quinta-feira, 22 de julho de 2010

Peça Ensaística Vigésima, no âmbito de

Na Peugada de NOVOS RUMOS:


Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895)

O Africano e a questão da Honra:

                    Nota Prévia:
                          O Indivíduo (Cidadão) só existe, no seio do
                          Grupo, ao qual ele deve tudo.
                          O Grupo tem o dever de se defender.
                          O Homem é um todo: Não é bebé, depois adulto,
                          Em seguida, velho. Sim, efectivamente o bebé que
                          Principia o ciclo que encerra o Ancião.
                          A Velhice é o término da Vida, que impõe
                          Respeito a todos os indivíduos/cidadãos.
                          A Solidariedade e a preocupação para com o
                          Outro, constituem os imperativos norteadores da
                          Vida de
                          Todos os Seres Humanos.
                          A primeira riqueza é a do coração.
                          O Trabalho é nobre, porém a Vida e a Existência
                                Não se resumem, única e exclusivamente ao
                                                           Trabalho, evidentemente!...


(1)     O Sentimento que subentende a Educação do Africano é, antes de tudo, o da Honra. Eis porque e, tendo em conta esta ancestral premissa, raramente ver-se-á um emprestador exigir do devedor a assinatura de um reconhecimento de dívida e, por seu turno, identicamente ver-se-á o devedor, raramente contestar a sua dívida ou deixar de a honrar. E, eis porque, outrossim, jamais deve desmerecer ante os olhos dos outros. Perante este desígnio, deve sempre agir e actuar conforme o pacto original. Toda a infracção às regras do pacto conduz à desonra, a qual repercute sobre a Família. Assertivamente, se pode afirmar: Que aquele que já não possui HONRA é banido, ipso facto, da Sociedade.
(2)     Todavia, a Honra e a Segurança não bastam para fazer aceitar o constrangimento permanente que exercem a Família e a Comunidade. Estas últimas dispõem de uma Arma imparável: a recompensa e a punição.
(A)-Nas sociedades em que os bens materiais desempenham um papel limitado, em que podem mesmo, numa certa escala, representar um perigo para a harmonia do Grupo, pois subentendem o individualismo crescente, a recompensa e a punição não são valores materiais, sim, efectivamente valores morais. Em África, tudo gira em torno da noção da bênção e da maldição.
(B)-Quando um dos pais abençoa o seu filho, Ele deseja-lhe que consiga franquear todos os obstáculos da Vida, sem dano. Coloca-o sob a protecção dos anciãos, confiando-lho.
(3)     Aqui, vale a pena, abrir um parêntese para explicitar esta questão da Bênção, em África. De feito, presentemente, quando eles benzem, poder-se-ia pensar que os Africanos cristianizados ou islamizados invocam o Deus das religiões monoteístas, no entanto, na verdade, é o ancião que é o destinatário das suas preces. Interessante sublinhar, que não têm necessidade de pronunciar a sua bênção, em voz alta para que ela opere. O pensamento, de uma palavra silenciosa, basta. Todavia, esta palavra é tão forte que ela determina o destino da criança e confirma para ela a obrigação de se mostrar digna da protecção do ancião.
(4)     Donde e daí, decorre, naturalmente o grande respeito do Negro Africano para com a Idade. Como se pode, com efeito, esperar ter êxito, de alguma forma, sem a bênção dos seus pais ou dos seus mais velhos, pois quando, se cresceu nesta convicção, não se a transporta sobre si, como uma camisa, porém em si, como uma parcela de si próprio.
(5)     O primeiro choque a que sujeitaria um Negro Africano se saísse do seu mato natal e fosse, directamente para uma cidade ocidental, seria, sem dúvida, de ver estes idosos, vergando nas suas marchas, ou em pé, no autocarro ou no metro, enquanto viajantes mais jovens estão sentados. Perguntar-se-ia, em que mundo tombou, visto que este “espectáculo” é para ele insólito. Para o Negro Africano, a deferência para com os mais velhos não é formal: é um acto fundamental que pode inflectir o curso do seu Destino.
(6)     De facto, quem se opõe, de um modo ou de outro, às regras que edificam o Pacto original, sujeita-se, com efeito, a pior das sanções: a Maldição. O seu vector é, outrossim, a palavra, dita ou pensada e é ainda o ancião que é chamado para ser testemunha. O medo da maldição provoca a ansiedade, cada vez que se afasta da via prescrita, isto desde os tempos imemoriais. Trata-se de uma barreira moral que proíbe ao culpado de aceder aos benefícios da cadeia de Vida. Ora, privado deste contacto com o ancião como com os outros, o indivíduo se fragiliza. A ameaça da maldição é um meio infalível de submeter, mesmo os mais recalcitrantes, visto que o sistema surte o efeito almejado, fazendo-lhes crer que o único escudo contra a desgraça é o respeito escrupuloso das regras do Grupo.
(7)     Demais, vale a pena sublinhar, que o corolário lógico da maldição é a marginalização. Este corte moral é mais profunda e mais duradoura que a prisão Ocidental. Aliás, quando se purgou a sua pena de prisão, pode-se regressar entre os seres livres, mesmo se seguiu pela imagem do ancião prisioneiro. Todavia, é impossível purgar a sua pena quando se é marginalizado. Nenhuma sentença clara não é emitida e, se reconhece prisioneiro na sua cabeça. Pode-se continuar a viver entre os membros do Grupo, sem mais, na verdade, fazer parte dele: Donde, o maldito se constitui prisioneiro de carrascos morais. E, como suposto é (estar ele próprio), colocado, numa tal situação, só ele pode sair da mesma. Nenhuma necessidade de Juiz, pois bastar-lhe-á cumprir o acto mais difícil para o Ser Humano: se arrepender.
(8)     Como, aliás, para a bênção, os efeitos da maldição ultrapassam o indivíduo. Não atingem unicamente a esposa (ou as esposas) do culpado e os seus filhos, mas não poupam, mesmo os seus pais. Em suma: É toda a sua descendência que é marginalizada.
(9)     A punição suprema permanece, contudo, a morte, outorgada, não com uma arma clássica, porém através da feitiçaria. Quando se diz a alguém que recusa obstinadamente se comprometer no caminho certo, isto é, o da obediência: “Cautela!” Isto significa que ele corre o risco de incorrer na sanção suprema. Pouco importa, que não seja apenas uma mera ameaça, o fundamental é que a quase totalidade dos Negros Africanos acham-na, rigorosa e assaz severa como “ferro”e estão aterrorizados à ideia de sofrer uma tal condenação.
(10) De sublinhar, todavia, com ênfase, que a arma mais utilizada para desacreditar o recalcitrante é o rumor calunioso. Em Sociedades, assentando na oralidade e pondo a honra acima de tudo, o rumor calunioso é de uma eficácia incrível. De feito, num piscar de olhos, rapidamente (e porque toda a gente conhece todos), dá a volta à aldeia, à cidade, ao país. Eis porque, donde, sem código penal escrito, sem juízes, sem guardas prisionais, uma sociedade consegue, com êxito, instilar o medo, no coração dos indivíduos e fazer-lhes respeitar princípios e regras de conduta intangíveis.
a.       Aliás, a ausência de cultura da escrita nada tem a ver, no seio desta organização societária. Séculos de uma Educação poderosamente eficaz, se apoiando num profundo conhecimento da Psicologia, erigiram um sistema de controlo, de tal modo, racional e subtil que pode passar despercebido.
b.      Quando se observa de fora, as Sociedades Negras Africanas, tem-se tendência a ver nos Africanos, unicamente umas eternas crianças, uns obedientes natos e submissos aos tiranos mais sanguinários. Esta leitura é fruto da ignorância do extraordinário mecanismo que contribui para aí enquadrar o Ser Humano.


Eis nos, por conseguinte, ante um eloquente projecto de Sociedade elaborado desde milenários, pleno dos dados da vida e da história dos Homens, cuja a solidez nada tem a cobiçar e invejar a nenhum outro e cuja a nobreza reside no lugar primordial acordado, não ao indivíduo (em si), mas, sim, efectivamente, ao Homem, em toda a sua dimensão e grandeza humana, seguramente.
Pode-se asseverar que a démarche Africana é humanista. Todavia, para garantir a sua felicidade e a do Outro, foi preciso, aliás, como, em toda a Sociedade Humana, edificar um sistema de controlo. Este último protege, no entanto, asfixia, simultaneamente. De feito, não há dúvida nenhuma, que o maior inimigo de todo empreendimento humano, por mais elaborado que seja, é o factor tempo. E, a despeito de tudo, as Sociedades Africanas não escapam à dinâmica interna desta elucidativa regra e que, por seu turno, a Solidariedade, por mais louvável que ela seja, não está imune de ser vítima da injustiça, fonte, aliás, de conflitos e susceptível, mesmo de conduzir à morte.

Lisboa, 21 Julho 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).

terça-feira, 20 de julho de 2010

Peça ensaística Décima Nona, no âmbito de

Na Peugada de NOVOS RUMOS:


Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).


(1)      À primeira vista, a família Negra Africana é um universo relativamente asfixiante, onde o indivíduo, submetido à lei do grupo, perde liberdade. Todavia, ela é, frequentemente assimilada à uma espécie de Paraíso. Aliás, de anotar, quantos viajantes atestam, em primeiro lugar, acerca da alegria de viver em África? De feito, neste particular, em África Negra todo o visitante estrangeiro é sagrado. Não está, por conseguinte, submetido aos constrangimentos que pesam sobre os hóspedes e beneficia, pelo contrário, de mil e uma atenções, que podem modificar a sua percepção, no sentido positivo.
(2)      Tudo depende, de facto, da significação que se atribui ao vocábulo “Paraíso”. Se pensa, num lugar de tensão, onde os humanos nadam na felicidade, então a família Africana, já não assemelha neste sentido, a nenhuma outra. Opostamente, mesmo, ela pode se tornar sufocante. Em contrapartida, se entendemos por “Paraíso” um espaço, onde a alegria de viver aparece no primeiro plano, no âmbito de uma atmosfera mais complexa, então tal é bem a Família Africana, na sua assunção plena.
(3)      O Pacto original que serve de cimento à Sociedade constitui a fonte desta convivência, que rechaça todos os conflitos para o segundo plano (sem forçosamente os resolver) e torna o pacto perene. No fundo, no fundo, mais que uma vontade, é uma Cultura colectiva, transmitida de geração para geração. Neste particular, não há dúvida nenhuma, que a Escola Africana possui, nesta circunstância (no caso presente) uma forte responsabilidade: Com efeito, se apoiando na palavra, o Ensino escolar edificado sobre a técnica da repetição é tremendamente eficaz e cumpre a proeza de inscrever, em cada consciência negra Africana a necessidade da recondução do modelo.
(4)      De sublinhar, com ênfase, que é esta convivência elevada ao número de regra de vida, que confere um tal calor ao grupo na África negra. Em algumas sociedades da África do Oeste, por exemplo, o “parentesco de primos na brincadeira” é um meio incomparável, não unicamente de entrar em contacto, com alguém, que não se conhece, mas, outrossim, para evitar os conflitos. Aliás, de anotar, ainda, que, quando dois indivíduos de etnias aliadas se encontram, pela primeira vez, a tradição quer que evoquem, em conjunto, brincando, as relações (mesmo tensas) entre os seus antepassados. Uma altercação pode se declarar. No entanto, basta que um dos protagonistas traga à memória estes vínculos e elos antigos para que a tensão se apazigúe.
(5)      Irritados com a expressão “calor africano”, que lhes parece sublinhar o atraso dos seus congéneres, alguns intelectuais africanos a rejeita, cada vez mais e mais, frequentemente, até negam a realidade disso. Não há, contudo, nada de chocante pelo facto, que pessoas oriundas de terras, onde se encerra, literalmente as pessoas idosas, em que a solidão tende a se tornar a regra e onde a família se desagrega, tenham a impressão de tomar um banho de Juventude, quando abandonam o Continente Africano. Demais, obviamente, entre a África e o Ocidente nada é simples, pelo facto dos não ditos e do pesado contencioso herdado do passado recente, porém, não é preciso ver em cada gesto do Ocidente, um insulto ao Negro Africano.
(6)      Não deixa de se afigurar pertinente, lembrar que o primeiro calor, no qual banha todo o Ser Humano é o líquido amniótico. A nossa mãe nos amamenta, nos teve nos seus braços, durante meses, acalmou as nossas angústias e nos prodigalizou um sentimento desigual de segurança. Sem dúvida, isto explica por que o nosso elo à nossa Mãe seja único e diferente do que nos une ao nosso pai. A grande convivência da Família Africana prolonga, fosse de forma imperfeita, o calor do seio materno. Ele aprisiona, obviamente. No entanto, outrossim, ele tranquiliza e protege, indubitavelmente.
(7)      Enfim e, em suma: Vale, por conseguinte, melhor falar de calor Humano que de calor Africano. Com efeito, se os Negros Africanos, presentemente, possuem o “mérito” incontestável de ter sabido, numa certa medida, preservá-lo, isto não lhes confere, nem a paternidade, nem a propriedade do que permanece um dos raros momentos de grande Felicidade da Existência Humana.
Lisboa, 19 Julho 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/internacionalista --- Cidadão do Mundo).

segunda-feira, 19 de julho de 2010

DESAFIO À SENHORA MINISTRA DA SAÚDE

Por aquilo que julgo conhecer do passado profissional da senhora ministra da Saúde, e admitindo que a senhora não tomou nenhum xarope que lhe tenha alterado a personalidade e as ideias, desde que foi para o governo, não entendo como a mesma pode estar a fazer uma política de Saúde tão contrária àquilo que seria de esperar!

Claro que sei que os ministros não fazem políticas pessoais, mas sim as políticas dos governos a que pertencem.

Mas, caramba! Uma coisa é flexibilidade de opiniões e de posições; e outra bem diferente é mudança de carácter (por obrigação ou por conveniência, tanto faz) ― coisa que, como é mais que óbvio, é sempre de recusar por parte de qualquer espírito independente que se preza ―. Por isso espero que a senhora ministra da Saúde tenha presente que há uma figura chamada “Pedido de Demissão”.

Nas actuais circunstâncias, longe de significar cobardia política ou pessoal, pedir a demissão do cargo de ministra da Saúde só pode enobrecer a senhora.

Com a demissão, sairia do pântano governamental em que se está atolando e iria tentar salvar o que resta do seu não muito antigo Serviço de Pediatria do Hospital Garcia de Orta que, pelo que sei, está hoje pelas ruas da amargura.

Vá reocupar o seu antigo cargo, senhora ministra, e mostre-nos como é que é possível ter um Serviço Hospitalar seguro, fiável e eficiente nos dias que correm e nas condições que o governo, o PS e a direita criaram e agravam a cada dia, a cada hora, a cada minuto.

Vá e mostre-nos que conseguirá trabalhar em condições normais e não será levada a pedir reforma antecipada ou a afastar-se do cargo por qualquer motivo.

VÁ, SENHORA MINISTRA! FORÇA NISSO!!!

TERLINTINTIM, TERLINTINTIM, TERLINTINTIM

O TITANIC A AFUNDAR E A ORQUESTRA A TOCAR


«O serviço de urgência da Maternidade do Hospital Garcia de Orta, em Almada, activou entre as 00h00 de quinta-feira e as 08h00 de domingo o plano de contingência para reencaminhar doentes para outros hospitais

«O bastonário da Ordem dos Médicos discorda. Pedro Nunes diz que o problema não é a falta de médicos, mas a ausência de condições atractivas para os profissionais de saúde. "A culpa é de quem transformou os hospitais em empresas e criou esta cultura gestionária. Os médicos não têm interesse em trabalhar nas urgências. Quem decide devia ter tido a preocupação de conservar os médicos no Serviço Nacional de Saúde (SNS), em vez desta alegre ignorância", sublinha o bastonário.»

«O bastonário considera que é uma questão simples: "O problema não se resolve colocando mais alunos nas faculdades de medicina. A maturidade e a aproximação da reforma de alguns profissionais, em contraste com as condições oferecidas pelo SNS, justificam a fraca adesão às vagas no Serviço Nacional de Saúde", refere.»

domingo, 18 de julho de 2010

DA IRREALIDADE DE UM PAÍS

Isto foi no Reino Unido. E pelo visto e pelo lido, está tudo bem.

Fôra um cirurgião português a suturar um antebraço daquela maneira ― caía o Carmo e a Trindade ―. E todas as televisões, os jornais e demais mentideros sociais clamariam pelo enforcamento ou lapidação do médico que tal atentado teria cometido. Porque Portugal foi transformado pelos “socialistas” deste PS numa arena onde todos lutam contra todos permitindo assim que os políticos medíocres se mantenham incólumes no poder e possam delapidar metodicamente a pouca riqueza que ainda resta.

BOM DIA!

Peça ensaística Décima Oitava, no âmbito de

Na Peugada de NOVOS RUMOS:   


Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).


Quem não tem tempo para outrem não é
Digno, por conseguinte, de consideração

(A)      A imagem do Negro preguiçoso é amplamente espalhada. Se quedamos nos clichés, veiculados, por vezes, pelos próprios interessados, os Negros Africanos passam o seu tempo todo a palavrear, a cantar e a dançar, na maior indiferença. Eis nos, bem, uma vez mais ainda, ante uma crassa ilustração do desconhecimento da sua filosofia de vida. Visto que, o indivíduo só existe, realmente ao serviço da Comunidade, tudo quanto diz respeito ao outro, no seio da Comunidade, o diz respeito, identicamente. Com efeito, ele participa, em todos os casamentos, baptismos e funerais. Que espectáculo, assaz revelador, que estas mulheres correndo quase para não chegar atrasada à uma cerimónia! Pelo contrário, não se chega aí, jamais bastante antecipadamente! Demais, ninguém pretende, sobretudo ser colocado no índex…
(B)       Na África Negra, o critério fundamental não é, nem a riqueza, nem o talento, sim, efectivamente, em primeiro lugar e, antes de tudo, a Sociabilidade. Que se seja rico ou pobre, a dignidade consiste em partilhar com o outro (em dar, como se recebeu e receberá todo ao longo da vida). Sim, efectivamente (reiterando, com ênfase): Quem não tem tempo para outrem, por conseguinte, não merece consideração!...
(C)       Seguramente, eles cantam e dançam muito os Negros, porém, se afigura pertinente lembrar que o tantã jamais retumba gratuitamente, pois que acompanha sempre um evento da vida comunitária, triste ou alegre. Deste modo, evidentemente, o canto e a dança se tornam parte integrante da vida e da existência dos cidadãos. Naturalmente, o tempo, não sendo extensível, alguns aspectos do quotidiano sofrem com este comunitarismo, designadamente o próprio trabalho. Enfim e, em suma: Ninguém irá trabalhar, nem continuará a fazê-lo, se o seu vizinho ou um seu parente (mesmo, muito afastado), baptiza o seu filho, se casa o seu “rebento”, ou falece. Com efeito, quanto mais vasto for a comunidade, tanto mais o indivíduo parece, por conseguinte, constrangido, em virtude do pacto, a viver numa espécie de improvisação permanente.
(D)      Evidentemente, sem sombra de dúvida, para o estrangeiro, aos olhos de quem o trabalho tem tendência a se tornar um fim em si, um tal mundo é exactamente incompreensível. Donde: E cedo se fez assimilar a atitude do Negro Africano à da preguiça. Ora, salvo em caso de conflito armado ou de calamidade natural extrema, os Negros Africanos não morrem de fome. Isto significa, que trabalham para se nutrir e não como meros escravos do trabalho. Contrariamente, às ideias recebidas, os vagabundos e os mendigos que morrem por inanição, não são legião em África Negra.


E, finalmente em jeito de Remate, se nos afigura pertinente, trazer à colação, algumas ideias bases:
(1) Se tudo for em honra de uma comunidade, no desígnio de se preocupar a este ponto com outrem, isto apresenta, a despeito de tudo, só vantagens.
(2) A questão, que se prende com as conexões entre o indivíduo e a comunidade deveu ter sido colocada, desde os primórdios da Humanidade. Com efeito, entregue à si próprio, o indivíduo (o Ser humano) é, efectivamente, débil e frágil. Donde, por conseguinte, não teve outra escolha que ceder uma parte da sua liberdade contra a protecção e apoio do grupo, cuja a autoridade está incarnada no chefe. Porém, de anotar, que as nossas sociedades actuais funcionam, de outro modo? Hèlas!...
(3) Se a Solidariedade nasceu no Continente Africano, na medida em que este é considerado como o Berço da Humanidade, ela (a Solidariedade, obviamente), não é uma invenção dos Negros Africanos. Ela assumiu, aliás, formas variadas ao longo dos séculos e, consoante, os elos, em que se estabeleceram os grupos humanos. Porém, o que é facto, presentemente (nos dias de hoje), não se consegue sobreviver fora deste Pacto primordial entre o indivíduo e a Comunidade.

             Finalmente e, de modo, dialecticamente assertivo: Na verdade, em vez de se surpreender com a Solidariedade Negra Africana, convém indagar como Ela se apresenta ou pretende se apresentar, presentemente (nos nossos dias que corre, sob o signo da incerteza), após a escravatura e a colonização, na era da mundialização.

Lisboa, 17 Julho 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).

sábado, 17 de julho de 2010

WINDOWS XP - AINDA UM CAMPEÃO

A Microsoft passou a vender todas as versões pré-instaladas de Windows 7 com a possibilidade de downgrade (marcha atrás) para Windows XP. A isto não é indiferente o facto de ainda hoje 74% dos utilizadores do XP se manterem fiéis a este sistema operativo ignorando, portanto, o Windows 7.

A Microsoft diz estar já a trabalhar no novo Windows 8 com o qual pensa levar-nos a abandonar definitivamente o XP. Aguardemos!

Aqui a malta do XP nuca embarca à primeira passagem dos novos navios preferindo experimentá-los e observá-los em viagem a ver como enfrentam as tempestades antes de sequer pensar em os adoptar. Cá o XP (nas versões SP2 e SP3) é hoje um dos mais estáveis e fiáveis sistemas operativos que se pode encontrar. E tem milhares de aplicações capazes de satisfazer todo e qualquer gosto por mais esquisito que seja.

Viva o Windows XP!

NOTÁVEL FÍSICO CABO-VERDIANO...

DÁ CARTAS AO MUNDO DA CIÊNCIA

Obviamente que como cabo-verdiano que sou é com muito orgulho que dou esta excelente quão bizarra notícia a todos os internautas.

TEMOS O MAIOR FÍSICO NUCLEAR DO MUNDO.
Está escondido... (lá saberá porquê)... mas temo-lo.

Numa entrada de árvore genealógica que encontrei neste endereço na Net, com fotografia e tudo do contemplado, e em que se afiança que o que lá está escrito é «Testemunho da própria pessoa, enviado por correio electrónico.», lê-se na autobiografia do grande senhor físico o seguinte (transcrevo com gralhas e tudo): «desenvolveu um projeto, já concluído, para geração limpa, ilimitada e barata de energia, para qualquer potência, tendo sido o único físico no mundo a transformar, com modelagem matemática, o movimento retilínio horizontal em velovidade angular e velocidade tyangencial, devidamenyte registrado no órgão competente.»

É interessante comparar isso com o conteúdo de um email que me foi passado pelo respectivo receptor, e no qual este nosso conhecido físico escreveu (transcrevo com erro de Português e tudo): «este teu primo foi o único físico que transformou o movimento ascencional vertical em movimento horizontal, com potencialização de 2 elevado à 4ª potência na velocidade tangencial e controle absoluto da velocidade angular. »

Reparem que o que antes era a transformação do movimento retilínio horizontal em velovidade angular e velocidade tyangencial (uma treta sem pés nem cabeça, mas muito imaginosa: transformar movimento em velocidade) passou agora a ser a transformação do movimento ascencional vertical em movimento horizontal, com potencialização de 2 etc., etc., etc. (o resto vocês já sabem: é outra treta do mesmo teor que a anterior, mas mais rebuscada e mais pateta ainda); são duas enormes baboseiras que nada querem dizer. É pior que um cão a ladrar.

Mas continuemos.
No mesmo email antes referido, o grandessíssimo físico escreveu também: «Coordeno uma equipe de cinco engenheiros eletricistas além de mim e já estamos quase lançando para o mundo inteiro um processo de geração de eletricidade da minha autoria que vai baratear o custo da energia elétrica em 16 (dezasseis) vezes.»

 Mas há três anos aqui neste endereço na Net encontra-se um comentário enviado  a alguém, pelo mesmo nosso querido físico, em que este escreve: «Não se trata de energia eólica (muito cara), nem de fotovoltaica ou solar (muito pouco e cara), nem maremotriz muito pouco provável, muito menos nuclear e nem hidrelétrica (com problemas ambientais). Trata-se de geração de eletricidade em qualquer potência e por um custo duzentas vezes mais barato que a matriz energética hidrelétrica. A matriz energética por mim pesquisada, desenvolvida e COM PROTÓTIPO JÁ EM FUNCIONAMENTO, revolucionará o mundo.»


Caramba! Isto é um prodígio (só que ao contrário): Em três anos, a energia criada pela maquineta do nosso mais que querido físico passou de 200 vezes mais barata para somente 16 vezes mais barata; quer dizer: quanto mais esse  crânio oco da ciência “investiga”, pior é o resultado.

Nota: Senhor físico, não vale a pena mandar alterar ou retirar a sua entrada da árvore genealógica referida porque a mesma está em cache no Google e por outro lado está já gravada por mim no disco duro do meu PC; também e pelas mesmas razões não vale a pena mandar retirar a fotografia. Deixe estar tudo assim como está para que todo o mundo o conheça e admire.

COMEÇA BEM O DIA DE HOJE!...

Com esta promissora notícia do DN:

«A direcção clínica e os três directores de serviço da Maternidade Bissaya Barreto, em Coimbra, pediram a demissão em bloco na sequência de várias decisões do conselho de administração.»

Apesar de tudo, BOM DIA!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

UMA CIGANADA EM PERSPECTIVA

Essa coisa ou proposta de que falei ontem aqui, vinda do tal de Grupo Técnico para a Reforma da Organização Interna dos Hospitais, em que se propõe esse grande avanço civilizacional que é Os médicos avaliados por doentes ― essa coisa ou proposta, dizia eu ― depois de bem pensada resulta tão somente no seguinte:

A incompetência reinante e governante, perante o descalabro que é hoje a Saúde em Portugal (situação da exclusiva responsabilidade dos governos de Durão Barroso e José Sócrates), em que se programou e se levou a cabo a destruição do Serviço Nacional de Saúde em favor dos interesses privados nesta área ― essa incompetência reinante e governante quer fugir com o rabo à seringa, sacudir a água do capote e dizer ao Zé Povinho:

― O culpado de tudo és tu!

E que solução a “incompetência” saloia, analfabeta, negocista, vendilhona e aciganada descobriu? Descobriu que se levar o Zé Povinho a ter um ou mais representantes nos conselhos de administração dos hospitais, facilmente passará a responsabilidade da má gestão e de todas as tropelias já feitas para o coitado do Zé; porque lhe dirá no fim quando a casa vier abaixo: Tu também és responsável porque não soubeste administrar.

Tanto fará que o Zé se deixe enganar ou não. Encontrarão sempre um boy partidário ou um aventureiro desonesto que será nomeado ou coopetado, ou “eleito” como representante do Zé. Será uma aldrabice de todo o tamanho, mas não do tamanho a que já não se esteja habituado a ver em Portugal

VAI UMA APOSTA???


Nota: Todas as vezes que um qualquer filho da puta quer conquistar o apoio ingénuo do Zé Povinho (contra os interesses do próprio Zé) lembra-se logo de dizer ao mesmo Zé: Anda cá que vamos lixar os médicos. Desta vez a proposta é o engano de que o Zé poderá «avaliar os médicos»...


Eu já o disse ontem   ― e desculpem a escatologia da frase ― Os médicos estão e vão-se cagar para essas merdas todas. E no fim o grande sofredor e prejudicado será o Zé Povinho.

O GOVERNO NADA DIZ


«Há centros de saúde no País onde todos os médicos de família pediram a reforma. É o caso do de Penela, na zona de Coimbra, que pode ficar vazio. No do Bombarral, em oito clínicos, seis fizeram o mesmo pedido. A situação na zona de Lisboa e Vale do Tejo é das mais preocupantes. A falta de médicos já deixou milhares de utentes sem resposta. Em seis anos, esta região devia ter ganho 50 clínicos, mas acabou por ficar sem cerca de 200. E a situação vai piorar. Em todo o País, vão ser mais três mil médicos a deixar a profissão.»

O estado de negação, o autismo e a compulsão em dizer que tudo está a melhorar, quando é precisamente o contrário que sucede, vão levar Portugal à cepa torta e à falência de instituições basilares do Estado ― como as da Saúde, por exemplo.

É o abismo mesmo ali à frente de todos e o governo e a ministra da saúde a fingirem que têm a situação controlada dizendo que vão nascer soluções a rodos e por todo o lado.

MENTIRA!

Os portugueses estão a ficar sem assistência qualificada na doença e o futuro é o agravamento dramático desta situação; a pobreza e a doença esperam pelos portugueses de mais baixos recursos já nas próximas curvas do caminho.

Desenha-se a perpetração de um crime a conta-gotas no que à saúde em Portugal diz respeito.

HÁ PRESIDENTE DA REPÚBLICA EM PORTUGAL?

HAVERÁ EM PORTUGAL UMA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA?

E DEPUTADOS?!... EXISTE ALGUM?!!!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

É SEMPRE BOM...


...REVISITAR O ALGARVE NO VERÃO

Peça ensaística Décima Sétima, no âmbito de

Na Peugada de NOVOS RUMOS:


Ser culto es el único modo de ser libre
José MARTÍ (1853-1895).

“…L’homme noir n’est pas un être particulier, pas
Plus que l’Afrique n’est une terre particulière ».

« En Afrique, chaque vieillard qui meurt est une
Bibliothèque qui brûle ». AMADOU HAMPATÉ BÂ
(Escritor malinês – 1901-1991).

(1)      O lugar do idoso, nas Sociedades Africanas é um dos raros aspectos destas Culturas a ser, quase unanimemente reverenciado. Eis porque, só se pode entendê-lo, sobremaneira, se recordando que, sobre terra a velhice marca a derradeira etapa, na esfera dos avoengos, guardiães da identidade dos Povos, dos quais se tornam, desde então (por essa razão) os referentes.
(2)      De anotar, que esta “idade avançada” (leia-se, outrossim, velhice) não possui a mesma significação que no Ocidente. A partir dos cinquenta, ou seja, à partir do momento em que o individuo se encontra na idade de se tornar avô, os Negros Africanos se classificam eles mesmos, entre “pessoas idosas”. Adoptam determinados princípios no atinente à indumentária (é o retorno os vestuários tradicionais ou supostos como tais) e frequentam a Mesquita ou a Igreja, de modo, muito mais assíduo que antes.
(3)      Qualquer que seja a sua idade, o velho é a criança e o adulto de ontem. A velhice confere novas funções e novas prerrogativas ao indivíduo, no seio da Comunidade. A pessoa idosa, todavia, só merece consideração se cumpriu convenientemente a sua tarefa de adulto. Aquele que recebeu e não retribuiu não é, com efeito, digno de respeito.
(4)      Ao longo do tempo, o indivíduo adquire uma experiência e um savoir-faire bastante significativos. Não se casa, não se baptiza uma criança, não se sepulta um semelhante, não importa como (de qualquer modo). Sem a presença de das pessoas idosas, estas cerimónias são sem interesse e, sobretudo, sem fundamento. Há gestos a executar, fórmulas a recitar, uma prática ancestral a perpetuar da qual apenas se reconhece a direcção unicamente à pessoa idosa. Ela constitui caução de verdadeiro, de legitimidade e de conformidade com o pacto ancestral, pois que pela sua longevidade, conhece a história de cada família da Comunidade, as convenções não escritas que regem esta última. De feito, o idoso é o nó fundamental que liga a criança ao ancião, para que o anel seja fechado.
(5)      Não há dúvida nenhuma, que é, em virtude deste papel excepcional, que ele merece ficar sob o encargo dos familiares e parentes mais chegados e, outrossim e, ainda pela própria Comunidade. Existe, aliás, sempre alguém ao pé dele para o apoiar e superar as suas dificuldades inerentes à sua idade.
(6)      Em suma: a idade, em África, não poderia constituir (antes pelo contrário), um motivo de exclusão, como acontece no Ocidente. E, visto que a pessoa idosa constitui um elo fundamental da cadeia de vida, a reforma não existe. Donde, se impõe, sublinhar, com ênfase, que, no dia em que as “casas de reformados”aparecerão em África, os Negros Africanos terão mudado de Filosofia e de modelo de Sociedade, obviamente.
(7)      E como Remate assertivo: todavia, não se preserva toda a idealização, visto que, como todo o comportamento humano, o respeito acordado à idade, conquanto ética moralmente louvável, se torna problemático à partir do momento, em que, ignorando o tempo e a evolução, se tem tendência a apresentar como um princípio imutável, até na forma. Eis, com efeito, o grande repto/desafio que deve releva a África. Ou seja: adaptar o lugar e o papel dos idosos na evolução da Sociedade, sem lesar ao respeito, que lhe são devidos.

Lisboa, 13 Julho 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).

«MÉDICOS AVALIADOS POR DOENTES»

OU O P.R.E.C. NOS HOSPITAIS
OU A ÚLTIMA MACHADADA
OU ESTÁ TUDO DOIDO

Claro, claríssimo para mim que se essa merda for avante, os médicos vão cagar para isso tudo, as "administrações" (que não sabem administrar sequer uma taberna) vão ficar a falar sozinhas e os doentes e utentes vão tratar-se uns aos outros.

Eu não sei que género de gente é essa que integra esse tal de Grupo Técnico para a Reforma da Organização Interna dos Hospitais. Espero bem que o meu amigo e colega Luís Campos não faça parte do mesmo pois penso o pior daquelas cabecinhas e não creio que nesse "grupo" exista sequer um médico que seja verdadeiramente médico. Deve ser gente "apanhada" pertencente à geração sócrates: essa que aparece licenciada e doutorada não se sabe como, donde, nem porquê; que dá frequentes pontapés na Língua e na gramática portuguesas, vive deslumbrada com as novas tecnologias e vive o presente escavacando e destruindo os alicerces já frágeis deste pobre e depenado país que não merecia cair em mãos de choldras de analfabetos funcionais.

Não tenho hoje grandes esperanças já houve tempo em que as tive de que a Ministra Ana Jorge deite para o caixote do lixo as "propostas" desse "grupo", pois, a senhora Ministra tem-se revelado cada dia menos lembrada de como era quando trabalhava nos hospitais, e está cada vez mais burocratizada e transformada em defensora de decisões indefensáveis deste moribundo governo sócrates.

Querem apostar comigo que a senhora Ministra (depois de deixar de o ser) irá para casa ou para um exílio dourado, não regressando já ao seu Hospital Garcia de Orta que na altura estará por certo totalmente escavacado no que à constituição dos seus quadros médicos diz respeito?

PREPAREM-SE PARA O PIOR!

Nota: De início Medina Carreira parecia um tremendista fora do seu perfeito juízo prevendo catástrofes imaginárias impossíveis de acontecer; hoje em dia constata-se a certeza das suas previsões bem como a brandura que utilizava para chamar os bois (ou os boys?) pelos seus nomes.