domingo, 5 de setembro de 2010
AUTÊNTICAS INSANIDADES
Muito sinceramente!... Você já alguma vez ouviu dizer ou leu maior patetice do que esta?!
"Aqueles que utilizam os benefícios fiscais recorrem tanto mais a esses benefícios quanto maior o rendimento que possuem. É sem dúvida uma injustiça do nosso sistema fiscal que o PS quer legitimamente corrigir".
Sinceramente, mais uma vez! Este indivíduo não pára de tomar os outros por parvos porquê?! Porque está convencido que os outros são mesmo parvos, ou porque sabendo-os normais os quer ofender na sua dignidade?!
Olha que porra!
PERGUNTAS AOS CONDENADOS DO “CASO CASA PIA”
O tribunal considerou em acórdão proferido e sentenças dadas que os ex-arguidos são pedófilos ― disso não há hoje quaisquer dúvidas. Por isso os condenou, a TODOS, a penas efectivas de prisão superiores a 5 anos ―.
Depois da sentença lida alguns dos pedófilos condenados continuaram a clamar inocência e a acusar as vítimas de terem mentido ao indicá-los como abusadores sexuais de menores.
Sabendo-se, como se sabe hoje, que as perícias médico-legais confirmaram sinais e sequelas de abusos sexuais continuados nas pessoas das vítimas, pergunta-se:
Quem é que os condenados como pedófilos (que assim agem) pensam convencer de que as vítimas foram abusadas por outras pessoas que não eles? De que as vítimas resolveram, por manipulação exterior, acusar ilustres inocentes conhecidos, deixando de fora da acusação TODOS os seus verdadeiros abusadores?!
Em que conta os senhores condenados por pedofilia têm a inteligência do público a que se dirigem (legitimamente) por vários meios de comunicação?
Responda, por exemplo, Carlos Cruz que tem sido o mais falador dos condenados como pedófilos.
Mandem-me as respostas por email que eu aqui as publicarei na íntegra.
Notas:
1) Nunca, antes de lida a sentença, escrevera aqui neste blogue uma única palavra sequer sobre o “Caso Casa Pia”; e se o faço hoje é porque acredito nos tribunais e também porque sou solidário com as vítimas dos abusos sexuais.
2) Para terminar, devo chamar a atenção para o facto de a esmagadora maioria dos órgãos de comunicação social terem, até hoje, trazido este caso a debate público quase sempre na perspectiva dos arguidos (se eram ou não culpados) e nunca na perspectiva das vítimas (perguntando, por exemplo, quem eram, os abusadores).
ENTRETANTO...
Numa frase curta, à la fórmula de Einstein, Vasco Lobo Xavier resume genialmente o "Caso Casa Pia" até ao dia de ontem:
«JUÍZES DO PROCESSO CASA PIA CONDENADOS PELOS ARGUIDOS»
Peça Ensaística Quadragésima Segunda, no âmbito de
Na Peugada de NOVOS RUMOS:
“Ser culto es el único modo de ser libre”
José MARTÍ (1853-1895).
No cerne do Global Político:
Posta Terceira:
Prosseguindo, o nosso Estudo, vale a pena, abordar, mais a fundo, a questão, que se prende com Le decoupage du vivant et du civil, evidenciado (leia-se, outrossim, tornado explícito), pelo filósofo francês, MICHEL FOUCAULT (1926-1984), que desembocou no contexto histórico (que é, aliás, o nosso), conducente à questão da sobrevivência e ao seu desenrolamento, num espaço político que, se ele recorta o domínio tradicional das “relações internacionais”, o invade de todos os lados. Este espaço se identificou, insinuando, de algum modo (por assim dizer), a angústia antropológica face às ameaças de todo género (do terrorismo à vulnerabilidade ecológica do Planeta), enquanto a forma Estado nação não estivesse habilitado para dar resposta satisfatória à questão dos Direitos Humanos.
No fundo, no fundo, “o mal não surge do exterior, não é o fruto de uma contaminação”. Sim, efectivamente “é o vivo, ele mesmo que trabalha para destruir as suas próprias protecções”.
Por seu turno, o filósofo francês, JACQUES DERRIDA (1930-2004), de modo crítico e avisado, associa a ideia de um espaço jurídico político internacional a um “no futuro” cuja a realização releva da “possibilidade desta coisa impossível”. Não se trata, neste caso, de meras precauções verbais! Trata-se, sim, efectivamente da vontade de elucidar a extraordinária dificuldade em não poder aplainar a dimensão nova do global político, se quedando numa visão puramente institucional.
Com efeito, o global político nos projecta, num regímen de antecipação e transporta o sinal da incompletude. Demais, não pode estar circunscrito, em termos de conexão de forças, nem, outrossim, pensado como uma forma de super-estado. Ele se constrói, numa certa medida, ao lado do universo das partilhas territoriais, sem impor aos Estados e aos dispositivos clássicos da Soberania, como um poder desaprumado.
E, em jeito de Remate, de feito, sem dúvida nenhuma:
Entre o Estado nação e o Global político, existe
A mesma polaridade que entre o regímen da
Sobrevivência.
Todavia, o que é facto é que, presentemente (nos nossos dias de hoje), o Global político se encontra, numa ampla medida, na dependência das estratégias de Estados nacionais. No entanto e, por outro, como o mostra o impacto das iniciativas, que possuem característica própria e coloca sob pressão poderes, que só o domam, de modo, assaz atabalhoado.
Lisboa, 01 Setembro 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
MORREU D. TOMAZ BARBOSA SILVA NUNES
Cumpre-me dar esta notícia sobretudo aos nossos familiares no estrangeiro (Cabo Verde e Estados Unidos, principalmente), pois, D. Tomás era apreciado por todos nós com quem um dia conviveu e apreciava a família como um todo, incluindo aqueles que não conhecia. D. Tomás terá morrido pouco depois da meia noite de ontem no seu quarto e a causa da morte ainda não é conhecida.
D. Tomaz Pedro Barbosa da Silva Nunes foi titular de Elvas desde 1998 e era Bispo Auxiliar do Patriarcado de Lisboa desde essa data. No ano seguinte foi eleito secretário da Conferência Episcopal Portuguesa, cargo em que seria reconduzido em 2002. Era actualmente vigário-geral e moderador da Cúria Patriarcal, vogal da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã.
Era apontado, dentro e fora da Igreja, como um dos prováveis sucessores do actual cardeal patriarca de Lisboa, D. José da Cruz Policarpo, que dentro de seis meses atingirá a idade de 75 anos e deverá, ao abrigo das normas canónicas, escrever ao Papa a solicitar a dispensa do cargo de patriarca de Lisboa, abrindo caminho à nomeação de um novo bispo diocesano.
O corpo de D. Tomaz Barbosa estará em câmara ardente na Igreja de Fátima, em Lisboa, a partir das 17 horas, realizando-se a missa exequial amanhã às 11 horas.
Nota: Em sinal de luto, retiro temporariamente o vídeo de daggering que colocara hoje aqui mais abaixo.
E durante os próximos três dias não publicarei mais postas neste blogue.
PERGUNTO SÓ
E nisso sou insuspeito porque sempre achei que Queiroz não servia para seleccionador/treinador da selecção portuguesa ― por falhar nos jogos mais importantes, por não ter carisma algum, por não ter liderança sobre os seus comandados, por não existir empatia entre ele e o público, por não ter travão na forma como fala e com isso criar anticorpos em quase todos aqueles que circulam à volta da selecção e, pior, no público que a cada dia que passava considerava a selecção de Portugal mais a selecção de Queiroz do que outra coisa ―.
Mas a forma kafkiana (como, alias, se faz sempre em Portugal) de criar processos e julgamentos vários a Carlos Queiroz, com o intuito claríssimo, no meu entender, de o despedir sem a devida indemnização, não só é condenável como põe a nu os vários interesses que confluem e atravessam o futebol português transformando-o na organização mais nebulosa e doentia desta sociedade.
Pergunto se Queiroz não estará a pagar agora o seu apoio a Cavaco Silva e ao PSD, no passado, e o seu putativo apoio a uma recandidatura de Cavaco Silva a Presidente da República.
Não nos esqueçamos que:
«Quem se mete com o PS leva».
Peça Ensaística Quadragésima Primeira, no âmbito de
Na Peugada de NOVOS RUMOS:
“Ser culto es el único modo de ser libre”
José MARTÍ (1853-1895).
No Cerne do Global Político:
Posta Segunda:
(A)
Uma coisa é certa. Na verdade, tanto os fóruns e, mais ainda, os seus equivalentes on-line são, antes de tudo, lugares de permuta de palavra. Sim, efectivamente, é este enorme mercado da palavra, que (entra, em simetria) com a potência remota e misteriosa dos mercados.
De anotar, que destas esferas, (que induzem as decisões), que governam o quotidiano, emanam, antes de tudo, cifras, resultados nítidos cujo o efeito se traduzirá, em termos de criação ou supressão de emprego, e transferências. Todavia, o grande mercado da palavra custa-lhe bastante engrenar na acção, pois que, emerge disso, posições e propostas, uma força difusa que, à diferença do período anterior, já não se encontra orientada para a instauração de um Mundo novo, de amanhãs que cantam.
Neste contexto, não é de se admirar, que as Organizações não Governamentais (ONG), “se livram a tempo de um negócio arriscado”, de um jogo, estruturalmente duplo, visto que elas estão, outrossim, à vontade, no registo da palavra, como, no realismo da acção, em que elas instauraram uma parceria construtiva entre as finanças e a economia da sobrevivência.
(B)
Não seria necessário, todavia, explicar a escalada, em força do fenómeno ONG como a resultante de uma combinação realizada, com êxito, entre a ideologia humanitária e um pragmatismo sempre, em estado de alerta, no âmbito do ruído do furor do Mundo. Identicamente, o lugar que ocupam, presentemente (nos nossos dias de hoje), algumas Instituições transnacionais, designadamente a OMC, a ONU e o FMI não depende unicamente da sua funcionalidade no sistema global.
Com efeito, se assiste, na verdade, à uma reconfiguração política, que, tanto como (não mais do que ela), implica a extinção do Estado nação (leia, outrossim, um Mundo sem soberania), não se acomoda de uma adaptação da governação, exclusivamente centrada na territorialidade.
Eis porque, os discursos tradicionalmente centrados sobre a dialéctica entre poder e Sociedade, se polarizam na mudança de escala (onde se situa o poder? Qual é o espaço pertinente? etc.) em busca de uma impossível reposição em ordem, de uma harmonia (que não se pode encontrar), onde o social recuperaria o domínio deste poder, cada vez mais e mais, remoto e misterioso, o que permitiria remediar os desequilíbrios e as desigualdades.
Estas elaborações teóricas e políticas possuem todas, como ponto comum, se situar, no âmbito de uma lógica da convivência, enquanto as práticas com as quais se têm de haver, se desenrolam no horizonte da sobrevivência. E, servindo-se, criticamente da célebre distinção da autoria e lavra do filósofo francês, Michel FOUCAULT (1926-1984), na verdade, estas práticas relevam da dimensão “pastoral” do poder pastoral e se dirigem menos aos “sujets civils” que aos “individus vivants”.
(C)
Aliás et pour cause, se pudemos falar de uma governação global, a propósito desta constelação de Instituições e Organizações transnacionais, não é nesta acepção de um reordenamento inclusivo, como de um poder, que sobreporia aos poderes existentes. Esta visão das coisas releva de uma problemática da convivência, sendo a sua realização última o Império, uma construção, que, por seu turno, releva do mesmo paradigma que o Estado dos Filósofos (forma destinada a organizar a vida, em conjunto dos Cidadãos/indivíduos).
Ora, em Sociedades, onde a ameaça constitui uma dimensão integrante do presente, muito mais (de longe), as questões relacionadas com a vida e com a sobrevivência, doravante, se antolham, assaz fundamentais. Donde, de algum modo (por assim dizer), as ideias de equilíbrio e de ordenamento, de justiça e de direito, só assumem a sua verdadeira acepção, na perspectiva do risco e da precaução.
(D)
Demais, não é, por acaso, que a temática da durabilidade se encontra doravante, tão, profundamente intrincada no discurso e incide sobre as desigualdades e sobre as conexões entre poder e sociedade. Deste modo, quando, estimando o pavoroso desequilíbrio existente entre países ricos e países pobres, O presidente do Brasil, Lula da Silva, escreveu:
“A solidariedade com a vida deve sempre triunfar
dos mecanismos da morte. As dívidas devem ser
respeitadas, porém o pagamento não deve
significar a eutanásia do devedor. Os que detêm os
supérfluos da riqueza financeira devem ter em conta
o deficit social que aflige os três quartos da Humanidade”.
Antes de mais, vale a pena perguntar, avisadamente: Quem é o devedor para com quem? O pobre a quem o rico deu por empréstimo, mas que se afunda todos os dias mais e mais? O rico que dita a sua lei ao Mundo e aufere proveito com as desigualdades? Lembrando, uma vez mais, a questão do deficit social, o leader do Brasil só fez “revolver o ferro na ferida”. Com efeito, ao evocar um reequilíbrio necessário, uma reorganização da Sociedade, Ele se refere explicitamente à vida (a “Solidariedade com a vida”) e à morte (a necessidade de superar os “mecanismos da morte”).
Estes termos, independentemente, de serem de longe, anódinos merecem, por razões óbvias, toda a nossa atenção, pois que remetem, precisamente para a questão da sobrevivência, em nome da qual, (ele mesmo), estima, que não é possível estar vinculado às clivagens tradicionais, se excluindo do fórum de DAVOS por ser uma das figuras marcantes de Porto Alegre. Simbolicamente, os termos do discurso e a posição que dele (obviamente) resulta, nos projectam, no âmbito de uma problemática multi-dimensional (alguns dirão: um “dualismo problemático”), visto que Ele admite, explicitamente que a assunção da exigência de “solidariedade com a vida” implica uma presença acrescida nos novos recintos da Política transnacional.
Lisboa, 31 Agosto 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).
MACAQUICES
«Sou um macaco nu».
Ahhh! Então é isso!?
Julgava que era uma metáfora de Desmond Morris sobre a humanidade. Mas afinal há mesmo macacos nus, assumidos, entre nós.
Pronto, agora já percebi. Assim fica tudo explicado. E desculpado.
Venham daí mais macaquices, então!
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
ANTES ROTO QUE NU
Errado! Totalmente errado! A blogosfera não é um espaço pessoal, a blogosfera faz parte do espaço público global. Isto é tão evidente que se demonstra por si.
Errado! Totalmente errado! A blogosfera tem regras muito claras e até escritas. E mais ainda: quando se cria um blogue, o mesmo não é publicável enquanto o seu autor não aceitar expressamente, online, as regras básicas que enformam o contrato (sim, contrato) entre ele (pretenso blogger) e a empresa servidora ― não se trata apenas do sempre subjectivo bom senso e prego a fundo ―, fica tudo escrito e “assinado” preto no branco. Para além das regras básicas, há ainda as que advêm da convivência bloguística que se estabelece entre os pares.
A cache do Google não existe “porque sim”. A cache do Goggle existe precisamente para responsabilizar quem anda a escrever no espaço público e quem, como eu, anda a poluí-lo. Não só é, portanto, permitido e lícito vasculhar essa cache à procura, por exemplo, de pedras um dia atiradas a telhados vizinhos, bem como das mãos escondidas que as atiraram; é permitido e lícito (e até obrigatório ― diria eu―) ir àquela cache recuperar auto retratos que permitam confrontar alguém com a falsa figura que um dia assumiu para ofender levianamente os outros sem nunca ter tido sequer o bom senso de se desculpar das ofensas escritas. Dizer à pessoa: vieste e enxovalhaste o roto reivindicando vestires sempre o melhor fato do mundo quando na verdade afinal estás e vives ainda tão nu como no dia em que nasceste.
Não te vás embora, deixa ficar aqui a tua fotografia para que todos te possam conhecer e compreender o porquê e o como do que escreves.
Peça Ensaística Quadragésima, no âmbito de
Na Peugada de NOVOS RUMOS:
“Ser culto es el único modo de ser libre”
José MARTÍ (1853-1895)
O poder político é sempre uma TEATROCRACIA.
É o poder, que se exerce, com uma caracterização
Dramática. Qualquer regímen político é uma
TEATROCRACIA,
Em busca de legitimação.
Qualquer poder que se exerça através da força
É assaz débil, visto que dispensa a legitimação,
Dispensa, outrossim ser reconhecido pelos dominados.
No cerne do Global Político:
Posta Primeira:
(I) É de facto verdade, que se identifica uma clivagem entre os movimentos que, como ATTAC (recusam a Organização Mundial do Comércio (OMC), enquanto portadora de hegemonia neo-liberal) e as Organizações não governamentais (ONG) (que pretendem participar no processo de Regulação). Por seu turno, os ALTERMUNDIALISTAS radicais, se pretendem, sem concessão, no que diz respeito ao Sistema Mundial, que querem deitar abaixo e, não só, optaram pela ruptura, como se assumem os advogados, nos grandes Fóruns internacionais.
(II) É o que explica, em princípio, a fractura, que existe, no seio de um movimento de recrutamento heterogéneo e, entre o qual, encontram a expressão, aquando dos relevantes eventos, que reúnem, regularmente, aos níveis europeu e planetário, os altermundialistas auto-proclamados. Notar-se-á, aliás, que as linhas de clivagem, não são, sempre muito nítidas.
(III) Donde subsiste, que mesmo as grandes ONG que (participam, plenamente no Sistema das Relações Internacionais) lideram, paralelamente campanhas, violentamente contestatárias. Pôde-se os acusar de jogar com um pau de dois bicos, cultivando, simultaneamente a contestação e a negociação!
(IV) Todavia, uma tal durabilidade não é consubstancial a este tipo de organização? E, sobretudo, não se vê se desenhar um modo de Governação Mundial, que tende a integrar os opositores, numa dinâmica mais ampla? É, aliás, esta, a Tese do sociólogo alemão (docente, na Universidade de Munique e na London School of Economics), o professor, ULRICH BECK (n-1944), segundo a qual: “a era cosmopolita” em que nos encontramos insertos se caracteriza por “um regímen de inimigos sem inimigos” que integra os governantes e os contestatários. Vê-lo-emos, deste modo, finalmente se unir sobre temas, em que tudo parecia os opor, designadamente, no caso da dívida dos países mais pobres, identicamente, muitos dirigentes reconhecem o interesse da taxa TOBIN.
(V) Donde, se afigura, assaz pertinente, questionar, se as ONG não seriam elas, então, mais nada que “a consciência superior dos governos”? Em todo o caso, os vínculos/elos que se tecem entre as firmas e as organizações não governamentais estão presentes para atestar deste novo dado: Coca-Cola ajuda o Socorro popular, CARREFOUR escora a Federação internacional dos Direitos Humanos, HAVAS contribui para as acções de CARE.
(VI) Como se pode ver, o que se desenha (no horizonte dos Eventos) é um jogo mais complexo em que os parceiros da Governação Mundial, já não são, os únicos Estados e organizações internacionais (oriundos dos desideratos governamentais), sim, onde, doravante, passaram a ter entrada as “autoridades privadas”, morais e económicas, ONG e empresas. Um jogo em que a arma da mobilização colectiva, robustamente mediatizada é elevada a um lugar eminente e, em que a prática das parcerias e da negociação, se assume, assaz real e efectiva.
(VII) No âmbito desta dinâmica, se antolha, quão significativo verificar (e, atentar, ipso facto) na forma como evoluiu o frente a frente, que pôs em espectáculo, a realização, quase simultaneamente, dos fóruns de DAVOS e de Porto Alegre (Brasil). Ou seja:
a. O primeiro (o de DAVOS) reúne as elites dirigentes da economia Mundial, enquanto o segundo (o de Porto Alegre), foi criado para fazer ouvir a voz dos excluídos.
b. Vejamos, então, mais, em pormenor:
i. No ano de 2005, foi o Presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva (fundador do Partido do Trabalho) e uma das figuras emblemáticas do ALTERMUNDIALISMO, que se deslocou à DAVOS após ter discursado em Porto Alegre. Lula se explicou, deste modo: “A discussão acerca dos campos comuns possíveis entre o Fórum Social Mundial de Porto Alegre e o Fórum económico Mundial de DAVOS, que tem lugar, simultaneamente, constitui uma tarefa incluída, no âmbito desta abordagem. Não se trata de pedir às pessoas de deixar de ser o que são, mas bem de estabelecer vínculos entre comunidades unidas por um destino humano indivisível”. (Extracto do discurso do Presidente, Lula da Silva, sob o título: “Entre DAVOS e Porto Alegre, campos comuns possíveis, 2005).
(VIII) Neste contexto, se nos afigura, quão interessante e assaz elucidativo, confrontar as formulações de BECK e as análises do filósofo e político marxista, italiano, António NEGRI (n-1933) em colaboração com o seu ex-aluno, o técnico e político filósofo norte-americano, MICHAEL HARDT (n-1960), pois são sintomáticos de uma abordagem que remete, radicalmente em questão o conceito de Estado nação, fazendo certificar que quando se implanta uma entidade englobante, acontece o que o primeiro identifica como regímen cosmopolita, enquanto os segundos a denominam sob o conceito de Império.
(IX) Interessante consignar, que NEGRI e HARDT, fiéis à tradição marxista, edificam as suas esperanças nos movimentos (em profundidade) que permitirão à multidão de se afirmar, enquanto BECK se coloca, num projecto, que assegura a fusão da democracia e dos Direitos Humanos.
(X) O que é curioso é que as duas obras concluem por uma referência ao religioso. BECK fala do cosmopolitismo como de uma “religião terrestre”, de uma “ordem divina secular”, enquanto, os autores de Império evocam a imagem de São Francisco de Assis. Identicamente, fazem referência ao conceito de amor, próprio do Cristianismo e do Judaísmo, em que “o amor divino para o Humanismo e o amor humano para Deus são expressos e incarnados no projecto político comum da multidão” e concluem, afirmando da necessidade de “recuperar esta significação material e política do amor como força que se opõe à morte”.
(XI) De sublinhar, que estas duas evocações do religioso, que se pretendem, antes de tudo, racionais e analíticas, nos parecem, assaz sintomático. Quiçá, se afigure necessário reintegrá-las num contexto marcado pela dificuldade em apreender a questão do poder. Tudo se passa, de algum modo (por assim dizer) se assistíssemos a uma forma de escapadela (leia-se, outrossim, fuga a uma obrigação ou compromisso), no seio do pensamento crítico, perante uma evolução que parece, permanentemente a projectar num futuro que as suas próprias categorias só lhe permitem elucidar anormalmente. A menos, pelo contrário, que ela não se encontre, na acepção própria, ofuscada pela evidência de uma omnipresença do poder (o “poder sem sociedade”), que se auto-reproduz, sem por essa razão, dar ensejo, de algum modo, que os que se mobilizam contra esta se encontram remetidos a uma postura encantatória.
(XII) Esta situação é particularmente sensível entre os ALTERMUNDIALISTAS, herdeiros de uma retórica dominada pelos conceitos de sociedade e de Estado e que eles mesmos confessam a dificuldade que experimentam em definir uma estratégia de conjunto. Eis porque, não é de se admirar do êxito dos fóruns, este espaço onde reina a palavra, onde se conduzem discussões intermináveis acerca das transformações do Mundo, onde se vêm recarregar as baterias, se exprimir, avaliar os males do presente, perscrutar a perfídia dos tempos vindouros.
Continua:
Lisboa, 29 Agosto 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).
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