quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Peça Ensaística Quadragésima Sétima, no âmbito de

Na Peugada de NOVOS RUMOS:


Ser culto es el único modo de ser culto
José MARTÍ (1853-1895).


“Raça” e “Racismo”
Continuação:

                Demais, esta (referindo-se, obviamente à Filosofia) se interrogou, de forma, assaz reiterada, acerca da legitimidade da oposição “Civilizados/Bárbaros”. Foi, precisamente o escritor francês, Michel de MONTAIGNE (1533-1592), de todos os Pensadores do Renascimento, o mais próximo da mentalidade moderna, que sublinhou a barbárie dos Europeus durante as Guerras Religiosas ou contra os Índios da América.
                Por seu turno, o filósofo e matemático alemão, Gottfried Wihelm LEIBNIZ (1646-1716), considerado o maior Filósofo alemão do século XVII e um dos grandes génios da Cultura Humana, quem se interrogou, de modo avisado, perante as certezas do filósofo empirista, Jonh LOCKE (1632-1704) acerca do grau de barbárie dos supostos “bárbaros” e dos “civilizados”. Deste modo, temos nas pessoas (e obras respectivas), quer de LEIBNIZ, quer de MONTAIGNE, dois bons exemplos de crítica do “Etnocentrismo”.
                De anotar, que esta postura alusiva conduz, simultaneamente à julgar um grupo segundo critérios, que não são os seus (por exemplo, censurar os politeístas de ser idólatras) e, em se iludir acerca do que se desenrola no interior do seu próprio grupo, da sua própria “etnia”, denunciando atitudes ou comportamentos semelhantes nos outros. De facto, alguns dos conquistadores do Novo Mundo (que prosseguiam na América a sua cruzada contra os Judeus e os muçulmanos), viam nos Índios (“selvagens”) os responsáveis de determinadas práticas violentas, entretanto, olvidavam as brutalidades extremas das Guerras Religiosas, na Europa.

                Relevar que tradições, outrossim a rejeição do racismo (com argumentação a favor da desigualdade das raças) constituem tomadas de posição, que remontam até à Antiguidade e que não implicam, contudo a continuidade, no âmbito desta história. Deste modo, seguindo um autor, como o filósofo francês, MICHEL FOUCAULT (1926-1984), ir-se-ia no sentido de um sublinhar da especificidade do racismo moderno, que aparece como contemporâneo do advento da Noção da “degenerescência” em Psiquiatria (a qual é contrária à “degeneração”dos autores do século XVIII, situação de carácter irreversível).
                Eis porque, por conseguinte, o racismo seria uma Ideologia da idade da Ciência vinculada à uma transformação idêntica da concepção política, que vê nascer a “Bio Política”, isto é, uma Política que se envida organizar a vida do Homem, enquanto ser vivo, se preocupando com o seu bem-estar, com a sua Saúde, com a Higiene Pública, decidindo quem deve viver e quem deve morrer. Pode-se discordar dessa especificação do racismo, encarado como algo vinculado às disciplinas modernas e procurar, se escudando em FREUD, as origens do racismo, no âmbito da própria dinâmica de constituição das massas, que se homogeneízam, tanto mais, se elas possuem um inimigo para destruir.

                Finalmente, de consignar, que uma outra interrogação no atinente à especificidade do racismo contemporâneo incide sobre a continuidade entre a crítica aos Judeus (por eles não terem reconhecido a Divindade de Jesus Cristo) e a persecução que foram vítimas, por “considerados”, como pertencendo a uma raça “inferior” e, por este facto, constituiriam uma forte ameaça para a raça “superior”e, ante este “estatuto” deveriam ser exterminados até à sua derradeira progenitura, obviamente.

Lisboa, 15 Setembro 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

DUAS DIVAS (DUAS)

PRELÚDIO PARA UM REGRESSO A CABO VERDE
Uma oferta do meu caríssimo Djibla, via email.

OUTRA IDEIA SEM SENTIDO

Isto agora é como as cerejas:


Até parece que a senhora ministra nunca fez urgências!...

É que então vai ter de contratar psiquiatras a tempo inteiro para tratar os médicos colocados nas urgências durante um ano. Não há miolos capazes de suportar esse trabalho sem se derreterem.

Mas felizmente para os médicos a solução já está encontrada. O que quer dizer que esta ideia é perfeitamente absurda e filha da desorientação.

É que os quadros médicos dos diversos serviços hospitalares estão de tal maneira depauperados e exauridos que não há ovos para essa omeleta. Se os médicos (que são poucos) forem exclusivamente para a urgência, quem é que assiste às enfermarias, às consultas e às unidades de exames especiais?! Quem é que faz as cirurgias programadas???

Mistéééééééério!!!

NÃO HÁ OVOS, SENHORA MINISTRA! Pense noutra coisa.

SAÚDE - DESORIENTAÇÃO E CIGANAGEM


Agora oiçam só esta e digam lá se não é uma ciganagem:

"Estamos a trabalhar com países da América do Sul, como a Colômbia ou o Uruguai. Há um grupo que está a fazer o exame de reconhecimento para a Ordem e a preparar o que é necessário para vir para Portugal" ― diz a ministra.

― E qual a garantia de trabalho que oferecem a estes estrangeiros? ― Perguntamos nós.

E responde a senhora ministra através do Diário de Notícias:

Estas soluções são temporárias, enquanto se aguarda a formação de mais médicos, que ascendem já a mil por ano. "A este ritmo, penso que em 2015/16 teremos um número mínimo de utentes sem médico".

Ora bolas! ― Deverão ter dito os cubanos, uruguaios e colombianos que estarão a preparar-se para o recrutamento ― E depois voltamos para o nosso país e vamos para o desemprego?!

Foi o PSD, mas sobretudo o PS; foi Luís Filipe Pereira, mas sobretudo Correia de Campos ― com os Mello e outros interessados atrás, à frente e ao lado; em cima e em baixo ―, quem afundou definitivamente a Saúde Pública em Portugal. F*****m consciente, planeada e deliberadamente o Serviço Nacional de Saúde em favor da Saúde Privada.

Já não há retorno possível.

A Economia tomou conta do poder político; “comprou” o poder político. É a Economia que manda. São os interesses económicos que comandam.

Mas eu vou insistir em fazer-lhes o mais saboroso manguito da minha vida.

― Querem que eu volte a trabalhar sem condições e mal remunerado?

Ora tomem lá, embrulhem e vão-se f****!

Nota: A fotografia é do escritor Luiz Pacheco.

Peça Ensaística Quadragésima Sexta, no âmbito de

Na Peugada de NOVOS RUMOS:


Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).

“Raça” e “Racismo”:
Continuaação:


(III)
                Os caracteres físicos, que se tem utilizado para definir a “raça”, têm variado, segundo os períodos. Com efeito, a cor da pele, a forma do crânio, a textura dos cabelos têm dado lugar à todas espécies de construções.
                Se o vocábulo “raça”, qualquer que seja a sua etimologia, aparece no término do século XV, deve-se, contudo, por várias razões, no âmbito da história do “racismo”, se debruçar sobre um período mais dilatado. Na verdade, os “racistas” modernos se apoiaram (eventualmente), à custa de interpretação errónea, em autores do passado.
                Com efeito, actualmente os debates travados, no âmbito desta problemática, se encontram directamente vinculados a interrogações mais antigas. Donde, enfim, a definição do racismo pode conduzir a agrupá-los, num conjunto mais vasto de discursos e de condutas de ódio de outrem. Em todo caso se afigura legítimo debater acerca de eventuais periodizações, no âmbito da história do racismo e dos conflitos, assim como acerca das rupturas cronológicas, que, vêm sendo, assumidas.

                Na verdade, se PLATÃO opõe Gregos e Bárbaros, os Filósofos estóicos (de reter, neste ponto), a figura trágica do Imperador Romano, Marco Aurélio (121-180), autor da obra: Pensamentos, em que defende a ideia de pensar o Homem como um “Cidadão do Universo”, ou seja, como “Cosmopolita”.
                Já, no atinente, à Teoria do Clima, que foi retomada pelo eminente pensador muçulmano de língua árabe da época medieval, IBN KHALDOUN, é contestada pelo jurista francês JEAN BODIN (1530-1596), no término do século XVI.
                No século XVIII, vários autores criticaram a Teoria de uma aptidão menor dos Negros, consoante o vocabulário da época, ou dos Judeus em ser civilizados.
                E, no que diz respeito à Ideia de “degradação” de certos grupos humanos, avançada pelo naturalista e escritor francês, conde de BUFFON, de seu nome verdadeiro, Georges Louis LECLERC (1707-1788), ou pelo político francês, abade GRÉGOIRE (1750-1831), de verdadeiro nome HENRI GRÉGOIRE, de anotar, que ela implica, por seu turno, a noção de uma “regeneração” possível. Eis porque, alguns autores sustentaram que a escravatura produzia a decadência e a degradação do escravo e que os que justificavam a implantação da escravatura pelo estado do escravo invertiam a ordem dos factores. Ou seja: Não é a “natureza” do escravo que permite legitimar a escravatura. Sim, efectivamente, é a escravatura que produz caracteres específicos aos que são vítimas deste sistema!
                Poder-se-ia, outrossim asseverar que o racismo produz anomalias que ele denuncia nas raças “inferiores”. Neste particular, um sociólogo norte-americano, Robert K. MERTON (1910-2003), mostrou como os Negros oriundos de entre as regiões dos Grandes Lagos, ulteriormente no Sul dos Estados Unidos, na sequência imediata da Primeira Guerra Mundial eram excluídos do acesso às grandes empresas metalúrgicas, em que era necessário estar sindicalizado para poder ser assalariado (trata-se do sistema dito dos closed shop). Todavia, por outro, pela mesma ocasião, deviam aceitar trabalhar por salários muito baixos (abaixo dos mínimos sindicais), quando não se os utilizava para “furar greves”, de sorte que os operários brancos, os consideravam, como autênticos traidores e os menosprezavam, obviamente. Este exemplo poderia ser transportado a outros casos. De anotar, todavia, que o mecanismo foi denunciado, muito cedo, enquadrado, no âmbito das avisadas preocupações assumidas pelo Pensamento Filosófico Progressista.

Lisboa, 14 Setembro 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).

terça-feira, 14 de setembro de 2010

DELICIE-SE. ENTREGUE-SE À MÚSICA

(Feche os olhos e viaje no tempo)


BOA MADRUGADA E BOM DIA (quando o for).

FURO NOTICIOSO EM PORTUGAL

Numa aposta com um colega da faculdade e de quarto, Feross Aboukhadijeh, estudante de informática na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, criou, em apenas 3 horas (três), aquilo que a Google e You Tube buscavam há mais de três anos e ainda não tinham conseguido:

Feross Aboukhadijeh criou o YOU YUBE INSTANT, um motor de busca instantânea para o You Tube.

Mal se começa a escrever o que se quer procurar, logo que se comece a teclar, aparecem instantaneamente  sugestões certeiras daquilo que se procura; tudo numa página simples e “limpa”. Num abrir de olhos ― nem tem tempo de os fechar” ― já está.

Maravilhoso!

Esta notícia que vos dou em primeira mão é a parte boa da minha “insónia” (bem vivida) desta madrugada.

Agora que Leonard Cohen veio a Lisboa agradar a uns e desiludir outros, eu, que andei por estes dias perdido à procura de um clip de uma música “sessentona” dele, encontrei-a facilmente há pouco com a ajuda de Feross.

Obrigado, caro amigo (sim, eu já me considero seu amigo).

Links para Feross:

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Peça Ensaística Quadragésima Quinta, no âmbito de

Na Peugada de NOVOS RUMOS:


Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).

“Raça” e “Racismo”:
Continuação:

                Com efeito, seguindo a etimologia, que remete “race/raça” a “haras”, poder-se-ia asseverar que a Noção “raça”é uma transferência à espécie humana de uma prática oriunda do mundo animal. Aliás, não é, outrossim de estranhar, que numerosos teóricos racistas se assumem, simultaneamente partidários do Eugenismo. De referir, que segundo a etimologia grega, eugenismo significa “bom nascimento” e, se encontra, na raiz do vocábulo génios, que, por seu turno, é, frequentemente traduzido à partir do Grego antigo por “raça”.
                Presentemente, a Genética abriu um novo campo, no domínio deste tipo de empreendimento. Eis porque, se compreende a relevância da Bioética, que deu lugar ao voto de uma resolução da UNESCO em Novembro 1997, conducente à aprovação da Declaração Universal sobre o Genoma Humano e sobre os Direitos Humanos e que precisa que o respeito pelos Direitos Humanos não está condicionado pela sua “característica genética”.

                Além disso, o termo “raça”, a propósito dos homens, é utilizado no singular. Deste modo, falar de “raça humana” não conduz ao “racismo” (antes, pelo contrário), visto que a utilização do singular se opõe à ideia de uma multiplicidade de grupos particularizados e hierarquizados. No entanto, uma vez que se vai falar “das raças” (no plural), se introduz a possibilidade (não apenas) de os distinguir, sim, efectivamente para os classificar: “de bom ou mau”. Eis porque, asseverar que existe uma raça humana vai ao encontro do “racismo”, ou seja, a crença numa pluralidade de “raças” (o que se pode denominar: uma concepção “racial”), conduzindo, ipso facto (frequentemente, aliás), à teoria “racista”. Desta feita, da noção de diferença se passa facilmente à de desigualdade.

                De anotar, finalmente, que o valor de “raça” (neutra) entre os “raciólogos” que acreditam na existência de “raças” dissemelhantes (porém, iguais), noção essa que carreia um preconceito entre os “racistas”, pode ser utilizada, sob um modo reivindicativo e positivo, por grupos vítimas do racismo, mas que reivindicam a sua identidade, negada ou desvalorizada por políticos partidários da segregação ou da exclusão.
                Nos Estados Unidos da América do Norte, se encontrava, na década de 1970, uma afirmação da sua identidade negra e do seu valor, no seio de alguns grupos, como os do BLACK POWER, enquanto militantes anti-apartheid, na África do Sul (cuja referência principal é o conhecido activista do movimento anti-apartheid, na África do Sul, na década de 1960, STEVE BIKO (1946-1977), afirmavam da necessidade de desenvolver a “consciência negra”. De referir, outrossim e, ainda, que no século XXI, Índios da América Latina proclamavam o valor da RAZA.
                Estamos, deste modo, ante uma vontade férrea de inversão de valores em que o grupo estigmatizado, depreciado, alienado pretende e, quer se reapoderar de uma Identidade, que foi desvalorizada pelos opressores racistas. Socialmente, este “racismo anti-racista”, para retomar uma expressão da lavra de SARTRE, a propósito dos Argelinos, pode ter repercussões nas antigas metrópoles coloniais de outrora, em que o racismo os castigava franca e frontalmente.

Lisboa, 12 Setembro 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/internacionalista --- Cidadão do Mundo).

domingo, 12 de setembro de 2010

NHA TERRA ESCALABRODE

ESTOU AQUI ESTOU AÍ


A poucos dias de mais um (eterno) regresso a Cabo Verde, recebo do sempre fixe Djibla o link para este clip musical de Nhonhô Hopffer*. A voz, a letra e sobretudo o virtuoso vilão acústico (sem electrónica de permeio) tornaram o chamamento ainda mais irresistível. É que muita gente não sabe que na minha terra momentos de performances musicais destes são o pão-nosso de cada semana, em nossas casas e nas de amigos, em que os verdadeiros artistas estão sempre tão disponíveis como quando se pede um copo de água (um whisky, vinho do Fogo ou cerveja, já agora para ser mais verdadeiro).

Apenas um artista português do meu conhecimento actua desta forma para com os amigos; refiro-me a Rui Veloso (que não vejo há séculos) a quem tive o privilégio de conhecer há quase trinta anos e que convive naturalmente neste tipo de ambientes sociais em que tocar vilão e cantar é tão "obrigatório" como respirar.

BOM DIA!
* Nhonhô é arquitecto e não vive da música, mas nem por isso deixa de ser um excelente artista.

sábado, 11 de setembro de 2010

A ORIGEM DA VIDA

Ao longo do tempo têm sido identificados aminoácidos nas amostras de meteoritos que caíram na Terra. Os aminoácidos são o princípio da vida tal como a conhecemos. Até agora o Homem só produziu em laboratório meia dúzia de aminoácidos bastante primitivos.

«De qualquer forma, o verdadeiro problema não é criar aminoácidos. O problema são as proteínas.»

«As proteínas são aquilo que se obtém ao encadear aminoácidos, mas são precisos muitos aminoácidos. Ninguém tem bem a certeza, mas deve haver cerca de um milhão de tipos diferentes de proteínas no corpo humano, e cada um deles é um pequeno milagre. Segundo todas as leis das probabilidades, as proteínas nem sequer deviam existir. Para fazer uma proteína é preciso juntar aminoácidos (a que, segundo uma longa tradição, sou obrigado a referir-me aqui como "blocos de construção da vida") numa determinada ordem, da mesma ma­neira que se juntam letras de uma certa forma para criar uma palavra.»

«O pro­blema é que as letras no alfabeto dos aminoácidos são normalmente muito longas. Para soletrar colagénio, o nome de uma proteína comum, precisamos de nove letras dispostas na ordem certa, mas para fazer colagénio precisamos de or­denar 1055 aminoácidos numa sequência absolutamente rigorosa. Mas — e este é um ponto óbvio mas crucial — não o podemos fazer. Ele faz-se a si próprio, es­pontaneamente, sem instruções, e é aqui que surgem as improbabilidades.»

«As probabilidades de uma molécula com uma sequência de 1055 como o colagénio se formar espontaneamente são, na verdade, zero. É simplesmente impossível que aconteça.»

«Resumindo, as proteínas são entidades complexas. Que acontecimentos fortuitos venham a produzir uma só proteína parece uma total improbabilidade — como um pé-de-vento que passasse por um ferro velho e dei­xasse montado atrás de si um avião Jumbo, para usar a colorida imagem sugerida pelo astrónomo Fred Hoyle.»

«E, contudo, estamos a falar de várias centenas de milhar de tipos de proteí­nas, talvez um milhão, cada uma única em si própria, e, tanto quanto sabemos, vital para manter um indivíduo são e feliz. E é daí que tudo parte. Para ser útil, uma proteína precisa não só de reunir aminoácidos na sequência certa, como também de se lançar numa espécie de origami químico, dobrando-se a articulan­do-se numa forma muito específica. Mas mesmo depois de conseguir esta complexidade estrutural, uma proteína de nada serve se não se conseguir copiar a si própria, e o facto é que não consegue. Para isso é preciso o ADN. O ADN é um mágico da replicação — pode fazer uma cópia de si mesmo em segundos — mas não pode fazer praticamente mais nada. Portanto, temos aqui uma situ­ação paradoxal. As proteínas não podem existir sem ADN, e o ADN não ser­ve para nada sem as proteínas. Devemos então concluir que eles aparecem simultaneamente com o objectivo de se apoiarem mutuamente? Se assim é, é espantoso!»

As bactérias são a forma de vida replicável mais antiga que se conhece. Algumas bactérias têm por função decompor substâncias químicas, das quais, tanto quanto se sabe, não retiram qualquer benefício.

«Tem-se encontrado bactérias a viver em lugares e condições absolutamente improváveis, em poças de lama a ferver e em lagos de soda cáustica e de ácido sulfúrico. Uma espécie chamada Micrococcus radióphilus foi encontrado a viver alegremente nos tanques de resíduos nucleares, devorando plutónio e tudo o mais que lá encontrava.»

«A Deinococcus radiodurans é quase imune à radioactividade. Se destruirmos o respectivo ADN por radiação, os fragmentos obtidos reconstituir-se-ão imediatamente como os membros irrequietos de um morto-vivo nos filmes de terror.»

[Bill Bryson, A Short History of Nearly Everything.]

BOA TARDE!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Peça Ensaística Quadragésima Quarta, no âmbito de

Na Peugada de NOVOS RUMOS:


Ser culto es el  único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).

RaçaRacismo”:
(I)

(A)

                Se o vocábulo “racismo” é de aparecimento, relativamente recente, é, pelo facto, que só se tornou a doutrina oficial e central de movimentos e partidos políticos (designadamente, o partido nazi, na Alemanha que fez dele o centro do seu programa), após o nascimento dos regimes políticos modernos, das organizações de massa, que envidam em mobilizar ideologicamente grupos.
                Demais, ao mesmo tempo, que nasciam partidos, movimentos e associações racistas, se formavam Organizações que inscreviam o combate contra os preconceitos de “raças”, no seu programa. Sabe-se:
1)       Que em França, o famigerado “caso DREYFUS” conduziu, por tabela (melhor dito, como corolário), ao advento da Liga dos Direitos Humanos.
2)       E que, ulteriormente, após a Segunda Guerra Mundial (concretamente), na sequência da condenação dos horrores perpetrados pelo nazismo, um grande número de Instituições Internacionais e de Países passaram a estigmatizar, pública e oficialmente o “racismo” como um crime, ou seja, como uma autêntica doutrina de ódio.
3)       Eis porque, no âmbito desta dinâmica, a Carta das Nações Unidas de 1945, no seu capítulo I, indica como um dos fins primordiais da Organização, que, após a vitória sobre o totalitarismo nazi, se implante o seguinte: “Réaliser la coopération internationale en résolvant les problèmes internationaux d’ordre économique, social, intelectuel ou humanitaire, en développant et en encourageant le respect des droits de l’homme et des libertés fondamentales pour tous, sans distinctions de race, de sexe, de langue ou de réligion”.

(B)
                Todavia e antes de mais, se impõe, sublinhar a existência de um paradoxo, que merece ser descodificado. Ou seja: Os que pretendem combater o “racismo”, utilizam, necessariamente o vocábulo “raça”, enquanto, em termos gerais, pensam que este vocábulo não corresponde a uma realidade, ou seja à existência de grupos humanos, que possuem caracteres físicos ou psíquicos comuns (hereditários), grupos que se poderiam, aliás, hierarquizar consoante uma escala de valor.
                Demais, por outro, de consignar, adequadamente, que o “racismo” assenta, de facto sobre esta pretensão de atribuir a um grupo de homens (por causa de possuírem caracteres biológicos transmissíveis, de geração para geração), uma superioridade sobre outros grupos e reclamam, ipso facto, para este “grupo superior” um estatuto, direitos e vantagens (que recusam aos outros), pois que reivindicam, designadamente a condição da supremacia, como pertença exclusiva (inata) dos Arianos ou dos Brancos.

(C)
                A História do Ocidente, ao longo do seu percurso evolutivo, se encontra atravessado por dois (2) grandes modelos de “racismos”:
                --- O “Racismo”, que afirma a inferioridade dos Negros e escora uma forma de dominação radical: a escravatura.
                --- O Anti-semitismo, que, se apoiando na tradição cristã, considera os Judeus como “pérfidos” (os suspeita), os afasta e vai até ao ponto de os considerar como sub homens, que, por isso mesmo, devem ser destruídos.
                Enfim e, em suma: O Ocidente organizou as cruzadas contra os muçulmanos, no momento fundador, não sem resultados, em paga (leia-se, outrossim, como recompensa e compensação). Porém, o que é facto é que, efectivamente existe uma “epidemia” de “racismos”, como o “racismo” dos conquistadores do Novo Mundo, relativamente aos Índios, ou o “racismo” dos Gregos da Antiguidade, que se pretendiam superiores aos “Bárbaros”. Tem-se a haver, em PLATÂO (329-347 a. C.), por exemplo, num discurso dissemelhante do que o do “racismo” moderno, em que “raça” se apoia na Zoologia ou na Psiquiatria.

(II)
(1)        Por seu turno, o vocábulo/lexema “raça” encerra, um leque de significações, que variam, visto que, quer o vocábulo (em si e de per si), quer a organização do campo lexical mudam de uma língua para outra.
(2)        Todavia, sejam quais forem as variações de sentido, o termo implica a Ideia de um grupo que possui um fundo biológico comum. Eis porque, deste modo, se fala:
a.        Dos reis da primeira “raça”, o que significa, muito simplesmente, a primeira das famílias reais, cronologicamente (estamos ante a utilização do termo por MONTAIGNE ou por MONTESQUIEU, concretamente, este último, na sua obra: De l’esprit des lois, que fala das leis da primeira, segunda ou terceira “raça”).
b.        Identicamente, se emprega “raça” para os animais que pertencem a um mesmo grupo, sendo o critério, ordinariamente assumido, assentando-se, na ideia que os, que são da mesma “raça” são os animais que se reproduzem entre si.
c.        Porém, por vezes, se denomina “espécie” o grupo (na acepção mais lata) e “raça” (por seu turno), um grupo de animais, que possuem caracteres, que os permitem identificar entre si, como um grupo de semelhantes.

De anotar, aliás, que certos cruzamentos parecem originar animais de menos boa qualidade, conquanto “de raça” signifique, de uma “raça” pura, ou seja, que não conheceu mistura alguma.
De consignar, por outro, que, do ponto de vista da Genética e da História natural, cujo o objectivo assenta no estudo da Evolução das espécies tal qual foi proposto pelo Naturalista inglês, CHARLES DARWIN (1809-1882), a noção de “raça pura”não tem grande sentido, visto que os seres vivos são, sempre os produtos da Evolução de seres vivos anteriores: A girafa tem antepassados que não eram girafas, os Homens descendem de uma (ou de várias) espécie (s), que não eram homens e os povos civilizados têm por avoengos grupos humanos, que não o eram, sublinha, avisadamente o autor da relevante Obra, que é, efectivamente, “Da Origem das espécies”, que apareceu no já longínquo Ano de 1859, cujo Título original, em inglês é: THE ORIGIN OF SPECES BY MEANS OF NATURAL SELECTION.

(3)        As interrogações sobre a etimologia do vocábulo “raça”mostram, assaz bem a ancoragem da noção, na Zoologia. Vejamos então:
a.        O vocábulo português “raça”, etimologicamente é oriundo do Italiano (razza: conjunto de indivíduos de uma espécie animal ou vegetal, com características constantes e com competência para serem transmitidas aos descendentes). No entanto, tradicionalmente o lexema, ora é considerado oriundo do Latim (generatio, õnis: “geração”), com aférese, ora proveniente do Latim (ratio, õnis: natureza, motivo, causa, etc.). No século XX passado foi levantada a hipótese de o vocábulo derivar do francês antigo (haraz, século XII), francês (haras): estabelecimento destinado à reprodução do cavalo.
b.        Por sua vez, o vocábulo francês (race), provem (parece) do Italiano (razza). Por vezes, o termo é remetido ao lexema latino (radix), que quer dizer (“racine”: “raiz”), ou bem a um outro vocábulo latino (“ratio”), que quer dizer (“raison”: razão), como princípio de classificação.
c.        De referir, no entanto, que, uma outra etimologia foi proposta que não vincula “race” e razza a um vocábulo latino, todavia, a um termo de origem escandinava, que se encontra no francês medieval e que se emprega sempre em francês moderno: (“haras”), isto é, como uma expressão, que se refere a rebanho de garanhões (animais de cobrição) e de jumentos, destinado à reprodução e à melhoria das qualidades dos animais.
d.        Finalmente, de feito, a actividade de selecção, tendo em vista, o aperfeiçoamento das espécies vivas é um dos aspectos fundamentais da domesticação dos animais pelo homem, muito antes que a Genética não engendre uma técnica racionalizada. Demais, sem dúvida nenhuma, o Homem é a única “raça” animal, que se preocupa em actuar sobre a evolução das outras “raças” e pode imaginar melhorar a sua.

Lisboa, 10 Setembro 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).

COITADO DO RAPAZ



Fernando Flores entregou a queixa no Los Angeles Superior Court, alegando que Spears tinha feito avanços sexuais sobre si, e que se tinha exposto completamente nua perante ele.

Flores trabalhou para Spears entre Fevereiro e Julho deste ano, e também alega que Spears teve relações sexuais à sua frente.

Bem, vamos lá ver se compreendemos Flores ― aparecer nua perante ele e ter relações sexuais com outro...

É um bocado complicado, é! E desorienta qualquer um.

Mas chamar a isso assédio... Não terá sido antes crueldade?!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

CASA PIA INTOXICAÇÃO PRECOCE

As manobras de diversão e de intoxicação no processo Casa Pia, visando inocentar os então arguidos e agora condenados em primeira instância como pedófilos, remontam ao início das investigações SE BEM SE LEMBRAM.

A MINHA ESCOLHA

Carlos Queiroz já está arrumado. Pronto! Agora fala-se em Paulo Bento para seleccionador de Portugal.

Mas esta gente não vê que para além da qualidade técnica é preciso que a pessoa tenha carisma!?

Quem escolheria Cavaco Silva para esse lugar, por exemplo? Muito pouca gente, se calhar.

Eu preferiria mil vezes Mário Soares a Cavaco como seleccionador. Soares punha lá alguém que percebesse do assunto a treinar a selecção enquanto se encarregaria das relações externas e com o público português.

Repararam ou não que apenas nove mil almas foram assistir ao último jogo de Portugal em Guimarães?

Com Paulo Bento, como agora se palpita, será a mesma coisa.

Se calhar a melhor solução é convidar o cão de Mourinho; já deve perceber muito de futebol, motivação e promoção de empatia do que todos os proto-candidatos perfilados nos últimos dias.

ALVÍSSARAS


Alguém sabe do paradeiro deste famigerado emplastro?


[Da série Malhas que os Tachos Tecem]

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

SOCIOLOGIA DAS "RENTRÉES"

OK, já passou, eu sei. Mas não se entristeçam tanto, caramba!

As férias são mesmo assim ― momentos ansiosamente aguardados e que uma vez vividos (sabe-se lá, às vezes, com que sacrifícios) passam maioritariamente a saber a crepes de papelão sem sabor nenhum.

O pior ainda é o regresso à “vidinha”: à casinha, às contas de cabeça aos créditos, à rotina doméstica e do trabalho, à porcaria do Inverno que está aí está à porta, a esta mediocridade social em que só se pensa no consumo, ao bafio do quarto onde não se pode curtir a insónia com uma boa leitura para a luz não incomodar a cara-metade que jaz ao lado, e aos desabafos tipo “olha p’ra isto! P’ra quê fui eu arranjar este trambolho para pôr na cama!?... etc....

― Olhem, tenham fé é no “etc.” Vão por mim!...

Querem uma dica salvífica?

CABO VERDE, por exemplo.

Lá há muito calor, muito sol, muito mar e muita afabilidade e amizade na vida social.

Em Cabo Verde VIVE-SE. Sabiam?...

Então de que é que estão à espera???

BOM DIA!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

MUHAMMAD ALI O ARTISTA

1960

Aquele swing permanente; aquele trabalho constante e perturbador com a esquerda; aqueles bloqueios de combate na hora certa ― e aquela direita mortífera!... Tudo isto ia ser aprimorado ao longo do tempo e utilizado com imensa inteligência e eficácia até ao último combate disputado. Mas nesta altura Ali somara mais dois pormenores preciosos, pessoalíssimos (até hoje inimitados), ao seu arsenal de combate: primeiro, combater em retirada quase constante, cansando assim o adversário, e fazendo inesperadamente bruscos retornos desferindo autênticas saraivadas de punhos sobre o seu rival; e segundo, e com o mesmo objectivo, encostar-se às cordas, afastar a cabeça do alcance do adversário e receber os ataques deste nos seus compridos membros superiores com que se protegia quase totalmente, descansando e esperando que o contrário sucedesse ao rival. Um primor.

Veja agora mais um vídeo deste grande, grande senhor que merece todas as honras de que tem sido alvo. E compare estes dois combates aqui mostrados, separados no tempo por 14 anos, e veja como Ali aprimorou as suas características essenciais mantendo-as todas ao longo do tempo ― o mesmo swing (repare bem), a mesma esquerda, etc. ― a suprema inteligência e clarividência durante todo o combate.

1974

Ali marcou o desporto mundial para sempre. É ainda hoje O Rei, o rei dos desportistas de todas as modalidades ― bonito, elegante, inteligente, carismático e bem-humorado; activista político pela causa dos negros nos Estados Unidos e objector de consciência e opositor da guerra do Vietname ― Muhammad Ali é uma lenda viva que apaixonou milhões de pessoas por este mundo fora e se projectou no tempo de forma impressionante.

Para além de artista, Ali é UMA VERDADEIRA OBRA DE ARTE.

Nota: No domínio da luta pelos direitos humanos e pela liberdade, tenho tês heróis da minha juventude na memória: Muhammad Ali, Che Guevara e Amílcar Cabral.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

GESTALT

Ferreira Dinis
O mais calmo e o mais equilibrado dos condenados no processo Casa Pia. A profissão deu-lhe os conhecimentos e a experiência suficientes para encarar a prisão como um acontecimento de certa forma natural na vida de um homem; sabe que também se vive na prisão; que a prisão não é nenhum inferno nos dias de hoje; e que a vida numa prisão pode muito bem ser uma oportunidade de regeneração.

Manuel Abrantes
O mais revoltado. Ficou com a vida familiar e social destruídas. Sabe que com a condenação, a família e os amigos não engolirão a sua história. Não está minimamente preparado para ser preso. Necessita de apoio psicológico imediato.

Hugo Marçal
Sabia que poderia ser condenado. Está preparado para a prisão e tem a percepção, quase a certeza, de que a maioria das pessoas não acredita na sua história.

Carlos Cruz (com Sá Fernandes ao lado)
Está profundamente desiludido. Foi aquele que mais acreditou (talvez o único a acreditar mesmo) na sua própria história agora destruída pela condenação a 7 anos de prisão. Não esperava, de todo, este desfecho. Esperava ser ilibado ou apanhar pena suspensa. E juntamente com Sá Fernandes estaria preparado para dar uma conferência de imprensa triunfal em caso de absolvição anunciando um processo com pedido de milhões de indemnização ao Estado. Sonhou com esse dinheiro fictício e contava com ele. Foi o mais rude golpe da sua vida. Ainda “estrebucha”, mas no seu íntimo sabe que está derrotado.

Jorge Ritto
Preparadíssimo para a prisão. Consciente da realidade das coisas até já sabe o que fará depois de sair, se tiver que cumprir pena de prisão.

Carlos Silvino
Não vi uma única imagem sua nem ouvi-o pronunciar uma única palavra pelo que não posso psicologar sobre ele.

Adenda (9:46AM, de 8/9/2010): Tanto quanto me parece como cidadão comum, ao serem condenados pelo tribunal, os ex-arguidos passaram a ser pedófilos criminosos. É preciso dizer isto sem qualquer ambiguidade.

GANDA LATA! SUMA PORNOGRAFIA!

Correia de Campos, o maior coveiro conhecido do Serviço Nacional de Saúde, terá declarado, sem ruborescer ou perder o controlo dos esfíncteres, numa reunião de subscritores de um manifesto “em defesa do SNS:


Foi Correia de Campos, enquanto ministro da saúde do PS, quem mais contribuiu para o estado calamitoso em que se encontra actualmente o SNS; foi ele que criou as condições necessárias para “obrigar” os médicos a abandonar o SNS e integrarem os quadros dos hospitais privados.

Por fim, mal deixou o governo, foi logo integrar, na CGD, os órgãos de gestão da saúde do grupo HPP que explora hospitais privados.

Agora, pelos vistos, está a “trabalhar” para que o Estado fique com a parte deficitária da Saúde e permita aos privados ficar com a parte lucrativa.

Haja vergonha!

― E ainda há quem vá nestas conversas de vendilhões de feira!...