domingo, 11 de julho de 2010

CARTA A UM BURLÃO

Meu caro

Quem conhece minimamente a tua tristíssima história pessoal e leia todas as aldrabices que tens escrito (em português de pé quebrado e em crioulo coxo), nos emails e cartas que dirigiste e diriges frequentemente a pessoas conhecidas ― quem, como eu, por exemplo, conhece isto tudo ―, não pode senão ter imensa pena de ti (coisa que eu sei bem que não mereces minimamente) pois revelas-te naqueles escritos, muito para além do mentiroso compulsivo que sempre foste, um indivíduo abandonado, frágil, psiquicamente muito doente, perto da valeta social (senão já nela) e do lixo dos asilos de velhos que existem no Brasil.

Penso que já é tempo de: em vez de continuares a andar por estes caminhos do pequeno crime (pequeno pelo menos no Brasil onde só há lugar na cadeia para os criminosos de alto coturno); da tentativa permanente de burlar tudo e todos; do chorrilho de asneiras e mentiras que escreves e julgas que os outros engolem sem darem por isso ― em vez disso tudo ―;

Ouve bem o conselho que te vou dar: escolhe quem te possa ajudar, “rapa da caneta” e pelo menos por uma vez na tua vida diz a verdade sobre o desgraçado que tu és e a vida desgraçada que tens tido; pede a alguém que te acolha em Cabo Verde para viveres pelo menos os teus últimos dias com alguma dignidade e sossego, pois, na tua idade, como podes calcular, já não tens muito que esperar da vida.

E sobretudo ― deixa de escrever coisas ridículas, parvas, mentirosas, falsíssimas, erradíssimas, loucas até pelo desconchavo e inverosimilhança que contêm ― deixa de escrever disparates que dão vontade de rir e são motivo de mofa por parte de toda a gente; disparates e coisas absurdas próprias de um louco, como estas por exemplo que bem poderiam ser intituladas, com muito a propósito 

“Autobiografia de Um Burlão”:

«Estou no Brasil, Rio de Janeiro, desde 1965, [...] Estudei e me formei em medicina, que abandonei em 1980, e fiz concurso para a universidade, como professor da faculdade de medicina. Como médico, prestei provas e fui escolhido para fazer um curso de pós-graduação em BIOSFÍSICA, mestrado, na ex-União Soviética. Arrumei, mais uma vez, as malas e segui para Tashkent para fazer um curso de 18 meses. Quando cheguei lá, na primeira semana vi que os meus conhecimentos de matemática avançada não davam para acompanhar aqueles “bam-bam-bans”. Terminaria o curso, mas vi que faltariam muita coisa, pois, sou extremamente exigente comigo mesmo. Fui no decanato e tranquei a matrícula em Biofísica e me matriculei como calouro em FÍSICA. Resumindo: - Em vez de ficar os 18 meses previstos, fiquei 100 meses (=8 anos e 4 meses). Fiz a graduação, mestrado e doutorado em Física e, quando defendi a tese de doutorado, voltei para o Brasil, porque eu já era professor universitário que entrei por concurso. Transferi a minha matrícula funcional da área de biomédicas para a área de exatas e, como já era PhD, assumi a cadeira de Mecânica Quântica até a minha aposentadoria. Hoje sou professor universitário federal aposentado e diretor do Centro de Investigação que vês no fim, na área de “geração de eletricidade”. Coordeno uma equipe de cinco engenheiros eletricistas além de mim e já estamos quase lançando para o mundo inteiro um processo de geração de eletricidade da minha autoria que vai baratear o custo da energia elétrica em 16 (dezasseis) vezes. Quer dizer, se pagas, por exemplo, 120,°° euros, passarás a pagar 7,50 euros. Isso se deve a que este teu primo foi o único físico que transformou o movimento ascencional vertical em movimento horizontal, com potencialização de 2 elevado à 4ª potência na velocidade tangencial e controle absoluto da velocidade angular. Por causa disso, tenho resgistrados 30 livros todos didático-pedagógicos no Ministério da Cultura.»

Vê só isto, meu caro: de médico passas rapidamente a Professor Catedrático; mas logo a seguir vais fazer um mestrado. Então achas normal que a um engenheiro, por exemplo, se peça que depois de ser engenheiro vá fazer o exame da 4ª classe? Francamente V.!

E de médico passas a biofísico, de biofísico a físico, de físico a engenheiro, de engenheiro a professor de mecânica quântica, etc.???!!! Porra que estás mesmo louco, rapaz!...

E então aquela do “movimento ascencional transformado em movimento horizontal” é mesmo de um burlão de taberna! É que nem sabes escrever a palavra “ascensional” (que é como eu acabo de a escrever: com “s” e não com “c”), seu grande físico da treta!

Mas também gostei muito da potencialização de 2 elevado à 4ª potência na velocidade tangencial e controle absoluto da velocidade angular.

Até pareces um grande piloto de fórmula 1 conduzindo seu bólide numa curva apertadíssima. DENTRO DE UMA CAIXA DE FÓSFOROS.

Para além de burlão és aquilo a que em crioulo se chama “um gajo lendário”. É que isto só lido mesmo!...

É que até electricidade barata já fabricas?! Imagina! E a partir dessa cabecinha de malandro, não é?! 

Noutro passo escreves:

[...] «fui operado 2 vezes no músculo cardíaco, uma vez para implante de 3 veias safena e pela segunda vez, 2 veias mamárias. Fizeram duas cirurgias porque o meu coração estava 96% comprometido: - Ele já não batia, apanhava... Ah!Ah!Ah!Ah!»

Mas como é isso, ó meu caro?! Então foste operado porque tinhas o coração 96% comprometido?... Ó meu caro sacana! Aquilo não era um coração, aquilo era uma autêntica merda incompatível com a vida.

Ah seu grande médico de merda! ― desculpa que te chame isso; mas, médico com coração de merda, só pode ser médico de merda. Mas também como não és médico  nem nada esta ofensa não te atinge, não é?!

Eu sei que não vais parar com isso. Porque estás mentalmente doente.

Mas não posso dizer-te mais nada senão isto:

Pára com isso rapaz!!!

P.S. Last but not least. O já falecido e saudoso escritor Luís Romano, que era Cônsul de Cabo Verde no Brasil, contou-me as vezes que teve que ir a esquadras da polícia intervir para te libertarem. E até me contou da vez que te arranjou um emprego como maqueiro num hospital (deve ter sido dessa vez que te "formaste" em medicina; só pode!). 

DO REFÚGIO DOS CANALHAS

Lembrado aqui por Francisco José Viegas.

O nome de algum canalha em busca desse refúgio lhe estará passando agora pela mente?

TCHON DI KAUBERDI

Programa Cultural de TCHON DI KAUBERDI, no Teatro da Luz, no Mês de Julho 2010:


            Dia 15 Julho 2010: Quinta-feira, à partir das 17,30horas:
            Montagem Músico Poética Coreográfica:
                                    Rosa Branca;
                                    Nhanha Badia;
                                    DAKA BALAI;
                                    Declamação especial: Soneto de José Régio
       E Nevoeiro de Fernando Pessoa;

                                    Sessão Especial de Batuque e Funáná, numa assunção cénica da sua matriz teatral e artística.

                                                                        OOO

            Dia 22 Julho 2010: Estreia da Peça: Na Hora da Queda da Máscara;

                                                                        OOO

            Dia 29 Julho 2010: Repetição da Peça: Na Hora da Queda da Máscara.

Lisboa, 10 Julho 2010
KWAME KONDÉ
(Director Artístico do Grupo Cénico: TCHON DI KAUBERDI).

sexta-feira, 9 de julho de 2010

FAÇA FÉRIAS CÁ DENTRO

ORA VIVAAAAA!!!
E BOM FIM-DE-SEMAAANA!...

OBVIAMENTE ASSINO

Através do Cachimbo, viajei e cheguei aqui.
Importante ler, baixar a minuta, imprimi-la,
preenche-la MANUALMENTE
 e enviá-la pelo correio.

Nota: Entre várias barbaridades do Novo Acordo Ortográfico não vejo como se pode aceitar, por exemplo, que a palavra corretor possa designar indistintamente o que faz corretagem  e o que faz correcção; ou que algum dia um facto possa ser indistinto de um fato que se traja. Efectivamente estas são autênticas barbaridades como muitíssimas outras já profusamente divulgadas e contestadas por linguistas de renome da Língua Portuguesa. Por isso, obviamente assino a petição supra.

A NÓDOA



É mais que óbvio que Carlos Queirós


a nódoa que sempre foi.

AI ESSA MATEMÁTICA!...

Lido no Corta Fitas (com sublinhado meu):

«Este Turismo de Portugal, de Luís Patrão, bom amigo de Armando Vara, é o mesmo que exigiu como depósito da recentemente falida agência de viagens Marsans, não os 5% do seu negócio como manda a lei, mas apenas 1/10, tendo como resultado que os cidadãos lesados não têm meio de se ressarcir.»

Eu, por aquilo que aprendi na 4ª classe da instrução primária (é verdade, ao tempo estudávamos "fracções") sempre acreditei que 1/10 (um décimo) é maior que 5% (cinco por cento). Um décimo é o dobro de 5%, isto é, são 10%.

Mas... nos tempos que correm, em que há engenheiros que não são engenheiros; há doutorados que usam adjectivos como substantivos e empregam a palavra "sobre" em vez de "sob"; há estudantes de economia que dizem ao Professor (Nuno Crato no "Plano Inclinado") «Sabe, eu, para números, não sou lá grande coisa»; etc.

Nestes tempos que correm, se calhar, 5% vale mais que 10%.

Eles lá sabem!...

quinta-feira, 8 de julho de 2010

INTERROGAÇÃO SOBRE FUTEBOL

Vejo futebol desde que me conheço; e tento perceber o futebol há um ror de anos. Confesso entretanto que apesar de toda a mafiosidade que anda à roda e dentro do futebol, ainda gosto de ver um ou outro jogo que antecipo atraente ou interessante.

O jogo de ontem, Alemanha Espanha, era um deles. Escolhi-o para visualizar com toda a atenção e minúcia. Mas eis que não percebi patavina da razão por que a Alemanha parecia uma equipa de miúdos jogando contra uma Espanha adulta demais para aquele campeonato. Presumo que a grande responsável do feito foi a equipa espanhola; mas explicar tudo com base única no "taque-taque" espanhol, acho muito curto.

Estou curioso de ouvir uma opinião de Mourinho sobre o sucedido. Mas será que a vamos ter?

É que ouvir a opinião dos "especialistas" habituais é ouvir chicos-espertos a botar "faladura de cervejaria" entre copos de imperial e pires de tremoços. Isso não adianta nada.

DO TEATRO EM CABO VERDE

As edições artiletra publicaram na última Primavera este livro intitulado Escritos sobre Teatro, da autoria do nosso prezado amigo, colega e colaborador de blogue, Kwame Kondé a quem agradecemos a oferta com dedicatória pessoal e felicitamos por mais este trabalho em prol da Cultura.

Peça ensaística Décima Quinta, no âmbito de


Na peugada de NOVOS RUMOS:


Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).

                        NP:
                        A ambivalência (leia-se, dupla directiva no modo de sentir ou de querer) dos sentimentos que envolvem os progressos actuais das Ciências e a potência crescente das suas aplicações respectivas coagem à uma Reflexão Filosófica aprofundada. Donde, ipso facto, entre uma confiança, amiúde, cega e uma inquietação, por vezes, excessiva, se impõe encontrar a via da razão, na acepção, mais nobre do termo e da expressão.
                        Com efeito, de sublinhar, por outro, que, em pleno entusiasmo da Revolução industrial, forjou o projecto de uma Filosofia da Ciência”, no desígnio de fazer frente aos reptos intelectuais e sociais das Ciências Físico-Químicas. Eis que, deste modo, nasceu, então, uma nova Disciplina, que associa as competências dos cientistas e dos filósofos. É o advento da Filosofia das Ciências, onde, busca, fundo, a sua razão de ser, no acesso à Reflexões vitais para um Porvir promissor das nossas Sociedades, no momento, em que, grassa deleteriamente, no seio da Humanidade (no seu todo), uma enfermidade, assaz funesta, que é, na verdade, a “espoliação dos saberes”de quase todos os indivíduos humanos, avenida aberta para a infantilização dos cidadãos, reduzindo-os ao nada.


(I)
            Para principiar avisadamente este Estudo ensaístico, se antolha, assaz pertinente, posicionar o seguinte. Ou seja:
            --- Se a Filosofia das Ciências associa à interrogação sobre a estrutura das teorias, o estudo da génese dos conceitos, faz todo sentido pensar que ela poderá contribuir para afirmar a especificidade dos objectos e das démarches destas disciplinas, tão firmemente como as Ciências do vivo começaram à o fazer por conta própria.
            --- De consignar, quiçá, ver-se-á, demais, se perfilar, outrossim, uma filosofia económica ou uma filosofia sociológica, primas da filosofia biológica, que, tendo, em conta, polaridades e tensões próprias à vida social, evitarão neutralizá-los por modelos emprestados à representação formalista das ciências físicas que não podem as apreender.
            --- Enfim e, em suma: As especialidades recuperação nela o gosto da aventura intelectual e, por seu turno, obviamente, os cidadãos o gosto da argumentação e o sentimento da Liberdade plena e eficaz.

(II)
            Diga-se o que se disser, que isso se agrada, ou que se o deplora, não há dúvida nenhuma, que uma situação de divórcio esteja instalada entre as Ciências e Filosofia (com todos os inúmeros inconvenientes que daí possam advir, obviamente), no mundo contemporâneo.
            E, explicitando, adequadamente, algumas premissas, temos então:
            a) Das Ciências, se espera que elas trazem sempre mais conhecimentos positivos, se possível, aplicáveis em benefício de todos (sem excepção). Se lhes pede, outrossim, prever e, em caso de necessidade, prevenir os riscos aos quais expõem os nossos esforços para dominar a Natureza, outrossim e, nós próprios (para fora da nossa própria pessoa).
            b) Por seu turno, da Filosofia, se entende que ela nos elucida acerca das questões últimas da Existência individual e colectiva. Se lhe atribui, por domínio próprio a Reflexão sobre a Religião, o Direito, a Política, a Arte e a Moral. Atribuem-lhe, alguns outrossim e, ainda: a exclusividade da intervenção sobre o sentido dos nossos Actos, até da nossa Vida e Existência.
            c) De anotar, antes de mais, que desde o fim da década dos anos sessenta do Século XX passado se começou a descobrir o preço humano e social a pagar de um excessivo produtivismo intelectual. A expansão da Biologia molecular, a Revolução das Neurociências, a da Inteligência Artificial, a Acreditação do Cenário do BIG BANG, os desenvolvimentos da Física dita do CAOS”, o esgotamento do Programa bourbakista em Matemática…Revelaram o interesse dos investigadores pela Filosofia. Esta procura nova da filosofia das ciências se manifesta, actualmente, tanto mais, vivamente, que os desenvolvimentos tecnológicos e industriais, no âmbito de várias destas linhas de investigação, colocam questões “éticas” que comprometem o sentido da Vida Humana.
           
            E, como Remate assertivo desta posta, vamos apresentar um Quadro (tão completo possível da disciplina, que se denomina: “Filosofia das Ciências”). Trata-se de um esquema, deliberadamente desnudo de todo o tecnicismo e, que, se assume, numa apresentação histórica e comparativa, se articulando, em três (3) tempos, a saber:
            (1) A constituição da Filosofia das Ciências tal como surge no século XIX;
            (2) A expansão de uma “Filosofia da Ciência” assume, os seus verdadeiros contornos, com o Círculo de Viena, cujos os fundadores anunciam uma transmutação científica da Filosofia como “Lógica aplicada”;
            (3) Enfim, a demonstração e a assunção de uma Filosofia das Ciências susceptível de forjar as suas categorias pelo contacto e influência da História efectiva do Pensamento e do Trabalho Científicos.

Lisboa, 07 Julho 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).

quarta-feira, 7 de julho de 2010

CHAPEAUX PARA PEDRO BARROSO

O poeta, cantor e compositor, Pedro Barroso, num excelente artigo aqui publicado, desanca, perdão desnuda, aprecia, descreve e critica Carlos Queiroz como seleccionador da equipa de Portugal, não deixando o mínimo espaço para que ninguém diga mais nada. Porque não é preciso dizer mais nada. Está lá tudo dito por Pedro Barroso. É ler e constatar o que digo.
  
Confesso-me admirador dos trabalhos de Pedro Barroso desde há muitíssimos anos ― décadas! ― e quero contar aqui mais um motivo por que o admiro, este já mais prosaico:

Uma vez vi-o (ao Pedro Barroso) comer um bife ali na cervejaria Portugália, à Almirante Reis, e fiquei rendido. Nuca vira alguém tão sôfrego a comer, mas com tanta classe na satisfação da sua sofreguidão... Fiquei parado, olhando, estudando, “fotografando” cada gesto do gordo, mas elegante e sensual Pedro Barroso comendo o seu bife. Um espectáculo! Uma autêntica obra de arte!

E creio por isso que quem o veja comer, como eu vi, nunca mais admitirá algum dia os sacrifícios a que uma dieta de emagrecimento ou de “manutenção da linha”, por exemplo, pode levar um cristão...

Obrigado, Pedro Barroso.

COMENDO MACACOS DO NARIZ

Os adeptos espanhóis acham que logo à tarde
o seleccionar alemão, Joachim Löw, vai estar muito nervoso
e vai por isso engordar uns três quilos.

REPONDO A VERDADE (vivida por dentro)


Referindo-se a esta notícia do jornal português “PÚBLICO” sobre a visita de Cavaco Silva a Cabo Verde, mais concretamente à parte da notícia em que se cita a homenagem prestada por governantes cabo-verdianos a José Saramago; e em que o jornal escreveu, e transcrevo:

«Ainda que o dia fosse de exaltação nacional, a melhor forma que alguns dos oradores encontraram para o fazer foi recordar a memória do escritor José Saramago. Dos cinco discursos proferidos, três referiram-se ao Prémio Nobel, tanto para "honrar a sua memória" como para o citar.»;

Repito: referindo-se a essa notícia, Helena Matos não se conteve na sua sanha anti-PC e anti-Saramago e resolveu manifestar no Blasfémias a sua vocação de educadora universal tendo desarrincado o seguinte parágrafo que a seguir transcrevo:

«os governantes de Cabo-Verde [devem estar esquecidos] daquilo que Saramago e o PCP defendiam em 1974 e 1975 para aquele arquipélago. Cada um cita quem quer mas é melhor os dirigentes de Cabo-Verde mudarem de autor de referência ou ainda descobrem que o seu destino histórico e racial como na altura a esquerda afecta aos PCP dizia é fazer parte da Guiné-Bissau.»

Eu, que na altura de que fala Helena Matos (1974/1975) era militante do PAIGC, devo esclarecer a senhora de tão fácil e leve escrita que:

1)   A ideia de “Unidade Guiné - Cabo Verde” partiu das teses políticas de Amílcar Cabral e não de fora do PAIGC. Ao tempo a que Helena Matos se reporta (1974/1975) todos os políticos de topo do Partido e todos os militantes “formados” pelas ideias de Amílcar Cabral defendiam a “Unidade”; não foi preciso irem o PCP e Saramago a Cabo Verde para se escutar essa tese.

Cabral bastava-nos! Para o bem e para o mal.

2)   As ideias dos “chefes” e “gurus” da política como Amílcar Cabral, ao tempo não se discutiam; eram bebidas, divulgadas e defendidas tal como vinham “embrulhadas” da “origem” , até porque mais de 90% dos militantes dos movimentos de Libertação éramos jovens estudantes, entusiastas e defensores da independência, sem tempo, sem outra informação para além da do Partido ou Movimento de Libertação, não sentido a necessidade de “testar” as ideias destes antes de as tentar levar à prática.

― Quem disser o contrário mente!

3)   Foi a realidade dos factos, sobretudo o sorvedouro de divisas em que a Guiné se transformou logo no início da “União”, que trouxeram a “teste” as ideias unitárias de Amílcar Cabral. Daí nasceu o sentimento, a consciência da necessidade de travar o processo e fazer com que Cabo Verde caminhasse sozinho. Daí nasceu a necessidade da separação.

4)   A necessidade da separação de Cabo Verde da Guiné-Bissau já era, portanto, sentida e defendida por elementos e governantes do PAIGC (de Cabo Verde), em Cabo Verde, bastante tempo antes do golpe de Estado de Nino Vieira contra o então Presidente da Guiné-Bissau, Luís Cabral. Este golpe de Estado deu aos políticos e governantes cabo-verdianos o pretexto ideal para denunciarem a “união” (coisa que fizeram sem quaisquer delongas) e seguirem sozinhos o seu caminho de construção do Estado cabo-verdiano, pois que Nação “sempre” houve ― coisa que na Guiné não havia, ainda não há e não se sabe se algum dia haverá dentro dos limites actuais daquele território habitado ―.

Por fim, e por tudo o que disse, e ainda porque defendo a independência de Cabo Verde, quero esclarecer a Helena Matos pelo menos o seguinte: quer goste ou não, todos nós cabo-verdianos com memória e com conhecimento de causa somos eternamente gratos ao PCP e aos seus militantes por nos terem ajudado em horas muito difíceis a conseguirmos a libertação e a independência dos nossos países (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bisau, Moçambique e S. Tomé e Príncipe).

O resto é folclore!...

BOM DIA!

terça-feira, 6 de julho de 2010

QUEIROZ E MARADONA

OU DA BOTA DA POSE À PERDIGOTA DA REALIDADE


Em Carlos Queiroz a bota da pose não corresponde à perdigota da realidade. Na realidade é um homem que gira à volta de si mesmo e coloca por isso os seus interesses pessoais à frente de qualquer outro, descurando a ética e o bom-senso:

«Não iria comprometer o meu [seu, dele] futuro no Manchestar United para agora vir pedir a demissão do cargo» pelos falhanços ― disse Queirós ao mundo.

Maradona ― talvez o melhor futebolista de todos os tempos ― por muitos considerado (não tenhamos medo das palavras) pouco competente, um drogado, um fanfarrão, um desbocado, um malcriado, um bimbo da bola, etc. (tudo do pior); depois de ter posto a sua Argentina a fazer boas exibições e a jogar como equipa; perante um desaire, uma goleada (mas contra a poderosa Alemanha)...


De onde também se prova mais uma vez que O HÁBITO NÃO FAZ O MONGE.

Vai enganar outro, ó Queirozinho de uma figa!!!

sábado, 3 de julho de 2010

NEM MAIS...

ESMIUÇANDO UM FRACASSO

É FUGIR ENQUANTO É TEMPO


Aproxima-se a passos largos o baque final do Serviço Nacional de Saúde, com o colapso inevitável dos hospitais públicos em todas as suas vertentes mais básicas e essenciais: segurança técnica, competência profissional, qualidade assistencial, capacidade de resposta, condições de trabalho e... em resumo: caminha-se rapidamente para perto da extinção das suas capacidades para o exercício do múnus para que foram criados: tratar pessoas (doentes que sofrem, muitos deles não tendo mais ninguém a quem recorrer).

A vida dos médicos naqueles hospitais de há muito que vem sendo trabalhar na corda bamba sob o mando de administrações - mor das vezes incompetentes e analfabetas, até - compostas em grande parte por boys dos partidos que nem um simples boteco saberiam administrar. 

Para os médicos a solução é: fugir enquanto é tempo, pois, não há capacidades humanas que levem ninguém de bom senso a suportar trabalhar em muitos hospitais públicos nas condições actualmente nelas existentes; e muito menos naquelas que a curto médio prazo inevitavelmente existirão.

ALTOS RESPONSÁVEIS DESTE PAÍS ESTARÃO A BRINCAR COM O FOGO.

Oxalá me engane redondamente.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

CRISTIANO RONALDO

Sabemos bem que este jornalista não tem razão na apreciação que faz de Ronaldo.

Mas também sabemos bem que o que ele (jornalista) escreve foi aquilo que todos vimos:

Ronaldo não jogou ontem contra a Espanha.

Peça ensaística Décima Quarta, no âmbito de

Na peugada de NOVOS RUMOS:

Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895)

Posta Segunda:

(1)               A despeito das descontinuidades patentes das ferramentas biológicas e dos etogramas (sendo etograma, o registo pormenorizado do comportamento de um animal) que os indivíduos anímicos exibem, estes mantêm entre si, um diálogo permanente das almas, este comércio inter-subjectivo que edifica o princípio de uma sociabilidade, sem restrições, que engloba humanos e não humanos, na sua universal rede.
(2)               As diferenças de disposições físicas não constituem, de modo nenhum (melhor dito nunca) obstáculo à comunicação e se vêm, em parte, apagadas pelas conexões de pessoa para pessoa, que se estabelecem entre termos supríveis e substituíveis, uns aos outros, visto que situados, num idêntico patamar da escala ontológica.
(3)               Por seu turno, nas cosmologias do animismo, em que entidades de estatuto idêntico se definem pelas posições que ocupam umas defronte das outras, só pode, por conseguinte, haver como relações estruturantes, servindo-se de elos/vínculos potencialmente reversíveis entre indivíduos, humanos ou não humanos, cuja a identidade não está afectada pela realização que os une, ou seja: a predação, a permuta e o dom.
(4)               Muito pelo contrário, as conexões intransitivas do tipo produção, transmissão ou protecção estão condenadas a permanecer marginais, na medida em que pressupõem uma hierarquia entre os termos cuja a disparidade ontológica se tornou, efectivamente pela própria acção, que um exerce sobre o outro, no seio da relação. No dom, na troca e na predação, o sujeito interina um sujeito dependente ou um objecto subordinado.
(5)               De sublinhar, com efeito, que se sabe, que a matéria resiste e que impõe constrangimentos e os seus caprichos ao que a trabalha. É portanto, o agente produtor que é colocado no primeiro plano, quando é dito impor uma forma e uma função específicas a uma matéria desprovida de autonomia afim de produzir uma entidade nova em que é o único responsável, quando muito mesmo, a sua propriedade efectiva lhe escaparia. O objecto resultante desta acção só existe com os seus atributos particulares por essa razão, que uma relação genética fez advir como uma instância reiterada de outras acções semelhantes, informadas pelo mesmo projecto. Eis porque, é impróprio falar de “produção artesanal”, no caso do animismo, pois que os artefactos não constituem nisso realizações ex nihilo, reforçando a posição de sujeito dos que os talham, porém, sujeitos transformados que conservam alguns dos seus predicados de origem.
(6)               Pelo facto do controlo que implica sobre funções biológicas (a reprodução, a alimentação), por intermédio dos quais os existentes se distinguem, uns dos outros, a protecção não pode nunca constituir um esquema geral de relação que convém ao animismo. Despojado da liberdade de se comportar, em tudo, consoante os hábitos físicos da sua tribo espécie, o sujeito protegido perde a sua independência e, finalmente, a sua própria qualidade de indivíduo, ou seja: a protecção só possui, por conseguinte, “direito de cidade” em nichos particulares do animismo e sobre o modo menor (como prerrogativa dos donos dos animais, se estendendo, por vezes, à humanos comprometidos, numa semi-domesticação), sem que se possas excluir que os atractivos que ela exerce (segurança para uns, domínio para os outros), não acabem por lhes dar uma nova ontologia adequada para o seu pleno exercício.
(7)               No atinente à transmissão, meio de garantir e de reproduzir a dependência física e moral dos vivos a respeito dos mortos, ela elimina, logo à primeira, a possibilidade de tratar os animais ou as plantas como sujeitos, visto que toda a sua eficácia assenta na relação de subordinação hierárquica entre as gerações: A coluna vertebral dos colectivos é formada de linhagens de humanos, que não se diferenciam, umas das outras e mantêm conexões, que, por referência exclusiva a grupos de antepassados das quais elas herdam as riquezas, os direitos, as componentes da pessoa e o destino e o fado.
(8)               Vê-se mal, aliás, como uma tal dispositivo poderia se adaptar à enorme sucessão anímica das tribos espécies de indivíduos humanos ou não humanos, os quais se distinguem, pelo contrário, uns dos outros, por disposições em agir/actuar ancorados, numa conformação física que cada geração reconduz ao idêntico afim que se perpetue a variedade dos modos de vida.
(9)               Por seu turno, a transmissão cumulativa e antropocêntrica de substâncias, de patrimónios e de predestinações iria, deste modo, ao encontro da exigência de recriar, a cada instante e, para cada indivíduo, qualquer que seja o seu invólucro físico, as condições de uma existência, sui generis, edificada sobre a interacção com outrem. Eis porque, os mortos devem ser apagados da memória, as suas magras posses destruídas e a tradição que transmitem destacada da sua pessoa.
(10)           E, em jeito de Remate:
a.       Rejeitando ou marginalizando algumas relações, o Animismo desenha, deste modo, no vazio o espaço do que ele recusa: sobre todo o seu território não se encontrará nem elevadores exclusivos, nem castas de artesãos especializados, nem culto dos antepassados, nem linhagens, funcionando como pessoas morais, nem demiurgos criadores, nem gosto para os patrimónios materiais, nem obsessão da hereditariedade, nem flecha do tempo, nem filiações desmesuradas, nem assembleias deliberativas.
b.      Os espíritos perspicazes que repararam estas ausências interpretaram-nas, por vezes, como carências. Não é nada disso, evidentemente.
c.       Todavia, o que é facto, é que o preço a pagar para povoar o Mundo de sujeitos/indivíduos (refazer, todos os dias, a experiência de identidades indecisas), só parece elevado aos que, demasiado fechados no talude, tranquilizando instituições, se contentam medir as promessas do presente pela vara do que o passado nos lega.

Lisboa, 29 Junho 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).

QUEIROZ CHEGA A LISBOA

Não fiz alinhar o Pedro Mendes, o Deco, o Miguel e o Liedson; confiei a zaga a Ricardo Costa; recorri ao cepo que é Hugo Almeida e coloquei Cristiano no meio porque o que se espera de mim é futebol científico e não futebol à toa com golos e vitórias obtidos ao correr da bola.

Entenderam?!...

Estou feliz. Prefiro soprar preservativos a ter que ser visto como simples treinador de futebol.

E sobretudo: NÃO ME FALEM DE SEXO, POR FAVOR!...

segunda-feira, 28 de junho de 2010

POIS!... ESTA É A JOANA

Olá! Eu sou a Joana Amaral Dias!

Pois!... E eu estou à espera do cardiologista!...
(Não rima nem nada, mas estou...).