quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

NUNCA É TARDE

Concordo em absoluto com Marinho Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados:

«É preciso acabar rapidamente com o segredo de Justiça»

PARA SE SABER A TEMPO COISAS DESTAS:

Clique e oiça aqui.

E também aqui.

Editado para colocar os URLs em vez dos clips pois parece que o padrinho vai levar a coisa a tribunal.
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ELOCUBRAÇÃO TRIGÉSIMA:

“Ser culto es el único modo de ser libre”.
José MARTÍ (1853-1895)


Nos meandros da Utilização da Energia:

(A)
Consumir Energia e emitir CO2 não são sinónimos. Determinadas energias são virtuosas, tendo em conta as emissões de gazes de efeito de estufa, outras, não as são. A fraca tributação sobre as emissões de carbono que existem, presentemente (da ordem de 20 dólares a tonelada) não vai, no sentido de uma atenuação rápida das emissões de CO2. Um preço mais realista deveria ser, pelo menos, dez (12) vezes superior para que se utilize mais amplamente as energias renováveis. Isto conduzia, contudo, a uma subversão da Economia.
Não é necessário, se sentir culpado por consumir energia se esta não emite CO2 e, se as reservas forem suficientes. É o caso das energias renováveis e do nuclear. Em compensação, é preciso, cada vez mais, que seja possível, diminuir o nosso consumo de combustíveis fósseis, designadamente, em todos os casos, onde outras energias podem se revelar mais performantes e economicamente competitivas.

(B)
Pensa-se, frequentemente que reduzir as emissões de CO2 para lutar contra a mudança climática equivale a reduzir o nosso consumo energético. De sublinhar, todavia, que nem sempre existe equivalência e, por vezes, reduzir o consumo de energia não reduz as emissões de CO2. É o caso, por exemplo, quando se utiliza energias renováveis ou se a electricidade produzida pelo nuclear. Eis porque, em contrapartida, se afigura assaz indispensável reduzir o consumo de combustíveis fósseis, visto que emitem CO2, queimando-os. Em cada um dos grandes sectores da Economia: Electricidade, Transportes e Calor, procura-se reduzir a nossa dependência perante os combustíveis fósseis.

(C)
Não deixa de ser assaz pertinente, afirmar que utilizar a Energia é francamente indispensável à Vida e ao desenvolvimento económico. No entanto, o Problema é que a População aumentou sobremaneira (um factor 6 em dois séculos) e que as necessidades em energia se incrementaram, outrossim activa e significativamente (um factor da ordem de 20 em dois séculos).
Cada fonte de energia encerra em si, as suas vantagens e os seus inconvenientes. Qualquer que seja a fonte de energia, uma utilização massiva desta tem sempre um impacto sobre o Ambiente. Alguns destes impactos não possuem consequência sobre a Saúde, outros, pelo contrário, possuem riscos visíveis. Não são forçosamente, os mais perigosos, porquanto conhecendo o risco se pode tomar medidas apropriadas.
No entanto, mais embaraçantes são as poluições que possuem um efeito diferido e difuso, de que se realiza, amiúde, demasiado tardiamente, o seu impacto negativo sobre a Saúde ou sobre o Ambiente. Temos, outrossim e, ainda, os acidentes que convém prevenir em todos os ramos da Energia.

O

O O

(1) A Energia é, na verdade, assaz indispensável ao desenvolvimento económico. Permite se aquecer, se deslocar, produzir trabalho e muitas outras coisas. O consumo de Energia tem aumentado, sempre, no decurso das épocas. Paralelamente, o nível de vida dos homens se melhorou e a esperança de vida incrementou. Esta atinge um plateau quando se consome aproximadamente 2 a 3 TEP (tonelada equivalente petróleo) por ano e por habitante. Consumir mais Energia não alonga a duração de vida. Em contrapartida, consumir muito abaixo deste valor conduz a esperanças de vida inferiores às dos países desenvolvidos.
(2) A Humanidade se encontra, actualmente confrontado com dois problemas, no âmbito e domínio energético, designadamente:
a. O Primeiro se encontra vinculado ao esgotamento progressivo dos combustíveis fósseis (petróleo, gás e carvão).
b. O Segundo, por seu turno, é devido ao facto, que a utilização destes combustíveis fósseis liberta gás carbónico e aumenta o efeito de estufa natural. Este facto pode conduzir a uma mudança climática de uma amplidão que não se sabe, actualmente avaliar, de modo preciso, visto que depende, outrossim da forma da qual vamos consumir a energia no futuro. E se deve, outrossim, ao forte aumento da População Mundial desde o início da Era Industrial. Ou seja: passou-se, de um pouco menos de 1 mil milhões de habitantes em 1800 para, aproximadamente, 6,5 mil milhões presentemente.
c. Eis porque, se afigura necessário, por conseguinte, por um lado, diminuir o nosso consumo de energias fósseis a fim que as reservas durem, o mais demasiado tempo possível e diminuir, outrossim, (robustamente) as nossas emissões de gás com efeito de estufa.
d. Enfim e, em suma: se afigura, quão pertinente e oportuno, consignar, que existe actualmente uma tendência para correlacionar o consumo de energia e as emissões de CO2. Em outras palavras e, para melhor dizer, muitos pensam que para diminuir as nossas emissões de CO2, basta diminuir o nosso consumo de energia e que consumir energia nos torna culpado perante o Ambiente.
(3) Antes de mais, se impõe, sublinhar, que os combustíveis fósseis constituem uma herança da Natureza. Formaram-se, há centenas de milhões de anos à partir da Biomassa (massa de matéria viva, animal ou vegetal, que vive em equilíbrio numa determinada área da superfície terrestre), utilizando a energia solar, o gás carbónico presente, na atmosfera e da água do solo. O mecanismo de formação se estendeu por cerca de milhões de anos e os consumimos, hodiernamente, numa escala de tempo, muito mais curta, já que deveriam constituir, para uma boa parte, ser esgotados em alguns séculos, no máximo (quando muito). Os combustíveis fósseis continuam a se formar, presentemente, no entanto, numa velocidade tão lenta que não pode compensar o que é explorado, cada ano.
(4) De anotar, que, na verdade, os combustíveis fósseis permitiram um desenvolvimento rápido da nossa Civilização. Representam, presentemente, aproximadamente 80% do consumo em energia primária (isto é, disponível sem transformação) do Planeta e, não se poderá se passar disso, de um dia para o outro, salvo, colocando gravemente em causa a Civilização Hodierna e a sua estabilidade respectiva. Eis porque, no âmbito desta dinâmica, seja o que façamos, os combustíveis fósseis esgotar-se-ão, a pouco e pouco, o petróleo (barato) e o gás natural antes do fim do século, o carvão, um pouco mais tarde. Uma crise, isto é, uma ruptura na evolução da Civilização, se afigura, por conseguinte, assaz inevitável, obviamente. Quando se dilapida uma herança, chega um dia em que não existirá, nada, absolutamente. Donde, se formos bastante económicos, o término se encontra longínquo. Caso contrário, como é o caso (infelizmente) para a nossa Civilização, o prazo é, sobremaneira, mais curto.
(5) Finalmente, de sublinhar, com ênfase, que à esta crise energética anunciada se acrescenta o Problema que se situa, numa escala de tempo, mais curta. Estamos a referir, obviamente, à luta contra o incremento do efeito de estufa devido às actividades humanas.
(6) E, em jeito de Remate avisado: Assevera-se, amiúde, que para atenuar as emissões de CO2 no Sector energético, basta consumir menos energia. Estamos, efectivamente, ante uma asserção, que nem sempre, é verdadeira. Diminuindo o consumo de energia oriunda de fontes de energia, não emitindo CO2, funcionando como as energias renováveis ou o nuclear, não se atenua as emissões. Donde:
a. Para a Energia produzida pelo nuclear é bom diminuir o consumo de energia. Isto permite economizar os recursos em Urânio, que são, outrossim finitos, mesmo se os recursos podem, ainda durar dezenas de milhares de anos graças às futuras tecnologias de reactores a neutrões rápidos.
b. E, no atinente, às Energias renováveis, pode, se afigurar, interessante, economizar a electricidade produzida por uma barragem, porquanto permite preservar as reservas em água, que poderão ser melhor utilizadas, em caso de solicitação, assaz robusta, nas horas de ponta. Isto, evitará, identicamente, em pôr em funcionamento, Centrais, operando com combustíveis fósseis.
NOTA BEM: A continuação deste assunto virá, na “Posta” seguinte, ou seja: In ELOCUBRAÇÃO TRIGÉSIMA PRIMEIRA.

Lisboa, 20 Janeiro 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).
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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

PAVIO QUEIMADO

Afinal, fui eu que piorei da cabeça.

Reli novamente (isso mesmo: li, duas, três vezes) as teses de JCN (João César das Neves) e reparei então que ele escreveu coisas que eu não lera ― ou porque o DN editou o texto em causa e lá as pôs durante o dia de hoje, ou porque após comer peixe de escabeche estragado fiquei passado dos miolos. Vá lá, saiu-me um ponto de interrogação naquela posta!...

Então não é que JCN escreveu estas pérolas cintilantes e não as vi à primeira? Talvez me tenham ofuscado com o seu brilho, só pode ser isso!

«As novas gerações queixam-se do sistema sem futuro que os pais criaram na revolução.»

Esta é mesmo para mim: botando faladura, no dia 27 de Abril de 74, do palanque improvisado no I.S. Técnico, tendo mesmo a meus pés (é verdade: na fila à minha frente, no chão, fora do palanque) Saldanha Sanches que acabara de ser libertado na véspera, creio, da prisão de Caxias, aplaudindo o discurso do “camarada das colónias” (euzinho aqui) ― foi ali que começámos a tramar o futuro de Portugal e dos nossos filhos. Toma que já almoçaste, seu revolucionário de uma figa!...

«Apela-se a um Salazar que venha pôr isto na ordem.»

Esta não deve ser comigo. De certeza.

«As oposições, grupos de pressão, classe política não passam de folclore.»
«Mesmo a crise financeira e questões internacionais são acidentes menores.»

Tendo em conta, claro está, este grande império que é Portugal, digo eu.

«Portugal pode vencer todas as dificuldades, menos uma: o povo desanimado.»

Bem, eu vou parar por aqui. Já percebi: César das Neves é colaborador de Sócrates ― não é este que está sempre a dizer que é preciso «fazer um discurso de esperança para o pais»? ― pois é!

Posso assinar esta posta?

a) Desanimado.
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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

PELA PRIMEIRA VEZ...

Concordo de fio a pavio com uma opinião de João César das Neves (vale a pena ler).

― Fui eu que melhorei da cabeça?

― Ou terei piorado?

― Ou foi ele?

― Ou não foi nada disso?


Começo a ficar preocupado: ontem concordei com Pacheco.
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domingo, 17 de janeiro de 2010

A “EXPLOSÃO” DE PACHECO

Para quem se queixa dos «amigos de Sócrates na comunicação social e nos blogues» não está nada mau este diagnóstico preditivo e predicativo de que faço ressaltar o seguinte:

«E quanto mais Sócrates se enterra na negação do real, mais este lhe bate à porta. Até o próprio parece começar a aperceber-se disto, e a responder a este fim dos tempos numa fuga em frente obstinada, porque é da sua natureza, mas confusa e caótica. Já toda a gente percebeu tudo isto menos os intelectuais orgânicos "socráticos", um conjunto modernaço de gente que tem o coração no Bloco de Esquerda, mas a carteira no PS, ou melhor, no gabinete do primeiro-ministro. Gente que pouco preza a liberdade mas que tem acima de tudo um enorme fascínio pelo poder como ele se exerce nos dias de hoje, entre o culto da imagem, o pedantismo das causas "fracturantes", o vanguardismo social, o "diabo que veste Prada" ou Armani, e o "departamento dos truques sujos" à Richard Nixon, tudo adaptado à mediania provinciana da capital. A ascensão ao poder de uma geração de diletantes embevecidos com os gadgets, pensando em soundbites, muito ignorantes e completamente amorais, que se promovem uns aos outros e geram uma política de terra queimada à sua volta, é a entourance que o "socratismo" criou e vai deixar órfã.»
[JPP in Abrupto]

Concordo plenamente com tudo o que JPP escreveu e acabei de transcrever, com sublinhados de minha responsabilidade. E concordo com quase tudo o que JPP escreveu na posta toda... não fosse aquela de o «real» (de realidade) ser «cavaquista e leitista»... Isso já não é aceitável pois parece que só os gerontes do PSD é que têm criticado a governação socratina pelas razões que JPP aduz ― e Pacheco bem sabe que isso não é verdade.

Mas... se concordo nisso com Pacheco ― já me recuso a engolir o xarope que aquele albergue espanhol que é o PSD tem por remédio dos males da pátria.

Enquanto não passarem o partido por um filtro incinerador (acho que isto não existe ― fabrique-se, então! ―) que lhe dê um mínimo de reconhecimento, respeitabilidade e credibilidade, não é de se confiar o poder ao PSD.

Tenho dito.
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NOTÍCIA NACIONAL

O Fóculporto* adquiriu o seu Makukula.

Espero que o Gandhi** sente o Varela no banco e faça entrar esse língua de trapo para a frente de ataque.

(*),(**) Substantivos muito apropriados da autoria de FNV do Mar Salgado (por sinal ou por sina, o único lampião que tenho prazer em ler. Talvez porque sendo psiquiatra nos sabe sovar usando saliva de morcego. E como doente tem uma fixação invejável, que me delicia, pelo Fóculporto de FJV).
Já agora não resisto: ― FNV, v/ quebrará algum dia o sigilo profissional revelando a ficha clínica do  "Papa"? É que aquela da comunicação vocal com o além deixou-me desconfiado...

Editado para colocar aspas na palavra "Papa" ― o que faz toda a diferença, claro.
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CÃO DE FILA NÃO

É o que sinto como cidadão eleitor.

A forma como a candidatura presidencial de Manuel Alegre tem sido proposta, melhor imposta, incomoda e desperta repulsa a qualquer espírito livre.

É a si (eleitor) que compete optar, escolher e votar num candidato dentre dois ou mais, e não a ninguém (Alegre) ou movimento algum de opinião (partidos políticos incluídos).

A movimentação de e à volta de Manuel Alegre está-se a tornar uma coisa intrusiva da privacidade de opção política dos cidadãos parecendo que há uma qualquer obrigação obscura irrecusável ― talvez genética ― de: não só aceitá-lo mas escolhê-lo votando-o para futuro Presidente de Portugal.

Bem sei que Alegre, antes de mais, quer é impor-se ao PS; mas devia ter escolhido outro caminho.

Porque a sensação que dá é a de que Manuel Alegre não só se considera dono e senhor do milhão de votos que obteve anteriormente, mas ainda o destinatário genético dos votos de todos os que têm a cabeça e ou o coração à esquerda.

Não é assim. Eu votei Soares contra Alegre. E seria e serei capaz de votar Cavaco contra Alegre ― por inúmeras razões.

Desde logo porque o folclore é bonito mas é nos arraiais.

BOM DIA.
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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O MELHOR DE SEMPRE?


Sim, como anúncio... talvez, que eu não vi todos.
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ELOCUBRAÇÃO VIGÉSIMA NONA:

“Ser culto es el único modo de ser libre”
José MARTÍ (1853-1895).


Não há dúvida nenhuma, que atrás das metamorfoses da Internet, existe sobremaneira uma mudança profunda dos Cérebros e dos Espíritos do Homem que se encontram em franco questionamento. Por outro, atrás destas mutações individuais, uma profunda mudança da própria Organização Social Hodierna.

Vejamos, então, num rápido instante, o que se passa, por exemplo, em princípio com a transformação dos Cérebros Humanos.

(A)
Quem nunca contemplou a Lua, esperando ler (aí) os pensamentos secretos de incógnitos que nos compreendem, tem dificuldade em entender o conteúdo de verdade das coisas videntes oriundas do intelecto Humano. De feito, enquanto o século XX pretérito terminou pelo triunfo da Imagem, o século XXI principia por uma reabilitação da escrita, o utensílio, que permite melhor exprimir os Pensamentos sem atulhar aparências, visuais ou auditivas.
Sabemos, doravante, que pudemos, a todo o momento, partilhar as nossas impressões do instante, como os nossos pensamentos profundos, com próximos, outrossim, porém, com meras conexões ou desconhecidos. Isto não impede a nenhum de nós de preservar os seus segredos, no entanto, ainda assim, a vida virtual é uma vida que se vive a cérebro aberto e, isto transforma até o nosso modo de pensar. Já não somos únicos com a nossa vida interior, ou, em todo caso, a sua porta já é hermética, nem reservada a um minúsculo círculo de íntimos, ou, para os crentes, a Deus…
Enfim, se, presentemente (nos nossos dias de hoje) os adolescentes se interessam aos seus semelhantes antes que os mistérios do Espaço, ou os segredos do Mar Vermelho, é porque com a Internet, a exploração da vida interior dos outros substituiu a descoberta de mundos incógnitos como modo de busca de si próprio.

(B)
O segundo Paradigma, que se pode deduzir das ideias fundamentais do Estudo da “alquimia des multitudes” formula que esta vida interior a céu aberto é uma vida organizada e recortada em temáticas. A Internet “alquímica” ajuda a classificar e tornar apresentável a todo desconhecido o nosso Universo mental. Tudo isto é surpreendente, todavia, não deixa de se afigurar e assumir, quão perigoso. As imagens (as nossas fotografias, os nossos vídeos preferidos, etc.) se tornam o auto-retrato impressionante cuja a desorganização se encontra notavelmente normalizada.
A regra, já evidente desde os inícios da WEB, segundo a qual os maiores perigos da NET residem não no que diz, porém nos silêncios, aparece, hodiernamente mais exacta que nunca. Felizmente, a Internet oferece, outrossim, uma forma de reabilitação da diversidade, inclusive, no âmbito da oferta dos actores económicos, que cessaram de evoluir para a estandardização, na segunda metade do século XX passado. Todavia, se espera, que, ao lado da “economia da longue traîne”, isto é, a capacidade para produzir a baixo preço, produtos raros homólogos à diversidade espontânea dos gostos de cada um, a WEB poderá, outrossim, produzir e encorajar um “pensamento da longue traîne”.

(C)
Todavia, se permuta as nossas formas de pensar, a Internet permite, outrossim, de se servir da Inteligência colectiva em condições totalmente inéditas, desde as remotas origens do advento da humanidade. Quando o Budismo, o Cristianismo, o Islão redesenham o Mundo, constituem Sistemas de Pensamento edificados desde o princípio e revelados por um Profeta único. Quanto aos grandes sistemas políticos, não são obrigatoriamente o fruto da imaginação de uma única pessoa, no entanto, quase sempre, produzidos por um grupo apanhado no espaço e no tempo, dos pensadores e reformadores. A disposição em rede dos espíritos transforma veridicamente as conexões de força na Sociedade e faz surgir, em alguns meses, modos de viver e de pensar, aspirações e desejos inteiramente novos e, não obstante, assaz minuciosamente partilhados, enquanto forem, em princípio, inspirados por nenhum guru nem nenhum filósofo. São os puros “produtos” de uma Inteligência social colectiva. A diferença entre os conflitos de geração dos nossos dias e os de outrora, é que os de outrora eram sempre inspirados por Escritores “rebeldes”da geração dos pais respectivos.
Eis porque, não é preciso subestimar a sensacional virtude de um porta-voz que permite na rua se fazer escutar sem descer à rua e votar, com os seus próprios pés, sem “dar às de vila Diogo”. Não é necessário, aliás, ser ingénuo tão-pouco. Evitando toda a teoria fácil do complot organizado por um BIG BROTHER multinacional, temos que convir que o risco existe a despeito de ver uma fracção da inteligência colectiva da WEB confiscada e contrariada por LITTLE SISTERS aos interesses assaz estreitos. E vê-se, outrossim, como a WEB pode se tornar no Teatro de novas “febres obsidionais” (leia-se, outrossim, uma espécie de psicose colectiva que afecta uma população cercada), estes movimentos de multidão que, na Idade Média empurravam todos os habitantes da cidade para uma das saídas, simplesmente, porque, só de ouvir falar, tinha assinalado a chegada de uma turba ou de um “bando” de leprosos.

(D)
O que é facto, todavia, é que o Progresso técnico não cessa de avançar, num sentido que outorgará ao utilizador, cada vez mais e mais, domínio dos conteúdos, facilidade de acesso e, outrossim, a sua capacidade para se rebelar contra as práticas ou as ofertas que lhe desagrada. Neste momento, em que muitos se inquietam das consequências ecológicas da actividade industrial, reconhecendo a sua utilidade para o bem-estar colectivo, chegou, sem dúvida, a hora de associar ao impulso da WEB, uma verdadeira démarche de desenvolvimento durável intelectual, pois que, efectivamente 1+1=muitos. Quiçá, todavia, da qualidade da Educação, do nível cultural e da consciência ética de cada minúsculo 1, isto é, de cada “WEBACTEUR” dependerá, ainda assim, a capacidade de este “todo” em nos propulsionar para o Progresso ou em despachar-nos para a parede.

(E)
Efectivamente, as Médias tradicionais nos reputam, em termos nobres, como a sua “natural audiência”. Entusiasmada pelos “WEBACTEURS”, esta audiência evolui. Familiar da WEB, serve-se disso, com uma natural destreza e agilidade crescentes. Diverte-se, com isso e, o que aí aprende lhe permite resolver os Problemas de Informação que as Médias tradicionais satisfazem mal e muito mal mesmo. Estas últimas arrastam demasiado, frequentemente, os pés face a este movimento iniciado na periferia.
Se justificam, outrossim e, ainda, invocando as hesitações da parte, a menos dinâmica da sua audiência e avançam, não sem motivos, que o modelo económico é ainda incerto, o melhor possível. Não sabem, aliás, como se comportar ante um movimento, no qual a participação e a constituição de grupos perturbam as conexões societais (inclusive, de poder) existentes. Ao fim de conta, mesmo a mera noção dos NEWS, da actualidade, da informação, parece posta em causa.

(F)
O que, em inglês, se denomina a “Indústria das Médias” (o Ecossistema composto das médias tradicionais, das novas formas que aparecem todos os dias, dos jornalistas, dos patrões dos utilizadores entre outros, é sensível à evolução destes últimos). Não é, verdadeiramente, novo, todavia, a dinâmica enformadora, já não pode ser ignorada.
Os quotidianos do Mundo Inteiro (salvo, algumas excepções, aproximadamente, devidas, normalmente à circunstâncias políticas particulares) começaram a perder leitores, muito antes que a WEB não se torne um fenómeno de massa. Mais grave, mais difícil a analisar, porém identicamente relevante, não cessam, desde, pelo menos, vinte (20) anos de tomar as suas distâncias com o que os jornalistas têm o hábito de reputar como a “actualidade” (em inglês, THE NEWS) em benefício do ENTERTAINEMENT e de espectáculos menos caros a produzir.
As Médias podem investigar perante a inelutável evolução da Internet. Por seu turno, os “WEBACTEURS”, eles, não esperam. Descobrem novos serviços, novos prazeres, novos meios de expressão, cada vez, que deambulam na WEB. Utilizam-nas, rejeitam alguns tomam gosto a outros, se habituam a isso e terminam por exigir a sua generalização respectiva. A Cultura muda. Nada melhor para se fazer uma ideia do fenómeno que um pequeno cruzeiro com escalas, no decurso do qual se vê, em primeiro lugar, como a frequentação de alguns sites (os mais visitados) modifica a audiência, mesmo quando não constituem, propriamente falando, Sites de Informação.
Enfim e, em suma: A Lógica, que subentende esta abordagem é que é, seguindo a audiência, que se compreende o que se passa com algumas pistas, as mais ricas de ensinamentos.

Lisboa, 14 Dezembro 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).
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AVC FRONTAL

No que se foi meter Medeiros Ferreira!...

Aquilo é mais uma página de autopromoção do que um blogue: é «eu isso», «eu aquilo», «a minha isto», «o meu aqueloutro», «eu, eu, eu» e por aí fora.

Tinha linkado na coluna do lado o Cortex Frontal de Joana Amaral Dias e Medeiros Ferreira; mas hoje, e depois de ter lido as postas do dito cortex (que de cortex só tem mesmo o nome), retirei o link pois acho que foi engano meu.


As minhas desculpas a quem fiz perder tempo levado até lá.

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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

NEM MAIS

A ler, aqui no Mar Salgado.
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O NU E O ROTO

«Sismo»
«Governo português ajudará Haiti quando conhecer necessidades».

«Hoje. Portugal aguarda a identificação das necessidades do Haiti por parte das Nações Unidas e da União Europeia para poder enviar a devida ajuda à ilha que na terça-feira foi atingida por um violento sismo, informou hoje fonte governamental.»
[Notícia do semanário Sol online]

Há pelo menos uma necessidade que não precisa ser primeiro «identificada» burocraticamente antes da ajuda; qual seja a de tentar resgatar vidas humanas que estão sob os escombros.

Mas, quando nada se tem para dar e se se quer armar em janota  ― aplica-se o ditado chinês: «Não consegue cagar porque o chão está duro».
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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

HOMOFOBIA SELECTIVA?

Que fique claro: por aqui não se pratica homofobia. O que se faz é usar uma linguagem dura fruto de uma enorme animosidade contra a incongruência dos homossexuais que há uma década lutavam «Pelo direito à DIFERENÇA» e hoje lutam «Pelo direito à IGUALDADE» exigindo ser ridiculamente admitidos numa instituição feita para heterossexuais ― o casamento ―.

Vem a propósito publicar uma anedota que chegou por email enviado pela Susana.

Numa aula de teologia, em assuntos do matrimónio, o aluno pergunta ao professor:

― Num casamento heterossexual, se morre a mulher, o marido passa a ser viúvo; se morre o marido, a mulher passa a ser viúva.

E num casamento homossexual, como se chama a pessoa a quem morreu o companheiro?

Resposta pronta do professor:

― Bicha solitária!
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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

NÃO ERA PRECISO MAS...

Pedro Ferraz da Costa ― ex-presidente da Confederação da Indústria Portuguesa ― disse-o ontem na SIC Notícias, no frente a frente com Alfredo Barroso; e foi mais uma confirmação de que o Estado foi tomado de assalto pelos grandes grupos económicos que o puseram a funcionar a seu favor e contra os interesses da grande maioria dos cidadãos e dos contribuintes.

Perguntado sobre:
«O que pensa que será este Orçamento de Estado»,

Ferraz da costa não se fez rogado e disse:
«Depende do que acharem as construtoras».

Eu traduzo: depende do que ditarem as empresas de construção civil que mandam numa grande fatia do orçamento que (devia ser do País chamado Portugal e) é como se fosse delas (empresas).

Alfredo Barroso, por sua vez, disse apenas isto:
«Com essa resposta vinda de quem conhece bem o assunto, eu não digo mais nada».

(Entretanto, os homossexuais já podem casar. E a seguir virá a adopção).
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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

AGORA É A VEZ DA POLIGAMIA

Como se sabe, foi aprovada hoje no Parlamento a lei que permite o casamento da paneleiragem e da fufaria.

A lei agora aprovada é, como é mais que óbvio, para todos os que o são ― incluindo os de alto coturno ― incluindo os de alto coturno.

Mas agora o que eu mais quero ver é se se vai manter a proibição da poligamia ou se vamos assistir a mais um grande «avanço civilizacional» discutindo-se e aprovando-se no Parlamento uma lei que seja favorável ao casamento poligâmico.

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ELOCUBRAÇÃO VIGÉSIMA OITAVA:

“Ser culto es el único modo de ser libre”
José MARTÍ (1853-1895).


NA ERA dos “WEBACTEURS”:

NOTA PRÉVIA:

Aproximadamente um quarto da População Mundial utiliza, actualmente a INTERNET. Impressionante! Este número constitui apenas uma pálida indicação das metamorfoses em curso.

Na verdade, após ter sabiamente principiado por consultar Sites, acompanhar em linha, procurar a sua “alma gémea”, permutar correios, os cibernautas se encetaram a partilhar, se exprimir, criar em grupos. Eis porque, a WEB se tornou tão simples que (eles) podem utilizá-la, a seu grado, ao ponto de se tornar disso os autênticos Actores.
Por outro, com os BLOGS (estes famigerados jornais pessoais, em linha) exprimem hoje (nos nossos dias que correm) directamente, nos seus próprios sites (pessoais). De feito, no YOUTUBE e DAILYMOTION, partilham os vídeos e no MASPACE ou FACEBOOK, desenvolvem as suas redes sociais. E, não contentes de Surfar, estes cibernautas, de um novo tipo, propõem Serviços, permutam informações, se envolvem. Denominados “WEBACTEURS” estão a mudar o Mundo e, de que maneira!

Enfim e, em suma: Este fenómeno hodierno, que, por vezes, se apelida de “WEB.2.0”, quão estimulante e quão promissor, e que esteve na origem de um movimento participativo irreversível, denominado pela idónea equipa, coordenada, respectivamente por:
Francis PISANI (n-1942), escritor, professor e jornalista
Independente francês
E
Dominique PIOTET
De “Alchimie des multitudes”,
Não é unicamente portador do melhor. Constitui sempre, um Desafio para as Instituições como o indica o entusiasmo que suscita junto das jovens gerações.
Na verdade, verdade!...Não há dúvida nenhuma, que estamos no Momento azado para levar a cabo um Estudo avisado e responsável das relevantes Evoluções da INTERNET e WEB do futuro.

(I)
Efectivamente, não há dúvida nenhuma, que o número de utilizadores da INTERNET cresce, tão rapidamente, que, em breve, no dealbar da década de 2010, quiçá deverá corresponder a um quarto da População Mundial. Seria, outrossim necessário, ter em conta, todas as zonas que escapam à medida de topo desde os países desenvolvidos, da velocidade de penetração das tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC), na China e na Índia e do facto que o acesso através dos telefones móveis, se acelera, a olhos vistos. Todavia, de sublinhar, que, na verdade, o número de cibernautas constitui apenas uma pálida indicação da situação. No entanto, o que mudou, é o que fazemos sobre e com a INTERNET da qual estamos a se tornar Verdadeiro Actores.

A meio da década dos anos de 1990, os primeiros cibernautas se maravilharam ante todas estas informações bruscamente disponíveis, da sua facilidade de acesso, graças aos primeiros motores de busca e da potência da Comunicação pelo correio electrónico. Encetaram a fase de fazer compras em linha (on-line), agendar encontros, procurar as suas “almas gémeas”, a acompanhar conversas de grupo. E, progressivamente, por pequenos toques, iniciaram a fase de participação activa.
Demais, as ferramentas/utensílios para o fazer se tornaram correntes, simples, obviamente fáceis de se manusear. Os softwares gratuitos para criação de BLOGS (estes famigerados jornais pessoais, em linha) lhes permitiram criar os seus próprios sites e se poder exprimir, tão bem e, directamente, como deixar comentários nos BLOGS dos outros. Publicam, outrossim e, ainda Fotos sobre Flickr.com ou Spanish.com, por exemplo, para que os seus os possam ver. Enfim e, em suma: Para os vídeos familiares e demais aplicações, têm, presentemente YouTube.com e Daylymotion.com.
Finalmente, os Sites de redes sociais (MySpace, Facebook, Bebo e os demais outros), já contam por dezenas os seus utilizadores respectivos.

(II)
Estão longe, estes cibernautas, um tanto ou quanto, passivos que consumiam, sem reagir a Informação que lhes era proposta, em sites realizados por especialistas na matéria. Os utilizadores da WEB dos nossos dias, propõem serviços, permutam informações, comentam, se envolvem e participam activamente. Eles e Elas produzem o essencial do conteúdo de WEB. Estes cibernautas, em plena mutação, já não se contentam em navegar, surfar, apenas. Actuam e de que maneira!

(III)
Aliás, para bem compreender estes novos Actores, é necessário, marcar, antes de mais, a distinção entre a INTERNET e a WEB. De anotar, com efeito, que os dois são, frequentemente confundidos, pela facilidade de linguagem e pelo facto da sua indissociável contiguidade. E, explicitando temos que:
--- A INTERNET é a rede informática Mundial que nos permite aceder aos nossos correios electrónicos ou à Sites WEB.
--- Por seu turno, a WEB (ou WORLD WIDE WEB) é uma das aplicações majores permitidas pela INTERNET. Trata-se de um sistema que permite consultar, com um BROWSER (“navegador”), páginas colocadas em linha, em Sites. Donde, temos, por conseguinte, por um lado, um Conjunto de Computadores conectados entre si e, por outro, um Conjunto de documentos mutáveis, conectados, identicamente entre si.

(IV)
E, em jeito de Remate:
A INTERNET é a Rede, a WEB, uma das suas aplicações mais populares.
Os primeiros utilizadores eram, antes de mais, viajantes, passando, graças à esta rede, de WEB em Site WEB, sem ser demasiados capazes de aí fazer outra coisa que aí recolher as informações disponíveis. Todavia, estes Sites se tornaram, cada vez mais e mais, abertos aos utilizadores e, cada vez mais e mais, simples para criar e desenvolver, mesmo para os neófitos. Deste modo, com o rolar do tempo, os utilizadores passaram do estatuto de meros viajantes da INTERNET (cibernautas) para o estatuto de Actores da WEB, talhando todos estes Sites a seu modo, propondo serviços e conteúdos, que lhes são próprios, comentando ou discutindo as Informações disponíveis.
Enfim, simplificando-se, por razões de ordem didáctico-pedagógico, temos que:
A WEB se tornou uma plataforma, mais aberta aos utilizadores, enquanto a INTERNET, ela mesma, se abriu a débitos crescentes, permitindo aceder a conteúdos e serviços mais “ricos”. Eis porque, deste modo, uma outra conexão se tornava possível, dando origem ao advento dos “WEBACTEURS”, estes cibernautas que se envolvem nos Sites que visitavam, quando não os criavam eles próprios. A atitude, já não é idêntica!
E, no âmbito desta dinâmica, os cibernautas consultam e compulsam a WIKIPEDIA. Org: (a enciclopédia em linha), os WEBACTEURS escrevem artigos ou corrigem os, nos quais encontram erros.

(V)
Na verdade, verdade!...Quão profundo é a mutação em curso. De sublinhar, no entanto, que chegou, como por mera surpresa, sem que déssemos conta. Hélas!...
E, complementando, avisadamente:
(1) Não há dúvida nenhuma, que a INTERNET é uma das redes de Comunicação cuja a penetração terá conhecido a progressão mais robusta e, a mais célere, no âmbito da Evolução e Percurso respectivo da História Humana. Foi vinte (20) vezes mais célere que o telefone, dez (10) vezes mais que a rádio e três (3) vezes mais rápida que a televisão, sem falar, obviamente da Estrada e do Caminho-de-ferro.
(2) O crescimento das conexões a débito elevado é, particularmente impressionante, independentemente do incremento constante dos débitos disponíveis, permitindo usos, sempre mais ricos e rápidos.Com efeito, em cinco (5) anos apenas, os débitos oferecidos pelas tecnologias DSL foram multiplicados por quarenta (40), passando de 512 kbits/s a 20Mbits/s. As tecnologias de fibra óptica, que permitem, presentemente débitos até 100 Mbits/s, estão em curso de desenvolvimento.
Todavia, a despeito de desta progressão fulgurante, uma ampla parcela da População Mundial permanece excluída da INTERNET. Donde, ipso facto, resulta de tudo isso, uma Geografia, assaz particular:
--- Nos Países desenvolvidos, distingue-se as zonas rurais e desfavorecidas das zonas urbanas e ricas.
--- À Escala Mundial, esta geografia recorta, muito frequentemente o mapa do desenvolvimento.
Donde, temos que, apenas 2,9% da população Africana se encontra conectada, sendo a proporção, designadamente, de 3,7% para a Índia, 12,3% para a China e de 19,8 para a América Latina. E, de anotar, no entanto, que as Capitais, sobretudo os seus bairros, os mais munidos e fornecidos, podem reservar surpresas.

E, no atinente à WEB, falar dele, presentemente, obriga a se situar em relação à expressão “WEB 2.0”, inventado, no ano de 2004, propulsionado, ulteriormente pela equipa do editor Californiano, TIM O’REILLY. Pouco explícita é, aliás, muito contestada. O autor e consultor, DON TAPSCOTT, prefere, a designação, “Wikinomics”, que sublinha o papel fundamental da colaboração e da partilha (os “Wikis” são utensílios simples e abertos de trabalho de colaboração em linha). Para alguns é a noção de inteligência colectiva que é central. Todavia, o termo “WEB 2.0” é o que fez, concomitante fortuna e a volta ao Mundo.
Com efeito, “WEB 2.0” parece demasiado redutor e demasiado marcado pela ideia que se trataria de uma “nova versão” da WEB. Demais, outrossim, permanece, sobremaneira ancorado nas raízes da WEB anterior, mesmo se for também, assaz dissemelhante pelos usos que dele se faz, a sua extensão, o desenvolvimento de determinadas funcionalidades e os novos modelos de negócio que induz, obviamente.
Importante, no entanto, é que a WEB a qual tem que se haver, actualmente é o produto dos efeitos de redes que surgem quando um grande número de cibernautas realizam uma boa parte das suas actividades na WEB, utilizando a sua dimensão de colaboradora e interactiva. Assistimos, de facto, à apropriação da WEB pelos “WEBACTEURS” conectados uns aos outros, em rede.
Donde e daí, à guisa de remate, temos que os desenvolvimentos mais interessantes se articulam, em torno, de seis (6) elementos, designadamente:
--- Plataforma; receber/publicar/modificar, débito elevado, contribuições, efeitos de redes, a “Longue traîne”.
Deste modo, no âmbito desta perspectiva, a WEB pode, por conseguinte, ser abordada, como uma plataforma dinâmica, entendendo-se por “plataforma dinâmica”: o lugar, onde se vai buscar conteúdo, como o onde se publica e, que pode ser modificado, a todo o instante.
Enfim, os elementos tecnológicos radicalmente inovadores são, assaz escassos. Os serviços originais nascem, amiúde, da miscelânea de tecnologias e/ou de fontes de Informações dissemelhantes, os MASHUPS. DESTARTE, Heterogeneidade e interoperabilidade se tornam Noções dominantes.

IMPORTANTE:
Efectivamente, tudo isto contribui para o advento de uma nova Economia e de uma nova Cultura. De feito e, por motivos óbvios, a WEB pertence aos que a utilizam… nos dois (2) sentidos: para receber e para criar, para aceder à Informação e a compartilhar e a fazer circular. É talhada pelos “WEBACTEURS” que se servem disso, por sua vez, para mudar o Mundo. Esta mudança de prática (não de utensílios), se encontra no cerne da Evolução em curso, da que, todos nós, sem excepção, deve, ipso facto, compreender, estudando-a, de modo dialecticamente consequente.

Lisboa, 07 Janeiro 2010
KWAME KONDÉ (Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).
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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

FUJAM! VEM AÍ A SUPERNOVA

O asteróide já tem companhia.

E que companhia!!!

Agora trata-se de uma estrela, uma Supernova que, em jogada de antecipação ao asteróide, se prepara para explodir, daqui a 20 anos, varrendo completamente a vida no planeta Terra.

Façamos como as personagens de Camus na cidade de Orão: na impossibilidade de abandonarmos a Terra, consumamo-nos em festas e orgias quotidianas enquanto a Peste não chega.


Levante-se o dinheiro dos PPRs; não se pague as prestações da casa ou qualquer outra dívida e deixe-se de descontar para a Segurança Social e para a Caixa Geral de Aposentações.


Tenha-se muito medo e deixe-se os políticos governarem-se sozinhos, a si mesmos, sem qualquer preocupação de os fiscalizar.


CORAÇÕES AO ALTO!

AINDA HÁ TEMPO, PESSOAL!

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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

BOM DIA!

Oh Senhora Ministra, deixe-me dizer-lhe, com todo o respeito, esta simples coisinha:

Há dois problemas fundamentais nos hospitais públicos:

1) Quem e como estão a geri-los;
2) E o fim das Carreiras Médicas.

Sem mexer nestas duas coisas ao mesmo tempo... não se dê ao trabalho de fazer mais nada; não vale o esforço.

Porque sem mexer nisso não vai conseguir melhorar a prestação dos cuidados de saúde hospitalares aos utentes.

Esses cuidados vão continuar a ser piores cada dia.

A Senhora Ministra já esteve a ver isso com os seus próprios olhos quando andou nos hospitais. Eu estou a ver isso com os meus próprios olhos e posso garantir-lhe que tudo se agravou. Pouco ou nada melhorou em certos hospitais.

Passos para a solução?

1) Reponham as Carreiras Médicas e os concursos.

2) Tirem de lá, dos hospitais, os boys dos partidos e nomeiem gente competente que perceba de gestão hospitalar. Gente que trabalhe com o pessoal e não CONTRA o pessoal. E que conheça o trabalho do médico.

GENTE QUE CONHEÇA O TRABALHO DO MÉDICO (sem olhar ao cartão partidário).
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domingo, 3 de janeiro de 2010

ELOCUBRAÇÃO VIGÉSIMA SÉTIMA:

Na ERA do “Gratuito”:

“Ser culto es el único modo de ser libre”.
José MARTÍ (1853-1895)


NOTA PRÉVIA:

Jamais, a gratuidade não esteve tão presente, elogiada e disputada como na Era numérica.
Este fenómeno histórico (e económico singular) é frequentemente identificado à baixa continua dos custos de tratamento e de transporte da Informação.
De feito, consiste, antes de tudo, nos “efeitos de rede”, pois, graças à extensão do campo da codificação binária, as inovações numéricas (Internet, motores de busca/pesquisa, meios de pagamento electrónicos, televisão, etc.) vêem a sua utilidade crescer com o número de utilizadores.
Todavia, o que é facto, é que, sendo: A gratuitidade uma arma económica temível já não é uma subvenção colectiva. Sim, efectivamente, um instrumento privado ao serviço das empresas. Donde e daí, os seus mecanismos respectivos são mais subtis, mais violentos, mais contestáveis que as promessas que os apoiam.

(I)
“Seguramente (com certeza), pode-se esperar que, com o tempo, a influência da profissão de economista será tal que será mais difícil obter um benefício político pela propagação de más escolhas económicas”. RONALD COASE, economista norte-americano de origem britânica, Prémio Nobel da Economia do Ano de 1991 (n-1910), In “Economics of Broadcasting and Advertising”, The American Economic Review, Março 1966.

Bien sûr, en effet:
Il y a là, pour l’économiste, le citoyen, le sceptique raisonnable, une conjoncture singulière.

E, para PRINCIPIAR :
(a) O gratuito é desejável, não unicamente porque é transgressor (transcende, aliás, os limites da procura clássica), todavia, outrossim, porque é credível, desde então, que uma visão PRODUCTIVISTA atribui custos nulos para a difusão massiva da Informação. Ora esta visão é, pelo menos, ingénua! Eis porque, entretém e agrava a inadaptação das representações económicas que fazem do gratuito o instrumento privilegiado da permutação social, pois que, na Era numérica, o gratuito é privado. Os seus mecanismos são, seguramente mais subtis, mais violentos, mais contestáveis que as promessas que os apoiam.
(b) Por seu turno, o numérico é um autêntico “Cavalo de Tróia”. Penetra e se difunde, antes de mais, como uma mercê. Em seguida, desfralda os seus efeitos de rede. Todavia, um benefício, jamais é inocente: se concebe, se aprecia, se discute, suscita escolhas de representação, se aceita ou recusa.
(c) Levantada pelo numérico, a questão do Gratuito (o abstencionismo do preço, as transferências que o organizam, os efeitos que daí resultam), revitaliza a função do discurso económico na nossa Sociedade.

(II)
Na verdade, o Gratuito não é um milagre. Nem, tão pouco, a Graça de um príncipe cuidadosamente derramada sobre necessidades. Nem mesmo, os bons ofícios de uma ciência que, apagando o peso dos custos, remaria o Universo para o seu estado natural, de antes do advento da Economia. O gratuito é trivial: é um utensílio, um instrumento económico, um engodo. Serve para iniciar, reunir clientes, iniciando os mercados das inovações numéricas, às quais fixam um plano crescente, no âmbito das nossas economias. Atrás dele se perfilam transferências, subvenções cruzadas, regateio (discussão do preço) nos bastidores, explorando conexões de força, deixando na “rua ao abandono” vencedores e perdedores.
E, com os utensílios da micro economia (e a sua árdua tarefa de explicações técnicas) referenciamos os seus Actores, explorando os seus mecanismos, discutindo e elucidando as lógicas que o faziam aparecer e, por vezes, triunfar.

(III)
Sim, efectivamente, o Gratuito é o sintoma da importância dos efeitos de rede, na Economia hodierna. Se a Sociedade de consumo nos é familiar, os mecanismos do seu desenvolvimento nos são, por vezes, obscuro. Com efeito, a produção já não corresponde estritamente às necessidades, para melhor dizer à uma procura limitada pelo apetite e a saciedade fisiológica.
Aliás, efectivamente, cada vez mais e mais, produtos integram uma dimensão informatizada e devem, para ser vendidos, promover novas utilidades. É-lhes necessário, deste modo, pela sua circulação e, outrossim da sua imagem, estabelecer bases da sua função ou do seu consentimento e, gradualmente conquistar novos utilizadores.
Por outro, ainda, identicamente, a criação do desejo, da sede de produtos que são, antes de tudo, símbolos ou meios, inclusive monetários, de permutar socialmente, constitui, doravante o cerne da actividade económica. Esta proliferação dos símbolos e os desafios da sua circulação extraem a inovação tecnológica para mais tratamento de informações, mais codificação numérica, mais digitalização.

(IV)
O que é facto, porém é que o Gratuito acompanha todo este processo, ora enunciado. Donde, no âmbito desta dinâmica, a difusão do numérico agrupa três (3) ingredientes, a saber:
1- A Elaboração de standards. Por sua vez, aos standards se apliquem regras de gestão do código numérico: o GSM para as comunicações móveis, o protocolo Internet para as comunicações fixas e doravante móveis; o formato MP3 para as permutas, no âmbito da música desmaterializada, o algoritmo PAGE RANK (GOOGLE) para o motor de busca (pesquisa). Estes standards são oriundos, quer de uma démarche pública, quer de uma pesquisa concertada entre grupos de Actores complementares, quer da estratégia de uma única firma, visando o domínio do Mercado.
2- De anotar, que tais standards abrem, graças à Lei de MOORE:
Por outras palavras e para melhor dizer, à produtividade crescente da informação codificada, um formidável potencial de economias de escala. Estas economias, podem sustentar a demonstração de equipamentos, fornecendo a desmaterialização e os ganhos logísticos associados (terminais móveis, computadores pessoais, leitores MP3, terminais de cartões bancários…). Porém, todo este potencial não é nada, sem a adopção, sem o círculo virtuoso da colocação em circulação do código. É então que intervém os efeitos de rede: O, “mais isto circula, mais útil é”. É, de facto, então que intervém o Gratuito.

(V)
Quer seja financeiro pela publicidade, as transferências verticais, as vendas agrupadas, as plataformas em duas vertentes, o Gratuito porque é desejável, é, antes de tudo, um instrumento de criação de mercados. Pelos jogos de subvenções habilmente doseados, cria massas críticas que encadeiam os efeitos de rede da circulação simbólica. Estes jogos são subtis, porquanto os seus actores vêm extrair os meios de financiar o Gratuito, ora, no âmbito da cadeia técnica e industrial, envolvendo o código, ora no âmbito dos mecanismos de um sistema tarifário, ora, outrossim e, ainda, numa falha da aplicação do direito, ora, finalmente, porque não, no maná da publicidade. Daí uma vasta paleta de mecanismos cuja a descrição é, frequentemente laboriosa, porém cujo o Princípio permanece, não obstante, constante: “there is no free lunch”. Ou seja: “não há almoços grátis”.

Lisboa, 01 Janeiro 2010
KWAME KONDÉ
(Intelectual/internacionalista --- Cidadão do Mundo).
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SEQUESTRADO

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, por certo bem quereria pairar acima dos partidos políticos.

Mas a malta do PSD não o deixa...

Fragilizada e metida em permanente balbúrdia interna, essa malta agarra-se a Cavaco que nem lapa às pedras.


E aí temos mais uma prova disso com a mensagem de Ano Novo do Presidente ― todinha cavalgada, esporeada e raptada pelo PSD ―.

Irra que é demais!!!

Juro que não fui eu que falei agora. Deve ter sido o Sr. Presidente.
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