segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Peça Ensaística Quinquagésima Quarta, no âmbito de

Na Peugada de
NOVOS RUMOS:


Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).

De feito, de BABEUF a CALLENBACH, passando por
FOURIER ou SAINT-SIMON, todos fizeram da
Pátria imaginada um instrumento para
Melhor compreender e julgar o Mundo Real. (…).

Pensando o Comunismo
Sob o Signo da Utopia:

(1)      Não há dúvida nenhuma, que a UTOPIA é um factor dificilmente identificável entre projecto e fantasma. Todavia, ela possui esta vantagem (avaliando o conjuntural e o teórico), permite re centrar o Comunismo sobre quatro (4) pólos reveladores, servindo-se da lúcida classificação da Professora Universitária francesa, YOLÈNE DILAS-ROCHERIEUX, pólos esses necessários para a sua compreensão global. Ou seja:
a.        A primazia da Ideia com a projecção pelo pensamento num algures magnânimo;
b.        O desígnio, como substância da crença, na possível concretização de um universo, em que os grandes traços, são referências, desde THOMAS MORE;
c.        A rejeição expressa pela estigmatização contínua de um certo tipo de sociedade;
d.        O repto ancorado na vontade de inverter o Curso da História.

(2)      Esta concepção em quatro (4) dimensões dá o desvio entre a “intenção de origem”, expressão da lavra do revolucionário marxista francês (grande teórico e prático da revolução socialista), GEORGES LABICA (1930-2008), por seu turno, magistralmente explicitada pelo filósofo comunista francês, LUCIEN SÈVE (n-1926), como a vontade de ultrapassar as “alienações históricas acumuladas no Mundo” e um projecto assimilável a nenhum outro: o de uma Sociedade totalmente depurada dos seus males. Donde, o segredo do Comunismo residiria, por conseguinte, integralmente nesta abstracção, ou seja, no desejo extremo de ver materializar uma configuração inédita em que nenhum indivíduo deveria viver em detrimento de outrem, numa comunidade universal, onde o homem particular deve se apagar ante o produtor indiferenciado (leia-se, o operário, o camponês, o intelectual e o soldado, sendo intermutáveis), num contexto, onde o cidadão se dissipa com o desaparecimento do Estado e a supremacia do económico sobre o político.
(3)      De anotar, todavia, que este desejo (ora enunciado) permanece suspenso no vazio, enquanto não for legitimado por teorias e suportado por uma estratégia de acção. Chega de insistir nos múltiplos argumentos opostos ao qualificativo “crime comunista”, para reencontrar, imediatamente a questão de fundo deste hipotético resultado. A simples noção de desviacionismo estaliniano, extensível ao leniniano, mostra a perspicácia em numerosos espíritos de um cotejo irrefutável, mais ou menos, ficcionado e o desejo de uma supra Sociedade, de tal modo, exposto, que os seus contornos positivos não podem se esfumar.
(4)      De feito, entre a história verídica e a história sonhada, é necessário, por conseguinte, preservar e relevar os efeitos de uma memória do porvir, esta autêntica espécie de filtro ideológico graças ao qual os crimes podem ser condenados, sem que, por essa razão, as ideologias mensageiras e anunciadoras sejam desconceituadas e desacreditadas, pois que a sua infecundidade em matéria de Redenção entra sozinha em linha de conta. Aliás, para numerosos nostálgicos, o episódio comunista do século XX pretérito (soviético ou outro), só representa, deste modo, na realidade, uma experiência, mal sucedida na Sociedade, do mesmo modo que as colónias e as comunidades abortadas do século XX último. Donde e daí, o tirocínio merece, por conseguinte ser remoçado.
(5)      Posto isto, vem, ao de cima, esta pertinente e relevante Interrogação. Ou seja:
a.        Por onde principiar e, outrossim, por onde procurar, actualmente o paradigma edificador e susceptível de legitimar, ipso facto, um tal sistema de crenças?
b.        Com efeito, o solo das relevantes experiências foi, amplamente arrasado e os grandes referenciais caíram em desuso (estamos a referir, em particular e em concreto, aos PC europeus), encurralados a reparar uma nova fisionomia comunista sob pena de se diluir na esquerda “plural” ou dobrado sobre os seus extremos por movimentos explicitamente revolucionários.
(6)      Donde, efectivamente, ela se emerge, em parte, dos noves (9) capítulos precedentes, da confrontação entre as diversas representações da Cidade Comunista, outorgadas pelos diversos ensaios teóricos e utópicos de BABEUF à LENINE, que revela dois (2) pólos invariáveis, designadamente:
a.        O primeiro se queda na denominação do enriquecimento individual como o mal a erradicar;
b.        O segundo é disso prolongamento, visto que ele se concentra nos meios de obstruir os canais de formação do lucro pessoal, se impor a dívida do trabalho, de suprimir o dinheiro e o comércio, metamorfosear o político em gestão planificada do consumo e da produção.

E, à guisa de Remate:
--- De feito, (de sublinhar), que a confrontação da utopia com os eventos, tais como: a conjuração dos Iguais e a Revolução de 1917, permitiu consolidar estas primeiras informações, revelando os segredos de uma alquimia favorável à legitimação da violência, neste ponto, a justaposição do projecto utópico ao programa político, sintetizada na associação da intenção e dos meios da sua concretização efectiva.
--- Demais e, por outro, a ditadura do proletariado, restituída à ditadura do Partido encarregado do arranque das obras, se encontrou, deste modo, justificada pela incomensurabilidade do percurso entre a “velha Sociedade” e a nova Organização e, por conseguinte, pela relevância outorgada aos primeiros metros percorridos, com a necessidade de eliminar todo elemento insubmisso em se retrair atrás do produtor indiferenciado, em deixar destruir a sua actividade e o seu pensamento autónomos.
Donde, enfim e, em suma: Por conseguinte, o controlo absoluto sobre a Sociedade civil, a reeducação dos desencaminhados pelo trabalho compulsivo, a eliminação psicológica ou física do inimigo (com fases de terror e de contracção consoante os períodos e os espaços geográficos) podem globalmente se explicar pela própria substância do Comunismo, a rejeição da especificidade individual.
Lisboa, 03 Outubro 2010
KWAME KONDÉ

(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).

domingo, 3 de outubro de 2010

INANIDADES OU INSANIDADES?


[Almeida Santos, presidente do PS]

Isto dito por outra pessoa seria considerado uma patetice.

Há mais ou menos três anos, AS dissera o seguinte disparate:

«Um aeroporto na margem sul tem um defeito: precisa de pontes. Suponham que uma ponte é dinamitada? Quem quiser criar um grande problema em Portugal, em termos de aviação internacional, desliga o norte do sul do país,»
...
Se o 5º andar estivesse em melhores condições, talvez AS pudesse concluir facilmente que Portugal não precisa de terroristas para lhe destruírem a economia.

Para isso lá está o governo! Ou não?!

FILOSOFIA BARATA

A Vida não pode ser apenas uma longa espera da Morte.

A Vida deve também ser um permanente desafio à Morte.

BOM DIA!

sábado, 2 de outubro de 2010

«EU TAMBÉM JÁ FIZ»

Já tinha contado isto, mas não resisto a reproduzi-lo.

Aquando do “28 de Setembro” (de 1975) quando a esquerda “partiu os dentes à reacção” abortando a manifestação da Maioria Silenciosa e aplicando um golpe de Estado dentro de outro golpe de Estado ― após o triunfo da esquerda, dizia ― houve um enorme e ululante ajuntamento popular na Praça dos Restauradores, de apoio à ala esquerdista do MFA, nesse dia personalizada na figura de Otelo Saraiva de Carvalho.

O momento chave foi quando Otelo assomou à varanda do Palácio Foz para acenar à multidão. Então dois estudantes exaltados invectivavam Otelo gritando-lhe:

O senhor tem de fazer uma opção de classe! O senhor tem de fazer uma opção de classe!

Ao que Otelo, esganiçando a voz, respondia alongando o pescoço o mais possível, da varanda:

JÁ FIZ! JÁ FIZ!

Pois é, eu também já fiz a minha opção ― a partir de agora defendo a minha classe. É que já me cansei de ti, Zé Povinho: 40 anos a desperdiçar (totalmente em vão) energias contigo (muitas vezes contra os meus próprios interesses)... E tu... Nada!

JÁ CHEGA, PÁ! VAI-TE F**** C******

FORÇA PSD (Estou a falar a sério)

As Medidas de Empobrecimento da Nação agora anunciadas pelo Partido dito Socialista calam e esvaziam de argumentos o PSD porque são essencialmente medidas da direita dura.

As chamadas “medidas de austeridade” contidas no PEC1 e PEC2 nada resolveram porque foram aplicadas por este desgoverno, incompetentemente e sem convicção, de forma destorcida e mentirosa, para enganar o “povo de esquerda” e não cair nas sondagens.

O actual incompetente e mentiroso desgoverno PS não dá a menor das garantias em como a aplicação destas novas e brutais Medidas de Empobrecimento da Nação serão correctamente aplicadas e darão os frutos que delas se espera.

Por isso parece muito melhor que haja mesmo e já uma crise política que leve o PSD ao poder pois ao menos haverá a garantia de que a economia estabilizará beneficiando os ricos, evitando a proletarização da classe média e f**endo o povo menor.

Se o PSD chumbar o próximo Orçamento de Estado pode contar com o meu voto na próxima eleição legislativa. Pela primeira vez votarei PSD. Porque já não tenho 18 anos e porque de há muito venho concluindo que este povo é capado, é estúpido, é resignado, é mandrião e é cobarde.

BOM DIAAAAAAAAA!

JOANA AMARAL DIAS

Vale a pena começar o dia alegremente e estimulado.
A abordagem de temas deprimentes fica para mais logo.

BOM DIA, JOANA!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Peça Ensaística Quinquagésima Terceira, no âmbito de

Na Peugada de NOVOS RUMOS:


Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).

A epopeia Utópica de VLADIMIR MAÏKOVSKI
(1893-1930)
Primeira Parte:

(I)
                Nascido em BAGDADI (actualmente, MAÏAKOVSKI, Geórgia), no ano de 1893, VLADIMIR MAÏAKOVSKI amava o risco, o jogo, o dinheiro e as mulheres. Era um homem extrovertido, anti-conformista e provocador, que a escritora francesa de origem russa, Elsa TRIOLET (1896-1970), sua compatriota georgiana gostava de comparar a um “Tremor de terra”.
                Marxista, comprometido desde 1908 no Partido operário social-democrata da Rússia, se lançou no turbilhão revolucionário, insaciável na sua procura do Absoluto, ao ponto de servir, conscientemente o poder totalitário.

(II)
                Pintor, poeta, dramaturgo, artista gráfico, cartazista, se assumia mestre na “Arte socialista”, preocupado com a aceleração da edificação de um Mundo novo sobre as ruínas do antigo. Qualificando-se de futurista, muito antes da revolução, não acreditava numa cultura intrinsecamente proletária, sim, efectivamente, na invenção de uma arte para as massas, receptível, uma vez, estas últimas educadas e elevadas à consciência de Si. E, para provocar um tal encontro, a fusão suprema, gostava “berrar” a sua Poesia, em todos os lugares possíveis. Identicamente, se aplicava, ainda, de modo assaz afincado, na depuração de estilo.

(III)
                Autor de numerosas utopias, MAÏAKOVSKI respondeu aos comandos do dramaturgo, crítico literário e político soviético (responsável pelas políticas públicas revolucionárias para a Educação), Anatoli Vasilevitch LUNACHARSKI (1875-1933), para nutrir as diversas actividades culturais da Revolução, outrossim e, ainda, o jovem cinema soviético.
                Pelos seus Textos líricos e os seus suportes gráficos sacralizou os dirigentes e, outrossim, por extensão óbvia, a TCHEKA/CHECA (primeira das organizações de polícia secreta da União Soviética). E, baseando-se, no exemplo de Vladimir Ilitch Ulianov LENINE (1870-1924), escreveu este histórico Poema para o primeiro Aniversário do passamento do Líder: “Eu, me corrijo à luz de Lenine para lavrar mais longe a Revolução”. Glorificando o Grande Estratega (o jogador de xadrez, promovido de peão ao inimigo real), reafirmava a sua fidelidade ao homem e à sua ditadura: “Substituindo por pessoas os peões de outrora, colocou a ditadura operária por cima das prisões das torres do capital”.
                Por seu turno, o Poema: O Proletário voador (datado de 1925) enaltece os progressos tecnológicos “em jeito de pilhéria”, para “representar o cidadão do porvir”. De feito, no comunismo, a vida do operário se simplificou, a tal ponto, graças à Ciência e à Electricidade, que este último (referindo-se obviamente ao operário) e membros da sua família aprenderam a voar: “Até mais ver, me voo para o liceu”.

(IV)
                De sublinhar, outrossim, que, os mais reveladores dos seus escritos são, com certeza, os seus espontâneos nos quais transparece a sua verdadeira busca, antes que a Cultura de Vanguarda não entre em desgraça com o advento da Nova Política Económica (NEP) implantada em 1921; antes que o Poeta não se encontra em desacordo com as Edições do Estado. Entretanto, de sublinhar, jamais, se transformou, por essa razão, em opositor.
                De feito, MAÏAKOVSKI, quer, no seu País, como no Mundo inteiro, serviu os bolcheviques e a sua Revolução, de modo, dialecticamente consequente, se afirmando (ainda, em vésperas da sua morte): “escritor da revolução para a revolução”, o que lhe valeu ser reabilitado por Estaline: “MAÏAKOVSKI foi e permanece o melhor talento poético da nossa época soviética. A indiferença à sua memória e às suas obras é um crime” (PRAVDA, 7 Dezembro 1935).

Segunda Parte:

(V)
                Activista e utópico, a sua notável e, assaz marcante, Peça teatral: Mistério bufo responde, exactamente às paixões de MAÏAKOVSKI, mesmo, se este célebre escrito de 1918 jamais alcançou (enquanto ele era, ainda vivo), a derradeira Consagração. A peça foi composta para celebrar o Primeiro Aniversário da Revolução de Outubro e se apresenta, como a Obra do proletariado vencedor (este bárbaro purificador), tendo desbravado o terreno do passado para aí edificar um porvir radioso. Mistério bufo está enredado pelo burlesco sobre fundo de determinismo histórico, sendo o Dilúvio (leia-se: a Revolução) apresentado, como a Decisão celeste popular de ver desaparecer o mal, a imperfeição humana sob as ondas destruidoras.
                No seio desta tormenta, catorze (14) proletários (os impuros) e catorze (14) senhores (os puros), entre os quais se encontram o NÉGUS da Abissínia, um traficante russo, outrossim, porém, GEORGES CLEMENCEAU e LOYD GEORGE. Por não se sabe que fortuna, estes vinte e oito (28) isolados (são coagidos para sobreviver) a construir uma arca. Os puros, imediatamente (sem demora), se impõem, como, mestres das obras: “É preciso os coagir a isso!” “O monte ARARAT, o limiar de libertação, lhes parece tão afastado, eis porque, uma ordem transitória se impôs no barco com a sua hierarquia e as suas regras desiguais: a cada um a sua função, a cada um a sua retribuição”.
                A monarquia é, adoptada, de imediato e o povo (os impuros) se encontra encarcerado no porão, entretanto, prontamente retirado deste buraco pelo ramo burguês socialista e radical (que não entende ser excluído da partilha), donde a aliança forçada com os operários para destituir o tirano: “O golpe de Estado amadurecido. Chega de discórdias! Maldito sejam, as querelas!” Com a República, “os fundamentos seculares estão aniquilados!”, porém, para os proletários restam as maçadas, enquanto, os burgueses se encarregam de governar: “Não se conduz assim o carro do Estado. É preciso ter maneiras e arte!” Diante dos pratos vazios, os trabalhadores sabem, muito rapidamente o que os burgueses lhes mostraram: “Vamos vos mostrar a luta de classes!” Os traidores são lançados ao mar, a despeito dos discursos de reconciliação do “menchevique experimentado”: “À água, os chacais! Lembrem-se do mês de Outubro! […] À vós o terror!”.
                E como, avançar, entretanto, sem bússola, num navio em ruína para uma ponte falsificada pela burguesia? Senão, com a esperança! Outrossim, “Aguentar! Aguentar! […] É necessário aguentar, os olhos nos olhos da fome. Senão é o fim!”
                “Ponta de terra à vista, a vagabundagem se desfia na imensidão do Oceano, todos votados ao desespero, até ao aparecimento de um homem vindo de nenhuma parte, o Salvador para os crentes, um impostor religioso para os outros: “Fora, o vadio! Nada de Apóstolos à bordo! A boca dos mendigos não é um moinho à feder o bom Deus!
                Nem Apóstolo, nem Salvador, o desconhecido vem do futuro alumiar o hediondo túnel: “É duro caminhar às cegas e às apalpadelas na noite. É duro fazer tentativa de vida quando estamos sozinho”. Da sua experiência, retêm que “Os ARARAT não existem”, que o céu é doravante proclamado sobre Terra, a “ Terra dos proletários”. O Paraíso se mantém, por conseguinte, “ao alcance do braço, ao alcance da mão”. Todavia, como alcançá-lo? Uma vez, o Homem do futuro morto, cada um se sente mais forte, transcendido por esta verdade: A felicidade não é uma palavra vazia! (…).
(VI)
                O barco se põe a estalar sob o esforço colectivo. Porém, quantos impasses, recuos, para se encontrar às portas do Inferno, no antro de Belzebu, o qual faz rir estes náufragos em pranto: “As vossas visões de terror são risíveis. Encontrem outra coisa. Jamais visitastes uma fundição de aço? […] Os horrores da Terra. O vosso Belzebu, ao lado é um belo BUTIOZINHO, com o seu garfo!... Venham dar uma volta na Terra. Diabos conhecem o bloqueio? Agitando uma forquilha ao nariz de um operário, acredites assustá-lo? […] Observem um soldado na lama das trincheiras, ao lado, o mártir é um fedelho!” Deixando os diabos estupefactos, eles se encarregam de destruir o Inferno, se desviam do Purgatório para encalhar perante o comité de acolhimento do Paraíso, onde conversam CRISÓSTOMO, TOLSTOI e ROUSSEAU.
                Entretanto, os impuros recusam serem salvos de não se sabe de que pecado e afirmam, frente à MATUSALEM: “Somos nós, nosso Salvador! Ó nosso Jesus, somos nós”. Decepcionados com o lugar: “Um buraco! Um verdadeiro buraco! Doravante, conscientes de não dever esperar de ninguém a construção suprema, decidem regressar à Terra: “Por onde queda a saída?” Mesmo Jeová vindo, em auxílio, com os seus raios não pode nada: “É preciso arrancar-lhe os seus raios! Trata-se de uma guerra leal. Trovão! Isto servirá, pelo menos para a electrificação”.

(VII)
                Foi, deste modo, enfim, que o Paraíso foi demolido, que o grupo se reencontrou no meio de um campo de ruínas, crentes jamais poder ver o fim do caminho, antes de compreender que a Terra prometida apenas pela força lhes será dada: “Que fazer? Que fazer? É necessário desbravar”. Na verdade, efectivamente, concluídas as discussões sobre o dogma e a organização: “Basta de palavras estéreis! Basta de editoriais! Ao trabalho! Avante! Parem esta torrente inútil de palavras esparsas a todo vento! Às pás! Às picaretas!” Um trabalho sobre-humano devia ser iniciado para enfrentar à “ruína”, a despeito dos seus gritos: “Para trás! Ter-vos-ei pela fome, estrangular-vos-ei! Socorro, minhas tropas dedicadas: ó da guarda acudam, remendões, candongueiros, traficantes”.
                Uma vez, reanimadas as fábricas e a terra, uma vez, o petróleo jorrando do solo, uma vez, o carvão extraído, a ruína se viu, rapidamente amordaçar sob as pancadas e ruídos do labor e do vigor dos operários: “Ouço cantar, apitar os comboios e arfar as fábricas […]. Desta vez, acredito que somos os mestres, acredito que estamos a bordo e à porta do verdadeiro Paraíso”.

(VIII)
                Desde a entrada, neste lugar das maravilhas: se encontram IVANOVO, Moscovo e, porque não, Marselha ou Manchester! Uma coisa é certa. Estão, enfim sobre a Terra. “O circuito fechou”; por toda a parte a abundância: “Ele flutua no ar como um odor de pesca” Tudo brilha, tudo corre, tudo rola”, é impossível relatar! Os edifícios de cem andares cobrem a Terra em todos os sentidos e as pontes dançam o seu bailado debaixo das nuvens. Ao pé das casas, montanhas de víveres e montões de coisas. Filas de comboios, filas de luz fogem sobre as pontes”.
                Graças a electricidade, a Terra cintila, sendo o todo, o resultado do esforço investido, do total domínio do Homem sobre a Técnica: “Vejo um tractor eléctrico! Uma debulhadora eléctrica! Um segundo mais tarde, o pão está presente, já preparado, já cozido”. A abundância em açúcar e em farinha se abriu a todos com a tomada no local do trabalho: “Ninguém nos armazena, tomem por quintais, se o coração assim vos dita”. Outrora, esclavagista, as coisas, as fábricas e as máquinas se entregaram, se tornaram dóceis: “Operários, perdão! […]. Tomem o que é vosso, tomai! Vindes! As ferramentas do labor, o vinho, o trigo, venham! Tomem! Venha, vencedor!”
                Basta de patrões, já “não pertencemos à ninguém”. Por toda a parte, a beleza e a alegria, a consagração da Arte, da festa e da ópera. E, se o passado aspira, um dia em querer altear e crescer, estarão todos mobilizados, e “se um patrão assoma, exterminá-lo-emos”. O jugo da escravatura foi aniquilado: “Dancem na alegria, operários. Forjamos a Comuna, que venham, unicamente nos desafiar!”

                                                E, à guisa de Remate assertivo:
                                Com efeito (só por si), este texto exprime o estado de exaltação revolucionária de personagens à procura de provas tangíveis da investida para a edificação de uma Sociedade, quão, vivamente desejada, mesmo nas piores provações da guerra civil. Este compromisso remete para o desejo extremo de ultrapassar o presente, vivificando a paixão e a imaginação, este húmus propício à germinação de uma multidão de paisagens do Anseio Humano.

                                                Nota Final importante:
                                Esta Peça Ensaística foi concebida, pensando nos “Intelectuais Cabo-verdianos de elevado coturno”, a quem ela é dedicada, por motivos e razões óbvias. Avante!
                                                Um robusto abraço,

Lisboa, 29 Setembro 2010
KWAME KONDÉ

(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).

TOMA LÁ A CARAPUÇA, Ó (NÃO) SEI QUEM

Ao "anónimo" que me telefonou há pouco apenas para palpitar se ainda estou em Portugal ou já em Cabo Verde.

Nisto sou como o Pinheiro Azevedo a quem parafraseio quase na totalidade:

DESTESTO SER CONTROLADO!

NÃO GOSTO, PÁ!...

domingo, 26 de setembro de 2010

SIMPÁTICO - APENAS ISSO

Júlio Magalhães, director de informação ta TVI, explica a miséria de jornalismo que há em Portugal, em entrevista ao jornal “i”:


Para dizer isso é porque JM não lê a imprensa não tablóide americana, inglesa ou francesa, por exemplo. Só pode.

Triste miséria.

Peça Ensaística Quinquagésima Segunda, no âmbito de

Na Peugada de NOVOS RUMOS:

Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).

Acerca da “Africanização” dos Postos:

(1)         É de facto verdade (evidentemente), que o processo da difusão obrigatória das Tecnologias próprias do mundo industrial se encontra, efectivamente, em marcha desde há já bastante tempo. Demais, se a questão da transferência é colocada com acuidade é porque, do ponto de vista dos países desenvolvidos e dos Governos dos países em via de desenvolvimento, o ritmo de adopção das técnicas importadas é demasiado lento. Donde, o “atraso de crescimento”, suposto, estar na origem da miséria, das fomes, da estagnação económica dos países descolonizados, sendo os empréstimos contraídos para melhorar a produtividade agrícola e implantar uma indústria não forneceram o potencial local necessário para funcionar, de modo autónomo.
(2)         Todavia, após a euforia das independências, os Africanos Negros, realizaram progressivamente que a soberania política não acarretara automaticamente a Independência Económica. Seria preciso “africanizar” os postos e se apoderar das rédeas da produção e da gestão. Desde a década de 1970, os governos puseram de pé amplos programas de formação e de aperfeiçoamento. Os antigos colonizadores se precipitaram na abertura franqueada e, deste modo, desde então, as transferências de Tecnologia constituem a aposta maior para os parceiros económicos. E, no âmbito desta dinâmica, os países ricos visam em simplificação a recuperação da sua posição (leia-se, outrossim, a famigerada dívida) e os países pobres (por seu turno), pretendem e desejam assegurar a auto-suficiência alimentar e o equilíbrio dos seus orçamentos.
(3)         E, eis porque, tanto no público como no privado, milhares de agentes, se aplicam, deste modo, na tarefa imensa de transmissão dos conhecimentos e das habilidades e perícias, no desígnio de os fazer aproveitar experiências adquiridas e de os ajudar a evitar erros que conduziram ao fracasso de numerosos modos de proceder.

E, um tanto ou quanto, em jeito de Remate:
--- Temos vindo a evocar o contexto no qual se colocou (e se coloca), presentemente (nos nossos dias de hoje), a Questão que se prende com as Transferências de Tecnologia.
--- Importa, todavia, analisar, actualmente as condições necessárias e, em princípio, suficientes para que essas se desenrolem, com um máximo de eficácia.
--- De alertar, que, a despeito de tudo quanto temos vindo a expender possa parecer desencorajador, porém, não é certamente, ocultando-se as dificuldades do problema que se consegue resolvê-lo.
Enfim, no fim de contas, não é a melhoria de vida que encontra resistências, mas, antes, os riscos de desperdício de valores sociais e humanos que esta melhoria pode fazer correr.

Lisboa, 25 Setembro 2010
KWAME KONDÉ

(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).

sábado, 25 de setembro de 2010

UMA ESCOLHA IMPOSSÍVEL

De um lado «um político pouco dotado», do outro um político demasiadamente dotado ― para o malabarismo político, a pantominice, a mentira e a mentirola, a irresponsabilidade política e a má governação.

AHHH! BOM DIA, JOANA!

QUASE ME IA ESQUECENDO...
JOANA AMARAL DIAS

INACREDITÁVEL

(Sócrates no contexto político português, digo eu)
Clique na imagem
BOM DIA!

Peça Ensaística Quinquagésima Primeira, no âmbito de

Na Peugada de NOVOS RUMOS:


Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).


Acerca do MODELO de VIDA:

(I)
                No âmbito desta acepção, a Sociedade Industrial Ocidental conhece uma emancipação tecnológica exteriorizada por uma ruptura (para não dizer por um hiato), entre a Cultura e a Técnica. Por seu turno, as demais outras Sociedades, as que são “beneficiárias” da transferência de Tecnologia trazem pelo beiço (se assim, possamos asseverar), o domínio da Produção e das necessidades, ou seja, o seu equipamento. As suas culturas têm debaixo de olho a esfera económica. Eis porque, a sua visão do Mundo mantém a Técnica no seu lugar, que não é o primeiro, aliás.
                De feito, o Modelo de Vida, no interior do qual o Homem se encontra situado, inspira as atitudes em presença da Matéria. De anotar, demais, que no centro deste modelo, existe o ciclo da passagem da vida à morte e da morte à vida e não o desenrolamento linear de uma evolução orientada para o crescimento indefinido.
                E, em como corolário lógico desta visão, a explicação sobrenatural (religiosa, mágica ou feiticeira), vem, sempre em contraponto da explicação natural e causal. O Homem possui interesses comuns com os poderes ocultos dos quais Ele deve obter caução ininterruptamente.

(II)
                De sublinhar, antes de mais, que, no mundo agrário (ainda não desenfeitiçado) e, parafraseando o economista e sociólogo alemão, MAX WEBER (1864-1920), os meios dos quais as Sociedades poderiam se dotar para satisfazer necessidades novas são, a priori, suspeitas. E, explicitando:
                --- Por um lado, correm o risco de ameaçar a coesão comunitária, introduzindo clivagens perigosas.
                --- Por outro, já o mero facto de dividir o trabalho, especializando profissões é considerado como o ponto de partida de uma estratificação e de uma competição sociais nocivas.
                Eis porque, por exemplo, numa certa sociedade, onde todos são agricultores, os ferreiros são reputados “castas” e, não se desposa as suas filhas!

(III)
                Outrossim e, ainda, mais genericamente, as empresas de transformação ambiciosa da Natureza são sentidas e percebidas como reptos às divindades, como plágios insolentes da própria criação. Todavia, é se baseando na Ordem Global do Cosmos que o Homem realiza a sua Existência. Enfim e, em suma: Muitos mitos acerca da origem da Técnica estigmatizam o seu carácter de pretensão em querer suplantar o poder dos deuses.

(IV)
                As Populações étnicas, de recente pertença nacional, se comportam, por conseguinte, como se estivessem conscientes, antes da experiência, do que se podia ter ganho em riqueza Humana e Comunitária, que acarretaria a adesão incondicional ao sistema representado pelas nações industrializadas. E, por receio de uma alienação que observam nos “reveladores” preservam as suas distâncias em presença do que se designa: A “civilização e o progresso”. Donde, só se ouve as vozes dos seus líderes que, eles passaram do outro lado da barreira ideológica e constituem os intermediários locais da expansão da tecnoestrutura.
                Enfim, de sublinhar, com ênfase, que para os Povos campesinos: “A pobreza é a sua riqueza”.

Lisboa, 25 Setembro 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo). 

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Peça Ensaística Quinquagésima, no âmbito de

Na Peugada de NOVOS RUMOS:

Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).

Estudo  do CONJUNTO TÉCNICO:

                Considerando o domínio da Energia, verificamos que os “Savoi-faire” evoluem conforme se passa da Energia Humana à energia animal, na sequência e, ulteriormente às energias eólica ou hidráulica, à vapor, ao motor de explosão, à Electricidade. A roda, a alavanca, a biela manivela… e todas as técnicas de produção e de transformação do movimento e do transporte estão vinculadas aos diversos tipos de energias utilizadas. Isto constitui autênticas evidências. Aliás, é óbvio, que os membros de uma Sociedade desenvolvem o seu “sentido prático”, no interior de um sistema tecnológico dado e apuram a sua habilidade e perícia e, bem assim, as suas aptidões em relação com o equipamento técnico de que dispõem.
                E, exemplificando, com o mínimo de rigor, temos que: “Isolado no deserto de Kalahari, um engenheiro europeu, a despeito dos seus conhecimentos, correria o risco de morte, enquanto um BOSQUÍMANO, munido da experiência milenária da sua etnia, é capaz de subsistir sem dificuldade”.

Estudo do CONJUNTO ECONÓMICO:
                A satisfação das necessidades elementares, ou seja: a preservação da Unidade Social é assegurada por tarefas de produção e de reprodução. Estas têm em conta os recursos naturais e do meio ambiente. Sim, efectivamente, a Economia é, antes de mais, ecológica.
                De feito, para cultivar a terra, diversos parâmetros estão em jogo: A própria terra e a sua fertilidade, o Sol, a Água, as sementes, outrossim porém, a Energia para preparar o solo, semear, fazer a colheita, os conhecimentos técnicos, que permitem evidenciar informação na matéria (estrume, selecção das espécies, conjunto de ferramentas, (…) sem olvidar os consumidores (ou bem de si próprio e da sua família, ou bem outrossim dos clientes…).
                --- Se não existe caça, pesca e colheita, é necessário controlar e dominar estes diversos parâmetros. As Sociedades o fizeram, cada uma conforme a sua “economia” respectiva, ou seja, consoante a sua própria Arte de gerir a sua casa. Esta administração supõe, concomitantemente, uma coerência interna e uma adaptação às condições naturais.
                --- Se encontra na situação de auto-subsistência e o regime das chuvas for regular, é, a priori, inútil investir em trabalhos de irrigação. Uma pesquisa, visando melhorar a fertilidade do solo, se afigura sem objectivo, caso seja possível utilizar indefinidamente terrenos virgens, praticando a cultura itinerante.

Estudo do CONJUNTO CULTURAL:
                Eis, com efeito, o domínio, em que as contradições com os dados técnicos são mais relevantes e menos bem conhecidas. Pôde-se demonstrar, que as invenções técnicas maiores do início da e das quais somos sempre os herdeiros, são oriundas de preocupações de ordem simbólica, ritual e religiosa. A roda apenas serviu, muito tempo ao carregador utilizado aquando de cortejo fúnebre (solene) do Rei Divino. A observação do céu e a noção do tempo astronómico são tributários, originariamente (no princípio) de Especulações Astrológicas, etc.
                As Sociedades Humanas, de imediato (leia-se, outrossim (à primeira tentativa, logo à primeira) elaboraram Representações do Mundo. Todavia, por seu turno, o Imaginário Humano pôs ordem na realidade natural, instituindo diferenças, atribuindo um lugar à cada elemento do Cosmos. Constrangimentos, por oposição ao animal cujos os comportamentos são codificados geneticamente, de se dar finalidades, as sociedades deveriam definir, em primeiro lugar, as visões do Mundo expressas por símbolos e portadoras de Normas e de Valores.

                De sublinhar, com ênfase, em função dela considerar que o Homem é uma parte do Cosmos como uma outra e que depende de poderes sobrenaturais, ou bem que o Homem é o senhor do Universo, a Cultura de uma Sociedade leva esta a investir, mais ou menos, no domínio técnico, ou seja, em multiplicar ou a restringir o número das necessidades à satisfazer para além dos meros Imperativos da sobrevivência.

                Eis, então o Ponto supremo. A conexão à Natureza (que é a técnica) é definida pela relação do, de homem a homem e pela relação à Deus. Neste ponto intervém o que se poderia designar: O preço humano a pagar ao progresso. Para inventar a galera, foi necessário, antes de mais, “inventar” a escravatura. A Técnica é uma dimensão paradoxal da Condição Humana, pois que “não é nem positiva, nem negativa, nem neutra”. É uma ilusão, com efeito, acreditar que se pode fazer ou um bom ou um mau uso da Técnica (com o átomo: a electricidade ou a bomba…).
                Enfim e, em suma: A verdade é que a esfera técnica conquistou, progressivamente a sua autonomia, como se ela se evadisse naturalmente das considerações de ordem ética. Ela funciona, na época actual, como se “todo o progresso técnico, que é do domínio do possível se tornasse obrigatório”.

Lisboa, 23 Setembro 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).