teórico e prático da revolução socialista), GEORGES LABICA (1930-2008), por seu turno, magistralmente explicitada pelo filósofo comunista francês, LUCIEN SÈVE (n-1926), como a vontade de ultrapassar as “alienações históricas acumuladas no Mundo” e um projecto assimilável a nenhum outro: o de uma Sociedade totalmente depurada dos seus males. Donde, o segredo do Comunismo residiria, por conseguinte, integralmente nesta abstracção, ou seja, no desejo extremo de ver materializar uma configuração inédita em que nenhum indivíduo deveria viver em detrimento de outrem, numa comunidade universal, onde o homem particular deve se apagar ante o produtor indiferenciado (leia-se, o operário, o camponês, o intelectual e o soldado, sendo intermutáveis), num contexto, onde o cidadão se dissipa com o desaparecimento do Estado e a supremacia do económico sobre o político.
(3)      De anotar, todavia, que este desejo (ora enunciado) permanece suspenso no vazio, enquanto não for legitimado por teorias e suportado por uma estratégia de acção. Chega de insistir nos múltiplos argumentos opostos ao qualificativo “crime comunista”, para reencontrar, imediatamente a questão de fundo deste hipotético resultado. A simples noção de desviacionismo estaliniano, extensível ao leniniano, mostra a perspicácia em numerosos espíritos de um cotejo irrefutável, mais ou menos, ficcionado e o desejo de uma supra Sociedade, de tal modo, exposto, que os seus contornos positivos não podem se esfumar.
(4)      De feito, entre a história verídica e a história sonhada, é necessário, por conseguinte, preservar e relevar os efeitos de uma memória do porvir, esta autêntica espécie de filtro ideológico graças ao qual os crimes podem ser condenados, sem que, por essa razão, as ideologias mensageiras e anunciadoras sejam desconceituadas e desacreditadas, pois que a sua infecundidade em matéria de Redenção entra sozinha em linha de conta. Aliás, para numerosos nostálgicos, o episódio comunista do século XX pretérito (soviético ou outro), só representa, deste modo, na realidade, uma experiência, mal sucedida na Sociedade, do mesmo modo que as colónias e as comunidades abortadas do século XX último. Donde e daí, o tirocínio merece, por conseguinte ser remoçado.
(5)      Posto isto, vem, ao de cima, esta pertinente e relevante Interrogação. Ou seja:
a.        Por onde principiar e, outrossim, por onde procurar, actualmente o paradigma edificador e susceptível de legitimar, ipso facto, um tal sistema de crenças?
b.        Com efeito, o solo das relevantes experiências foi, amplamente arrasado e os grandes referenciais caíram em desuso (estamos a referir, em particular e em concreto, aos PC europeus), encurralados a reparar uma nova fisionomia comunista sob pena de se diluir na esquerda “plural” ou dobrado sobre os seus extremos por movimentos explicitamente revolucionários.
(6)      Donde, efectivamente, ela se emerge, em parte, dos noves (9) capítulos precedentes, da confrontação entre as diversas representações da Cidade Comunista, outorgadas pelos diversos ensaios teóricos e utópicos de BABEUF à LENINE, que revela dois (2) pólos invariáveis, designadamente:
a.        O primeiro se queda na denominação do enriquecimento individual como o mal a erradicar;
b.        O segundo é disso prolongamento, visto que ele se concentra nos meios de obstruir os canais de formação do lucro pessoal, se impor a dívida do trabalho, de suprimir o dinheiro e o comércio, metamorfosear o político em gestão planificada do consumo e da produção.

E, à guisa de Remate:
--- De feito, (de sublinhar), que a confrontação da utopia com os eventos, tais como: a conjuração dos Iguais e a Revolução de 1917, permitiu consolidar estas primeiras informações, revelando os segredos de uma alquimia favorável à legitimação da violência, neste ponto, a justaposição do projecto utópico ao programa político, sintetizada na associação da intenção e dos meios da sua concretização efectiva.
--- Demais e, por outro, a ditadura do proletariado, restituída à ditadura do Partido encarregado do arranque das obras, se encontrou, deste modo, justificada pela incomensurabilidade do percurso entre a “velha Sociedade” e a nova Organização e, por conseguinte, pela relevância outorgada aos primeiros metros percorridos, com a necessidade de eliminar todo elemento insubmisso em se retrair atrás do produtor indiferenciado, em deixar destruir a sua actividade e o seu pensamento autónomos.
Donde, enfim e, em suma: Por conseguinte, o controlo absoluto sobre a Sociedade civil, a reeducação dos desencaminhados pelo trabalho compulsivo, a eliminação psicológica ou física do inimigo (com fases de terror e de contracção consoante os períodos e os espaços geográficos) podem globalmente se explicar pela própria substância do Comunismo, a rejeição da especificidade individual.
Lisboa, 03 Outubro 2010
KWAME KONDÉ

(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).

domingo, 3 de outubro de 2010

INANIDADES OU INSANIDADES?


[Almeida Santos, presidente do PS]

Isto dito por outra pessoa seria considerado uma patetice.

Há mais ou menos três anos, AS dissera o seguinte disparate:

«Um aeroporto na margem sul tem um defeito: precisa de pontes. Suponham que uma ponte é dinamitada? Quem quiser criar um grande problema em Portugal, em termos de aviação internacional, desliga o norte do sul do país,»
...
Se o 5º andar estivesse em melhores condições, talvez AS pudesse concluir facilmente que Portugal não precisa de terroristas para lhe destruírem a economia.

Para isso lá está o governo! Ou não?!

FILOSOFIA BARATA

A Vida não pode ser apenas uma longa espera da Morte.

A Vida deve também ser um permanente desafio à Morte.

BOM DIA!

sábado, 2 de outubro de 2010

«EU TAMBÉM JÁ FIZ»

Já tinha contado isto, mas não resisto a reproduzi-lo.

Aquando do “28 de Setembro” (de 1975) quando a esquerda “partiu os dentes à reacção” abortando a manifestação da Maioria Silenciosa e aplicando um golpe de Estado dentro de outro golpe de Estado ― após o triunfo da esquerda, dizia ― houve um enorme e ululante ajuntamento popular na Praça dos Restauradores, de apoio à ala esquerdista do MFA, nesse dia personalizada na figura de Otelo Saraiva de Carvalho.

O momento chave foi quando Otelo assomou à varanda do Palácio Foz para acenar à multidão. Então dois estudantes exaltados invectivavam Otelo gritando-lhe:

O senhor tem de fazer uma opção de classe! O senhor tem de fazer uma opção de classe!

Ao que Otelo, esganiçando a voz, respondia alongando o pescoço o mais possível, da varanda:

JÁ FIZ! JÁ FIZ!

Pois é, eu também já fiz a minha opção ― a partir de agora defendo a minha classe. É que já me cansei de ti, Zé Povinho: 40 anos a desperdiçar (totalmente em vão) energias contigo (muitas vezes contra os meus próprios interesses)... E tu... Nada!

JÁ CHEGA, PÁ! VAI-TE F**** C******

FORÇA PSD (Estou a falar a sério)

As Medidas de Empobrecimento da Nação agora anunciadas pelo Partido dito Socialista calam e esvaziam de argumentos o PSD porque são essencialmente medidas da direita dura.

As chamadas “medidas de austeridade” contidas no PEC1 e PEC2 nada resolveram porque foram aplicadas por este desgoverno, incompetentemente e sem convicção, de forma destorcida e mentirosa, para enganar o “povo de esquerda” e não cair nas sondagens.

O actual incompetente e mentiroso desgoverno PS não dá a menor das garantias em como a aplicação destas novas e brutais Medidas de Empobrecimento da Nação serão correctamente aplicadas e darão os frutos que delas se espera.

Por isso parece muito melhor que haja mesmo e já uma crise política que leve o PSD ao poder pois ao menos haverá a garantia de que a economia estabilizará beneficiando os ricos, evitando a proletarização da classe média e f**endo o povo menor.

Se o PSD chumbar o próximo Orçamento de Estado pode contar com o meu voto na próxima eleição legislativa. Pela primeira vez votarei PSD. Porque já não tenho 18 anos e porque de há muito venho concluindo que este povo é capado, é estúpido, é resignado, é mandrião e é cobarde.

BOM DIAAAAAAAAA!

JOANA AMARAL DIAS

Vale a pena começar o dia alegremente e estimulado.
A abordagem de temas deprimentes fica para mais logo.

BOM DIA, JOANA!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Peça Ensaística Quinquagésima Terceira, no âmbito de

Na Peugada de NOVOS RUMOS:


Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).

A epopeia Utópica de VLADIMIR MAÏKOVSKI
(1893-1930)
Primeira Parte:

(I)
                Nascido em BAGDADI (actualmente, MAÏAKOVSKI, Geórgia), no ano de 1893, VLADIMIR MAÏAKOVSKI amava o risco, o jogo, o dinheiro e as mulheres. Era um homem extrovertido, anti-conformista e provocador, que a escritora francesa de origem russa, Elsa TRIOLET (1896-1970), sua compatriota georgiana gostava de comparar a um “Tremor de terra”.
                Marxista, comprometido desde 1908 no Partido operário social-democrata da Rússia, se lançou no turbilhão revolucionário, insaciável na sua procura do Absoluto, ao ponto de servir, conscientemente o poder totalitário.

(II)
                Pintor, poeta, dramaturgo, artista gráfico, cartazista, se assumia mestre na “Arte socialista”, preocupado com a aceleração da edificação de um Mundo novo sobre as ruínas do antigo. Qualificando-se de futurista, muito antes da revolução, não acreditava numa cultura intrinsecamente proletária, sim, efectivamente, na invenção de uma arte para as massas, receptível, uma vez, estas últimas educadas e elevadas à consciência de Si. E, para provocar um tal encontro, a fusão suprema, gostava “berrar” a sua Poesia, em todos os lugares possíveis. Identicamente, se aplicava, ainda, de modo assaz afincado, na depuração de estilo.

(III)
                Autor de numerosas utopias, MAÏAKOVSKI respondeu aos comandos do dramaturgo, crítico literário e político soviético (responsável pelas políticas públicas revolucionárias para a Educação), Anatoli Vasilevitch LUNACHARSKI (1875-1933), para nutrir as diversas actividades culturais da Revolução, outrossim e, ainda, o jovem cinema soviético.
                Pelos seus Textos líricos e os seus suportes gráficos sacralizou os dirigentes e, outrossim, por extensão óbvia, a TCHEKA/CHECA (primeira das organizações de polícia secreta da União Soviética). E, baseando-se, no exemplo de Vladimir Ilitch Ulianov LENINE (1870-1924), escreveu este histórico Poema para o primeiro Aniversário do passamento do Líder: “Eu, me corrijo à luz de Lenine para lavrar mais longe a Revolução”. Glorificando o Grande Estratega (o jogador de xadrez, promovido de peão ao inimigo real), reafirmava a sua fidelidade ao homem e à sua ditadura: “Substituindo por pessoas os peões de outrora, colocou a ditadura operária por cima das prisões das torres do capital”.
                Por seu turno, o Poema: O Proletário voador (datado de 1925) enaltece os progressos tecnológicos “em jeito de pilhéria”, para “representar o cidadão do porvir”. De feito, no comunismo, a vida do operário se simplificou, a tal ponto, graças à Ciência e à Electricidade, que este último (referindo-se obviamente ao operário) e membros da sua família aprenderam a voar: “Até mais ver, me voo para o liceu”.

(IV)
                De sublinhar, outrossim, que, os mais reveladores dos seus escritos são, com certeza, os seus espontâneos nos quais transparece a sua verdadeira busca, antes que a Cultura de Vanguarda não entre em desgraça com o advento da Nova Política Económica (NEP) implantada em 1921; antes que o Poeta não se encontra em desacordo com as Edições do Estado. Entretanto, de sublinhar, jamais, se transformou, por essa razão, em opositor.
                De feito, MAÏAKOVSKI, quer, no seu País, como no Mundo inteiro, serviu os bolcheviques e a sua Revolução, de modo, dialecticamente consequente, se afirmando (ainda, em vésperas da sua morte): “escritor da revolução para a revolução”, o que lhe valeu ser reabilitado por Estaline: “MAÏAKOVSKI foi e permanece o melhor talento poético da nossa época soviética. A indiferença à sua memória e às suas obras é um crime” (PRAVDA, 7 Dezembro 1935).

Segunda Parte:

(V)
                Activista e utópico, a sua notável e, assaz marcante, Peça teatral: Mistério bufo responde, exactamente às paixões de MAÏAKOVSKI, mesmo, se este célebre escrito de 1918 jamais alcançou (enquanto ele era, ainda vivo), a derradeira Consagração. A peça foi composta para celebrar o Primeiro Aniversário da Revolução de Outubro e se apresenta, como a Obra do proletariado vencedor (este bárbaro purificador), tendo desbravado o terreno do passado para aí edificar um porvir radioso. Mistério bufo está enredado pelo burlesco sobre fundo de determinismo histórico, sendo o Dilúvio (leia-se: a Revolução) apresentado, como a Decisão celeste popular de ver desaparecer o mal, a imperfeição humana sob as ondas destruidoras.
                No seio desta tormenta, catorze (14) proletários (os impuros) e catorze (14) senhores (os puros), entre os quais se encontram o NÉGUS da Abissínia, um traficante russo, outrossim, porém, GEORGES CLEMENCEAU e LOYD GEORGE. Por não se sabe que fortuna, estes vinte e oito (28) isolados (são coagidos para sobreviver) a construir uma arca. Os puros, imediatamente (sem demora), se impõem, como, mestres das obras: “É preciso os coagir a isso!” “O monte ARARAT, o limiar de libertação, lhes parece tão afastado, eis porque, uma ordem transitória se impôs no barco com a sua hierarquia e as suas regras desiguais: a cada um a sua função, a cada um a sua retribuição”.
                A monarquia é, adoptada, de imediato e o povo (os impuros) se encontra encarcerado no porão, entretanto, prontamente retirado deste buraco pelo ramo burguês socialista e radical (que não entende ser excluído da partilha), donde a aliança forçada com os operários para destituir o tirano: “O golpe de Estado amadurecido. Chega de discórdias! Maldito sejam, as querelas!” Com a República, “os fundamentos seculares estão aniquilados!”, porém, para os proletários restam as maçadas, enquanto, os burgueses se encarregam de governar: “Não se conduz assim o carro do Estado. É preciso ter maneiras e arte!” Diante dos pratos vazios, os trabalhadores sabem, muito rapidamente o que os burgueses lhes mostraram: “Vamos vos mostrar a luta de classes!” Os traidores são lançados ao mar, a despeito dos discursos de reconciliação do “menchevique experimentado”: “À água, os chacais! Lembrem-se do mês de Outubro! […] À vós o terror!”.
                E como, avançar, entretanto, sem bússola, num navio em ruína para uma ponte falsificada pela burguesia? Senão, com a esperança! Outrossim, “Aguentar! Aguentar! […] É necessário aguentar, os olhos nos olhos da fome. Senão é o fim!”
                “Ponta de terra à vista, a vagabundagem se desfia na imensidão do Oceano, todos votados ao desespero, até ao aparecimento de um homem vindo de nenhuma parte, o Salvador para os crentes, um impostor religioso para os outros: “Fora, o vadio! Nada de Apóstolos à bordo! A boca dos mendigos não é um moinho à feder o bom Deus!
                Nem Apóstolo, nem Salvador, o desconhecido vem do futuro alumiar o hediondo túnel: “É duro caminhar às cegas e às apalpadelas na noite. É duro fazer tentativa de vida quando estamos sozinho”. Da sua experiência, retêm que “Os ARARAT não existem”, que o céu é doravante proclamado sobre Terra, a “ Terra dos proletários”. O Paraíso se mantém, por conseguinte, “ao alcance do braço, ao alcance da mão”. Todavia, como alcançá-lo? Uma vez, o Homem do futuro morto, cada um se sente mais forte, transcendido por esta verdade: A felicidade não é uma palavra vazia! (…).
(VI)
                O barco se põe a estalar sob o esforço colectivo. Porém, quantos impasses, recuos, para se encontrar às portas do Inferno, no antro de Belzebu, o qual faz rir estes náufragos em pranto: “As vossas visões de terror são risíveis. Encontrem outra coisa. Jamais visitastes uma fundição de aço? […] Os horrores da Terra. O vosso Belzebu, ao lado é um belo BUTIOZINHO, com o seu garfo!... Venham dar uma volta na Terra. Diabos conhecem o bloqueio? Agitando uma forquilha ao nariz de um operário, acredites assustá-lo? […] Observem um soldado na lama das trincheiras, ao lado, o mártir é um fedelho!” Deixando os diabos estupefactos, eles se encarregam de destruir o Inferno, se desviam do Purgatório para encalhar perante o comité de acolhimento do Paraíso, onde conversam CRISÓSTOMO, TOLSTOI e ROUSSEAU.
                Entretanto, os impuros recusam serem salvos de não se sabe de que pecado e afirmam, frente à MATUSALEM: “Somos nós, nosso Salvador! Ó nosso Jesus, somos nós”. Decepcionados com o lugar: “Um buraco! Um verdadeiro buraco! Doravante, conscientes de não dever esperar de ninguém a construção suprema, decidem regressar à Terra: “Por onde queda a saída?” Mesmo Jeová vindo, em auxílio, com os seus raios não pode nada: “É preciso arrancar-lhe os seus raios! Trata-se de uma guerra leal. Trovão! Isto servirá, pelo menos para a electrificação”.

(VII)
                Foi, deste modo, enfim, que o Paraíso foi demolido, que o grupo se reencontrou no meio de um campo de ruínas, crentes jamais poder ver o fim do caminho, antes de compreender que a Terra prometida apenas pela força lhes será dada: “Que fazer? Que fazer? É necessário desbravar”. Na verdade, efectivamente, concluídas as discussões sobre o dogma e a organização: “Basta de palavras estéreis! Basta de editoriais! Ao trabalho! Avante! Parem esta torrente inútil de palavras esparsas a todo vento! Às pás! Às picaretas!” Um trabalho sobre-humano devia ser iniciado para enfrentar à “ruína”, a despeito dos seus gritos: “Para trás! Ter-vos-ei pela fome, estrangular-vos-ei! Socorro, minhas tropas dedicadas: ó da guarda acudam, remendões, candongueiros, traficantes”.
                Uma vez, reanimadas as fábricas e a terra, uma vez, o petróleo jorrando do solo, uma vez, o carvão extraído, a ruína se viu, rapidamente amordaçar sob as pancadas e ruídos do labor e do vigor dos operários: “Ouço cantar, apitar os comboios e arfar as fábricas […]. Desta vez, acredito que somos os mestres, acredito que estamos a bordo e à porta do verdadeiro Paraíso”.

(VIII)
                Desde a entrada, neste lugar das maravilhas: se encontram IVANOVO, Moscovo e, porque não, Marselha ou Manchester! Uma coisa é certa. Estão, enfim sobre a Terra. “O circuito fechou”; por toda a parte a abundância: “Ele flutua no ar como um odor de pesca” Tudo brilha, tudo corre, tudo rola”, é impossível relatar! Os edifícios de cem andares cobrem a Terra em todos os sentidos e as pontes dançam o seu bailado debaixo das nuvens. Ao pé das casas, montanhas de víveres e montões de coisas. Filas de comboios, filas de luz fogem sobre as pontes”.
                Graças a electricidade, a Terra cintila, sendo o todo, o resultado do esforço investido, do total domínio do Homem sobre a Técnica: “Vejo um tractor eléctrico! Uma debulhadora eléctrica! Um segundo mais tarde, o pão está presente, já preparado, já cozido”. A abundância em açúcar e em farinha se abriu a todos com a tomada no local do trabalho: “Ninguém nos armazena, tomem por quintais, se o coração assim vos dita”. Outrora, esclavagista, as coisas, as fábricas e as máquinas se entregaram, se tornaram dóceis: “Operários, perdão! […]. Tomem o que é vosso, tomai! Vindes! As ferramentas do labor, o vinho, o trigo, venham! Tomem! Venha, vencedor!”
                Basta de patrões, já “não pertencemos à ninguém”. Por toda a parte, a beleza e a alegria, a consagração da Arte, da festa e da ópera. E, se o passado aspira, um dia em querer altear e crescer, estarão todos mobilizados, e “se um patrão assoma, exterminá-lo-emos”. O jugo da escravatura foi aniquilado: “Dancem na alegria, operários. Forjamos a Comuna, que venham, unicamente nos desafiar!”

                                                E, à guisa de Remate assertivo:
                                Com efeito (só por si), este texto exprime o estado de exaltação revolucionária de personagens à procura de provas tangíveis da investida para a edificação de uma Sociedade, quão, vivamente desejada, mesmo nas piores provações da guerra civil. Este compromisso remete para o desejo extremo de ultrapassar o presente, vivificando a paixão e a imaginação, este húmus propício à germinação de uma multidão de paisagens do Anseio Humano.

                                                Nota Final importante:
                                Esta Peça Ensaística foi concebida, pensando nos “Intelectuais Cabo-verdianos de elevado coturno”, a quem ela é dedicada, por motivos e razões óbvias. Avante!
                                                Um robusto abraço,

Lisboa, 29 Setembro 2010
KWAME KONDÉ

(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).

TOMA LÁ A CARAPUÇA, Ó (NÃO) SEI QUEM

Ao "anónimo" que me telefonou há pouco apenas para palpitar se ainda estou em Portugal ou já em Cabo Verde.

Nisto sou como o Pinheiro Azevedo a quem parafraseio quase na totalidade:

DESTESTO SER CONTROLADO!

NÃO GOSTO, PÁ!...