domingo, 22 de agosto de 2010

Peça Ensaística Trigésima Quinta, no âmbito de

Na Peugada de NOVOS RUMOS:


A UTOPIA
Ou a Memória do PORVIR.
E, por que não, o Sonho Eterno de uma
Outra SOCIEDADE

Donde, neste momento, quão asado e, ipso facto,
Por ser a
A HORA DE TODAS AS VERDADES
Se impõe, a todos nós, sem excepção,
ESTUDAR a
UTOPIA de THOMÁS MORE

Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).


NP:

                Quando, no início do século XVI, o político e escritor inglês, São TOMÁS MORE (1478-1535), escreveu a sua UTOPIA, aparece, pela primeira vez, a ideia de promessa de uma Sociedade Maravilhosa.
                Utopia, Cidade justa e harmoniosa, em parte alguma, existe. Todavia, ao descrevê-la, nos seus menores pormenores, como o invés do “perfeito”, MORE cria um instrumento de Sátira social, jamais igualado.
                De feito, UTOPIA (melhor dito: De optimo republicae statu deque nova insula Utopia libellus) publicada em Lovaina, em 1516 teve um impacto, de imediato e enorme. Trata-se de uma obra escrita, em latim, na sequência de uma missão diplomática de MORE em Flandres.

                E, em breve Sinopse:
                UTOPIA, não é nada mais, nada menos, que o nome de uma Ilha Imaginária em que todos os momentos da existência individual e social são governados pela Razão.
                Por seu turno, o Narrador da Obra, um viajante, de nome RAPHAEL HYTHLODAY, vai descrevendo essa Sociedade comunista, estabelecendo, concomitantemente um cotejo, com uma Europa dividida, minada pela ganância (caminhando sob o signo, de um egoísmo feroz).
                Enfim e, em suma: MORE, possui uma clara intenção crítica, (aliás, mesmo satírica), em que a Ironia e a Seriedade, se entrelaçam constantemente.

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(1)        Estudar, avisadamente a construção e o conteúdo de UTOPIA representa, por conseguinte, um real interesse, pois que visa restituir a TOMÁS MORE o seu devido, outrossim e, ainda, em conhecer a Abertura sobre possíveis e a Invenção de um suporte privilegiado, que consegue, durante séculos, a fixar a imagem de um possível EDÉN na Terra, sem deixar de lhe acordar a dúvida acerca de eventuais veleidades totalitárias, ou ainda acerca da sua hipotética responsabilidade no reforço do utilitarismo doutrinário.
(2)        De feito, o jogo utópico de MORE, enquadrado pelo real e o imaginário, designa uma Personagem, exactamente (tal e qual, quiçá “culpado”) de ter tornado verosímil uma configuração social até então impensável, deixando na esteira da História um vestígio indelével, uma visão de Felicidade colectiva, enfim uma autêntica Memória do Porvir.
(3)        Eis porque, por conseguinte, deve ser dissociada da Obra em si mesma, a volatilidade de um conteúdo, que ia responder aos afectos e aos fantasmas de uma militância, assaz radical em busca da legitimidade ideológica e organizacional.
(4)        De sublinhar, com ênfase, na verdade, com a construção utópica, MORE oferecia aos seus contemporâneos a possibilidade de escapar, de uma só vez (a um tempo) ao caos histórico e integrar uma “Cidade sabiamente organizada”, situada fora do tempo material.
(5)        Todavia, rasurar as imperfeições não significa regredir, nem regressar à uma Idade de ouro mítica ou, então, à Sociedade tradicional medieval. Sim, efectivamente, expurgada dos seus males, UTOPIA forjada à partir dos valores de uma franja Humanista (em que o literato, Sábio e Filósofo Holandês, natural de Roterdão, DESIDÉRIO ERASMO (1466-1536), era uma figura magna, aliás, uma referência moral e humanista, na época), perscrutava, para a frente, uma assunção eterna e imutável, se investindo aquém da História.

(…)

                                Sim, de facto, a feliz Ideia de se apoiar, na ficção (ou seja: Num Mundo perfeito, geograficamente inexistente), para formar o húmus de uma reflexão filosófica sobre a Organização Humana representa, efectivamente a Primeira Abertura consequente sobre a Realidade. De anotar, todavia, que o Efeito de perspectiva é, ainda intensificada quando MORE faz, de modo quão consciente, intervir a figura de escrutinador, inventando (quiçá, melhor dito, criando), o Navegador testemunha, confiando-lhe o inteligente papel de despertador (…), visto que visitou o outro Mundo, o de, em parte alguma, descoberta que lhe permite estabelecer uma fria e dura comparação com os países europeus, legitimar as suas críticas e as suas dúvidas acerca da qualidade do seu devir respectivo. Eis porque a personagem simbólica, de contador generoso que era, se torna, no livro primeiro, visionário e tribuno.

                                E, encurtando razões, de feito, o subterfúgio da argumentação comparativa, orquestrada entre o descobridor/inventor, RAPHAËL HYTHLODEE, personagem fictícia e os seus principais ouvintes/contraditores, o Autor e Pierre GILES, personagens reais, permite ao platónico THOMÁS MORE elaborar um balanço dos homens políticos, apelando para os seus votos, o caucionamento de uma certa elite junto dos Príncipes para favorecer a constituição de um Estado virtuoso, sob o seguinte Lema: “[…] Utilizai a vossa inteligência e o vosso savoir-faire em benefício da coisa Pública”.

Sucinto Perfil de THOMÁS MORE (Londres, 1478 -1535, Londres):

Este incontornável político e escritor inglês, após Estudos, que realizou junto do Arcebispo de Cantuária, o cardeal MORTON, estudou Direito, em Londres e tornou-se amigo de vários Humanistas, entre os quais, ERASMO (que escreveu o Elogio da Loucura, durante uma estadia, em sua casa).
                Traduz do Grego e do Latim diversas obras significativas e escreve, outrossim Poemas em inglês. Inicia, concomitantemente, uma Carreira política, que o conduz ao Parlamento e ao Cargo de UNDERSHERIF da Cidade de Londres.
                Toma parte em relevantes Missões Diplomáticas e, em 1521 é feito Cavaleiro. Desde então é um Servidor do Rei, Henrique VIII (de corpo e alma) e, em 1529, torna-se Chanceler de Inglaterra.
                Todavia, a vontade do Rei de declarar nulo o seu matrimónio com Catarina de Aragão e o seu ulterior casamento com Ana BOLENA (casamento que MORE não quis assistir) e a recusa em aceitar o Rei como chefe da Igreja de Inglaterra, deram origem a um Processo, que culminaria com a sua prisão, na Torre de Londres, onde escreve, um dos seus mais Belos Textos (Dialogue of Comfort against Tribulation, 1534) e a sua Condenação à morte. Considerado mártir, foi canonizado em 1935.

                THOMÁS MORE é autor de um enorme conjunto de Escritos. Pela relevância Literária que adquiriram, salientamos dois (2):
                --- O Primeiro é a História de Ricardo III (1513-14), escrita em Latim e depois em Inglês, constitui uma fonte importante de trabalhos posteriores, designadamente da lavra de W. SHAKESPEARE.
                --- O Outro é a UTOPIA (1516), outrossim escrito em Latim, após uma missão diplomática em Flandres. De referir, que o vocábulo Utopia é oriundo do Grego que, na sua essência primordial significa: “não lugar”, tendo THOMÁS MORE o recriado para designar o conforto insular imaginário, em que se pratica a comunidade dos bens descrito ficcionalmente na sua célebre Obra: DE OPTIMO REPUBLICAE STATU DEQUE NOVA INSULA UTOPICA.

Lisboa, 21 Agosto 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

SEM FÍSICO MAS SOBRETUDO SEM ALMA

SPORTING 0-2 BRONDBY

Com alma só houve e há João Pereira.
Faltam portanto mais dez João(s) Pereira(s) para fazer uma equipa.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

AI JOYCE, JOYCE!...

«Engolido o vinho irradiante lhe cruzava o céu-da-boca. Espremido nos lagares de uva da Borgonha. E o calor do sol. Parece um toque secreto contando-me recordações. Tocados seus sentidos humedecidos relembravam. Escondidos sob os fetais silvestres de Howth. Debaixo de nós a baía dormente céu. Nenhum som. O céu. A baía púrpura perto do cabo Leão. Verde por Drumleck. Verde-amarelo rumo a Sutton. Campos submarinos, linhas de um pardo desmaiado por entre a relva, cidades enterradas. Almofadada no meu paletó tinha ela sua cabeleira, fura-orelhas em sarças de urze minhas mãos sob a sua nuca, tu vais me despentear todinha. Oh maravilha! Frescamaciadas de bálsamos suas mãos me tocavam, acariciavam: seus olhos sobre mim não se me refugiam. Arrebatado sobre ela eu jazia, os lábios todos todo abertos, beijava sua boca. Ããm. Suavemente ela passava para a minha boca o torrão quente e masticado. Polpa asquerosa sua boca lhe emprenhara dulçor e agrura de saliva. Alegria: comi: alegria. Vida juvenil, seus lábios me davam num abrocho. Macios, quentes, gomigelatinosos lábios grudentos. Flores eram seus olhos, me toma, olhos querentes. Seixos rolavam. Ela jazia queda. Uma cabra. Ninguém. Alto entre rododendros do Ben Howth uma cabrita saltando certípeda, soltando passas. Encoberta entre fetos ela ria braçoenvolta. Selvagemente eu jazia sobre ela, beijava-a; olhos, seus lábios, seu pescoço reteso, pulsando, peitos de fêmea plena em sua blusa de véu de monja, mamilos cheios ponteando. Quente eu a linguei. Ela beijava-me. Eu era beijado. Tudo rendendo ela emaranhava meus cabelos. Beijada, ela beijava-me.
Eu. E eu agora.»

Peça Ensaística Trigésima Quarta, no âmbito de

Na Peugada de
NOVOS RUMOS:

Ainda acerca do “histórico” discurso de Nicolas SARKOZY, a Dakar:
Parte Quarta:


Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).

Antes de mais, para Principiar, de modo firme e, assaz consequente, um Grito histórico:

KIA é uma expressão samo (do nome de uma etnia do BURKINA FASO),
Que convida à coragem, ao combate. É o autêntico
GRITO DE GUERRA,
Que o saudoso Professor JOSEPH KI-ZERBO, legou a todos os
Africanos e, por extensão óbvia, a todos os
Oprimidos do Planeta, sem excepção.
Donde, então, clamemos Todos (em uníssono):

KIA! KIA! KIA!
                                                É a HORA!

(1)         Como o recorda, aliás, (assaz bem), o jornalista e ensaísta francês, Dominique VIDAL (n-1950): “desde a eleição de Jacques CHIRAC à Presidência da República, em Maio 2002, os subúrbios foram as primeiras vítimas das reduções orçamentais implantadas em nome do sacro santo pacto de estabilidade da União europeia”. E, lucidamente, acrescenta o seguinte: “jamais os eventos de Clichy-sous-Bois não teriam tido tais repercussões se os bairros ditos sensíveis não estivessem achados na encruzilhada de três crises exacerbadas: uma crise social, uma crise pós-colonial e uma crise de representação política”.
(2)         O mesmo se pode asseverar acerca dos recentes fluxos migratórios para a Europa:
a.       Jamais jovens originários do Mali, do Senegal, dos Camarões ou da Costa do Marfim, seriam reconhecidos como um único homem as portas da Europa, em Ceuta e Melilla ou a bordo de embarcações de recurso, que, frequentemente os conduzem para a morte, se o FMI e o Banco Mundial não tivessem infligido, ao longo de vinte anos, aos (países dos quais são originários) “o remédio forte” do ajustamento estrutural, que baralhou os símbolos de referência e aniquilou vidas. Demais, por outro, de um e de outro lado de Mediterrâneo, Jovens compartilham o insucesso escolar, a ociosidade e a desocupação e o sentimento de inutilidade.
(3)         Eis porque, importa federar as lutas, sublinhando que, na verdade (e, por certo), a exploração, a injustiça e a miséria humana oferecem, presentemente um novo rosto, com a caça ao imigrante indesejável, no entanto, nada de novo existe sob o Sol. Com efeito, nas sociedades industrializadas da Europa, desde o século XVIII, as classes populares tiveram direito, em graus diversos, manter à distância: a suspeita e a estigmatização, pois que:”o pobre urbano é descrito como perigoso, desde que não consegue, não pode, ou não quer se disciplinar, enquanto assalariado. O ideal policial, de qualquer época da sociedade industrializada consiste, numa sociedade organizada e estável”, segundo exara Salvatore PALIDDA in La criminilisation des migrants” (1999).
(4)         De anotar, assertivamente, que os pobres das cidades são, mesmo assimilados às pessoas das colónias, isto é, como “perigosos inimigos da nossa civilização”, “novas etnias rebeldes”, “verdadeiros Negros Brancos” mais temíveis que os numerosos bárbaros aos quais as tropas francesas foram coagidas a se confrontar, no Ultra-mar da Algéria e de Marrocos” (Ibid.).
(5)         Eis porque, efectivamente, a verdadeira e autêntica resistência deve ser assumida, no âmbito local, regional e global, visando opor às devastações e as regressões do modelo dominante. Ela se concebe e se constrói à luz das diversas situações, entretanto, semelhantes quando se considera a natureza das conexões de força que as subentendem.
(6)         Aliás, de consignar, que a verdade acerca do custo social, económico e ecológico da globalização é doravante uma questão de Paz e de guerra, de vida ou de morte. Acreditando, nos dirigentes europeus, os 25 devem quedar solidários, como o sublinha, Franco FRATTINI, COMISSÁRIO europeu encarregado das questões de Liberdade, Segurança e Justiça: “Il faut des avions, des hélicoptéres et des bateaux, et des experts, et des moyens pour renforcer l’action de Frontex, une agence balbutiante que ne peut rien résoudre sans moyens”, palavras (de uma violência extrema), proferidas pelo senhor FRATTINI, em Setembro 2006. Sem comentários!


Todavia e, sem embargo, há, ainda, mais auxeses, exorbitâncias e desmandos a ter em conta, obviamente. Ou seja:
(A)         O naufrágio dos jovens oriundos de África, aos milhares, constitui o corolário lógico desta guerra (quão estulta e, assaz execrável), que as “elites” políticas (melhor dito, os profissionais da política) não querem ver (?), nem interpretar como tal. Estes náufragos, (como os que tomaram de assalto, os gradeamentos de Ceuta e Melilla), proceder-se-iam, de outro modo, se estas “elites” e os dirigentes europeus outorgassem aos Africanos meios (límpidos e transparentes) para discutir a situação do Continente Africano, num Mundo em franca e assunada ebulição. As Mulheres que morrem para e, por vezes, juntamente com os seus filhos, têm o direito de saber, para puderem lutar, de uma outra forma e modo, com uma pronta e segura eficácia.
(B)         Sim, efectivamente, a Imigração familiar, não incomoda e importuna, unicamente pelo facto da sua não rentabilidade económica. Ela se traduz por crenças, formas de estar e de viver que, se alardeando, provocam dissensões em relação ao que, algumas pessoas denominam: o viver juntos francês, como se este insinuasse no mármore. De feito, sem sombra de dúvida, a violência das leis francesas visa, outrossim, as culturas, na qualidade de instrumento e meio privilegiados de Resistência, reivindicação e reconstrução do seu passado, do seu presente e do futuro, acima de tudo.

Finalmente, em jeito de Remate:
                                                                                               
                                                                                Na verdade e, na realidade, o discurso de Nicolas SARKOZY, a Dakar (Senegal), que foi abertamente injurioso e ofensivo, quaisquer que tenham sido os propósitos aduladores nos quais ele o disfarçou, é apenas a expressão do seu aferrado e obstinado menosprezo para com a África. É, aliás, outrossim uma forma subtil de desarmar os Africanos e, por extensão, os oprimidos ante ao assalto que ele congemina, sub-repticiamente levar a cabo, no quadro da conquista de segmentos de mercado para os grandes investidores franceses, (vindos numerosos) a Marrocos, com ele, em Outubro 2007.

                                                Pois é! Pois, pois!
                                                                Na verdade, os factos falam e cantam por si!

Lisboa, 18 Agosto 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Peça Ensaística Trigésima Segunda, no âmbito de

Na Peugada de NOVOS RUMOS:

Ainda acerca dos comportamentos xenófobos e execráveis de SARKOZY:
Terceira parte:


Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).


(A)
                Tendo em conta, tudo quanto vimos expendendo, não temos dúvida nenhuma, que, efectivamente, a Solução mais responsável e mais honrosa para esta situação, quão estulta e aviltante, nada tem a ver com o incremento do volume da ajuda pública ao desenvolvimento (APD), nem com o apelo ao investimento directo oriundo do exterior (IDE), que se converteu no jogo preferido dos profissionais da política. Todavia, SARKOZY (que apenas jura pela ruptura) está prestes a ir aos confins da África (no lugar para onde expulsa os migrantes indesejáveis), à procura de segmentos de mercado para as grandes empresas francesas.

(B)
                Um balanço honesto dos trinta últimos anos da liberalização das economias africanas e da privatização das empresas públicas ajudará, substancial e significativamente, compreender as causas profundas dos fluxos migratórios africanos, que nada tem a ver com a pretensa pobreza do Continente Africano. Trata-se de uma forma dissimulada e subtil (e, porque não, de um mero subterfúgio), visando subtrair de uma análise, dialecticamente consequente, a situação dos Africanos, no atinente à questão de fundo, que se prende, com o tratamento discriminatório e redutor, alimentado por teses essencialistas que pretendem, que os Africanos constituem seres “à parte”.

(C)
                Entretanto, o que é facto é que, não há, de um lado, uma Europa de valores e de progresso e, do outro, uma África das trevas, infortúnios e má sorte. Esta Visão, quão redutora e preconceituosa, contribuiu para “diabolizar” os Africanos e que alguns Africanos, infelizmente têm tendência a interiorizar deleteriamente, se despedaça, num ápice, aos bocados, desde o momento, em que, com avisada clareza, se vê (com olhos de ver): os mecanismos da dominação, do empobrecimento e da exclusão. A lógica económica, que coloca a África de joelhos, segrega, obviamente, a pobreza, a precariedade e o descontentamento nos países ricos. O facto das revoltas (que incendiaram os subúrbios franceses, em Outubro 2005), tenham ocorrido, simultaneamente, que, os eventos de Ceuta e Melilla tiveram lugar, é assaz elucidativo. Esta concomitância, conquanto não tenha passado despercebida, no entanto, não foi tida em conta pelo discurso dominante (intencionalmente), visando enfraquecer a confiança e a consciência da opinião pública, dando a entender aos Franceses que os desordeiros/brigões/amotinadores se encontravam, no seu seio e, por seu turno, os invasores às suas portas. De sublinhar, demais, que os políticos e os comentadores, mais alarmistas e, ipso facto, mais virulentos, não hesitaram em falar de excesso de “explosão de entusiasmo migratório”, de “avalanche” e, mesmo de marée noire (“maré negra”), proveniente de África.

(D)
                Ceuta e Melilla, as Ilhas Canárias, Malta e Lampedusa, por um lado, os jovens dos arrabaldes e os “indocumentados”, por outro, foram apresentados e interpretados, como as duas faces de um idêntica ameaça, ou antes, de um idêntico fantasma. A gestão da Imigração consiste, desde então, em integrar os “integráveis” (imigração, integração e identidade nacional) e, em expulsar os “descartáveis”, pretendendo socorrer-lhes, no quadro do co-desenvolvimento e, impedindo, através da ajuda ao desenvolvimento, a partida (leia-se, obviamente expulsão), dos que teriam (quiçá) a intenção de emigrar. No entanto, de salientar, que esta atrelagem bamba que conduz o Ministro do Interior, do Ultramar e das Colectividades territoriais, Brice Hortefeux (n-1958), considerado o “fiel lugar-tenente” de SARKOZY (outrossim, alcunhado pela imprensa francesa de o porte-flingue”de SARKOZY), dizíamos, não será sólido, obviamente, quando se o examina à luz da mundialização.

Lisboa, 17 Agosto 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).

Peça Ensaística Trigésima Primeira, no âmbito de

Na Peugada de NOVOS RUMOS:


Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).


Acerca dos comportamentos xenófobos de SARKOZY:

Parte Segunda:

(1)        Prosseguindo, assertivamente o nosso Estudo, não há dúvida nenhuma, que, por todas estas razões, ora enunciadas e expendidas, visando demonstrar, que, realmente, não há ponto para a saída na luta, através de uma base de eficácia segura, contra a indigência da África, da corrupção, dos conflitos e da emigração, fora (e, na ausência) de uma crítica honesta e rigorosa das modalidades e das consequências da abertura ao mercado Mundial.
(2)        De feito, quer a França, quer as antigas colónias (e, para além delas, a Europa e a África) são apanhados por cinquenta (50) anos de mentiras e de hipocrisia em nome do desenvolvimento. Esta reviravolta constitui o ensejo privilegiado para se interrogar, com o rigor que a gravidade da nossa situação exige, sobre o estado real actual do nosso Continente Africano e sobre a natureza das conexões de força entre os nossos Países e os pretensos donos do Mundo, neste momento presente do neo-liberalismo, na sua assunção, a mais selvagem possível.
(3)        A despeito, do nosso diagnóstico ser, particularmente dorido, no entanto, não nos devemos corar, antes pelo contrário, pois que, não unicamente, os Africanos nada têm a esconder, como outrossim e, ainda, o racismo anti Negro é, actualmente, um evento de relevante notoriedade pública.
(4)        Donde é o momento asado para cortar o mal pela raiz! Trata-se, aliás, de uma situação, que não enaltece, nem a França e nem a Europa, que pensam e decidem pelos Africanos e, (não só), saindo enquanto for tempo (se livrando de embaraços). Sim, efectivamente, não compreenderam (?), nada (absolutamente nada) acerca dos fluxos migratórios Africanos, porque não lhes interessa ir, verdadeiramente ao cerne da questão (indo, ao âmago, do fundamental desta percuciente problemática), visando saber, de modo consentâneo, o teor da avaliação do impacto das decisões políticas macro económicas às quais elas participam e impelem os trabalhadores Africanos, todos os dias, mais e mais, para o abismo.
(5)        O filão algodoeiro africano constitui uma herança colonial, assim como, um maquinismo (leia-se, outrossim, uma autêntica mola real) da relação França África. Identicamente, a produção e a exploração de outras matérias-primas agrícolas contribuíram para a desindustrialização do Continente, para o desemprego e para a indigência do mundo rural. Donde esta pertinente interrogação:
a.       Não é confrangedor verificar que os nossos Países Africanos, se debatem, concomitantemente, nas águas turvas da cooperação bilateral com a antiga potência colonial e na das relações EU-ACP, já não são perigosas, no quadro da Europa ultraliberal?
b.       Basta, aliás, acrescentar a tudo isto, o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial (BM) e a Organização Mundial do Comércio (OMC), para compreender a estreiteza das nossas margens de manobra.
(6)        Esta terrível realidade não escapa a nenhum dirigente Africano. Todavia, são extremamente raros os países do Continente Africano, onde o jogo político se organiza, em torno, da Questão central e Vital das modalidades da abertura ao mercado. De feio:
a.       A recusa em se colar cegamente ao modelo neo-liberal, no desígnio de poder reivindicar uma opção clara, que consistiria, quer em servir de modo positivo o mercado, quer em privilegiar, sobretudo, a satisfação das necessidades vitais das populações, é algo francamente impensável. Trata-se do que se denomina, neste caso, em concreto, de um autêntico vazio político.
b.       Por seu turno, concretamente, em França, a “direita” e a “esquerda”, como, outrossim, aliás, nos demais outros países europeus, se acomodam perante este imbróglio político, quão favorável à má gestão, à corrupção e à pilhagem das riquezas do Continente Africano, sem o conhecimento (e, na ignorância respectiva) das suas populações e, em total impunidade.


Tendo em conta, a problemática do racismo anti Negro,
Se nos afigura pertinente e oportuno, apresentar alguns
Dos Ensinamentos, que nos legara o incontornável Erudito
Senegalês, Cheikh Anta DIOP (1923-1986). Ou seja:
(1)                 Para DIOP é, assaz relevante saber que o primeiro habitante da Europa era um “négröide migrateur, l’homme de Grimaldi”.
(1)                 A diferenciação racial (sublinha DIOP) “se efectuou na Europa, provavelmente na França meridional e em Espanha, no término da última glaciação Wümerienne, entre -40 000 anos e -20 000 anos”.
(2)                 Finalmente, para DIOP é manifesto que o homem de Grimaldi precede o homem de Cro-Magnon, que representa o tipo humano leucoderme. Este, por seu turno, só aparece, por volta de -20 000 anos. E, “est probablement le résultat d’une mutation du négröide grimaldien durant une existence de 20 000 ans sous ce climat excessivement froid de l’Europe de la fin de la dernière glaciation ».
E para mais informações acerca desta pertinente e actual matéria, vale a pena estudar a notável obra de DIOP: Civilisation ou barbárie, Paris, Présence africaine, 1981.
Lisboa, 16 Agosto 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).

terça-feira, 17 de agosto de 2010

BASTAVAM DOIS DEDOS DE TESTA

Raramente faço isto e peço compreensão por trazer aqui excertos de uma posta antiga de Outubro de 2005:

«O Hospital de S. Francisco Xavier (um hospital central da capital de Portugal) fez publicar, nesta última segunda-feira, nos jornais, um anúncio pedindo «médicos especialistas em Obstetrícia/Ginecologia» para trabalharem em regime de «Contrato Individual de Trabalho na modalidade de 35 horas semanais».

«Tiveram o cuidado de não dizerem quantos médicos pretendem contratar e, sobretudo, abstiveram-se de publicitar quanto pretendem pagar a cada um deles.»

«Mas, apesar disso, ou muito nos enganamos, ou esse anúncio vai ficar sem uma única resposta.»

«Longe vai o tempo em que era prestigiante para um médico pertencer ao “quadro de um Hospital Central”, ou ser, simplesmente, Interno de um desses hospitais.»

«Como poderemos constatar dentro de pouco tempo, para nossa infelicidade, a coisa vai ficar mesmo muito preta para o lado dos hospitais, no que ao número de médicos diz respeito.»

Cinco anos volvidos, cinco anos apenas, a coisa é como se sabe hoje.
*** Este texto NÃO foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico. ***

MAIS SAÚDE – E BOM DIA


«CONCURSOS EM HOSPITAIS PEQUENOS SEM CANDIDATOS»

«Como se explica que não haja um único médico a concorrer?»

Responde Pedro Nunes, bastonário da Ordem dos Médicos, ao DN:


«"Antigamente, as condições eram iguais para todo o País. Transformaram os hospitais em empresas e o mercado é para todos. Não fomos nós que inventámos o mercado. Agora que resolvam o problema. Se o concurso ficou deserto é porque não é atractivo"».