sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Peça Ensaística Vigésima Sétima, no âmbito de

Na Peugada de NOVOS RUMOS:


Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).


Abordando a questão que se prende com a Conexão existente
Entre a Identidade e a Cultura:


(I)
                Minuciosamente, ao longo da sua elaboração do Si, o Indivíduo é coagido a ter em conta, tudo quanto o envolve, com ênfase para a função da Identidade, construindo-a, indissoluvelmente como conexão à si próprio e conexão ao seu meio ambiente. E, se definindo, o Meio Ambiente, como a rede dos estímulos “salientes”, ou seja: Significados no interior do não Si”, como o dizendo respeito. Todavia, para o Homem, este meio ambiente se apresenta como quase robustamente mediatizado pelos seus semelhantes, que se apropriaram disso para o estruturar antes dele, em unidades de sentido, elas mesmas integradas em escalas de valor. Donde, ipso facto, o Indivíduo não se pode construir ele mesmo, como sentido e valor, fazendo disso abstracção.

(II)
                Et pour cause, se nos afigura, pertinente acrescentar (visando relevar a complexidade da situação), que é Outro, que se apresenta sob dissemelhantes “figuras”, designadamente: o indivíduo, o grupo particular, a organização dos grupos particulares em grupos nobres (Sociedades, etc.). Ora, cada uma de entre “elas” está, pelo menos, potencialmente, na origem da configuração de sentido e de valores, que se recortam e se distinguem diversamente, consoante o tipo de estrutura social. Deste modo, com este expediente, se introduz, avisadamente uma variável sociológica conducente a diferenciar esta nossa análise.

(III)
                De feito, entretanto, qualquer que seja o contexto social, o Indivíduo está sempre submetido à uma pressão de efectivação da Identidade consoante a estrutura dos danos de outrem, pelo menos, do Outro pelo qual, se percebe como interessado (leia-se, outrossim, a quem diz respeito): Ou seja: que é impelido para uma interiorização das unidades de sentidos e dos valores ambientais, em que apenas, o grau e as modalidades variarão em função do tipo de configuração social na qual se encontra imerso.

(IV)
                De sublinhar, antes de mais, que entre estas estruturas, o Sistema Cultural, se assume, evidentemente como privilegiado, sendo as suas injunções da identidade, as mais enérgicas. Pela sua socialização, já o sujeito é levado a adoptar do interior as suas unidades de sentido e de valor preestabelecidos, graças ao mecanismo de identificação: Processo fundamental do Si à partir de elementos do exterior. De facto, assimila, se assimilando, ou seja, se tornando semelhante, no atinente a tais caracteres, aos a quem pediu por empréstimo: Indivíduos, grupos particulares e nobres. Existe aí, uma matriz de condutas, pela qual, se edifica, como adaptado ao seu meio ambiente Humano: A matriz da “similaridade” que assume diversas formas descritas pelos Psicólogos contemporâneos.

(V)
                Deste modo e, no âmbito desta dinâmica, orientar-se-á que todas as coisas idênticas, aliás, a interiorização da sua própria cultura lhe permite assegurar a menores encargos, as funções da sua “operação”de identificação, na acepção própria de operar a sua Identidade, por intermédio de um Trabalho constante.

(VI)
                Com efeito et pour cause, satisfaz, por um lado, à função ontológica, se outorgando uma estrutura de sentido e de valores, que lhe procura uma unidade admissível sem ter necessidade de a construir ele próprio, evidentemente. Donde, de sublinhar, demais, que, quanto mais se identifica nisso, tanto mais se edifica, como variante de uma personalidade típica (quiçá, uma verdadeira “personalidade de base”), remetendo, finalmente para o grande número dos autores (leia-se estudiosos desta problemática), uma vez afastados os pressupostos psicanalíticos inerentes a uma “personalidade social” comum aos membros do Grupo.

(VII)
                Por outro, à medida em que o Indivíduo/Sujeito interioriza a sua cultura, satisfaz à função pragmática (ou instrumental) da sua operação de identificação, por uma adaptação ao meio ambiente cuja a chave lhe é, outrossim, fornecida pela sua Sociedade. É necessário pensar, com efeito, que o Indivíduo atravessa, quotidianamente uma gama enorme de situações, que se fossem todas singulares, novas, exigir-lhe-iam um esforço de invenção, a todos os instantes, para reagir a isso, correctamente. Todavia, felizmente para ele, elas só são muito parcialmente, visto que o seu sistema cultural as integra em situações típicas relativas à grande maioria dos Eventos susceptíveis de sobrevir, num Ambiente dado.

(VIII)
                O conteúdo de verdade do arrazoado, ora expendido, significa, que este sistema os “categoriza”. Concretamente:
                --- Ele classifica, numa única classe: “unidade”, o grupo das situações, que aparecem, aquando do nascimento, em outras unidades, essas sobrevindo, respectivamente, aquando da morte, do trabalho profissional, do encontro entre sexos dissemelhantes, entre gerações, entre estatutos papéis de toda a espécie, etc. Podendo, estas categorias se reduzir, se diferenciar, se multiplicar, conforme o modo em que as culturas redesenham o Meio Ambiente, cada uma, aliás à sua maneira.
                --- Eis porque, por exemplo, os INUIT (leia-se, outrossim, Esquimós) do Grande Norte não construíram o mesmo STOCK de “unidades situáveis” que os TUAREGUES do deserto.
                --- De consignar, enfim (e demais) que o mesmo sistema oferece ao Indivíduo o sentido que convém dar à tais unidades e a forma de aí se relacionar.
                Eis, no fundo, no fundo, ipso facto, a Codificação, na sua assunção plena.

(XIX)
                E, para Rematar, de modo pedagógico:
                (1) Por intermédio destas duas (2) operações estudadas (que se executam, concomitantemente), é que se edificam as “situações típicas”, ora analisadas.
                (2) Munido do seu Código cultural, o Indivíduo/Sujeito/Cidadão conta com estas situações dotadas das significações, elas mesmas típicas das quais foi equipado, às quais bastar-lhe-á trazer as correcções secundárias, em circunstâncias particulares.
                (3) Deste modo, graças à esta categorização codificada, determinada, foi intuído, como pré-adaptado ao dinamismo social.
                (4) Donde, demais, na medida, em que o seu sistema cultural for coerente, no interior do seu modelo de partida, passa de uma situação à outra, sem surpresa e sem à-coup. Este sistema, sendo vivido, como que o vinculando às situações enfrentadas. Efectivamente: A Cultura é o grande fautor da “circulação social”, facto que se apercebe facilmente (e, sobremaneira, aliás), quando passamos por uma Sociedade, em que, esta nos é, completamente desconhecida.
Lisboa, 06 Agosto 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).

OUTRA VISÃO SOBRE O FACEBOOK

O fotógrafo italiano Oliviero Toscani, o pai da passada controversa campanha publicitária da Benetton, que durou 20 anos, e em que, por exemplo, aparece um doente com SIDA numa cama, rodeado pela família, diz numa entrevista ao jornal espanhol El Mundo:

«Yo no tengo televisión en casa, no estoy en Facebook ni en nada parecido. Para mí, Facebook es un gran campo de concentración voluntario en el que nos hemos metido todos y donde todo el mundo está contento de estar, se muestra y tiene amigos. Pero en realidad eso demuestra que no tienen amigos, porque si no, no estarían los de Facebook, donde la única forma de tenerlos es no ser tú mismo, sino ser virtual. Y no es que esté contra Facebook, porque cada uno es libre de hacer lo que quiera, pero también soy libre de criticarlo.»

MISÉRIA NA SAÚDE


Chamo a atenção para isto: Quatro. Quatro de uma assentada.

Felizmente ainda há um hospital público, o Hospital dos Capuchos, para tentar recuperar esses doentes;

Mas quando toda a assistência na doença passar para o sector privado, e o Serviço Nacional de Saúde for extinto e só ficarem resquícios para os indigentes...

Quem acudirá a casos como estes?!!!

Acordem, portugueses! Não se resignem a filha-da-putices!

BOM DIA.
*** Este texto NÃO foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico. ***

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

SE NÃO HÁ DINHEIRO, RUA!!!





Mas é preciso esclarecer os potenciais utentes e o público em geral, que há fortíssimas razões que sustentam esta decisão em forma de portaria. Desde logo ela consagra uma protecção eficaz ao recém-nascido assegurando maiores possibilidades de sobrevivência aos grandes prematuros (bebés entre as 25 e as 31 semanas de gestação).

Acontece que muitas ou quase todas as utentes dessas maternidades desconhecem até onde os seus seguros de saúde  cobrem as suas despesas hospitalares no privado ficando sujeitas a que, de um momento para o outro, esgotado que esteja o plafond do seguro, o bebé seja “atirado para a rua” em viagem arriscada até uma unidade pública de saúde que o receba e o assista sem perguntar se tem dinheiro para lá estar garantindo-lhe a possibilidade de sobrevivência (ainda e apesar do desmantelamento criminoso do Serviço Nacional de Saúde).

Luís Graça, presidente do Colégio da Especialidade de Ginecologia e Obstetrícia da Ordem dos Médicos, esclarece bem esta situação dando exemplos reais (sublinhados meus):

«"Um bebé que nasce com menos de 32 semanas tem 90% de risco de vir a ser transferido para um hospital público. Ao final de três dias são transferidos, porque o plafond do seguro de saúde acabou. São bebés que ficam com um pior prognóstico", disse o especialista, dando como um exemplo de um prematuro com uma anemia grave que acabou por falecer no público.»
*** Este texto NÃO foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico. ***

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

MUITÍSSIMO BEM DITO

Carvalho da Silva, no programa da SIC Notícias, “Plano Inclinado”, para João Duque:

Não aceito a filosofia segundo a qual se «você tem muito e eu não tenho nada, você deve ficar sem nada para ficar igual a mim».

E para Medica Carreira, mais ou menos isto:”os senhores têm aqui este programa para dizer que tudo está mal e que não há solução nem alternativas para nada. Mas o que é preciso é discutir os problemas e tentar encontrar soluções para eles e não vir para aqui anunciar desgraças todas as semanas”.

De facto é muito mais fácil e simples dizer como estão as coisas do que pensar e discutir como poderão ser modificadas para melhor. No "Plano Inclinado" limita-se a constatar e a relatar a queda de pedras numa estrada prevendo o número de vítimas que haverá em vez de se fazer algo para contribuir para que as pedras não caiam sobre as viaturas e as pessoas.

CHAPEAX, CARVALHO DA SILVA!
*** Este texto NÃO foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico. ***

OBVIAMENTE RETIRO O "LINK"

O jornalista João Severino criou o blogue “Macau Passado” (que não "linco" agora de propósito) com a finalidade primeira de nos mostrar a sua fuça embora aqui e ali publique umas porcarias de fotografias que pouco ou nada dizem sobre Macau.

Criou um álbum pessoal onde se revê todos os dias pensando que estaria a criar um blogue.

E por isso, e como disse ontem aqui mais abaixo, retiro o link que tinha concedido ao falso blogue de João Severino porque para o lixo blogosférico não quero contribuir senão com este meu blogue.

As minhas desculpas a quem ingenuamente levei até aquele simulacro de blogue.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

PULGA DOS GATOS

AUMENTADA UM MILHÃO DE VEZES

Peça Ensaística Vigésima Sexta, no âmbito de

Na Peugada de NOVOS RUMOS:


Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).


La catégorie des tiers est elle-même équivoque car toutes les provenances n’ont pas la même signification en termes de sécurité ou de dangerosité supposée, de valeur économique et de distance culturelle »
Etienne BALIBAR
In Migrations et relations internationales, Paris 2006


            Quão obcecante é, efectivamente a questão do Si, num Mundo agitado e assaz martirizado. Eis uma asserção que se aplica, de modo dialecticamente consequente, a todos os Povos oprimidos da Humanidade, com ênfase, para os povos do nosso Continente. De feito, os Povos da nossa África, outrora colonizados e, actualmente, recolonizados, em proveito do Capitalismo globalizado, não cessam de nos perguntar avidamente: Quem somos nós?
                        E, sobretudo: Em quê que nos transformamos?
            E, explicitando, pertinentemente as ideias de fundo (no âmbito desta problemática em estudo), visando, acima de tudo, uma elucidação apropriada do conteúdo de verdade das duas questões, acima enunciadas, temos, deste modo que:
            (1) O Sistema económico dominante transforma os sinais de referência, as conexões a Si, ao Outro e entre as Nações. A busca, que disso decorre é permanente. Passa, necessariamente por em Si, o em Si próprio, o Outro e o algures. De feito, é pura e simplesmente humana e de uma intensidade particular, por vezes, mais grave para os e as cujas as mãos e os ventres estão vazios, os e as que sobrevivem, dia após dia.
            (2) Confrontados com limites e derivas (desvios de rumos) do seu próprio modelo, eis que os capitalistas se colocam as mesmas questões e vão, até ao ponto de entrar em pânico. Os pretensos donos do Mundo, omniscientes e omnipotentes, esses mesmos, que censuram a tendência ao enclausuramento e a tibieza dos dominados (compulsivos), “se barricam”, reivindicam a sua identidade nacional, erguendo, em sinal de ameaça os seus estandartes e “denunciam” aos grandes berros a chegada da “invasão”.

                                    Oh! HÉLAS! Efectivamente temos todos medos
                                    Temos medo de não possuir o mínimo suficiente.
                                    Todavia, sobretudo, de não ser nada. É o vazio e
                                    O receio do aniquilamento, quedando no lote dos
                                    Oprimidos.


            (3) Os capitalistas, quanto a eles, têm, cada vez mais e mais, medo de perder alguns dos seus privilégios, partilhando o que seria unicamente de todos (sem excepção), restituindo a nossa Humanidade. Têm medo da nossa presença, quando ela não for solicitada, nem susceptível de acrescentar ao seu ter, medo das nossas diferenças, quando ela se faz insistente. Enfim e, numa eloquente asserção: Angariadores dos passadiços que possuem apenas por arma, escalas, se tornaram “ilegais”, “clandestinos”, “imigrantes sem documentos”, “inimigos” a neutralizar, evidentemente.

            (4) Na verdade, efectivamente, o nosso Mundo, vai seguramente mal e, muito mal, mesmo, constituindo a fobia tranquilizante e a abordagem criminalizadora da questão migratória, as expressões dramáticas desta situação. E, a África corre os piores perigos, pois que ela se encontra vigiada (está debaixo de olho). Os Estados membros da União europeia possuem a mão, particularmente pesada, quando se trata dos Africanos negros. Todavia, o pior, no meio de tudo, é que nós, os Africanos, recusamos, amiúde admitir a ressurgência do racismo anti Negros, pelo receio de dever nos bater contra um adversário temível, por ser extremamente “poderoso”.

            (5) Inédita, no entanto, sobretudo, grave e humilhante, é, na realidade, a nossa situação actual. De feito, de anotar, que a humilhação não reside unicamente na violência, a qual o Ocidente nos habituou e que, principiou, há mais de cinco (5) séculos, aproximadamente, com o tráfego negreiro. Ela reside, identicamente, na nossa recusa de compreender o que nos acontece, organizar a resistência e influir nas relações de força. Num Mundo, quão incerto e, assaz perigoso, porque regido pela lei do mais forte, parecemos ter escolhido seguir o “diagnóstico e as soluções” do que domina.

            (6) Todavia, não devemos e, nem podemos, olvidar, que no passado, fomos, por certo, vencidos, porém, resistimos e, de que maneira. Aliás, em qualquer parte do Mundo, os Países que erguem a cabeça, em vez de se submeter (concretamente, o Japão, a China, a Índia, o Brasil, a Venezuela) figuram entre os que recusam se entregar de pés e mãos atados às nações ricas e às instituições internacionais de financiamento. Resistem-lhes, se afirmam e conseguem, frequentemente a se impor.

                                   
                                    Para reflectir avisadamente:
                        Com efeito, os valores, que permitiram à Mulher Africana
                        Salvar a progenitura das calamidades de uma história, sem
                        Igual, são, como assevera eloquentemente, a jornalista
                        Senegalesa, DIÉ MATY FALLLe bonheur de la maternité,
                        La responsabilité d’engendrer la Société […], l’amour filial,
                        La dignité de gardienne du temple »
                        Sim, efectivamente, a Mulher Africana gera e cria a Vida,
                        Assegura a sobrevivência, enfim e, em suma: Engendra o
                        Sentido pleno da Existência Humana.


            Eis porque, de feito, tendo em mente, estes egrégios Valores, que nos legaram os nossos Avoengos, estamos, ipso facto, munidos de um robusto arsenal cultural, que nos permite enfrentar, estoicamente o desafio/repto ao qual fazemos frente, presentemente (nos nossos dias de hoje). Donde, no âmbito desta dinâmica, se impõe imaginar perspectivas de futuro centradas nos Seres Humanos e, concomitantemente, assumir uma reapropriação consequente dos nossos Destinos, que recorra à(s) nossa(s) língua(s) materna(s), aos nossos referenciais, à valores de Sociedade e de Cultura, que nos são familiares, obviamente.
            Deste modo, no âmbito desta perspectiva, devemos sobretudo recorrer, em tempo útil e oportuno, a arma, a mais decisiva, a arma de “destruição massiva”para opor à sorte funesta ao qual o nosso Continente, parece se encontrar votado (quiçá, aparentemente, ad aeternum), que é, sem sombra de dúvida, a sua unidade, na sua assunção mais nobre.
            Sim, efectivamente, a África deve-se unir, realmente! E, congregando, o mais rapidamente possível, todos os seus Recursos Humanos (com ênfase para a sua Juventude), outrossim e, ainda, os recursos materiais, reputados entre os mais relevantes et pour cause, os mais cobiçados do Planeta.

            E, rematando assertivamente: Por conseguinte, assim que, Ela (referindo-se, obviamente à África), o faça, antes de mais, a atitude dos seus algozes e carrascos de ontem e de hoje, mudará, em seguida, Ela (a África) recuperará o seu verdadeiro e autêntico Lugar, no âmbito da Trajectória evolutiva da História Humana, simultaneamente original e Central, no Mundo.

Lisboa, 03 Agosto 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).

BEM BEM!...

Estou quase a retirar aqui ao lado o link que coloquei para o blogue "Macau Passado".

Se as fotografias de Macau que o João Severino tem para nos mostrar são as da sua, dele, (omni)presença naquele território, vou ali e já venho. E venho a correr apagar o link para o álbum do bigodaças.

É que não aturo os EUístas, e muito menos estarei disposto a dar-lhes o mínimo protagonismo.

RICOS MAS ESCRAVOS

Um jovem de 24 anos, numa noite das suas férias ou folgas, não pode beber uns copos com os seus amigos, fumar umas cigarradas, cantar e urinar na rua, enfim: dar largas a manifestações próprias da sua idade, sem ser largamente exposto à curiosidade e julgamento públicos, por um jornal tablóide, apenas pelo facto de ser jogador de futebol de um grande clube mundial.

Falo de Wayne Rooney, jogador do Manchester United, fotografado numa noite de folga, em Londres, na companhia de seus amigos e da mulher, em que frequentou um pub de que saiu às 5:30h da manhã depois de uma certamente boa noitada, cantando, abrindo os braços, tendo urinado na rua.

E eu a lembrar-me dos meus 17 anos para a frente em que, durante as minhas férias, fiz serenatas até às sete da manhã, bebendo um litro de brandy por noite, urinando por tudo quanto era beco, cantando e tocando violão a noite toda, sem que nada disso tenha prejudicado terceiros e me tenha afectado a vida de estudante e posteriormente a vida profissional.

Antes pelo contrário ― por paradoxal que pareça, esses “excessos” da juventude constituem a melhor e mais segura prevenção ao desenvolvimento de uma personalidade adulta desequilibrada e muitas vezes violenta, que resulta frequentemente da frustração por se ter vivido uma juventude vigiada, reprimida nas suas manifestações naturais, censurada pelos adultos e castrada pelas instituições e pela sociedade pérfida, manhosa, castradora e mentirosa, cínica e filha-da-puta que conhecemos e que funciona ao sabor dos interesses de várias “máfias” organizadas em confederações, grupos, associações e partidos que se apresentam angelicamente ao público como se fossem as melhores damas da comédia da vida que vivemos.

Ainda há poucas semanas li no New York Times a legenda de uma fotografia de Cristiano Ronaldo numa piscina, que rezava mais ou menos isto (cito de memória): “Um futebolista multimilionário que passa 15 dias de férias num hotel em Nova York entre o quarto, a piscina e o restaurante”.

Julgue por si em que constitui a vida de Cristiano Ronaldo durante esta sua juventude e diga depois se Wayne Rooney não faz muitíssimo bem em viver as suas folgas e férias como muito bem lhe apetece e sem medo de ser “descoberto” pelo fotógrafo de qualquer tablóide que viva desses “escândalos”.

Nunca mais me esqueço de George Best, um génio que jogou também no Manchester United, nos anos sessenta, talvez o primeiro futebolista da história a mandar às malvas a disciplina escravizante do futebol. Best frequentava diariamente bares e pubs com os amigos, bebia muita cerveja e fazia aquilo que lhe dava na real gana. Mas o seu génio impediu sempre que o clube prescindisse do seu trabalho, mesmo fazendo manchetes diárias nos jornais londrinos que o perseguiam retratando obscenamente a sua vida fora dos campos de futebol.

«Eu sou o tipo que levou o futebol das páginas internas para a capa dos jornais», teria dito.

Best teve uma carreira de 15 anos no futebol (12 dos quais no top) e morreu com 59 anos, vítima de cirrose hepática, após um transplante de fígado que não aguentou a sua forma de viver, pois, mantivera o hábito de frequentar pubs e beber o seu copo.

Mas viveu como quis e lhe apeteceu e certamente morreu em paz consigo próprio e sem remorsos de não ter adoptado uma vida de clausura e de santidade que não era certamente adequada à sua personalidade.

Fiquem com esta frase banal: NÃO SE VIVE DUAS VEZES.


*** Este texto NÃO foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico. ***

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

OS VENDILHÕES DO TEMPLO

No Portugal dos Pequeninos João Gonçalves apelida e bem o jornal Expresso de «semanário brasileiro».

Mas há mais. O insignificante jornal “i” também afina pelo mesmo diapasão provinciano do brasileirismo do novo acordo ortográfico. Isto para não falar da pasquinada que se auto intitula de” jornais desportivos”.

E na blogosfera temos um blogue que paradoxalmente foi buscar as suas “origens específicas” à descendência, isto é, também se tornou brasileiro.

O autor daquele blogue terá assim inaugurado uma nova forma de olhar para as coisas ― quando se quer olhar para trás olha-se para a frente.

Até apetece perguntar ― Ó Francisco, tu vai fazer féria no Brasil com os amigo?!


*** Este texto NÃO foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico. ***

DESDOBRAMENTO DE PERSONALIDADE?

Lendo hoje, na página do Governo na Internet, o discurso do primeiro-ministro José Sócrates no “Debate sobre o Estado da Nação”, deparei-me, no ponto 4. §3º, com a seguinte tirada:

«Pois bem: Portugal pode orgulhar-se do caminho que está a fazer, em dimensões absolutamente essenciais para a coesão social e a igualdade de oportunidades. E quero referir-me a três dimensões particularmente críticas: a primeira, a redução da pobreza e das desigualdades; a segunda, a promoção de uma saúde pública de qualidade; e a terceira, a educação e formação profissional.»

O que é que se pode dizer sobre isto?
Viverá José Sócrates no mesmo país em que vive o povo português?
Saberá José Sócrates o que o primeiro-ministro de Portugal e o seu governo têm feito verdadeiramente quanto à pobreza, à saúde e à educação?

O QUE É ISTO, SENHORES?!...


*** Este texto NÃO foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico. ***

SAÚDE PELO ESGOTO ABAIXO

domingo, 1 de agosto de 2010

NÃO HÁ DIREITO!

No Jugular, a paneleiragem e a fufaria, ofendidas com um caso de censura na TVI, a uma cena homossexual de beijo entre dois rapazes, escrevem uma carta de protesto onde a certa altura dizem:

«Entendemos não existir justificação para a não emissão de qualquer conteúdo que expresse a diversidade de afectos e relacionamentos que existem na sociedade,».

Então está bem! Mostre-se na TV todos os tipos de relacionamentos existentes na sociedade. E retire-se à TV privada a possibilidade de escolher os conteúdos que transmite.

Eu sei de indivíduos que costumam ter relações sexuais com porcas (suínos fêmea);

Porque não levar também à TV este relacionamento que existe na sociedade? É que já agora...

Reitero mais uma vez que nada tenho contra a homossexualidade das pessoas. Mas entendo que incentivar a paneleirice e a fufice, através de que meios forem, não é benéfico para a sociedade.

De resto tudo bem.

*** Este texto NÃO foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico. ***

UM PAÍS ÀS AVESSAS

Quando as bolsas internacionais caem, a bolsa portuguesa sobe; quando aquelas sobem, a portuguesa desce;

Quando se faz “Um minuto de silêncio” num jogo de futebol, por exemplo, o público bate palmas fazendo um barulhão do caraças; quando se assiste a um cortejo fúnebre, os presentes batem palmas, muitas palmas (temos aí o funeral de António Feio a testemunhá-lo mais uma vez).

― Sim, palmas num funeral!

 Este deve ser o único país no mundo onde esta aberração acontece.

Está visto. Este é um país que se deseducou ao longo do tempo porque a cada dia que passa falham mais e mais as instituições que deveriam ensinar os cidadãos a serem civilizados (estou a pensar nas igrejas tradicionais, nas famílias, nas escolas e nas associações de cidadãos).

No que diz respeito a exemplos que vêm de cima... o melhor é nem falar!

A tudo isto junta-se o para mim mais grave: a Língua Portuguesa é cada vez mais mal falada; mais mal escrita; em suma, mais maltratada. Até pelos que a deviam defender em primeira linha ― os escritores portugueses (alguns vendidos a amizades e prebendas brasileiras) que, sem qualquer pinta de rebuço (fruto, talvez, da deliquescência dos princípios da nação), aceitaram e adoptaram o condenável último Acordo Ortográfico.

Dos chamados “jornalistas” não falo. Porque hoje em dia a grande maioria dos jornalistas é quase analfabeta e totalmente inculta ― é só tentar ler um jornal qualquer com alguma atenção para se ficar aterrado com o lixo de escrita e de assuntos produzidos por esses chamados “jornalistas”.

Que fazer? É o que se pergunta. Não sei, respondo eu.

*** Este texto NÃO foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico. ***

BOM DIA E BOM DOMINGO.