quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Peça Ensaística Trigésima Segunda, no âmbito de

Na Peugada de NOVOS RUMOS:

Ainda acerca dos comportamentos xenófobos e execráveis de SARKOZY:
Terceira parte:


Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).


(A)
                Tendo em conta, tudo quanto vimos expendendo, não temos dúvida nenhuma, que, efectivamente, a Solução mais responsável e mais honrosa para esta situação, quão estulta e aviltante, nada tem a ver com o incremento do volume da ajuda pública ao desenvolvimento (APD), nem com o apelo ao investimento directo oriundo do exterior (IDE), que se converteu no jogo preferido dos profissionais da política. Todavia, SARKOZY (que apenas jura pela ruptura) está prestes a ir aos confins da África (no lugar para onde expulsa os migrantes indesejáveis), à procura de segmentos de mercado para as grandes empresas francesas.

(B)
                Um balanço honesto dos trinta últimos anos da liberalização das economias africanas e da privatização das empresas públicas ajudará, substancial e significativamente, compreender as causas profundas dos fluxos migratórios africanos, que nada tem a ver com a pretensa pobreza do Continente Africano. Trata-se de uma forma dissimulada e subtil (e, porque não, de um mero subterfúgio), visando subtrair de uma análise, dialecticamente consequente, a situação dos Africanos, no atinente à questão de fundo, que se prende, com o tratamento discriminatório e redutor, alimentado por teses essencialistas que pretendem, que os Africanos constituem seres “à parte”.

(C)
                Entretanto, o que é facto é que, não há, de um lado, uma Europa de valores e de progresso e, do outro, uma África das trevas, infortúnios e má sorte. Esta Visão, quão redutora e preconceituosa, contribuiu para “diabolizar” os Africanos e que alguns Africanos, infelizmente têm tendência a interiorizar deleteriamente, se despedaça, num ápice, aos bocados, desde o momento, em que, com avisada clareza, se vê (com olhos de ver): os mecanismos da dominação, do empobrecimento e da exclusão. A lógica económica, que coloca a África de joelhos, segrega, obviamente, a pobreza, a precariedade e o descontentamento nos países ricos. O facto das revoltas (que incendiaram os subúrbios franceses, em Outubro 2005), tenham ocorrido, simultaneamente, que, os eventos de Ceuta e Melilla tiveram lugar, é assaz elucidativo. Esta concomitância, conquanto não tenha passado despercebida, no entanto, não foi tida em conta pelo discurso dominante (intencionalmente), visando enfraquecer a confiança e a consciência da opinião pública, dando a entender aos Franceses que os desordeiros/brigões/amotinadores se encontravam, no seu seio e, por seu turno, os invasores às suas portas. De sublinhar, demais, que os políticos e os comentadores, mais alarmistas e, ipso facto, mais virulentos, não hesitaram em falar de excesso de “explosão de entusiasmo migratório”, de “avalanche” e, mesmo de marée noire (“maré negra”), proveniente de África.

(D)
                Ceuta e Melilla, as Ilhas Canárias, Malta e Lampedusa, por um lado, os jovens dos arrabaldes e os “indocumentados”, por outro, foram apresentados e interpretados, como as duas faces de um idêntica ameaça, ou antes, de um idêntico fantasma. A gestão da Imigração consiste, desde então, em integrar os “integráveis” (imigração, integração e identidade nacional) e, em expulsar os “descartáveis”, pretendendo socorrer-lhes, no quadro do co-desenvolvimento e, impedindo, através da ajuda ao desenvolvimento, a partida (leia-se, obviamente expulsão), dos que teriam (quiçá) a intenção de emigrar. No entanto, de salientar, que esta atrelagem bamba que conduz o Ministro do Interior, do Ultramar e das Colectividades territoriais, Brice Hortefeux (n-1958), considerado o “fiel lugar-tenente” de SARKOZY (outrossim, alcunhado pela imprensa francesa de o porte-flingue”de SARKOZY), dizíamos, não será sólido, obviamente, quando se o examina à luz da mundialização.

Lisboa, 17 Agosto 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).

Peça Ensaística Trigésima Primeira, no âmbito de

Na Peugada de NOVOS RUMOS:


Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).


Acerca dos comportamentos xenófobos de SARKOZY:

Parte Segunda:

(1)        Prosseguindo, assertivamente o nosso Estudo, não há dúvida nenhuma, que, por todas estas razões, ora enunciadas e expendidas, visando demonstrar, que, realmente, não há ponto para a saída na luta, através de uma base de eficácia segura, contra a indigência da África, da corrupção, dos conflitos e da emigração, fora (e, na ausência) de uma crítica honesta e rigorosa das modalidades e das consequências da abertura ao mercado Mundial.
(2)        De feito, quer a França, quer as antigas colónias (e, para além delas, a Europa e a África) são apanhados por cinquenta (50) anos de mentiras e de hipocrisia em nome do desenvolvimento. Esta reviravolta constitui o ensejo privilegiado para se interrogar, com o rigor que a gravidade da nossa situação exige, sobre o estado real actual do nosso Continente Africano e sobre a natureza das conexões de força entre os nossos Países e os pretensos donos do Mundo, neste momento presente do neo-liberalismo, na sua assunção, a mais selvagem possível.
(3)        A despeito, do nosso diagnóstico ser, particularmente dorido, no entanto, não nos devemos corar, antes pelo contrário, pois que, não unicamente, os Africanos nada têm a esconder, como outrossim e, ainda, o racismo anti Negro é, actualmente, um evento de relevante notoriedade pública.
(4)        Donde é o momento asado para cortar o mal pela raiz! Trata-se, aliás, de uma situação, que não enaltece, nem a França e nem a Europa, que pensam e decidem pelos Africanos e, (não só), saindo enquanto for tempo (se livrando de embaraços). Sim, efectivamente, não compreenderam (?), nada (absolutamente nada) acerca dos fluxos migratórios Africanos, porque não lhes interessa ir, verdadeiramente ao cerne da questão (indo, ao âmago, do fundamental desta percuciente problemática), visando saber, de modo consentâneo, o teor da avaliação do impacto das decisões políticas macro económicas às quais elas participam e impelem os trabalhadores Africanos, todos os dias, mais e mais, para o abismo.
(5)        O filão algodoeiro africano constitui uma herança colonial, assim como, um maquinismo (leia-se, outrossim, uma autêntica mola real) da relação França África. Identicamente, a produção e a exploração de outras matérias-primas agrícolas contribuíram para a desindustrialização do Continente, para o desemprego e para a indigência do mundo rural. Donde esta pertinente interrogação:
a.       Não é confrangedor verificar que os nossos Países Africanos, se debatem, concomitantemente, nas águas turvas da cooperação bilateral com a antiga potência colonial e na das relações EU-ACP, já não são perigosas, no quadro da Europa ultraliberal?
b.       Basta, aliás, acrescentar a tudo isto, o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial (BM) e a Organização Mundial do Comércio (OMC), para compreender a estreiteza das nossas margens de manobra.
(6)        Esta terrível realidade não escapa a nenhum dirigente Africano. Todavia, são extremamente raros os países do Continente Africano, onde o jogo político se organiza, em torno, da Questão central e Vital das modalidades da abertura ao mercado. De feio:
a.       A recusa em se colar cegamente ao modelo neo-liberal, no desígnio de poder reivindicar uma opção clara, que consistiria, quer em servir de modo positivo o mercado, quer em privilegiar, sobretudo, a satisfação das necessidades vitais das populações, é algo francamente impensável. Trata-se do que se denomina, neste caso, em concreto, de um autêntico vazio político.
b.       Por seu turno, concretamente, em França, a “direita” e a “esquerda”, como, outrossim, aliás, nos demais outros países europeus, se acomodam perante este imbróglio político, quão favorável à má gestão, à corrupção e à pilhagem das riquezas do Continente Africano, sem o conhecimento (e, na ignorância respectiva) das suas populações e, em total impunidade.


Tendo em conta, a problemática do racismo anti Negro,
Se nos afigura pertinente e oportuno, apresentar alguns
Dos Ensinamentos, que nos legara o incontornável Erudito
Senegalês, Cheikh Anta DIOP (1923-1986). Ou seja:
(1)                 Para DIOP é, assaz relevante saber que o primeiro habitante da Europa era um “négröide migrateur, l’homme de Grimaldi”.
(1)                 A diferenciação racial (sublinha DIOP) “se efectuou na Europa, provavelmente na França meridional e em Espanha, no término da última glaciação Wümerienne, entre -40 000 anos e -20 000 anos”.
(2)                 Finalmente, para DIOP é manifesto que o homem de Grimaldi precede o homem de Cro-Magnon, que representa o tipo humano leucoderme. Este, por seu turno, só aparece, por volta de -20 000 anos. E, “est probablement le résultat d’une mutation du négröide grimaldien durant une existence de 20 000 ans sous ce climat excessivement froid de l’Europe de la fin de la dernière glaciation ».
E para mais informações acerca desta pertinente e actual matéria, vale a pena estudar a notável obra de DIOP: Civilisation ou barbárie, Paris, Présence africaine, 1981.
Lisboa, 16 Agosto 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).

terça-feira, 17 de agosto de 2010

BASTAVAM DOIS DEDOS DE TESTA

Raramente faço isto e peço compreensão por trazer aqui excertos de uma posta antiga de Outubro de 2005:

«O Hospital de S. Francisco Xavier (um hospital central da capital de Portugal) fez publicar, nesta última segunda-feira, nos jornais, um anúncio pedindo «médicos especialistas em Obstetrícia/Ginecologia» para trabalharem em regime de «Contrato Individual de Trabalho na modalidade de 35 horas semanais».

«Tiveram o cuidado de não dizerem quantos médicos pretendem contratar e, sobretudo, abstiveram-se de publicitar quanto pretendem pagar a cada um deles.»

«Mas, apesar disso, ou muito nos enganamos, ou esse anúncio vai ficar sem uma única resposta.»

«Longe vai o tempo em que era prestigiante para um médico pertencer ao “quadro de um Hospital Central”, ou ser, simplesmente, Interno de um desses hospitais.»

«Como poderemos constatar dentro de pouco tempo, para nossa infelicidade, a coisa vai ficar mesmo muito preta para o lado dos hospitais, no que ao número de médicos diz respeito.»

Cinco anos volvidos, cinco anos apenas, a coisa é como se sabe hoje.
*** Este texto NÃO foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico. ***

MAIS SAÚDE – E BOM DIA


«CONCURSOS EM HOSPITAIS PEQUENOS SEM CANDIDATOS»

«Como se explica que não haja um único médico a concorrer?»

Responde Pedro Nunes, bastonário da Ordem dos Médicos, ao DN:


«"Antigamente, as condições eram iguais para todo o País. Transformaram os hospitais em empresas e o mercado é para todos. Não fomos nós que inventámos o mercado. Agora que resolvam o problema. Se o concurso ficou deserto é porque não é atractivo"».

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

GESTÃO MALANDRECA OU ACIGANADA

Excertos de notícia do jornal “i” (destaques da minha autoria e responsabilidade):

«Ministério quer poupar 50 milhões de euros no Serviço Nacional de Saúde até ao final do ano

«Os hospitais estão a contratar médicos recém-especializados como prestadores de serviços, "apesar de existirem vagas para serem integrados no Sistema Nacional de Saúde (SNS)"

«"E a situação manter-se-á, segundo as administrações, até pelo menos ao final do ano"»

«A situação agrava-se com o pedido de reforma antecipada de 500 médicos, só desde o início do ano, e com a aplicação das medidas anunciadas pelo Ministério da Saúde para poupar, até Dezembro, 50 milhões de euros. "O recurso à prestação de serviços é uma engenharia financeira que permite diminuir a verba com gastos de pessoal, apesar de na prática sair mais caro, porque os pagamentos são feitos à peça e à hora"»

E agora esclareço eu como funciona essa “engenharia financeira” ― Em vez de os pagamentos engrossarem na factura a coluna “Salários”, vão para a coluna “Aquisição de serviços”. Gasta-se muito mais dinheiro, mas satisfaz-se as estatísticas e engana-se Bruxelas e os estúpidos cidadãos portugueses.

E nesta gestão socialista, que também já foi assim no tempo do PSD, continua tudo na boa-vai-ela. Até ao último suspiro socialista e do Serviço Nacional de Saúde.

Amém!
*** Este texto NÃO foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico. ***

Na Peugada de NOVOS RUMOS:

Peça Ensaística Trigésima, no âmbito de
Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895)


Acerca do comportamento de Nicolas Sarkozy em relação ao Continente Africano:

PARTE PRIMEIRA:
(I)

                O Mundo inteiro tomou nota do insulto/humilhação, que o actual Presidente francês, Nicolas Sarkozy infligiu ao Povo do nosso Continente Africano, na data de 26 Julho 2007, a Dakar (Republica do Senegal), através de um discurso “histórico”, consoante o seu conselheiro especial, Henri Guaino. Este discurso, a despeito de tudo pode servir de fio condutor para a refutação do pensamento dominante, a propósito das causas da emigração africana, o autêntico cavalo de batalha de Nicolas Sarkozy.
                Este (referindo-se, obviamente ao actual Presidente francês), visitou numerosos, outros países, após a sua passagem a Dakar, no entanto, em parte alguma, aliás, se mostrou tão arrogante e condescendente. Na Rússia, face a Poutine, o Presidente francês deveu pôr muita água no seu vinho, no atinente a Tchétchénia e outros assuntos que ofendem.

(II)
                Todavia, no âmbito da sua visita sobre as terras africanas e mediterrânicas da Líbia e de Marrocos, sabia que não tinha lições a dar. Porém, na companhia do actual Presidente Senegalês, Abdoulaye WADE, jogando com um pau de dois bicos (ou seja: ora, dizendo uma coisa, ora dizendo outra), significou, sem pestanejar, que o “problema Africano” era que os Africanos não tinham “pas assez entrés dans l’Histoire”. Eis porque, provavelmente, por este motivo, que as sucessivas leis sobre a imigração (que fez votar pela Assembleia Nacional francesa) privilegiam a triagem e a expulsão, com um tratamento, particularmente violento, quando se trata dos Africanos.

(III)
                Na verdade, os exemplos abundam e, de que maneira! Hélas! E, como ilustração do acima expendido, eis, conquanto, sem ser exaustivo, um certo número de factos que o atestam, cujos os eventos de Ceuta e de Melila, o naufrágio das embarcações de recurso e a resistência às expulsões, no aeroporto Charles de Gaulle, são assaz convincentes. Aliás, o ministro, Brice Hortefleux e os deputados do UMP que defendem o recurso aos testes ADN, no quadro do reagrupamento familiar, não escondem que esta ideia lhes veio ao espírito à partir de realidades administrativas, social e cultural da África.

                                                E, reflectindo, avisadamente e, em Voz Alta:
                                                Nada será perdoado, nem poupado aos
                                                Africanos. Cada um aí vai pelo seu emblemazinho
                                                Para se dar o sentimento de ser o melhor e de ter
                                                Razão.

(IV)
                De feito, os Africanos (em França) são estigmatizados, a propósito dos testes ADN, como acontecera, durante a última campanha Presidencial francesa. De sublinhar, que a subcontratação da violência aos países tampões, no âmbito da gestão dos fluxos migratórios Africanos, se verifica, identicamente nas missões confiadas aos franceses de origem africana. Nicolas SARKOZY mandar-lhes-á fazer, nos arrabaldes, no âmbito de franco fonia e do co-desenvolvimento o que ele estima ser justo e coerente com as suas promessas eleitorais. Chamar-lhes-á a atenção, se lhe acontece, por momentos sentir, que estão mais próximos dos imigrantes sem documentos ou dos sem-abrigo como da emenda acerca dos testes ADN. Homens e mulheres álibis ocupam, em suma postos em que podem maquiar a face hedionda de um governo que promete expulsar, isto é, humilhar 25 000 pessoas por ano, cuja uma maioria são Africanos, evidentemente.

(V)
                Sim, efectivamente, acossados, presos, rejeitados, aniquilados são
 Vítimas: da triagem, das expulsões forçadas e da obrigação de residência fixa imposta em nome da segurança da Europa. Todavia, quem dará ouvidos aos gritos e aos lamentos mudos destes “indocumentados”, compulsivamente transformados em “sem voz”?
                De feito, para a África, a História está a balbuciar, visto que pelo passado, transformados em meras mercadorias, os Africanos foram objecto de rapinas, triagens, separações e partidas forçadas. Todavia, era, então em direcção de céus donde, presentemente, podiam ser expulsos por causa da sua não rentabilidade económica.

(VI)
                Na verdade, no momento do Capitalismo globalizado, é como se os vencedores da guerra-fria tivessem empurrado a Terra toda para subir a bordo de um navio e embarcar ébrio e louco, em que os e as que são reputados pouco aptos para servir os seus interesses são internados no fundo do porão e selecionados, sendo os perdedores da selecção, arremessados à água.
                E, explicitando, um pouco melhor as nossas ideias, com efeito, temos então que:
                --- Inúteis os novos náufragos amontoados em embarcações de recurso supostos provenientes das costas africanas, rumo a terra firme da Europa. Hélas!...
                --- Invisíveis, constituindo a epidemia dos desesperados que atravessam o Inferno do Deserto.
                --- Indesejados constituem os inoportunos, que, entre os passageiros da “Air-France”, algemados pelos pulsos, são reconduzidos para os seus países de origem.
                --- Culpados/réus, os que, a bordo dos aviões ou dos navios, escutam os seus apelos de infortúnio e lhes estendem a mão.
                --- Enfim, Inaudíveis, os gritos dos que estão internados nos campos que brotam (tais cogumelos), em torno e no seio da Europa praça-forte. Oh, se pudessem, unicamente não existir!

O
OOOOO

Eis então, que o Ministério da Imigração, da Integração, da Identidade nacional e do Co-desenvolvimento (do qual a França se dotou), sabe como infligir a morte social, separando os “integráveis” dos “rejeitáveis”, sendo estes últimos reconduzidos, a bem ou a mal (quer queiram quer não), para os seus países de origem. Na verdade e, na realidade, os factos são de uma extrema gravidade e as perspectivas demasiado inquietantes. De uma ponta a outra do Continente Africano, assistimos, incomodados, todavia (quiçá), assaz “impotentes” (?) ao seguinte:
                --- A criminalização dos jovens constrangidos à emigração, na clandestinidade, pelo facto de serem oriundos de uma situação económica,
  política frequentemente desigual, visto que imposta por estes mesmos países ricos, que se protegem com barricadas. Neste particular, não há dúvida nenhuma, que o filão algodoeiro, que liga a França e as suas antigas colónias de África, assim como os acordos de parceria económica (APE), que a União europeia tenta impor aos países Africanos, ilustram, magistralmente esta situação quão estulta e assaz surrealista”.
                --- A banalização da violência, sob todas as suas formas (as mais variegadas possíveis), com particular incidência, nos pontos mais vulneráveis das nossas gentes e populações: As mulheres e os jovens, amiúde, oriundos das zonas desfavorecidas e do meio rural, constituem o alvo privilegiado. Eis porque, a sua manutenção sob constrangimento em país, onde não têm emprego para lhes oferecer, é algo de natureza conducente ao agravamento da pobreza, a destabilização dos Estados e à provocação de novos conflitos.
                --- A externalização das fronteiras da Europa e a subcontratação da violência, tanto nos países de trânsito como nos países de origem, fragiliza os equilíbrios, já precários, entre os Estados e dispõe as populações umas contra as outras.
                --- A prossecução da obstinada posição neo-liberal como resposta ao desemprego, à indigência e ao exílio, tudo isto permitirá aos ricos de se enriquecerem, cada vez mais e mais, incrementando as injustiças e as desigualdades, que desesperam os jovens e os incitam à tomar o rumo da emigração.

Lisboa, 15 Agosto 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).

domingo, 15 de agosto de 2010

TUDO COMO DANTES

QUARTEL GENERAL EM ABRANTES

O campeonato português de futebol começa e bem onde acabou o último e como toda a gente esperava:

1) O Sporting, com uma equipa de miúdos em tamanho e peso, foi perder ante a adulta equipa do Paços de Ferreira;

2) O Porto, empatado a zero, já perto do final da partida com a Naval, lá se viu beneficiado com uma grande penalidade que lhe deu a vitória;

3) E o Benfica, que a esta hora joga na Luz com a Académica e está a perder desde a primeira parte por um a zero, lá se viu beneficiado pela expulsão de um jogador da Académica, mesmo no início da segunda parte, o que é bem bom para tentar dar a volta ao resultado.

De resto, tudo bem!

Peça Ensaística Vigésima Nona, no âmbito de

Na Peugada de NOVOS RUMOS:


Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).


                Continuação da Peça Ensaística Vigésima Oitava:

(A)
                Em primeiro lugar, efectivamente, elas tendem a estender as catástrofes ecológicas, que castigaram uma grande parte da Ásia nos séculos XIX e XX (e, por conseguinte, por extensão óbvia, os problemas subjacentes de superpopulação/superpovoamento), em períodos mais recuados. Por outro, as sociedades asiáticas do século XVIII são apresentadas como chegadas ao termo de todas as possibilidades que se lhes ofereciam. Demais, em algumas versões, este estado de coisas caracteriza a totalidade de um conjunto fictício denominado: “Ásia” cerca de 1800. Ora, de consignar, avisada e assertivamente, que a Índia, a Ásia do Sudoeste e mesmo a China, em algumas das porções do seu território dispunham ainda de vastos espaços propícios para a Instalação de uma População em excesso, isento de um salto para frente tecnológico e sem baixa do nível de vida. No caso da China e do Japão, esta última o dizia respeito, sem dúvida, a algumas parcelas do território.

(B)
                Em segundo lugar, estas descrições, “internalizam” amiúde, o extraordinário prémio ecológico procurado nos Europeus pelo Novo Mundo. Algumas o foram, assimilando a expansão ultramarina à conquista “normal” das zonas “fronteiras”, no interior da Europa (como, por exemplo, o arroteamento das planícies da Hungria ou da Ucrânia, ou das florestas germânicas). Isto significa não se preocupar com a dimensão excepcional da fortuna representada pelo Novo Mundo, da não menos excepcional violência utilizada na conquista e da valorização colonial e do papel das dinâmicas de conjunto, no êxito da expansão europeia nas Américas.

(C)
                O arroteamento de novas terras agrícolas na Hungria e na Ucrânia têm o seu equivalente no SICGUAN, BENGALA e em muitas cenas do Velho Mundo. Os acontecimentos do Novo Mundo diferiam, profundamente de toda a situação europeia ou asiática. Demais, pelo facto do enorme alívio ecológico procurado na Europa fora das suas fronteiras, tanto pelo ganho de riquezas como pela exploração de colonos, estas análises se dispensam normalmente de se interrogar acerca da relativa similitude de entre a pressão ecológica e as escolhas enfrentadas por algumas regiões chaves de Europa entre os séculos XVI e XVIII e os que suportavam regiões chaves da Ásia.

(D)
                Deste modo, a Literatura que toma em conta o “declínio da Ásia” tende afazê-lo, introduzindo um contraste abusivamente simplificado entre a China, um Japão e/ou uma Índia ecologicamente de joelhos e uma Europa dotada de uma ampla margem de crescimento (uma Europa, que dá prazer, consoante uma fórmula de “a vantagem do atraso”), pois que, ainda, muito longe de ter alcançado o nível de desenvolvimento permitido pelo pleno uso dos seus recursos internos.

(E)
                Tendo em conta o acima expendido, foi, precisamente, procurando ir para além destas petições impressionistas que se pôde atingir o cerne da problemática de fundo. Assim, através de um cotejo avisado levado a cabo, sistematicamente entre os constrangimentos ecológicos de regiões chaves escolhidas na Europa e na Ásia. Este interessante Inquérito mostrou o seguinte:
                --- Que certas regiões da Europa no século XVII desfrutavam de algumas vantagens ecológicas em relação ao seu equivalente da Ásia oriental, de sublinhar, no entanto, que o conjunto do quadro é muito mais mesclado. De feito, regiões chaves da China parecem ter sido muito melhor lotado que o seu gémeo europeu, por vezes, em pontos surpreendentes, designadamente no atinente à quantidade de combustíveis, disponível por cabeça. Aliás, a Grã-Bretanha, efectivamente, berço da industrialização, possuía poucos recursos (sub explorados), que podiam subsistir em diversas outras partes da Europa.
                --- Que ela (referindo-se, obviamente à Grã-Bretanha) parece não ter sido, melhor dotada que o seu equivalente aproximativo na China, o delta do BAS-YANGZI, em matéria de reservas de madeira, de exploração dos solos e de outros parâmetros ecológicos cruciais.

                Donde, em jeito de Remate assertivo: Se, por conseguinte, se admite que é o crescimento demográfico, assim como as consequências ecológicas que estão na origem do “declínio” da China, dever-se-á então afirmar que a evolução interna da Europa o tinha levado muito perto mesmo do princípio, antes que aos acessos do “take-off” e que ela foi salva da queda pelo efeito conjugado dos recursos do ultramar e da penetração britânica em matéria de utilização das fontes de energia. Enfim e, em suma: Se considerarmos, em contrapartida, que a Europa não tinha ainda alcançado este ponto crítico, deve-se admitir com toda probabilidade que não era tão pouco o caso da China.

Lisboa, 13 Agosto 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).