terça-feira, 8 de dezembro de 2009

É SINA OU É CASTIGO?

Pedro Passos Coelho, um saco cheio de nada (basta ouvi-lo com atenção), esforça-se o mais que pode para voltar de novo à ribalta política pois pretende ser primeiro-ministro da Piolheira.


Parece ser sina dos portugueses terem gente de pouca ou pouquíssima cultura como primeiros-ministros e candidatos ao cargo.


Não falando do "licenciado" do PS ― só o PSD já contribuiu com três personagens que tomaram conhecimento de obras literárias ou musicais que nunca existiram ―.


Reportemos ao JN de Fevereiro deste ano, ou consultemos aqui o Abrupto para que se nos reavive a memória sobre estes falsos intelectuais:


Passos Coelho leu um livro de Sartre que não existe; Santana Lopes apreciava os Concertos para Violino de Chopin (que também não existem); e o antigo primeiro-ministro Cavaco Silva estava a ler ao tempo um livro de Thomas Man que também nunca existiu. E tra-la-li e tra-la-lá.


Nota: imagem colhida do blogue wehavekaos.

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ELOCUBRAÇÃO DÉCIMA OITAVA:

(…) “Toute culture peut être définie comme
un espace élémentaire d’affrontements, farouches
ou feutrés (on dégrade, mutile, dépèce, massacre,
brûle les corps), entre expressions et exigences du
corps érotique, et les dispositions et dispositifs
anérotiques qui s’emploient à l’avilir, blesser, mortifier,
châtrer, supprimer ».


(A)
As Teorias e Representações do CORPO em vigor no seio das Comunidades Negro Africanas tendem a rejeitar a oposição Corpo Alma/Espírito, postulando uma osmose total das dissemelhantes componentes do Ser Humano, ele próprio, aliás, considerado como uma parte integrante de um Corpo Social, na sua acepção mais lata. Deste modo, se celebra a Ideia de uma fisiologia cósmica na qual cada Corpo é apenas uma fracção de um conjunto visível e invisível. Indo, para além, do dualismo Corpo Alma, uma tal démarche não concebe o indivíduo sem a Sociedade à qual pertence.
Eis porque, o Filósofo e Pastor Anglicano (especialista em filosofia cristã, denominado o “Pai da Teologia contemporânea”), o queniano, Jonh Samuel MBITI (N.- 1927) ironiza acerca do Cogito ergo sum de DESCARTES, da seguinte forma: “Eu sou porque somos; e visto que somos, então, eu sou”. O Corpo de um indivíduo é, por conseguinte, apenas o elo de uma cadeia que seria necessário apreender como um Todo, se pretende fazer disso uma representação exacta. Demais, se focalizar unicamente na análise de Corpo, ignorarão as conexões sociais, o que significa se enganar no objecto, falhar na perspectiva e praticar sociologia das aparências.

(B)
A Alma é, por conseguinte, considerada como fazendo parte integrante do Corpo, do mesmo modo que o Espírito. Toda a Espiritualidade e todo o Saber são elementos do que se é. As Tradições peule e bambara consideram, aliás, que a Pessoa Humana é uma espécie de receptáculo complexo, que “implica uma multiplicidade interior, planos de existência concêntricos ou sobrepostos (físicos, psíquicos e espirituais em dissemelhantes níveis), assim como uma dinâmica constante” (A. HAMPATÉ BÂ). A Pessoa Humana, jamais se encontra reduzida, nem ao Corpo, nem à uma Entidade monolítica. É uma Dinâmica permanente, por conseguinte, o CORPO é, concomitantemente, o reflexo e o Símbolo.

(C)
Esta Filosofia do CORPO não impediu, todavia, a Emergência de um Determinismo Biológico, que serviu, ao longo dos anos, a justificar a construção da diferença. Como em muitas outras sociedades, as morfologias corporais têm, deste modo, servido para validar categorizações sociais, hierarquizar grupos étnicos, santificar linhas de partilha do poder, legitimar abordagens dinásticas e justificar o domínio sexual e a exclusão.
No entanto, por seu turno, o CORPO produtor de discurso é, outrossim, lugar de expressão dos preconceitos. A cor da pele, a forma dos olhos, da boca ou do nariz, tornara, formas de categorização da Alma. Na verdade, encontramo-nos longe do Reducionismo genético de uma certa Sócio-biologia Darwiniana, que reputa o CORPO como o principal indicador, não unicamente do Destino do indivíduo, porém, identicamente do seu Percurso Social.

(D)
E, rematando, pertinentemente, MILLIE, a Mãe do famoso músico, actor e activista social Americano, Haroldt George “HARRY” BELAFONTE (N-1927), não teve necessidade de ler “Assim falava Zaratrusta” para considerar o seu corpo como uma interface com o Mundo, como um vector por intermediário do qual Ela queria definir a sua relação com o Mundo. O seu corpo era o lugar de expressão das suas responsabilidades familiares e das suas ambições sociais, o depositário dos seus sonhos de grandeza, o espaço privilegiado de uma Encenação da aparência e dos jogos subtis da sedução e o ponto de ancoragem do Si. Cuidava constantemente a Imagem para romper com as humilhações da escravatura e da Memória.

Lisboa, 07 Dezembro 2009
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).
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domingo, 6 de dezembro de 2009

A FÓRMULA DE DEUS

Uma das perguntas a que mais vezes Albert Einstein foi sujeito tinha a ver com a sua crença ou não em Deus.

Einstein por diversas vezes respondeu dizendo acreditar em «Algo que estivesse por detrás de tudo e que a nossa mente não consegue captar.»; «Um espírito imensamente superior ao espírito humano.»; «Um espírito cósmico impessoal.»

Mas os teólogos, os bispos, os rabinos, os estudantes, gente comum ― ninguém ficava inteiramente satisfeito com as respostas de Einstein e insistiam sempre naquela pergunta ―.

Até que um dia o rabino Herbert S. Goldstein, destacado líder dos judeus ortodoxos de Nova Iorque, lhe enviou o seguinte telegrama:

«Acredita em Deus? Ponto. Resposta paga. 50 palavras.»

Foi então que Albert Einstein, usando apenas metade das palavras pagas, deu a sua resposta mais famosa:

«Acredito no Deus de Espinosa, que se revela na harmonia bem ordenada de tudo o que existe, mas não num Deus que se envolve no destino e nas acções da humanidade.»

[Informações colhidas da biografia de Albert Einstein, escrita por Walter Isaacson, edição portuguesa, Casa das Letras]
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ELOCUBRAÇÃO DÉCIMA SÉTIMA:

“Aquele que não ama permanece na Morte”

a) Todos os homens são importantes, seja qual for a sua condição. De feito, a Pessoa vale mais do que o alimento e do que o vestuário, ainda mais que qualquer Conquista, nem que fosse da dimensão do Mundo e, que não se pode permutar por coisa nenhuma.
b) O Homem vale por si próprio e não pelo que sabe, produz ou possui. É apenas a sua dignidade de Pessoa que confere valor aos bens, que lhe servem para exprimir-se e realizar-se.
c) Conquanto nasça incompleto e cresça mediante uma experiência de Doação e de Harmonia até à perfeição definitiva, a verdade é que, desde o início, é um sujeito espiritual irrepetível, aberto ao Infinito, chamado a viver para os outros e com os outros. Donde, por conseguinte, merece todo o respeito e atenção, em todas as fases e etapas respectivas da sua Existência.
d) Evidentemente, destarte, a Vida Física, mesmo sendo o Bem Supremo, é o Suporte de todos os outros bens e permite, ipso facto, a sua concretização. Por isso, deve ser respeitada, desde a sua concepção até à morte natural. Enfim, deve ser tratada e servida de molde que todos possam ter alimento, vestuário, habitação, trabalho, tempo livre e assistência sanitária. Deve ser defendida de todas as formas de violência e preservada dos perigos que a ameaçam, designadamente o Alcoolismo, a Toxidependêcia e de todos os acidentes Previsíveis.
Finalmente:
1) Não há dúvida nenhuma de que o Corpo Humano é um sujeito cósmico no meio de muitíssimos outros, um ponto efémero na imensidão do Universo. Porém, não pode reduzir-se a uma partícula de matéria. Já do ponto de vista biológico é uma obra maravilhosamente complexa. Demais e, outrossim, facto, ainda mais significativo, está integrado na Experiência Subjectiva da Pessoa.
2) Efectivamente, não só observamos o nosso Corpo pelo lado de fora, mas vivemo-lo conscientemente por dentro: no agir, no sofrer, no tocar e em todas as nossas sensações. Sim, com efeito, eu sou o meu corpo. Nós somos os nossos Corpos.
3) De feito, através do CORPO recebemos as influências externas, modificamos as coisas, comunicamos com os demais outros exprimimos e realizamos.
4) Uma contracção muscular torna-se na consciência um grito de dor; realidades biológicas como o nascimento e o trespasse, o comer e o beber, a sexualidade e a enfermidade carregam-se simbolicamente de significados fundamentais. E, ao contrário, uma atitude espiritual torna-se gesto concreto: a amizade faz-se sorriso; a fé torna-se testemunho por palavras e obras.

Sim, efectivamente: o CORPO é Linguagem;
É a inserção no Mundo, para encontrar os demais
Outros e dirigir-se para a Transcendência.
Participa da Dignidade da Pessoa.
Demais, enfim: O respeito devido à pessoa
Estende-se, por isso, outrossim, Ao
Seu CORPO.


A Pessoa Humana tem valor por si própria:
Deve ser respeitada e amada
Incondicionalmente.

O CORPO é a Expressão da Pessoa e
Participa no respeito que lhe é
Devido, absolutamente…


(I)
Não há dúvida nenhuma, que cada Sociedade Humana segrega uma quantidade mínima de mau gosto em que ela tem necessidade para estabelecer normas, homologar as arbitrariedades e entreter as suas ambições de boa consciência. Este desejo colectivo do mórbido, que incita, por exemplo, as pessoas a ajuntar-se espontaneamente em torno, de uma briga de rua ou de um acidente da circulação, é um ingrediente fundamental da vida em comum.
De feito, esta necessidade de mau gosto se manifestou, frequentemente com uma crueldade tranquila. Trata-se do caso, durante vários séculos, quando a escravatura, no âmbito do Tráfego dos Negros era, unicamente forma trivial de Comércio, outrossim, porém, o esteio do desenvolvimento social e económico dos países, que se proclamavam, os mais avançados do ponto de vista moral e filosófico.
Deste modo, no âmbito desta dinâmica, basta, para se convencer, de observar alguns dos cartazes publicitários consagrados à venda de escravos, nos Estados Unidos da América do Norte, no término do século XVIII. Enfim!...

(II)
Aliás, a escravatura como operação de venda e de compra públicas de Corpos de Negros foi, oficialmente abolida no Estado de Nova Iorque, epicentro deste Comércio florescente, em 1827, cinquenta e um (51) anos após a proclamação da Independência Americana. Esta integração, de sublinhar, só foi consignada na Constituição pela XIII Emenda, ratificada em 1865, no fim da Guerra Civil.
No entanto, o que é Facto e, por isso vale a pena consignar, que, na verdade, só meio século após os míticos Pais fundadores (eles próprios, proprietários de escravos) da América virtuosa tinham proclamado febril e excitadamente as suas grandes ambições de reforma moral e política na Declaração da Independência, as forças do Mercado continuavam, por conseguinte, a gerir tranquilamente o CORPO desses homens, mulheres e crianças, cujo o carácter humano era posto em dúvida.

(III)
A escravatura era, entretanto, muito mais, que um mero Comércio. Constituía um Debate sobre o Corpo, isto é, acerca das conexões ambíguas e, por vezes, conflituosas que o Ser Humano mantém consigo próprio, os outros, o Bem e o Mal.
Como se pode divisar, destarte, através das Idades e das Civilizações, o CORPO encarnou, sucessivamente, a Imagem da Divindade, da Vida, identicamente, porém, do demónio e da morte. A sua Percepção respectiva evoluiu sobremaneira, indo do dualismo simplista (corpo alma) dos Gregos e dos Romanos para o determinismo biológico inspirado em concepções filosóficas oriundas do DARWINISMO (Doutrina elaborada por DARWIN na sua célebre obra, “Da origem das espécies”, 1859, segundo a qual a luta pela vida e a selecção natural são consideradas como os mecanismos fundamentais da Evolução dos Seres Vivos).
Convenhamos, todavia, que se a América pagou um pesado Tributo para se impor a Abolição Oficial da Escravatura (pelo menos, 600 000 mortos, durante a Guerra Civil, o homicídio de Abrham LINCOLN, fracturas sociais em que se mede, ainda hoje, a profundidade), é porque Estados do Sul, onde a mão-de-obra negra e servil era indispensável para manter os níveis de rentabilidade das plantações de algodão, não aceitaram se ver impor uma nova Moral oriunda do Norte.
Enfim e, em suma: efectivamente, o CORPO não era percebido unicamente como uma matéria-prima; outrossim, lugar de validação do Poder que possuía sobre os outros, era outrossim, o espaço de expressão da consciência de Si. Era, por conseguinte, um lugar de produção do discurso.

(IV)
O CORPO não foi sempre encarado com tanta seriedade no Ocidente. Durante bastante tempo, foi apenas um mero invólucro carnal, contendo a mecânica biológica. Os filósofos lhe preferia, aliás, a alma ou espírito, templo do pensamento e da acção, onde tinha assento o sopro fundamental da vida. O CORPO era, então, apenas e só, uma massa, mais ou menos, obscena destinada, seja como for, a desfear e desfigurar, se debilitar e se destruir com a idade. Imaterial e Invisível, o Espírito Humano era celebrado como a “coisa” mais bela e a mais importante.
Condenado à morte, o filósofo Grego SÓCRATES (cerca de 469-399), se felicitava da sua sentença, pretendendo que o que viveu em Filosofia deve ver na morte o Bem Supremo, que permite a separação do Corpo e da Alma e proporciona o ensejo a esta de se desabrochar verdadeiramente.

(V)
Esta desvalorização do Corpo (acima enunciada), encontra-se, outrossim, num outro filósofo Grego, PLATÃO (427-347), que aos vinte anos começou a seguir o Ensino de SÓCRATES (que, aliás, imortalizou nos seus célebres Diálogos), que, por seu turno, o reduzia ao estado de túmulo da alma e, identicamente, nas elocubrações do filósofo e matemático francês, René DESCARTES (1596-1650) para quem o Corpo era apenas uma junção de órgãos e membros. Demais, de sublinhar, que a sua experiência do Cogito (“Penso logo existo”) foi o corolário lógico duma démarche intelectual, separando radicalmente o biológico do psíquico. (Ver o “Traité des Passions”, de DESCARTE, publicado, aproximadamente doze (12) anos, após o “Discours de la Méthode”.).
Enfim, por sua vez, ARISTÓTELES (384-322 a. C.) se mostrara mais suavizado no atinente à questão que se prende com o Dualismo Corpo Alma, defendendo a Ideia da existência de uma Conexão indefectível entre estas duas Noções cuja a interacção constituía aos seus olhos o Ser Vivo, na sua Integridade. Eis porque, escreve, no seu “Tratado da Alma” o seguinte: [A alma não é um corpo, mas algo do corpo]”.

Lisboa, 03 Dezembro 2009
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).
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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

SUL-AFRICANA ACTRIZ E LOURA

CHARLIZE THERON RIDICULARIZOU A FIFA


Ontem, durante o ensaio geral do sorteio de grupos para o Mundial de Futebol da África do Sul, a beldade, quando devia retirar de uma taça uma bola contendo o nome da França, disse: IRLANDA. E os irlandeses não perderam tempo em aproveitar esse facto.

Consta que por isso foi severamente admoestada por gente da FIFA e pelo próprio Joseph Blatter, presidente dessa organização trafulha do futebol mundial, que lhe terá dito que nem num ensaio à porta fechada se deve brincar com a FIFA.

Pois hoje foi o segundo dia e a segunda vez que a actriz ridicularizou a FIFA: quando saiu a bola com o nome da França ela, que estivera efusiva ao longo do sorteio, fez então um silencio sepulcral, como quem diz: "o silêncio é o melhor comentário".
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

HUUUUUUUUUUMMMM...

Noticiaram-no com pompa, mas não creio que este seja o remédio para a salvação do PSD e muito menos ainda para a salvação de Portugal.

Ainda há pouquíssimo tempo os privados mostraram a sua total incompetência ao levarem numerosos bancos à falência e outros perto disso, não fora o Estado a injectar dinheiro dos contribuintes na economia e nos sacos rotos dos bancos de onde surripiaram o dinheiro dos depositantes.

Qualquer dia temos esta gente a querer cobrar impostos, administrar a justiça, e a pedir carta branca para darem cabo desta m.... toda.

Não conheço uma só atitude pública de Francisco Pinto Balsemão, ao longo dos últimos trinta anos, que significasse a mínima preocupação de cariz social.

Uma só que seja!

Nunca mexeu uma palha que se visse nesse campo.

Mas também hoje só terá falado para os tolos!...
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ELOCUBRAÇÃO DÉCIMA SEXTA:

NOTA PRÉVIA:

O BRASIL se encontra empenhado, desde há numerosas décadas, na construção de um Estatuto de Potência. Estas aspirações alimentadas por um sentimento de grandeza, relevam de uma verídica estratégia de Estado, que como todo novo governo se empenha em prosseguir, mobilizando os instrumentos denominados de “potência doce”.
No âmbito desta dinâmica, as autoridades brasileiras fizeram da Zona Sul-americana um espaço de predilecção, visto que o Brasil aí apareça como um Actor preponderante, quer no plano económico, comercial ou demográfico, quer no que diz respeito ao dinamismo diplomático, ao desenvolvimento e à diversificação da Economia. De feito, Brasil se encontra empenhado na Edificação de uma Cooperação Regional, não unicamente por razões económicas, identicamente, porém políticas.
Na verdade, o Regionalismo Sul-americano é concebido pelo Brasil para afirmar um fundamento regional, consolidar um Estatuto de Potência, projectar os interesses próprios, quer económicos como políticos, sobre a cena Mundial e, por conseguinte, favorecer o advento de um Mundo multi-polar.
E, afim de assegurar uma perenidade ao projecto de integração e evitar que não seja considerado pelos países da sua vizinhança directa como um desígnio de influência, os decisores brasileiros drapejam esta estratégia de um discurso de tipo confraternal que faz sobressair a Ideia de uma consciência e de uma identidade regionais. Trata-se, deste modo, de suscitar no presidente dos seus associados regionais um Sentimento partilhado de Pertença à uma Comunidade Regional Sul-americana.
De anotar, todavia, visto que se desenvolve, na América Latina, uma Opinião Pública, cada vez mais e mais, crítica, relativamente às ambições de Potência do Brasil, qualificadas por alguns de “Imperialismo amarelo verde”, as coisas não são tão fáceis, obviamente.

Por outro, o Brasil está consciente que uma tal estratégia, que visa desenvolver e consolidar um leadership regional implica custos. Visto que, alguns países, designadamente, a Argentina e o México principalmente, teimam em reconhecer o poder brasileiro ou estão como ele empenhados, numa estratégia de influência que a limita, à semelhança da Venezuela. Desde então, o Brasil não hesita em mobilizar recursos financeiros para consolidar o desenvolvimento de projectos comuns e criar fundos de solidariedade, no desígnio de suscitar junto dos seus associados, um efeito de seguidismo e, por conseguinte, evitar os efeitos centrífugos que poderiam limitar as suas ambições de Potência.
Donde e daí, enfim e, em suma: o BRASIL testa, destarte, aparecer como um Actor benevolente. Procura, identicamente, em se construir esta Imagem na Cena Mundial.

(A)
Na verdade, desde, há mais de um Século que o ESTADO BRASILEIRO se encontra apostado na construção de um Estatuto de Potência. Esta démarche se acompanhou de um discurso oficial de auto-protecção do qual se emana um sentimento de superioridade em relação ao resto dos países Latino-Americanos. Este último leva o Brasil a se conceber como a única Potência Sul-Americana e, por conseguinte, à aspirar ao exercício do leadership no Sub Continente.
Isto sendo, conquanto a diplomacia afirmativa possa contribuir à outorgar uma impulsão política na prossecução dos objectivos fixados, não basta, sem dúvida, para fazer do País uma Potência. Eis a razão para a qual é fundamental confrontar o discurso exibido pelas Autoridades Brasileiras, visando à se auto-persuadir e em convencer os actores terceiros da legitimidade da ideia “Brasil Potência”das capacidades reais das quais este último dispõe para concretizar as suas aspirações. A questão será apreendida do mesmo modo que fazer seja possível de modo global.
E, em outros termos, para avaliar as intenções, é necessário ver como os parâmetros quantitativos da Potência (Demografia, Desenvolvimento económico, Situação e Dimensão geográficas…), a Política Externa (Comércio, Diplomacia, Missões para a Paz…), a afirmação das preferências dos Países tanto no seio das Instituições multilaterais (OMC, ONU…), como Regionais (MERCOSUR, UNASUR) e as operações, ambicionando em planear Redes relacionais com os Actores dominantes da Cena Mundial (USA, EU…), as Potências Emergentes (Fórum de diálogo IBSA, G20 mais), em particular do SUL e os Países da sua vizinhança directa se traduzem em efeitos concretos, na produção de influência.
Enfim, se a construção do Estatuto de Potência de um Actor depende das políticas e estratégias de projecção internacional utilizadas no longo prazo, assim como, da sua aptidão em influir na Elaboração da Agenda Internacional graças à sua capacidade em fazer prevalecer os seus interesses, deve, identicamente sobremaneira à percepção que os outros se fazem deste. Deste modo, a tomada em consideração, na análise do reconhecimento por actores terceiros constitui um elemento, outrossim, assaz importante para avaliar o BRASIL como Potência Emergente.

(B)
Finalmente, um tanto ou quanto, à guisa de Remate consentâneo, o BRASIL, na verdade, no desígnio de construir a sua Imagem na Cena Mundial, se vangloria da sua natureza pacífica e se apresenta como o porta-estandarte dos PED, designadamente, nas instâncias multilaterais. Este discurso serve as ambições de Brasília no sentido em que deve, por um lado, legitimar as reivindicações brasileiras de um Estatuto de membro permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) e, por outro, se afirmar como protagonista incontornável e lograr obter resultados concretos, no quadro das negociações multilaterais do Comércio.
Com efeito, a démarche, ora enunciada, permitiu ao Brasil desenvolver um reconhecimento Internacional, cada vez mais e mais, consequente junto, designadamente da EU e dos Estados Unidos da América do Norte que o consideram mais como um Estado-pivot, até mesmo, como a “Potência natural” do Sub continente. Este reconhecimento se deve, não unicamente, à considerações objectivas, porém, identicamente à radicalização política e ao nacionalismo económico que se desenvolvem na América Latina.
De salientar, na verdade, que perante esta Evolução ideológica, o BRASIL aparece aos olhos de Washington e de Bruxelas como um País moderado e fiável que deve ser apoiado. Este apoio se encontra, aliás justificado pelo facto que o Governo de Centro-esquerda brasileiro prossegue (na linha da administração precedente), uma política económica liberal e uma estratégia macroeconómica benéficas para as empresas e investidores externos e, que as coligações Sul/Sul esquematizadas por Brasília não projectam, nem remetem em causa os postulados neo-liberais da Globalização, nem de reanimar o espírito de Bandung (cidade da Indonésia da Ilha de Java), cidade, onde nela se realizou, em Abril de 1955, uma conferência Afro-Asiática que reuniu trinta (30) países não-alinhados com os dois blocos político-militares existentes. Dessa reuniu saiu a condenação do colonialismo, do racismo, do emprego de armas nucleares e da violação da integridade territorial, propondo-se apoiar os países colonizados na luta pela emancipação. De consignar, outrossim, que esteve na origem do advento da noção de Terceiro Mundo e do Movimento dos Não-Alinhados.
Assim sendo, o reconhecimento crescente que os Estados Unidos da América do Norte, desejoso de delegar determinadas responsabilidades regionais, consideram o BRASIL como o candidato, o mais directamente susceptível de garantir a estabilidade política do Sub continente, sobretudo ante à Venezuela, que “trespassado” por um radicalismo político e um Nacionalismo económico crescentes e, por isso mesmo, um Actor perturbador e hostil aos seus interesses na Região.
Enfim, todavia, os Estados Unidos da América do Norte (USA) estimam as Américas como uma Zona de Influência natural e, desde então, se coloca a questão de saber se este reconhecimento perdurará, uma vez, que o BRASIL terá decidido desenvolver o seu Poder de fora das margens de manobra e das responsabilidades imaginadas por Washington.

Lisboa, 01 Dezembro 2009
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).
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domingo, 29 de novembro de 2009

OH NÃO!...

Suponhamos que você desconta para a Caixa Geral de Aposentações (Funcionários Públicos e equiparados) e tem uma carreira contributiva inferior à exigida para uma pensão completa, sendo ainda a sua idade inferior aos 65 anos exigidos para essa mesma pensão completa;

Suponhamos ainda que a conjugação daqueles dois factores lhe permite pedir reforma “antecipada” Sem Penalizações;

Pois bem:

Se pedir a reforma até ao dia 31 de Dezembro próximo, terá uma pensão com determinado valor;

Se entretanto resolver trabalhar mais uns mesitos (um, dois, onze ou mesmo doze meses) no ano de 2010...

... Suspense!...

Terá uma pensão menor que a deste ano.

Compreendeu?... Não?... Assim-assim?...

Pois!... É só ir aqui e fazer uma simulação que fica esclarecido.

Sai-lhe COCÓ! Como ao outro.
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A ESCOLHA É SUA


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E O ALMOÇO FOI...

FEIJOADA!!!...


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"AS TIME GOES BY”



[…]
You must remember this
A kiss is just a kiss, a sigh is just a sigh.
The fundamental things apply
As time goes by.


[...]
It's still the same old story
A fight for love and glory
A case of do or die.
The world will always welcome lovers
As time goes by.

Oh yes, the world will always welcome lovers
As time goes by.


[Letra de Herman Hupfeld para o filme Casablanca]


BOM DIA!
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sábado, 28 de novembro de 2009

ELOCUBRAÇÃO DÉCIMA QUINTA:

(1) A lei natural é a própria vida do Homem,
Que tende para a sua plenitude.
(2) Declarações de Princípio: “Não percebeis que
Tudo quanto de fora entra no Homem não pode torná-lo
Impuro, porque não penetra no seu coração, mas no ventre
E depois é expelido em lugar próprio?” (Mc 7,18-19). “Que
Ninguém vos condene pela comida ou pela bebida. […]
Porque vos submeteis a essas prescrições? […] “Não tomes, não proves, não toques…”, proibições que se tornam perniciosas pelo
Uso que delas se faz e que não passam de preceitos doutrinais
Dos Homens! Têm, na verdade, uma aparência de sabedoria, pela
Afectada piedade, humildade e severidade para com o corpo,
Mas não têm nenhum valor real e só servem para satisfazer a carne” (Cl 2,16. 20-23).
Enfim, tudo que produz e cria a Mãe Natureza é Bom
E não é para desprezar.

Demais, a lei Natural, escrita nas tendências humanas
Fundamentais e conhecida pela razão,
Indica a direcção de Crescimento da Pessoa Humana.


(I)
COMER participa da Ética da Moral. Existe uma moral dos banquetes e das orgias, ou seja, um conjunto de valores e de normas de acção (não escritas) que são prescritas aos cidadãos, aquando dos festejos privados e públicos pelas Instituições Socais (Família, Igrejas, Estado). Esta moral da festa tende a suscitar ela própria, em cada indivíduo, modos de ser e de fazer, “moralidades de comportamentos” que podem ser conscientes ou inconscientes.
Com efeito, a Ética Individual é a forma em que cada cidadão se integra no corpus de prescrições (em vigor) e se constitui livremente como sujeito moral do grande Código Social.
No âmbito desta dinâmica, vale a pena, trazer à colação a Ética alimentar d’Antou (oriunda da célebre canção do grupo da Costa de Marfim, Magic System), uma verdadeira ilustração deste modo de sujeição e, outrossim, da forma como cada cidadão se sente a obrigação de se servir das normas e valores sociais. Esta Ética Negro Africana que se esforça por edificar a sua Vida, uma Obra de Arte tem por substâncias, aliás, os afrodisíacos com o desejo, a concupiscência e a carne. Não se trata, todavia, de uma submissão cega à um Código Moral. É uma Escolha pessoal estética e filosófica.

(II)
COMER é outrossim uma Estética de Si. No contexto Africano é um Acto que elucida vários tipos de morais, radicalmente dissemelhantes, ou seja: Uma Moral do desprovimento que consiste em se conformar, escrupulosamente às Normas Sociais e em obedecer às injunções dos que editam o que deve ser considerado em todas as circunstâncias, como sendo o Comportamento apropriado. No fundo, aliás, uma nova moral Negro Africana virada para a Ética e cujo o Princípio consiste em outorgar prazer, transformando a sua vida, insuflando-lhe, constantemente um desvelo estético. (…).

(III)
Determinados Gostos e Sabores estão associados muito precisamente à uma Atitude Mental ou à uma Ética do Carácter. Enquanto no Ocidente o “doce”, por exemplo, evoca juízos morais, desde meados do século XVII, já, no Sul do Sara, tende a evocar antes uma certa forma de imaturidade, até mesmo de fraqueza e de ingenuidade. Eis porque, “naturalmente” estes gostos e sabores estão reservados às mulheres ou às crianças (lhes fixa só consumir, em público, bebidas doces, mesmo se alcoolizadas). Por conseguinte, as bebidas consumidas pelas mulheres são, geralmente os vinhos cozidos ou licores importados.
Donde, então, o consumo de álcoois “fortes”, que incluem outrossim a cerveja tradicional ou importada como as bebidas exóticas tipo whisky, revela uma adesão aos valores positivos de autoridade, de coragem e de resistência.
De feito, o consumo do “forte” se acompanha, aliás, em geral, refeições muito condimentadas (“apimentadas”), símbolo (eles, outrossim) de poder e de virilidade. Na verdade, esta combinação de “forte” e de “apimentado” constitui, aliás, um ritual de passagem para a idade adulta, a afirmação de uma virilidade indiscutível, a admissão na corte dos adultos. E, quando uma mulher se ousa mostrar uma demasiada propensão para o consumo de licores e iguarias apimentadas, se lhe admira, ao mesmo tempo, que se a receia e se interroga acerca da virilidade do seu parceiro…

(IV)
As bebidas alcoólicas a bolhas como os vinhos espumosos e o champanhe perturbam, até certo ponto, esta norma moral, porquanto a solenidade que se lhe encontra associada transcende as categorizações e as etiquetas sociais. Celebram a alegria de viver e toda a gente tem nisso, em princípio, legítimo direito.
De feito, em virtude, do “princípio de democratização” da Felicidade, é, deste modo, permitido, seja quem for (leia-se, outrossim, qualquer um) fruir (tirar prazer), por exemplo, do bom gosto deste champanhe que encarna o apetite de viver (este valor cardinal comum das Sociedades Africanas).
Demais, o borbulhar das bolhas parece trazer em si próprio, a efervescência e os faustos de uma vida que se pretenderia e se desejaria, quão alegre e quão dinâmica quanto possível. O ruído impetuoso da rolha que salta e que se saúda geralmente, por uma salva de palmas, a transparência solene deste álcool puro e requintado (assaz forte para não ser bebido de um trago, assaz doce para não embriagar o consumidor médio, desde a primeira Taça), a exigência do respeito da temperatura adequada, visto que o champanhe se bebe obrigatoriamente bem fresco, tudo isto, partilha de uma ética social e de uma nova ritualização do gosto.

(V)
Este entusiasmo colectivo para a orgia de luxo não impede numerosos cidadãos de cultivar outras formas de distinção, optando para comportamentos atípicos. Conta-se, deste modo, um número crescente de vegetarianos entre os quadros Africanos (designadamente, os que estudaram, no estrangeiro).
Com efeito, se ser vegetariano em Calcutá (cidade indiana, capital de Bengala Ocidental) não tem nada de extraordinário, visto que isto faz parte dos costumes de um vasto leque de pessoas, a Dakar (Capital do Senegal), em Duala (República Federal dos Camarões) constitui, ainda um estilo insólito que permite se posicionar no imaginário colectivo na mesma categoria, que as personagens míticas e vegetarianas como, designadamente:
(1) CONFÚCIO (Filósofo da China, moralista, sábio e fundador de uma religião: 551-479 a. C.).
(2) PLATÃO (Filósofo Grego: 427-347). Nasceu em Atenas, de uma família da antiga nobreza, tendo recebido uma esmerada educação.
(3) LEONARDO da VINCI, Escultor, arquitecto, engenheiro e (pintor, famoso), não só, pela sua genialidade, mas outrossim, pela sua versatilidade (1452-1519).
(4) Ou, ainda, FRANZ KAFKA, escritor checo de língua alemã (1883-1924).

Alguns abraçam crenças e práticas religiosas que recomendam um tal modo de vida, por necessidade de exotismo intelectual ou por preocupação, um tanto ou quanto, niilista da diferença. Outros se conformam nisso, fundamentalmente por inquietação de cultivar uma imagem pública de pureza e de sobriedade que ajuda à se distinguir mais da massa.
Todavia, no fundo, no fundo, tais esforços não são, contudo, necessários. E, comungando, pedagogicamente com o Escritor e Moralista francês, François, Duque de LA ROCHEFOUCAUD (1613-1680): “On est quelquefois aussi différent de soi-même que des autres”.

Rematando, finalmente :
A) Para além do Princípio de Prazer que constitui uma dimensão fundamental da Arte de Viver em África, as suas escolhas são identicamente a Expressão de um combate contra o revés, contra a penúria, contra a miséria. Aliás, efectivamente a Mensagem é óbvia: a miséria não humilhará nem os sonhos, nem a procura insaciável de dignidade e de respeito.
B) Estamos, deste modo, ante um desejo de afirmação de Si e uma necessidade de reconhecimento da Humanidade destes Homens que se desejam Grandes nas suas Almas, a despeito dos seus minúsculos Destinos.

Lisboa, 28 Novembro 2009
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).
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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

POIS!


Governo toma medidas de apoio à construção civil.

BOA NOITE
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O QUE É QUE QUEREM?


Se não tenho inspiração, vou buscar coisas aos outros. E é assim: encontrei no blogue A Origem das Espécies estas duas fotografias fantásticas de Marylin Monroe. Lendo o meu romance preferidíssimo: “ULYSSES”, de James Joyce.
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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

NEM MAIS!

Francisco José Viegas, falando do passado de actores deste presente crítico que atravessamos, desarrincou hoje uma posta interessantíssima (leiam, leiam) que termina com uma frase que eu gostaria muito de ter escrito:

«Chegámos a um ponto em que vemos a república devorada pelas tropas ocupantes, por gente menor, por funcionários de cozinha.» [...]

Ai se eu gostaria!...
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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

GANHE AGORA! GANHE AGORA!

Oferece-se o livro “O PARADOXO DO ORNITORRINCO”, da autoria de José Pacheco Pereira, ao primeiro leitor que nos enviar um email com resposta certa à seguinte pergunta:

Qual é o blogue, qual é ele, que já publicou, só no corrente ano, 12.958 fotografias de um mesmo banco de jardim cuja missão é “ver passar o tempo”?


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ELOCUBRAÇÃO DÉCIMA QUARTA:

Nota Prévia:
Comer, jamais foi um acto trivial ou desprovido
De significação. Desde sempre e, em todos os
Lugares, o Ser Humano conferiu, sempre a esta
Necessidade fisiológica uma importância simbólica
E uma significação, quase metafísica.
Vector de interacção social, concomitantemente quadro de
Redefinição e de validação das identidades individuais e
Colectivas, o Acto de comer
Assumiu, sempre o ensejo para as famílias e os
Grupos Sociais permutar sinais de convivência,
Modos de descodificação das conexões de força
Sobre a Ordem Social em vigor.
Este Acto assume, evidentemente uma significação particular
Nas regiões, onde reinam a fome e a pobreza.
Nesses casos, as escolhas alimentares e a forma
Como são vividas e assumidas, tornam um luxo
Que não se pode ofertar sempre.
Identicamente, a recusa de comer ou auto-privação em
Relação a certos alimentos veicula,
Identicamente diversas cosmogonias e éticas sociais.

(A)
Em África, onde milhões de pessoas dormem esfomeados, todos os dias, para os Africanos comer, não é unicamente um imperativo biológico. Na verdade, nestes países em que a fome domina o imaginário, comer constitui, um momento de libertação e prazer. Comer é, identicamente uma forma de partilhar das técnicas de valorização do Si, isto é, de uma ordenação e de uma negociação da relação consigo próprio e com os outros. É, por conseguinte, no fim de conta, um modo socialmente instituído do conhecimento de Si, uma formulação da subjectividade. Para além de mera concupiscência, o Acto de comer pode, por conseguinte, se analisar como um destes afrodisíacos (actos, gestos, contactos que proporciona prazer) que procuravam os Gregos e os Romanos.

(B)
Os lugares e os rituais de alimentação são, outrossim, reveladores da Ética das Civilizações. Comer pode, deste modo assumir uma forma intimista e privada que permite ao Chefe de família estruturar o diálogo e a relação no seio do Lar (homem/mulher, pais/filhos, etc.). Pode, outrossim, assumir uma forma semi-privada que oferece aos membros de um Grupo Social o ensejo de interagir sobre assuntos triviais ou delicados e graves, porém, numa atmosfera simples, temperada pela organização do diálogo, em torno de um ritual de refeição e de bebidas, especialmente preparado para modelar as tensões.
Pode, enfim, se enunciar, numa forma pública em que o Acto de Comer se transforma em verdadeiro banquete, em que o que se consome verdadeiramente tem menos importância que o próprio simbolismo da refeição em si, da qualidade da mesma, da identidade e a posição social dos convivas, da solenidade do lugar, a seriedade do ambiente, do tipo de música que enfeita estes momentos, etc.

(C)
Na sua contribuição para L’Historire de la vie privée en Ocident (1985), o arqueólogo e historiador francês, especialista em história da Antiguidade Romana, Paul Marie VEYNE (n-1930) lembra, aliás, que do tempo do Império Romano, o banquete era considerada uma cerimónia de civilidade e polidez.
Ou seja: Constituía a circunstância ou situação em que o homem (em privado) degusta o que é e o patenteia aos seus pares. Demais, neste particular, exara assertivamente o insigne historiador, nos termos seguintes:
“Le banquet était beaucoup plus qu’un banquet, et les vues générales, sujets élevés et récapitulations de soi-même y étaient attendues ; si le maître de maison a un philosophe domestique ou un précepteur de ses enfants, il lui fera prendre la parole ; les intermèdes de musique (avec danses et chants), exécutés par des professionnels dont on a loué les services, pourront rehausser la fête. Le banquet est une manifestation sociale autant et plus qu’un plaisir de beuverie… ».
Donde e daí, o banquete serve, por conseguinte, concomitantemente para se afirmar em privado, no espaço familiar ou pessoal, dado que oferece uma oportunidade ao homem público para se definir ante (aos olhos) dos seus semelhantes.

(D)
Com efeito, a mística do consumo alimentar se encontra, frequentemente, vinculada à assimilação do deficit de dignidade que se ressente e à afirmação identitária: individual e colectiva. Por outro, os estudos empíricos consagrados às decisões de consumo, em diversas regiões do Mundo o corroboram: os hábitos de consumo mudam com o incremento do rendimento e traduzem uma certa preocupação de Si. De facto, mais uma Sociedade se enriquece, mais as populações consomem mais nutrimentos e mais, mudam, outrossim, as fontes de nutrimentos.
Afigura-se pertinente, referir que estimativas económicas da procura de alimento e de nutrimentos nas zonas rurais da China mostram, por exemplo, que a afectação das despesas alimentares muda hiperbolicamente à medida que os rendimentos dos Lares aumentam.
Eis porque, no âmbito desta dinâmica, a importância nutricional dos cereais diminui progressivamente a favor de produtos alimentares mais dispendiosos como a carne.
Aliás e, por outro, idêntica Evolução dos gostos e das preferências alimentares é, outrossim, observada na Índia, onde Estudos revelam que as Populações abandonam o consumo de cereais a favor do consumo de produtos lácteos e de carne, à medida que se eleva o seu nível de vida.

(E)
O nutricionista e o economista podem se deter, obviamente sobre estas verificações, por motivos, assaz pertinentes. Por seu turno, devem tentar descobrir nisso as significações e as grelhas éticas que se enunciam por detrás da estética da mesa. Obviamente, as mudanças observadas na estrutura das despesas alimentares não reflectem unicamente o incremento do nível de vida. Correspondem, outrossim, à uma evolução geral dos hábitos alimentares através do Mundo e, consequentemente de todas as classes sociais somadas.
DESTARTE, a uniformização das ementas e das formas de mesa que se pode verificar, segundo o ritmo de aumento do número de restaurantes MacDonalds através do Planeta traduz, por conseguinte, pelo menos, parcialmente esta Ocidentalização geral do gosto e da Cultura. Todavia, para além das considerações sociológicas, as escolhas alimentares são, fundamentalmente vectores de sentido.

(F)
Nas regiões do Mundo, onde as mutações da penúria alimentar constituem fontes de humilhação quotidiana, o que se come, assume, frequentemente o estatuto de um poderoso vector de identidade e um símbolo de Poder.
Fala-se, hodiernamente, deste modo, de “Política do ventre” para designar a percepção, no subconsciente colectivo, das estratégias individuais de acumulação e de posicionamento social, dos modos de acesso às instâncias de dominação (por conseguinte, de Legitimação de Si).
Sim, efectivamente, o que se come participa, por conseguinte, de uma Cultura de Poder e exprime um ÊTHOS da generosidade, simultaneamente, como um ritual de pertença, no âmbito de uma Rede relacional.

Lisboa, 24 Novembro 2009
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).
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terça-feira, 24 de novembro de 2009

PORQUE SERÁ?


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"SURFANDO" A MESMA ONDA


«Tive uma conversa com o jogador e o homem
e este último disse-me
que podia contar com o primeiro.»
[Álvaro Magalhães, treinador do GD Chaves.
O jogador e o homem chamavam-se Denis Putnik.]
A Bola, 31 de Janeiro de 1998

Talvez eu seja parvo e goste de coisas execráveis; mas frases como esta divertem-me tanto quanto me fazem ficar admirado com as capacidades intelectuais de quem as produz.

Acho que frases destas provam cabalmente que a mente humana tanto pode funcionar num sentido como em sentido contrário. Harmoniosamente. Não havendo diferença nenhuma entre um pateta e um sábio.

Não sei se me fiz entender; mas é que tentei (e não sei se consegui) ir na mesma onda deles para testar a minha capacidade para a asneira.

Se me saí bem (quero dizer, mal) desta, fico contentinho.

Por vezes adoro a parvoíce. Quando não é o tempo todo.
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É MACHISTA E É FEMINISTA

NÃO SE APLICA AOS HOMOSSEXUAIS


Querem ver que os “casais” homossexuais qualquer dia vão querer o direito de se enquadrarem em brincadeiras como esta!

E de se chamar pai a um e mãe a outro; ou pai a uma e mãe a outra!?

Admirem-se!

BOM DIA.
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