sábado, 3 de abril de 2010

ELOCUBRAÇÃO QUADRAGÉSIMA TERCEIRA:

Ser culto es el único modo de ser libre

José MARTÍ (1853-1895).


POSTA TERCEIRA:


(A) Um facto é certo, ou seja: Conhece-se as causas do cancro, porém, não se sabe ainda como tratá-lo. De sublinhar, aliás, que já se conhece os oncogenes e os antioncogenes; conhece-se, outrossim, um certo número de genes e sabe-se, aproximadamente o que fazem e os que se vai encontrar. Sabe-se, onde é necessário ir procurá-los. Estas descobertas foram realizadas entre 1980 e 2000. É um progresso enorme, no âmbito da Investigação fundamental, do qual o grande público não tem, realmente a mínima consciência.

(B) Todavia, para que estas descobertas possam dar frutos sazonados, se impõe implantar, avisadamente uma política científica suportada por uma estratégia, assaz consequente. Entre Pasteur e os antibióticos decorreram, aproximadamente sessenta anos. Eis porque, a priori, poder-se-ia, por conseguinte, pensar que será necessário tempo. Trata-se de um raciocínio falso, visto que a investigação não funciona da mesma forma, tendo em conta, sobretudo, que a informação, o conhecimento, os meios mudaram, sobremaneira.

(C) No entanto, existe uma questão que se prende com a complexidade. De feito, a cura de um cancro é um problema mais difícil que o das doenças infecto-contagiosas, visto que, apela a mais noções e que, por outro, os métodos de análise, já não é o microscópio, sim, efectivamente enormes máquinas, recorrendo à Bioquímica, à Informática ou à alta Tecnologia. Por outro, é preciso constituir equipas científicas formadas, no domínio destes problemas, onde se encontra homens e mulheres de interfaces capazes de estabelecer elos entre as dissemelhantes questões. Enfim, eis porque, neste sentido, é necessário criar novas profissões que são o fruto de múltiplas disciplinas, o que significa, pôr em contacto a biologia, a química, a matemática, a estatística. Todavia, de um modo geral, é necessário que haja uma verdadeira vontade de investigação, neste sentido. Infelizmente, esta análise da nova complexidade não constitui o objectivo de ninguém. Deste modo, no âmbito desta deletéria dinâmica, o fim dos próprios hospitais é sinónimo de tratar os doentes com os métodos actuais, despendendo o menos possível. Ninguém coloca a questão claramente a propósito desta nova transferência dos conhecimentos e desta nova gestão da complexidade dos utensílios da comunicação hodierna.


Posto isto, vale a pena tecer alguns considerandos acerca do Incremento do Conhecimento:

Na verdade, é indispensável incrementar o conhecimento, pois que é próprio do Homem, sobretudo se visa ser útil à Humanidade, obviamente. Antes de mais, se afigura quão pertinente e assaz oportuno, colocar, avisadamente a seguinte questão: Porquê e com que fim?

Na sua base, a resposta busca fundo, o seu conteúdo de verdade, na Filosofia, que nos permite atingir o cerne da questão, pois que estamos ante o peculiar movimento geral da espécie Humana. De feito, o problema, actualmente é, na realidade, a massa e a complexidade dos conhecimentos. Há cem anos, um Egrégio Sábio podia pretender conhecer, pelo menos, nas suas linhas principais, toda a Ciência. Neste sentido, se pode asseverar que Pasteur era globalmente a síntese viva de todos os conhecimentos biológicos do seu tempo. Hodiernamente, uma tal figura não pode existir, por razões óbvias.

E, prosseguindo, assertivamente, de facto se cresce o conhecimento, pode-se perguntar como se o utiliza. Não há dúvida nenhuma, que o exemplo do cancro se afigura um modelo, assaz eloquente. Desde aproximadamente, sessenta anos, se aguarda progressos relevantes, porém se avançou lentamente, com, por vezes, utilizando instrumentos e métodos inadequados. E, para retomar, uma expressão que está na moda, se houvesse um verdadeiro “governo” mundial no âmbito da Investigação

do Cancro, seria que se iria mais rapidamente? Quiçá! Quiçá! Quiçá!...


Lisboa, 03 Abril 2010

KWAME KONDÉ

(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo)
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PRÉMIO FISIOLOGIA PARA JESUS

O treinador dos lampiões disse ontem a um repórter que o jogo em Londres vai ser difícil porque os jogadores do Liverpool «têm muita adrenalina física e mental».

Ó Manuel Machado, você já mandou dizer ao «mestre da táctica» que a adrenalina é uma coisa líquida ou deixa isto estar como está?

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LEVIANAMENTE

O pior presidente do Sporting dos últimos trinta anos, o único remunerado, José Eduardo Bettencourt de sua graça, ofereceu de bandeja a Pinto da Costa o “laboratório de Alvalade” para testar Carlos Carvalhal, tendo apostado num novo treinador para a próxima época num acto de gestão absolutamente desastrado praticado com a convicção e à imagem de quem vai às putas ao meio dia, em plena rua.
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ELOCUBRAÇÃO QUADRAGÉSIMA SEGUNDA:

“Ser culto es el único modo de ser libre”.

José MARTÍ (1853-1895)

POSTA SEGUNDA:


1) De feito, neste início do Século XXI, se envida, por conseguinte, em melhor classificar e a melhor individualizar, visto que se impõe ir para uma Medicina, cada vez mais e mais, individual que tratará (“votre tumeur à vous”) com as suas características genéticas e não as de um outro. Isto deveria permitir fazer progressos mais rápidos porque se coloca as boas questões, enquanto actualmente, se mistura as questões acerca dos grandes grupos de enfermidades que não se sabe diferençar. Na verdade, em teoria, se chegarmos a identificar os genes, isto deveria facilitar as terapias: quer far-se-á a terapia genica, quer se serve de inibidores de tal ou tal gene.

2) Uma das consequências desta revolução terapêutica, ora enunciada é que os métodos para levar a cabo, os ensaios clínicos estão (quiçá) completamente ultrapassados. Com efeito, vale a pena, fazer, durante uma década ou duas, mesmo, ensaios em mil enfermos, tirados à sorte, para demonstrar minúsculas diferenças de eficácia, enquanto o produto testado é provavelmente activo, unicamente, no entanto, num pequeno grupo de enfermos que não se sabe ainda reconhecer antecipadamente? Isto custa muito caro e, demais a mais, não há demasiados enfermos para entrar neste género de experiência. O SIDA mostrou que é preciso tentar outras vias de pesquisa/investigação, mais céleres e mais dinâmicas. É necessário inventar outros critérios de avaliação. Demais, em suma: o mais importante é que os doentes vivam, concomitantemente, muito tempo e melhor, ou seja, com o mínimo de qualidade de vida, obviamente.

3) Donde e daí, as duas grandes esperanças são, efectivamente:

a. Os marcadores com extracção de sangue. De feito, graças as técnicas da genómica e da proteómica, se pode diligenciar em obter demasiado atempado, indicações precisas acerca do estado do marcador, sendo marcador um produto expelido pelas células do doente e que se pode detectar não no tumor, mas sim no sangue. O marcador indica, aliás, qual o estádio em que se encontra o doente e, em caso de tratamento, permite saber se existe efeito ou não.

b. A Imageologia: com PET-SCAN, a Ecografia Doppler, a Ressonância Magnética (IRM). Até então, a imageologia visava tomar uma foto das cores, das formas, da localização de um tumor. O PET-SCAN, por seu turno, vai mostrar o estado biológico. Trata-se de Tomografia por emissão de positrões. Grosso modo, combina os métodos da imageologia tradicional com os da Cintigrafia (injecta-se um produto radioactivo, que se incorpora nas células e se vê uma localização como uma intensidade de fixação). Tudo isto, dá uma ideia do estado biológico dos tecidos e das células e, por conseguinte, da sua real agressividade, do seu potencial de recidiva. Enfim, o PET-SCAN não é apenas uma foto, sim, efectivamente é, outrossim uma actividade (cerebral, cardíaca ou de um tumor). Donde, se consegue diagnósticos, não só, mais rápidos como assaz melhores. Eis, então, de uma forma geral, concretamente, no âmbito da Oncologia, o estado da arte em que se encontra a Investigação Médica e as perspectivas, assaz sérias, previstas para as décadas vindouras.


E, em jeito de Remate:

Na realidade, fez-se progressos consideráveis que, no entanto, ainda, pouco se conseguiu modificar, no atinente ao modo em que se diagnostica e se trata os cancros, hoje em dia.

De feito, presentemente tudo quanto gira em torno do genoma, possui pouco ou nada de aplicação na forma de diagnosticar ou de se tratar. Em contrapartida, isto mostra em que direcção é necessário investigar e donde virá o progresso.

Os progressos dos quais beneficiamos, no momento presente, provêm dos medicamentos ou de técnicas que datam dos anos 1950-1970 com um utensílio/instrumento muito mais limitado. Ou seja: o alvo, não é os genes, ou se quiser, o disco duro do computador das células cancerosas, todavia, o computador em si mesmo, isto é, a célula.

Por seu turno, a Cirurgia se envida em extrair os tumores, a Radioterapia queimá-los pela radiação e a Quimioterapia matá-los por intermédio das drogas.

O utensílio de medida permanece a imagem e o alvo, a célula vista pelo microscópio, porém estes instrumentos são insuficientes: a foto de um volume não reflecte o que se encontra no interior. Demais, o exame microscópico das células, se fornece elementos acerca de um cancro e da sua malignidade, não permite dizer qual o tipo de medicamentos esse cancro vai responder, nem saber os riscos de metástases ou de recidiva após cirurgia. Opostamente, a genómica (se o espera, pelo menos), deveria permitir dispor destas marcas de referência.


Lisboa, 02 Abril 2010

KWAME KONDÉ

(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo)

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sexta-feira, 2 de abril de 2010

MEMÓRIA 01

O Fac-simile aqui mostrado (clique na imagem para aumentar) é uma página do primeiro documento aprovado, uma semana após o 25 de Abril de 1974, em reunião aberta de cabo-verdianos (estudantes e não estudantes residentes na área da grande Lisboa) em que se fundou o GADCG (Grupo de Acção Democrática de Cabo Verde e Guiné) constituído no mesmo dia e na mesma reunião.


Esse documento foi entregue no dia seguinte, em audiência com um oficial superior do MFA, membro da então Junta de Salvação Nacional, no palácio de Belém, pelos Drs. António Caldeira Marques, jurista, Manuel Chantre, economista, e euzinho aqui, ao tempo armado em Che Guevara.


Naquela audiência exigimos ainda de viva voz a “extinção do campo de concentração do Tarrafal”. Na hora de falar, um dos peticionários (melhor dizendo, um dos “exigentistas”) quis dourar a pílula e disse “campo de reabilitação de Chão Bom” no que foi por mim corrigido de imediato: campo de concentração; campo de concentração do Tarrafal.


Já agora fica como curiosidade o seguinte: Caldeira Marques terá passado por cargos na Justiça de Cabo Verde mas não ficou por lá muito tempo; Manuel Chantre, que era o presidente do conselho de administração da empresa que publicava as Páginas Amarelas ainda foi Ministro em Cabo Verde, já na democracia, mas também regressou e está por cá em Lisboa. Euzinho aqui, saído do PAIGC pelo meu próprio pé, em 12 de Setembro de 1976, regressei a Lisboa onde residia e ainda resido. Só agora, acabadinho de me aposentar antecipadamente, estou a preparar as malas para o regresso à Ilha do Fogo: a mais bonita, a mais imponente, a com melhor qualidade de vida, aquela que tem um povo que “s’êl pêga mundo êl tâ dâ c’uél na tchon” (se pega o mundo, derruba-o de certeza). Vou tocar violão, beber aguardente, deitar-me na rede, curtir e ver passar o tempo qual banco do jardim de Santo Amaro.


Nota: 1) É curioso constatar no documento a hierarquização que então se fazia dos Movimentos de Libertação. Era assim e não o era por acaso.

2) Agradece-se a JPP ter arquivado o documento no Ephemera.

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IMAGINEM A TAREFA!...

Sonhei que os organismos internacionais tinham convencido os guineenses a aceitar uma tutela cabo-verdiana por cinquenta anos e que passada a primeira década já a Guiné tinha a funcionar, com boas perspectivas de continuidade, governo e ministérios, escolas, hospitais, administração pública, bancos, tribunais independentes, companhias de seguros, comércio interno e com o exterior, polícias de manutenção da ordem pública, de trânsito e de fronteira; controlo de tráfego aéreo e terrestre, uma pequena companhia de voos internos, agricultura e pescas, sistemas de bolsas de estudo para formação dos seus melhores alunos no exterior (Cabo Verde, Portugal, Brasil, Espanha) etc.

Esta manhã, o Picasso, o meu gato, como sempre faz todos os dias às sete horas em ponto, subiu para a minha cama e acordou-me. Então “realizei” (decalque do inglês I realized, termo que não consigo traduzir de forma que me satisfaça) ― dizia eu ― então realizei que afinal na Guiné-Bissau ainda só há mesmo... o etc.... e muitos analfabetos fardados.

Nota: Tudo o que disse que “estaria a funcionar” ― ou não existe, ou não funciona na Guiné-Bissau de hoje.
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MAIS DO MESMO

No Estado falhado da Guiné Bissau alguns analfabetos fardados intitulando-se "militares" andam de novo por lá aos tiros e sequestros um pouco ao capricho de cada um que se acha no direito de mandar e ser o dono do dinheiro que não há.

Já muito falei anteriormente deste assunto pelo que como esta é mais uma tentativa igual a tantas outras feitas no passado, de tomada do poder pelas armas, naquele pedaço de bolanha, não vou gastar mais tinta por hoje.

Só quero é agradecer mais uma vez, agora postumamente, a Nino Vieira (assassinado há pouco tempo à catanada pelos seus irmãos de sangue e de luta) o facto de em boa hora ter deposto Luís Cabral e forçado à separação de Cabo Verde da Guiné Bissau.

O povo cabo-verdiano certamente agradece muito penhoradamente o facto e não tem saudades daqueles tempos de "união e suga-suga" do dinheiro dos nossos emigrantes por parte do então governo da Guiné.

Passar bem, meus amigos! Vão-se matando devagarinho que qualquer dia resolvem os vossos problemas pela desertificação humana do território.
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quinta-feira, 1 de abril de 2010

REGRESSO AO PASSADO

Talvez ainda abalado com os resultados da eleição interna no PSD, o Abrupto aborda aqui o passado recente do partido e defende-se defendendo Manuela de quem foi conselheiro empenhado.


Quanto ao que pareceria agora mais importante a toda a gente ― a nova liderança e o novo líder...


Moita!

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