sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

E VAI AO FUNDO, SIM SENHOR...

Não tenho nenhuma dúvida ― e muito menos qualquer ilusão ― de que um trabalhador que veja os seus direitos (mas sobretudo o seu salário e os seus subsídios) diminuídos, vá aumentar a sua produtividade. Antes pelo contrário: tornar-se-á menos produtivo e, até, negligente em muitos casos. Seja ele médico, juiz, mecânico da TAP, lixeiro de uma câmara municipal ou simplesmente administrador de uma grande empresa.

É que isto tem a ver com a natureza humana. E só os patetinhas inebriados com o poder, e ou instantaneamente enriquecidos por magia, ou aqueles que os apoiam à espera de iguais benesses é que acreditam que assim não é.

(XXV): Alors Que faire?

             Prática de ACTUAÇÃO VIGÉSIMA QUINTA:

Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).

Acerca do Imaginário de uma vida sexual (em si mesma), liberada de todo constrangimento e de
Toda parada/peleia!...

(1)           O término do século XX (pretérito), viu as sociedades humanas (pelo menos ocidentais), privilegiar o hedonismo individual, valorizar (ao extremo, ao derradeiro ponto), as potencialidades sensuais do corpo. A mulher reivindica (por seu turno), um prazer orgástico/erestimal autónomo até presentemente reservado ao homem. A articulação desta “liberação” com a prática da contracepção é (provavelmente), mais ambígua  que se o pensa!
(2)           Na verdade e (sem embargo), o conjunto das atividades humanas se encontram (com efeito), cada vez mais viradas para um consumo imparável e (por conseguinte), insaciável. O “filho do amor” aparece mesmo “datado”, como estes filmes do início do século XX, que, congraçam as sequências do beijo voluptuoso e do primeiro vagido/choro/grito. Eis porque, neste particular, não deixa de ser interessante e elucidativo, trazer à colação: Êxitos públicos, designadamente, em França e não só, como é o caso do livro: “La vie sexuelle de Catherine M” (Editado, em 2001), da autoria da curadora, crítica de Arte e escritora francesa, Catherine MILLET (n-1948), no qual, a autora (encena os seus fantasmas e a sua vida sexual)-dizíamos- acabaram por desarticular (totalmente), prazer do sexo e alegrias da concepção/geração/criação.

ZITA SEABRA

Ouvi-a há dois dias, questionada por Mário Crespo, no Jornal das Nove da SIC Notícias. Ao ouvi-la falar dos comunistas e da CGTP, não vomitei porque tinha acabado de tomar um antiemético.

Ouvi-la falar transmite-me cada vez mais a verdadeira dimensão do conceito de, e o verdadeiro significado da palavra indignidade.

E pensar que essa coisa abominável e abominada dirigiu, na clandestinidade, uma organização do PCP a que eu pertencia ― a UEC (União dos Estudantes Comunistas) ― altera a minha anterior aceitação incondicional das teorias de Darwin vertidas em A Origem das Espécies. Fico a pensar que também as pedras podem originar seres humanos e que isso terá escapado ao renomado cientista inglês.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

(XXIV) Alors Que faire?

 Prática de ACTUAÇÃO VIGÉSIMA QUARTA:

Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).

Abordando a Questão que se prende com o
Imaginário de uma Sexualidade não procriadora:


(A)          Sem sombra de dúvidas (na verdade et pour cause), a diabolização (politicamente incorreta), da homossexualidade assenta (antes de mais), sobre a função (puramente), hedonista de um acto sexual sem outra finalidade que a sua própria satisfação. Demais, a própria violência dos propósitos a respeito da homossexualidade inscreve os seus actos numa perspectiva de traição da Humanidade. Ela revela (provavelmente), esta invariante universal de uma humanidade angustiada (de modo, mais ou menos), consciente, por esta ruptura da perpetuação.
(B)          Historicamente, exprimindo, se nos depara (grosso modo), o seguinte Quadro:
a.     A Bíblia sataniza os sodómicos/sodomíticos/sodomitas;
b.    As culturas (mesmo secularizadas), do Médio-Oriente votam às gemónias (leia-se desprezam), os homossexuais, enclausuram-nos, torturam-nos e os submete quando são presos à um “exame de virgindade anal”;
c.     Finalmente, os nazis colocara-os em campos de concentração (aliás), de exterminação!
(C)          Todavia, o que é facto é, que este encarniçamento em negar uma “homossociabilidade” que nutre, desde sempre, na sua expressão (a mais criadora), a cultura humana, não está vinculada à mera visão da aproximação sexual dos corpos de duas pessoas do mesmo sexo. Eis (unicamente), a expressão (mais arcaica e mais visível), de uma fornicação que não possui outro desígnio que a procura do prazer (“tout court”).

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

AGORA SIM ACERTARAM COM A COISA

A Starbucks pode contar com a minha visita assídua. Até porque a facultação grátis que faz de hotspot wifi aos seus clientes já pode ser aproveitada mais longamente, pois, beber uns copos leva sempre mais tempo do que beber um café - mesmo o servido aos copázios por essa cadeia de lojas.

Na verdade eu nunca percebera a razão por que alguém se lançaria no mercado vendendo apenas doping sem cuidar daqueles que, vivendo dopados por nartureza, gostam mas é de um copinho de calmante de vez em quando.

E gosto muito de olhar às vezes para o logótipo verde da marca onde o leão do Sporting foi substituído por uma miúda...

A TRAGÉDIA TORNADA BANALIDADE


Sobre a Saúde, há cinco anos eu escrevia escandalizado «Vai morrer gente».

Agora escrevo com alguma naturalidade «Vai morrendo gente».

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

DOS JORNAIS DE HOJE


Pergunto:
Que fazer com as armas que há no mundo? Que fazer com as tropas que há no mundo?
Que fazer com a insatisfação dos povos perante esta crise civilizacional?

Respondo:
Ir construindo, pé ante-pé, o inimigo iraniano (tese de Umberto Eco).

E um dia destes... Pumbaaaa! tropas armadas até à ponta dos cabelos terão um novo jogo  no qual se ocuparão.

sábado, 21 de janeiro de 2012

(XXIII): Alors Que faire?

Prática de ACTUAÇÃO VIGÉSIMA TERCEIRA:

Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).
Para refletir:

O ACTO SEXUAL (parece) não ter (presentemente), outra finalidade que a sua própria satisfação. A dimensão hedonista triunfa (levando a melhor) sobre a função reprodutora! HÉLAS!

Eis-nos (quiçá)
Ante o término do conúbio:
Sexualidade e Reprodução!?...

            (1)Com efeito, o desvio é considerável entre a ideia que a Sociedade se faz da  Sexualidade, da criação/concepção/geração e a realidade concreta. Neste ponto, a Cultura sublimou esta pulsão (como nunca), deixando ao único elóquio literário, religioso (cresceis e multipliqueis), político ou trivial, o monopólio da Verdade. Cada um (uma) se conforma ou se opõe à este dito colectivo, proclamando valores “morais” aos quais (ele/ela), se identifica ou que (ele/ela), transgride com um sentimento de alforria/libertação e de marginalidade/delito. E isto (tanto mais facilmente), que a Sociedade contemporânea remova a ordem arcaica da lei do interdito em benefício de “tout voir, tout faire”.
            (2) Todavia, o que é facto é que a Sexualidade tal como a exprime o elóquio colectivo só tem pouco a  ver com o íntimo de cada um. A “perversão” estigmatiza no outro, faz o impasse sobre cada vivência pessoal. Para demonstração, a revelação pela enfermidade (o SIDA, no caso presente e nesta circunstância), de um comportamento sexual, que (sem esta maldição/anátema), permaneceria submersa no segredo das alcovas.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

UMA ENTREVISTA DE UMBERTO ECO


«A internet não seleciona a informação. Há de tudo por lá. A Wikipédia presta um desserviço ao internauta. Outro dia publicaram fofocas a meu respeito, e tive de intervir e corrigir os erros e absurdos. A internet ainda é um mundo selvagem e perigoso. Tudo surge lá sem hierarquia. A imensa quantidade de coisas que circula é pior que a falta de informação. O excesso de informação provoca a amnésia. Informação demais faz mal. Quando não lembramos o que aprendemos, ficamos parecidos com animais. Conhecer é cortar, é selecionar.»

Quem sou eu para opinar!? Mas como Umberto Eco deixou aqui a porta aberta, no que à população “atingida” diz respeito, acho poder dizer que penso que os ignorantes e os iliterados não usam a Net para se informarem, para aprenderem seja o que for; daí eu acreditar que não ficam confusos e amnésicos por excesso de informação. Acho que usam a Net fundamentalmente para se comunicarem e para dizerem ‘ao mundo’ que estão vivos e sentirem-se com isso recompensados pelas respostas que recebem ― qualquer resposta lhes é válida ―, o que lhes alimenta a auto-estima e lhes transmite um certo grau de dignidade individual.

Quem acho que fica confuso e amnésico é a grande maioria da população escolar de hoje (que vê na Net a salvação pela sua aversão aos livros) e a chusma de falsos inteligentes (mais velhos que aqueles) que julgam-se informados porque «leram na Net»; e usam ideias e palavras alheias como se fossem de sua própria lavra e autoria: é copiar e andar. Estes são os amnésicos.

(XXII) Alors Que faire?

 Prática de ACTUAÇÃO VIGÉSIMA SEGUNDA:


Continuação da Posta Anterior:

Segunda Parte:

Reatando o nosso Estudo ensaístico, se nos afigura relevante (antes de tudo), consignar que, desde os primeiros sobressaltos do que se tornará a vida, o sexo aparece (independentemente), da reprodução. De feito, no início da vida, os organismos permutam informações genéticas. Nada de indivíduo de escolha, de consentimento, de moral nesta permuta desenfreada (leia-se, outrossim, sem controlo). Todas estas noções emergirão (progressivamente). E, é só (ulteriormente), que o Homem começará a pensar como sujeito sexuado. Neste estado primitivo, no meio desta “sopa”, formas individualizadas começam (apenas), a despontar. A pouco e pouco, as permutas de matéria e de informação constituem o objeto de uma regulação até desembocar no que (presentemente),  se denomina: o sexo.
            E, explicitando, as ideias e noções (ora avançadas), temos então:
(a)           No centro da filiação dos EUCARIOTOS dos quais somos oriundos, uma forma (particularmente), codificada de sexo foi (por conseguinte), reteúdo/garantido. Dois gâmetas fundem para dar um ovo. Este divide-se (por seu turno), produz uma estrutura (no caso da espécie Humana, obviamente), que sofrerá a meiose donde sairão estruturas que produzirão gâmetas cuja fecundação reproduzirá um...ovo. E o circuito é encerrado.
(b)           Todos os EUCARIOTOS, as Plantas, os Cogumelos, os Animais e os Homens possuem como atributo este ciclo meiose/fecundação. Este território comum é contudo balizado por muitas formas e a Natureza manifesta na matéria, uma enorme fantasia. Ou seja: Pela distribuição dos papéis (em primeiro lugar): Machos e fêmeas? Hermafroditas? Gâmeta de idêntica dimensão ou dissemelhante? Pares estáveis ou velozes? Permutas desenfreadas ou controladas?

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

PERGUNTAI-ME OH ODÃO DE CLUNY!...

Umberto Eco é deveras um escritor, um ser fascinante. Eu servi-lo-ia, por exemplo, na simples limpeza do seu escritório só para ter o privilégio de o ouvir falar de vez em quando sobre o que quer que fosse.
Neste livro que vou lendo, Construir o Inimigo, cada página (que digo!), cada parágrafo é assunto para um livro.

Nunca escondi de ninguém o meu fascínio pela Mulher, e é com imensa e profunda admiração por esta obra única de Deus, que é a mulher, que leio, através de Umberto Eco, o que Odão de Cluny, no século X, escreveu na intenção de ‘construir’ a mulher como inimiga, pela destruição da imagem desse ser mágico que Deus criou para salvar o Homem ― Para salvar a Humanidade:

«A beleza do corpo está toda na pele. Com efeito, se os homens vissem aquilo que está debaixo da pele, dotados como os linces da Beócia da penetração visiva interna, a vista das mulheres bastaria para se tornar nauseabunda: esta graça feminina não é senão saburra, sangue, humor e fel. Considerai aquilo que se esconde nas narinas, na garganta, no ventre: por toda a parte, imundícies [...] E nós, a quem causa repugnância o tocar, mesmo só com a ponta dos dedos, o vómito ou o estrume, como podemos então desejar apertar nos nossos braços um simples saco de excrementos!»

EU TENHO A RESPOSTA!

(XXI) Alors Que faire?

Prática de ACTUAÇÃO VIGÉSIMA PRIMEIRA:

Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895)

            “Não há maior mistério no Mundo – parece-me - que a existência dos sexos, particularmente desde a descoberta da parto-génese” --- Asserção de Charles DARWIN, datada de 16 Junho 1860, numa das suas cartas enviadas ao seu amigo, o eminente botânico inglês, J. S. HENSLOW.

Nos primórdios da Vida até chegar ao sexo e não só!...

            NP:
                        O sexo não é tudo. Todavia, que seria a Vida sem sexo? E (a propósito), como principiou tudo isto?

                        A Sexualidade é aliás a atividade central para todos os Seres vivos!
           
                        De sublinhar (antes de mais); que somos, em todo caso (nós os Homens), os únicos para quem a Sexualidade constitui objeto de questionamento.
                        Com efeito, os questionamentos (filosóficos, éticos, metafísicos), não faltam. Ou seja: Do intemporal enigma do sexo dos anjos à problemática da relação amor-morte (que renova a investida do SIDA), passando por esta angustiante perspectiva: Poder-se-á no futuro privar-se da sexualidade para fazer filhos!?...
                        São questionamentos (assumidamente), quão pertinentes e quão relevantes, cujo estudo avisado, nos elucida ao ponto que, num determinado instante, se é tentado a colocar a questão de saber o que é (na verdade), um indivíduo!

                        Uma vez, posto esta elucidativa NP, vamos ao Desenvolvimento deste aliciante Tema, quão atual e assaz relevante:

sábado, 14 de janeiro de 2012

O PROBLEMA DAS TRADUÇÕES

Este post destina-se às pessoas que dão atenção a esta coisa enfadonha que é a Literatura; e mais talvez aos mais jovens que gostam de literatura e estão a iniciar-se nesta fascinante arte que é simultaneamente expressão de Deus e do Homem.

Trago aqui um excerto do famoso poema de Edgar Allan Poe, O Corvo, e duas traduções do mesmo: uma de Fernando Pessoa e outra de João Costa (edição da Arcádia). O Objectivo pretendido é evidenciar o quanto uma tradução pode constituir-se em uma obra outra diferente da obra original.

Trata-se de poesia. E certo é que relativamente à prosa as traduções são menos “divergentes”; mas o fenómeno da reescrita por parte do tradutor é inevitável ― porque é a própria arte da tradução que o exige. Daí o dever-se privilegiar a leitura do original sempre que possível.

THE RAVEN
«Prophet!» said I, «thing of evil! ― prophet still, if bird or devil!
By that Haven that bends above us  ― by that God we both adore ―
Tell this soul with sorrow laden if, within the distant Aiden,
It shall clasp a sainted maiden whom the angels name Lenore ―
Clasp a rare and radiant maiden whom the angels name Lenore.»
Quoth the Raven «Nevermore.»
[Edgar Allan Poe]

O CORVO
«Profeta», disse eu, «profeta ou demónio, ou ave preta ―!,
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais,
Diz a esta alma entristecida se no Eden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!»
                Disse o corvo, «Nunca mais.»
[Tradução de Fernando Pessoa]

O CORVO
― Profeta ― disse eu ―, ente de desgraça! No entanto profeta, pássaro ou demónio!
Pela abóboda celeste que nos cobre as cabeças... pelo Deus que ambos adoramos!
Diz a esta alma cheia de tormento se no Paraíso
Lhe será permitido estreitar a si a santa jovem que, entre Anjos, se chama Lenora,
Estreitar a si a única e radiosa jovem que, entre os Anjos se chama Lenora?
                O corbeau disse: ― Nunca mais.
[Tradução de João Costa]

(XX) Alors Que faire?

                         Prática de ACTUAÇÃO VIGÉSIMA:

Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895)

Lendo (avisadamente), a nossa Humanidade política segundo o animalismo...

(1)           Não há dúvida nenhuma, que a figura naturalizada do homem, se (ela), determina uma nova atenção para com os animais (designadamente no atinente ao seu bem-estar como outrossim aos seus sofrimentos), tem para efeito despolitizar os conceitos inventados para pensar as relações de domínio entre os homens, como “liberação”, “exploração”, até “exterminação”. Estes vocábulos são (cada vez mais e mais), utilizados (frequentemente), para caracterizar as relações dos homens com os animais, como se nada que fora “político”, que não fosse (entretanto), de (um lado ao outro), “ético”. É o que (aliás), se pode ver em “letras gordas”, em certas e determinadas teorias que induzem (logicamente), as ideias de “exploração” e (por conseguinte), de “libertação” animal até às suas últimas consequências.
(2)           E, já agora (e antes de mas), para principiar (assertivamente), esta nossa Peça ensaística, vale a pena, lançar o seguinte parágrafo para uma Reflexão pertinente e oportuna: Com efeito: Os animais não são nem objetos (como os corpos de DESCARTES), nem como sujeitos (como os homens), nem portadores de vida “iguais”, visto que existe milhões de espécies e quase tantas formas de ser agente no Mundo. A criatura moral denominada “Animal” não existe! É (todavia), sobre este ser quimérico que são edificadas as morais animalistas contemporâneas, revelando (destarte), a imagem que (elas), fazem da nossa Humanidade.
(3)           Todas as teorias acerca dos “direitos do animal” não são tão “puras”. No entanto, todas (elas), implicam um singular conceito político da Humanidade. Elas supõem uma “essencialização” do Animal (em geral), assim como uma reinterpretação “liberal” (ou mesmo), subjetivista, da ideia dos “direitos do Homem”. Os direito do Homem afirmavam o necessário reconhecimento de um território de independência dos indivíduos/sujeitos no que diz respeito ao poder soberano ou da omnipotência dos Estados. Eles supunham (correlativamente e outrossim), a afirmação (extraordinária), da igualdade fundamental de todos os Homens e proclamavam (por conseguinte), que todas as formas de discriminação racial, religiosa, sexual, etc. Deviam ser combatidas.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

REGRESSO

Regressado há menos de um dia de Cabo Verde ― para a civilização do divertimento permanente, do mau governo e das nomeações de amigos ― iniciei a leitura de mais um livro de Umberto Eco, Construir o Inimigo, após pouco mais de um mês em que estive em total blackout informativo, pelo que só nestas últimas horas dei-me conta do desenvolvimento da questão “nuclear” entre o Ocidente e o Irão.

E nem de propósito ― logo a páginas 12 do seu livro, Eco escreve:

«Ter um inimigo é importante, não apenas para definir a nossa identidade, mas também para arranjarmos um obstáculo em relação ao qual seja medido o nosso sistema de valores, e para mostrar, no afrontá-lo, o nosso valor. Portanto, quando o inimigo não existe, há que construí-lo. Eis que, nesta ocasião, não nos interessa tanto o fenómeno quase natural de identificar um inimigo que nos ameaça, quanto o processo de produção e demonização do inimigo

Virá aí um novo Iraque, no engano de que desta vez é que será?!...

(XIX) Alors Que faire?

                                                       Prática de ACTUAÇÃO Décima Nona:

Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).

            En effet (et pour cause):
                                    “Le médecin lui-même n’échappe pas à la mort” (...).

(I)
            Nunca é demais insistir sobre a questão que se prende com a acumulação (sem par), do saber médico, nos nossos dias de hoje, a sua excepcional diversificação, o seu excepcional aprofundamento (do mesmo modo), que se impõe insistir (de modo reiterado), sobre a consolidação (sem rival), da sua institucionalização, da sua rede considerável e fora de fronteiras. Todavia, se afigura (assaz necessário, outrossim), avaliar as consequências desta deslocação, encarando os seus efeitos, os mesmos que não dependem (unicamente), de alguma conquista assegurada. Este triunfo é portador de ambivalência! E (outrossim), fonte de desafios maiores e (bem assim), de problemas temíveis (e novos).

(II)
            Que as expectativas tenham sido incrementadas pelos triunfos dos saberes médicos, que estes êxitos/triunfos (eles próprios), tenham (paradoxalmente), incrementados (por seu turno), o sentimento do risco, que os cidadãos de uma sociedade individualista (vivendo uma relativa “desvinculação”), tenham investido (mais que nunca), na proteção oriunda da comunidade, constituem (efetivamente), tantas pressões e renovações que desmultiplicaram as fontes possíveis de insatisfações, senão de contradições.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

AVISO IMPORTANTE

De partida para uma cimeira de alto nível fora da piolheira, este blogue entra em 'marinagem' até quando seja possível uma ligação à Net que permita dar notícias.

Até lá, um abraço aos leitores e amigos.

(XVIII) Alors Que faire?

                                    Prática de ACTUAÇÃO Décima Oitava:

Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).

                        NP:
                                    Dos homens das cavernas às células progenitoras, os progressos da Medicina são (na verdade), assaz espetaculares. Todavia, a história da disciplina não se resume à este percurso glorioso. Com efeito, a Medicina põe em jogo os nossos corpos, a sua representação, o modo como (eles), se inscrevem, num contexto social, político e cultural. Demais e, acima de tudo (ela), redefine (presentemente), as fronteiras do seu uso/utilização.
                                    Eis porque, se impõe (mais que nunca), estudar (adequada e avisadamente), os desafios/reptos das conexões do Homem com a Medicina. Ou seja:
                                    ---Como gerir o ônus/peso/encargos das despesas
da segurança social, preservando
(integralmente), a igualdade de todos ante à Saúde?
---Pode-se evitar que a tecnicidade acrescida dos
cuidados não prejudique à atenção ao paciente e à
psicologia?
---Que lugar outorgar às terapias alternativas e complementares?
---Qual seria a trâmite ética responsável ante os progressos das Ciências do vivo?

E (antes de mais), para refletir avisadamente:
                        En effet:
                        “L’ouverture du corps, faisant passer les organes de la nuit         à la clarté, est un des gestes  fondateurs de la médecine “moderne”. Les anatomistes ont su présenter leur atlas avec une précision croissante, y apportant quelquefois même une sensibilité esthétique. La medicine pourtant ne saurait se limiter au regard. La compréhension du fonctionnement des organes a représenté une autre exigence, un défi tout aussi central. Mais cette aproche, qui restera la représentation  d’une image ou d’un mécanisme, se heurtera toujours à l’obstacle du réel.”

domingo, 4 de dezembro de 2011

O ÁLVARO EM APUROS

Em vez de governar está a preparar o campo para entregar o ouro ao bandido e deixar o lixo para os contribuintes. Mas tudo a ser feito com o argumento da boa gestão, das boas contas, da racionalização de custos e mais merdas a que estamos habituados a ouvir. Tudo uma mentira pegada a caminho da destruição do Estado.

sábado, 3 de dezembro de 2011

LAMENTO

Leio a notícia de que Muhammad Ali foi levado de emergência para o hospital esta madrugada.

Quando todos os meus ídolos de juventude ― no domínio familiar, das artes, das letras e do desporto ― se forem, eu já não me importarei muito por aí além de seguir o mesmo caminho.

Agnelo Henriques, Pablo Picasso, Leonardo Bernstein, Vinícios de Morais, Jean Paul Sartre, Miles Davis, George Best,  Pablo Neruda ― para só citar alguns ― deixaram-me exaurido com a sua ausência.

Ficaram ainda: minha santa mãe, Chico Buarque, Muhammad Ali, Umberto Eco, Keith Jarret ― também para só citar alguns ―, e são eles que me prendem ainda à vida. Seguro-me às obras, às palavras e às memórias que aqueles deixaram e os ainda vivos vão deixando; mas sem a presença de todos eles, o mundo não é a mesma coisa.

Não tivesse eu descendência... retirar-me-ia para uma palhota alcandorada lá bem no alto da serra do Fogo para morrer como um condor.

(XVII) Alors Que faire?

                         Prática de ACTUAÇÃO Décima Sétima:

Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).

            Com efeito (et pour cause)
MUNDO BENBA KA PUR’SI!...

                        NP:

                                    Numa época em que (concomitantemente), asseveramos que o Mundo é (efetivamente), sempre, cada vez mais “globalizado”(leia-se outrossim e por conseguinte: unificado) e que os nossos modos de vida, de cultura, são (sempre), mais heterogéneos, se impõe recolocar em obra esta questão: continuamos à considerar-nos como vivo num Mundo enquanto, já não é evidente e seguro que possamos usar (ainda), estas expressões/termos?
                                    Com efeito, já não nos encontramos, nem “em”, nem “perante” o Mundo, porém este extorque e degreda de forma vertiginosa a consistência da sua realidade “em si”. E (quiçá, aliás), já não vivemos num Mundo ou em vários mundos que (o) ou os mundos não se manifestam, divergem ou se recortam em (nós) e (por nós).

                                    Mas (na verdade), “em que mundo vivemos?” Antes de mais, convém sublinhar, que (a maior parte das vezes), no âmbito da problemática que enforma, em substância, esta questão, o ponto de interrogação vale tanto como um ponto de exclamação. Ela ressoa (concomitantemente), no modo da revolta e na resignação. Na prática (deste modo), faz vocábulo (ou ideia) de “mundo”, escondendo o valor (mais robusto), a que se lhe possa vincular: O do Cosmos, conjunto harmonioso de corpos celestes cujas órbitas carreiam as conexões da ordem universal, isto é voltado para uma unidade integral. É o sentido e a metamorfose desta ordem e deste (um), que se encontram (por conseguinte, implicitamente), interrogados (ipso facto), por esta magna Questão.

sábado, 26 de novembro de 2011

STEVE JOBS SEGUNDO WALTER ISAACSON

Era um indivíduo profunda e permanentemente afectado pelo facto de ter sido abandonado para adopção ― facto que lhe foi dado a conhecer ainda em criança, logo que teve entendimento para isso ― e afectado ainda por não ter conhecido os seus pais biológicos. Era afectivamente bastante insensível, pouco ou mesmo nada ‘reconhecedor’ ou agradecido dos enormes esforços pessoais, familiares e económicos que seus pais adoptivos despenderam para oferecer-lhe a esmerada educação que teve nos melhores colégios e universidades privadas da época; e ara também pouco escrupuloso ou mesmo desonesto em alguns negócios (mesmo para com um amigo íntimo e colega de profissão, Wosniak, que o ajudou muito sob o ponto de vista profissional); e pouco ou mesmo nada amigo do banho e da higiene pessoal. ― Neste último aspecto, muitas foram as queixas de que ele «cheirava muito mal» e não o queriam por perto.

No que está escrito pelo biógrafo (por enquanto sobre a vida de Jobs até aos 19 anos) há que destacar algo que aquele confirmou em Steve Jobs  algo por que Jobs veio depois a ser conhecido no mundo inteiro ―: o facto de ter sido, desde muito jovem, um visonário “efectivo” que idealizou ao longo da vida muitos produtos novos para vender às pessoas.

«Era um mau engenheiro», disseram alguns entrevistados que foram seus colegas e ou amigos, mas sabia melhor que ninguém «embrulhar e vender caro» um produto. Jobs punha os outros a conceber "o miolo" daquilo que imaginava, punha-os a fabricar e a “embrulhar” da forma a mais apelativamente concebível os produtos que ele idealizava apenas na forma, para que estes fossem bonitos e userfriendly, e, depois de obtida a criação dos produtos, era ele quem se encarregava da venda dos mesmos. Sempre teve um enormíssimo “faro” para o negócio e para fazer dinheiro.

Abro um parêntesis para dizer que na biografia em questão, W. Isaacson diz que Jobs, na juventude, era consumidor de drogas alucinogénias, sendo o LSD talvez a mais consumida. E nestas primeiras páginas por mim lidas (71 páginas, ou seja, 10% apenas do livro original, em Inglês), o biógrafo “deu-me a entender” (subjectividade minha?!) que Jobs nunca deixou totalmente esse consumo.

Nota: Walter Isaacson escreveu, na introdução deste livro, que impusera (e Jobs aceitara) como condição para escrever esta biografia, que Jobs não teria acesso ao que ia sendo escrito e não lhe seria permitido fazer qualquer alteração ao texto a publicar logo que este ficasse pronto e lhe fosse dado a conhecer.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

ESTETOSCÓPIO

O povo português está mais que bem preparado para voltar a ser miserável como fora no passado.

Para isso bastará que o governo ― qualquer um ― decrete a pobreza em Portugal. Como, aliás, este governo tem estado a fazer: na maior das calmas e com total tranquilidade.

CONCATENANDO DADOS

1. Os bancos portugueses, de cofres praticamente vazios e próximos da bancarrota, classificados como “lixo” pelas agências de rating, prometem taxas de juro que nalguns casos chegam aos 6,2% para depósitos a prazo de três anos (não é possível encontrar taxas de juro tão altas em mais nenhum banco estrangeiro sério).

2. Segundo notícias de jornais e televisões, desde Julho passado os bancos portugueses já captaram depósitos a prazo no valor de €17.000.000.000 (dezasssete mil milhões de euros).

Alguém já se perguntou onde irão os bancos arranjar dinheiro para pagar esses juros e reembolsar o capital investido? Alguém já se perguntou o que acontecerá àqueles depósitos a prazo caso Portugal saia do euro ― coisa praticamente inevitável ― e volte ao escudo que poderá ser desvalorizado a bel-prazer dos governos?

Ai pobre povo, nação dormente...!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

O HUMOR EM CABO VERDE

Nos EUA:
iPhone, iMac, iPad, iPod....

Em Cabo Verde:
Ai Electra, Ai TACV, Ai Telecom,
Ai Kasu Body, Ai c'afronta,
Ai mintroso, Ai Vida di pobre...


[Enviado pelo Djibla]

(XVI) Alors Que faire?

Prática de ACTUAÇÃO Décima Sexta:

Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).

            Neste nosso Estudo, vamos abordar, numa base (assumidamente) pedagógica, as duas funções do preço do mercado, visando à um melhor entendimento da problemática, que temos vindo a analisar e estudar, nas “postas” anteriores.

(1)           Grosso modo, podemos afirmar que os Preços do mercado possuem duas funções (logicamente assaz distintas), a saber: Uma função de Informação e uma outra função de Motivação. E, explicitando (adequadamente), as nossas ideias, temos (então), que:
a.     Por um lado (elas), mostram quanto se está disposto à sacrificar para se procurar tais ou tais bens de consumo e indicam (deste modo), o que convém produzir.
b.    E (por outro), os Preços servem de Motivação para fornecer aos consumidores os bens em questão: O mercador/comerciante procura encaixar (por sua conta própria), o que os clientes estão dispostos a desembolsar.
c.     Estas duas funções seguem (não unicamente), uma lógica independente, entretanto (por vezes), uma opera sem a outra, como no caso de um administrador de organismo caritativo que procura maximizar o rendimento do seu fundo de dotação, no entanto, não alardeia a menor intenção de encher os bolsos, pois que (ele), não deve conservar os excedentes e (a maior parte das vezes), o seu próprio capital permanece o mesmo (leia-se outrossim, sem alteração nenhuma), sejam quais forem os resultados do fundo que (ele), gere.
(2)           E, tendo em conta, as falhas, no âmbito do planeamento global (por um lado), e da injustiça dos resultados do mercado e da moralidade duvidosa da motivação do mercado (por outro), é natural, perguntar: Se é realizável (na prática), preservar a função de Informação do mercado, continuar a encaixar os benefícios que (ela), procura quanto à geração e a gestão da Informação em relação ao que deve ser produzido (asfixiando integralmente), os seus pressupostos motivacionais normais e as suas consequências distributivas (respectivas)?
Lisboa, 17 Novembro 2011
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo):

domingo, 20 de novembro de 2011

(XV) Alors Que faire?

Prática de ACTUAÇÃO Décima Quinta:

Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).


            Uma oportuna Análise da questão que se prende com a exequibilidade/viabilidade do Socialismo:

(A)
            Há (efetivamente), duas razões distintas para as quais o socialismo (à escala da Sociedade, no seu todo), pode ser reputado, como algo de irrealizável. Uma primeira razão está vinculada aos limites da Natureza humana e uma outra à da tecnologia social. Eis porque, se nos afigura (assaz relevante), distingui-las (simultaneamente), no plano intelectual e político. E, explicitando (de modo dialecticamente consequente), se nos oferece, exarar o seguinte:
            --- A primeira razão  para a qual o socialismo é imaginado e suposto impraticável, prende-se com o facto, que os homens são (como se diz amiúde), por natureza demasiado (pouco generosos e solidários), para satisfazer aos seus critérios (quão generosos e solidários), sobretudo, no quadro pontual e íntimo de uma tal dinâmica de viver e existir em sociedade.
            --- Por seu turno, a segunda razão, é que, mesmo se os homens, podem se transformar, no âmbito de uma  cultura idónea, se coloca a pertinente questão, como fazer com que, através de regras e de incitações apropriadas, esta generosidade faça funcionar o maquinismo da economia. Todavia (em contrapartida), sabe-se muito bem (desgraçadamente), tirar partido do egoísmo humano!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

TRAIÇÃO

Paulo Macedo, ministro da saúde, disse ontem no parlamento: «Há mil especialistas a mais nos hospitais».

Dizer isto é de uma gravidade, de uma ignorância, de uma insensatez, inauditas. É próprio de quem não percebe mesmo nada (ou não quer saber nada) do que é a Saúde e o seu funcionamento.

É absolutamente indigente e criminoso reduzir ainda mais o número de profissionais de saúde dos serviços públicos; criminoso porque vai morrer gente à conta de "medidas" que podem vir a ser tomadas em conformidade.

A História está cheia de nomes de gente que um dia desgovernou o seu país para desgraça deste e do seu povo ― começando pelos menos maus, como Salazar ou Franco, passando por Mussolini e por Hitler, até terminar em Pol Pot (na Ásia), temos exemplos de todas as nuances de desgovernança possíveis de imaginar.

Sou da opinião de que este actual desgoverno de Portugal é um desgoverno formado por gente perigosa para o seu país e para o seu povo. Se cumprir a legislatura toda, destruirá ruinosamente o património material e cultural deste povo.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

(XIV) Alors Que faire?

                        Prática de Atuação Décima Quarta:

Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895)

(1)           Visto que a Arte é o que transforma e “trans-valia” o imotivado em motivos (leia-se, sobretudo em motivos de viver e de amar, em motivos do desejo). Já agora, por exemplo, o imotivado da língua é o que a “poesia”, faz o seu motivo sublime. De feito, a sublimação é (sempre), uma tal espécie “de transformação do chumbo em ouro”. Dir-se-á (precisamente),  que a Arte já não é (tão pouco), um objecto de amor. Aliás, diz-se, identicamente (amiúde), das obras de arte contemporânea, que (elas), são “interessantes”, sem  (para tanto), asseverar amá-las...Sem comentários!...
(2)           De sublinhar (antes de mais), que este estado de facto (que é da mais elevada relevância e outrossim um fabuloso enigma), constitui (ele também), um facto do domínio do modelo do consumo acerca do que se denomina (tão pouco, como consequência), as obras de arte ou do espírito. Sim, a “cultura”, o que para o qual, já não se trata, desde lá vão, mais de três décadas, apenas reivindicar um mísero orçamento ao Estado. Pobre ambição!
(3)           Com efeito, não há processo de individuação psíquica, colectiva e técnica possível na ausência do superego e sem sublimação. De anotar (por outro), que o que constitui a possibilidade da individuação do psíquico, do colectivo e do técnico é a trans-individuação como constituição de um (nós), que deseja e em os (eu), que desejam (singularmente), todavia (uns com os outros e uns para os outros).
(4)           Eis porque (tendo em conta o arrazoado, acima exposto), uma política do espírito, que projeta a necessidade do superego, num plano dissemelhante do que sobre o da repressão, é indispensável e só pode constituir uma política da sublimação. De anotar (outrossim), que  sociedade alguma, jamais assentou sobre algo diferente que sobre este “poder de fazer Um com o Múltiplo”, o que constitui a primeira e (quiçá), a única “questão da filosofia”. É o que os “profissionais da política” confundem com a religião e que constitui apenas uma época e uma modalidade da organização, das conexões do Um e do Múltiplo. De salientar (aliás), que esta “confusão” constitui para a nossa época, a própria miséria espiritual (uma miséria quão confusa), da qual o Papa Bento XVI (ele mesmo), apenas pretende louvar os benefícios da laicidade.