quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

ELOCUBRAÇÃO VIGÉSIMA:

Estudando o EROTISMO:
Parte Segunda:


(…) “Fort d’une pure assise, et voué à aller
Toujours de l’avant sans jamais conclure, l’
Érotisme, au risque de déraper, ne recule ni devant
L’accablante altérité du monde, ni devant l’
Abîme de l’être de l’homme, ni face à la
Limite extrême de la mort ».

(I)
O EROTISMO encontra o seu escoramento, a sua fonte e os seus recursos respectivos, a sua primordial substância e a sua intenção dominante (confessada ou secreta), na Sexualidade. Todavia, se edificando, completamente Nela, supera-a, por toda a parte (melhor dito, de todos os lados), de molde que se poderia, para uma Definição significativa, se estender a tudo quanto, consoante modalidades e equilíbrios culturais e pessoais de uma extrema variedade, releva expressões e visões carnais, existenciais, artísticas, filosóficas, políticas ou religiosas marcadas, por assim dizer, como o Selo da Sexualidade Humana.
Donde, em todos os domínios, acima, enunciados (domínios constitutivos do Ser próprio do Homem), o Erotismo trata e encena, sob formas e metamorfoses múltiplas, estes objectos irrecusáveis que são, efectivamente:
--- O CORPO percebido como Realidade unitária e global;
--- Os ÓRGÃOS, encarados nos seus limites, funções e papeis distintivos;
--- A LIBIDO, energia sexual irrigando a totalidade do Campo Humano e
--- O DESEJO, figurando, conforme um consenso mais universal, o móbil fundamental das Actividades Humanas.
De consignar, avisadamente, que estes Quatro Factores (Corpo, Órgãos, Libido, Desejo) tecem entre si, Elos íntimos, à Geometria variável, que compõem a Textura, assaz, peculiar e sui generis do Erotismo, senso lato.

(II)
Tão íntimo constitui a intricação entre Corpo e Erotismo, tão densa a sua coalescência, que a Identificação dos dois termos parece assaz evidente. O Corpo se oferece, na percepção que dele possui o Sujeito, como forma erótica. Deste modo, efectivamente, a própria coisa erótica (substrato, suporte, superfície do Erotismo), aliás, evidentemente, Eros, como fundamento originário e de obsidiante Finalidade.
E, explicitando, ainda melhor: O Eros é Corpo-à-Corpo e trabalho no Corpo, acumulação, estratificação, tecedura e mestiçagem das Imagens do Corpo com as quais todo o indivíduo se constrói, se sente (fazendo sofrer) e se pensa.
Enfim e, em suma: o Corpo está presente, presença imediata e irrecusável, objecto familiar, instrumento polivalente e disponível, bloco maciço e duro de afirmação, simultaneamente, que (sob as suas dissemelhantes roupagens, iluminações, aparências, carapaças, posturas, peles e carnes): Mistério irredutível.
Sim, efectivamente, a Valência erótica do Corpo, atracção-repulsão, se expõe nas impressionistas figurações que balizam a História da Humanidade, desde as gravuras rupestres pré-históricas até às invasões fotográficas das Metrópoles Hodiernas. Com efeito, se acusa ate às repressões e poderes, frequentemente ferozes e homicidas que se encarniçam em o aniquilar.

(III)
Resistindo ao desvio estético, que permanece um meio de salvaguarda (ditas: “um belo nu” – e o “nu” passa em beleza), assim como ao transporte religioso, avenida aberta às sublimações (ditas: amor dei, “corpo de amor” divino – eis que um anjo passa), o Erotismo se envida em preservar a autonomia, a dinâmica e a Suculência propriamente libidinosas do Corpo total.
Aliás, DESTATE, o Corpo como forma global, robusta e forte (e fina) cede lugar ao Corpo fragmentado, matizado ou PATCHWORK de órgãos. Deste modo, temos, então: Uma Erótica de órgãos, fragmentando o Corpo erótico, a ocupar o Terreno.
Entende-se, por sua vez, por “Erótica de Órgãos” “uma focalização, fixação, os êxtases da libido, num órgão ou complexo de órgãos determinado, mais ou menos, isolado e separado (por vezes, extirpado, amputado) do Corpo total”. De sublinhar, demais, que todos os órgãos ou “bocados” do Corpo são plausíveis de um tal tratamento, propício às práticas fetichistas.
Entre o Corpo Total, forma relativamente estabilizada e coerente e a pluralidade de velocidade fractal das peças anatómicas entre as quais sinuoso, se abriga ou se extravia, a corpo perdido, o Eros, no apogeu erótico assumido, pelos órgãos directamente vinculados às funções biológicas vitais: funções de reprodução, com os órgãos sexuais, stricto sensu, órgão masculino ou pénis, órgão feminino ou vulva, agrupados sob a denominação única de “sexo” e função alimentar, com os seus dois orifícios esfincterianos, a boca, via de absorção e o ânus, via de excreção.
Donde e daí, Sexo, Boca e Ânus formam o tríptico de base do Erotismo e de recurso inexaurível. É, na verdade, Fonte, Sede e Objecto de uma incessante e vivaz circulação da Energia Sexual, designadamente, Libido (Nervo, se pode asseverar) de todo o Erotismo, lato sensu.

(IV)
A LIBIDO (Nervo do Erotismo) e, formulando a questão, de modo mais humorístico é Tecidual: Libido e Erotismo constituem, efectivamente, a unha com carne. Eis porque, o EROTISMO constituiria apenas, nos diversos avatares bancada ou exposição da Libido (todos os Sentidos somados: vitrina, exposição de mercadorias, oferta, demonstração, orgia, parada, presunção, etc.).
Ou então, mais poeticamente: “O erotismo seria a canção de Gesta ou a Epopeia da Libido, a sua Ilíada e Odisseia (Odisseia, sobretudo, sinuoso périplo em que a Nau Helena não cessaria de virar nos mares oceanos, onde as sereias rolariam, sem descontinuar os seus cânticos de sedução, onde a provocante Penélope deferia ou reportava o seu pano, onde um Ulisses representava os “Dão João”, prorrogava para as calendas o retorno à Ítaca).”
Definindo a Libido como Energia Sexual, o psiquiatra austríaco, Sigmund FREUD (1856-1939) sublinha a especificidade sexual desta força interna primordial que recusa arrumar ou dissolver numa energia psíquica, a tal ponto ecuménico que chega a cobrir tudo, realmente. Donde, nesta perspectiva, o Erotismo assume, por sua conta, a vastíssima extensão, que FREUND, em “Psicologia das Multidões e análise do eu”, reconhece, nesta qualidade fundamental a Libido: “Libido é um termo emprestado à teoria da afectividade. Designamos, deste modo, a energia (considerada como uma grandeza quantitativa, todavia, não ainda mensurável) das tendências, se vinculando ao que resumimos no vocábulo amor. O núcleo do que designamos amor é formado naturalmente pelo que o é comummente conhecido como amor e que é cantado pelos poetas, isto é, pelo amor sexual, cujo o termo é constituído pela união sexual. Todavia, não o separamos sempre de todas as outras variedades de amor que se sente em relação aos pais e para os filhos, a amizade (amor dos homens, em geral), não mais do que separamos a afeição a objectos concretos e a ideias abstractas”.

(V)
O termo “Libido”, funcionando como conceito psicanalítico, designa a energia sexual e, mais geralmente, pulsional. Uma aplicação, mais trivial, a associa às motivações, excitações ou titilações sexuais tratadas como uma espécie de prurido ou um desejo intenso (uma forma, entre outras, de depreciar a sexualidade.
Deste modo, se pretendermos restituir à esta amplitude de potência de incitação seria o vocábulo “desejo” que ocorre logo ao espírito. Edificando a Estrutura Humana na Sexualidade, a Psicanálise lastrou o Vocábulo de uma robusta carga erótica que o faz o equivalente do Desejo Sexual.

Enfim e, em suma: Nenhuma forma de Abstenção (retiração ou aniquilamento do desejo) satisfaz ao Erotismo. Se, na verdade, a sua excepcional aptidão para a assimilação permite-lhe se tornar em seu proveito a ascese, o vazio ou o nada (“exílio” ou “deserto”), se revolta contra toda a ideia de aniquilamento, se pretende mais prosélito que o onirismo Freudiano, “cumprimento de desejo”. Desejando levar o Desejo ao seu apogeu conduz ao excesso, à plétora, a um “frenesim”levado ao absoluto.
Poder-se-ia, neste ponto, introduzir uma nova nuance entre erotismo e pornografia: o excesso ou a culminância eróticas valem mais como élans de energia que como fruições de objecto ou sensações de plétora, em que poderia se contentar a pornografia.
Eis porque, a Noção de duração prevaleceria neste ponto, ou seja: O EROTISMO é instância, que dura (inexoravelmente), intensamente; por seu turno, a pornografia é instante, precipitadamente fugaz, mais ou menos, bem feito. Todo este arrazoado, nos conduz, ipso facto, à “toda potência e exaltando-o no desejo”, fonte viva e vivificante de vestígios, imagens, palavras e visões.

Lisboa, 15 Dezembro 2009
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).
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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

ÓDIO!... CADA VEZ MAIS ÓDIO

Hoje o blogue dos bancos do jardim de Santo Amaro fustiga José Sócrates sem dó nem piedade. Mas com inteira razão ― acho eu.

Para quem esteja minimamente atento aos média e à opinião pública em geral, não escapa o facto de que o ódio a José Sócrates tem crescido consistentemente ao longo do tempo.

E, ou muito me engano, ou José Sócrates está aí está a transformar-se no Berlusconi português...
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"PORQUE ME ODEIAM DESTA FORMA?"...

...Terá perguntado Berlusconi a um padre que o foi visitar ainda numa cama de hospital.

Eu não sei porque o odeiam tanto; mas posso dizer que na cidade de S. Filipe, na Ilha do Fogo, em Cabo Verde, fixou residência, há já uns quatro anos, um engenheiro italiano de cerca de 60 anos que diz que não regressará a Itália enquanto Berlusconi for vivo.

E evidenciando um ódio incontido escolhe as piores palavras para definir o primeiro-ministro italiano.

Isso sei eu.
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domingo, 13 de dezembro de 2009

QUADRATURA

JPP desabafou e esparramou toda a azia que o modo de ser português lhe tem causado ao longo da vida (a política apenas ou a vida em geral?).

JPP acha que os portugueses deviam mudar, isto é, deviam deixar de ser portugueses.

E, quadrando o círculo, deseja a realização da ironia que Brecht um dia colocou num verso que parafraseio:

«Dissolva-se o povo e eleja-se outro».

Por mim... tudo bem!

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ELOCUBRAÇÃO DÉCIMA NONA:

Estudando o EROTISMO:
Parte Primeira:

Nota Prévia:

O EROTISMO (etimologicamente erot (o) + ismo, por influência do francês érotisme: “desejo amoroso”) expõe e faz explodir a Sexualidade, em toda as suas dimensões, do obsceno ao sublime. Demais, dentro desta dinâmica e perspectiva respectiva, vale a pena elucidar o seguinte:
a) O pintor, escultor, ceramista e gravador espanhol, Pablo PICASSO (1881-1973) proclama: “a Arte e o sexo é a mesma coisa”;
b) Já, o pintor e escritor francês, Marcel DUCHAMP (1887-1968) monta insólitos mises à nu, sob o signo de Rrose Sélevry (Eros é a Vida);
c) Por seu turno, o pintor holandês, de origem germânica, Jerôme BOSCH (1450-1516) exalta e tortura o corpo para compor uma Arte de Amar Edénica.
d) Enfim, INGRES, BONNARD, Miguel ÂNGELO e demais outros cantam uma carne que SCHIELE descarna até ao osso e que KLIMT cobre de ouro.
e) E, rematando, temos que:
SADE empurra Eros para o Homem,
FOURIER promete um Novo Mundo amoroso, onde “chacun a raison en amour”;
O Surmâle de JARRY queima de amor e, finalmente,
KUBRICK assevera a sua derradeira palavra: “FUCK!” (Fornicar).

O
O O

Antes do mais e, à guisa de Prolegómenos:
No âmbito da Psicologia, EROTISMO é o Elemento incentivador da Sensualidade, caracterizado por uma dimensão transfiguradora, desenvolvido, quer pelo contacto físico, quer através do olhar.
Dir-se-ia, que EROTISMO é a pulsão vital despertada pelo Desejo ou pela promessa de superação de uma determinada condição. Diferindo do prazer carnal, que se esgota na consumação sexual, o prazer erótico corresponde à exaltação da imaginação pelo que se encontra a sua razão de ser na própria duração desse entusiasmo.
Manifestado pela perturbação dos sentidos, o Erotismo é um elemento transgressor, causa de instabilidade e de súbita consciência do Corpo. Por tudo isto, o Erotismo, pelo menos o “olhar” ou a “relação” erótica constitui parte integrante da Energia criativa, tão presente na Literatura e na Arte.

---Eroticismo: the fact of expressing or describing sexual feelings and desire, especially in art, literature, etc. (In Advanced Learner’s Dictionary ---Oxford.)

--- L’Érotisme: Du nom Eros, dieu de l’amour dans la mythologie grecque, désigne tout ce qui rappelle l’amour physique, tout ce qui vient émoustiller les sens ; c’est ce je ne sais quoi qui éveille le déssir.
L’érotisme suggère plutôt que ne montre. Tout est dans la finesse, le non-dit. Davantage que des images, c’est l’atmosphère qui crée l’érotisme. Celui-ci fait donc avant tout appel à l’imagination.

--- Erotismo es una palabra formada a partir del Griego éros con que se designaba al amor apasionado unido con el deseo sensual. Tal sentimiento fue personificado en una deidad: Eros (téngase en cuenta que en griego moderno la palabra erotas alude al amor romántico).
Es lo relacionado con el deseo sexual y el placer sexual, pueden ser imágenes, fotos eróticos, caricias, discursos, frases, actitudes…
El erotismo es la capacidad humana de experimentar las respuestas subjetivas que evoca los fenómenos físicos percibidos como deseo sexual…
Es propio de la especie humana, está al servicio del placer, el amor y la comunicación. Es la puerta de entrada al deseo sexual. Se estimula a través de los sentidos en su percepción de lo externo y del mundo interno (fantasías y recuerdos).
La palabra más usada comúnmente y procedente del inglés es “sexy” que vendría a reflejar el interés erótico de una persona o de un objeto.

Em Síntese oportuna, para Principiar o ofício:
Hodiernamente, o lexema “Erotismo” conota e denota tudo quanto se relaciona com a Sexualidade e, não meramente, com o acto sexual físico (em si), senão, outrossim, com todas as suas projecções respectivas. Eis porque, deste modo, o EROTISMO pode-se observar em combinação com a Libido.
Donde e daí, o EROTISMO trata de tudo aquilo que emana da nossa zona libidinosa e esteja relacionado com o Sexo e com o Amor erótico vis-à-vis do amor caritas.
Enfim, por seu turno, o adjectivo erótico nos indica que o tema a tratar está relacionado com o Sexo, dependendo do substantivo a que qualifica (a pintura erótica e a moda erótica).

A dicotomia entre o amor erótico e o amor romântico não é, geralmente, absoluta, conquanto tenha permanecido para o aspecto romântico, a associação principal com o amor (de anotar, que um amor verdadeiro é altruísta e se supõe susceptível de sublimar a sensualidade). Aliás, é por tal dicotomia que já na Antiguidade, os Gregos propendiam em distinguir entre o Eros e o ágape (sendo o segundo amor solidário e, se pode dizer, romântico) tal distinção se traduz em latim, como a existente entre a cupidez e a caritas.

Nas Religiões e Sistemas de Crenças está, sempre presente o EROTISMO, conquanto se o pode encontrar em duas Facetas:
--- No Cristianismo católico, os Textos místicos de São João da Cruz e as Moradas de Santa Teresa de Ávila possuem uma retórica repleta de um sublimado erotismo dirigido à Deidade;
--- Por outro, em outras religiões (designadamente, as dos Fenícios, dos Mesopotâmicos, etc.) existia uma prostituição sagrada que chegou à Grécia Clássica, Roma Antiga e se tornou notória, pelo contraste entre a “luxúria” com abundante dose da Arte erótica mais que entre os Gregos, directamente pornográfico e a severa castidade e virgindade impostas às Vestais.
Tais antinomias (sendo Antinomia, lexema oriundo do Grego, que significa incoerência, contradição, oposição recíproca), aliás, adentro de idêntico sistema religioso se evidenciam, mesmo assim, no Hinduísmo donde existem momentos promotores das mais rigorosas asceses opostas ao libidinoso unido à exaltações da Sexualidade como ocorre com o conhecido Texto do KAMA SUTRA ou as imagens de templos, como os de Suria e Khojurbo.

E, no atinente ao mundo dos objectos, o EROTISMO pode se confundir com o fetichismo que é a derivação, até objectos ou partes do Corpo, da libido, de tal sorte que a contemplação ou uma mera imagem real ou mental dessa parte do corpo provoca no fetichista um desejo sexual.

Finalmente, o EROTISMO é um dispositivo complexo (pois que abarca diversos componentes do subjectivo e do social, desde a Bioquímica até à Arte) que gera atracção sexual e que pode ser canalizado adequadamente para obter completa satisfação das pessoas se, não afecta, de um modo concreto, negativamente a outras.

E, já agora, a título de elucidação oportuna e pertinente, vale a pena, tecer algumas Ideias acerca do KAMA SUTRA:
O KÂMA SÛTRA (do sânscrito, Kâmasûtra), vocábulo composto por KÂMA (desejo) e de SÛTRA (“o aforismo”), seja literalmente (“os aforismos do desejo”) é uma recolha Indiana escrita entre o século IV e o século VII, atribuído à VATSYÂYANO. De anotar, outrossim, que KÂMA é identicamente o nome do Deus do Amor, equivalente Indiano de Eros ou de Cupido.
No fundo, o KÂMASÛTRA é um Tratado Clássico do Hinduísmo. Foi traduzido pela primeira vez, em Inglês, em 1876, por Richard Francis BURTON. Todavia, o Livro só se torna legal, no Reino Unido, no ano de 1963
O KÂMASÛTRA traz Informações acerca da Vida privada na Índia Antiga. Evoca, sucessivamente, os “Três Desígnios da Vida”, “Os conselhos de bom senso”, “O comportamento do cidadão”, “A escolha de uma esposa”, “Os deveres e privilégios da esposa”, “As cortesãs” e “Os métodos ocultos, além de todas as práticas directamente vinculadas à Sexualidade”.
Na verdade, aliás, como todos os Textos da Índia Antiga, a Obra pode ser, identicamente, lida como uma Alegoria da união (YOGA) ao Divino.
O KÂMASÛTRA, que, não é consagrado única e exclusivamente, ao Sexo, trata, identicamente, de uma Arte de Viver, que uma pessoa culta devia conhecer. Aborda, por exemplo, o Uso da Música, dos Alimentos e dos Perfumes.
Originariamente, era fundamentalmente destinado aos homens e às cortesãs. Todavia, o Livro outorga, outrossim, conselhos às mulheres e aos casais e indica que os homens não estavam unicamente tidos para a relação sexual. Devia, no entanto, dominar a técnica dos beijos, das carícias, das dentadas e das arranhadelas. Descreve, ainda, um determinado número de posições, identicamente, o comportamento a ter pelos parceiros para deixar lugar à sua Imaginação respectiva.
Na época em que a Obra foi redigida, a Mulher usufruía uma certa liberdade. Encontra-se na Obra, as habituais instruções para a “esposa fiel” que se ocupa do Lar, numera outros conselhos para a sedução e a forma de enganar o esposo.
Enfim e, em suma, à guisa de Remate: o puritanismo mais recente da Índia é assaz contrastante com a liberdade descrita, nesta Obra, em análise e apreço. Demais, o próprio MOHATMA KARAMCHAD GANDHI enviara alguns dos seus discípulos destruir estátuas em alguns templos.

Todavia, o escritor, reformador social e pedagogo da Índia Moderna, RABINDRANAH TAGORE (1961-1941), fez pôr fim à esta destruição.

“L’économie libidinale fonctionne à énergie sexuelle;
Elle règle les mouvements, distributions et
Représentations de la sexualité humaine, considérée
Généralement comme donnée fondatrice et
Substance de l’érotisme ». (…)


Lisboa, 12 Dezembro 2009
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo)..
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

EM PORTUGAL É “MAIS MELHOR”


Estive em Macau a fazer umas coisinhas por lá durante uns meros seis anitos. Quando me vinha embora o pessoal que me acompanhava nas lides quotidianas fez-me uma linda festa e juntou-se todo para uma foto de família, como se pode ver.

Aqui na Piolheira a coisa é mais sofisticada e mais intensa: a amizade jorra em torrente contínua no local das brincadeiras quotidianas; o ambiente é fantástico de companheirismo, entreajuda e solidariedade: e só nos falta andar aos beijinhos uns aos outros durante o dia.

Aliás, "vocês sabem do que eu estou a falar": brinco quotidianamente num ambiente que em nada difere daquele que vós tendes no vosso local de trabalho.

Fantástico! Não é?!

Por isso, agora que decidi vir mais cedo para casa antes que rapem o tacho da CGA, já disse à maravilhosa maralha lá do meu sítio de brincadeiras:

Não me façam despedida nenhuma porque não quero ficar ainda mais surdo com os zumbidos permanentes que tenho nos meus ouvidos;

E não esperem que eu leve bolo nenhum para me despedir de ninguém porque não quero sair daí e ser logo engavetado acusado de envenenamento colectivo.

De resto, tudo bem!...
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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

NEM MAIS

«A minha avó, que não sabia ler nem escrever e gostava de andar descalça, com as sandálias ao ombro, era bem mais culta do que alguns dos meus colegas catedráticos.»

[J. A. Maltez in TEMPO QUE PASSA]

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VIOLÊNCIA DOMÉSTICA



Conheci a Dra. Maria José Nogueira Pinto no exercício da minha profissão e não perdi o ensejo de lhe elogiar a postura política e alguns argumentos que expendera então sobre questões da Saúde e até lhe pedi que transmitisse a seu marido, o Dr. Jaime Nogueira Pinto, o meu maior apreço pela forma clara, honesta e inequívoca como costuma explanar as suas posições políticas (a despeito de eu habitar outro quadrante político que não o dele) e até lhe disse que eu gostava (e gosto) de ler o blogue de seu marido ― ao que a senhora me respondeu: «ele vai gostar de saber isso pois pensa que ninguém o lê».

Mas não posso deixar de dizer hoje à senhora Dra. Maria José que deplorei as suas palavras na comissão parlamentar e que não posso deixar de concordar em absoluto com o que disse no fim deste vídeo o meu velho condiscípulo, Dr. João Semedo, deputado do Bloco de Esquerda:

De facto «Nem os palhaços, nem os esquizofrénicos merecem as palavras que ouvimos...».
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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

É SINA OU É CASTIGO?

Pedro Passos Coelho, um saco cheio de nada (basta ouvi-lo com atenção), esforça-se o mais que pode para voltar de novo à ribalta política pois pretende ser primeiro-ministro da Piolheira.


Parece ser sina dos portugueses terem gente de pouca ou pouquíssima cultura como primeiros-ministros e candidatos ao cargo.


Não falando do "licenciado" do PS ― só o PSD já contribuiu com três personagens que tomaram conhecimento de obras literárias ou musicais que nunca existiram ―.


Reportemos ao JN de Fevereiro deste ano, ou consultemos aqui o Abrupto para que se nos reavive a memória sobre estes falsos intelectuais:


Passos Coelho leu um livro de Sartre que não existe; Santana Lopes apreciava os Concertos para Violino de Chopin (que também não existem); e o antigo primeiro-ministro Cavaco Silva estava a ler ao tempo um livro de Thomas Man que também nunca existiu. E tra-la-li e tra-la-lá.


Nota: imagem colhida do blogue wehavekaos.

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ELOCUBRAÇÃO DÉCIMA OITAVA:

(…) “Toute culture peut être définie comme
un espace élémentaire d’affrontements, farouches
ou feutrés (on dégrade, mutile, dépèce, massacre,
brûle les corps), entre expressions et exigences du
corps érotique, et les dispositions et dispositifs
anérotiques qui s’emploient à l’avilir, blesser, mortifier,
châtrer, supprimer ».


(A)
As Teorias e Representações do CORPO em vigor no seio das Comunidades Negro Africanas tendem a rejeitar a oposição Corpo Alma/Espírito, postulando uma osmose total das dissemelhantes componentes do Ser Humano, ele próprio, aliás, considerado como uma parte integrante de um Corpo Social, na sua acepção mais lata. Deste modo, se celebra a Ideia de uma fisiologia cósmica na qual cada Corpo é apenas uma fracção de um conjunto visível e invisível. Indo, para além, do dualismo Corpo Alma, uma tal démarche não concebe o indivíduo sem a Sociedade à qual pertence.
Eis porque, o Filósofo e Pastor Anglicano (especialista em filosofia cristã, denominado o “Pai da Teologia contemporânea”), o queniano, Jonh Samuel MBITI (N.- 1927) ironiza acerca do Cogito ergo sum de DESCARTES, da seguinte forma: “Eu sou porque somos; e visto que somos, então, eu sou”. O Corpo de um indivíduo é, por conseguinte, apenas o elo de uma cadeia que seria necessário apreender como um Todo, se pretende fazer disso uma representação exacta. Demais, se focalizar unicamente na análise de Corpo, ignorarão as conexões sociais, o que significa se enganar no objecto, falhar na perspectiva e praticar sociologia das aparências.

(B)
A Alma é, por conseguinte, considerada como fazendo parte integrante do Corpo, do mesmo modo que o Espírito. Toda a Espiritualidade e todo o Saber são elementos do que se é. As Tradições peule e bambara consideram, aliás, que a Pessoa Humana é uma espécie de receptáculo complexo, que “implica uma multiplicidade interior, planos de existência concêntricos ou sobrepostos (físicos, psíquicos e espirituais em dissemelhantes níveis), assim como uma dinâmica constante” (A. HAMPATÉ BÂ). A Pessoa Humana, jamais se encontra reduzida, nem ao Corpo, nem à uma Entidade monolítica. É uma Dinâmica permanente, por conseguinte, o CORPO é, concomitantemente, o reflexo e o Símbolo.

(C)
Esta Filosofia do CORPO não impediu, todavia, a Emergência de um Determinismo Biológico, que serviu, ao longo dos anos, a justificar a construção da diferença. Como em muitas outras sociedades, as morfologias corporais têm, deste modo, servido para validar categorizações sociais, hierarquizar grupos étnicos, santificar linhas de partilha do poder, legitimar abordagens dinásticas e justificar o domínio sexual e a exclusão.
No entanto, por seu turno, o CORPO produtor de discurso é, outrossim, lugar de expressão dos preconceitos. A cor da pele, a forma dos olhos, da boca ou do nariz, tornara, formas de categorização da Alma. Na verdade, encontramo-nos longe do Reducionismo genético de uma certa Sócio-biologia Darwiniana, que reputa o CORPO como o principal indicador, não unicamente do Destino do indivíduo, porém, identicamente do seu Percurso Social.

(D)
E, rematando, pertinentemente, MILLIE, a Mãe do famoso músico, actor e activista social Americano, Haroldt George “HARRY” BELAFONTE (N-1927), não teve necessidade de ler “Assim falava Zaratrusta” para considerar o seu corpo como uma interface com o Mundo, como um vector por intermediário do qual Ela queria definir a sua relação com o Mundo. O seu corpo era o lugar de expressão das suas responsabilidades familiares e das suas ambições sociais, o depositário dos seus sonhos de grandeza, o espaço privilegiado de uma Encenação da aparência e dos jogos subtis da sedução e o ponto de ancoragem do Si. Cuidava constantemente a Imagem para romper com as humilhações da escravatura e da Memória.

Lisboa, 07 Dezembro 2009
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).
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domingo, 6 de dezembro de 2009

A FÓRMULA DE DEUS

Uma das perguntas a que mais vezes Albert Einstein foi sujeito tinha a ver com a sua crença ou não em Deus.

Einstein por diversas vezes respondeu dizendo acreditar em «Algo que estivesse por detrás de tudo e que a nossa mente não consegue captar.»; «Um espírito imensamente superior ao espírito humano.»; «Um espírito cósmico impessoal.»

Mas os teólogos, os bispos, os rabinos, os estudantes, gente comum ― ninguém ficava inteiramente satisfeito com as respostas de Einstein e insistiam sempre naquela pergunta ―.

Até que um dia o rabino Herbert S. Goldstein, destacado líder dos judeus ortodoxos de Nova Iorque, lhe enviou o seguinte telegrama:

«Acredita em Deus? Ponto. Resposta paga. 50 palavras.»

Foi então que Albert Einstein, usando apenas metade das palavras pagas, deu a sua resposta mais famosa:

«Acredito no Deus de Espinosa, que se revela na harmonia bem ordenada de tudo o que existe, mas não num Deus que se envolve no destino e nas acções da humanidade.»

[Informações colhidas da biografia de Albert Einstein, escrita por Walter Isaacson, edição portuguesa, Casa das Letras]
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ELOCUBRAÇÃO DÉCIMA SÉTIMA:

“Aquele que não ama permanece na Morte”

a) Todos os homens são importantes, seja qual for a sua condição. De feito, a Pessoa vale mais do que o alimento e do que o vestuário, ainda mais que qualquer Conquista, nem que fosse da dimensão do Mundo e, que não se pode permutar por coisa nenhuma.
b) O Homem vale por si próprio e não pelo que sabe, produz ou possui. É apenas a sua dignidade de Pessoa que confere valor aos bens, que lhe servem para exprimir-se e realizar-se.
c) Conquanto nasça incompleto e cresça mediante uma experiência de Doação e de Harmonia até à perfeição definitiva, a verdade é que, desde o início, é um sujeito espiritual irrepetível, aberto ao Infinito, chamado a viver para os outros e com os outros. Donde, por conseguinte, merece todo o respeito e atenção, em todas as fases e etapas respectivas da sua Existência.
d) Evidentemente, destarte, a Vida Física, mesmo sendo o Bem Supremo, é o Suporte de todos os outros bens e permite, ipso facto, a sua concretização. Por isso, deve ser respeitada, desde a sua concepção até à morte natural. Enfim, deve ser tratada e servida de molde que todos possam ter alimento, vestuário, habitação, trabalho, tempo livre e assistência sanitária. Deve ser defendida de todas as formas de violência e preservada dos perigos que a ameaçam, designadamente o Alcoolismo, a Toxidependêcia e de todos os acidentes Previsíveis.
Finalmente:
1) Não há dúvida nenhuma de que o Corpo Humano é um sujeito cósmico no meio de muitíssimos outros, um ponto efémero na imensidão do Universo. Porém, não pode reduzir-se a uma partícula de matéria. Já do ponto de vista biológico é uma obra maravilhosamente complexa. Demais e, outrossim, facto, ainda mais significativo, está integrado na Experiência Subjectiva da Pessoa.
2) Efectivamente, não só observamos o nosso Corpo pelo lado de fora, mas vivemo-lo conscientemente por dentro: no agir, no sofrer, no tocar e em todas as nossas sensações. Sim, com efeito, eu sou o meu corpo. Nós somos os nossos Corpos.
3) De feito, através do CORPO recebemos as influências externas, modificamos as coisas, comunicamos com os demais outros exprimimos e realizamos.
4) Uma contracção muscular torna-se na consciência um grito de dor; realidades biológicas como o nascimento e o trespasse, o comer e o beber, a sexualidade e a enfermidade carregam-se simbolicamente de significados fundamentais. E, ao contrário, uma atitude espiritual torna-se gesto concreto: a amizade faz-se sorriso; a fé torna-se testemunho por palavras e obras.

Sim, efectivamente: o CORPO é Linguagem;
É a inserção no Mundo, para encontrar os demais
Outros e dirigir-se para a Transcendência.
Participa da Dignidade da Pessoa.
Demais, enfim: O respeito devido à pessoa
Estende-se, por isso, outrossim, Ao
Seu CORPO.


A Pessoa Humana tem valor por si própria:
Deve ser respeitada e amada
Incondicionalmente.

O CORPO é a Expressão da Pessoa e
Participa no respeito que lhe é
Devido, absolutamente…


(I)
Não há dúvida nenhuma, que cada Sociedade Humana segrega uma quantidade mínima de mau gosto em que ela tem necessidade para estabelecer normas, homologar as arbitrariedades e entreter as suas ambições de boa consciência. Este desejo colectivo do mórbido, que incita, por exemplo, as pessoas a ajuntar-se espontaneamente em torno, de uma briga de rua ou de um acidente da circulação, é um ingrediente fundamental da vida em comum.
De feito, esta necessidade de mau gosto se manifestou, frequentemente com uma crueldade tranquila. Trata-se do caso, durante vários séculos, quando a escravatura, no âmbito do Tráfego dos Negros era, unicamente forma trivial de Comércio, outrossim, porém, o esteio do desenvolvimento social e económico dos países, que se proclamavam, os mais avançados do ponto de vista moral e filosófico.
Deste modo, no âmbito desta dinâmica, basta, para se convencer, de observar alguns dos cartazes publicitários consagrados à venda de escravos, nos Estados Unidos da América do Norte, no término do século XVIII. Enfim!...

(II)
Aliás, a escravatura como operação de venda e de compra públicas de Corpos de Negros foi, oficialmente abolida no Estado de Nova Iorque, epicentro deste Comércio florescente, em 1827, cinquenta e um (51) anos após a proclamação da Independência Americana. Esta integração, de sublinhar, só foi consignada na Constituição pela XIII Emenda, ratificada em 1865, no fim da Guerra Civil.
No entanto, o que é Facto e, por isso vale a pena consignar, que, na verdade, só meio século após os míticos Pais fundadores (eles próprios, proprietários de escravos) da América virtuosa tinham proclamado febril e excitadamente as suas grandes ambições de reforma moral e política na Declaração da Independência, as forças do Mercado continuavam, por conseguinte, a gerir tranquilamente o CORPO desses homens, mulheres e crianças, cujo o carácter humano era posto em dúvida.

(III)
A escravatura era, entretanto, muito mais, que um mero Comércio. Constituía um Debate sobre o Corpo, isto é, acerca das conexões ambíguas e, por vezes, conflituosas que o Ser Humano mantém consigo próprio, os outros, o Bem e o Mal.
Como se pode divisar, destarte, através das Idades e das Civilizações, o CORPO encarnou, sucessivamente, a Imagem da Divindade, da Vida, identicamente, porém, do demónio e da morte. A sua Percepção respectiva evoluiu sobremaneira, indo do dualismo simplista (corpo alma) dos Gregos e dos Romanos para o determinismo biológico inspirado em concepções filosóficas oriundas do DARWINISMO (Doutrina elaborada por DARWIN na sua célebre obra, “Da origem das espécies”, 1859, segundo a qual a luta pela vida e a selecção natural são consideradas como os mecanismos fundamentais da Evolução dos Seres Vivos).
Convenhamos, todavia, que se a América pagou um pesado Tributo para se impor a Abolição Oficial da Escravatura (pelo menos, 600 000 mortos, durante a Guerra Civil, o homicídio de Abrham LINCOLN, fracturas sociais em que se mede, ainda hoje, a profundidade), é porque Estados do Sul, onde a mão-de-obra negra e servil era indispensável para manter os níveis de rentabilidade das plantações de algodão, não aceitaram se ver impor uma nova Moral oriunda do Norte.
Enfim e, em suma: efectivamente, o CORPO não era percebido unicamente como uma matéria-prima; outrossim, lugar de validação do Poder que possuía sobre os outros, era outrossim, o espaço de expressão da consciência de Si. Era, por conseguinte, um lugar de produção do discurso.

(IV)
O CORPO não foi sempre encarado com tanta seriedade no Ocidente. Durante bastante tempo, foi apenas um mero invólucro carnal, contendo a mecânica biológica. Os filósofos lhe preferia, aliás, a alma ou espírito, templo do pensamento e da acção, onde tinha assento o sopro fundamental da vida. O CORPO era, então, apenas e só, uma massa, mais ou menos, obscena destinada, seja como for, a desfear e desfigurar, se debilitar e se destruir com a idade. Imaterial e Invisível, o Espírito Humano era celebrado como a “coisa” mais bela e a mais importante.
Condenado à morte, o filósofo Grego SÓCRATES (cerca de 469-399), se felicitava da sua sentença, pretendendo que o que viveu em Filosofia deve ver na morte o Bem Supremo, que permite a separação do Corpo e da Alma e proporciona o ensejo a esta de se desabrochar verdadeiramente.

(V)
Esta desvalorização do Corpo (acima enunciada), encontra-se, outrossim, num outro filósofo Grego, PLATÃO (427-347), que aos vinte anos começou a seguir o Ensino de SÓCRATES (que, aliás, imortalizou nos seus célebres Diálogos), que, por seu turno, o reduzia ao estado de túmulo da alma e, identicamente, nas elocubrações do filósofo e matemático francês, René DESCARTES (1596-1650) para quem o Corpo era apenas uma junção de órgãos e membros. Demais, de sublinhar, que a sua experiência do Cogito (“Penso logo existo”) foi o corolário lógico duma démarche intelectual, separando radicalmente o biológico do psíquico. (Ver o “Traité des Passions”, de DESCARTE, publicado, aproximadamente doze (12) anos, após o “Discours de la Méthode”.).
Enfim, por sua vez, ARISTÓTELES (384-322 a. C.) se mostrara mais suavizado no atinente à questão que se prende com o Dualismo Corpo Alma, defendendo a Ideia da existência de uma Conexão indefectível entre estas duas Noções cuja a interacção constituía aos seus olhos o Ser Vivo, na sua Integridade. Eis porque, escreve, no seu “Tratado da Alma” o seguinte: [A alma não é um corpo, mas algo do corpo]”.

Lisboa, 03 Dezembro 2009
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).
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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

SUL-AFRICANA ACTRIZ E LOURA

CHARLIZE THERON RIDICULARIZOU A FIFA


Ontem, durante o ensaio geral do sorteio de grupos para o Mundial de Futebol da África do Sul, a beldade, quando devia retirar de uma taça uma bola contendo o nome da França, disse: IRLANDA. E os irlandeses não perderam tempo em aproveitar esse facto.

Consta que por isso foi severamente admoestada por gente da FIFA e pelo próprio Joseph Blatter, presidente dessa organização trafulha do futebol mundial, que lhe terá dito que nem num ensaio à porta fechada se deve brincar com a FIFA.

Pois hoje foi o segundo dia e a segunda vez que a actriz ridicularizou a FIFA: quando saiu a bola com o nome da França ela, que estivera efusiva ao longo do sorteio, fez então um silencio sepulcral, como quem diz: "o silêncio é o melhor comentário".
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

HUUUUUUUUUUMMMM...

Noticiaram-no com pompa, mas não creio que este seja o remédio para a salvação do PSD e muito menos ainda para a salvação de Portugal.

Ainda há pouquíssimo tempo os privados mostraram a sua total incompetência ao levarem numerosos bancos à falência e outros perto disso, não fora o Estado a injectar dinheiro dos contribuintes na economia e nos sacos rotos dos bancos de onde surripiaram o dinheiro dos depositantes.

Qualquer dia temos esta gente a querer cobrar impostos, administrar a justiça, e a pedir carta branca para darem cabo desta m.... toda.

Não conheço uma só atitude pública de Francisco Pinto Balsemão, ao longo dos últimos trinta anos, que significasse a mínima preocupação de cariz social.

Uma só que seja!

Nunca mexeu uma palha que se visse nesse campo.

Mas também hoje só terá falado para os tolos!...
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ELOCUBRAÇÃO DÉCIMA SEXTA:

NOTA PRÉVIA:

O BRASIL se encontra empenhado, desde há numerosas décadas, na construção de um Estatuto de Potência. Estas aspirações alimentadas por um sentimento de grandeza, relevam de uma verídica estratégia de Estado, que como todo novo governo se empenha em prosseguir, mobilizando os instrumentos denominados de “potência doce”.
No âmbito desta dinâmica, as autoridades brasileiras fizeram da Zona Sul-americana um espaço de predilecção, visto que o Brasil aí apareça como um Actor preponderante, quer no plano económico, comercial ou demográfico, quer no que diz respeito ao dinamismo diplomático, ao desenvolvimento e à diversificação da Economia. De feito, Brasil se encontra empenhado na Edificação de uma Cooperação Regional, não unicamente por razões económicas, identicamente, porém políticas.
Na verdade, o Regionalismo Sul-americano é concebido pelo Brasil para afirmar um fundamento regional, consolidar um Estatuto de Potência, projectar os interesses próprios, quer económicos como políticos, sobre a cena Mundial e, por conseguinte, favorecer o advento de um Mundo multi-polar.
E, afim de assegurar uma perenidade ao projecto de integração e evitar que não seja considerado pelos países da sua vizinhança directa como um desígnio de influência, os decisores brasileiros drapejam esta estratégia de um discurso de tipo confraternal que faz sobressair a Ideia de uma consciência e de uma identidade regionais. Trata-se, deste modo, de suscitar no presidente dos seus associados regionais um Sentimento partilhado de Pertença à uma Comunidade Regional Sul-americana.
De anotar, todavia, visto que se desenvolve, na América Latina, uma Opinião Pública, cada vez mais e mais, crítica, relativamente às ambições de Potência do Brasil, qualificadas por alguns de “Imperialismo amarelo verde”, as coisas não são tão fáceis, obviamente.

Por outro, o Brasil está consciente que uma tal estratégia, que visa desenvolver e consolidar um leadership regional implica custos. Visto que, alguns países, designadamente, a Argentina e o México principalmente, teimam em reconhecer o poder brasileiro ou estão como ele empenhados, numa estratégia de influência que a limita, à semelhança da Venezuela. Desde então, o Brasil não hesita em mobilizar recursos financeiros para consolidar o desenvolvimento de projectos comuns e criar fundos de solidariedade, no desígnio de suscitar junto dos seus associados, um efeito de seguidismo e, por conseguinte, evitar os efeitos centrífugos que poderiam limitar as suas ambições de Potência.
Donde e daí, enfim e, em suma: o BRASIL testa, destarte, aparecer como um Actor benevolente. Procura, identicamente, em se construir esta Imagem na Cena Mundial.

(A)
Na verdade, desde, há mais de um Século que o ESTADO BRASILEIRO se encontra apostado na construção de um Estatuto de Potência. Esta démarche se acompanhou de um discurso oficial de auto-protecção do qual se emana um sentimento de superioridade em relação ao resto dos países Latino-Americanos. Este último leva o Brasil a se conceber como a única Potência Sul-Americana e, por conseguinte, à aspirar ao exercício do leadership no Sub Continente.
Isto sendo, conquanto a diplomacia afirmativa possa contribuir à outorgar uma impulsão política na prossecução dos objectivos fixados, não basta, sem dúvida, para fazer do País uma Potência. Eis a razão para a qual é fundamental confrontar o discurso exibido pelas Autoridades Brasileiras, visando à se auto-persuadir e em convencer os actores terceiros da legitimidade da ideia “Brasil Potência”das capacidades reais das quais este último dispõe para concretizar as suas aspirações. A questão será apreendida do mesmo modo que fazer seja possível de modo global.
E, em outros termos, para avaliar as intenções, é necessário ver como os parâmetros quantitativos da Potência (Demografia, Desenvolvimento económico, Situação e Dimensão geográficas…), a Política Externa (Comércio, Diplomacia, Missões para a Paz…), a afirmação das preferências dos Países tanto no seio das Instituições multilaterais (OMC, ONU…), como Regionais (MERCOSUR, UNASUR) e as operações, ambicionando em planear Redes relacionais com os Actores dominantes da Cena Mundial (USA, EU…), as Potências Emergentes (Fórum de diálogo IBSA, G20 mais), em particular do SUL e os Países da sua vizinhança directa se traduzem em efeitos concretos, na produção de influência.
Enfim, se a construção do Estatuto de Potência de um Actor depende das políticas e estratégias de projecção internacional utilizadas no longo prazo, assim como, da sua aptidão em influir na Elaboração da Agenda Internacional graças à sua capacidade em fazer prevalecer os seus interesses, deve, identicamente sobremaneira à percepção que os outros se fazem deste. Deste modo, a tomada em consideração, na análise do reconhecimento por actores terceiros constitui um elemento, outrossim, assaz importante para avaliar o BRASIL como Potência Emergente.

(B)
Finalmente, um tanto ou quanto, à guisa de Remate consentâneo, o BRASIL, na verdade, no desígnio de construir a sua Imagem na Cena Mundial, se vangloria da sua natureza pacífica e se apresenta como o porta-estandarte dos PED, designadamente, nas instâncias multilaterais. Este discurso serve as ambições de Brasília no sentido em que deve, por um lado, legitimar as reivindicações brasileiras de um Estatuto de membro permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) e, por outro, se afirmar como protagonista incontornável e lograr obter resultados concretos, no quadro das negociações multilaterais do Comércio.
Com efeito, a démarche, ora enunciada, permitiu ao Brasil desenvolver um reconhecimento Internacional, cada vez mais e mais, consequente junto, designadamente da EU e dos Estados Unidos da América do Norte que o consideram mais como um Estado-pivot, até mesmo, como a “Potência natural” do Sub continente. Este reconhecimento se deve, não unicamente, à considerações objectivas, porém, identicamente à radicalização política e ao nacionalismo económico que se desenvolvem na América Latina.
De salientar, na verdade, que perante esta Evolução ideológica, o BRASIL aparece aos olhos de Washington e de Bruxelas como um País moderado e fiável que deve ser apoiado. Este apoio se encontra, aliás justificado pelo facto que o Governo de Centro-esquerda brasileiro prossegue (na linha da administração precedente), uma política económica liberal e uma estratégia macroeconómica benéficas para as empresas e investidores externos e, que as coligações Sul/Sul esquematizadas por Brasília não projectam, nem remetem em causa os postulados neo-liberais da Globalização, nem de reanimar o espírito de Bandung (cidade da Indonésia da Ilha de Java), cidade, onde nela se realizou, em Abril de 1955, uma conferência Afro-Asiática que reuniu trinta (30) países não-alinhados com os dois blocos político-militares existentes. Dessa reuniu saiu a condenação do colonialismo, do racismo, do emprego de armas nucleares e da violação da integridade territorial, propondo-se apoiar os países colonizados na luta pela emancipação. De consignar, outrossim, que esteve na origem do advento da noção de Terceiro Mundo e do Movimento dos Não-Alinhados.
Assim sendo, o reconhecimento crescente que os Estados Unidos da América do Norte, desejoso de delegar determinadas responsabilidades regionais, consideram o BRASIL como o candidato, o mais directamente susceptível de garantir a estabilidade política do Sub continente, sobretudo ante à Venezuela, que “trespassado” por um radicalismo político e um Nacionalismo económico crescentes e, por isso mesmo, um Actor perturbador e hostil aos seus interesses na Região.
Enfim, todavia, os Estados Unidos da América do Norte (USA) estimam as Américas como uma Zona de Influência natural e, desde então, se coloca a questão de saber se este reconhecimento perdurará, uma vez, que o BRASIL terá decidido desenvolver o seu Poder de fora das margens de manobra e das responsabilidades imaginadas por Washington.

Lisboa, 01 Dezembro 2009
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).
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domingo, 29 de novembro de 2009

OH NÃO!...

Suponhamos que você desconta para a Caixa Geral de Aposentações (Funcionários Públicos e equiparados) e tem uma carreira contributiva inferior à exigida para uma pensão completa, sendo ainda a sua idade inferior aos 65 anos exigidos para essa mesma pensão completa;

Suponhamos ainda que a conjugação daqueles dois factores lhe permite pedir reforma “antecipada” Sem Penalizações;

Pois bem:

Se pedir a reforma até ao dia 31 de Dezembro próximo, terá uma pensão com determinado valor;

Se entretanto resolver trabalhar mais uns mesitos (um, dois, onze ou mesmo doze meses) no ano de 2010...

... Suspense!...

Terá uma pensão menor que a deste ano.

Compreendeu?... Não?... Assim-assim?...

Pois!... É só ir aqui e fazer uma simulação que fica esclarecido.

Sai-lhe COCÓ! Como ao outro.
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A ESCOLHA É SUA


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E O ALMOÇO FOI...

FEIJOADA!!!...


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"AS TIME GOES BY”



[…]
You must remember this
A kiss is just a kiss, a sigh is just a sigh.
The fundamental things apply
As time goes by.


[...]
It's still the same old story
A fight for love and glory
A case of do or die.
The world will always welcome lovers
As time goes by.

Oh yes, the world will always welcome lovers
As time goes by.


[Letra de Herman Hupfeld para o filme Casablanca]


BOM DIA!
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sábado, 28 de novembro de 2009

ELOCUBRAÇÃO DÉCIMA QUINTA:

(1) A lei natural é a própria vida do Homem,
Que tende para a sua plenitude.
(2) Declarações de Princípio: “Não percebeis que
Tudo quanto de fora entra no Homem não pode torná-lo
Impuro, porque não penetra no seu coração, mas no ventre
E depois é expelido em lugar próprio?” (Mc 7,18-19). “Que
Ninguém vos condene pela comida ou pela bebida. […]
Porque vos submeteis a essas prescrições? […] “Não tomes, não proves, não toques…”, proibições que se tornam perniciosas pelo
Uso que delas se faz e que não passam de preceitos doutrinais
Dos Homens! Têm, na verdade, uma aparência de sabedoria, pela
Afectada piedade, humildade e severidade para com o corpo,
Mas não têm nenhum valor real e só servem para satisfazer a carne” (Cl 2,16. 20-23).
Enfim, tudo que produz e cria a Mãe Natureza é Bom
E não é para desprezar.

Demais, a lei Natural, escrita nas tendências humanas
Fundamentais e conhecida pela razão,
Indica a direcção de Crescimento da Pessoa Humana.


(I)
COMER participa da Ética da Moral. Existe uma moral dos banquetes e das orgias, ou seja, um conjunto de valores e de normas de acção (não escritas) que são prescritas aos cidadãos, aquando dos festejos privados e públicos pelas Instituições Socais (Família, Igrejas, Estado). Esta moral da festa tende a suscitar ela própria, em cada indivíduo, modos de ser e de fazer, “moralidades de comportamentos” que podem ser conscientes ou inconscientes.
Com efeito, a Ética Individual é a forma em que cada cidadão se integra no corpus de prescrições (em vigor) e se constitui livremente como sujeito moral do grande Código Social.
No âmbito desta dinâmica, vale a pena, trazer à colação a Ética alimentar d’Antou (oriunda da célebre canção do grupo da Costa de Marfim, Magic System), uma verdadeira ilustração deste modo de sujeição e, outrossim, da forma como cada cidadão se sente a obrigação de se servir das normas e valores sociais. Esta Ética Negro Africana que se esforça por edificar a sua Vida, uma Obra de Arte tem por substâncias, aliás, os afrodisíacos com o desejo, a concupiscência e a carne. Não se trata, todavia, de uma submissão cega à um Código Moral. É uma Escolha pessoal estética e filosófica.

(II)
COMER é outrossim uma Estética de Si. No contexto Africano é um Acto que elucida vários tipos de morais, radicalmente dissemelhantes, ou seja: Uma Moral do desprovimento que consiste em se conformar, escrupulosamente às Normas Sociais e em obedecer às injunções dos que editam o que deve ser considerado em todas as circunstâncias, como sendo o Comportamento apropriado. No fundo, aliás, uma nova moral Negro Africana virada para a Ética e cujo o Princípio consiste em outorgar prazer, transformando a sua vida, insuflando-lhe, constantemente um desvelo estético. (…).

(III)
Determinados Gostos e Sabores estão associados muito precisamente à uma Atitude Mental ou à uma Ética do Carácter. Enquanto no Ocidente o “doce”, por exemplo, evoca juízos morais, desde meados do século XVII, já, no Sul do Sara, tende a evocar antes uma certa forma de imaturidade, até mesmo de fraqueza e de ingenuidade. Eis porque, “naturalmente” estes gostos e sabores estão reservados às mulheres ou às crianças (lhes fixa só consumir, em público, bebidas doces, mesmo se alcoolizadas). Por conseguinte, as bebidas consumidas pelas mulheres são, geralmente os vinhos cozidos ou licores importados.
Donde, então, o consumo de álcoois “fortes”, que incluem outrossim a cerveja tradicional ou importada como as bebidas exóticas tipo whisky, revela uma adesão aos valores positivos de autoridade, de coragem e de resistência.
De feito, o consumo do “forte” se acompanha, aliás, em geral, refeições muito condimentadas (“apimentadas”), símbolo (eles, outrossim) de poder e de virilidade. Na verdade, esta combinação de “forte” e de “apimentado” constitui, aliás, um ritual de passagem para a idade adulta, a afirmação de uma virilidade indiscutível, a admissão na corte dos adultos. E, quando uma mulher se ousa mostrar uma demasiada propensão para o consumo de licores e iguarias apimentadas, se lhe admira, ao mesmo tempo, que se a receia e se interroga acerca da virilidade do seu parceiro…

(IV)
As bebidas alcoólicas a bolhas como os vinhos espumosos e o champanhe perturbam, até certo ponto, esta norma moral, porquanto a solenidade que se lhe encontra associada transcende as categorizações e as etiquetas sociais. Celebram a alegria de viver e toda a gente tem nisso, em princípio, legítimo direito.
De feito, em virtude, do “princípio de democratização” da Felicidade, é, deste modo, permitido, seja quem for (leia-se, outrossim, qualquer um) fruir (tirar prazer), por exemplo, do bom gosto deste champanhe que encarna o apetite de viver (este valor cardinal comum das Sociedades Africanas).
Demais, o borbulhar das bolhas parece trazer em si próprio, a efervescência e os faustos de uma vida que se pretenderia e se desejaria, quão alegre e quão dinâmica quanto possível. O ruído impetuoso da rolha que salta e que se saúda geralmente, por uma salva de palmas, a transparência solene deste álcool puro e requintado (assaz forte para não ser bebido de um trago, assaz doce para não embriagar o consumidor médio, desde a primeira Taça), a exigência do respeito da temperatura adequada, visto que o champanhe se bebe obrigatoriamente bem fresco, tudo isto, partilha de uma ética social e de uma nova ritualização do gosto.

(V)
Este entusiasmo colectivo para a orgia de luxo não impede numerosos cidadãos de cultivar outras formas de distinção, optando para comportamentos atípicos. Conta-se, deste modo, um número crescente de vegetarianos entre os quadros Africanos (designadamente, os que estudaram, no estrangeiro).
Com efeito, se ser vegetariano em Calcutá (cidade indiana, capital de Bengala Ocidental) não tem nada de extraordinário, visto que isto faz parte dos costumes de um vasto leque de pessoas, a Dakar (Capital do Senegal), em Duala (República Federal dos Camarões) constitui, ainda um estilo insólito que permite se posicionar no imaginário colectivo na mesma categoria, que as personagens míticas e vegetarianas como, designadamente:
(1) CONFÚCIO (Filósofo da China, moralista, sábio e fundador de uma religião: 551-479 a. C.).
(2) PLATÃO (Filósofo Grego: 427-347). Nasceu em Atenas, de uma família da antiga nobreza, tendo recebido uma esmerada educação.
(3) LEONARDO da VINCI, Escultor, arquitecto, engenheiro e (pintor, famoso), não só, pela sua genialidade, mas outrossim, pela sua versatilidade (1452-1519).
(4) Ou, ainda, FRANZ KAFKA, escritor checo de língua alemã (1883-1924).

Alguns abraçam crenças e práticas religiosas que recomendam um tal modo de vida, por necessidade de exotismo intelectual ou por preocupação, um tanto ou quanto, niilista da diferença. Outros se conformam nisso, fundamentalmente por inquietação de cultivar uma imagem pública de pureza e de sobriedade que ajuda à se distinguir mais da massa.
Todavia, no fundo, no fundo, tais esforços não são, contudo, necessários. E, comungando, pedagogicamente com o Escritor e Moralista francês, François, Duque de LA ROCHEFOUCAUD (1613-1680): “On est quelquefois aussi différent de soi-même que des autres”.

Rematando, finalmente :
A) Para além do Princípio de Prazer que constitui uma dimensão fundamental da Arte de Viver em África, as suas escolhas são identicamente a Expressão de um combate contra o revés, contra a penúria, contra a miséria. Aliás, efectivamente a Mensagem é óbvia: a miséria não humilhará nem os sonhos, nem a procura insaciável de dignidade e de respeito.
B) Estamos, deste modo, ante um desejo de afirmação de Si e uma necessidade de reconhecimento da Humanidade destes Homens que se desejam Grandes nas suas Almas, a despeito dos seus minúsculos Destinos.

Lisboa, 28 Novembro 2009
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).
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