sábado, 28 de agosto de 2010

Peça Ensaística Trigésima Nona, no âmbito de

Na Peugada de NOVOS RUMOS:


Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).


(1)         Uma vez, expendida, nas postas precedentes, a essência da Problemática, que temos vindo a estudar, na verdade e, na realidade, será possível, no meio de tudo isto, ressalvar, presentemente, que a ortodoxia se concentre sobre movimentos sectários (salvo, porém, a utopia), a única capaz de poder reactualizar a promessa?
(2)         Esta pertinente e oportuna questão tem sido colocada, com uma certa e determinada acuidade, por razões e motivos óbvios, sem, contudo, que as respostas avançadas tenham correspondido às expectativas, pois que todas se afinam pelo mesmo diapasão. Vejamos, então em síntese, qual o panorama em transe (já agora):
a.        De facto, após uma etapa dominada pela declaração de abandono do determinismo marxista e da violência revolucionária, foi afirmada a firme vontade de revivificar o comunismo em torno de um projecto de “passamane do capitalismo”.
b.        O que significa, grosso modo, que o “radicalismo” político e a utopia acham mobilizados, de molde a restituir à intenção e fim comunista “a sua dimensão visionária”.
c.        Este retorno atesta que, uma vez, os três elementos básicos da ortodoxia comunista dissociados, porque não, desconceituados junto das massas, da herança de Lenine, apenas resta a memória de um futuro em busca de legitimidade e de palpabilidade.
d.        Deste modo, o comunismo parece querer se atribuir novas origens (novos valores, obviamente), quiçá voltar às verdadeiras origens (melhor dito), recarregando as baterias, ipso facto, no cadinho da sua origem primordial. Todavia, resta a saber se a fonte não foi vazada, de modo, assaz irreversível.


E, rematando, de molde dialecticamente consequente:
De feito, seja como for, a sua compreensão global, passa, obrigatoriamente pela identificação dos seus vínculos/elos com a Utopia, no desígnio de avaliar a carga ideal e, outrossim a dinâmica da Utopia contida no Comunismo, sem os confundir jamais.


Enfim, enfim, enfim:
Em complemento oportuno, vai, em jeito de recapitulação, uma nova sinopse da UTOPIA e do perfil biográfico do seu autor, São THOMÁS MORE:

(I)

(1)        O vocábulo Utopia, oriundo do Grego (o`v-tóroç), que, em português, se traduz, habitualmente, por nenhures, corresponde ao neologismo introduzido por MORE para designar a Ilha por si imaginada, alegadamente (quiçá) descrita por um navegador português (Rafael HITLODEN). Esta personagem, quão peculiar e sui generis, dá, a conhecer, a MORE, ao longo de todo o Livro II, o sistema económico, político, jurídico, religioso… do povo da Utopia.
(2)        A Utopia é uma obra, eminentemente crítica (de filosofia política e social) cujas implicações éticas não podem (como, aliás, não devem) ser ignoradas, por motivos e razões óbvios, pois que ela (a Utopia, obviamente) se impõe pela sua actualidade e pertinência e, outrossim, sobretudo, pela inegável influência que exerceu no Pensamento Humanista Ocidental.
(3)        Originalmente, escrita em latim e editada em Novembro 1516, em Lovaina (Bélgica), a Utopia foi, pela primeira vez, traduzida para o idioma inglês, em 1551, por RALPH ROBINSON, sendo a segunda tradução da autoria do bispo GILBERT BURNET, datada de 1685.
(4)        A Obra, no seu todo, consta de dois Livros (Livro I e Livro II, respectivamente). Por seu turno, o Livro I, se subdivide em vários capítulos (ou Temas).

(II)
                                THOMÁS MORE nasceu em Londres, a 6 Fevereiro 1478 e morreu (decapitado) a 6 Julho 1535, pagando com a sua própria vida, o preço da sua fidelidade à Igreja de Roma e aos seus princípios éticos, recusando-se aceitar a autoridade religiosa de Henrique VIII, conquanto tenha sido aconselhado por Thomas CROMWELL (este, por sua vez, aluno de MAQUIAVEL).

                                MORE é sem sombra de dúvidas, uma figura incontornável do Pensamento Humanista europeu. Contemporâneo do Literato, Sábio e Filósofo holandês (natural de Roterdão, Desidério ERASMO (1466-1536), desde cedo revelou o seu interesse para as Leis e para a Teologia. Em Oxford, onde estudou, chegou, mesmo a traduzir a Obra: A Cidade de Deus da autoria de Santo Agostinho.
                                Todavia, a sua carreira foi marcada, sobretudo pelos seus cargos políticos de relevo, que ocupou (com ênfase, para o cargo de Chanceler do Rei Henrique VIII de Inglaterra). Foi, precisamente este monarca, o responsável pela sua trágica morte.
                                MORE foi canonizado, no ano de 1935, por ter sido considerado mártir.


Lisboa, 26 Agosto 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A VINGANÇA DO GATO

RITA FERRO (e=mc2)

Convidada, Rita Ferro publicou um texto muito interessante no blogue Delito de opinião. O texto mereceu comentários (alguns bem interessantes também) a que Rita foi respondendo a preceito clarificando as suas posições.

A páginas tantas, numa resposta a um desses comentários, Rita Ferro escreveu (um)a “fórmula” que resume e explica tudo. Assim! Que nem Einstein:

«Escapar à vida para merecer o quadro de honra sempre me pareceu desprezível.»

Bravo! Sempre gostei desta mulher.

Peça Ensaística Trigésima Oitava, no âmbito de

Na Peugada de NOVOS RUMOS:


Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).

               

(A)          O que é facto é que, a sua inteligibilidade (referindo-se, obviamente, ao Comunismo), exige, por conseguinte, regressar ao núcleo irredutível (a Sociedade invertida), desenhar à partir disso, os contornos, procedendo-se de esquissos fornecidos, aliás pelas utopias e os ensaios históricos de referência, como pelas diversas experimentações e os trabalhos de observadores externos, designadamente, sociólogos, etnólogos, antropólogos e politicólogos/politólogos.
(B)           De facto e, por conseguinte é, no âmbito desta óptica e dinâmica que se consegue aproximar, o mais aproximadamente possível, do conteúdo de verdade da doutrina da felicidade comum (que parte) da promessa conhecida da utopia, para a reencontrar no cerne da acção política, uma vez ornada pela violência redentora e legitimada pela Ciência do movimento histórico.
(C)           Como se pode ver, não se trata (obviamente), distinguir no Comunismo, unicamente a parte imutável, ou seja, a imobilidade da representação do mal e do bem e a parte movediça vinculada à geografia, às culturas, às personalidades, aos grupos sociais e aos Eventos, para ter como resultado a hipótese de um Comunismo contemporâneo oriundo de uma junção coerente e eficaz entre o cientismo, a violência revolucionária e a promessa de um Paraíso sobre a Terra, ingredientes principais da ortodoxia.
(D)          Donde, enfim e, em suma:
a.        O que redunda, deste modo, ipso facto, em poder afirmar que o seu poder de fascinação decorre totalmente da propensão destes três (3) elementos em se caucionar e, em se reforçar, recíproca e mutuamente, sabendo que possuem, individualmente a sua lógica própria e a sua autonomia política, ou seja, exprimindo, de modo assertivo: Um comunista pode se dissociar de um revolucionário ou de um marxista e vice-versa. Estamos, efectivamente, ante a eloquente ilustração da presunção que reforça a observação (atenta e avisadamente) dos partidos comunistas europeus existentes e, não só, colocados na impossibilidade de manter juntos estes três pontos e, por conseguinte, reconduzidos ao CONÚBIO rejeição/desejos, o Húmus utópico sobre o qual alguns esperam, ainda edificar e se salvar.

Continua:

Lisboa, 25 Agosto 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

ATRASADA MENTAL! CÉREBRO DE MINHOCA!

ESTE MACACO

É MAIS HUMANO

. . .

FEIA, GORDA E ESTÚPIDA

Este escaravelho bem merece perder o emprego como castigo pelo que fez.

Peça Ensaística Trigésima Sétima, no âmbito de

Na Peugada de NOVOS RUMOS:


Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).


  Oportuno Ponto preliminar:

                Prosseguindo, de modo, assaz assertivo, o Estudo, que vimos fazendo sobre a Conexão Comunismo/Utopia, se nos afigura, pertinente e elucidativo, antes de mais, trazer à colação, um conjunto de ensinamentos oriundos de Investigações assaz probas, realizadas, no âmbito desta Problemática, com resultados dignos de crédito, pela marca de rigor que ostentam, em substância.

(1)             No seu notável Livro sobre as Paixões comunistas (concretamente, Le passé d’une illusion, essai sur l’idée comuniste au XXº Siécle, Paris 1995), o historiador francês, FRANÇOIS FURET (1927-1997), remontou à fonte da explosão totalitária do Século XX, no desígnio de descobrir a fórmula desta incrível alquimia ideológica, em que se consubstancia o ódio do burguês, os efeitos traumáticos da Primeira Guerra Mundial e a “imaginação política do homem moderno”, que ele concentra na “ilusão”. Todavia, reduzindo a Utopia à uma mera abstracção, FURET limita o campo explicativo do Imaginário comunista às crenças apenas, nas reincidências positivas de uma violência redentora (uma vez, voltada para a classe dominante, tida como responsável de quatro anos de barbárie), sem ter, suficientemente em conta, o corpus utópico, este terriço fértil no qual uma memória do porvir germinou, fixando-se, ulteriormente no Húmus da Humanidade.
(2)             Donde, antes de mais, se impõe, considerar uma pertinente Questão. Ou seja:
a.        Como interpretar as rejeições categóricas ou as dificuldades de apreender os resultados trágicos de mais de setenta (70) anos de experimentação da “felicidade comum”, sem reconhecer, num determinado número de espíritos, não unicamente na extrema-esquerda, a existência de um robusto e sólido baluarte ideológico ou afectivo na realidade dos factos?
b.        Na verdade, efectivamente, a mera noção de desviocionismo estalinístico, aplicada aos crimes cometidos em nome da ideologia redentora, atesta acerca desta amálgama (entre a ortodoxia comunista e um ideal), frequentemente, assaz vaga, sinónimo de tranquilidade, liberdade, abundância e de ausência de exploração, mesmo entre os para quem o acto revolucionário perdeu toda a função mítica.
c.        Enfim, no fundo, para estes “nostálgicos” ou estes “crentes”, o episódio comunista do século XX (soviético ou outro), representa apenas, amiúde, uma experiência social, do mesmo modo, que as colónias e as comunidades abortadas do século derradeiro. Donde e daí, o ensaio seria, por conseguinte, algo para rasurar ou para renovar.

(3)             Este pólo de resistência se reforçou ainda mais, após a publicação dos trabalhos comparativos acerca dos dois (2) influentes sistemas totalitários (comunismo e nazismo) com para todo argumento, a colocação em relevo dos fins procurados:
a.        Humanismo e universalismo (por um lado) e
b.        Purificação racial e programação de exterminação (por outro).
c.        Tanto quanto o Comunismo poderá se vangloriar, sem se definir, exactamente, de uma especificidade epicurista e pacifista, que lhe permite se dissociar radicalmente do “socialismo real”, os obstáculos não serão levantados, pois que, ninguém (e, ainda menos, os próprios interessados) é presentemente capaz de responder, de modo, dialecticamente consentâneo, à Questão primordial e de fundo: “O que é o comunismo?” Quiçá, excepto, que é o reverso do capitalismo.


Continua…

Lisboa, 24 Agosto 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Peça Ensaística Trigésima Sexta, no âmbito de

Na Peugada de NOVOS RUMOS:

Acerca da Conexão Comunismo/Utopia:
Uma Leitura oportuna, por motivos óbvios!...

Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).


                                                NP:
                                                                Vivida, pensada, sonhada, tal é a história do Comunismo, cujo segredo da longevidade ideológica parece permanecer nesta super-posição do real e do imaginário, se assumindo (como um vazio enigmático), abandonado aos “caprichos” da Utopia. Transformada num verdadeiro local ou casa de arrumações do inexplicado da aventura comunista, no século XX pretérito, a expressão Utopia” aparece, todavia, até certo ponto, anacrónica, no momento do balanço das recaídas deste sistema sobre as sociedades e os Homens (a quem dizem respeito), assaz demasiado real para o confundir com o fantasma ou a ficção.

(I)
                Tendo em conta o arrazoado (acima expendido) vamos concentrar, por imperativo de ordem pedagógica, neste nosso Estudo ensaístico, na problemática, que se prende com a natureza do Elo/Vínculo existente entre as duas expressões: Comunismo e Utopia.
(a)      Assim, o primeiro sinal de referência significativo, no âmbito da conexão Comunismo/Utopia (que, ipso facto, se nos afigura relevante abordar), reside na promessa de perfeição, oriunda do corpo religioso judaico cristão para se tornar doutrina política, após a sua passagem pelo filtro da utopia. De feito, no século XVI, pela primeira vez, desde a Antiguidade, a promessa desceu a terra, transportada pelos homens, por intermédio dos escritos utópicos. Eis que, então, estas novas ferramentas do político, permitem confrontar a sociedade real com o seu invés perfeito, um universo fictício completamente depurado dos seus males históricos. Donde, ao descrever, ao mínimo pormenor, uma Sociedade feliz denominada UTOPIA, MORE conseguiu, deste modo, com êxito, à tornar verosímil e, dentro de pouco tempo, desejável, uma Organização Social, até então impensável, deixando, na peugada e esteira da História uma orientação indelével, uma visão de felicidade colectiva, uma viva Memória do Futuro.
(b)      Já o segundo sinal de referência remete para a instrumentalização das rejeições e dos desejos, método assaz típico da Utopia, apto a servir os políticos contestatários para apreender o objecto de menosprezo da sociedade real. Com efeito, por razões óbvias, ninguém pode negar a eficácia do procedimento utópico, que visa a racionalizar os comportamentos, intervindo sobre os espíritos e isto pela única sugestão de um algures fascinante, uma montagem entre o real e ficção magnificamente eficaz para estigmatizar o sistema implantado e abri-lo sobre possíveis. Importante sublinhar, que estes dois sinais de referência, a promessa e o método, assumem, eloquentemente, o porquê e o como de um CONÚBIO FUSIONADO entre o Pensamento Racional e o Imaginário.

(II)
                Transformado género da moda, desde o século XVII, o Romance utópico devia servir a uma plêiade de Pensadores, designadamente:
                --- Por um lado, políticos decididos em aproximar, sempre, cada vez mais, a Promessa da Realidade, nomeadamente o dominicano calabrês, CAMPANELLA e, por extensão, a sua interessante Obra (Cité du Soleil, 1623) e, outrossim e, ainda MORELLY, autor enigmático do Code de la nature (1755);
                --- E, por outro: Puros Filósofos, designadamente:
                                VOLTAIRE (1694-1778) e o seu Eldorado (1747) ou SADE (1740-1814) e a sua célebre L’île du roi ZAMÉ (1785).
                De salientar, que estes dois últimos se limitaram a dessacralizar os fundamentos de uma Sociedade feudal em mutação, após tê-la, colocada na situação de acusada graças aos depoimentos de hipotéticos viajantes regressados eufóricos de um País (soit disant ditoso), porém demasiado afastado da Realidade. Quiçá, daí, com certeza, a confusão entre Utopia e Fantasia filosófica!...
                No entanto, globalmente, entre o século XVI e o século XVIII, a Utopia permanece fiel à matriz de origem (UTOPIA), até a sua entrada, em sintonia, com o Grande Evento/Acontecimento, estamos a referir, obviamente à Revolução Francesa.

(III)
                Mercê destes anos revolucionários, os adeptos daSanta Igualdade”entre os quais, GRACHUS BABEUF (pseudónimo do revolucionário francês, François Noël BABEUF, 1760-1797), se notabiliza, na qualidade de verdadeiro percursor, dizíamos, extraíram na UTOPIA a sua dinâmica de acção e a sua força de fascinação para engendrar projectos alternativos em que o Imaginário parece ter sido evacuado, simultaneamente que a Ficção.
                Ora a atracção exercida pelos diversos Manifestos editados na época, reside fundamentalmente na sua construção utópica identificável em catálogos de cláusulas e de normas cuja a ordenação global permite compulsar um sistema social, ainda, jamais enxergado, apresentado, sempre como o invés positivo do presente negativo.
                Eis porque, no âmbito desta dinâmica e perspectiva, os primeiros actores e pensadores comunistas tiveram êxito ao insinuar os seus passos nos dos revolucionários, transmutando a promessa numa doutrina virada para a modernidade, no entanto, irremediavelmente congelada no seu conteúdo de verdade: Sim, efectivamente, a designação do mal supremo e os seus meios de destruição.
                Enfim e, em suma: Da Utopia de MORE e dos seus derivados, estes neófitos retiveram, com efeito, o essencial. Ou seja: A desgraça dos homens reside integralmente no enriquecimento individual, fonte de cobiça e de corrupção, uma enfermidade a erradicar pela obstrução definitiva dos múltiplos canais da sua formação e da sua reprodução.

(IV)
                Se dermos ao trabalho de seguir os interessados, militantes e ideólogos comunistas, chegaríamos a conclusão acertada, que, estes anos (charneiras), teriam, obviamente permitido a Doutrina, se libertar da sua ganga quimérica para se ancorar, num robusto Evento/Acontecimento, progressivamente legitimado pelo conhecimento (após achega decisiva oriunda do Socialismo científico) e, por conseguinte, liberta da Utopia da qual ela apenas teria preservado o princípio Esperança, “le paysage du souhait”, segundo a expressão do filósofo marxista alemão, Ernst BLOCH (1885-1977).
                Demais, não há dúvida nenhuma, que é um facto óbvio, que a teorização da causa do mal e dos meios de passagem para a Cidade Ideal permitiu a reconciliação entre o conteúdo de verdade da promessa e a realidade dos factos, tendo sido, a despeito de tudo, o fundamental do esquema utópico preservado. O Comunismo, enquanto ideologia, doutrina e projecto, por seu turno, efectivamente, jamais, se desembaraçou da sua matriz fecunda. Aliás, preservou, intactas, a substância ideal e a instrumentalização estratégica da negação global e do desejo de perfeição Social.

Lisboa, 23 Agosto 2010
KWAME KONDÉ:
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

HOJE É DIA DE CITAÇÕES (II)

Em primeiro lugar, para que o leitor esteja aqui agora, foi preciso que triliões de átomos errantes tenham conseguido juntar-se, numa dança intrincada e misteriosamente coordenada, de forma a criá-lo a si. Trata-se de uma combinação tão única e especializada que nunca foi feita antes, e só vai existir desta vez.

[...] (Não deixa de ser ligeiramente impressionante pensar que, se você tentasse dissecar-se a si próprio com uma pinça, átomo a átomo, nada mais iria conseguir do que um monte de fina poeira atómica, da qual nem um grão alguma vez tivera vida, mas que, toda junta, era você.) E, no entanto, durante todo o período da sua existência, a única preocupação dessas partículas será a de responder a um único impulso incontrolável: fazer com que você seja quem é.

[...] O lado menos bom da questão é que os átomos são inconstantes, e que o seu período de dedicação a uma causa é passageiro. Muito passageiro mesmo. Até uma longa vida humana não dura mais do que umas 650 mil horas. E quando este modesto marco é ultrapassado, ou por volta dessa altura, por razões desconhecidas os seus átomos vão dispersar em silêncio, para se tornarem noutra coisa. É o fim da história para si.

Bill Bryson, A Short History of Nearly Everything.

HOJE É DIA DE CITAÇÕES (I)

O físico Leo Szilard anunciou certa vez ao seu amigo Hans Bethe a sua intenção de começar a escrever um diário.
— Não tenho qualquer interesse em publicá-lo. Vou apenas registar os factos para informação de Deus.
— Não te parece que Deus já sabe quais são os factos? — respondeu Bethe.
— Sim — disse Szilard, e prosseguiu — Ele conhece os factos, o que Ele não conhece é esta versão dos factos.

Hans Christian von Baeyer, Taming the Atom. [Citado por Bill Bryson]

domingo, 22 de agosto de 2010

UM AUTÊNTICO IMBRÓGLIO

O Sporting perdeu há bocado, ainda na primeira parte, o seu actual melhor e único verdadeiro futebolista: João Pereira. O João sofreu um violento traumatismo cervical provocado pelo seu companheiro de equipa e guarda-redes, Rui patrício, tendo caído inanimado no relvado.

A pronta assistência médica no local e a imediata evacuação para um hospital terão evitado o agravamento de qualquer eventual lesão neurológica que esperamos e desejamos não se tenha verificado.

Mas o choque foi muito "feio".

FORÇA JOÃO! E PRONTA RECUPERAÇÃO!

“O HOMEM DE MASSAMÁ”

«Zé Ninguém, infelizmente cheguei à conclusão de que para me respeitares tenho que me afastar de ti».

Esta frase é do psiquiatra austríaco, Wilhem Reich, no seu livro Escuta Zé Ninguém.

Se Pedro Passos Coelho conhecesse um pouco da obra de Reich (já não estou a falar dos trabalhos sobre o orgasmo que o levaram ao banco dos réus e à condenação na então puritaníssima sociedade americana dos anos cinquenta), certamente não escolheria e/ou permitiria ser apresentado aos portugueses, no Pontal, por Mendes Bota, com esta frase de muito duvidosa eficácia: «Este homem vive em Massamá» (dormitório de Lisboa).

É que a última coisa que o Zé Povinho quer é ser governado pelo seu parceiro da bisca, do dominó e dos copos de três lá da tasca do bairro. O Zé só respeita quem está (ou ele julga estar) muito acima dele, Zé: de preferência em lugares inacessíveis.

É que uma coisa é ter nascido em Santa Comba ou em Boliqueime; e outra bem diferente é viver em Massamá. É uma piquena diferença que, contudo, conta muitíssimo. Pode valer uma eleição.

O povo não respeita os pelintras.
Clique aqui para ver o vídeo.