domingo, 19 de setembro de 2010

Peça Ensaística Quadragésima Oitava, no âmbito de

Na Peugada de NOVOS RUMOS:


Ser culto es el único modo de ser Libre
José MARTÍ (1853-1895).


O Saber da Vida:

NP:

Tradição oral e tradição escrita designam duas formas de Comunicação linguística, que, por seu turno, definem duas
Formas de Sociedade Humana.

Segundo o Etnólogo e Linguista africanista francês, o professor, MAURICE HOUIS (1923-1990):
a)       Oralidade é a propriedade de uma comunicação realizada a partir (de modo privilegiado) de uma percepção auditiva da mensagem.
b)       E, Escritura é a propriedade de uma comunicação realizada a partir (de assunção privilegiada) de uma percepção visual da mensagem.

Posto isto, vamos ao Tema, propriamente dito:
(1)      As sociedades da oralidade não possuem jornais. Todavia, o seu equivalente, a Informação Comunitária, que vai (só de ouvir falar) relega os problemas técnicos na rubrica verbal dos “aos lados” da verdadeira vida, ao contrário das sociedades que se dizem, mais “civilizadas”, na acepção que eles investem, prioritariamente, nas obras da Civilização. Isto nos leva a asseverar que, em contrapartida, as Sociedades agrárias são mais “cultivadas” que as sociedades industriais. Já agora, antes de mais, vamos explicar, adequadamente as ideias e os factos, que se nos afigura, assaz relevantes para um melhor entendimento desta nossa peça ensaística:
a.       De feito e, sem dúvida nenhuma, Produção e Gestão correspondem a um pólo da realidade social, ao contrário do qual se situa o pólo da Cultura, entendida esta na acepção, que os Antropólogos contribuíram pela sua imposição, ou seja, do que, ao invés da técnica personaliza os Povos e edifica a sua Identidade, marca da sua diferença. Este Pólo se assume mais do lado do Ser, enquanto, por seu turno, o da Civilização está do lado do ter.
(2)      Vale a pena, neste ponto, abordar duas novas funções. Estamos, óbvia e concretamente a referir as funções da Reprodução e da Representação. Eis, deste modo (presentemente) fora dos standarts e das escolhas convencionais. De anotar, que estes níveis, não são manipuláveis, visto que não derivam da vivência imediata, da espontaneidade criadora dos Povos. Cada Sociedade possui, por conseguinte, o seu sistema de Reprodução constituído pela família e, outrossim, por tudo quanto ela representa de “vida privada”, de tarefas e deveres. Numerosas sociedades viveram e vivem ainda sem outra instância de organização económica e política que o parentesco alargado (As “Sociedades contra o Estado”).
(3)      Donde, deste modo, se impõe, sublinhar, com ênfase, que a tarefa maior desta instância é, por conseguinte, a da Reprodução, não unicamente biológica, mas “cultural” As “transferências” se denominam, neste caso (em concreto), de Tradição, que se designa, outrossim, por “endoculturação” (por oposição à aculturação) e constitui matéria de cada geração em presença da seguinte.
(4)      De consignar, por outro, que neste caso em apreço, não é a Escola (a ferramenta de “Gestão”) que transmite a Língua. Sim, efectivamente, o meio familiar e, deste modo, toda a “prática” elementar. A complementaridade dos sexos e a repartição das tarefas masculinas e femininas se estabelece a este nível, identicamente que as formas fundamentais da Autoridade, vinculadas à filiação.

Antes de mais, se antolha pertinente e oportuno, trazer à colação o conteúdo de verdade da Posição/Tese do insigne filósofo e escritor francês, o Professor, MICHEL HENRY (1922-2002), que se prende, de modo, assaz eloquente, com a conexão existente entre Cultura e Vida:
Le problème de la culture, …ne devient philosophiquement intelligible que s’il est délibérément référé à une dimension d’être où n’interviennent plus ni le savoir de la conscience ni celui de la science, qui en est une forme élaborée, s’il est mis en relation avec la vie seulement... La culture est l’autotransformation de la vie.
« En tant que la culture est la culture de la vie et repose sur le savoir propre de celle-ci, elle est essentiellement pratique. Elle consiste dans l’autodéveloppement des potentialités subjectives qui composent cette vie... »


                                E, finalmente, um tanto ou quanto, em jeito de Remate assertivo, temos que:
                                1) A “autotransformação da Vida” conduz as Sociedades a elaborar, no âmbito do seu Imaginário, a partir dos dados dos Sentidos, uma Visão do Mundo, na sua totalidade, ou seja, a se representar uma ordem cósmica, na qual elas estão inclusas.
                                2) Sim, efectivamente um sistema de expressão simbólica, marcado pela sua Estética peculiar e sui generis, selo da sua originalidade, pertencente à cada Sociedade.
                                3) Com efeito, esta Ordem do Mundo e o material imaginário (do qual ela se serve para lhe dar forma) exprimem o seu sistema de valores, ou seja, as Finalidades da Vida individual e Comunitária, em relação com as potências superiores, das quais Ela depende. É, de facto, a este nível, alheia à ideologia (como à Ciência), exteriorizada, geralmente pelos mitos e pelos interditos, que as Orientações e as escolhas dos outros níveis encontram a sua origem e a sua legitimidade.

Lisboa, 18 Setembro 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

SABOROSO MUITO SABOROSO

«Receita. Pegue num incompetente. Depois de ele ser incompetente, elogie-o. Depois de elogiar o incompetente, despeça-o por uma razão qualquer (por dizer palavrões ou por se bronzear com lâmpadas ultravioletas, tanto dá). Até agora a receita é vulgar, de prato menor. A seguir é que vem a haute cuisine. Embarque para uma capital europeia, não sem antes apregoar: "Vou contratar o Ferran Adrià, o alquimista das cozinhas." Mas ele não está no El Bulli? Espante o povo: "Aí é que está: contrato-o só para fazer dois jantares!" Só para dois jantares? "Nem isso, ele não precisa de entrar na cozinha. Faz o menu por telefone." Sente-se com o Ferran Adrià por longas horas, para que a notícia do encontro se espalhe. Deixe que façam o refogado do acontecimento: diz-se que o sonho do Adrià era acabar a carreira, um dia, a fritar sardinhas, e se ele já disse que está disposto, porque não agora? Polvilhe com cepticismos: mas o real El Bulli deixa? mas tem lá jeito cozinhar à distância? mas quem perde tempo a fritar sardinhas quando tem cozinha molecular para tratar?... Saia do encontro com ar esperançoso e diga: "Alea jacta est", ou qualquer outra coisa que não se entenda. Espere que o El Bulli se pronuncie. E quando ele fizer um manguito desconstruído, ponha ar de quem fez tudo que estava ao seu alcance. Contrate o primeiro que lhe apareça, com toda a tranquilidade.»

[Ferreira Fernandes no DN]

BOM DIA!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

PARA REFLEXÃO

A história da vida na Terra é uma longuíssima sucessão de aparecimento, vivência e extinção de espécies. Cada uma das transformações maciças havidas no nosso planeta dependeu paradoxalmente de um importante motor de progresso: a extinção.

É um fenómeno curioso, que a morte das espécies na Terra,  seja, no sentido mais literal,  um modo de vida.

Ninguém sabe quantas espécies de organismos já existiram desde que a vida começou. Trinta biliões é um número muitas vezes aventado, mas já houve quem falasse em quatro mil biliões.

Seja qual for o total, 99,99 por cento das espécies que alguma vez viveram na Terra já não estão entre nós. Até se pode dizer, portanto, que “todas as espécies estão extintas”, pois, só resta 00,01 por cento de organismos complexos no nosso planeta.

No que respeita aos organismos complexos,  a duração média de vida de uma espécie  (incluindo a espécie humana)  é de uns quatro milhões de anos  aproximadamente onde estamos nós neste momento.

A extinção é sempre uma má notícia para as vítimas, é claro, mas parece ser uma coisa positiva para se obter um planeta dinâmico.

(Bill Bryson)

E ainda há quem se assuste quando deve fazer o que tem que fazer!...

Ou será ao contrário?!

[Fragmento de um email]

Peça Ensaística Quadragésima Sétima, no âmbito de

Na Peugada de NOVOS RUMOS:


Ser culto es el único modo de ser culto
José MARTÍ (1853-1895).


“Raça” e “Racismo”
Continuação:

                Demais, esta (referindo-se, obviamente à Filosofia) se interrogou, de forma, assaz reiterada, acerca da legitimidade da oposição “Civilizados/Bárbaros”. Foi, precisamente o escritor francês, Michel de MONTAIGNE (1533-1592), de todos os Pensadores do Renascimento, o mais próximo da mentalidade moderna, que sublinhou a barbárie dos Europeus durante as Guerras Religiosas ou contra os Índios da América.
                Por seu turno, o filósofo e matemático alemão, Gottfried Wihelm LEIBNIZ (1646-1716), considerado o maior Filósofo alemão do século XVII e um dos grandes génios da Cultura Humana, quem se interrogou, de modo avisado, perante as certezas do filósofo empirista, Jonh LOCKE (1632-1704) acerca do grau de barbárie dos supostos “bárbaros” e dos “civilizados”. Deste modo, temos nas pessoas (e obras respectivas), quer de LEIBNIZ, quer de MONTAIGNE, dois bons exemplos de crítica do “Etnocentrismo”.
                De anotar, que esta postura alusiva conduz, simultaneamente à julgar um grupo segundo critérios, que não são os seus (por exemplo, censurar os politeístas de ser idólatras) e, em se iludir acerca do que se desenrola no interior do seu próprio grupo, da sua própria “etnia”, denunciando atitudes ou comportamentos semelhantes nos outros. De facto, alguns dos conquistadores do Novo Mundo (que prosseguiam na América a sua cruzada contra os Judeus e os muçulmanos), viam nos Índios (“selvagens”) os responsáveis de determinadas práticas violentas, entretanto, olvidavam as brutalidades extremas das Guerras Religiosas, na Europa.

                Relevar que tradições, outrossim a rejeição do racismo (com argumentação a favor da desigualdade das raças) constituem tomadas de posição, que remontam até à Antiguidade e que não implicam, contudo a continuidade, no âmbito desta história. Deste modo, seguindo um autor, como o filósofo francês, MICHEL FOUCAULT (1926-1984), ir-se-ia no sentido de um sublinhar da especificidade do racismo moderno, que aparece como contemporâneo do advento da Noção da “degenerescência” em Psiquiatria (a qual é contrária à “degeneração”dos autores do século XVIII, situação de carácter irreversível).
                Eis porque, por conseguinte, o racismo seria uma Ideologia da idade da Ciência vinculada à uma transformação idêntica da concepção política, que vê nascer a “Bio Política”, isto é, uma Política que se envida organizar a vida do Homem, enquanto ser vivo, se preocupando com o seu bem-estar, com a sua Saúde, com a Higiene Pública, decidindo quem deve viver e quem deve morrer. Pode-se discordar dessa especificação do racismo, encarado como algo vinculado às disciplinas modernas e procurar, se escudando em FREUD, as origens do racismo, no âmbito da própria dinâmica de constituição das massas, que se homogeneízam, tanto mais, se elas possuem um inimigo para destruir.

                Finalmente, de consignar, que uma outra interrogação no atinente à especificidade do racismo contemporâneo incide sobre a continuidade entre a crítica aos Judeus (por eles não terem reconhecido a Divindade de Jesus Cristo) e a persecução que foram vítimas, por “considerados”, como pertencendo a uma raça “inferior” e, por este facto, constituiriam uma forte ameaça para a raça “superior”e, ante este “estatuto” deveriam ser exterminados até à sua derradeira progenitura, obviamente.

Lisboa, 15 Setembro 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

DUAS DIVAS (DUAS)

PRELÚDIO PARA UM REGRESSO A CABO VERDE
Uma oferta do meu caríssimo Djibla, via email.

OUTRA IDEIA SEM SENTIDO

Isto agora é como as cerejas:


Até parece que a senhora ministra nunca fez urgências!...

É que então vai ter de contratar psiquiatras a tempo inteiro para tratar os médicos colocados nas urgências durante um ano. Não há miolos capazes de suportar esse trabalho sem se derreterem.

Mas felizmente para os médicos a solução já está encontrada. O que quer dizer que esta ideia é perfeitamente absurda e filha da desorientação.

É que os quadros médicos dos diversos serviços hospitalares estão de tal maneira depauperados e exauridos que não há ovos para essa omeleta. Se os médicos (que são poucos) forem exclusivamente para a urgência, quem é que assiste às enfermarias, às consultas e às unidades de exames especiais?! Quem é que faz as cirurgias programadas???

Mistéééééééério!!!

NÃO HÁ OVOS, SENHORA MINISTRA! Pense noutra coisa.

SAÚDE - DESORIENTAÇÃO E CIGANAGEM


Agora oiçam só esta e digam lá se não é uma ciganagem:

"Estamos a trabalhar com países da América do Sul, como a Colômbia ou o Uruguai. Há um grupo que está a fazer o exame de reconhecimento para a Ordem e a preparar o que é necessário para vir para Portugal" ― diz a ministra.

― E qual a garantia de trabalho que oferecem a estes estrangeiros? ― Perguntamos nós.

E responde a senhora ministra através do Diário de Notícias:

Estas soluções são temporárias, enquanto se aguarda a formação de mais médicos, que ascendem já a mil por ano. "A este ritmo, penso que em 2015/16 teremos um número mínimo de utentes sem médico".

Ora bolas! ― Deverão ter dito os cubanos, uruguaios e colombianos que estarão a preparar-se para o recrutamento ― E depois voltamos para o nosso país e vamos para o desemprego?!

Foi o PSD, mas sobretudo o PS; foi Luís Filipe Pereira, mas sobretudo Correia de Campos ― com os Mello e outros interessados atrás, à frente e ao lado; em cima e em baixo ―, quem afundou definitivamente a Saúde Pública em Portugal. F*****m consciente, planeada e deliberadamente o Serviço Nacional de Saúde em favor da Saúde Privada.

Já não há retorno possível.

A Economia tomou conta do poder político; “comprou” o poder político. É a Economia que manda. São os interesses económicos que comandam.

Mas eu vou insistir em fazer-lhes o mais saboroso manguito da minha vida.

― Querem que eu volte a trabalhar sem condições e mal remunerado?

Ora tomem lá, embrulhem e vão-se f****!

Nota: A fotografia é do escritor Luiz Pacheco.

Peça Ensaística Quadragésima Sexta, no âmbito de

Na Peugada de NOVOS RUMOS:


Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).

“Raça” e “Racismo”:
Continuaação:


(III)
                Os caracteres físicos, que se tem utilizado para definir a “raça”, têm variado, segundo os períodos. Com efeito, a cor da pele, a forma do crânio, a textura dos cabelos têm dado lugar à todas espécies de construções.
                Se o vocábulo “raça”, qualquer que seja a sua etimologia, aparece no término do século XV, deve-se, contudo, por várias razões, no âmbito da história do “racismo”, se debruçar sobre um período mais dilatado. Na verdade, os “racistas” modernos se apoiaram (eventualmente), à custa de interpretação errónea, em autores do passado.
                Com efeito, actualmente os debates travados, no âmbito desta problemática, se encontram directamente vinculados a interrogações mais antigas. Donde, enfim, a definição do racismo pode conduzir a agrupá-los, num conjunto mais vasto de discursos e de condutas de ódio de outrem. Em todo caso se afigura legítimo debater acerca de eventuais periodizações, no âmbito da história do racismo e dos conflitos, assim como acerca das rupturas cronológicas, que, vêm sendo, assumidas.

                Na verdade, se PLATÃO opõe Gregos e Bárbaros, os Filósofos estóicos (de reter, neste ponto), a figura trágica do Imperador Romano, Marco Aurélio (121-180), autor da obra: Pensamentos, em que defende a ideia de pensar o Homem como um “Cidadão do Universo”, ou seja, como “Cosmopolita”.
                Já, no atinente, à Teoria do Clima, que foi retomada pelo eminente pensador muçulmano de língua árabe da época medieval, IBN KHALDOUN, é contestada pelo jurista francês JEAN BODIN (1530-1596), no término do século XVI.
                No século XVIII, vários autores criticaram a Teoria de uma aptidão menor dos Negros, consoante o vocabulário da época, ou dos Judeus em ser civilizados.
                E, no que diz respeito à Ideia de “degradação” de certos grupos humanos, avançada pelo naturalista e escritor francês, conde de BUFFON, de seu nome verdadeiro, Georges Louis LECLERC (1707-1788), ou pelo político francês, abade GRÉGOIRE (1750-1831), de verdadeiro nome HENRI GRÉGOIRE, de anotar, que ela implica, por seu turno, a noção de uma “regeneração” possível. Eis porque, alguns autores sustentaram que a escravatura produzia a decadência e a degradação do escravo e que os que justificavam a implantação da escravatura pelo estado do escravo invertiam a ordem dos factores. Ou seja: Não é a “natureza” do escravo que permite legitimar a escravatura. Sim, efectivamente, é a escravatura que produz caracteres específicos aos que são vítimas deste sistema!
                Poder-se-ia, outrossim asseverar que o racismo produz anomalias que ele denuncia nas raças “inferiores”. Neste particular, um sociólogo norte-americano, Robert K. MERTON (1910-2003), mostrou como os Negros oriundos de entre as regiões dos Grandes Lagos, ulteriormente no Sul dos Estados Unidos, na sequência imediata da Primeira Guerra Mundial eram excluídos do acesso às grandes empresas metalúrgicas, em que era necessário estar sindicalizado para poder ser assalariado (trata-se do sistema dito dos closed shop). Todavia, por outro, pela mesma ocasião, deviam aceitar trabalhar por salários muito baixos (abaixo dos mínimos sindicais), quando não se os utilizava para “furar greves”, de sorte que os operários brancos, os consideravam, como autênticos traidores e os menosprezavam, obviamente. Este exemplo poderia ser transportado a outros casos. De anotar, todavia, que o mecanismo foi denunciado, muito cedo, enquadrado, no âmbito das avisadas preocupações assumidas pelo Pensamento Filosófico Progressista.

Lisboa, 14 Setembro 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).

terça-feira, 14 de setembro de 2010

DELICIE-SE. ENTREGUE-SE À MÚSICA

(Feche os olhos e viaje no tempo)


BOA MADRUGADA E BOM DIA (quando o for).

FURO NOTICIOSO EM PORTUGAL

Numa aposta com um colega da faculdade e de quarto, Feross Aboukhadijeh, estudante de informática na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, criou, em apenas 3 horas (três), aquilo que a Google e You Tube buscavam há mais de três anos e ainda não tinham conseguido:

Feross Aboukhadijeh criou o YOU YUBE INSTANT, um motor de busca instantânea para o You Tube.

Mal se começa a escrever o que se quer procurar, logo que se comece a teclar, aparecem instantaneamente  sugestões certeiras daquilo que se procura; tudo numa página simples e “limpa”. Num abrir de olhos ― nem tem tempo de os fechar” ― já está.

Maravilhoso!

Esta notícia que vos dou em primeira mão é a parte boa da minha “insónia” (bem vivida) desta madrugada.

Agora que Leonard Cohen veio a Lisboa agradar a uns e desiludir outros, eu, que andei por estes dias perdido à procura de um clip de uma música “sessentona” dele, encontrei-a facilmente há pouco com a ajuda de Feross.

Obrigado, caro amigo (sim, eu já me considero seu amigo).

Links para Feross:

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Peça Ensaística Quadragésima Quinta, no âmbito de

Na Peugada de NOVOS RUMOS:


Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).

“Raça” e “Racismo”:
Continuação:

                Com efeito, seguindo a etimologia, que remete “race/raça” a “haras”, poder-se-ia asseverar que a Noção “raça”é uma transferência à espécie humana de uma prática oriunda do mundo animal. Aliás, não é, outrossim de estranhar, que numerosos teóricos racistas se assumem, simultaneamente partidários do Eugenismo. De referir, que segundo a etimologia grega, eugenismo significa “bom nascimento” e, se encontra, na raiz do vocábulo génios, que, por seu turno, é, frequentemente traduzido à partir do Grego antigo por “raça”.
                Presentemente, a Genética abriu um novo campo, no domínio deste tipo de empreendimento. Eis porque, se compreende a relevância da Bioética, que deu lugar ao voto de uma resolução da UNESCO em Novembro 1997, conducente à aprovação da Declaração Universal sobre o Genoma Humano e sobre os Direitos Humanos e que precisa que o respeito pelos Direitos Humanos não está condicionado pela sua “característica genética”.

                Além disso, o termo “raça”, a propósito dos homens, é utilizado no singular. Deste modo, falar de “raça humana” não conduz ao “racismo” (antes, pelo contrário), visto que a utilização do singular se opõe à ideia de uma multiplicidade de grupos particularizados e hierarquizados. No entanto, uma vez que se vai falar “das raças” (no plural), se introduz a possibilidade (não apenas) de os distinguir, sim, efectivamente para os classificar: “de bom ou mau”. Eis porque, asseverar que existe uma raça humana vai ao encontro do “racismo”, ou seja, a crença numa pluralidade de “raças” (o que se pode denominar: uma concepção “racial”), conduzindo, ipso facto (frequentemente, aliás), à teoria “racista”. Desta feita, da noção de diferença se passa facilmente à de desigualdade.

                De anotar, finalmente, que o valor de “raça” (neutra) entre os “raciólogos” que acreditam na existência de “raças” dissemelhantes (porém, iguais), noção essa que carreia um preconceito entre os “racistas”, pode ser utilizada, sob um modo reivindicativo e positivo, por grupos vítimas do racismo, mas que reivindicam a sua identidade, negada ou desvalorizada por políticos partidários da segregação ou da exclusão.
                Nos Estados Unidos da América do Norte, se encontrava, na década de 1970, uma afirmação da sua identidade negra e do seu valor, no seio de alguns grupos, como os do BLACK POWER, enquanto militantes anti-apartheid, na África do Sul (cuja referência principal é o conhecido activista do movimento anti-apartheid, na África do Sul, na década de 1960, STEVE BIKO (1946-1977), afirmavam da necessidade de desenvolver a “consciência negra”. De referir, outrossim e, ainda, que no século XXI, Índios da América Latina proclamavam o valor da RAZA.
                Estamos, deste modo, ante uma vontade férrea de inversão de valores em que o grupo estigmatizado, depreciado, alienado pretende e, quer se reapoderar de uma Identidade, que foi desvalorizada pelos opressores racistas. Socialmente, este “racismo anti-racista”, para retomar uma expressão da lavra de SARTRE, a propósito dos Argelinos, pode ter repercussões nas antigas metrópoles coloniais de outrora, em que o racismo os castigava franca e frontalmente.

Lisboa, 12 Setembro 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/internacionalista --- Cidadão do Mundo).

domingo, 12 de setembro de 2010

NHA TERRA ESCALABRODE

ESTOU AQUI ESTOU AÍ


A poucos dias de mais um (eterno) regresso a Cabo Verde, recebo do sempre fixe Djibla o link para este clip musical de Nhonhô Hopffer*. A voz, a letra e sobretudo o virtuoso vilão acústico (sem electrónica de permeio) tornaram o chamamento ainda mais irresistível. É que muita gente não sabe que na minha terra momentos de performances musicais destes são o pão-nosso de cada semana, em nossas casas e nas de amigos, em que os verdadeiros artistas estão sempre tão disponíveis como quando se pede um copo de água (um whisky, vinho do Fogo ou cerveja, já agora para ser mais verdadeiro).

Apenas um artista português do meu conhecimento actua desta forma para com os amigos; refiro-me a Rui Veloso (que não vejo há séculos) a quem tive o privilégio de conhecer há quase trinta anos e que convive naturalmente neste tipo de ambientes sociais em que tocar vilão e cantar é tão "obrigatório" como respirar.

BOM DIA!
* Nhonhô é arquitecto e não vive da música, mas nem por isso deixa de ser um excelente artista.

sábado, 11 de setembro de 2010

A ORIGEM DA VIDA

Ao longo do tempo têm sido identificados aminoácidos nas amostras de meteoritos que caíram na Terra. Os aminoácidos são o princípio da vida tal como a conhecemos. Até agora o Homem só produziu em laboratório meia dúzia de aminoácidos bastante primitivos.

«De qualquer forma, o verdadeiro problema não é criar aminoácidos. O problema são as proteínas.»

«As proteínas são aquilo que se obtém ao encadear aminoácidos, mas são precisos muitos aminoácidos. Ninguém tem bem a certeza, mas deve haver cerca de um milhão de tipos diferentes de proteínas no corpo humano, e cada um deles é um pequeno milagre. Segundo todas as leis das probabilidades, as proteínas nem sequer deviam existir. Para fazer uma proteína é preciso juntar aminoácidos (a que, segundo uma longa tradição, sou obrigado a referir-me aqui como "blocos de construção da vida") numa determinada ordem, da mesma ma­neira que se juntam letras de uma certa forma para criar uma palavra.»

«O pro­blema é que as letras no alfabeto dos aminoácidos são normalmente muito longas. Para soletrar colagénio, o nome de uma proteína comum, precisamos de nove letras dispostas na ordem certa, mas para fazer colagénio precisamos de or­denar 1055 aminoácidos numa sequência absolutamente rigorosa. Mas — e este é um ponto óbvio mas crucial — não o podemos fazer. Ele faz-se a si próprio, es­pontaneamente, sem instruções, e é aqui que surgem as improbabilidades.»

«As probabilidades de uma molécula com uma sequência de 1055 como o colagénio se formar espontaneamente são, na verdade, zero. É simplesmente impossível que aconteça.»

«Resumindo, as proteínas são entidades complexas. Que acontecimentos fortuitos venham a produzir uma só proteína parece uma total improbabilidade — como um pé-de-vento que passasse por um ferro velho e dei­xasse montado atrás de si um avião Jumbo, para usar a colorida imagem sugerida pelo astrónomo Fred Hoyle.»

«E, contudo, estamos a falar de várias centenas de milhar de tipos de proteí­nas, talvez um milhão, cada uma única em si própria, e, tanto quanto sabemos, vital para manter um indivíduo são e feliz. E é daí que tudo parte. Para ser útil, uma proteína precisa não só de reunir aminoácidos na sequência certa, como também de se lançar numa espécie de origami químico, dobrando-se a articulan­do-se numa forma muito específica. Mas mesmo depois de conseguir esta complexidade estrutural, uma proteína de nada serve se não se conseguir copiar a si própria, e o facto é que não consegue. Para isso é preciso o ADN. O ADN é um mágico da replicação — pode fazer uma cópia de si mesmo em segundos — mas não pode fazer praticamente mais nada. Portanto, temos aqui uma situ­ação paradoxal. As proteínas não podem existir sem ADN, e o ADN não ser­ve para nada sem as proteínas. Devemos então concluir que eles aparecem simultaneamente com o objectivo de se apoiarem mutuamente? Se assim é, é espantoso!»

As bactérias são a forma de vida replicável mais antiga que se conhece. Algumas bactérias têm por função decompor substâncias químicas, das quais, tanto quanto se sabe, não retiram qualquer benefício.

«Tem-se encontrado bactérias a viver em lugares e condições absolutamente improváveis, em poças de lama a ferver e em lagos de soda cáustica e de ácido sulfúrico. Uma espécie chamada Micrococcus radióphilus foi encontrado a viver alegremente nos tanques de resíduos nucleares, devorando plutónio e tudo o mais que lá encontrava.»

«A Deinococcus radiodurans é quase imune à radioactividade. Se destruirmos o respectivo ADN por radiação, os fragmentos obtidos reconstituir-se-ão imediatamente como os membros irrequietos de um morto-vivo nos filmes de terror.»

[Bill Bryson, A Short History of Nearly Everything.]

BOA TARDE!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Peça Ensaística Quadragésima Quarta, no âmbito de

Na Peugada de NOVOS RUMOS:


Ser culto es el  único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).

RaçaRacismo”:
(I)

(A)

                Se o vocábulo “racismo” é de aparecimento, relativamente recente, é, pelo facto, que só se tornou a doutrina oficial e central de movimentos e partidos políticos (designadamente, o partido nazi, na Alemanha que fez dele o centro do seu programa), após o nascimento dos regimes políticos modernos, das organizações de massa, que envidam em mobilizar ideologicamente grupos.
                Demais, ao mesmo tempo, que nasciam partidos, movimentos e associações racistas, se formavam Organizações que inscreviam o combate contra os preconceitos de “raças”, no seu programa. Sabe-se:
1)       Que em França, o famigerado “caso DREYFUS” conduziu, por tabela (melhor dito, como corolário), ao advento da Liga dos Direitos Humanos.
2)       E que, ulteriormente, após a Segunda Guerra Mundial (concretamente), na sequência da condenação dos horrores perpetrados pelo nazismo, um grande número de Instituições Internacionais e de Países passaram a estigmatizar, pública e oficialmente o “racismo” como um crime, ou seja, como uma autêntica doutrina de ódio.
3)       Eis porque, no âmbito desta dinâmica, a Carta das Nações Unidas de 1945, no seu capítulo I, indica como um dos fins primordiais da Organização, que, após a vitória sobre o totalitarismo nazi, se implante o seguinte: “Réaliser la coopération internationale en résolvant les problèmes internationaux d’ordre économique, social, intelectuel ou humanitaire, en développant et en encourageant le respect des droits de l’homme et des libertés fondamentales pour tous, sans distinctions de race, de sexe, de langue ou de réligion”.

(B)
                Todavia e antes de mais, se impõe, sublinhar a existência de um paradoxo, que merece ser descodificado. Ou seja: Os que pretendem combater o “racismo”, utilizam, necessariamente o vocábulo “raça”, enquanto, em termos gerais, pensam que este vocábulo não corresponde a uma realidade, ou seja à existência de grupos humanos, que possuem caracteres físicos ou psíquicos comuns (hereditários), grupos que se poderiam, aliás, hierarquizar consoante uma escala de valor.
                Demais, por outro, de consignar, adequadamente, que o “racismo” assenta, de facto sobre esta pretensão de atribuir a um grupo de homens (por causa de possuírem caracteres biológicos transmissíveis, de geração para geração), uma superioridade sobre outros grupos e reclamam, ipso facto, para este “grupo superior” um estatuto, direitos e vantagens (que recusam aos outros), pois que reivindicam, designadamente a condição da supremacia, como pertença exclusiva (inata) dos Arianos ou dos Brancos.

(C)
                A História do Ocidente, ao longo do seu percurso evolutivo, se encontra atravessado por dois (2) grandes modelos de “racismos”:
                --- O “Racismo”, que afirma a inferioridade dos Negros e escora uma forma de dominação radical: a escravatura.
                --- O Anti-semitismo, que, se apoiando na tradição cristã, considera os Judeus como “pérfidos” (os suspeita), os afasta e vai até ao ponto de os considerar como sub homens, que, por isso mesmo, devem ser destruídos.
                Enfim e, em suma: O Ocidente organizou as cruzadas contra os muçulmanos, no momento fundador, não sem resultados, em paga (leia-se, outrossim, como recompensa e compensação). Porém, o que é facto é que, efectivamente existe uma “epidemia” de “racismos”, como o “racismo” dos conquistadores do Novo Mundo, relativamente aos Índios, ou o “racismo” dos Gregos da Antiguidade, que se pretendiam superiores aos “Bárbaros”. Tem-se a haver, em PLATÂO (329-347 a. C.), por exemplo, num discurso dissemelhante do que o do “racismo” moderno, em que “raça” se apoia na Zoologia ou na Psiquiatria.

(II)
(1)        Por seu turno, o vocábulo/lexema “raça” encerra, um leque de significações, que variam, visto que, quer o vocábulo (em si e de per si), quer a organização do campo lexical mudam de uma língua para outra.
(2)        Todavia, sejam quais forem as variações de sentido, o termo implica a Ideia de um grupo que possui um fundo biológico comum. Eis porque, deste modo, se fala:
a.        Dos reis da primeira “raça”, o que significa, muito simplesmente, a primeira das famílias reais, cronologicamente (estamos ante a utilização do termo por MONTAIGNE ou por MONTESQUIEU, concretamente, este último, na sua obra: De l’esprit des lois, que fala das leis da primeira, segunda ou terceira “raça”).
b.        Identicamente, se emprega “raça” para os animais que pertencem a um mesmo grupo, sendo o critério, ordinariamente assumido, assentando-se, na ideia que os, que são da mesma “raça” são os animais que se reproduzem entre si.
c.        Porém, por vezes, se denomina “espécie” o grupo (na acepção mais lata) e “raça” (por seu turno), um grupo de animais, que possuem caracteres, que os permitem identificar entre si, como um grupo de semelhantes.

De anotar, aliás, que certos cruzamentos parecem originar animais de menos boa qualidade, conquanto “de raça” signifique, de uma “raça” pura, ou seja, que não conheceu mistura alguma.
De consignar, por outro, que, do ponto de vista da Genética e da História natural, cujo o objectivo assenta no estudo da Evolução das espécies tal qual foi proposto pelo Naturalista inglês, CHARLES DARWIN (1809-1882), a noção de “raça pura”não tem grande sentido, visto que os seres vivos são, sempre os produtos da Evolução de seres vivos anteriores: A girafa tem antepassados que não eram girafas, os Homens descendem de uma (ou de várias) espécie (s), que não eram homens e os povos civilizados têm por avoengos grupos humanos, que não o eram, sublinha, avisadamente o autor da relevante Obra, que é, efectivamente, “Da Origem das espécies”, que apareceu no já longínquo Ano de 1859, cujo Título original, em inglês é: THE ORIGIN OF SPECES BY MEANS OF NATURAL SELECTION.

(3)        As interrogações sobre a etimologia do vocábulo “raça”mostram, assaz bem a ancoragem da noção, na Zoologia. Vejamos então:
a.        O vocábulo português “raça”, etimologicamente é oriundo do Italiano (razza: conjunto de indivíduos de uma espécie animal ou vegetal, com características constantes e com competência para serem transmitidas aos descendentes). No entanto, tradicionalmente o lexema, ora é considerado oriundo do Latim (generatio, õnis: “geração”), com aférese, ora proveniente do Latim (ratio, õnis: natureza, motivo, causa, etc.). No século XX passado foi levantada a hipótese de o vocábulo derivar do francês antigo (haraz, século XII), francês (haras): estabelecimento destinado à reprodução do cavalo.
b.        Por sua vez, o vocábulo francês (race), provem (parece) do Italiano (razza). Por vezes, o termo é remetido ao lexema latino (radix), que quer dizer (“racine”: “raiz”), ou bem a um outro vocábulo latino (“ratio”), que quer dizer (“raison”: razão), como princípio de classificação.
c.        De referir, no entanto, que, uma outra etimologia foi proposta que não vincula “race” e razza a um vocábulo latino, todavia, a um termo de origem escandinava, que se encontra no francês medieval e que se emprega sempre em francês moderno: (“haras”), isto é, como uma expressão, que se refere a rebanho de garanhões (animais de cobrição) e de jumentos, destinado à reprodução e à melhoria das qualidades dos animais.
d.        Finalmente, de feito, a actividade de selecção, tendo em vista, o aperfeiçoamento das espécies vivas é um dos aspectos fundamentais da domesticação dos animais pelo homem, muito antes que a Genética não engendre uma técnica racionalizada. Demais, sem dúvida nenhuma, o Homem é a única “raça” animal, que se preocupa em actuar sobre a evolução das outras “raças” e pode imaginar melhorar a sua.

Lisboa, 10 Setembro 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).

COITADO DO RAPAZ



Fernando Flores entregou a queixa no Los Angeles Superior Court, alegando que Spears tinha feito avanços sexuais sobre si, e que se tinha exposto completamente nua perante ele.

Flores trabalhou para Spears entre Fevereiro e Julho deste ano, e também alega que Spears teve relações sexuais à sua frente.

Bem, vamos lá ver se compreendemos Flores ― aparecer nua perante ele e ter relações sexuais com outro...

É um bocado complicado, é! E desorienta qualquer um.

Mas chamar a isso assédio... Não terá sido antes crueldade?!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

CASA PIA INTOXICAÇÃO PRECOCE

As manobras de diversão e de intoxicação no processo Casa Pia, visando inocentar os então arguidos e agora condenados em primeira instância como pedófilos, remontam ao início das investigações SE BEM SE LEMBRAM.