Foi a frase sucessivamente repetida, até ao último suspiro, pelo malogrado escritor cabo-verdiano, António Aurélio Gonçalves (nhô Roque), quando se apanhou no hospital do Mindelo em S. Vicente, vítima de atropelamento por um automóvel em despiste que galgou o passeio e lhe tirou a vida. Isto foi-me contado pela médica que o recebeu no banco de urgências naquele dia fatídico.
Pois bem. Hoje, aqui na pacatíssima cidade de S. Filipe, na ilha do Fogo, estando em amena cavaqueira com dois amigos, sentados em mochos colocados à porta, no passeio público (aqui ainda é assim: à tarde há pouquíssimo movimento de viaturas e pessoas e por isso se desfruta deste prazer, sobretudo quando devido ao sol inclemente o calor se faz sentir mais em casa que na rua); mas dizia, estando nós os três conversando, eis que um automóvel em despiste nos ia esmifrando a todos contra a parede, não fora o “rabo” de um outro automóvel que estava estacionado um pouco mais acima, que recebeu o primeiro choque e fez rodopiar o carro assassino em meio pião, impedindo assim a acção do matador encartado.



