terça-feira, 3 de agosto de 2010

Peça Ensaística Vigésima Sexta, no âmbito de

Na Peugada de NOVOS RUMOS:


Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).


La catégorie des tiers est elle-même équivoque car toutes les provenances n’ont pas la même signification en termes de sécurité ou de dangerosité supposée, de valeur économique et de distance culturelle »
Etienne BALIBAR
In Migrations et relations internationales, Paris 2006


            Quão obcecante é, efectivamente a questão do Si, num Mundo agitado e assaz martirizado. Eis uma asserção que se aplica, de modo dialecticamente consequente, a todos os Povos oprimidos da Humanidade, com ênfase, para os povos do nosso Continente. De feito, os Povos da nossa África, outrora colonizados e, actualmente, recolonizados, em proveito do Capitalismo globalizado, não cessam de nos perguntar avidamente: Quem somos nós?
                        E, sobretudo: Em quê que nos transformamos?
            E, explicitando, pertinentemente as ideias de fundo (no âmbito desta problemática em estudo), visando, acima de tudo, uma elucidação apropriada do conteúdo de verdade das duas questões, acima enunciadas, temos, deste modo que:
            (1) O Sistema económico dominante transforma os sinais de referência, as conexões a Si, ao Outro e entre as Nações. A busca, que disso decorre é permanente. Passa, necessariamente por em Si, o em Si próprio, o Outro e o algures. De feito, é pura e simplesmente humana e de uma intensidade particular, por vezes, mais grave para os e as cujas as mãos e os ventres estão vazios, os e as que sobrevivem, dia após dia.
            (2) Confrontados com limites e derivas (desvios de rumos) do seu próprio modelo, eis que os capitalistas se colocam as mesmas questões e vão, até ao ponto de entrar em pânico. Os pretensos donos do Mundo, omniscientes e omnipotentes, esses mesmos, que censuram a tendência ao enclausuramento e a tibieza dos dominados (compulsivos), “se barricam”, reivindicam a sua identidade nacional, erguendo, em sinal de ameaça os seus estandartes e “denunciam” aos grandes berros a chegada da “invasão”.

                                    Oh! HÉLAS! Efectivamente temos todos medos
                                    Temos medo de não possuir o mínimo suficiente.
                                    Todavia, sobretudo, de não ser nada. É o vazio e
                                    O receio do aniquilamento, quedando no lote dos
                                    Oprimidos.


            (3) Os capitalistas, quanto a eles, têm, cada vez mais e mais, medo de perder alguns dos seus privilégios, partilhando o que seria unicamente de todos (sem excepção), restituindo a nossa Humanidade. Têm medo da nossa presença, quando ela não for solicitada, nem susceptível de acrescentar ao seu ter, medo das nossas diferenças, quando ela se faz insistente. Enfim e, numa eloquente asserção: Angariadores dos passadiços que possuem apenas por arma, escalas, se tornaram “ilegais”, “clandestinos”, “imigrantes sem documentos”, “inimigos” a neutralizar, evidentemente.

            (4) Na verdade, efectivamente, o nosso Mundo, vai seguramente mal e, muito mal, mesmo, constituindo a fobia tranquilizante e a abordagem criminalizadora da questão migratória, as expressões dramáticas desta situação. E, a África corre os piores perigos, pois que ela se encontra vigiada (está debaixo de olho). Os Estados membros da União europeia possuem a mão, particularmente pesada, quando se trata dos Africanos negros. Todavia, o pior, no meio de tudo, é que nós, os Africanos, recusamos, amiúde admitir a ressurgência do racismo anti Negros, pelo receio de dever nos bater contra um adversário temível, por ser extremamente “poderoso”.

            (5) Inédita, no entanto, sobretudo, grave e humilhante, é, na realidade, a nossa situação actual. De feito, de anotar, que a humilhação não reside unicamente na violência, a qual o Ocidente nos habituou e que, principiou, há mais de cinco (5) séculos, aproximadamente, com o tráfego negreiro. Ela reside, identicamente, na nossa recusa de compreender o que nos acontece, organizar a resistência e influir nas relações de força. Num Mundo, quão incerto e, assaz perigoso, porque regido pela lei do mais forte, parecemos ter escolhido seguir o “diagnóstico e as soluções” do que domina.

            (6) Todavia, não devemos e, nem podemos, olvidar, que no passado, fomos, por certo, vencidos, porém, resistimos e, de que maneira. Aliás, em qualquer parte do Mundo, os Países que erguem a cabeça, em vez de se submeter (concretamente, o Japão, a China, a Índia, o Brasil, a Venezuela) figuram entre os que recusam se entregar de pés e mãos atados às nações ricas e às instituições internacionais de financiamento. Resistem-lhes, se afirmam e conseguem, frequentemente a se impor.

                                   
                                    Para reflectir avisadamente:
                        Com efeito, os valores, que permitiram à Mulher Africana
                        Salvar a progenitura das calamidades de uma história, sem
                        Igual, são, como assevera eloquentemente, a jornalista
                        Senegalesa, DIÉ MATY FALLLe bonheur de la maternité,
                        La responsabilité d’engendrer la Société […], l’amour filial,
                        La dignité de gardienne du temple »
                        Sim, efectivamente, a Mulher Africana gera e cria a Vida,
                        Assegura a sobrevivência, enfim e, em suma: Engendra o
                        Sentido pleno da Existência Humana.


            Eis porque, de feito, tendo em mente, estes egrégios Valores, que nos legaram os nossos Avoengos, estamos, ipso facto, munidos de um robusto arsenal cultural, que nos permite enfrentar, estoicamente o desafio/repto ao qual fazemos frente, presentemente (nos nossos dias de hoje). Donde, no âmbito desta dinâmica, se impõe imaginar perspectivas de futuro centradas nos Seres Humanos e, concomitantemente, assumir uma reapropriação consequente dos nossos Destinos, que recorra à(s) nossa(s) língua(s) materna(s), aos nossos referenciais, à valores de Sociedade e de Cultura, que nos são familiares, obviamente.
            Deste modo, no âmbito desta perspectiva, devemos sobretudo recorrer, em tempo útil e oportuno, a arma, a mais decisiva, a arma de “destruição massiva”para opor à sorte funesta ao qual o nosso Continente, parece se encontrar votado (quiçá, aparentemente, ad aeternum), que é, sem sombra de dúvida, a sua unidade, na sua assunção mais nobre.
            Sim, efectivamente, a África deve-se unir, realmente! E, congregando, o mais rapidamente possível, todos os seus Recursos Humanos (com ênfase para a sua Juventude), outrossim e, ainda, os recursos materiais, reputados entre os mais relevantes et pour cause, os mais cobiçados do Planeta.

            E, rematando assertivamente: Por conseguinte, assim que, Ela (referindo-se, obviamente à África), o faça, antes de mais, a atitude dos seus algozes e carrascos de ontem e de hoje, mudará, em seguida, Ela (a África) recuperará o seu verdadeiro e autêntico Lugar, no âmbito da Trajectória evolutiva da História Humana, simultaneamente original e Central, no Mundo.

Lisboa, 03 Agosto 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).

BEM BEM!...

Estou quase a retirar aqui ao lado o link que coloquei para o blogue "Macau Passado".

Se as fotografias de Macau que o João Severino tem para nos mostrar são as da sua, dele, (omni)presença naquele território, vou ali e já venho. E venho a correr apagar o link para o álbum do bigodaças.

É que não aturo os EUístas, e muito menos estarei disposto a dar-lhes o mínimo protagonismo.

RICOS MAS ESCRAVOS

Um jovem de 24 anos, numa noite das suas férias ou folgas, não pode beber uns copos com os seus amigos, fumar umas cigarradas, cantar e urinar na rua, enfim: dar largas a manifestações próprias da sua idade, sem ser largamente exposto à curiosidade e julgamento públicos, por um jornal tablóide, apenas pelo facto de ser jogador de futebol de um grande clube mundial.

Falo de Wayne Rooney, jogador do Manchester United, fotografado numa noite de folga, em Londres, na companhia de seus amigos e da mulher, em que frequentou um pub de que saiu às 5:30h da manhã depois de uma certamente boa noitada, cantando, abrindo os braços, tendo urinado na rua.

E eu a lembrar-me dos meus 17 anos para a frente em que, durante as minhas férias, fiz serenatas até às sete da manhã, bebendo um litro de brandy por noite, urinando por tudo quanto era beco, cantando e tocando violão a noite toda, sem que nada disso tenha prejudicado terceiros e me tenha afectado a vida de estudante e posteriormente a vida profissional.

Antes pelo contrário ― por paradoxal que pareça, esses “excessos” da juventude constituem a melhor e mais segura prevenção ao desenvolvimento de uma personalidade adulta desequilibrada e muitas vezes violenta, que resulta frequentemente da frustração por se ter vivido uma juventude vigiada, reprimida nas suas manifestações naturais, censurada pelos adultos e castrada pelas instituições e pela sociedade pérfida, manhosa, castradora e mentirosa, cínica e filha-da-puta que conhecemos e que funciona ao sabor dos interesses de várias “máfias” organizadas em confederações, grupos, associações e partidos que se apresentam angelicamente ao público como se fossem as melhores damas da comédia da vida que vivemos.

Ainda há poucas semanas li no New York Times a legenda de uma fotografia de Cristiano Ronaldo numa piscina, que rezava mais ou menos isto (cito de memória): “Um futebolista multimilionário que passa 15 dias de férias num hotel em Nova York entre o quarto, a piscina e o restaurante”.

Julgue por si em que constitui a vida de Cristiano Ronaldo durante esta sua juventude e diga depois se Wayne Rooney não faz muitíssimo bem em viver as suas folgas e férias como muito bem lhe apetece e sem medo de ser “descoberto” pelo fotógrafo de qualquer tablóide que viva desses “escândalos”.

Nunca mais me esqueço de George Best, um génio que jogou também no Manchester United, nos anos sessenta, talvez o primeiro futebolista da história a mandar às malvas a disciplina escravizante do futebol. Best frequentava diariamente bares e pubs com os amigos, bebia muita cerveja e fazia aquilo que lhe dava na real gana. Mas o seu génio impediu sempre que o clube prescindisse do seu trabalho, mesmo fazendo manchetes diárias nos jornais londrinos que o perseguiam retratando obscenamente a sua vida fora dos campos de futebol.

«Eu sou o tipo que levou o futebol das páginas internas para a capa dos jornais», teria dito.

Best teve uma carreira de 15 anos no futebol (12 dos quais no top) e morreu com 59 anos, vítima de cirrose hepática, após um transplante de fígado que não aguentou a sua forma de viver, pois, mantivera o hábito de frequentar pubs e beber o seu copo.

Mas viveu como quis e lhe apeteceu e certamente morreu em paz consigo próprio e sem remorsos de não ter adoptado uma vida de clausura e de santidade que não era certamente adequada à sua personalidade.

Fiquem com esta frase banal: NÃO SE VIVE DUAS VEZES.


*** Este texto NÃO foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico. ***

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

OS VENDILHÕES DO TEMPLO

No Portugal dos Pequeninos João Gonçalves apelida e bem o jornal Expresso de «semanário brasileiro».

Mas há mais. O insignificante jornal “i” também afina pelo mesmo diapasão provinciano do brasileirismo do novo acordo ortográfico. Isto para não falar da pasquinada que se auto intitula de” jornais desportivos”.

E na blogosfera temos um blogue que paradoxalmente foi buscar as suas “origens específicas” à descendência, isto é, também se tornou brasileiro.

O autor daquele blogue terá assim inaugurado uma nova forma de olhar para as coisas ― quando se quer olhar para trás olha-se para a frente.

Até apetece perguntar ― Ó Francisco, tu vai fazer féria no Brasil com os amigo?!


*** Este texto NÃO foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico. ***

DESDOBRAMENTO DE PERSONALIDADE?

Lendo hoje, na página do Governo na Internet, o discurso do primeiro-ministro José Sócrates no “Debate sobre o Estado da Nação”, deparei-me, no ponto 4. §3º, com a seguinte tirada:

«Pois bem: Portugal pode orgulhar-se do caminho que está a fazer, em dimensões absolutamente essenciais para a coesão social e a igualdade de oportunidades. E quero referir-me a três dimensões particularmente críticas: a primeira, a redução da pobreza e das desigualdades; a segunda, a promoção de uma saúde pública de qualidade; e a terceira, a educação e formação profissional.»

O que é que se pode dizer sobre isto?
Viverá José Sócrates no mesmo país em que vive o povo português?
Saberá José Sócrates o que o primeiro-ministro de Portugal e o seu governo têm feito verdadeiramente quanto à pobreza, à saúde e à educação?

O QUE É ISTO, SENHORES?!...


*** Este texto NÃO foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico. ***

SAÚDE PELO ESGOTO ABAIXO

domingo, 1 de agosto de 2010

NÃO HÁ DIREITO!

No Jugular, a paneleiragem e a fufaria, ofendidas com um caso de censura na TVI, a uma cena homossexual de beijo entre dois rapazes, escrevem uma carta de protesto onde a certa altura dizem:

«Entendemos não existir justificação para a não emissão de qualquer conteúdo que expresse a diversidade de afectos e relacionamentos que existem na sociedade,».

Então está bem! Mostre-se na TV todos os tipos de relacionamentos existentes na sociedade. E retire-se à TV privada a possibilidade de escolher os conteúdos que transmite.

Eu sei de indivíduos que costumam ter relações sexuais com porcas (suínos fêmea);

Porque não levar também à TV este relacionamento que existe na sociedade? É que já agora...

Reitero mais uma vez que nada tenho contra a homossexualidade das pessoas. Mas entendo que incentivar a paneleirice e a fufice, através de que meios forem, não é benéfico para a sociedade.

De resto tudo bem.

*** Este texto NÃO foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico. ***

UM PAÍS ÀS AVESSAS

Quando as bolsas internacionais caem, a bolsa portuguesa sobe; quando aquelas sobem, a portuguesa desce;

Quando se faz “Um minuto de silêncio” num jogo de futebol, por exemplo, o público bate palmas fazendo um barulhão do caraças; quando se assiste a um cortejo fúnebre, os presentes batem palmas, muitas palmas (temos aí o funeral de António Feio a testemunhá-lo mais uma vez).

― Sim, palmas num funeral!

 Este deve ser o único país no mundo onde esta aberração acontece.

Está visto. Este é um país que se deseducou ao longo do tempo porque a cada dia que passa falham mais e mais as instituições que deveriam ensinar os cidadãos a serem civilizados (estou a pensar nas igrejas tradicionais, nas famílias, nas escolas e nas associações de cidadãos).

No que diz respeito a exemplos que vêm de cima... o melhor é nem falar!

A tudo isto junta-se o para mim mais grave: a Língua Portuguesa é cada vez mais mal falada; mais mal escrita; em suma, mais maltratada. Até pelos que a deviam defender em primeira linha ― os escritores portugueses (alguns vendidos a amizades e prebendas brasileiras) que, sem qualquer pinta de rebuço (fruto, talvez, da deliquescência dos princípios da nação), aceitaram e adoptaram o condenável último Acordo Ortográfico.

Dos chamados “jornalistas” não falo. Porque hoje em dia a grande maioria dos jornalistas é quase analfabeta e totalmente inculta ― é só tentar ler um jornal qualquer com alguma atenção para se ficar aterrado com o lixo de escrita e de assuntos produzidos por esses chamados “jornalistas”.

Que fazer? É o que se pergunta. Não sei, respondo eu.

*** Este texto NÃO foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico. ***

BOM DIA E BOM DOMINGO.

sábado, 31 de julho de 2010

CADA VEZ MELHOR, SIM SENHORA

O Hospital de São Gonçalo, em Amarante, vai deixar de ter cirurgiões a partir da meia noite de hoje para reduzir os custos com as horas extraordinárias, mas a mudança "não vai afetar os doentes", garante a administração.

A administração volta a frisar: "os doentes não são afetados nem a qualidade da prestação de cuidados de saúde é prejudicada".

- E porque diz isso, ó sua administração etc. e tal? - Perguntamos nós.

E responde: "as necessidades dos doentes passam a ser tratadas com recurso aos profissionais do hospital de Penafiel".


E portanto - ó povo burro que não entende nada! -, em vez de haver um cirurgião disponível para os pequenos casos que normalmente são resolvidos localmente, é chamado um cirurgião que percorre os 30 kms que distam entre Penafiel e Amarante para acorrer às necessidades utilizando um desintegrador/integrador da autoria do governo PS que torna a viagem instantânea; é como se o cirurgião sempre estivesse presente no hospital, entenderam?

- Mas que administração gastadora! Vejam lá se a mesma não pouparia muito mais dinheiro ainda incumbindo o porteiro de fazer de cirurgião!...

Ficava tão barato!... E posso garantir eu também que "os doentes não seriam afectados nem a qualidade da prestação de cuidados de saúde prejudicada".


Como é evidente.


*** Este texto NÃO foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico. ***

sexta-feira, 30 de julho de 2010

SABE QUEM É?

Pois... só podia, não é?!
JOANA AMARAL DIAS

ENGRAÇADO

Islandeses celebram um golo pescando salmão.

CASSETE PACHECO


Qual Cunhal coerente com a sua famosa “cassete”, Pacheco Pereira não se cansa de repetir à saciedade coisas como estas que publica hoje no seu “Abrupto” (sublinhado meu):

«...sem conhecer em detalhe e por escrito qual é a proposta do PSD, muita coisa parece-me ir no bom sentido. Acabar com a gratuitidade da saúde e da educação não é uma medida “liberal”, é abrir caminho para uma justiça social que coloque todos os recursos do estado a favor dos mais pobres.»

E escreve isto com a mesma desfaçatez com que diria a um inimigo ingénuo que sofre do estômago ― beba cicuta que é o melhor remédio para a úlcera gástrica. Confie em mim! ―.

No máximo, é intelectualmente um crime.

No mínimo, é uma brincadeira de mau gosto.

Peça Ensaística Vigésima Quinta, no âmbito de

Na Peugada de NOVOS RUMOS:


Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).


                                    Nota Previa:
            Entre os eventos, os mais significativos, que marcaram as derradeiras décadas do Século XX passado, pode-se, muito provavelmente, estar entre eles, a verdadeira “explosão” dos contactos entre povos e culturas.
            Com efeito, neste sentido temos a referenciar o seguinte:
(1)               Tanto ao nível internacional, através da incessante circulação de produtos materiais e mentais, modelos e pessoas.
(2)               Como, outrossim, no próprio seio dos dissemelhantes países, em que o Social se encarrega da dimensão multicultural, pela presença de populações oriundas de todos os Continentes.
(3)               É, deste modo, aliás, que a Europa conta, quase doze milhões de emigrantes, que, conquanto, suscitando debates, tensões e reacções, naturalmente xenófobas, não sustentam menos, uma realidade a ter em conta, visto que, um grande número permanecerá, no país de acolhimento com os seus filhos e, anseiam, obviamente encontrar uma inserção social e profissional adequada.

Enfim e, em suma, de sublinhar, que:
Esta realidade, quaisquer que sejam os sentimentos que inspira, deve ser considerada, como incontornável, visto que ela é, em nada, conjuntural. Sim, efectivamente, resulta de um fenómeno fundamental: A constituição de um campo Humano Planetário devido à intricação, sem interrupção, crescente dos projectos, problemas e ensaios de solução de todos, à que se acrescenta a facilidade e a intensificação estupefacientes dos meios de Comunicação.

Posto isto, vamos, então abordar um tema bastante actual e, que se prende, com a relevância que assume, o Conhecimento da Cultura de Origem pelos emigrantes.

Todavia, antes de mais, um Ponto prévio, para principiar:
Deve-se encorajar esta démarche de Conhecimento, este esforço de ordem etnológica e antropológica que confere Abertura ao Mundo e revitaliza os seus modos de ver e de fazer.

(A)    Com efeito, demasiado, frequentemente, não se procura a informação adequada, mesmo se supõe a origem cultural de certas condutas, atitudes e costumes. Trata-se, efectivamente, de uma forma de actuar e agir, a rejeitar, por motivos e razões óbvios. Eis porque, se nos afigura, apropriado, a positiva ideia que visa privilegiar, que um dos primeiros informadores pode (aliás, deve mesmo) ser, amiúde, o próprio migrante.
(B)     De feito, o interesse que se atribui à sua cultura, ao seu país, à sua aldeia, ao seu costume, aos seus objectos e à iconografia da sua casa, não lhe é indiferente. Muito, pelo contrário, aliás, pois que lhe vai directo ao coração e, lho manifestar, sem dúvida, antes os seus olhos, tanta paz, como, outrossim um apoio assaz concreto. Ganha-se, com isso, evidentemente, não apenas, uma confiança mais autêntica e mais aprofundada, outrossim e, ainda, um relacionamento mais simétrico em que o migrante já não é apenas o que recebe, mas o que traz algo, ao dar a conhecer e fazer reconhecer a sua Cultura, que forma a trama da sua Identidade Social e Cultural.
(C)     De anotar, avisadamente, que mesmo se ele ignora o sentido dos seus costumes, mesmo se ele só responde através de uma linguagem pobre, o que ele exprime ao trabalhador social (por exemplo) é uma parcela de si próprio, dos seus hábitos, das suas tradições, com toda a ressonância e carga afectiva, que elas assumem para ele. Afirma o seu enraizamento, a sua história e, para além da anedota e dos eventos da sua vida, a sua memória inscrita, numa dimensão colectiva, histórica, simbólica na qual, busca, fundo e extrai o sentimento de pertença, estima de si e dignidade.
(D)    Importante consignar: Na verdade, não há dúvida nenhuma, que, mesmo no caso de o migrante não poder ou não pretende se exprimir, encontrará sempre um informador, no âmbito do seu meio social (entre os seus mais próximos), ou junto de associações quem fornecerá esclarecimentos pertinentes acerca da sua pessoa, em tempo útil e oportuno.
(E)     Donde, em Suma:
a.       É, efectivamente, pela sua Identidade, que o trabalhador social, lhe permite apresentá-lo, pô-lo em cena, se informando junto dele, se interessando por ele.
b.      É neste sentido, que é necessário compreender os convites para refeições ou para festas, troca de presentes, tão, frequentemente, uma autêntica fonte de admiração e de mal-estar da parte dos profissionais.
c.       O Migrante, ao efectuar um dom, como permuta de um serviço prestado ou de uma ajuda recebida, recupera a estima em si mesmo, outrossim, dignidade e autoridade necessária. Por seu turno, o profissional ao aceitar este dom, respeita um outro código cultural de permuta social, código, esse, que se inscreve, no mais profundo arcano da afectividade da pessoa do migrante e lhe reconhece, ipso facto, a sua dimensão social, enquanto ser portador de valor e de sentido, obviamente.
d.      Enfim, rematando assertivamente: Este reconhecimento da pessoa, em todas as suas dimensões, designadamente nas suas vertentes: psicológica, cultural, social e histórica, é sumamente fundamental no processo de ajuda e apoio, necessariamente quão eficaz e, assaz eficiente.

Lisboa, 29 Julho 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).

quinta-feira, 29 de julho de 2010

AFOGAMENTO MORTAL EM BAPTISMO





Certamente distraído, 

"MACAU PASSADO"

澳門
As nossas boas-vindas ao novo blogue, Macau Passado, do jornalista João Severino que por aquelas terras fascinantes do Oriente, tal ou melhor ainda do que nós, viveu certamente experiências ricas e únicas da sua vida, que esperamos ir conhecendo à medida que no-las trouxer à blogosfera.

Chears! E um abraço aqui do África Minha.

A NÃO PERDER

[...] «A aceleração dilui a percepção do tempo, condenando-nos a viver num presente perpétuo em que os acontecimentos se multiplicam na razão inversa da compreensão do seu sentido. A torrencial multiplicação dos pontos de vista tem como único efeito seguro o de privar o homem contemporâneo de qualquer perspectiva consistente sobre o quer que seja.»

[...] «Vivemos, em suma - a analogia é de J.L. Servan-Schreiber, no livro Trop Vite  -, como se nos deslocássemos de noite num automóvel cuja velocidade aumenta à medida que o alcance dos faróis diminui. É por isso que, mesmo em férias, se torna tão difícil desacelerar? Habituados que estamos, por um lado a viver como se a velocidade por si só desse sentido à vida e, por outro lado, a associar a aceleração com a intensidade, é cada vez mais comum reagirmos com ansiedade a qualquer vislumbre de lentidão e identificarmos a mais pequena desaceleração com uma assustadora ameaça de tédio. Como se, quando finalmente há tempo, faltasse a paciência?»

[Manuel Maria Carrilho, no DN de hoje]

quarta-feira, 28 de julho de 2010

A APARÊNCIA E A REALIDADE

POR DETRÁS DA POSE DE ESTADO, A ESSÊNCIA DO SER

Por estes dias, António Nogueira Leite surpreende não só por indirectas de baixo nível e sem link, como esta e também esta,  por exemplo, como ainda e sobretudo por esta diatribe que, com toda a naturalidade deste mundo, “brinda” o psiquiatra e escritor (com obra publicada e largamente escrutinada e apreciada), Filipe Nunes Vicente, do blogue Mar Salgado.

Acho que, longe de fazer parte da silly season que atravessamos, este é um case study.