quinta-feira, 11 de março de 2010

ABERRAÇÃO SEM NOME

LULA “LEGITIMA” TODAS AS DITADURAS

Diz que a ditadura cubana «age segundo a legislação cubana». Sim, é verdade; mas age segundo leis próprias criadas em gabinetes e não sujeitas a sufrágio; não é segundo legislação aceite e votada livremente pelos eleitores.

Felizmente que essa frase que bem podia ser dita por qualquer vegetal da selva amazónica não legitima coisa nenhuma. Nada. Apenas ridiculariza e ofende o povo cubano e o povo brasileiro. E todas as consciências livres deste planeta.

Ferreira Fernandes, no DN, faz a crónica sobre o caso escrevendo:

«Há homens que estão presos em Cuba por causa das suas opiniões. Não estão presos ilegalmente, a Justiça cubana permite presos de opinião. Mas isso só significa que, em Cuba, mesmo o errado pode ser legal. Em entrevista, Lula disse: "Temos que respeitar a determinação da Justiça e do Governo cubano de deter pessoas segundo a legislação cubana."»[...]
[...] «"A greve de fome não pode ser utilizada como um pretexto de direitos humanos para liberar as pessoas. Imagine se todos os bandidos presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade."»

Jornais brasileiros deploraram as palavras do seu presidente (sim, com letra minúscula) titulando O GLobo a notícia assim:

«Lula compara dissidente cubano a bandidos em São Paulo

Leia mais aqui também na Folha de S. Paulo.

Lula é hoje um homem poderoso na América Latina, mas não passa de um simplório. Lembremo-nos daquela sua frase: «Minha mãe quando nasceu era analfabeta». Pois, e Lula não está longe dessa curiosa herança quando se fala de direitos humanos. Dá pena ver o antigo sindicalista moralmente corrompido pelo poder.
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ELOCUBRAÇÃO TRIGÉSIMA SÉTIMA:

“Ser culto es el único modo de ser libre”.
José MARTÍ (1853-1895)

Acerca da etimologia do
Vocábulo Eutanasia:

1) Actualmente, se concorda, em peral, que o termo “eutanásia”, na sua definição primordial, mais clássica, ipso facto, designa a morte provocada por um terceiro para pôr fim a sofrimentos reputados como insuportáveis. Todavia, o vocábulo continua induzindo malentendidos enormes.

2) Na verdade, construído com duas (2) raízes gregas: “eutanásia”, etimologicamente, significa “boa morte” e, a ele (somente), este lexema não pressagia em nada os meios que uns ou os outros propõem para conseguir o desiderato proposto.

3) E, já agora, o Dicionário HOUAISS da Língua Portuguesa, no seu tomo IX (2005), nos elucida acerca do vocábulo, em apreço e análise respectiva, o seguinte:
Etimologicamente: oriundo do grego (euthanasia: morte sem sofrimento) e do latim (euthanasia: morte sem sofrimento);
Medicamente: Acto de proporcionar morte sem sofrimento a um doente atingido por afecção incurável que produz dores intoleráveis.

4) Donde, enfim e, em suma: o vocábulo “eutanásia”, substantivo feminino, oriundo do grego (eu: bem e thanatus: morte) se assume, não só, como: “morte sem sofrimento”, como outrossim “teoria segundo a qual é lícito abreviar a vida de um enfermo incurável para o poupar dos sofrimentos”, in (LAROUSSE de la langue française, 2002.


5) Na Grécia Antiga, a “eutanásia” designou, deste modo, a possibilidade de uma morte “boa” e sem perda de dignidade. Ao longo dos séculos, a denominação foi sendo impregnada de significações várias (possíveis, obviamente) e revestir-se de matizes dissemelhantes.


6) Abreviar a vida de um enfermo que sofre de doença incurável, ou não, é considerado homicídio (leia-se, homicídio a pedido da “vítima”), quer pelas leis humanas, quer pelas leis religiosas. Os partidários da eutanásia, argumentam que é desumano deixar viver seres que sofram de taras, estando, ipso facto, condenados a uma existência vegetativa, indivíduos que sofrem de uma degenerescência física e intelectual ou enfermos incuráveis condenados a uma agonia atroz. Apreciariam, deste modo, que o Médico, a pedido do enfermo ou dos seus familiares respectivos, fosse autorizado a praticá-la. Em contrapartida, os que se opõem à legitimação desta prática objectam, alegando que a vida é sagrada e que ninguém tem o direito de a fazer terminar. Finalmente, por seu turno, para os crentes em Deus, só Este é juiz da utilidade do sofrimento.


7) Complementarmente, se nos afigura, pertinente, consignar, que ocasionalmente, demais outras acepções são outorgadas ao vocábulo “Eutanásia”:

Recusar, no caso de enfermidade incurável, o encarniçamento terapêutico, definido como o uso de Biotecnologias que prolongam uma vida física e moralmente muito inconfortável, sem nenhuma hipótese de curar.
Numa enfermidade incurável, reduzir as dores com um sedativo tão forte susceptível de encurtar a vida.
“Fazer morrer” uma pessoa definitivamente deficiente física ou mentalmente, julgando que a sua vida é “desinteressante” para ela, ou melhor, para responder a preocupações colectivas de eugenismo, selecção ou economia de meios.
Enfim e, em suma: É deste modo, que o lexema “eutanásia” é utilizável em acepções dissemelhantes que podem esconder intenções não declaradas. Eis porque, no âmbito desta dinâmica, surge como portador de confusões e malentendidos, por pouco, que se assume a precaução de o definir, de modo preciso, em cada caso (em particular), obviamente.

OOO
Acontece se, em determinadas circunstâncias, agregarmos um adjectivo ao termo “eutanásia”, lhe outorgarmos um sentido particular. Estamos ante a classificação que distingue: Uma Eutanásia activa e
Uma Eutanásia passiva.

Vejamos, em concreto, o que significam estas duas expressões:
a) A eutanásia activa já não assume, presentemente o sentido que lhe outorgava a recomendação da autoria do estadista e filósofo inglês, Francis BACON (1561-1626): dom activo e contínuo de todas as formas possíveis de alívios médicos, psicológicos, afectivos e espirituais até que venha a morte. Esta descrição corresponde, actualmente aos cuidados paliativos, que foram propostos e desenvolvidos, desde trinta anos (30), aproximadamente e, que excluem a denominação, presentemente de morte para aliviar o enfermo, obstinação terapêutica.

b) Pelo contrário, de consignar, que a eutanásia activa se verifica quando se administra um produto tóxico, susceptível de acarretar a morte em alguns minutos. E se designa, outrossim de eutanásia directa. Evidentemente, existe, neste caso, um sentido novo, completamente dissemelhante do primeiro pela intenção, por acção farmacológica e pelo prazo da vinda inopinada da morte.

c) De anotar, caso se refere à esta segunda acepção, é necessário ainda distinguir variantes à esta morte, consoante é “dada” com ou sem solicitação explícita do próprio enfermo. Numa linguagem, assaz trivial, fala-se, presentemente, algumas vezes, de eutanásia voluntária. Ainda, seria necessário precisar se a intenção mortífera é da responsabilidade do enfermo que explicitou anteriormente, ou se a intenção foi apenas do médico. Neste caso, existe um risco severo de confusão.

d) Enfim, se afigura pertinente, recusar inteiramente o termo de “eutanásia”, no caso de uma morte que sobrevém, na sequência da administração de um medicamento de alívio sem que o médico a tenha desejado, visto se tratar de uma morte acidental.


E, no atinente, à Eutanásia passiva designava, num primeiro tempo, o facto de deixar se conduzir para a morte um enfermo ao abandono, sem o aliviar, nem o ajudar, o que criticava Francis BACON. Todavia, o sentido resvalou e a “eutanásia” passou-se a designar, presentemente, a abstenção de todos os cuidados vitais com a intenção deliberada de encurtar a vida. Trata-se do que alguns denominam “eutanásia indirecta”.
Donde temos, no âmbito desta dinâmica:
--- Que os adjectivos agregados ao vocábulo “eutanásia” podem criar um imbróglio mais complexo que o uso unicamente do substantivo. Acontece que já não se saiba quem fez quê, quando, porquê, nem como. Donde, de anotar: Na verdade, a declaração de intenção de uns e dos outros brilha pela sua ausência!
--- O que é facto é que as discussões fora do meio médico, longe de todo o conhecimento exacto acerca da natureza da enfermidade e o seu estado de progressão, são particularmente confusas ou inexistentes.
--- Assim, se impõe, dissipar os malentendidos e as confusões. A precisão é indispensável, num domínio tão sério como o fim de vida, dos cuidados paliativos e do acompanhamento ou da morte outorgada para aliviar.
Demais, só se devia conservar o lexema “eutanásia”, no seu sentido etimológico, em geral, para indicar a procura de uma atenuação dos sofrimentos que afectam o fim de vida. Eis porque, deste modo, o vocábulo “eutanásia” não é apropriado para designar o fim de vida que preconiza, em particular, a do de “homicídio para aliviar”, a não ser, que se pretenda, que a morte preconizada pelo médico não seja forçosamente a “boa morte”.

Finalmente, se nos afigura, assaz útil, recordar a definição de alguns vocábulos de uso corrente, designadamente:
a) O homicídio é a acção de matar um ser humano sem conjecturar acerca das intenções e das circunstâncias respectivas, sendo o qualificativo agregado que o especifica: homicídio voluntário ou involuntário; homicídio por imprudência, por negligência, por incompetência, por interesse, por paixão, por piedade (ou por compaixão).
b) Matar é fazer morrer de morte rápida.
c) O assassínio é um homicídio voluntário.
d) O assassinato é um homicídio voluntário e premeditado. É nos factos que o caso interessa. Trata-se de uma morte outorgada por um médico, visando aliviar.
No fundo, no fundo, o essencial pressupõe aclarar o seguinte:
--- Quem tem a intenção de dar a morte?
--- Por quem a solicitação é formulada?
--- E quem põe a ideia em acção?

Lisboa, 08 Março 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).
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segunda-feira, 8 de março de 2010

O FUTURO PREVISTO

GOVERNO APRESENTOU P.E.C.

PROGRAMA DE ESTABILIDADE E CRESCIMENTO

A única coisa que vai melhorar são os números.
Também é o que interessa, não é?
Pessoas!?... O que é isso? Pessoas?!... PFFFFFFFF...
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domingo, 7 de março de 2010

REFORMAS ANTECIPADAS 1

À Senhora Ministra e sobre esta notícia, eu disse a frase popular: “Tarde Piaste”.

A JPP e sobre esta posta, direi esta outra frase popular: “Nunca é Tarde”.

Mas só agora, Dr. Pacheco! Olhe, o Senhor é deputado ― e que tal uma intervenção na Assembleia da República sobre este problema?! É que se na área da Saúde me parece que pouco ou nada de bom já se pode fazer no actual quadro partidário e regime político, já nas outras áreas também importantes que o Senhor aborda, ainda haverá tempo de arrepiar caminho.

O Senhor escreveu ontem na revista Sábado e hoje no seu blogue: «No caso dos professores, desertificou-se as escolas dos mais experientes, e noutros casos, como por exemplo, na Polícia Judiciária, decapitou-se áreas de combate à criminalidade em que não abunda gente sabedora e testada por muitos anos de acção.»

São casos graves, sem dúvida; mas reafirmo-lhe: o caso da Saúde não é grave, é gravíssimo: qual seja a reforma antecipada de médicos e enfermeiros. Não tenha relutância em falar nisso e até levá-lo ao Parlamento pois prometo não me aproveitar do facto para me armar em laureado e escrever que o Senhor ter-se-á finalmente interessado sobre o que eu venho denunciando há muitos anos aqui na blogosfera e por onde tenho falado ― a desertificação PLANEADA dos Hospitais Públicos.

Este problema das reformas antecipadas na Saúde não é mais que um aspecto derivado desse PLANEAMENTO, pode crer. E atendo só ao problema “reformas antecipadas”, falo nele há pelo menos dois anos e tal. Mas prometo ficar calado se o Senhor levar o assunto ao Parlamento.

E como nunca é tarde... Avance se faz o favor!

Desde já os meus agradecimentos.
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RETRATO ROBÔ

O SPORTING C. P. APRESENTA

O PRIMEIRO CANCRO REMUNERADO DO MUNDO

José Eduardo Bettencourt

Apesar de tudo, BOM DIA!
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sábado, 6 de março de 2010

«CONTROLO DA MEMÓRIA»

Um artigo longo, da autoria de Humberto Cardoso, no jornal A Semana, de Cabo Verde.

Publicamo-lo na íntegra pelo seu interesse e actualidade; mas também por espelhar de forma cristalina a liberdade de expressão e de opinião num país com apenas 35 anos de existência, Cabo Verde, onde, felizmente, a sociedade vive em democracia e em liberdade.

Obsessão pelo controlo da memória.

Em 1986, o jornal governamental, o Voz di Povo proclamou em manchete: “Aos 50 anos Claridade entra oficialmente na História de Cabo Verde”. O regime de partido único finalmente tinha decidido integrar na historiografia oficial o Movimento Claridoso de Baltasar Lopes da Silva, Manuel Lopes, Jorge Barbosa e António Aurélio Gonçalves. Ao fim de dez anos o regime já se sentia suficientemente seguro para cooptar, na sua versão da história das Ilhas, essas personalidades e as suas contribuições fundamentais para a afirmação da caboverdianidade.

Aristides Pereira, o então Presidente da República, discursando no Simpósio Claridade, mostrou como as coisas deviam ser vistas: “o Movimento Claridoso encontra as suas raízes num terreno laborado por uma plêiade sucessiva de homens de cultura, que vinha pugnando pela afirmação da caboverdianidade, (...) cuja obra se deve apreciar e acarinhar até chegar a Amilcar Cabral (..). A lenta mas segura gestação do nacionalismo caboverdiano”Dessa e de outras muitas declarações similares fica claro que, para o Regime, o ponto de confluência da história do País é Amilcar Cabral e, por extensão, o PAIGC e o PAICV. Também fica claro que factos históricos só têm significado e são reconhecidos como tais quando servem, justificam e confirmam a luta de libertação, apresentada como ponto de origem de tudo: da Nação e do Estado.

O Partido único, enquanto força dirigente, precisa dessa validação permanente para se legitimar no Poder e para negar aos cidadãos a Liberdade e o direito de escolher quem os deve governar. Nesse sentido, memórias devem ser rearranjadas, outras memórias extirpadas, outras ainda implantadas, para que a realidade e a ficção se confundam e ninguém saiba quando termina uma e começa a outra. È uma luta permanente. Daí a obsessão pelo controlo, o policiamento do que é dito e feito, a substituição da informação pela propaganda e o assenhorear das iniciativas e de tudo o que é inovador.

O controlo de memórias foi mais penoso para Cabo Verde do que noutras paragens. A badalada luta de libertação não aconteceu em Cabo Verde. Aristides Pereira, no Relatório aos órgãos superiores do PAIGC em Agosto de 1976, em Bissau, deixou claro qual era a real situação do Partido, antes do 25 de Abril de 74: “Pouco implantado no arquipélago, a organização resumia-se a algumas células em Santiago, no Mindelo e em S.Antão. “(…) a massa militante englobava, por ordem decrescente de importância, estudantes, alguns pequenos funcionários e poucos trabalhadores”. Imagine-se o esforço titânico necessário para incutir numa população que a sua história passada é só aquela que justifica e conduz inevitavelmente à luta de libertação. Uma luta que lhe dizem ter acontecido a mais de 600Km de distância mas que não viveu nem sentiu de forma directa. Relatos fidedignos apontam para um máximo de quarenta caboverdianos numa organização que se gabava de ter mais de 12 mil guerrilheiros. É quase surreal.

A instauração de um Poder absoluto logo após a independência imprimiu a esse esforço carácter urgente e impiedoso. Extraia-se legitimidade dos mitos criados à volta de Amílcar Cabral e da luta na Guiné. Nada podia contrariá-los. Nem o seu inevitável choque contra uma história de séculos e uma vivência social e cultural, distinta de onde o PAIGC nasceu e cresceu como organização político-militar. A pressão ideológica do Estado sobre a sociedade desembocou, pontualmente, em violência explícita, particularmente contra as elites intelectuais, culturais e sócio-económicas do País.

Prisões, humilhações, torturas e mortes verificadas em 1977, 1979, 1980 e 1981 em S. Antão, S. Vicente, Santiago e Brava são exemplos do muito que aconteceu nos primeiros anos de independência. Como também são certas leis, em particular a lei de Boato, 37/1975, e a lei 97/1976 dos cinco meses de prisão sem culpa formada, que só viriam a ser revogadas em Maio de 1990. São anos que não deviam orgulhar ninguém, muito menos o primeiro-ministro de um governo democraticamente eleito. A iniciativa infeliz do Sr. Primeiro Ministro de organizar a conferência “Os primeiro anos de independência”, tendo como conferencista o então primeiro-ministro e actual presidente da República, Pedro Pires, revela o quão ainda se insiste na legitimidade histórica. Implicitamente está-se a reiterar que votos não chegam para governar. E que o País deve estar é com o partido demiurgo, o partido do fundador da Nação, o partido que trouxe a independência, construiu o Estado e, quinze anos depois, concedeu a democracia.

Por isso, é que para as crianças de quarta classe a história de 550 anos de Cabo Verde é resumida no seguinte: “O arquipélago de Cabo Verde foi durante séculos governado por Portugal. Era uma colónia. No dia 19 de Setembro de 1956, Amílcar Cabral fundou o PAIGC. Em 1963, o PAIGC começou a luta armada na Guiné. No dia 5 de Julho 1975 Cabo Verde tornou-se um país independente. No dia 13 de Janeiro realizaram-se as primeiras eleições legislativas” (pags. 44, 45 do manual de Ciências integradas 4º ano). É o mesmo simplismo de motivação ideológica que orienta o Governo quando encomenda um Monumento à Liberdade. Quer que se retrate a história do país em dois períodos: primeiro como país-vítima, nos temas colonização, escravatura, fome, emigração forçada seguido do período da redenção nos temas luta armada, independência, reconstrução e desenvolvimento. Significativamente fica ausente dessa interpretação da história a exaltação do processo de emergência de uma nova nação dentro do império português, sem complexos de vítima e capaz de conservar o seu carácter e desejo de liberdade mesmo confrontando-se com mais de seis décadas de regimes inimigos da liberdade e do pluralismo: os 45 anos do regime autoritário de Salazar/Caetano e os 15 anos do regime totalitário do PAIGC/PAICV.

A insistência na validade da legitimidade histórica, mesmo na era da democracia e do pluralismo, significa que o esforço para manter vivos os mitos anteriores não diminuiu. Pelo contrário, aumentou, pois agora, não só tem que manter a memória fictícia do envolvimento de Cabo Verde na luta armada, como também há que fazer acreditar que o partido/Estado em Cabo Verde era benigno e único do género no planeta. Ficções corroboradas por António Correia e Silva, no artigo do jornal “anação” de 25 de Fevereiro, ao afirmar que foi de vontade própria que o PAICV fez a abertura política. “Vontade” que só se manifestou quando todos tinham bem presente que dominós caiam por todo o planeta, na sequência das políticas de perestroika e glasnost de Gorbatcev, e que a queda do Muro de Berlim a 9 de Novembro de 1989 veio acelerar ainda mais o desmoronar de regimes de inspiração leninista. Alguém acredita que o PAICV, a 19 de Fevereiro de 1990, tenha dito: vamos cair também, mas não somos um dominó nem nos revemos em Lenine!?.

Manter esse nível de ficção, de fuga à realidade dos factos exige um esforço tremendo que se manifesta pelo menos a três níveis: da propaganda, da restrição da liberdade intelectual e de luta política constrangedora do pluralismo.

Da propaganda qualquer observador fica elucidado com o desabafo da jornalista Margarida Fontes no seu blog, odiaquepassa.blogspot.com: “A questão é: para quê silenciar, se a propaganda é liberada nos mais públicos meios de difusão? Num país onde a propaganda flui com naturalidade, perante o silêncio da oposição que sonha fazer o mesmo quando ocupar o Palácio, o jornalista não passa de um lacaio vencido pelo cansaço… daí que eu defendo, criem um Gabinete de Propaganda do Governo (GPG) com legitimidade para ludibriar os cabo-verdianos e as cabo-verdianas, e extinguem (melhor, mudem os estatutos) dos órgãos públicos de comunicação, começando pela TV pública” (1/03/2010).

Quanto á liberdade intelectual, o violentíssimo ataque que publicamente o presidente da Fundação Amílcar Cabral desferiu contra a tese de doutoramento, “Em Busca da Nação” do investigador Gabriel Fernandes, no jornal “asemana” de 2 de Março de 2007, foi aviso claro para todos os estudiosos: Qualquer um pode correr o risco de ver uma tese ou um estudo acusado de “emprestar chancela académica a teses partidárias” se algum mito, dos que pululam na sociedade caboverdiana, for de alguma forma beliscado por factos, análises ou teorias.

Quanto à luta contra o pluralismo, ela é diária e violenta. Assume várias formas de acordo com as circunstâncias. Ás vezes é aberta, outras vezes é dissimulada, quase subtil. Os alvos preferenciais são o parlamento, o sistema de partidos e a credibilidade pessoal de quem tem ideias diferentes. Aos ataques seguem-se apelos a consensos. Mas a luta nunca pára. Mesmo quando o meio político adversário, de alguma forma, capitula perante a pressão dos mitos, a ofensiva continua. O PAICV não permite que Amílcar Cabral descanse acima dos interesses partidários de hoje. Proclama-se partido de Cabral e depositário dos seus ensinamentos e insiste que todos o devem aceitar na forma mitológica da sua preferência.

A política em Cabo Verde parece cativa da História. E é. Porque estranhamente, mesmo 19 anos após eleições livres e plurais, a ideia da legitimidade popular, como legitimidade única e válida na República, ainda não foi completamente aceite. Muitos procuram capitalizar sobre a legitimidade histórica para ganhar votos. O início das Comemorações do 35º Aniversário da Independência a 1 de Março para se prolongaram até Outubro, em ano pré eleitoral, deixa imediatamente a suspeita do aproveitamento dos recursos, das instituições e da autoridade do Estado para exaltar o papel do partido que se auto intitula partido da independência, com fins claramente eleitorais.

Isso é de facto inadmissível particularmente porque é acompanhado de uma ofensiva ideológica e propagandística com vista a liquidar a memória da década de noventa. Precisamente a década, em que o País conquistou a Liberdade e construiu as suas instituições democráticas. O uso abusivo do Estado para controlar as memórias e servir agendas partidárias tem que acabar. Para que haja real liberdade de expressão, liberdade de informação, liberdade intelectual e pluralismo verdadeiro em Cabo Verde.
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POIS É VÊ-SE...




O que eles querem é mesmo igualdade.

São tratados como gado e pelos vistos aceitam com toda a normalidade. Talvez até gostem.



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«MASSACRE» DE LIVROS

A notícia, dada assim, choca, e choca muito «É prática comum das editoras destruírem livros que estão em armazém

Mas por acaso ouvi ontem à tarde, na rádio, Paulo Teixeira Pinto, chairman do grupo editor BABEL (que nada tem a ver com a destruição dos livros), explicar o porquê do acontecido.

É que se o grupo editor LeYa quisesse doar os livros a qualquer instituição, biblioteca, etc., teria que pagar para isso: em primeiro lugar teria que pagar IVA às Finanças sobre cada livro doado; e teria que pagar direitos de autor à Sociedade Portuguesa de Autores. E em certos casos ainda teria que pagar o transporte dos livros ao seu destino pois muitas vezes a entidade receptora não tem dinheiro para isso.

Então, entre: gastar dinheiro para doar os livros; ou destruí-los pura e simplesmente; é muito menos dispendiosa a destruição ― até porque ainda se faz algum dinheiro reciclando o papel.

Paulo Teixeira Pinto disse que o Estado não abdica de receber o IVA e que a Sociedade Portuguesa de Autores também não abdica de receber os direitos de autor quando os livros são doados.

Aí está!

Nota: Como em Portugal quem não aponta um CULPADO não sabe escrever, eu direi ao menos isto: não me parece que o culpado seja a LeYa.
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ELOCUBRAÇÃO TRIGÉSIMA SEXTA:

Algumas Notas acerca da EUTANÁSIA:


“Ser culto es el único modo de ser libre”.
José MARTÍ (1853-1895)


No debate acerca da Eutanásia, a paixão domina, amiúde a reflexão. “Suicidar”, ou melhor dito, se suicidar: Eis actos que estão longe de ser anódinos. O desenvolvimento tecnológico, no âmbito dos cuidados intensivos, coloca o Médico, presentemente ante a possibilidade, senão a obrigação, de gerir a vida findável (que vai terminar).
Para além das dificuldades oriundas desta situação, quão nova, a expressão (em si mesma) de “eutanásia” se afigura carregado e pleno de ambiguidades. Se o termo, habitualmente designa os procedimentos destinados em tornar a morte mais suave, diversas práticas se inspiram nisso, que podem ser radicalmente opostas, de um ponto de vista ético. Gesto de liberdade individual, “suicídio”, homicídio ou libertação, a violência dos argumentos propala à do repto.

Assevera-se, habitualmente que o mal se vence a partir de dentro, vivendo. Nesse fracasso aparente realizamo-nos, cada vez mais e mais. No entanto, é necessário assumir conscientemente a nossa situação. Eis porque, em linha de princípio, é bom que um enfermo conheça a “dura” verdade da sua enfermidade. Quiçá a prudência aconselhe que ela lhe seja manifestada gradualmente e por alusões, procurando prevenir, o mais possível, o perigo de desânimo e de depressão.

Não se devem confundir com a “eutanásia”, os cuidados terminais que visam aliviar a dor, mesmo que indirectamente possam abreviar a vida. São lícitos, por motivos proporcionados. Todavia, não se deve olvidar que a melhor ajuda para os moribundos, consiste no acompanhamento pessoal, pleno de carinho, de devoção e esperança. Com efeito, os aparelhos, por mais sofisticados, jamais poderão substituir um “rosto e uma mão amiga”
Não se pode e, não se deve confundir a renúncia a chamada “obstinação terapêutica/encarniçamento terapêutico” com a eutanásia. É lícito e obrigatório omitir os tratamentos muitíssimo dispendiosos e sem vantagens reais para o paciente. Na verdade, o doente tem direito a morrer com dignidade.
Enfim, demais, a “boa morte” não constitui a propriedade dos que pretendem possuir o direito de decidir. Ela caracteriza o, ou a, que se extingue chegado o dia rodeado dos cuidados adequados e apropriados ao seu estado, exonerado das dores que o abate, rodeado de afecção e compaixão, com o seu reconhecimento como um ser vivo até ao término da sua vida e existência respectiva.

(A)
Eventos deploráveis relançam periodicamente o debate sobre a “eutanásia”. São amplificados e, às vezes, interpretados de forma controversa, por “jornalistas” a procura do sensacional ou do escandaloso.
Esta questão assaz grave constitui o objecto de discussões apaixonadas, não unicamente no meio dos profissionais de Saúde, outrossim e, ainda, em circuitos filosóficos, religiosos, políticos ou jurídicos. Muitos se permitem em emitir uma opinião, porém, raros são os que podem, à luz de uma experiência pessoal e de uma reflexão aprofundada e colectiva, formular um juízo que diligencia constituir algo de objectivo e propor, ipso facto, um comportamento, à medida da dignidade da pessoa humana perante o inelutável e fatal termo que nos vigia (melhor dito, nos espera) a todos, sem excepção, evidentemente.

(B)
O desenvolvimento regular e progressivo, no âmbito dos cuidados paliativos para as pessoas em fim de vida constitui um verídico e incontestável progresso. Para os Médicos e todos os demais profissionais de Saúde que participam nesta cruzada, que, por essência, pertence à sua missão, cada vez mais e mais, se torna uma verdadeira excepção a proposta ou o pedido da prática de um acto de eutanásia. Demais, de sublinhar, que, infelizmente, a eutanásia beneficia, através dos Médias, de uma publicidade, assaz injustificada, para não dizer, francamente insensata e sem bases científicas nenhumas.

Eis porque, com efeito, se impõe ultrapassar o calor do debate e, por extensão, esvaziar adequadamente as paixões, um tanto ou quanto, ineptas de toda a sua carga emotiva, assaz deletéria.
Na verdade, na Sociedade ocidental “hodierna” (decadente), o debate que se vem entabulando em torno da problemática respeitante à eutanásia faz parte dos temas e matérias que, regularmente reaparecem… Com efeito, por ocasião de tal ou tal acontecimento, os Médias se apropriam do mesmo, durante algumas semanas, através da imprensa escrita e audiovisual, para fazer disso um tema vedeta. Isto proporciona a oportunidade para “tal” professor célebre, tal homem da política (leia-se, outrossim, “profissional da política”), ou tal vedeta do “Showbiz” pensar ser o momento asado ao qual, enfim, tendo vencido o espírito “retardatário” da tradição judaico cristã, a sociedade “hodierna” estatuir os benefícios e vantagens respectivas da “eutanásia”e legislar para autorizar a sua prática.

De sublinhar, avisadamente que, no âmbito destas discussões recorrentes e, até certo ponto, estéreis, dois elementos relevantes chamam a atenção, designadamente:

A) Por um lado, a quase totalidade das opiniões emitidas, no decurso de tais debates constituem o facto de pessoas em boa saúde. Obviamente, tal ou tal pode trazer a experiência de um próximo que se encontrou pessoalmente confrontado com o problema, porém a polémica jamais se coloca “em situação”. De feito, a experiência mostra, de modo constante, a diferença radical que existe entre uma tomada de posição teórica, abstracta acerca da questão que se prende com “se suicidar” ou de concedê-la a outrem e a passagem ao acto, quando uma enfermidade grave conduz a se aproximar muito perto, no âmbito de uma relação, pessoa a pessoa. Esta oposição aparece, de forma óbvia, aquando de entrevistas levadas a cabo perto de pessoas, em geral longe de um problema personalizado, donde ignoram o sentido dos vocábulos utilizados. Sim, efectivamente, mostram as mudanças radicais de comportamento (leia-se, outrossim, revira voltas) e de opinião e a inversão dos pedidos de “eutanásia” quando um término de vida se aproxima.


B) Por outro, é, assaz manifesto que a maioria destes debates são guiados por paixões. Obviamente, argumentos racionais são avançados de cada lado, designadamente: o respeito da dignidade da pessoa deteriorada pela enfermidade, a liberdade para cada um de dispor da sua própria vida, para os defensores do direito à prática da eutanásia, como se fosse para os seus detractores, o respeito intangível da vida, etc. Todavia, esta troca de argumentos (leia-se, outrossim, discussão acesa) se desenrolam, em geral, num clima, de tal modo, em sobre tensão, marca de um tal ardor, que não permite lograr uma reflexão serena, no âmbito de um tema quão sério e, assaz relevante.


C) Obviamente, “suicidar” ou “se suicidar” não é um acto anódino. A psicologia mostra muito bem tudo quanto revela de violência contida no inconsciente de cada um. Esta violência, solicitada pela interrogação acerca da “eutanásia”, só se encontra a se exprimir através da paixão que cada um traz para o debate. De sublinhar, assertivamente, que esta paixão não facilita a discussão e não ajuda à uma tomada de decisões serenas, que a problemática enformadora da temática Eutanásia exige e merece, obviamente.


Lisboa, 05 Março 2010
KWAME KONDÉ (Intelectual/internacionalista: Cidadão do Mundo)
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sexta-feira, 5 de março de 2010

DELÍRIO PERSECUTÓRIO

A “EDINFOR - SISTEMAS INFORMATICOS S.A” tem-se interessado muitíssimo por este blogue ultimamente. Dantes fazia visitas curtas e mais espaçadas.

Mas ultimamente, como disse, a EDINFOR tem inspeccionado sistemática e exaustivamente este blogue fazendo visitas semanais, cada conjunto delas com duração de cinquenta e tal minutos (53, 56, 52 e por aí fora).

O quadro a seguir mostra a actividade da EDINFOR no dia de hoje: 6 visitas entre as 9:34 e as 13:38, com a duração total de 53 minutos e 43 segundos.


Sabendo-se que a EDINFOR é uma empresa de consultoria especializada em tecnologias de informação, estará por certo a trabalhar os dados que vem recolhendo aqui no África Minha, pelo que, esperamos: não só que esteja satisfeita com o que por aqui encontra; mas sobretudo que não perca de vista o valor desses dados e nos faça chegar aqui um chequezinho que pague os direitos de autor cá da casa. Mesmo que os dados sejam destinados a uma ou mais “empresas” que queiram fazer uma «caça às bruxas».

Isto é-nos indiferente. Vivemos outrora nos "tempos da PIDE"; conhecemos esse tipo de ambiente ― não de ouvir falar mas de o sentir, cheirá-lo e sofrê-lo na pele ― pelo que os calos já ganhos não nos permitem sentir comichões.

Um abraço a essa maltosa toda aí da EDINFOR.

Viva o senhor inginhêro mail'o seu amor à liberdade!
Vivam os papistas do socratismo moribundo!
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DE MOTOR A CARRASCO?

A Alemanha, o principal fundador da União, e também conhecida desde o seu início como «o motor da União Europeia», certamente não teria sido uma coisa e outra se não tivesse em mente uma “boa ideia de futuro” que lhe fosse favorável (digo “favorável” para ser benigno).

Parece ter chegado a hora de começar a meter no saco, um a um (começando pelos mais fracos), os membros dessa mesma União.

Agora se percebe porque é que os ingleses ― nação experiente e matreira ― não embarcaram na euforia do Euro:

Aquilo que Hitler não conseguira com as bombas voadoras, sê-lo-ia através da União Monetária caso os ingleses não tivessem ficado de fora.

Como não lembrar as palavras ortodoxas e sem sentido do retrógrado Álvaro Cunhal que, há mais de vinte anos, previu a extinção da agricultura, das pescas e da indústria portuguesas dizendo que, entrando na então CEE, Portugal iria ser no futuro «apenas um país de serviços»; a sopeira da Europa ― digo eu agora.

Atenção. Não se fique com a ideia de que se defende hoje a saída de Portugal da União.

Uma vez caçado e depenado (precisamente da agricultura da pesca e da indústria) como Portugal está neste momento, não é agora, nestes propósitos, que tem possibilidades de existir fora da União e do Euro ― fora da Alemanha, em suma ―.

Agora o que há a fazer é pegar nos binóculos e ir para a fronteira ver se «vêm aí os alemães».

E, muito humildemente e sem complexos, ir-se preparando, a tempo e com rigor, o “regresso a África”. À África hoje independente e parceira.

O futuro de Portugal independente é africano ― a «jangada» de Saramago terá que mudar de rumo.
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quinta-feira, 4 de março de 2010

NUNCA FIANDO



Por menos do que isto ― se isto reflecte de alguma maneira uma ideia alemã ― começou a Segunda Grande Guerra.

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SÃO BUGALHOS SENHOR

A direcção de informação da TVI já desmentiu Manuela Moura Guedes através de um comunicado que diz que «neste momento não há nenhuma peça pronta sobre o caso Freeport».

Lembre-se que Moura Guedes só disse que há na TVI material não divulgado sobre o caso Freeport; o que é outra coisa, como é bom de ver.

Mas o hábito já se entranhou nos portugueses: a alhos responde-se com bugalhos e fica tudo esclarecido.

Mais ou menos assim:

― Dizem que você é o assassino e tem armas em casa.

― Eu? Isso é mentira! Em minha casa não há uma única arma carregada.
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PORTUGAL 2 CHINA 0

«Foi um jogo conseguido»
Cientificamente analisado
Como sempre, aliás



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segunda-feira, 1 de março de 2010

PASSAPORTE EMITIDO

No rescaldo do estripamento do fóculporto* pelo Sporting (três secos), FJV já assinou o passaporte do Pasta Medicinal Couto, Jesualdo Ferreira.


Falta agora o Manuel Serrão emitir-lhe o bilhete de viagem.



E que tal também enviar um par de algemas lá para cima!?...


* Esta paga direito de autor: é de FNV.

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domingo, 28 de fevereiro de 2010

SIMPLESMENTE PORNOGRÁFICO

SPORTING 3 PORTO 0

A fábrica de melões de Alvalade resolveu expedir hoje
mais seis milhões de melões aos destinatários habituais.
Mas agora todos os melões vão
Assim:

Pornograficamente abertos.

E viva o Sporting!
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JORNALISMO COMPARADO

Ontem o Chelsea perdeu em casa por 2 a 4 com o Manchester City. Um jornalista inglês escreveu esta crónica no tablóide The Sun.

Como se pode constatar o jornalista limita-se a descrever o que viu acontecer ante si. Por uma única vez sequer faz juízos de valor sobre os intervenientes no espectáculo: não especula, por exemplo (como aposto se faria por cá até à exaustão), com o facto de na baliza do Chelsea ter estado Hilário e não Petra Cech; sobre a arbitragem nada sabemos senão indirectamente quando refere ter havido duas expulsões de jogadores do Chelsea (mas não questiona a justiça ou não dessas expulsões e sequer diz porque as houve); pois não foi para lá julgar o árbitro e não era isso que interessava, mas sim aquilo a que Gabriel Alves chama «as incidências do jogo». O nome do árbitro só é referido uma vez, no fim da crónica, na ficha do jogo.


É toda uma outra forma de fazer jornalismo de modo a trazer ao leitor o espectáculo desportivo e não as questiúnculas que dele se pode retirar com o espírito julgador do (por exemplo) “jornalista” português que passa a vida e procurar os “culpados” disto e daquilo.


Enfim, uma lição que ninguém vai aprender. Depois do Sporting Porto de hoje, tentem seguir os ditos e os escritos dos chamados “jornalistas desportivos” e vão ver o que se discutirá e se dirá do jogo. É bem capaz de ser transformado num novo “caso Casa Pia”.

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ELOCUBRAÇÃO TRIGÉSIMA QUINTA:

“Ser culto es el único modo de ser libre”.
José MARTÍ (1853-1895)

(1) A Sexualidade é sinónimo de capacidade (leia-se, outrossim, competência) para sair da solidão e entrar em relação com o outro.
(2) A Sexualidade, se for bem orientada, não fica, ipso facto, ao mero nível do instinto. As qualidades jamais interessam por si mesmas, sim, efectivamente, como qualidades da Pessoa. O Amor integra em si e espiritualiza a atracção e a satisfação sexual.
(3) “O amor é a vocação fundamental e natural de todos os seres humanos”. Aliás, efectivamente, o “homem não pode viver sem amor. Continua a ser para si, um ser incompreensível e a sua vida não terá sentido, se não encontrar o amor, se não o experimentar e não fizer seu, se não participar nele vivamente”.
(4) E, rematando assertivamente: A Pessoa existe como homem e como mulher, para que cada um saia da sua solidão e entre, num diálogo de amor pleno e efectivo. De feito, além do mero facto biológico, a sexualidade é capacidade (competência) de relação espiritual e corporal. Exige, ipso facto, que seja vivida como sinal e parte de um Dom total recíproco.

(A)
Se determos apenas no seu aspecto meramente sexual, a Poligamia teria tido, entre os homens, numerosos defensores em todas as sociedades humanas. Demais, não é porque o casal, na sua concepção burguesa e cristã, se impôs em muitas sociedades humanas que os homens o preferem necessariamente. Parece antes irrealista e frustrante que o compromisso assumido ante o “notário” e a Igreja para o melhor e para o pior não impedirá o homem, nem a mulher desejar amar uma outra pessoa. Mesmo casado, não se deixa de permanecer sensível à beleza de um rosto de mulher, de um sorriso, ante uma juventude plena de porvir, uma inteligência que se desprende de um corpo de sonho. E, numa eloquente asserção: se pode apaixonar ou desejar… É humano, evidentemente!
(B)
De feito e, na verdade, a fidelidade que se promete aquando do acto do enlace matrimonial não é, por conseguinte, evidente. Só se respeita este voto, durante, demasiado tempo, caso se tenha a vontade de lutar contra os novos sentimentos e desejos “ilícitos”. Todavia, na realidade, muitos homens casados lutam contra eles próprios? Não procuram, antes as oportunidades e ensejos respectivos de ver e contemplar outra coisa que aquilo de que estão habituados no seu próprio Lar?
Donde e daí, se impõe reflectir sobre as seguintes questões:
a) Não estamos ante um sonho que o Islão permite, presentemente a alguns homens realizar legalmente?
b) Não estamos, outrossim, perante este sonho que certas e determinadas culturas permitem aos homens realizar?
Com efeito, de consignar, que, mesmo nos Estados Unidos puritanos, aproximadamente cem mil homens encontram em UTAH, a possibilidade de serem polígamos, sustentar haréns em nome da religião. São mórmones fundamentalistas. A Igreja mórmones fundamentalista os coage a desposar, pelo menos, três (3) mulheres, a imagem do Deus que veneram. Muitos de entre eles, aliás, possuem até treze (13), e até, por vezes mais… Possuem muitos filhos, porque os mórmones fundamentalistas devem ter muitos filhos. Entre os mórmones dos Estados Unidos da América do Norte (brancos, na sua maioria), só os polígamos irão para o Paraíso.
Enfim e, em suma: Que a poligamia seja o caminho do Paraíso ou não, permite-lhes realizar o sonho de muitos homens: Possuir todas as mulheres possíveis!
Sim, efectivamente, (ser ir) até admitir que o homem sonha possuir todas as mulheres, pode-se reconhecer que muitos homens sentem-se tentados em cometer o adultério ou, aliás, o cometem regularmente. Demais, a sua legitimação social, cultural, económica e religiosa, a Poligamia corresponder-se-ia aos seus desejos (os mais arcanos). Oferece-lhes, outrossim e, ainda, a possibilidade de desejar e amar outras mulheres, além da primeira esposa.

(C)
De feito et pour cause, a Poligamia oferece, não unicamente este privilégio, como outrossim, o de substituir as esposas idosas por mulheres mais jovens e sexualmente mais atraentes e sedutoras. Deste modo, o marido que substitui sem (as) repudiar, as suas “velhas esposas”, pode acontecer ser ele mesmo mais velho que a mais idosa das suas esposas. As sevícias corporais das maternidades repetidas desqualificam as primeiras esposas, no âmbito de uma salutar competição sexual. Sem se sentir coagido a se divorciar, o polígamo resolve este problema, colocando sal e pimenta no seu lar por intermédio de um novo casamento. Assim, qualquer que seja a sua idade, pode possuir esposas muito jovens, mais jovens que os seus próprios filhos ou netos. Se o Islão limita o número de esposas a quatro (4), a maioria das sociedades Africanas que praticam a poligamia, jamais fixaram um limite preciso. Donde, neste sentido, se pode desposar cem (100) mulheres caso seja Rei ou porque é bastante rico para as manter, pois que, deste modo, tem direito…

(D)
De feito, unicamente, pelos seus aspectos quantitativos, a Poligamia parece duplamente realista. Ou seja:
--- Garante ao homem uma variedade de escolha para o seu desenvolvimento sexual e lhe outorga o ensejo de exercer um “poder” sobre várias mulheres. Habitualmente, estas obedecem-lhe e o tratam como se tivesse sido o seu “senhor”, não economizando nenhum esforço para o tornar feliz.
--- Deste modo, sem as dificuldades económicas e todas as espécies de outros obstáculos, se reencontra à frente de um harém.
--- Na verdade, quem não estaria interessado numa tal felicidade?
--- Quem não estaria interessado no prazer de ser servido por várias mulheres que fazem, cada uma, tudo quanto possam para suscitar o desejo do homem?
Eis porque, muitos homens invejam, naturalmente as vantagens sexuais do polígamo.

(E)
O marido polígamo compartilha, em princípio, o leito com a mulher que se ocupou da cozinha.
Entre os KOTOKOLI do Togo, os turnos da cozinha principiam geralmente por um jantar. Donde, temos, por exemplo: A Senhora A começa o seu turno de cozinha, numa Segunda-feira (à noite). E, no caso de famílias em que o almoço se toma (em família), ela ocupará do almoço na Terça, depois do jantar da Terça e termina o seu turno de cozinha pelo almoço da Quarta-feira. Por sua vez, a Senhora B assumirá o revezamento pelo jantar da Quarta-feira.
E, no atinente, aos turnos do leito, a Senhora A assume os seus turnos (na noite da Segunda e da Terça, respectivamente), enquanto a Senhora B assumirá o revezamento no leito conjugal ou, então, receberá, no seu próprio quarto, o marido que cumpre os seus turnos. De anotar, que em todos os casos, regra geral, a mulher que preparou o jantar beneficiará, outrossim, da companhia do marido, salvo se determinadas condições, designadamente: Menstruação, enfermidade ou a existência de um bebé de tenra idade, a impedem, neste sentido.
De referir, todavia, que, em certos lares polígamos, as co-esposas não se coabitam. Cada uma vive, sozinha com os seus filhos. É o caso, por exemplo, do que acontece, no Senegal com algumas senegalesas. É, por conseguinte, o homem que vai a casa de cada uma das suas esposas ou as acolhe, no seu domicílio, cada uma na sua vez (ora uma, ora outra). E, partilha, com cada uma delas, em princípio, o mesmo número de dias.

Para finalizar, uma oportuna NOTA FINAL:
Com efeito, conquanto a Poligamia se afigure “legal” para os homens, seja ela oficial ou oficiosa, enquanto as mulheres não possuem o direito à poliandria, estas não se sentem forçosamente lesadas. Elas praticam, por vezes, uma poliandria de facto, elas se entregam ao MULTIPARTENARIADO sexual como se fossem homens. Elas se afastam, hodiernamente, cada vez mais e mais, das “morais” cristã e muçulmana que comprimem enormemente o campo de extensão legal da sexualidade: que só a aceita, no seio do casal.
Na verdade, estas “morais” em nome das quais as práticas sexuais relativamente livres foram combatidas estão, elas mesmas relativizadas em nome de novas formas de liberdade. No âmbito dos comportamentos sexuais dos homens e das mulheres, são estas liberdades que se exprimem em parte.
Enfim, o que é facto, mesmo quando os comportamentos femininos, presentemente se assemelham, na aparência, aos que se pôde observar no passado, mudaram, no entanto, de significação, obviamente.

Lisboa, 26 Fevereiro 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).
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sábado, 27 de fevereiro de 2010

NEM DE PROPÓSITO

Até as pedras da calçada devem estar a perceber as razões deste fenómeno!...


Claro que é uma coisa boa para Portugal: são os médicos a ajudarem o governo a cortar na despesa com salários.



E certamente o Zé Povinho agradece muito que assim seja.


Mais palavras para quê?


BOM DIA.

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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

«TARDE PIASTE»

Desculpem a extensão da posta.

Não é que esteja a tratar a Senhora Ministra da Saúde com menos respeito; estou apenas a citar uma frase popular em reacção a esta notícia. Tenho o maior respeito pela Senhora Ministra pois sei (sei mesmo) que não a deixam (nunca a deixaram) fazer o que era e é preciso.

Desde há 6 anos que venho batendo na mesma tecla denunciando o "crime" que se vem cometendo, qual seja o de acabar com as carreiras médicas e fazer recurso a médicos tarefeiros para os hospitais públicos. Basta consultar os arquivos deste blogue para constatar isso.

Como sempre disse e mantenho ― e isto levou-me a ser considerado e apelidado de «mau feitio» por três administrações hospitalares sucessivas, que só não correram comigo porque não tinham como fazê-lo ―, a "política" do fim das carreiras médicas e do ataque aos médicos, foi deliberada e teve como finalidade (com sucesso) esvaziar os hospitais públicos dos médicos mais experientes e mais competentes, "obrigando-os" a passar para instituições hospitalares privadas. Disse isso várias vezes em reuniões de serviço, algumas vezes na presença de administradores hospitalares, e cheguei até a preveni-los que se mantivessem essa política transformariam muitos médicos em verdadeiros mercenários.

Julgue-me neste pormenor quem conhece o estado actual da contratação externa e do trabalho médico no sector público hospitalar, nomeadamente nas urgências.

Em seis anos apenas conseguiu-se, não só despovoar os hospitais públicos, como ainda transmitir (admito que não intencionalmente) aos mais novos a filosofia do valor supremo do dinheiro em detrimento do humanismo, do rigor, da responsabilidade e da dedicação aos doentes. Mandou-se a Causa Pública às malvas e glorificou-se o sucesso material e individual.

Tudo isso foi feito com a aceitação tácita de uma população anestesiada e invejosa que se exultava e exulta com cada ataque que se faz à classe médica. População que nunca percebeu e muito menos aceitou esta verdade simples: em última instância, com os ataques aos médicos, quem acaba por sofrer é o doente, é o Zé Povinho. O médico sair-se-á sempre bem; cada vez melhor, à medida que se corta os benefícios sociais ao Zé.

[Esta é só para para fazer espumar de raiva os zés-ninguém militantes anti-médicos: hoje em dia, apenas fazendo urgências, há médicos que chegam a ganhar por mês €22,000.00 (é isso mesmo: vinte e dois mil euros)].

Mas continuemos a historiar mais um bocadinho a desgraça a que assistimos. Numa reunião com a presença de administradores hospitalares, em que se pretendia que o pessoal médico de determinado Serviço desse o seu "contributo" para a resolução de problemas do mesmo, após eu ter acabado de dar a minha opinião, o presidente do conselho de administração comentou virando-se para mim: «Você a falar assim qualquer dia é Ministro».

Sempre quiseram encenações e yes-men; ao estilo, aliás, do actual e anterior governos socráticos (e também do de Barroso com Luís Filipe Pereira a ministro). Nunca aceitaram ou aceitam opiniões diversas (não é preciso ser contrária) à deles; é bola p'rá frente e fé em Deus.

E pelos vistos o modelo actual é o da Grécia: o que interessa são os números e as estatísticas, mesmo que seja tudo aldrabado (é o caso das listas de espera de consultas de certos Serviços ― pura mentira). Deixou-se de gastar (diminuiu-se até muitíssimo as despesas) em horas extraordinárias com os médicos; e no orçamento isso é lindo de se ler; mas tiveram que fazer aparecer nuns casos, e de aumentar noutros, a rubrica aquisição de serviços. Foi para esta coluna do orçamento (que hoje é cerca de cinco vezes maior que a das "horas extraordinárias") que se empurrou o lixo que não se queria ver e talvez não conviesse que Bruxelas visse, não se importando de com esta medida aumentar a despesa pois as horas extraordinárias eram muito mais baratas que o recurso aos tarefeiros.

Esta política aplicada por pessoas pouco competentes (os chamados boys) vai acabar muito mal.

Nessa altura penso já estar a colher café na Ilha do Fogo, em Cabo Verde. Onde, pelo menos por enquanto, não há construção em leitos de cheia (estou a falar da Ilha do Fogo).

Passar bem.
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SEM PERDÃO




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ÚLTIMA HORA

A fábrica de melões de Alvalade não tem mãos a medir. De ontem à noite até agora já expediu quatro dos seis milhões de melões a destinatários privilegiados do universo desportivo português.

Por sugestão minha só um dos melões não será expedido: o que iria para o Mário Évora, em Macau, pois este é um gentleman que só não é do Sporting porque foi “traído” pela família e amigos quando ainda era pequenino.

Um abraço, Mário.

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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

UM FURO NO PNEU

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REDES SOCIAIS

Não se contesta a utilidade das redes sociais. Que é muita. Mas elas também têm “utilidades” que nos podem chamuscar e torrar em dois tempos. Porque, por exemplo, estimulam directa e indirectamente os incautos a fornecer informação pessoal e íntima à rede.

Quer-se saber tudo de um indivíduo: “pedem” para mostrar as suas fotos, dos familiares e amigos; os seus endereços de email, o número de telefone e o local de trabalho; querem saber dos hábitos alimentares; quantos dentes furados; se costuma andar de cuecas rotas ou se não usa mesmo cuecas; se sofre ou não de hemorróidas; se tem alguma hérnia inguinal ou comichão nas partes, ou ainda lombrigas; se é homem e se tem ejaculação precoce ou se é mulher e atinge o orgasmo ou só finge que; etc., etc.

Às tantas o cidadão incauto apanha-se nu e sem qualquer segredo pessoal pois acabou por tornar público tudo o que lhe diz respeito. Fica sem “alma para o negócio” e com a sua alma pendurada em computadores alheios.

Não sei se pode haver um “eu” são (o que digo!) sem segredo; mas quer-me bem parecer que um “eu” forte, equilibrado ou não ― quer-se lá saber disso para o caso! ―, só na base de muitos segredos pessoais.

Na próxima incarnação serei psiquiatra e falarei com autoridade. Mas por ora, pelo sim pelo não, tenham cuidadinho com as informações que fornecem na Net.

Aconteceu-me "apagar" a minha página no facebook saindo de lá com a notícia de que "se quisesse reactivá-la no futuro era só entrar nela de novo com a mesma password"; fiz isso e lá reencontrei toda a informação que julgava apagada (mensagens, fotos, etc.). Tive que as apagar uma a uma antes de desactivar de novo a conta. E agora espero que a operação tenha tido sucesso; embora saiba que lá nos "armazéns" da Google fica tudinho arrumadinho para os inteligentes dos serviços de inteligência usarem se for caso disso.
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ELOCUBRAÇÃO TRIGÉSIMA QUARTA:

“Ser culto es el único modo de ser libre”
José MARTÍ (1853-1895)

Uma breve Nota acerca da Poligamia em África:

Antes de mais, um pertinente Ponto Prévio:
Antropologicamente, exprimindo, o vocábulo Poligamia designa o matrimónio de uma pessoa com várias. Teoricamente, este termo aplica-se ao facto de alguém desposar vários homens (Poliandria, extremamente rara) ou várias mulheres (Poliginia, vocábulo pouco usado).
A poligamia, neste sentido de poliginia, praticada pelos Hebreus dos tempos bíblicos, foi condenada pela Antiguidade greco-romana e ulteriormente pelos cristãos. De anotar, que uma seita protestante, os Mórmones, tentou repô-la em uso, no século XIX, porém, o Congresso norte-americano declarou a poligamia ilegal, no ano de 1862.
Admitida, actualmente, por um grande número de povos, a Poligamia não implica forçosamente a rivalidade das esposas. Muitas vezes aliás, é a mulher mais velha quem escolhe as outras companheiras do marido. E, com muita frequência, outrossim a dos filhos.
De consignar, que se denomina Polígamo o ou o homem casado ao mesmo tempo com mais de uma mulher.

(1) Com efeito, nas aldeias africanas é, em princípio, útil que o homem desposa, pelo menos, duas mulheres. Permitem ao homem ter um número importante de filhos, a despeito das condições difíceis de vida e as epidemias respectivas que explicam uma taxa de mortalidade infantil, assaz elevada. Estas crianças, em crescimento ou desde a tenra idade, constituem para as suas mães, uma “mão-de-obra” da qual depende a sobrevivência da família em sociedades, onde os meios de produção são ainda, em termos gerais bastantes rudimentares. Para as mulheres, conquanto a presença de uma co-esposa seja, frequentemente frustrante, a poligamia possui aspectos positivos que a justificam.

(2) Na verdade, quando são duas mulheres (ao menos) para o mesmo homem, cada uma das esposas, vê na sua co-esposa respectiva, uma colaboradora, uma espécie de ajuda para o conjunto dos trabalhos domésticos e campestres. Ela pode viajar, caso seja necessário. Pode, outrossim, repartir junto dos seus pais, por um longo lapso tempo, se isto se tornar útil. Ela sabe que haverá uma mulher para se ocupar do marido e de todas as crianças. Se estiver enferma, a sua co-esposa se ocupa dela, evidentemente.

(3) Quando ela dá a luz, pode amamentar o seu bebé até à idade de dois anos, até mais, sem ser coagida a ter relação sexual com o seu marido. Este aceita ou impõe tanto mais, facilmente, um longo período de abstinência sexual à mãe do bebé, pois que dispõe de uma outra (disponível). As condições de vida e de produção nas aldeias são, em geral, bastantes difíceis e a poligamia permanece aí uma solução para determinados problemas. Deste modo, muitas mulheres consideram as congéneres urbanas, que criticam este sistema, como autênticas transviadas, como as que nada compreenderam, obviamente. Aliás, não é, por acaso, que algumas esposas obrigam o seu marido a desposar uma segunda mulher. Elas lha escolhem, (elas próprias), por vezes, por razões óbvias.

(4) A Sociedade rural considera, outrossim a poligamia como uma prática normal, por que não, até mesmo, obrigatória. Eis porque, em determinadas circunstâncias, a situação de um homem monógamo não seja bem visto, pelo contrário. A sua família, pode até exercer pressão sobre ele para que despose, pelo menos, duas mulheres. Senão, se o considera, como um homem que a esposa dominou, ao ponto de o impedir de desposar uma segunda. Aliás, a poligamia e os “casamentos forçados” permitem às sociedades rurais de manter uma determinada ordem, oferecendo a todas as mulheres e a todos os homens a possibilidade de se casar. O celibato praticado aí é bastante escasso, para que não dizer mesmo nulo.

(5) De anotar, que quaisquer que sejam as taras físicas de uma mulher ou de um homem, encontrar-se-lhe um homem ou uma mulher. Mesmo, que exista mais mulheres em idade de se casar que homens adultos, cada uma delas terá um marido, pois que, um único homem pode desposar várias mulheres. De feito, permitindo à todas as mulheres a possibilidade de se casar, previne-se a decomposição do tecido social pela degenerescência dos costumes. Eis porque, se pode concluir que, na verdade, o desregramento sexual seria mais elevada nas cidades, por causa, outrossim do número elevado de mulheres assumindo o celibato.

(6) Se o Islão (sendo, este, grosso modo, religião e civilização dos muçulmanos, pregada pelo profeta MAOMÉ e edificada sobre o Alcorão), teve muito êxito em África é porque sobre este ponto, não se opôs as práticas locais. Outorgou-lhes, antes, pelo contrário um quadro novo, uma nova dimensão. Deste modo, se tornou corrente asseverar, presentemente, que quando se fala, em Africanos, significa dizer, que o Islão lhes permite possuir quatro mulheres cada um. De anotar, contudo, que todos os Africanos não são muçulmanos. Demais, mesmo se considerássemos o caso preciso dos muçulmanos, verificar-se-á, que as coisas não são sempre tão simples. De feito, na verdade, o Islão só autoriza a poligamia em determinadas condições, assaz difíceis de cumprir, na prática por um homem. O Alcorão proíbe, por exemplo, a poligamia, a todo homem, não podendo ser considerado “justo”, no respeitante as suas esposas. Na realidade e, na verdade, o Islão, que não se encontra, absolutamente, na origem da poligamia em África, teria antes limitado as possibilidades por causa das novas restrições que esta prática acarreta. Com efeito, é claramente afirmado no Alcorão o seguinte:
a. “Outorgai os vossos bens aos órfãos; não substituis o bom pelo mau.
b. “Não comeis os seus bens com os vossos; é um grande pecado, realmente!
c. “E, se receais não poder ser rigoroso com os órfãos, pois bem, aceitai esposas, por dois, por três, por quatro, entre as mulheres que vos agradam. Porém, se receeis não ser justo, então, uma única, ou as escravas que possuis.
d. “Outorgai as esposas o seu salário como de direito.

Enfim e, em suma: A prática da Poligamia nas Sociedades africanas que se referem actualmente ao Islão é, por conseguinte, por vezes, não conforme às regras desta religião. De feito, em determinados meios muçulmanos, há homens que desposam duas mulheres, pelo menos e se mostram a este respeito, abertamente injustos. Preferem uma e menosprezam a outra ou as outras. Alguns de entre eles, são muito pobres e sustentados pelas suas esposas, enquanto o Alcorão exige deles que, por seu turno, sustentem decentemente estas últimas.

Lisboa, 24 Fevereiro 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

PURA PORNOGRAFIA EM SUMA

O Prof. António Hespanha, ontem no Prós & Prós, desalinhou e resumiu genialmente a questão em poucas palavras que cito de cor; mas que não andam longe disto:

Portugal é dominado por cerca de 1500 a 2000 pessoas que funcionam em circuito fechado ― passam da oposição para a situação, depois para o Governo de onde saltam para empresas públicas, para bancos, para empresas privadas ligadas ao Estado, para conselhos de administração de televisões e empresas de média, para a direcção de jornais, voltam de novo ao Governo, etc. ― sempre as mesmas pessoas em animado carrossel, que falam entre si e para si, e tratam fundamentalmente dos seus interesses, enquanto o resto dos habitantes de Portugal são a Gleba a quem tudo é retirado e nada tem.
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DA JUSTIÇA EM PORTUGAL

Alguém falou mal da Justiça?
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domingo, 21 de fevereiro de 2010

UM FÓSSIL

Na década de setenta, no Serviço de Propedêutica Cirúrgica do Hospital de Santa Maria, dirigido então pelo Prof. Cândido da Silva, o Filipe (um belíssimo cirurgião que perdeu a vida num acidente de viação) chamava-lhe «o fala-barato». Claro que de lá para cá evoluiu muito. Muitíssimo. Como hoje se ouve e se vê, aliás.

Na altura todo o mundo era seu «amigo». Hoje ainda mantém o tique ― só pode ser tique ― toda a gente continua a ser «o meu amigo» fulano, «o meu amigo» sicrano, e por aí fora... com nenhum “Darwinismo” de permeio.

Enfim... Pavonices provincianas!
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sábado, 20 de fevereiro de 2010

ESTRAGOU TUDO

É um excelente jornalista.
Que não resistiu à vaidade.
Por isso (mas não só por isso),
prefiro a Felícia Cabrita.
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

IMPRESSIONANTE. REVELADOR.


Quantidade de CO2 emitido.
Nascimentos e falecimentos.
Em todo o mundo.
No momento.
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ISTO NÃO PÁRA

MAIS UMA NÓDOA. MAIS UMA DOR DE CABEÇA.


Hoje em dia tudo se descobre; tudo se sabe.

Começou o levantamento das identidades dosAbrantes”.


Será "calhandrice"?...

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domingo, 14 de fevereiro de 2010

TOLERÂNCIA / INTOLERÂNCIA

«Voltaire fundamenta a tolerância no facto de devermos desculpar uns aos outros as asneiras que fazemos. Há todavia uma tolice muito expandida, a da intolerância, que Voltaire, com razão, considera difícil de tolerar. De facto é aqui que a tolerância esbarra nos seus limites. Se reconhecermos à intolerância o direito de ser tolerada, acabamos por destruir quer a tolerância quer o estado de direito. Foi o destino da República de Weimar.» [Karl Popper - citando Voltaire]


(Popper diz o mesmo da arrogância).


Pena Portugal não ter governantes cultos... ou que ao menos lessem um pouco; um pouquinho todos os dias!...


BOM DIA.

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sábado, 13 de fevereiro de 2010

ESPELHO MEU

«O que o senhor primeiro-ministro prometeu aos portugueses foi fazer gelo quente, mas eu lamento senhor primeiro-ministro, gelo quente não existe
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