Prática de Actuação Segunda:
“Ser culto es el único modo de ser libre”
José MARTÍ (1853-1895)
Na verdade (quiçá) vivemos o tempo da “democracia”…
(1) Vivemos o tempo da decadência da democracia, implicada pelo devir consumista das sociedades industriais. O advento da “defesa do consumidor” inscreve-se neste processo de transformação das sociedades que MARX denominou de capitalismo. Este (transformado em) capitalismo cultural no decurso do século XX (pretérito), manifesta-se (doravante), como tendência à liquidação do político (propriamente falando), isto é (em primeiro lugar) do Poder Público como Estado, mas (mais geralmente), como tendência à liquidação do que constitui o processo de individuação psíquica e colectiva, onde se formam e se permutam singularidades.
(2) De sublinhar (antes de mais), que o referido processo: constitui (ele mesmo), a experiência da sua própria singularidade. Ou seja: melhor dito (outrossim da sua) incalculabilidade (ou ainda), da persistência do seu futuro num mero devir. Ora (transformado cultural), concomitantemente que hiper-industrial, o capitalismo é (identicamente), neste momento (integralmente computacional) e tende (nisto) a eliminar as singularidades que resistem à calculabilidade de todos os valores no âmbito do mercado das trocas económicas.
(3) Esta tendência para a liquidação do político e da individuação (em que consiste), é necessário combatê-la sem (por essa razão) tentar manter uma ideia caduca do político, o que constitui o discurso da “resistência”. Demais (et pour cause), uma tal manutenção só pode (além disso) ser um artifício. De facto, é preciso lutar contra esta tendência (inventando), em vez de resistir. Eis porque, a resistência só pode ser reactiva e (como tal), ela pertence ao niilismo.