sábado, 11 de setembro de 2010

A ORIGEM DA VIDA

Ao longo do tempo têm sido identificados aminoácidos nas amostras de meteoritos que caíram na Terra. Os aminoácidos são o princípio da vida tal como a conhecemos. Até agora o Homem só produziu em laboratório meia dúzia de aminoácidos bastante primitivos.

«De qualquer forma, o verdadeiro problema não é criar aminoácidos. O problema são as proteínas.»

«As proteínas são aquilo que se obtém ao encadear aminoácidos, mas são precisos muitos aminoácidos. Ninguém tem bem a certeza, mas deve haver cerca de um milhão de tipos diferentes de proteínas no corpo humano, e cada um deles é um pequeno milagre. Segundo todas as leis das probabilidades, as proteínas nem sequer deviam existir. Para fazer uma proteína é preciso juntar aminoácidos (a que, segundo uma longa tradição, sou obrigado a referir-me aqui como "blocos de construção da vida") numa determinada ordem, da mesma ma­neira que se juntam letras de uma certa forma para criar uma palavra.»

«O pro­blema é que as letras no alfabeto dos aminoácidos são normalmente muito longas. Para soletrar colagénio, o nome de uma proteína comum, precisamos de nove letras dispostas na ordem certa, mas para fazer colagénio precisamos de or­denar 1055 aminoácidos numa sequência absolutamente rigorosa. Mas — e este é um ponto óbvio mas crucial — não o podemos fazer. Ele faz-se a si próprio, es­pontaneamente, sem instruções, e é aqui que surgem as improbabilidades.»

«As probabilidades de uma molécula com uma sequência de 1055 como o colagénio se formar espontaneamente são, na verdade, zero. É simplesmente impossível que aconteça.»

«Resumindo, as proteínas são entidades complexas. Que acontecimentos fortuitos venham a produzir uma só proteína parece uma total improbabilidade — como um pé-de-vento que passasse por um ferro velho e dei­xasse montado atrás de si um avião Jumbo, para usar a colorida imagem sugerida pelo astrónomo Fred Hoyle.»

«E, contudo, estamos a falar de várias centenas de milhar de tipos de proteí­nas, talvez um milhão, cada uma única em si própria, e, tanto quanto sabemos, vital para manter um indivíduo são e feliz. E é daí que tudo parte. Para ser útil, uma proteína precisa não só de reunir aminoácidos na sequência certa, como também de se lançar numa espécie de origami químico, dobrando-se a articulan­do-se numa forma muito específica. Mas mesmo depois de conseguir esta complexidade estrutural, uma proteína de nada serve se não se conseguir copiar a si própria, e o facto é que não consegue. Para isso é preciso o ADN. O ADN é um mágico da replicação — pode fazer uma cópia de si mesmo em segundos — mas não pode fazer praticamente mais nada. Portanto, temos aqui uma situ­ação paradoxal. As proteínas não podem existir sem ADN, e o ADN não ser­ve para nada sem as proteínas. Devemos então concluir que eles aparecem simultaneamente com o objectivo de se apoiarem mutuamente? Se assim é, é espantoso!»

As bactérias são a forma de vida replicável mais antiga que se conhece. Algumas bactérias têm por função decompor substâncias químicas, das quais, tanto quanto se sabe, não retiram qualquer benefício.

«Tem-se encontrado bactérias a viver em lugares e condições absolutamente improváveis, em poças de lama a ferver e em lagos de soda cáustica e de ácido sulfúrico. Uma espécie chamada Micrococcus radióphilus foi encontrado a viver alegremente nos tanques de resíduos nucleares, devorando plutónio e tudo o mais que lá encontrava.»

«A Deinococcus radiodurans é quase imune à radioactividade. Se destruirmos o respectivo ADN por radiação, os fragmentos obtidos reconstituir-se-ão imediatamente como os membros irrequietos de um morto-vivo nos filmes de terror.»

[Bill Bryson, A Short History of Nearly Everything.]

BOA TARDE!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Peça Ensaística Quadragésima Quarta, no âmbito de

Na Peugada de NOVOS RUMOS:


Ser culto es el  único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).

RaçaRacismo”:
(I)

(A)

                Se o vocábulo “racismo” é de aparecimento, relativamente recente, é, pelo facto, que só se tornou a doutrina oficial e central de movimentos e partidos políticos (designadamente, o partido nazi, na Alemanha que fez dele o centro do seu programa), após o nascimento dos regimes políticos modernos, das organizações de massa, que envidam em mobilizar ideologicamente grupos.
                Demais, ao mesmo tempo, que nasciam partidos, movimentos e associações racistas, se formavam Organizações que inscreviam o combate contra os preconceitos de “raças”, no seu programa. Sabe-se:
1)       Que em França, o famigerado “caso DREYFUS” conduziu, por tabela (melhor dito, como corolário), ao advento da Liga dos Direitos Humanos.
2)       E que, ulteriormente, após a Segunda Guerra Mundial (concretamente), na sequência da condenação dos horrores perpetrados pelo nazismo, um grande número de Instituições Internacionais e de Países passaram a estigmatizar, pública e oficialmente o “racismo” como um crime, ou seja, como uma autêntica doutrina de ódio.
3)       Eis porque, no âmbito desta dinâmica, a Carta das Nações Unidas de 1945, no seu capítulo I, indica como um dos fins primordiais da Organização, que, após a vitória sobre o totalitarismo nazi, se implante o seguinte: “Réaliser la coopération internationale en résolvant les problèmes internationaux d’ordre économique, social, intelectuel ou humanitaire, en développant et en encourageant le respect des droits de l’homme et des libertés fondamentales pour tous, sans distinctions de race, de sexe, de langue ou de réligion”.

(B)
                Todavia e antes de mais, se impõe, sublinhar a existência de um paradoxo, que merece ser descodificado. Ou seja: Os que pretendem combater o “racismo”, utilizam, necessariamente o vocábulo “raça”, enquanto, em termos gerais, pensam que este vocábulo não corresponde a uma realidade, ou seja à existência de grupos humanos, que possuem caracteres físicos ou psíquicos comuns (hereditários), grupos que se poderiam, aliás, hierarquizar consoante uma escala de valor.
                Demais, por outro, de consignar, adequadamente, que o “racismo” assenta, de facto sobre esta pretensão de atribuir a um grupo de homens (por causa de possuírem caracteres biológicos transmissíveis, de geração para geração), uma superioridade sobre outros grupos e reclamam, ipso facto, para este “grupo superior” um estatuto, direitos e vantagens (que recusam aos outros), pois que reivindicam, designadamente a condição da supremacia, como pertença exclusiva (inata) dos Arianos ou dos Brancos.

(C)
                A História do Ocidente, ao longo do seu percurso evolutivo, se encontra atravessado por dois (2) grandes modelos de “racismos”:
                --- O “Racismo”, que afirma a inferioridade dos Negros e escora uma forma de dominação radical: a escravatura.
                --- O Anti-semitismo, que, se apoiando na tradição cristã, considera os Judeus como “pérfidos” (os suspeita), os afasta e vai até ao ponto de os considerar como sub homens, que, por isso mesmo, devem ser destruídos.
                Enfim e, em suma: O Ocidente organizou as cruzadas contra os muçulmanos, no momento fundador, não sem resultados, em paga (leia-se, outrossim, como recompensa e compensação). Porém, o que é facto é que, efectivamente existe uma “epidemia” de “racismos”, como o “racismo” dos conquistadores do Novo Mundo, relativamente aos Índios, ou o “racismo” dos Gregos da Antiguidade, que se pretendiam superiores aos “Bárbaros”. Tem-se a haver, em PLATÂO (329-347 a. C.), por exemplo, num discurso dissemelhante do que o do “racismo” moderno, em que “raça” se apoia na Zoologia ou na Psiquiatria.

(II)
(1)        Por seu turno, o vocábulo/lexema “raça” encerra, um leque de significações, que variam, visto que, quer o vocábulo (em si e de per si), quer a organização do campo lexical mudam de uma língua para outra.
(2)        Todavia, sejam quais forem as variações de sentido, o termo implica a Ideia de um grupo que possui um fundo biológico comum. Eis porque, deste modo, se fala:
a.        Dos reis da primeira “raça”, o que significa, muito simplesmente, a primeira das famílias reais, cronologicamente (estamos ante a utilização do termo por MONTAIGNE ou por MONTESQUIEU, concretamente, este último, na sua obra: De l’esprit des lois, que fala das leis da primeira, segunda ou terceira “raça”).
b.        Identicamente, se emprega “raça” para os animais que pertencem a um mesmo grupo, sendo o critério, ordinariamente assumido, assentando-se, na ideia que os, que são da mesma “raça” são os animais que se reproduzem entre si.
c.        Porém, por vezes, se denomina “espécie” o grupo (na acepção mais lata) e “raça” (por seu turno), um grupo de animais, que possuem caracteres, que os permitem identificar entre si, como um grupo de semelhantes.

De anotar, aliás, que certos cruzamentos parecem originar animais de menos boa qualidade, conquanto “de raça” signifique, de uma “raça” pura, ou seja, que não conheceu mistura alguma.
De consignar, por outro, que, do ponto de vista da Genética e da História natural, cujo o objectivo assenta no estudo da Evolução das espécies tal qual foi proposto pelo Naturalista inglês, CHARLES DARWIN (1809-1882), a noção de “raça pura”não tem grande sentido, visto que os seres vivos são, sempre os produtos da Evolução de seres vivos anteriores: A girafa tem antepassados que não eram girafas, os Homens descendem de uma (ou de várias) espécie (s), que não eram homens e os povos civilizados têm por avoengos grupos humanos, que não o eram, sublinha, avisadamente o autor da relevante Obra, que é, efectivamente, “Da Origem das espécies”, que apareceu no já longínquo Ano de 1859, cujo Título original, em inglês é: THE ORIGIN OF SPECES BY MEANS OF NATURAL SELECTION.

(3)        As interrogações sobre a etimologia do vocábulo “raça”mostram, assaz bem a ancoragem da noção, na Zoologia. Vejamos então:
a.        O vocábulo português “raça”, etimologicamente é oriundo do Italiano (razza: conjunto de indivíduos de uma espécie animal ou vegetal, com características constantes e com competência para serem transmitidas aos descendentes). No entanto, tradicionalmente o lexema, ora é considerado oriundo do Latim (generatio, õnis: “geração”), com aférese, ora proveniente do Latim (ratio, õnis: natureza, motivo, causa, etc.). No século XX passado foi levantada a hipótese de o vocábulo derivar do francês antigo (haraz, século XII), francês (haras): estabelecimento destinado à reprodução do cavalo.
b.        Por sua vez, o vocábulo francês (race), provem (parece) do Italiano (razza). Por vezes, o termo é remetido ao lexema latino (radix), que quer dizer (“racine”: “raiz”), ou bem a um outro vocábulo latino (“ratio”), que quer dizer (“raison”: razão), como princípio de classificação.
c.        De referir, no entanto, que, uma outra etimologia foi proposta que não vincula “race” e razza a um vocábulo latino, todavia, a um termo de origem escandinava, que se encontra no francês medieval e que se emprega sempre em francês moderno: (“haras”), isto é, como uma expressão, que se refere a rebanho de garanhões (animais de cobrição) e de jumentos, destinado à reprodução e à melhoria das qualidades dos animais.
d.        Finalmente, de feito, a actividade de selecção, tendo em vista, o aperfeiçoamento das espécies vivas é um dos aspectos fundamentais da domesticação dos animais pelo homem, muito antes que a Genética não engendre uma técnica racionalizada. Demais, sem dúvida nenhuma, o Homem é a única “raça” animal, que se preocupa em actuar sobre a evolução das outras “raças” e pode imaginar melhorar a sua.

Lisboa, 10 Setembro 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).

COITADO DO RAPAZ



Fernando Flores entregou a queixa no Los Angeles Superior Court, alegando que Spears tinha feito avanços sexuais sobre si, e que se tinha exposto completamente nua perante ele.

Flores trabalhou para Spears entre Fevereiro e Julho deste ano, e também alega que Spears teve relações sexuais à sua frente.

Bem, vamos lá ver se compreendemos Flores ― aparecer nua perante ele e ter relações sexuais com outro...

É um bocado complicado, é! E desorienta qualquer um.

Mas chamar a isso assédio... Não terá sido antes crueldade?!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

CASA PIA INTOXICAÇÃO PRECOCE

As manobras de diversão e de intoxicação no processo Casa Pia, visando inocentar os então arguidos e agora condenados em primeira instância como pedófilos, remontam ao início das investigações SE BEM SE LEMBRAM.

A MINHA ESCOLHA

Carlos Queiroz já está arrumado. Pronto! Agora fala-se em Paulo Bento para seleccionador de Portugal.

Mas esta gente não vê que para além da qualidade técnica é preciso que a pessoa tenha carisma!?

Quem escolheria Cavaco Silva para esse lugar, por exemplo? Muito pouca gente, se calhar.

Eu preferiria mil vezes Mário Soares a Cavaco como seleccionador. Soares punha lá alguém que percebesse do assunto a treinar a selecção enquanto se encarregaria das relações externas e com o público português.

Repararam ou não que apenas nove mil almas foram assistir ao último jogo de Portugal em Guimarães?

Com Paulo Bento, como agora se palpita, será a mesma coisa.

Se calhar a melhor solução é convidar o cão de Mourinho; já deve perceber muito de futebol, motivação e promoção de empatia do que todos os proto-candidatos perfilados nos últimos dias.

ALVÍSSARAS


Alguém sabe do paradeiro deste famigerado emplastro?


[Da série Malhas que os Tachos Tecem]

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

SOCIOLOGIA DAS "RENTRÉES"

OK, já passou, eu sei. Mas não se entristeçam tanto, caramba!

As férias são mesmo assim ― momentos ansiosamente aguardados e que uma vez vividos (sabe-se lá, às vezes, com que sacrifícios) passam maioritariamente a saber a crepes de papelão sem sabor nenhum.

O pior ainda é o regresso à “vidinha”: à casinha, às contas de cabeça aos créditos, à rotina doméstica e do trabalho, à porcaria do Inverno que está aí está à porta, a esta mediocridade social em que só se pensa no consumo, ao bafio do quarto onde não se pode curtir a insónia com uma boa leitura para a luz não incomodar a cara-metade que jaz ao lado, e aos desabafos tipo “olha p’ra isto! P’ra quê fui eu arranjar este trambolho para pôr na cama!?... etc....

― Olhem, tenham fé é no “etc.” Vão por mim!...

Querem uma dica salvífica?

CABO VERDE, por exemplo.

Lá há muito calor, muito sol, muito mar e muita afabilidade e amizade na vida social.

Em Cabo Verde VIVE-SE. Sabiam?...

Então de que é que estão à espera???

BOM DIA!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

MUHAMMAD ALI O ARTISTA

1960

Aquele swing permanente; aquele trabalho constante e perturbador com a esquerda; aqueles bloqueios de combate na hora certa ― e aquela direita mortífera!... Tudo isto ia ser aprimorado ao longo do tempo e utilizado com imensa inteligência e eficácia até ao último combate disputado. Mas nesta altura Ali somara mais dois pormenores preciosos, pessoalíssimos (até hoje inimitados), ao seu arsenal de combate: primeiro, combater em retirada quase constante, cansando assim o adversário, e fazendo inesperadamente bruscos retornos desferindo autênticas saraivadas de punhos sobre o seu rival; e segundo, e com o mesmo objectivo, encostar-se às cordas, afastar a cabeça do alcance do adversário e receber os ataques deste nos seus compridos membros superiores com que se protegia quase totalmente, descansando e esperando que o contrário sucedesse ao rival. Um primor.

Veja agora mais um vídeo deste grande, grande senhor que merece todas as honras de que tem sido alvo. E compare estes dois combates aqui mostrados, separados no tempo por 14 anos, e veja como Ali aprimorou as suas características essenciais mantendo-as todas ao longo do tempo ― o mesmo swing (repare bem), a mesma esquerda, etc. ― a suprema inteligência e clarividência durante todo o combate.

1974

Ali marcou o desporto mundial para sempre. É ainda hoje O Rei, o rei dos desportistas de todas as modalidades ― bonito, elegante, inteligente, carismático e bem-humorado; activista político pela causa dos negros nos Estados Unidos e objector de consciência e opositor da guerra do Vietname ― Muhammad Ali é uma lenda viva que apaixonou milhões de pessoas por este mundo fora e se projectou no tempo de forma impressionante.

Para além de artista, Ali é UMA VERDADEIRA OBRA DE ARTE.

Nota: No domínio da luta pelos direitos humanos e pela liberdade, tenho tês heróis da minha juventude na memória: Muhammad Ali, Che Guevara e Amílcar Cabral.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

GESTALT

Ferreira Dinis
O mais calmo e o mais equilibrado dos condenados no processo Casa Pia. A profissão deu-lhe os conhecimentos e a experiência suficientes para encarar a prisão como um acontecimento de certa forma natural na vida de um homem; sabe que também se vive na prisão; que a prisão não é nenhum inferno nos dias de hoje; e que a vida numa prisão pode muito bem ser uma oportunidade de regeneração.

Manuel Abrantes
O mais revoltado. Ficou com a vida familiar e social destruídas. Sabe que com a condenação, a família e os amigos não engolirão a sua história. Não está minimamente preparado para ser preso. Necessita de apoio psicológico imediato.

Hugo Marçal
Sabia que poderia ser condenado. Está preparado para a prisão e tem a percepção, quase a certeza, de que a maioria das pessoas não acredita na sua história.

Carlos Cruz (com Sá Fernandes ao lado)
Está profundamente desiludido. Foi aquele que mais acreditou (talvez o único a acreditar mesmo) na sua própria história agora destruída pela condenação a 7 anos de prisão. Não esperava, de todo, este desfecho. Esperava ser ilibado ou apanhar pena suspensa. E juntamente com Sá Fernandes estaria preparado para dar uma conferência de imprensa triunfal em caso de absolvição anunciando um processo com pedido de milhões de indemnização ao Estado. Sonhou com esse dinheiro fictício e contava com ele. Foi o mais rude golpe da sua vida. Ainda “estrebucha”, mas no seu íntimo sabe que está derrotado.

Jorge Ritto
Preparadíssimo para a prisão. Consciente da realidade das coisas até já sabe o que fará depois de sair, se tiver que cumprir pena de prisão.

Carlos Silvino
Não vi uma única imagem sua nem ouvi-o pronunciar uma única palavra pelo que não posso psicologar sobre ele.

Adenda (9:46AM, de 8/9/2010): Tanto quanto me parece como cidadão comum, ao serem condenados pelo tribunal, os ex-arguidos passaram a ser pedófilos criminosos. É preciso dizer isto sem qualquer ambiguidade.

GANDA LATA! SUMA PORNOGRAFIA!

Correia de Campos, o maior coveiro conhecido do Serviço Nacional de Saúde, terá declarado, sem ruborescer ou perder o controlo dos esfíncteres, numa reunião de subscritores de um manifesto “em defesa do SNS:


Foi Correia de Campos, enquanto ministro da saúde do PS, quem mais contribuiu para o estado calamitoso em que se encontra actualmente o SNS; foi ele que criou as condições necessárias para “obrigar” os médicos a abandonar o SNS e integrarem os quadros dos hospitais privados.

Por fim, mal deixou o governo, foi logo integrar, na CGD, os órgãos de gestão da saúde do grupo HPP que explora hospitais privados.

Agora, pelos vistos, está a “trabalhar” para que o Estado fique com a parte deficitária da Saúde e permita aos privados ficar com a parte lucrativa.

Haja vergonha!

― E ainda há quem vá nestas conversas de vendilhões de feira!...

Peça Ensaística Quadragésima Terceira, no âmbito de

Na Peugada de NOVOS RUMOS:


Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895)

Et pour cause, uma Reflexão consentânea,
Se impõe, visando a passagem do multicultural
Conflituoso à Regulação Inter-cultural, evidentemente!

TEMA:
Algumas ideais acerca de uma
Pedagogia da Comunicação Inter-cultural:


(1)             Se a Alteridade e a Identidade estão, indissolúvel e dialecticamente vinculadas, numa idêntica dinâmica, toda a démarche pedagógica, visando a redução dos obstáculos à compreensão inter-cultural deve evitar a cilada, que consiste em tentar definir ou descrever as “identidades” em presença. Não é unicamente porque já uma tal tentativa, num plano científico, seria um autêntico repto, evidentemente. Sim, efectivamente, uma tal démarche corre, sobretudo o risco de se encerrar nas redes de uma conexão imaginária (o que não significa, por essa razão, que ele não releva de uma certa “realidade”), em que o elóquio sobre a alteridade é esperado como escoramento de uma identidade que necessitou se confrontar com um Outro mais modelado que ele é, ela mesma, incerta e vacilante. O risco do discurso sobre o Outro é o de produzir do “diferente” para afirmar do “idêntico”…
(2)             É neste ponto, que se pode observar os efeitos perversos de um determinado discurso anti-racista ou multicultural que, sem preocupação de valorizar ou defender as “diferenças étnicas” (ou seja: pelo que respeita a identidade postulada dos outros) é, frequentemente levado a os reificar, senão a os fetichizar.
(3)             Menosprezando o processo de determinação recíproca entre a identidade dos uns e a alteridade dos outros, um tal discurso possui, amiúde um efeito contrário ao que era procurado: Uma crispação identificadora acrescida entre os dos quais se espera mais tolerância e de abertura ao Outro. Demais, para dizer a verdade, o discurso anti-racista seduz, na mesma lógica que a do racismo, (a lógica do essencialismo), que leva a naturalizar os fenómenos sociais ou culturais.
(4)             Eis porque, outrossim, uma Pedagogia da Comunicação Inter-cultural não pode (e, nem deve, aliás) se reduzir a um mero cotejo das culturas em contacto, por conseguinte, das incompreensões diversas susceptíveis de ser provocadas por certas variáveis culturais em presença. Ela deve, antes de tudo, se envidar a analisar os processos de construção identificadora, ou o que vai dar ao mesmo, de produção das diferenças.
(5)             Com efeito, como se observa assiduamente, a entidade “cabo-verdianos” ou “os imigrados” só afirma de uma entidade “Nós, os portugueses”. É bem esta homogeneidade que se deve estudar e demolir, obviamente, escudando nos vários trabalhos de Psicologia Social, que o tem demonstrado (à exaustão). Ou seja: A acentuação das semelhanças intra-categoriais acompanha a diferenciação inter-categorial e alimenta a discriminação entre grupos.
(6)             Evidentemente, ao invés, a atenuação da homogeneização dos membros de um grupo se torna menos fluente a diferenciação entre grupos. Por conseguinte, se tornando menos homogénea a percepção de um grupo, a discriminação a seu respeito, se torna mais difícil. Um tal trabalho de desconstrução leva a fazer emergir toda a diversidade e todas as contradições que sub assumem as representações identificadoras. Visa à transferir as diferenças, a maior parte do tempo colocadas como fronteiras rígidas entre grupos constituídos (“os portugueses”, por um lado, os “imigrantes”, do outro, por exemplo), para as tornar fluidas, contingentes, transversais aos grupos a que dizem respeito.
(7)             Deste modo e, no âmbito de uma tal démarche que mobiliza, simultaneamente a História, a Psicologia social e a Antropologia, a Cultura já não deve ser apreendida como produto, sim, efectivamente, como processo (obviamente). Eis porque, ipso facto, neste caso, o objectivo pedagógico é menos de definir as culturas em presença (o que, aliás, em todo estado de causa, só pode conduzir à formação de novos estereótipos), que, por seu turno, pode levar à uma melhor compreensão dos processos de elaboração e de transformação das identidades culturais.
(8)             De feito et pour cause, do registo das “essências” ou das “identidades” o acento, se movimenta, deste modo, sobre os mecanismos e processos identificadores, o que coage a se desfazer dos postulados de homogeneidade, de coerência ou de imobilidade, que afectam ainda, demasiado frequentemente, as noções de “identidade”, de “cultura” como, outrossim de “diferença”.
(9)             De sublinhar, com ênfase, que uma Pedagogia da Comunicação Inter-cultural deve, identicamente considerar que as “relações inter-culturais” (sob pena, salvo de sucumbir às abstracções assépticas) recobrem situações concretas de contacto entre grupos ou indivíduos concretos, num contesto histórico-social determinado. Eis porque, a comunicação que se engendra, no âmbito destas situações precisas obedece, identicamente ao contexto da situação e à dinâmica da interacção gerada como aos caracteres das partes em presença (“as culturas” dos interlocutores, por exemplo).
(10)          Donde e daí, baseando-se, nos ensinamentos, oriundos da sócio-linguística, fruto de investigações idóneas (sublinhados, avisadamente) e, outrossim da Etnografia da Comunicação, se afigura, quão necessário estar, neste caso, em concreto, atento à complexidade das práticas culturais e da Linguagem dos indivíduos que afinam estrategicamente os seus códigos e as suas condutas em função das situações e das intenções de Comunicação, o que, de algum modo (por assim dizer) se assume, assaz revelador de uma determinada “poli Identidade”.
(11)          Trata-se, neste sentido, se desembaraçar do postulado da unicidade da Língua e da Cultura (o que equivale “pensar a variação como um fenómeno central da Língua e da Cultura, universal, no plano individual como, no plano colectivo”). Uma tal perspectiva permite, então avaliar toda a criatividade, todas as capacidades de adaptação das quais revelam os imigrantes, que se traduzem por toda uma gama de tácticas e modos de reutilizar para fins próximos da ordem imposta. Todavia, a adaptação não pode ser, simplesmente percebida como uma mera concatenação de condutas passivas, num quadro de constrangimentos, facto que sugere, aliás, a noção “de assimilação”. Identicamente, as tentativas ou mudanças que ela provoca não podem ser, simplesmente consideradas como alienação ou degradação de uma “Cultura original”, demasiado frequentemente, condensada em sistema coerente e estável.
(12)          Atentemos, de modo adequado, no conteúdo de verdade desta lúcida orientação da lavra de MICHEL de CERTEAU (1925-1986), um jesuíta e erudito francês (que harmonizou nas suas obras, psicologia, filosofia e Ciências sociais). Seja: “Tout groupe vit de compromis qu’il invente et de contradictions qu’il gère (jusqu’à des seuils au-delà desquels il ne peut plus les assumer). C’est déjà le tenir pour mort que l’identifier à un tout homogène et stable ».

E, em jeito de REMATE :
--Esta mobilidade e estas capacidades de adaptação dos Imigrantes para inflectir (mudando de curso) as visões dominantes, frequentemente negativas ou miserabilistas da Imigração, merecem, ser relevadas, de modo consentâneo, visto que os Imigrantes desempenham, neste sentido, um papel de verdadeiros percursores. Com efeito, o encontro/reencontro inter-cultural se desenrola, presentemente, no âmbito de uma Sociedade heterogénea, múltipla, compósita e assumidamente, num contexto “de hibridação generalizada” gerada (e formada), designadamente por uma Tecnologia comercial, industrial ou mediática.
--Finalmente, de sublinhar, que a mundialização da economia, as modificações rápidas do nosso ambiente, as mudanças tecnológicas e o desenvolvimento da “Sociedade mediática” vão exigir de cada um de entre nós, capacidades acrescidas de mobilidade e de adaptabilidade. Identicamente, na “Sociedade Mundo” do Porvir, as misturas das populações (outrossim, aliás, de mercadorias e homens como valores e sinais culturais) só podem acelerar e se desenvolver mais.
-- Enfim e, em suma: De feito, no âmbito de uma tal perspectiva, a aprendizagem das conexões inter-culturais não obedece unicamente à preocupação de uma “gestão” menos conflituosa das relações entre portugueses e imigrantes (concretamente). Eis porque, antes de tudo, a aprendizagem de uma sociabilidade, se torna (mais que nunca), quão conveniente e, assaz necessária para o desenvolvimento de uma Sociedade plural.

Lisboa, 04 Setembro 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).