Peça Ensaística Sexta:
“Ser culto es el único modo de ser libre”
José MARTÍ (1853-1895).
Nota preambular:
Vivemos (presentemente), na Era da Sobremedicalização da existência humana, cujo corolário lógico se assume na sua capacidade de fazer da vida uma enfermidade, o que vai contra a ética e deontologia médica, na sua assunção nobre, que exige “reconhecer no enfermo a chacra/sítio e as próprias operações da vida”.
De imediato, se impõe perguntar (avisada e assertivamente): Como se pode ser doente (actualmente), com uma medicina que transforma o paciente em consumidor, sem ter uma preocupação autêntica para o seu sofrimento psíquico? De feito, é um facto relevante, que o olvido do enfermo, no âmbito da medicina contemporânea parece constituir o “preço a pagar para cuidados (sempre), cada vez mais e mais, racionais e científicos”.
A exploração do corpo humano, o diagnóstico precoce das enfermidades, o encarniçamento/obstinação em as combater por tratamentos dolorosos e invasivos, expropriam (“para o seu bem”), o paciente do seu corpo.
De anotar (antes de mais), que através dos protocolos de diagnóstico e de cuidados (muito estandardizados), através do controlo social das nossas existências por uma vigilância médica incrementada em nome da Saúde Pública, os nossos modos de vida se ressurgem (sempre), normalizados.
Donde e daí: As seguintes (quão pertinentes e oportunos) questionamentos:
--- Como restituir (então) ao paciente o seu valor de sujeito e os seus direitos para evitar o transformar em mercadoria em benefício das indústrias de saúde?
--- Como conciliar as exigências da Medicina científica e a sua necessária vocação “terapêutica” (isto é), humanista?
Eis porque (nesta perspectiva), mais que nunca, os Médicos têm o dever ético e político de estar vigilante contra as derivas e subterfúgios desta medicalização generalizada e a “paixão da ordem”, que (ela) parece ocultar.









