segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

QUASE TENHO VERGONHA

Da parvalheira que vai na cabeça do “meu povo” lá no Fogo. É que: votando tão desequilibradamente ― no contexto nacional cabo-verdiano em que a bipolarização é mais que evidente nas outras oito ilhas habitadas ― a favor de um partido político, neste caso o PAICV, a ilha do Fogo continuará o seu calvário de mais de trinta anos sem ser beneficiada em nada durante toda uma legislatura, qualquer que seja o partido a ganhar o poder e a formar Governo.

― E porquê?

A resposta é mais que óbvia. Para toda a gente menos para a gente do Fogo:

O PAICV acha que é gente conquistada e encabrestada, de voto certo no PAICV, não sendo por isso preciso andar a “apaparicá-la” para que volte a eleger o PAICV em próximas eleições;

O MPD, por sua vez, achará que é gente conquistada e encabrestada, de voto certo no PAICV, não sendo por isso preciso andar a “apaparicá-la” pois não deixará de eleger o PAICV em próximas eleições.

E com isso o meu povo, qual burro e carneiro ao mesmo tempo, agindo como o portador de um cérebro caliginoso e paralisado, continuará na cepa torta vendo o Orçamento de Estado distribuído largamente pelas restantes ilhas onde é preciso conquistar eleitorado para o futuro, enquanto o Fogo, o bastião amarelo do PAICV, merecerá ser tratado por quem vá para o poder como Salazar tratava os Pides noutros tempos ― chamava-lhes de sabujos apesar de, ou por causa disso mesmo: dos serviços prestimosos que a PIDE executava para o ditador de Santa Comba.

Ficam aqui os resultados das eleições legislativas, havidas hoje, na Ilha do Fogo:
PAICV (62,3%); MPD (35,5%).

OH POVO CASMURRO!... Mais cinco anos de desprezo e desdém...!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Epístola Décima Sétima:

Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895.


(I)
            Por razões e motivos óbvios, vamos evocar, nesta nossa Epístola, um dos filósofos, que criticou, de forma desabrida e aberta, o sistema esclavagista e o colonialismo. Estamos a falar do pensador francês, Emmanuel MOUNIER (1905-1950), o autor deste belo Opúsculo, que é, efectivamente: “L’Éveil de l’Afrique noire”. De anotar (antes de mais), que em 1936, no seu célebre Manifesto ao Serviço do Personalismo, propõe os fundamentos de uma Doutrina (nitidamente) Social (O Personalismo), a qual, vinha, na linha das ideias e ensinamentos do escritor francês, Charles PÉGUY (1873-1914) e do filósofo e arqueólogo francês, Jean-Gaspard Félix RAVAISON (1813-1900), em que sublinha a relevância da inserção “colectiva da pessoa”. Para E. MOUNIER a dignidade da pessoa humana constitui o fundamento de toda a ordem social. A influência do seu Pensamento se encontra (ainda), hoje (presentemente), na orientação e acção de numerosas organizações operárias.

(II)
            De feito, MOUNIER (que dignificou) o Personalismo como Filosofia centrada sobre a Pessoa, enquanto relação, abertura e solidariedade (outrossim) como movimento de acção efectiva a favor da Pessoa. MOUNIER representa (efectivamente) uma das consciências mais críticas do seu tempo. Donde, que o seu avisado magistério filosófico merece a maior atenção (actualmente), no que diz respeito às conexões Europa África. No seu périplo pela África ocidental francesa, em 1947, estigmatiza o desprezo e a negação do mundo negro, indicando vias possíveis para um reencontro real e frutuoso das culturas e das pessoas da África e da Europa.
            Enfim e, em suma: MOUNIER pode ser considerado, como um dissidente (assumido e consciente) da boa consciência colonial e colonialista europeia, que tomou a palavra, não ao abrigo de salões feltrudas. Sim, efectivamente, no cerne da realidade africana que fora reencontrar.

CABO VERDE VAI HOJE A VOTOS

Como os Estados Unidos foram há dois anos; Portugal há poucas semanas; a Alemanha daqui a uns meses; etc.

Isto é: com total normalidade própria de uma democracia adulta onde a oposição funciona com todas as garantias legais e em perfeita liberdade.

Apetece dizer como se diz no futebol:

QUE GANHE O MELHOR!

sábado, 5 de fevereiro de 2011

EXPOSIÇÃO DE PINTURA


Pintor e arquitecto, além de boémio e homem de esquerda, o meu querido amigo Luiz Taquelim teve a amabilidade de me enviar o catálogo de uma exposição de obras suas, a decorrer no Centro Cultural de Lagos, no Algarve, de 29 de Janeiro a 26 de Março próximo. Gostei particularmente deste óleo sobre tela “Desespero”, pintado em 2000.
Mensagem ao autor e amigo: Caríssimo, vou ter imenso prazer em visitar proximamente a exposição contando com a tua sempre bem-disposta companhia para uma noitada bem regada aí nos Algarves.

GALHARDETE FLORIDO


Leitura aconselhavel a Vasco Lobo Xavier e a Francisco José Viegas. Que terão a oportunidade de rever aqui as duas bolas mais em pormenor.

Comentário: Masson é dos raríssimos benfiquistas com qualidades para ser Sportinguista.

INSTALA-SE O CAOS


Agora que o arrumador de prateleiras se foi embora é que vai ser o bom e o bonito para o Sporting se manter visível na tabela classificativa do campeonato.

MISÉRIA DE JORNALISMO

            

À excepção do embaixador José Cutileiro, não sei se os leria caso tivessem blogues pessoais. Se calhar até têm...

BOM DIA!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

WIRELESS MEDICINE

COMUNICADO DO DJIBLA

Daniel Mascarenhas ("Djibla" para os amigos) enviou-me um email com o seguinte “comunicado” que faço questão de publicar pois este blogue tem leitores em S. Vicente e... quem sabe se entre eles esse tal de “macacão”.

C  O  M  U  N  I  C  A  D  O
Por desconhecer o  paradeiro do sujeito, venho publicitar  o seguinte:
Há um macacão que, todas as vezes que o PAICV ganha eleições, fica tão contente que vem altas horas da noite  parar o seu jeepão debaixo da minha janela  onde  fica a businar por longos períodos incomodando assim a mim (que me deito cedo porque eu TRABALHO) e ainda aos vizinhos  e até guardas nocturnos  nos seus cochilos.
Quero avisar a esse macaco que já não pernoito nesta casa e, se o PAICV ganhar as eleições no próximo domingo, ele se escuse de aparecer por cá, correndo  o risco de apanhar “baziu” ou a dentada de um cão da sua estatura e especialista em atacar barbudos.
S.Vicente, aos 4 de Fevereiro de 2011
Djibla

A ZON EM APUROS POR CAUSA DA “IRIS Box”

Para além de se apresentar mais lenta que a antiga Box da mesma ZON, e muito mais lenta que a do MEO, quer no zapping, mas sobretudo no arranque (demora um minuto e meio a acordar) ― uma eternidade nos dias de hoje ― esta nova, e tão badalada publicitariamente, Box IRIS, ainda não permite aos clentes fazer a Gestão de Conta. Não permite-lhes fazer afinal aquilo que seria a maior novidade desta Box.

Um azar de todo o tamanho!...

Tendo reclamado disso há três dias junto da ZON, acabei de receber desta empresa o seguinte SMS:

«ZON: Informamos que a situacao que nos reportou ainda se encontra em analise e esta a ser acompanhada. Entraremos novamente em contacto até dia 14-02-2011 para dar ponto de situacao. Obrigado pela sua preferencia.» É esperar mais 10 dias pela solução, digo eu.

Contudo valha a verdade: Comparei exaustivamente ― podem crer! ― os serviços e pacotes da ZON aos do MEO e da Vodafone (Vodafone Casa), e concluí sem margens para quaisquer dúvidas que:

A ZON é, de longe, a melhor escolha; sobretudo do ponto de vista da diversidade e qualidade da oferta TV. Os preços praticados andam todos pela mesma bitola, o que faz da ZON também a melhor oferta preço/qualidade.

O seu a seu dono! E atenção: Pode fazer a gestão da sua conta por telefone ligando para os serviços de apoio ao cliente da ZON (como dantes) enquanto aguarda pela solução do problema.

[Cliente C167210901]

“MANOBRA DE DIVERSÃO”

Foi como Manuela Ferreira Leite classificou ontem na Quadratura do Círculo este pio isolado e “estranhável” de Jorge Lacão, o qual dando uma entrevista como ministro lá pelo meio fala como cidadão, em nome pessoal ― no mínimo anedótico e risível! Próprio para papalvos, pois, enquanto se discute isso, não se discute o que é essencial e vai-se esquecendo o mau governo e a má governação.

E o PSD contribui para a palhaçada disponibilizando-se para falar com Lacão pensando que com isso estará a alimentar uma dissensão mais que ensaiada pelo gabinete de diversão e propaganda do governo.

Coitado do Miguel Macedo!...Não há no PSD quem o chame à razão? (Sócrates deve estar a gozar o prato com delícia).

BOM DIA!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

EDUCAÇÃO SEXUAL NA BÉLGICA

«O ANO DO TUBARÃO»

«Entre outras, Coelho quer, pois, fechar empresas com "prejuízos crónicos" como a CP, a STCP, a Carris, os Metros de Lisboa e Porto, os Centros Hospitalares de Coimbra e Lisboa Norte, o Hospital de S. João, o Instituto de Oncologia... Os "lobbies" privados que estão por trás de medidas destas afiam já os dentes. O Ano do Coelho será, entre nós, o Ano do Tubarão.»

[Manuel António Pina – in DN de hoje]


BOM DIA!

Epístola Décima Sexta:

Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).


(1)      Com efeito, além da precariedade multiforme que vivem e combatem, como podem, amiúde (com os meios de bordo), os Africanos devem enfrentar um outro adversário de peso, quão perigoso como o próprio subdesenvolvimento. Tudo isso (aliás), subentende as representações veiculadas desde séculos (senão milénios), no mundo europeu, particularmente na literatura, acerca da identidade negra e as suas (in)capacidades, que a afectam.
(2)      De consignar, que esta tela de representações, que se denomina (por comodidade) de “ideologia negrófoba”, manifesta numa panóplia de escritos pluridisciplinares. A Filosofia (tida como uma disciplina nobre) e fora de toda a suspeição (porque se pretende ser exercício crítico e de autocrítica da razão), aparece, no âmbito, desta ideologia sob uma imagem desfocada, visto que os filósofos mergulharam as suas penas numa tinta negra da ignorância (para não dizer do desprezo pelos Africanos).
(3)      De anotar, neste sentido, que algumas figuras “relevantes”, se tornaram, tristemente célebres, por assumir posições desmesuradas, desprovidas de razão, que suscitam nos leitores africanos, ora a surpresa irritada, ora a condenação em bloco da filosofia (dita ocidental), então (suspeita) de convivência com a ideologia negrófoba que, por assim dizer, teoricamente contribuiu para preparar e/ou justificar a submissão histórica dos Negros (Escravatura, Colonização).

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

NO 128º ANIVERSÁRIO DO NASCIMENTO DE JOYCE

«Toca-me. Olhos doces. Mão doce doce doce. Estou sozinha aqui. Oh, toca-me logo, agora. Qual é essa palavra sabida de todos os homens? Estou mesmo aqui sozinha. Triste também. Toca, toca-me.»
[James Joyce - in Ulysses]

Nota. Hoje é dia de aniversário. Existe entretanto um dia em que se comemora a vida de Joyce, o dia 16 de Junho, o Bloomsday.* É dia feriado na Irlanda, um feriado nacional dedicado a um livro: Ulysses. Só a Bíblia encontra no mundo uma celebração idêntica à do romance de Joyce.

(*) James Joyce nasceu a 2 de Fevereiro de 1882. «Escolheu o dia 16 de Junho para ser imortalizado em sua obra porque foi nesse dia que fez sexo pela primeira vez com sua futura companheira Nora Barnacle, à época uma jovem virgem de vinte anos, apesar de a imprensa irlandesa publicar que nesse dia eles "caminharam juntos" pela primeira vez. Na verdade, Nora teve medo de completar o coito e masturbou-o "com os olhos de uma santa", como Joyce relatou numa carta em que relembrou o acontecido.»
BOM DIA!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

SLOGAN PUBLICITÁRIO

NÃO É A TUA VISÃO
É LENTIDÃO

RAPOSINHO DO QUILÉ


É o que se pode chamar de funcionamento mental à portuguesa ― tu tens mais do que eu, então precisas ter menos para ficares como eu ― em que nunca se pensa em “ter mais qualquer coisa para se ser como o outro”.

SERVIÇO (AO) PÚBLICO

Enquanto o DN não o disponibiliza online, você pode ler aqui o artigo que Mário Soares publicou hoje naquele jornal.

Nota: já li o artigo. Devo dizer que concluí o seguinte após a leitura: Para acontecer o que Mário Soares preconiza vai ser preciso que novos homens (novas personagens políticas) apareçam em cena.

Talvez construindo-os na fábrica de cerâmicas das Caldas, não?!...

IRIS BOX DA ZON

Não quero ser desmancha-prazeres nem venho falar mal da ZON; venho apenas divulgar uma constatação e falar do que não gosto e do que gosto na nova box da ZON, chamada IRIS Box.

Não gosto.
De apenas duas coisas. Do arranque que é exasperantemente lento quando se desliga e volta a ligar a box; e da velocidade do zapping. Esta nova box da ZON é significativamente mais lenta que a antiga no que à passagem dos canais diz respeito. Não entendi e não entendo como é que a ZON embarcou e aceitou comprar e comercializar uma box com estas duas facetas tão lentas. É só isso!

Gosto.
Dos widgets e das várias funcionalidades (umas melhoradas; outras adicionadas) que o utilizador encontra neste novo serviço. Merece realce a que, no meu entender, é a maior vantagem deste novo software da ZON: permitir que o cliente possa, a qualquer momento, subscrever um novo pacote de canais e possa trocar ou cancelar, de 30 3m 30 dias (isto parece-me lógico), pacotes de canais ao serviço básico que comprou ― tudo isto sem sair de casa.

Como acho que a concorrência vai “gozar” com este novo zapping lentinho, lentinho da IRIS Box; e acho que este é, sem dúvida alguma, um aspecto relevante que pode ser explorado pela publicidade dos concorrentes; quero crer que a ZON já esteja a fazer alguma coisa para resolver o problema. É que se não for já ― já era! ― vai perder clientes. De certeza. A mim não perde para já, pois, considero os serviços da ZON os melhores do mercado. Mas, como se sabe, a concorrência é terrível. Vamos ver...

Epístola Décima Quinta:

Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).

(1)     Todavia, se o estado de precariedade no qual vivem a maioria dos países Africanos, se tornou uma fonte de preocupação para o outro (cuja fibra humanitária parece desenvolvida à altura das suas ambições hegemónicas) é, outrossim (e, sobretudo) para as filhas e os filhos de África (primeiras vítimas do que se denomina subdesenvolvimento) e que, no quotidiano, suportam uma precariedade social, económica e política, que coloca, em perigo, a vida das populações do Sul.
(2)     De sublinhar (antes de mais), que o subdesenvolvimento já foi explicado de mil e uma maneiras, designadamente:
a.     Uns situam a sua origem fora do Continente (denominar-se-á “exógena” este tipo de explicação), assentando-se, em programas imperialistas externas cujo fim é a pilhagem do Continente e o modo de acção: a violência, brutal ou dissimulada, por políticas neo-coloniais de cooperação fingida.
b.    Outros situam esta origem no Continente, nos actos ou/em políticos (corrompidos, incompetentes, megalómanos), ou ainda, por comunidades incapazes (elas próprias), de agir, de modo organizado, eficaz e eficiente sobre o mundo que as envolve para satisfazer as suas necessidades (as mais elementares).
c.     Entretanto, na realidade, o problema fundamental do Continente se define (por conseguinte), por um estado de impotência crónica para produzir (por e para si próprio), riquezas; para gerir as suas riquezas naturais ou as recebidas por perfusão e criar um conforto visível para todos (sem excepção).