quinta-feira, 15 de abril de 2010
terça-feira, 13 de abril de 2010
ELOCUBRAÇÃO QUADRAGÉSIMA SÉTIMA:
“Ser culto es el único modo de ser libre”
José MARTÍ (1853-1895).
(1) Existe, presentemente (nos nossos dias de hoje) uma forte propensão em querer transferir a “miséria humana”, apenas para o sistema de cuidados, solicitando-lhe a gestão dos moribundos, dos excluídos, dos pobres ou dos deficientes. Eis porque, está fora de questão, outrossim rejeitar este género de pacientes, particularmente expostos, sob o pretexto de se enquadrar, no âmbito de uma Medicina não rentável. Todavia, existe uma verdadeira perversão do “economicismo” que tende a considerar que a assistência e a solidariedade social relevam da patologia. Porém, não há dúvida nenhuma, que a Medicina está destinada prevenir, tratar ou em enfraquecer as enfermidades. Com efeito, ela (obviamente, a Medicina) não pode (e nem deve) ser destinada para fazer a felicidade das pessoas e reparar as injustiças sociais. Em outros termos, os hospitais, que já fazem muito, não existem para solucionar os problemas sociais dos idosos. Compete aos responsáveis políticos, às colectividades territoriais, ou simplesmente aos cidadãos em relação aos seus familiares se ocupar deles. Enfim, se engana sobremaneira, carregando sobre o Sistema de cuidados tudo quanto não figura, no âmbito das competências da Organização Social ou Familiar.
(2) No decurso do século XX pretérito, a esperança de vida das mulheres e dos homens aumentou, aproximadamente de trinta anos. Todos os anos, se ganha, em média, cerca de três a quatro meses. Este constante aumento da esperança de vida acarretou uma mutação considerável, ou seja:
a. Por um lado: se empurrou para idades mais avançados os problemas de fim de vida;
b. Por outro: entre cinquenta (50) ou sessenta (60) anos e setenta e cinco (75) anos, viu-se aparecer patologias directamente devidas ao Envelhecimento, que, porém, se podem tratar, oferecendo um fim de vida (com qualidade, necessariamente positiva), antes de entrar na velhice (leia-se, outrossim, idade avançada).
(3) Tudo isto, tem conduzido, infelizmente, a uma medicalização crescente da velhice, sendo esta situação nosológica devida, em grande parte, ao facto que à partir dos Cinquenta (50) anos, se incita as pessoas a efectuar todas as espécies de controlos, testes ou análises, os famigerados check-up, o que, não deixa de ser, bastante positivo, porquanto responsabiliza cada um (de per si e, em si). Todavia, na prática, este comportamento significa que as pessoas não tendo, até então, nenhum problema de Saúde relevante entram no Sistema para criar um pedido crescente de cuidados. Donde e daí, a pouco e pouco, acabem por solicitar bastante à Medicina. Estamos então, perante derivas (leia-se, outrossim, desvios de rumo), na medida em que o médico não deveria constituir o derradeiro que queda no processo, quando todos os demais outros, no âmbito da Sociedade civil debandaram.
(4) Uma vez, bem estabelecimento este preâmbulo assaz relevante, se pode, a despeito de tudo, asseverar que a esperança de vida acarreta um dado médico novo vinculado ao envelhecimento da população.
(5) E, explicitando adequadamente, temos então:
a. Vejamos, em primeiro lugar, a questão fundamental que se prende com a idade propriamente dita. Trata-se, sem dúvida, de um puro e verdadeiro dado quantitativo. Ou seja:
i. Os resultados da Medicina devem-se exprimir unicamente em anos de vida?
ii. É um objectivo médico mensurável e suficiente?
iii. Não se deve, outrossim, introduzir a qualidade de vida como uma outra dimensão?
Deste modo, eis nos ante questões cruciais para a orientação futura do Sistema de cuidados. De feito, este aspecto qualitativo dos resultados médicos permanece muito mal apreendido e validado. Existe, outrossim, o risco de resvalar para um sistema (um tanto ou quanto, ao que se denomina, sistema à inglesa), em que se privilegia, o critério de idade. Ou seja: à partir de sessenta e cinco, setenta ou setenta e cinco anos, se decide já não realizar tal ou tal tipo de intervenção, por exemplo, uma diálise renal (salvo, se o paciente, paga, sem ser reembolsado).
(6) Para ser concreto, uma diálise custa muito, muito mesmo. Trata-se de um valor, assaz elevado, que entre outros, permite medir os constrangimentos económicos, ainda mais robustos, para os sistemas de cuidados, doravante confrontados com o envelhecimento da população. De feito, é incontestável que uma parcela crescente das despesas médicas vai ser consagrada ao prolongamento da vida ou, consoante a expressão Medicina de acompanhamento.
(7) Necessário, se afigura, saber que esta Medicina de acompanhamento não representa em si nenhum interesse económico visto que, por definição, não se trata de tratar alguém para o recolocar no trabalho.
(8) Eis porque, face a um adolescente atingido de um cancro, todo médico envolvido acelera porque ele aposta na esperança, na vida, outrossim, porém, porque o tratamento administrado será pago como compensação pelo capital trabalho. Em contrapartida, face a um paciente de oitenta anos (reconhecemo-lo, com toda a honestidade) que o combate não é idêntico. Neste caso, em concreto, pensa-se, em primeiro lugar, na qualidade do fim de vida do paciente.
(9) Destarte, se construíssemos uma Sociedade entregue aos imperativos, os mais duros da economia, ir-se-ia até a estimar que não é preciso reanimar este paciente de oitenta anos, pois que existe um interesse financeiro à que morra, o mais célere possível. Trata-se de um modo de proceder que pessoalmente, somos frontalmente contra, por motivos e razões óbvios.
(10) Enfim e, em suma: É indispensável, para os anos vindouros, melhor reflectir na Economia da Saúde (sendo, economia entendida, neste caso, em concreto, como sinónimo de gestão dos recursos, dos valores e dos bens). De feito, é nesta óptica que é necessário insistir na noção de qualidade de vida. De sublinhar, finalmente, que as ciências humanas e sociais estão sobremaneira ausentes do domínio da Saúde, conquanto exista uma necessidade, assaz gritante.
Lisboa, 12 Abril 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/internacionalista --- Cidadão do Mundo)
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segunda-feira, 12 de abril de 2010
A MORTE DE TERRE’BLANCHE

Eu sei de fonte segura, isto é, em primeira mão, que: em Angola, nos anos cinquenta, era prática os colonos tomarem para seus criados rapazitos angolanos que eram habitualmente sodomizados com alguma frequência por alguns daqueles.
Não sei se na África do Sul isso se passava ou passa. Mas em Angola passava-se.
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TUDO VELHO, MUITO VELHO
Para o vulgo o que de mais importante aconteceu neste XXXIII congresso (aclamador) do PSD terá sido a proposta de Miguel Frasquilho de «Redução dos Salários e pensões» em Portugal.Significando isso que a única solução para os problemas económicos portugueses é cortar radicalmente nas prestações sociais e nos salários ― não se vê onde estará a «NOVIDADE» que o PSD de Passos Coelho apregoa com pompa e circunstância, aos quatro ventos.
Medina Carreira com a sua teoria da «Dona de Casa» faria muito melhor que isso e sem grandes despesas em “governantes”, apparatchiks e demais parasitas dos partidos que infestam habitualmente a máquina do Estado e as dezenas de empresas públicas e participadas dele dependentes.
E se atendermos a que os desempregados políticos do PSD, candidatos a “governantes”, directores gerais, administradores de empresas e demais cargos no aparelho de Estado, são aos magotes e vivem há pelo menos 15 anos com fome e na penúria ― o quadro é de fugir e chorar para que o PS (mesmo o de Sócrates) fique onde está e continue no governo porque senão a albarda que escalavra as costas dos contribuintes e eleitores portugueses ainda será mais dura e pesada do que já é.
Louçã e o Bloco de Esquerda bem se lixaram nas últimas eleições quando vieram defender «o fim dos benefícios fiscais»: mesmo em época de caça ao Sócrates não conseguiram a votação que esperavam.
Agora temos o novo/velho PSD, com falsa unanimidade, a propor a «Redução dos Salários e pensões».
Veremos depois, quando chegar a altura das eleições, qual será a resposta dos eleitores e dos contribuintes portugueses a esta desvergonha de proposta.
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sábado, 10 de abril de 2010
CONSTATAÇÕES “À LÁ MINUTE”
De misógino a machista já me chamaram um pouco de tudo (mas pouco) por causa da posta, mesmo aqui em baixo, do “VEDOR”; mas até agora ninguém se dignou falar-me sobre “módico”. Esta gente só quer falar de coisas sérias.
Entretanto continuo a constatar ― ainda não tinha falado nisso? ― que os jornais diários tradicionais, bem como os semanários, no que à qualidade da “opinião” diz respeito, estão hoje muitas milhas atrás de um razoável número de blogues que felizmente leio com regularidade.
Para finalizar: VLX acordou e desta vez FNV absteve-se (pelo menos até agora) de lhe mostrar o fundo do tanque. Talvez porque os comentários à posta de VLX já bastem como castigo.
BOM DIA! E BOM FIM-DE-SEMANA.
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sexta-feira, 9 de abril de 2010
PROVEDOR DO VEDOR

BOM DIA!
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quinta-feira, 8 de abril de 2010
A SÉRIO
Mas fiquei na dúvida quando li esta posta do escritor FJV. Nela se escreve «um módico de controle sobre a informação da televisão pública». Investiguei de novo e perguntei aos poucos papéis sérios que existem aqui em casa como era isso de “módico”; ao que restolhando me responderam ― “módico” é apenas adjectivo.
Então rapei da caneta e escrevi um email a FJV pedindo-lhe iluminação para o meu espírito. Deve ter achado que eu estava a armar-me em cocó de cabra e não me respondeu (logo a mim que respeito muito os escritores que não me ligam nenhuma).
Contudo, e porque continuo com dúvidas, agradeço a quem de sabedoria sobre esta poda tenha a bondade de me esclarecer.
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ELOCUBRAÇÃO QUADRAGÉSIMA SEXTA:
“Ser culto es el único modo de ser libre”
José MARTÍ (1853-1895).
Da Esperança de vida e o Envelhecimento:
Para Principiar:
Não há dúvida nenhuma, que a progressão da População irá, a par, com um efectivo incremento da esperança de vida, acarretando, ipso facto, um Envelhecimento da População. Este facto demográfico coloca aos dirigentes políticos, questões acutilantes, no plano económico e social, assaz cruciais, designadamente no que diz respeito aos magnos problemas de Saúde, pois que a procura de cuidados vai crescer e aumentar e, simultaneamente, o incremento dos progressos das técnicas médicas abrem novas perspectivas.
(I)
Na Civilização Africana, por exemplo, a questão que se prende com o Envelhecimento da população não se coloca. Não tanto, aliás, porque a esperança de vida aí é menor, sobretudo, porém, porque os velhos se encontram relativamente bem integrados na Sociedade. De feito, em África, o diminuído, continua, de um determinado modo, a fazer parte integrante do círculo social e a ser respeitado.
Em contrapartida, nas civilizações pós industriais e urbanas, é forçoso observar, que se comporta, por vezes, de forma escandalosa com as pessoas idosas, em particular, os mais diminuídos. Há que reconhecê-lo, se criou, neste tipo de civilização uma espécie de ostracismo para com os idosos, ao ponto de os acantonar em ghettos. Não se quis outorgar os meios que lhes permite continuar a viver (com qualidade), no seio das suas famílias.
Com efeito, em África, existem vínculos/elos tradicionais que desempenham um papel socializante. Eis porque, se assevera que: “a morte de um velho, é uma biblioteca que arde”.
(II)
Antes de mais, vale a pena abordar, avisadamente os relevantes problemas filosóficos ligados ao envelhecimento:
a) O que é, actualmente da noção de família? Enquanto se assiste à sua atomização, os idosos que detinham um papel necessário, no âmbito da Educação, de entreajuda e de cimento no seio das famílias modelo antigo, quase já não ocupam lugar algum, no seio das famílias (soit-disant) modernas recompostas.
b) Por outro, a Urbanização contemporânea tende a isolar, cada vez mais e mais, os idosos.
c) Enfim, existe presentemente um “economicismo” ambiente. Ou seja: as interrogações acerca da qualidade e o sentido da vida foram mescladas com percepções totalmente económicas. Nesta óptica, o idoso é o improdutivo, para o qual os outros pagam e trabalham. É um fenómeno, assaz recente e, pelo menos, inquietante.
E, já agora acerca da Urbanização, vale a pena, tecer alguns considerandos sobre o Dia Mundial da Saúde, data que se comemora, anualmente desde o remoto Ano de 1948 (Data da criação da OMS, em 07 Abril). O Dia Mundial da Saúde surgiu da preocupação de seus integrantes, visando manter o bom estado de Saúde da População e alertar sobre os principais problemas que podem afectá-la. Demais, aliás, segundo a própria Organização de Saúde (OMS) ter Saúde é garantir a condição de bem-estar das pessoas, mantendo os aspectos físicos, mentais e sociais das mesmas, em harmonia.
Para este Ano 2010, a OMS escolheu como “tema chave da Saúde global”: “Urbanização e Saúde” sendo o “tema escolhido em reconhecimento pelo efeito que a urbanização tem na nossa Saúde colectiva global e, em cada um de nós, individualmente”.
Com efeito, com a Campanha de 1000 (mil) Cidades, 1000 vidas, os eventos serão organizados, em todo o Mundo, durante a semana de 7-11 Abril 2010. Os objectivos globais da Campanha são:
(1) 1000 Cidades: para abrir os espaços públicos para a Saúde, quer se trate de actividades em parques, Câmaras Municipais, Reuniões, quer, outrossim e, ainda de campanhas de limpeza, ou encerramento de porções de ruas para veículos motorizados.
(2) 1000 Vidas: para colectar as histórias de campeões de Saúde urbana, que tomaram medidas e tiveram um impacto significativo na Saúde das suas Cidades.
(III)
De sublinhar, que, nos primórdios, as pessoas idosas podiam se extinguir junto dos seus, porque os ritmos de vida eram dissemelhantes e, outrossim a superfície das habitações o permitia e as mulheres trabalhavam pouco. Há todas as espécies de explicações de ordem material, que se pode avançar. Todavia, se assistiu, outrossim, à uma evolução das mentalidades, que, mais ou menos, acabou por desconsiderar os velhos. Isto sendo, não é de acreditar, absolutamente, que compete ao Sistema de cuidados trazer uma resposta a este problema, eminentemente cultural, social e económica.
Enfim, demais, não se deve e nem se pode pedir a Medicina e ao Sistema de cuidados de “prendre en charge” e gerir eles mesmos o Envelhecimento da população. Na verdade, efectivamente, o Envelhecimento da população não é uma mera questão, relevando da Saúde. Mesmo se, claro, a Medicina esteja interessada na questão que se prende com o aumento da esperança de vida.
Finalmente, o Sistema de cuidados não pode ser concebido, por exemplo, como substituto do ambiente familiar, o que não impede, todavia, que a organização do Sistema de cuidados esteja interessado pelo envelhecimento da população. De anotar, que a primeira enfermidade mortal sexualmente transmissível, é a vida e, eis porque, se impõe aceitá-la como o destino/desígnio da condição humana. Donde, aliás, acreditar, que se deveria, de algum modo (por assim dizer), poder curar o envelhecimento releva da aberração. Porém, tendo em conta, o Envelhecimento da população, o Sistema de cuidados deveria consagrar, na nossa óptica e perspectiva, uma parcela substancial para o que se denomina, apropriadamente de Medicina de acompanhamento.
Lisboa, 07 Abril 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo)
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É SÓ SAÚDE
Desde que as estatísticas fiquem mais compostas em termos de dinheiro, verbas, orçamentos ― está tudo bem; não é por os portugueses viverem pior que o governo, o PS, os grupos económicos beneficiários, se vão sentir incomodados. Antes pelo contrário.
O afundamento da Pátria às mãos de tecnocratas incompetentes e incultos vai continuar. O desconhecimento de que é aos filósofos que se deve ir buscar ideias para trabalhar o futuro tornou patente nos dias de ontem e de hoje a desgraça que disso advém. Inexoravelmente.
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