domingo, 20 de dezembro de 2009

QUE PORCARIA

Que porcaria de notícia. Mal traduzida (parece traduzida com auxílio do “Google translate”); truncada, confusa e incompreensível para 99% dos leitores.

Porque não consultaram um físico antes de a publicarem?

Eu bem sei que o “i” ganhou o prémio “embrulho” e não o prémio “conteúdo”; mas tudo tem limites, n’é?!
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AI BRUTO NÃO ME EMPURRES

Carlos Botelho goza com isto e fá-lo muito bem, à sua maneira: com suprema ironia.

Eu, um bruto, só sei fazê-lo dizendo isto:

A paneleiragem está toda excitada vendo o seu "casamento" na ordem do dia, e celebra antecipadamente o direito àquelas duas lindas mãozinhas ornadas de alianças ― marido roto com marida complacente ou incontinente ―.
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sábado, 19 de dezembro de 2009

AO PRINCÍPIO ERA O VERBO


Há quinze vinte anos os homossexuais lutavam pelo DIREITO À DIFERENÇA; quem não se lembra?

Na minha modestíssima opinião e com a licença deles, isso significa, tão só, que os homossexuais se consideravam então DIFERENTES. Diferentes dos heterossexuais, como é mais que óbvio, pois, não seria dos caixotes do lixo, pois não?

Ora bem. Hoje, por que lutam os homossexuais? Pelo DIREITO À IGUALDADE.

Então em que ficamos ― ó senhores de pila com pila e senhoras de pipi com pipi!

Vocês são DIFERENTES OU SÃO IGUAIS aos heterossexuais?

Decidam lá essa coisa e deixem-se de mariquices...
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ISTO É DEMAIS


(Declaração prévia de interesse: sinto-me perfeitamente à vontade a escrever isto pois tenho casa em Lisboa).

Tudo leva a crer que se vai tornar necessário fazer um abaixo-assinado, uma petição ou adoptar qualquer outra figura legal mais adequada para que os cidadãos digam clara e massivamente à Assembleia de República e ao Governo que não querem um seguro anti-sismo habitação OBRIGATÓRIO.

Porque está visto que tal seguro se tratará de um NEGÓCIO, mais um, que o Governo pretende patrocinar.

É que este Governo não pára: sai de um negócio e entra logo noutro (entrar, entrar, não entra ele; mete é o Estado nos negócios).

Eu sei, toda a gente sabe, que a região de Lisboa e o Algarve são zonas sísmicas. Por isso, até é razoável que o Governo aconselhe ou mesmo obrigue (e nesse caso por preços baixos pois se tratará de milhões de segurados) os proprietários de habitações a fazerem tal seguro.

Agora, obrigar um minhoto, um portuense, um coimbrão e por aí fora, a fazer um seguro anti-sismo...

É demais! É a febre do negócio a atacar mais uma vez o Governo.

E por isso precisamos todos pôr gelo na cabeça do Governo.

Nota: Francisco José Viegas aborda hoje este assunto com muita piada aqui.
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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

AI ESTES GESTORES!...


A TMN declara-se portista.


Será que a Vodafone


se vai declarar Lisboeta
?





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VEM AÍ A GRIPE B

Isto aqui demonstra que:

Políticos, companhias seguradoras e jornalistas, entre outros, vão acabar por fazer mais um dos habituais cozinhados a que se tem assistido ultimamente (tome-se a gripe A e a respectiva vacina como exemplo).

Este novo cozinhado será tendente a amedrontar as pessoas obrigando-as a fazerem seguro habitação anti-sismo, o que dará milhões e milhões às seguradoras e seus compadres de negócio.

Vem aí o fim do mundo! ― dizem eles ―.

E nós!... Acreditamos?...
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ELOCUBRAÇÃO VIGÉSIMA PRIMEIRA:

“Ser culto es el único modo de ser libré”.
José MARTÍ (1853-1895).


“Les activités industrielles étant devenues
Planétaires, elles entendent réaliser de gigantesques
Economies d’échelle, et donc, par des technologies
Appropriées, contrôler et homogénéiser les
Comportements : les industries de programmes s’en chargent
A travers des objets temporels qu’elles achètent et
Diffusent afin de capter le temps des consciences qui
Forment leurs audiences et qu’elles vendent aux annonceurs ».
Bernard STIEGLER : Le désir asphyxié.
In Le Monde diplomatique, juin 2004


(1) Os « objectos transitórios », designadamente, as canções, os trechos de música, os elóquios, os filmes, as emissões de rádio e de televisão, os spots publicitários, os jogos vídeo, são caracterizados pelo escoamento do seu tempo. Desaparecem, sucessivamente (a pouco e pouco), na medida, aliás, que aparecem. São, de algum modo (por assim dizer) Objectos que passam. Gravado, num suporte multimédia, um filme não é um filme. Só existe, aliás, como tal, quando projectado e visionado e, unicamente, nesse momento.

(2) Estes objectos, em apreço e estudo, foram denominados, pelo filósofo alemão (o criador da Fenomenologia), Edmund HUSSERL (1859-1938), “Fluxos”. De sublinhar, que estes fluxos coincidem, durante o tempo do seu escoamento, com o escoamento do tempo, nas consciências humanas que os observam ou os escutam e para os quais (e, para eles unicamente) se tornam os objectos transitórios, para que foram concebidos. É este fenómeno de coincidência que permite às consciências humanas de se sincronizar com o tempo próprio destes objectos.

(3) Os Livros, ou mais geralmente, os Escritos não são objectos transitórios. Obviamente, o leitor pela decifração da Linguagem e pela sua imaginação vê uma história se desenrolar ante os seus olhos, sendo, no entanto mestre e senhor do tempo. Deste modo, pode “Ler”, mais ou menos, rapidamente, a seu ritmo, interromper e reatar, tão, frequentemente, tanto quanto, deseja e pretende…

(4) A Consciência Humana é fundamentalmente uma consciência de Si, da sua peculiar singularidade, do seu próprio tempo. Eis porque, o Indivíduo pode asseverar: Eu: “Porque disponho do meu próprio tempo, do meu próprio ritmo de pensamento, de existência”. “Consumindo” os objectos transitórios perde um pouco da sua consciência, isto é, um pouco de si mesmo.

(5) A Indústria Cultural, que produz, em grande quantidade, os objectos transitórios, compreendeu, sobremaneira toda a vantagem, que podia extrair desta sincronização das consciências. E, se associando à publicidade, encontra um meio de se financiar e a publicidade adquire a oportunidade de aceder a este tempo de consciência dos consumidores, desmultiplicado numa grande escala.

(6) Se Milhões de pessoas, através das grelhas de programas (TV, RÁDIO…) se sincronizam todos os dias, à mesma hora, com o mesmo objecto transitório, se interiorizam um comportamento de consumo de fluxos audiovisuais que lhes faz perder uma parte da sua consciência individual. Esta perda de consciência individual se efectua em benefício de uma consciência que não é a sua, de um passado que tende a se tornar um passado comum, ao ritmo das séries TV ou outras emissões recorrentes. É esta consciência de substituição, que não é a sua, que poderia ser qualificada como o fez, o filósofo e escritor francês, Bernard STEGLER, de Consciência de rebanho.

(7) Cada um pode, de modo correcto, evidentemente (ciente e conscientemente) escolher os momentos de sincronização que se concede para: escutar uma canção, ver um filme, escutar uma emissão de rádio, jogar à PLAY-STATION… Todavia, a capacidade de enfeitiçamento destes objectos transitórios é tal que se pode facilmente consumir nisso um bocado de Si, isto é, da sua consciência. De feito, é, de tal modo, tentador de se entregar a facilidade do tempo que se escoa, sem esforço, consoante um cenário que se não tem necessidade de escrever…com o risco de terminar no meio do rebanho dócil das consciências pré-formatadas.

Lisboa, 18 Dezembro 2009
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo)
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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

ENQUANTO O TITANIC SE AFUNDA...

O Governo aprovou hoje qualquer coisa que tem a ver com PESSOAS DO MESMO SEXO.

As voltas que se dá para dizer HOMOSSEXUAL sem o dizer. E para dizer homossexual de forma equívoca. Porque: PESSOAS DO MESMO SEXO leva a perguntar:

― Do mesmo sexo que o quê?

― Do mesmo sexo que a minhoca?... É isso!?

Francamente!...

Vão ver que chegará o dia em que não se saberá como chamar paneleiro a um gajo.
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SISMO EM LISBOA

Acabei de ser acordado há pouco (há coisa de quatro cinco minutos) por um sismo que fez balançar o edifício durante largos minutos (dois ou mesmo mais); os copos tilintaram na cristaleira e sentiu-se claramente a casa a baloiçar de Este para Oeste como um bambú.

Tão precário este planeta han?!

As rádios, entretidas a passar gravações, ainda não falaram da coisa; mas da TSF, pelo telefone, dizem-me já terem informações concretas que passarão daqui a pouco no noticiário das duas da manhã.

BOA NOUTE
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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

BRAVO MÁRIO CRESPO!

Este retrato feito por si no JN revela, para além do mais, uma capacidade de síntese notável. Congratulo por isso o jornalista inteligente, independente e muito corajoso que você é.

Quem tem seguido o seu trabalho jornalístico na imprensa e na televisão não terá ficado surpreendido com o que escreveu; escreveu o que alguém um dia teria que escrever ou dizer em voz alta ― sim ― mas escreveu aquilo que mais ninguém foi ou era capaz de escrever.

O meu abraço.

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ELOCUBRAÇÃO VIGÉSIMA:

Estudando o EROTISMO:
Parte Segunda:


(…) “Fort d’une pure assise, et voué à aller
Toujours de l’avant sans jamais conclure, l’
Érotisme, au risque de déraper, ne recule ni devant
L’accablante altérité du monde, ni devant l’
Abîme de l’être de l’homme, ni face à la
Limite extrême de la mort ».

(I)
O EROTISMO encontra o seu escoramento, a sua fonte e os seus recursos respectivos, a sua primordial substância e a sua intenção dominante (confessada ou secreta), na Sexualidade. Todavia, se edificando, completamente Nela, supera-a, por toda a parte (melhor dito, de todos os lados), de molde que se poderia, para uma Definição significativa, se estender a tudo quanto, consoante modalidades e equilíbrios culturais e pessoais de uma extrema variedade, releva expressões e visões carnais, existenciais, artísticas, filosóficas, políticas ou religiosas marcadas, por assim dizer, como o Selo da Sexualidade Humana.
Donde, em todos os domínios, acima, enunciados (domínios constitutivos do Ser próprio do Homem), o Erotismo trata e encena, sob formas e metamorfoses múltiplas, estes objectos irrecusáveis que são, efectivamente:
--- O CORPO percebido como Realidade unitária e global;
--- Os ÓRGÃOS, encarados nos seus limites, funções e papeis distintivos;
--- A LIBIDO, energia sexual irrigando a totalidade do Campo Humano e
--- O DESEJO, figurando, conforme um consenso mais universal, o móbil fundamental das Actividades Humanas.
De consignar, avisadamente, que estes Quatro Factores (Corpo, Órgãos, Libido, Desejo) tecem entre si, Elos íntimos, à Geometria variável, que compõem a Textura, assaz, peculiar e sui generis do Erotismo, senso lato.

(II)
Tão íntimo constitui a intricação entre Corpo e Erotismo, tão densa a sua coalescência, que a Identificação dos dois termos parece assaz evidente. O Corpo se oferece, na percepção que dele possui o Sujeito, como forma erótica. Deste modo, efectivamente, a própria coisa erótica (substrato, suporte, superfície do Erotismo), aliás, evidentemente, Eros, como fundamento originário e de obsidiante Finalidade.
E, explicitando, ainda melhor: O Eros é Corpo-à-Corpo e trabalho no Corpo, acumulação, estratificação, tecedura e mestiçagem das Imagens do Corpo com as quais todo o indivíduo se constrói, se sente (fazendo sofrer) e se pensa.
Enfim e, em suma: o Corpo está presente, presença imediata e irrecusável, objecto familiar, instrumento polivalente e disponível, bloco maciço e duro de afirmação, simultaneamente, que (sob as suas dissemelhantes roupagens, iluminações, aparências, carapaças, posturas, peles e carnes): Mistério irredutível.
Sim, efectivamente, a Valência erótica do Corpo, atracção-repulsão, se expõe nas impressionistas figurações que balizam a História da Humanidade, desde as gravuras rupestres pré-históricas até às invasões fotográficas das Metrópoles Hodiernas. Com efeito, se acusa ate às repressões e poderes, frequentemente ferozes e homicidas que se encarniçam em o aniquilar.

(III)
Resistindo ao desvio estético, que permanece um meio de salvaguarda (ditas: “um belo nu” – e o “nu” passa em beleza), assim como ao transporte religioso, avenida aberta às sublimações (ditas: amor dei, “corpo de amor” divino – eis que um anjo passa), o Erotismo se envida em preservar a autonomia, a dinâmica e a Suculência propriamente libidinosas do Corpo total.
Aliás, DESTATE, o Corpo como forma global, robusta e forte (e fina) cede lugar ao Corpo fragmentado, matizado ou PATCHWORK de órgãos. Deste modo, temos, então: Uma Erótica de órgãos, fragmentando o Corpo erótico, a ocupar o Terreno.
Entende-se, por sua vez, por “Erótica de Órgãos” “uma focalização, fixação, os êxtases da libido, num órgão ou complexo de órgãos determinado, mais ou menos, isolado e separado (por vezes, extirpado, amputado) do Corpo total”. De sublinhar, demais, que todos os órgãos ou “bocados” do Corpo são plausíveis de um tal tratamento, propício às práticas fetichistas.
Entre o Corpo Total, forma relativamente estabilizada e coerente e a pluralidade de velocidade fractal das peças anatómicas entre as quais sinuoso, se abriga ou se extravia, a corpo perdido, o Eros, no apogeu erótico assumido, pelos órgãos directamente vinculados às funções biológicas vitais: funções de reprodução, com os órgãos sexuais, stricto sensu, órgão masculino ou pénis, órgão feminino ou vulva, agrupados sob a denominação única de “sexo” e função alimentar, com os seus dois orifícios esfincterianos, a boca, via de absorção e o ânus, via de excreção.
Donde e daí, Sexo, Boca e Ânus formam o tríptico de base do Erotismo e de recurso inexaurível. É, na verdade, Fonte, Sede e Objecto de uma incessante e vivaz circulação da Energia Sexual, designadamente, Libido (Nervo, se pode asseverar) de todo o Erotismo, lato sensu.

(IV)
A LIBIDO (Nervo do Erotismo) e, formulando a questão, de modo mais humorístico é Tecidual: Libido e Erotismo constituem, efectivamente, a unha com carne. Eis porque, o EROTISMO constituiria apenas, nos diversos avatares bancada ou exposição da Libido (todos os Sentidos somados: vitrina, exposição de mercadorias, oferta, demonstração, orgia, parada, presunção, etc.).
Ou então, mais poeticamente: “O erotismo seria a canção de Gesta ou a Epopeia da Libido, a sua Ilíada e Odisseia (Odisseia, sobretudo, sinuoso périplo em que a Nau Helena não cessaria de virar nos mares oceanos, onde as sereias rolariam, sem descontinuar os seus cânticos de sedução, onde a provocante Penélope deferia ou reportava o seu pano, onde um Ulisses representava os “Dão João”, prorrogava para as calendas o retorno à Ítaca).”
Definindo a Libido como Energia Sexual, o psiquiatra austríaco, Sigmund FREUD (1856-1939) sublinha a especificidade sexual desta força interna primordial que recusa arrumar ou dissolver numa energia psíquica, a tal ponto ecuménico que chega a cobrir tudo, realmente. Donde, nesta perspectiva, o Erotismo assume, por sua conta, a vastíssima extensão, que FREUND, em “Psicologia das Multidões e análise do eu”, reconhece, nesta qualidade fundamental a Libido: “Libido é um termo emprestado à teoria da afectividade. Designamos, deste modo, a energia (considerada como uma grandeza quantitativa, todavia, não ainda mensurável) das tendências, se vinculando ao que resumimos no vocábulo amor. O núcleo do que designamos amor é formado naturalmente pelo que o é comummente conhecido como amor e que é cantado pelos poetas, isto é, pelo amor sexual, cujo o termo é constituído pela união sexual. Todavia, não o separamos sempre de todas as outras variedades de amor que se sente em relação aos pais e para os filhos, a amizade (amor dos homens, em geral), não mais do que separamos a afeição a objectos concretos e a ideias abstractas”.

(V)
O termo “Libido”, funcionando como conceito psicanalítico, designa a energia sexual e, mais geralmente, pulsional. Uma aplicação, mais trivial, a associa às motivações, excitações ou titilações sexuais tratadas como uma espécie de prurido ou um desejo intenso (uma forma, entre outras, de depreciar a sexualidade.
Deste modo, se pretendermos restituir à esta amplitude de potência de incitação seria o vocábulo “desejo” que ocorre logo ao espírito. Edificando a Estrutura Humana na Sexualidade, a Psicanálise lastrou o Vocábulo de uma robusta carga erótica que o faz o equivalente do Desejo Sexual.

Enfim e, em suma: Nenhuma forma de Abstenção (retiração ou aniquilamento do desejo) satisfaz ao Erotismo. Se, na verdade, a sua excepcional aptidão para a assimilação permite-lhe se tornar em seu proveito a ascese, o vazio ou o nada (“exílio” ou “deserto”), se revolta contra toda a ideia de aniquilamento, se pretende mais prosélito que o onirismo Freudiano, “cumprimento de desejo”. Desejando levar o Desejo ao seu apogeu conduz ao excesso, à plétora, a um “frenesim”levado ao absoluto.
Poder-se-ia, neste ponto, introduzir uma nova nuance entre erotismo e pornografia: o excesso ou a culminância eróticas valem mais como élans de energia que como fruições de objecto ou sensações de plétora, em que poderia se contentar a pornografia.
Eis porque, a Noção de duração prevaleceria neste ponto, ou seja: O EROTISMO é instância, que dura (inexoravelmente), intensamente; por seu turno, a pornografia é instante, precipitadamente fugaz, mais ou menos, bem feito. Todo este arrazoado, nos conduz, ipso facto, à “toda potência e exaltando-o no desejo”, fonte viva e vivificante de vestígios, imagens, palavras e visões.

Lisboa, 15 Dezembro 2009
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).
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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

ÓDIO!... CADA VEZ MAIS ÓDIO

Hoje o blogue dos bancos do jardim de Santo Amaro fustiga José Sócrates sem dó nem piedade. Mas com inteira razão ― acho eu.

Para quem esteja minimamente atento aos média e à opinião pública em geral, não escapa o facto de que o ódio a José Sócrates tem crescido consistentemente ao longo do tempo.

E, ou muito me engano, ou José Sócrates está aí está a transformar-se no Berlusconi português...
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"PORQUE ME ODEIAM DESTA FORMA?"...

...Terá perguntado Berlusconi a um padre que o foi visitar ainda numa cama de hospital.

Eu não sei porque o odeiam tanto; mas posso dizer que na cidade de S. Filipe, na Ilha do Fogo, em Cabo Verde, fixou residência, há já uns quatro anos, um engenheiro italiano de cerca de 60 anos que diz que não regressará a Itália enquanto Berlusconi for vivo.

E evidenciando um ódio incontido escolhe as piores palavras para definir o primeiro-ministro italiano.

Isso sei eu.
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domingo, 13 de dezembro de 2009

QUADRATURA

JPP desabafou e esparramou toda a azia que o modo de ser português lhe tem causado ao longo da vida (a política apenas ou a vida em geral?).

JPP acha que os portugueses deviam mudar, isto é, deviam deixar de ser portugueses.

E, quadrando o círculo, deseja a realização da ironia que Brecht um dia colocou num verso que parafraseio:

«Dissolva-se o povo e eleja-se outro».

Por mim... tudo bem!

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ELOCUBRAÇÃO DÉCIMA NONA:

Estudando o EROTISMO:
Parte Primeira:

Nota Prévia:

O EROTISMO (etimologicamente erot (o) + ismo, por influência do francês érotisme: “desejo amoroso”) expõe e faz explodir a Sexualidade, em toda as suas dimensões, do obsceno ao sublime. Demais, dentro desta dinâmica e perspectiva respectiva, vale a pena elucidar o seguinte:
a) O pintor, escultor, ceramista e gravador espanhol, Pablo PICASSO (1881-1973) proclama: “a Arte e o sexo é a mesma coisa”;
b) Já, o pintor e escritor francês, Marcel DUCHAMP (1887-1968) monta insólitos mises à nu, sob o signo de Rrose Sélevry (Eros é a Vida);
c) Por seu turno, o pintor holandês, de origem germânica, Jerôme BOSCH (1450-1516) exalta e tortura o corpo para compor uma Arte de Amar Edénica.
d) Enfim, INGRES, BONNARD, Miguel ÂNGELO e demais outros cantam uma carne que SCHIELE descarna até ao osso e que KLIMT cobre de ouro.
e) E, rematando, temos que:
SADE empurra Eros para o Homem,
FOURIER promete um Novo Mundo amoroso, onde “chacun a raison en amour”;
O Surmâle de JARRY queima de amor e, finalmente,
KUBRICK assevera a sua derradeira palavra: “FUCK!” (Fornicar).

O
O O

Antes do mais e, à guisa de Prolegómenos:
No âmbito da Psicologia, EROTISMO é o Elemento incentivador da Sensualidade, caracterizado por uma dimensão transfiguradora, desenvolvido, quer pelo contacto físico, quer através do olhar.
Dir-se-ia, que EROTISMO é a pulsão vital despertada pelo Desejo ou pela promessa de superação de uma determinada condição. Diferindo do prazer carnal, que se esgota na consumação sexual, o prazer erótico corresponde à exaltação da imaginação pelo que se encontra a sua razão de ser na própria duração desse entusiasmo.
Manifestado pela perturbação dos sentidos, o Erotismo é um elemento transgressor, causa de instabilidade e de súbita consciência do Corpo. Por tudo isto, o Erotismo, pelo menos o “olhar” ou a “relação” erótica constitui parte integrante da Energia criativa, tão presente na Literatura e na Arte.

---Eroticismo: the fact of expressing or describing sexual feelings and desire, especially in art, literature, etc. (In Advanced Learner’s Dictionary ---Oxford.)

--- L’Érotisme: Du nom Eros, dieu de l’amour dans la mythologie grecque, désigne tout ce qui rappelle l’amour physique, tout ce qui vient émoustiller les sens ; c’est ce je ne sais quoi qui éveille le déssir.
L’érotisme suggère plutôt que ne montre. Tout est dans la finesse, le non-dit. Davantage que des images, c’est l’atmosphère qui crée l’érotisme. Celui-ci fait donc avant tout appel à l’imagination.

--- Erotismo es una palabra formada a partir del Griego éros con que se designaba al amor apasionado unido con el deseo sensual. Tal sentimiento fue personificado en una deidad: Eros (téngase en cuenta que en griego moderno la palabra erotas alude al amor romántico).
Es lo relacionado con el deseo sexual y el placer sexual, pueden ser imágenes, fotos eróticos, caricias, discursos, frases, actitudes…
El erotismo es la capacidad humana de experimentar las respuestas subjetivas que evoca los fenómenos físicos percibidos como deseo sexual…
Es propio de la especie humana, está al servicio del placer, el amor y la comunicación. Es la puerta de entrada al deseo sexual. Se estimula a través de los sentidos en su percepción de lo externo y del mundo interno (fantasías y recuerdos).
La palabra más usada comúnmente y procedente del inglés es “sexy” que vendría a reflejar el interés erótico de una persona o de un objeto.

Em Síntese oportuna, para Principiar o ofício:
Hodiernamente, o lexema “Erotismo” conota e denota tudo quanto se relaciona com a Sexualidade e, não meramente, com o acto sexual físico (em si), senão, outrossim, com todas as suas projecções respectivas. Eis porque, deste modo, o EROTISMO pode-se observar em combinação com a Libido.
Donde e daí, o EROTISMO trata de tudo aquilo que emana da nossa zona libidinosa e esteja relacionado com o Sexo e com o Amor erótico vis-à-vis do amor caritas.
Enfim, por seu turno, o adjectivo erótico nos indica que o tema a tratar está relacionado com o Sexo, dependendo do substantivo a que qualifica (a pintura erótica e a moda erótica).

A dicotomia entre o amor erótico e o amor romântico não é, geralmente, absoluta, conquanto tenha permanecido para o aspecto romântico, a associação principal com o amor (de anotar, que um amor verdadeiro é altruísta e se supõe susceptível de sublimar a sensualidade). Aliás, é por tal dicotomia que já na Antiguidade, os Gregos propendiam em distinguir entre o Eros e o ágape (sendo o segundo amor solidário e, se pode dizer, romântico) tal distinção se traduz em latim, como a existente entre a cupidez e a caritas.

Nas Religiões e Sistemas de Crenças está, sempre presente o EROTISMO, conquanto se o pode encontrar em duas Facetas:
--- No Cristianismo católico, os Textos místicos de São João da Cruz e as Moradas de Santa Teresa de Ávila possuem uma retórica repleta de um sublimado erotismo dirigido à Deidade;
--- Por outro, em outras religiões (designadamente, as dos Fenícios, dos Mesopotâmicos, etc.) existia uma prostituição sagrada que chegou à Grécia Clássica, Roma Antiga e se tornou notória, pelo contraste entre a “luxúria” com abundante dose da Arte erótica mais que entre os Gregos, directamente pornográfico e a severa castidade e virgindade impostas às Vestais.
Tais antinomias (sendo Antinomia, lexema oriundo do Grego, que significa incoerência, contradição, oposição recíproca), aliás, adentro de idêntico sistema religioso se evidenciam, mesmo assim, no Hinduísmo donde existem momentos promotores das mais rigorosas asceses opostas ao libidinoso unido à exaltações da Sexualidade como ocorre com o conhecido Texto do KAMA SUTRA ou as imagens de templos, como os de Suria e Khojurbo.

E, no atinente ao mundo dos objectos, o EROTISMO pode se confundir com o fetichismo que é a derivação, até objectos ou partes do Corpo, da libido, de tal sorte que a contemplação ou uma mera imagem real ou mental dessa parte do corpo provoca no fetichista um desejo sexual.

Finalmente, o EROTISMO é um dispositivo complexo (pois que abarca diversos componentes do subjectivo e do social, desde a Bioquímica até à Arte) que gera atracção sexual e que pode ser canalizado adequadamente para obter completa satisfação das pessoas se, não afecta, de um modo concreto, negativamente a outras.

E, já agora, a título de elucidação oportuna e pertinente, vale a pena, tecer algumas Ideias acerca do KAMA SUTRA:
O KÂMA SÛTRA (do sânscrito, Kâmasûtra), vocábulo composto por KÂMA (desejo) e de SÛTRA (“o aforismo”), seja literalmente (“os aforismos do desejo”) é uma recolha Indiana escrita entre o século IV e o século VII, atribuído à VATSYÂYANO. De anotar, outrossim, que KÂMA é identicamente o nome do Deus do Amor, equivalente Indiano de Eros ou de Cupido.
No fundo, o KÂMASÛTRA é um Tratado Clássico do Hinduísmo. Foi traduzido pela primeira vez, em Inglês, em 1876, por Richard Francis BURTON. Todavia, o Livro só se torna legal, no Reino Unido, no ano de 1963
O KÂMASÛTRA traz Informações acerca da Vida privada na Índia Antiga. Evoca, sucessivamente, os “Três Desígnios da Vida”, “Os conselhos de bom senso”, “O comportamento do cidadão”, “A escolha de uma esposa”, “Os deveres e privilégios da esposa”, “As cortesãs” e “Os métodos ocultos, além de todas as práticas directamente vinculadas à Sexualidade”.
Na verdade, aliás, como todos os Textos da Índia Antiga, a Obra pode ser, identicamente, lida como uma Alegoria da união (YOGA) ao Divino.
O KÂMASÛTRA, que, não é consagrado única e exclusivamente, ao Sexo, trata, identicamente, de uma Arte de Viver, que uma pessoa culta devia conhecer. Aborda, por exemplo, o Uso da Música, dos Alimentos e dos Perfumes.
Originariamente, era fundamentalmente destinado aos homens e às cortesãs. Todavia, o Livro outorga, outrossim, conselhos às mulheres e aos casais e indica que os homens não estavam unicamente tidos para a relação sexual. Devia, no entanto, dominar a técnica dos beijos, das carícias, das dentadas e das arranhadelas. Descreve, ainda, um determinado número de posições, identicamente, o comportamento a ter pelos parceiros para deixar lugar à sua Imaginação respectiva.
Na época em que a Obra foi redigida, a Mulher usufruía uma certa liberdade. Encontra-se na Obra, as habituais instruções para a “esposa fiel” que se ocupa do Lar, numera outros conselhos para a sedução e a forma de enganar o esposo.
Enfim e, em suma, à guisa de Remate: o puritanismo mais recente da Índia é assaz contrastante com a liberdade descrita, nesta Obra, em análise e apreço. Demais, o próprio MOHATMA KARAMCHAD GANDHI enviara alguns dos seus discípulos destruir estátuas em alguns templos.

Todavia, o escritor, reformador social e pedagogo da Índia Moderna, RABINDRANAH TAGORE (1961-1941), fez pôr fim à esta destruição.

“L’économie libidinale fonctionne à énergie sexuelle;
Elle règle les mouvements, distributions et
Représentations de la sexualité humaine, considérée
Généralement comme donnée fondatrice et
Substance de l’érotisme ». (…)


Lisboa, 12 Dezembro 2009
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo)..
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

EM PORTUGAL É “MAIS MELHOR”


Estive em Macau a fazer umas coisinhas por lá durante uns meros seis anitos. Quando me vinha embora o pessoal que me acompanhava nas lides quotidianas fez-me uma linda festa e juntou-se todo para uma foto de família, como se pode ver.

Aqui na Piolheira a coisa é mais sofisticada e mais intensa: a amizade jorra em torrente contínua no local das brincadeiras quotidianas; o ambiente é fantástico de companheirismo, entreajuda e solidariedade: e só nos falta andar aos beijinhos uns aos outros durante o dia.

Aliás, "vocês sabem do que eu estou a falar": brinco quotidianamente num ambiente que em nada difere daquele que vós tendes no vosso local de trabalho.

Fantástico! Não é?!

Por isso, agora que decidi vir mais cedo para casa antes que rapem o tacho da CGA, já disse à maravilhosa maralha lá do meu sítio de brincadeiras:

Não me façam despedida nenhuma porque não quero ficar ainda mais surdo com os zumbidos permanentes que tenho nos meus ouvidos;

E não esperem que eu leve bolo nenhum para me despedir de ninguém porque não quero sair daí e ser logo engavetado acusado de envenenamento colectivo.

De resto, tudo bem!...
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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

NEM MAIS

«A minha avó, que não sabia ler nem escrever e gostava de andar descalça, com as sandálias ao ombro, era bem mais culta do que alguns dos meus colegas catedráticos.»

[J. A. Maltez in TEMPO QUE PASSA]

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VIOLÊNCIA DOMÉSTICA



Conheci a Dra. Maria José Nogueira Pinto no exercício da minha profissão e não perdi o ensejo de lhe elogiar a postura política e alguns argumentos que expendera então sobre questões da Saúde e até lhe pedi que transmitisse a seu marido, o Dr. Jaime Nogueira Pinto, o meu maior apreço pela forma clara, honesta e inequívoca como costuma explanar as suas posições políticas (a despeito de eu habitar outro quadrante político que não o dele) e até lhe disse que eu gostava (e gosto) de ler o blogue de seu marido ― ao que a senhora me respondeu: «ele vai gostar de saber isso pois pensa que ninguém o lê».

Mas não posso deixar de dizer hoje à senhora Dra. Maria José que deplorei as suas palavras na comissão parlamentar e que não posso deixar de concordar em absoluto com o que disse no fim deste vídeo o meu velho condiscípulo, Dr. João Semedo, deputado do Bloco de Esquerda:

De facto «Nem os palhaços, nem os esquizofrénicos merecem as palavras que ouvimos...».
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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

É SINA OU É CASTIGO?

Pedro Passos Coelho, um saco cheio de nada (basta ouvi-lo com atenção), esforça-se o mais que pode para voltar de novo à ribalta política pois pretende ser primeiro-ministro da Piolheira.


Parece ser sina dos portugueses terem gente de pouca ou pouquíssima cultura como primeiros-ministros e candidatos ao cargo.


Não falando do "licenciado" do PS ― só o PSD já contribuiu com três personagens que tomaram conhecimento de obras literárias ou musicais que nunca existiram ―.


Reportemos ao JN de Fevereiro deste ano, ou consultemos aqui o Abrupto para que se nos reavive a memória sobre estes falsos intelectuais:


Passos Coelho leu um livro de Sartre que não existe; Santana Lopes apreciava os Concertos para Violino de Chopin (que também não existem); e o antigo primeiro-ministro Cavaco Silva estava a ler ao tempo um livro de Thomas Man que também nunca existiu. E tra-la-li e tra-la-lá.


Nota: imagem colhida do blogue wehavekaos.

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ELOCUBRAÇÃO DÉCIMA OITAVA:

(…) “Toute culture peut être définie comme
un espace élémentaire d’affrontements, farouches
ou feutrés (on dégrade, mutile, dépèce, massacre,
brûle les corps), entre expressions et exigences du
corps érotique, et les dispositions et dispositifs
anérotiques qui s’emploient à l’avilir, blesser, mortifier,
châtrer, supprimer ».


(A)
As Teorias e Representações do CORPO em vigor no seio das Comunidades Negro Africanas tendem a rejeitar a oposição Corpo Alma/Espírito, postulando uma osmose total das dissemelhantes componentes do Ser Humano, ele próprio, aliás, considerado como uma parte integrante de um Corpo Social, na sua acepção mais lata. Deste modo, se celebra a Ideia de uma fisiologia cósmica na qual cada Corpo é apenas uma fracção de um conjunto visível e invisível. Indo, para além, do dualismo Corpo Alma, uma tal démarche não concebe o indivíduo sem a Sociedade à qual pertence.
Eis porque, o Filósofo e Pastor Anglicano (especialista em filosofia cristã, denominado o “Pai da Teologia contemporânea”), o queniano, Jonh Samuel MBITI (N.- 1927) ironiza acerca do Cogito ergo sum de DESCARTES, da seguinte forma: “Eu sou porque somos; e visto que somos, então, eu sou”. O Corpo de um indivíduo é, por conseguinte, apenas o elo de uma cadeia que seria necessário apreender como um Todo, se pretende fazer disso uma representação exacta. Demais, se focalizar unicamente na análise de Corpo, ignorarão as conexões sociais, o que significa se enganar no objecto, falhar na perspectiva e praticar sociologia das aparências.

(B)
A Alma é, por conseguinte, considerada como fazendo parte integrante do Corpo, do mesmo modo que o Espírito. Toda a Espiritualidade e todo o Saber são elementos do que se é. As Tradições peule e bambara consideram, aliás, que a Pessoa Humana é uma espécie de receptáculo complexo, que “implica uma multiplicidade interior, planos de existência concêntricos ou sobrepostos (físicos, psíquicos e espirituais em dissemelhantes níveis), assim como uma dinâmica constante” (A. HAMPATÉ BÂ). A Pessoa Humana, jamais se encontra reduzida, nem ao Corpo, nem à uma Entidade monolítica. É uma Dinâmica permanente, por conseguinte, o CORPO é, concomitantemente, o reflexo e o Símbolo.

(C)
Esta Filosofia do CORPO não impediu, todavia, a Emergência de um Determinismo Biológico, que serviu, ao longo dos anos, a justificar a construção da diferença. Como em muitas outras sociedades, as morfologias corporais têm, deste modo, servido para validar categorizações sociais, hierarquizar grupos étnicos, santificar linhas de partilha do poder, legitimar abordagens dinásticas e justificar o domínio sexual e a exclusão.
No entanto, por seu turno, o CORPO produtor de discurso é, outrossim, lugar de expressão dos preconceitos. A cor da pele, a forma dos olhos, da boca ou do nariz, tornara, formas de categorização da Alma. Na verdade, encontramo-nos longe do Reducionismo genético de uma certa Sócio-biologia Darwiniana, que reputa o CORPO como o principal indicador, não unicamente do Destino do indivíduo, porém, identicamente do seu Percurso Social.

(D)
E, rematando, pertinentemente, MILLIE, a Mãe do famoso músico, actor e activista social Americano, Haroldt George “HARRY” BELAFONTE (N-1927), não teve necessidade de ler “Assim falava Zaratrusta” para considerar o seu corpo como uma interface com o Mundo, como um vector por intermediário do qual Ela queria definir a sua relação com o Mundo. O seu corpo era o lugar de expressão das suas responsabilidades familiares e das suas ambições sociais, o depositário dos seus sonhos de grandeza, o espaço privilegiado de uma Encenação da aparência e dos jogos subtis da sedução e o ponto de ancoragem do Si. Cuidava constantemente a Imagem para romper com as humilhações da escravatura e da Memória.

Lisboa, 07 Dezembro 2009
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).
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