domingo, 15 de novembro de 2009

CONSTATAÇÕES 1


Já não há crianças semi-vestidas e/ou de barriga inchada na Ilha do Fogo.

Andei por muito lado e por várias vezes passei por grupos de crianças indo ou regressando da escola no interior da ilha: todas aparentemente bem nutridas, todas calçadas, todas limpamente vestidas e cuidadas, muitas com fitas coloridas nos cabelos.

Fez-me lembrar a descrição idílica do Portugal rural de Salazar: o desenho de crianças alegres e bem vestidas, a caminho da escola, retratando a vida rural portuguesa nos livros de texto escolares da época. Mas a diferença, aqui, é que, no Fogo não é fantasia: no Fogo é mesmo verdade.
.

ELOCUBRAÇÃO DÉCIMA PRIMEIRA:

POSTA SEGUNDA

(3)
O Estatuto de Potência Emergente que a África do Sul conseguiu construir, desde o fim da década de 1990, já não é posto em causa à escala internacional. Os Países do BRIC a reconhecem como tal e as grandes potências a consideram como um parceiro estratégico, um estatuto do qual pouquíssimos países podem se aproveitar, tirando partido adequadamente.
Todavia, de sublinhar, efectivamente, a África do Sul é a mais débil de entre estas novas potências emergentes. Explicitando, apropriadamente:
A) Ao nível económico, territorial ou demográfico, o conjunto dos elementos, enformando o “soft power”, o País está muito longe, atrás dos seus parceiros do 20 (G20).
B) No que diz respeito, à potência militar, o retrato é idêntico, visto que a África do Sul é um “anão” ao nível internacional, a despeito da presença, no país, de uma Indústria do armamento que, ainda, presentemente, gera importantes repercussões comerciais. Na realidade, Pretória não possui os recursos, lhe permitindo estabelecer o seu estatuto de potência emergente, de modo autónomo, como conseguiram a edificá-lo a China e a Rússia, duas potências nucleares, com assento no Conselho de Segurança da ONU, ou ainda, o Brasil e a Índia, dois gigantes cujo o peso é determinante à escala Mundial, a despeito das dificuldades que conhecem estes dois países, quando se trata de assegurar a gestão do seu espaço regional.

(4)
A África do Sul é uma potência emergente porque aproveita de um estatuto de potência Regional. À escala Continental, o peso económico da RSA é apreciável e as suas capacidades militares fazem dela um Actor incontornável no que diz respeito aos reptos, no âmbito da Segurança tradicional.
Por outro, a sua participação no BRICSAM não se encontra vinculada ao seu estatuto no seio do Sistema Internacional, que não lhe permite agregar suficientemente de potências. Pretória é membro do BRICSAM e da IBSA, fundamentalmente porque se trata do principal leader do Continente Africano.
Enfim, de consignar, que a chegada recente da África do Sul no seio da Southern African Developpement comunity (SADC) assenta em idênticos objectivos e constitui o Terceiro eixo do Grande Projecto Africano apoiado por Pretória.

(5)
Sem sombra de dúvida, na verdade, a RSA é uma Potência emergente porque aproveita do Apoio das Grandes Potências Mundiais. A África do Sul é um Estado pivot para os USA e um parceiro para a União Europeia (EU). Para as potências regionais, estes estatutos particulares constituem referência à manutenção da Ordem no seu espaço imediato com o apoio das grandes potências. É, sem dúvida, porquê a manutenção de elos/vínculos de natureza diplomática e comercial com os USA e a EU constituiu desde meados da década de 1990, um elemento fundamental da estratégia Internacional de Pretória.
Donde, evidentemente, afim de estabelecer o seu Estatuto de Potência emergente, a África do Sul deve privilegiar as conexões que mantém com as Grandes Potências económicas, parceiros incontornáveis no domínio da protecção dos interesses nacionais à escala regional e multilateral.

(6)
Todavia, Pretória adoptou um estatuto de potência emergente no seu discurso e na sua política estrangeira, porém o seu estatuto de potência regional é contestado à escala do Continente Africano.
O activismo sul-africano gera muita inquietação, visto o discurso de Pretória não está sempre em consonância com as suas intervenções à escala regional e multilateral. A despeito de numerosas tomadas de posição, favorecendo a resolução dos conflitos e a pacificação da África Austral, Pretória relançou a produção e a venda de armas na região o que lhe fez perder bastante credibilidade junto dos seus parceiros regionais que receiam o retorno do sub imperialismo sul-africano que, durante o Apartheid, provocara importantes tensões regionais.
Finalmente, no plano económico, a liberalização dos mercados africanos via aplicação do NEPAD (“Nova parceria para o desenvolvimento da África”) e a transformação da SADC em zona de livre troca, dos projectos apoiados pela África do Sul, levam alguns observadores a acreditar se tratar de meios susceptíveis de facilitar a conquista do Continente pelos grandes conglomerados sul-africanos antes que os fundamentos de uma nova zona de prosperidade partilhada. Eis porque, a África do Sul deve privilegiar o Sistema multilateral, visto que é o único lugar, onde ela consegue obter uma certa e determinada influência. Demais, de sublinhar, que é neste contexto particular que deve ser recolocada a famigerada “estratégia da borboleta”, ferro de lança da nova política externa, assim como os acordos comerciais negociados com as grandes Potências Económicas.

Lisboa, 15 Outubro 2009
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).
.

ANTES A DENGUE

Não sei explicar isto, mas estou quase convencido de que o “Benfiquismo” é uma doença.

Constatei pessoalmente o seguinte, na remota ilha do Fogo, em Cabo Verde:

Entre oito a doze pessoas costumam deslocar-se a um restaurante com antena parabólica e canais Sportv para verem um jogo do Sporting ou do Porto;

Num dia em que havia a transmissão de um jogo do Benfica...

Mais de duzentas pessoas encheram tudo que era espaço (algumas praticamente estavam ao colo de outras) para verem o Benfica jogar!

Agora pergunto:

E aqui em Portugal, a coisa é diferente??
.

E DEPOIS ADMIREM-SE

Um mês fora de Portugal; vivendo entre o campo e a cidade Vila de S. Filipe; atarefadíssimo e preocupado com um caso de doença séria de um familiar; não tive notícias da «Piolheira» durante todo esse tempo.

Chego a Lisboa e encontro um País mergulhado numa confusão dos diabos (confusão a que já estava habituado, mas que, devido ao seu agravamento e crescimento, tenho agora que «esmiuçar» primeiro para tentar compreender minimamente o que se passa); uma sopa da pedra tendo a Justiça, a Política e os Negócios ― os seus intérpretes, entenda-se ― (com os média de permeio) como elementos fundamentais ebulindo frenética e loucamente a caminho da evaporação: a caminho de um fim trágico, pois que, da diluição do Estado à evaporação do mesmo, sempre se preferiria o primeiro, creio.

Claro que tudo isto é velho e vem de há muito; mas o testemunho que quero dar após um mês de ausência sem notícias, é que a coisa agravou-se muito nesse mesinho, e talvez esteja a acontecer na sociedade portuguesa aquilo que acontece connosco quando vendo-nos ao espelho todos os dias não notamos o ritmo do nosso envelhecimento e ficamos espantados quando alguém que não nos vê há algum tempo nos diz: ― “Estás muito mais velho, pá” ―.

Pois é! Vai-se deixando esta coisa, este ambiente político-social, evoluir no sentido da degradação em que caminha, e daqui a mais um tempinho alguém de fora (a União Europeia? A Espanha?) vem até cá e diz à malta:

― “Olhem, meus amigos, isto aqui já não é país já não é nada. É uma choldra. Vamos tomar conta disto a ver se o endireitamos ao menos até à decência, OK!” ―.

BOM DIA!
.

sábado, 14 de novembro de 2009

ELOCUBRAÇÃO DÉCIMA PRIMEIRA:

“Ser culto es el único modo de ser libre”
José MARTÍ (1853-1895)

You can…
We can…
Bararack OBAMA
Posta primeira:
Nota preliminar:

Como as demais outras Potências emergentes que aparecem no hemisfério Sul, a República da África do Sul aproveita de um Sistema Internacional que tende, cada vez mais e mais, para a multi-polaridade e se assevera portadora dos interesses do Mundo em desenvolvimento.
A chegada ao Poder do “African National Congree” (ANC), na década de 1990 (na sequência do estabelecimento da Democracia não racial em Abril de 1994) e, sobretudo, na sequência do complexo processo conducente à Libertação do seu chefe histórico, Nelson MANDELA permitirá estabelecer um corte nítido entre o antigo regímen branco racista e o novo, democrático, edificado no reconhecimento pleno e integral dos Direitos Humanos.
Em seguida, o Projecto de Renascimento Africano de THABO MBEKI favorecerá a reconciliação e a prossecução de objectivos continentais na base de um discurso africanista e anti-imperialista. O contexto era particularmente favorável à “produção” de um discurso susceptível de favorecer os interesses dos “Países do Sul” e de uma política estrangeira “progressista”, assentado sobre apostas, no âmbito de Solidariedade e de desenvolvimento Internacional.

Todavia, a acção internacional da África do Sul assenta em alguns Princípios que correspondem perfeitamente à Ordem Liberal do pós-guerra-fria. A despeito de grandes projectos mobilizadores destinados aos parceiros regionais e uma referência constante às necessidades do desenvolvimento, Pretória parece, cada vez mais e mais, guiada por dois (2) objectivos:
---A expansão regional do capitalismo sul-africano
---E o seu reconhecimento respectivo na qualidade de potência emergente, no âmbito multilateral.
Eis porque, a manutenção de vínculos de natureza diplomática e comercial com USA e a União Europeia (EU) e a participação activa nas coligações das Potências do Sul (BRICSAM e IBSA) constituíram desde o início dos anos 2000 elementos fundamentais da estratégia Internacional de Pretória, a despeito do aspecto contraditório que disso emana. De feito, a formação da IBSA em 2003, a assinatura de um acordo de parceria estratégico com a EU, na Primavera de 2007 e a prossecução das negociações comerciais com os USA são tantas etapas fundamentais na construção por Pretória de um estatuto de Potência emergente. E isto tanto mais, que não se afigura garantido suportar um estatuto de potência regional durante bastante tempo.
De sublinhar, com ênfase que, na realidade, a África do Sul necessita de um apoio diplomático constante ao nível multilateral, porquanto a gestão do dossier continental é bastante difícil. A este nível, é óbvio que Pretória é absolutamente incapaz de fazer aceitar as suas regras no seu espaço geopolítico imediato, sem falar do Continente, onde o Estado Sul-africano não consegue utilizar os seus recursos de poder, de modo a exercer a sua influência. Eis porque, a África do Sul deve absolutamente privilegiar as conexões que mantém com os grandes Actores económicos para estabelecer o seu estatuto de Potência emergente. São parceiros incontornáveis e, sobretudo, necessários para a projecção dos interesses nacionais à escala regional e multilateral.


Elucidação pertinente e oportuna:
---BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China).
---BRICSAM: Do inglês, Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, membros da ASEAN e México.
---ASEAN (do inglês, Associação de Nações do Sudoeste da Ásia). É formada por dez (10) países, designadamente: Brunei, Cambodja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Miamar, Tailândia, Singapura e Vietname.
---Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul:
O Fórum IBAS – o IBSA – é a sigla para a Índia-Brasil-África do Sul (em português “IBAS”) e Índia-Brasil-South Africa (em inglês “IBSA”). Trata-se de uma iniciativa desenvolvida pela Índia, Brasil e África do Sul para promover a cooperação entre si e com os Países Sul-Sul.
De anotar, enfim, que a partir do Encontro realizado em Junho de 2003 (Brasília), foi lançado o Fórum de Diálogo IBAS (ou IBSA), tendo-se adoptado a “Declaração de Brasília” como o marco fundamental para a existência desse Fórum.

(1)
Associado, muito tempo, à ideia de um Estado pária na Cena Internacional e vítima de uma campanha, visando derrubar o regímen do Apartheid, o estatuto da África do Sul foi radicalmente transformado desde o início da década de 1990.
Na verdade, a República da África do Sul (RSA) é actualmente considerada como o principal leader do Continente Africano e gere uma agenda multilateral complexa, visando construir uma rede de conexões internacionais doutamente articuladas a partir da qual foram reformuladas os eixos da política estrangeira nacional.
Dois factores foram determinantes neste sentido:
--- Por um lado, a chegada ao poder em 1994 do “African National Congress” (ANC) e sobretudo de Nelson MANDELA, o seu chefe histórico intimamente vinculado à luta contra o Apartheid. Com efeito, a sua estatura internacional permitiu a política estrangeira sul-africana obter mais credibilidade e ganhar consideravelmente, em termos de influência, à escala global.
--- Por outro, o fim da “guerra-fria”, transformou provavelmente as conexões de força no seio do sistema internacional, fazendo convergir as estratégias dos principais actores nacionais. Estes estão reconciliados, no quadro de uma política estrangeira activa, visando modificar, de forma radical, o estatuto internacional da África do Sul.

(2)
Estas Evoluções, assaz importantes, no âmbito das cenas Internacional e Nacional, deitaram verdadeiramente, as bases que permitiram à Pretória adoptar um estatuto de Potência emergente no seu discurso e na sua política estrangeira no fim da década de 1990 e, mais especificamente com a chegada ao Poder de Thabo MBEKI, antigo responsável das relações internacionais do ANC, no exílio. O activismo diplomático sul-africano se exprimiu, primeiramente no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) quando o país se alia com outras potências emergentes, aquando dos primeiros Encontros do Ciclo de DOHA, que teve lugar em 2001, com a intenção declarada de tornar as regras de Comércio mais livres para os Países em Desenvolvimento.

Nota: DOHA é a Capital e principal Cidade do Reino de QATAR (também, se escreve Catar e mais raramente, QUATAR ou KATAR), sendo, por seu turno, QATAR, País da Península Arábica.

Todavia, o momento chave ocorre em 2003, aquando do anúncio da formação da IBSA, tríade que a África do Sul forma com o Brasil e a Índia, duas outras potências emergentes cujas as agendas internacionais são similares, sobre vários pontos.
E, aproveitando um contexto favorável, alguns meses mais tarde, Pretória lança a sua famosa estratégia da borboleta a partir da qual se precisa mais a política estrangeira. No quadro desta nova estratégia, visando construir o seu estatuto de potência emergente, se espera a que a borboleta sul-africana… abre as suas grandes asas. A primeira deveria recobrir o Atlântico Sul e encontrar o Brasil, o seu aliado americano, enquanto a outra poderia se estender até à Índia, o seu parceiro asiático e cobrir a região do Oceano Índico, um dos espaços considerados prioritários pela diplomacia sul-africana.
Enfim, para os responsáveis desta nova estratégia internacional, o corpo desta enorme borboleta é constituído pelo Continente Africano, principal ancoragem da estratégia de potência nacional no contexto do pós-guerra fria. O discurso presidencial que acompanha esta nova estratégia é resolutamente africanista, anti-imperialista e integra referências directas no atinente à cooperação Sul-Sul.
Continua…

Lisboa, 12 Outubro 2009
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista – Cidadão do Mundo).
.

OLHA! O PAPÁ CHEGOU!


Motivo de força MAORÍSSIMA obrigou-me a uma ausência súbita e prolongada na Ilha do Fogo, Cabo Verde; sem tempo, mas também sem acesso seguro e estável à Net que me permitisse alertar de lá os meus amigos leitores para o facto.

Nem que usasse agora todas as palavras do dicionário conseguiria desculpar-me convenientemente desta falta, sobretudo para com Kwame Condé de quem ficou em banho-maria uma “Elucubração” há quase um mês. Fica aqui a minha penitência pelo sucedido.
.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O SEGURO DE VIDA


Santana Lopes é, hoje por hoje, o melhor seguro de vida para as maiorias absolutas do PS.

É só ele concorrer a eleições para a gente ir lá toda de caneta afiada, e (alguns como eu), tapando o símbolo socialista com a mão esquerda, botar a cruzinha na quadrícula respectiva a ver se o gajo vai para casa de vez.

MAS QUE MELGA!...
.

O QUE ELES INVENTAM!...

Essa coisa dos 11.500 eleitores CDU manipulados pelo PCP para votarem António Costa para Presidente de Câmara, e votarem CDU para Assembleia de Freguesia, é um delírio tão ridículo quão risível.

Eu próprio votei assim e disse-o subentendidamente aqui em baixo ainda a votação ia no adro.

Enquanto a Direita achar que o eleitor (ainda por cima lisboeta) é estúpido e manipulável, vai continuar a perder Lisboa e o País.
.

domingo, 11 de outubro de 2009

JÁ VOTEI

Foi logo de manhãzinha.

Vinha de regresso do trabalho nocturno, parei à porta da assembleia de voto e votei no futuro presidente da câmara.

Tive o cuidado de lhe dar maioria na Assembleia Municipal para poder fazer passar o orçamento e as propostas sem ter que andar a esbanjar dinheiro em negociações com a oposição;

Mas alterei o sentido do meu voto no que à Assembleia de Freguesia diz respeito: aí votei no partido do Sr. Domingos que é um gajo porreiro, que é do Sporting, que manda limpar e arranjar a minha e nossa rua, e que de vez em quando, depois de dois copos bem bebidos na tasca do ti Manel, me costuma dizer: «Olha lá, isto é tudo uma g'anda choldra. O único que não tem jeito p'rá a trafulhice sou eu!»
.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

FRAGMENTOS DE HOJE E DE ONTEM

1) Pacheco Pereira, o PSD e o poder da «sereia»:

«O canto de sereia de um PS enfraquecido, mas legitimado pela vitória eleitoral, soa nestes dias cada vez mais alto e, por todo o lado, os navios deslumbrados encaminham-se para as rochas. Só Ulisses escapará, tapando os ouvidos aos seus marinheiros e amarrando-se ao mastro e, mesmo assim, só a força das cordas o mantém longe da feiticeira.»
[...]
«Outra forma de atracção é, estando enfraquecido, fazer chantagem para que seja de outros o ónus da sua própria fraqueza. Pretende-se apenas dar lugares e prebendas, e manter intacto o poder que os eleitores enfraqueceram. E, sendo as coisas o que são, sendo os homens o que são, sendo Portugal o que é, como os bens são escassos e a fome é muita, as sereias cantam sempre muito alto.»

2) Outdoor de Santana Lopes no nó da Buraca em Lisboa: Promete:

«Acabar com o caos no trânsito em Lisboa».

3) José Rodrigues Miguéis, Escola do Paraíso, p. 376, Citado no Dicionário da Academia, pg.1301:

«Apesar de simpático é um doidivanas, não se pode contar com ele para coisas sérias, “não posso meter uma rapariga que me ajude [...], porque o doidivanas anda sempre a cheirar atrás de saias, capaz de dar uma cabeçada!”»

Ah! É verdade!: Não se esqueçam que no próximo domingo há eleições autárquicas em Portugal.
.

ELOCUBRAÇÃO DÉCIMA:

“Ser culto es el único modo de ser libre”
José MARTÍ (1853-1895)
“La Chine est une maladive géant de sommeil .Mais quand elle se réveille le monde tremblera »
Napoléon Bonaparte

Acerca do Advento das Potências Emergentes:

Nota Prévia:

Desde alguns anos, um número crescente de Países,
Oriundos do Sul, assumem como “vencedores” da
Globalização. É o caso da África do Sul, do Brasil,
Da China, da Índia ou do México. Enquanto outros,
À semelhança da Rússia, parecem confirmar o seu
Retorno como potência política de vocação planetária.
De feito, estes países ditos do “BRICSAM” aparecem
Como Actores mais influentes e portadores de um
Potencial de desenvolvimento económico e social,
Permitindo-lhes uma competência conducente à uma
Transformação radical do estado do Mundo e das
Conexões de forças, na arena política e económica
Mundial. Desde então, o progresso e desenvolvimento
Respectivo de novas potências coloca a questão da
Multi-polaridade da Ordem Mundial.

(A)
A despeito da supremacia militar dos USA, no Mundo e o seu domínio, no âmbito da estrutura da Segurança Internacional, as intervenções armadas no Afeganistão e no Iraque ocasionaram um custo económico, político e militar avultado para a potência norte-americana. Na verdade, os atolamentos Iraquiano e Afeganistão mostraram os limites do poder de coerção norte-americano, como instrumento de regulamentação dos diferendos.
A sua liderança intelectual e moral se enfraqueceram, afectando a forma de domínio, em parte, consentido do qual desfrutaram desde à orla do decénio 2000. O regímen de crescimento e da acumulação inspirado na lógica do endividamento acabou por mergulhar a economia norte-americana na recessão, a mais longa, que tenha conhecido desde o Pós-Guerra o que, numa economia globalizada não faltou de afectar (conquanto em níveis dissemelhantes), a grande maioria das economias nacionais do Planeta. Esta crise abre uma brecha no modelo neo-liberal oriundo do Capitalismo norte-americano, que, no decurso dos trinta últimos anos tem, em graus diversos, servido de referência, tanto para os países industrializados como os em desenvolvimento.

(B)
Demais, a economia norte-americana, assim como a dos outros da tríade, que representavam até ao início dos anos de 1990, o fundamental do comércio, da produção, das transacções financeiras e das inovações científicas mundiais, devem, cada vez mais e mais confiar na concorrência crescente de países apostados, desde um determinado número de anos (até para alguns, decénios) na construção ou na reabilitação do seu estatuto de potência. A escalada em força da China, o retorno em força da Rússia, a afirmação da Índia ou do Brasil nos negócios internacionais parecem augurar uma transformação do estado do Mundo e das conexões de forças internacionais. Alguns se afirmam, como agiotas para as potências industriais, investidores no estrangeiro e/ou leaders em domínios chaves do Comércio Mundial (energia, agricultura, serviços, produtos manufacturados e/ou têxtil). Estão presentes como os “vencedores” da globalização do futuro.

(C)
Os círculos diplomáticos e financeiros assumiram como de costume reagrupar estes países sob o conceito comum de “BRIC” na sequência de um relatório prospectivo realizado no ano de 2003, pelo banco de Investimento Goldman Sachs. Este Estudo, que coloca o acento nos factores tangíveis da Potência, qualifica os BRIC de “Países emergentes”, pelo facto de possuírem, em comum, uma extensão territorial, uma densidade demográfica importante, abundantes recursos naturais, taxas de crescimento elevadas e uma participação activa no Comércio Mundial.
Sim, efectivamente, visto que as suas economias se encontram, num processo de desenvolvimento acelerado ao ponto que no ano de 2040, o PIB total dos países do BRIC deveria igualar o dos Estados Unidos da América do Norte, do Japão, do Reino Unido, da Alemanha, da França e da Itália. Actualmente, este círculo de potências ascendentes se alargou a outros países, tais como a África do Sul ou o México, o que deu origem ao acrónimo (vocábulo constituído pelas primeiras letras dos vocábulos componentes de uma expressão complexa), como dizíamos, “BRICSAM”, porém, sem realidade formal.
De sublinhar que, no fundo, o conceito de país emergente se inscreve na esteira e peugada do de “Mercado emergente”, preconizado pelo sector da finança Mundial, nos anos de 1980 para designar países em desenvolvimento, de crescimento acelerado e apresentando oportunidades de investimentos para as empresas do Norte.
E, como elucidação pertinente e oportuna, temos que: BRIC é um acrónimo criado em Novembro de 2001, pelo economista inglês, Jim O’NEILL, chefe de pesquisa em Economia global do grupo financeiro GOLDMAN SACHS, para designar, no relatório “Bulding Better Global Economic BRICS”, os quatro (4) principais “Países emergentes” do Mundo: Brasil, Rússia, Índia e China.

(D)
Este género de conexões tem o mérito de chamar a atenção do observador cientista para um fenómeno social, que até presentemente, tem sobretudo sido revezado pelas análises do mundo das médias. Todavia, a démarche analítica privilegiada não evita o escolho do pressuposto. Considera que o robusto potencial de desenvolvimento económico dos Países emergentes depõe a favor da multi-polaridade crescente da Ordem Mundial. Esta percepção, que reflecte a concepção dominante, no âmbito do Estudo dos Países emergentes, se desmarca, tanto por um determinismo dos factores materiais, como por um estatismo analítico.
Donde, em outros termos, o peso demográfico, territorial, económico, comercial…não significa necessariamente uma fonte de potência e nova configuração das conexões, política e económica internacional. É necessário, ainda que estes dissemelhantes elementos sejam mobilizados, de forma consciente e sistemático pelos Actores supracitados, com o objectivo de produzir influência e poder político.

Com efeito, no âmbito desta dinâmica, um Estado é considerado potente quando consegue combinar factores tangíveis e intangíveis. A potência não se define, por conseguinte, unicamente através dos “recursos militares”, tais como o peso económico ou a força militar, outrossim, através da capacidade de um Actor em se afirmar como uma referência, susceptível de mobilizar recursos materiais, tais como, a ideologia, as instituições ou a Cultura.

Finalmente, um outro elemento não quantificável, porém fundamental no Estudo da construção do Estatuto de Potência, mantém na representação. E, para melhor dizer (em outras palavras), se afigura, assaz essencial se interessar na imagem que o País se fez de si próprio e que procura veicular na cena Internacional. Enfim e, em suma: o reconhecimento deve identicamente entrar em linha de conta. Efectivamente, o Estatuto de potência de um País se constrói identicamente em função do reconhecimento exterior.

Lisboa, 06 Outubro 2009
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).
.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

ELOCUBRAÇÃO NONA:

“Ser culto es el único modo de ser libre”.
José MARTÍ (1853-1895)

“Le vent qui souffle sur l’Afrique n’est pas un vent ordinaire, c’est un ouragan ».
SENGHOR

(I)
Se nos vincularmos, apenas e meramente ao seu desenvolvimento efectivo, a descolonização releva de um processo ininterrupto, remontando à partir do longínquo Ano de 1945, amadurecido e sazonado por um conjunto de factores cumulativos, relativamente indiferentes às flutuações da bipolarização Leste/Oeste.
Todavia, é, assaz evidente que, no âmbito da dinâmica enformadora do elo encadeamento/concatenação ou mimetismo, a Independência de uma colónia chama outras, no seio de um mesmo conjunto regional, ulteriormente, de um Continente para outro. Explicitando:
--- Foi, deste modo, que a Independência da Índia desemboca logicamente na de Ceilão e da Birmânia, indirectamente, em seguida na da Indonésia; e
--- Que, por seu turno, a França não pôde recusar à Tunísia o que acabava de acordar à Marrocos;
--- E que a Independência dos seus dois protectorados encoraja o nacionalismo argelino a reivindicar um tratamento análogo.
Enfim e, em suma: Identicamente, vai acontecer na África negra, onde a Independência do Gana (1957) e da Guiné Conacri (1958) abre a “caixa de Pandora” de uma descolonização, em cadeia, muito mais rápida do que prevista.

(II)
A despeito de, à parte as sobreposições, uma periodização não é impossível, o que não deixa, de se afigurar, oportuna e, quão pertinente, pois que elucida, em substância, acerca do contexto internacional da descolonização, outorgando todo o seu peso ao Evento/Acontecimento, em análise e estudo.
Donde e daí:
- Uma primeira fase se abre ao sair da Segunda Guerra Mundial e se encerra, com a Conferência de Genebra, no ano de 1945, dominada pela Independência das possessões asiáticas, prioridade que se explica pela maturidade dos partidos nacionalistas, fortalecidos para alguns pelos efeitos da Ocupação Japonesa. E, na sequência e, como corolário lógico as coisas principiam a se precipitar. Eis, então, que:
--- A Grã-Bretanha abre a via, acedendo, sem resistir (sem lutar), à reivindicação da Independência da Índia e das suas margens respectivas.
--- A despeito das resistências do Governo de Haia, a da Indonésia segue de muito perto, activada por uma robusta pressão internacional.
Prosseguindo, temos que: Dien Bien Phu (1954), a conferência de Bandung (1955) e a expedição de Suez (1956), três (3) Eventos/Acontecimentos que significam o recuo do colonialismo europeu e cuja a repercussão foi considerável, abrem, deste modo, uma Segunda fase enquadrada pela Independência dos protectorados franceses do Magrebe (1956) e o fim da Guerra de Argélia (1962).

E, entrementes, a Independência do Gana (1957), desencadeia uma primeira fase das Independências africanas, acordadas na precipitação pela Bélgica, com mais ponderação pela França e a Grã-Bretanha. Donde, se pode asseverar, que com a Independência de dezassete (17) países, o Ano de 1960 pode ser, de forma justa, proclamado como o “Ano da África”.

Todavia e, sem embargo, uma nova cesura (corte) intervém, no princípio dos anos sessenta do século XX passado, com o início do neo-alinhamento (conferência de Belgrado, 1961), a criação do Comité de descolonização, no âmbito da ONU (1961) e a da Organização dos Estados Africanos (1963).
Deste modo, de sublinhar, que doravante, a descolonização passa a assumir, menos um assunto de relações bilaterais que de solidariedade entre colonizados e mesmo, numa certa medida, entre países colonizadores. Se inscreve, deste molde, num alargamento dos seus Actores (o Terceiro Mundo, as Grandes Potências) e das suas apostas respectivas (o Apartheid, a Nova Ordem Económica Mundial). Dizia respeito, como ponto principal, a África lusa e os bastiões brancos da Rodésia e da África do Sul e assume a forma de guerras de Libertação longas e mortíferas, complicadas pela intervenção dos Estados vizinhos e pelo activismo das grandes potências.
Enfim, esta fase só termina, nos anos de 1975-1980, mesmo se a Namíbia só acede à Independência em 1990 graças ao aniquilamento do Apartheid, na África do Sul.

Lisboa, 02 Outubro 2009
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).
.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

ELOCUBRAÇÃO OITAVA:

“Ser culto es el único modo de ser libre”
José MARTÍ (1853-1895)

“L’heure de nous-même est venue”, Aimé CÉSAIRE (1913-2008), in Lettre à Maurice Thorez, Paris 1956.

Na verdade e, na realidade é já clássico, se opor a Grã-Bretanha à França.
A primeira é creditada de uma descolonização plenamente assumida, negociada e pacífica, em consonância com uma temperada lógica levada ao pragmatismo e à apreciação, sem estados de alma pelos seus interesses.
A segunda (a França, obviamente) conotada com uma descolonização, infinitamente, mais reticente e conflituosa, que explicaria a sua crispação acerca de uma concepção toda jacobina da indivisibilidade da República e da grandeza nacional.
E, entre estes dois extremos, as descolonizações “secundárias” constituiriam casos intermédios, mais próximos da Grã-Bretanha para a descolonização belga e da França, para as descolonizações holandesa e portuguesa.

Por essa razão, a emancipação das possessões britânicas não está isenta da presença de provas de força prolongadas. Eis porque, seria imprudente erigir como em modelo determinadas retiradas precipitadas, deixando, frente a frente, como nos casos da Índia ou da Palestina, populações condenadas ao afrontamento pelo apagamento da potência arbitral.
Opostamente, a França conseguiu, no âmbito dos seus mandatos e protectorados, com convulsões (é certo) a uma Independência negociada, do mesmo modo que conduziu em África negra as etapas de um descolonização pacífica.
No atinente, às duas guerras coloniais, em que se comprometeu, fazem surgir situações excepcionais às quais a Inglaterra não foi confrontada, de modo tão veemente. Ou seja: a confusão do nacionalismo e do colonialismo na Indochina e a presença na Argélia de uma comunidade europeia numerosa que nada conseguia demover em abandonar o território argelino.

Importante, consignar, que por mais esquemática que for, esta tipologia, não é menos fundamentada. Explicitando:
--- Quer na Índia, quer em África, a Grã-Bretanha soube fazer a economia das guerras prolongadas e se envidar, numa política evolutiva do Império, que já tinha dada provas com os Dominions. De anotar, que Dominion (vocábulo inglês), é o nome dado, antes de 1947, a diversas parcelas da Commonwealth, politicamente independentes, porém, unidas à Coroa por vínculos da vassalagem (Canadá, Austrália e a Nova Zelândia constituíam Dominions).
--- O mérito cabe, antes de mais, aos Trabalhistas. De feito, menos impregnados que os conservadores da mística imperial, admitiram que, tendo em conta, o enfraquecimento do país, se afigura, assaz quimérico querer conduzir, frente a frente, a construção do Estado Providência, a manutenção de um nível elevado de despesas militares e uma política de força no Império. Aliás, esta apreciação realista, era tanto mais, fundamentada, pois que a Commonwealth oferecia uma estrutura de acolhimento de colónias admitidas à Independência e em que a Metrópole podia conservar a sua influência cultural e os seus interesses económicos.
--- Eis porque, em se separando, desde 1950, a pedido da Índia e do Paquistão, da sua designação de British para apenas ser a Commonwealth of Nations, esta Organização perderia o seu carácter imperial em benefício de uma Comunidade Multiracial e Linguística de que a França não soube ofertar o equivalente.
--- O Retorno dos conservadores em 1951 coincidiu, obviamente com um endurecimento repressivo (na Malásia, no Quénia, no Chipre), porém, o malogro/fracasso da Expedição de Suez, derradeira metamorfose da política canhoneira foi melhor compreendida na Inglaterra do que em França.
--- Enfim e, em suma: É, por conseguinte, num quase consenso dos partidos políticos e da opinião pública que o gabinete do então Primeiro-Ministro, Harold MACMILLAN (1894-1983) vai assumir a partir de 1957 o fundamental da descolonização africana por pouco que sejam preparadas as transições mínimas e respeitada a representação das minorias.

E, no atinente, a França, com duas guerras coloniais e uma démarche infinitamente mais renitente, existe realmente, uma especificidade da descolonização francesa.
Não que na peugada da famigerada conferência de Brazzavile (capital da actual República do Congo, ocorrida no já remoto ano de 1944), no seu repúdio “de tout système colonial fondé sur l’arbitraire”, os constituintes de 1946 não tenham sinceramente tentado inovar.
No entanto, ao lado de algumas reformas, efectivamente, inovadoras, a décalage rapidamente aparece entre a generosidade dos princípios e o tradicionalismo das disposições constitucionais, enquanto, identicamente o diálogo mudava repentinamente de direcção na Argélia, na Indochina e em Madagáscar em benefício do recurso à força.
Exagerado no culto dos fundadores de Impérios e persuadido que a posição da França estava condicionada pela sua manutenção, ao pessoal político da IVª República faltou, salvo raríssimas excepções, perspicácia e coragem, por vícios de funcionamento do regímen cuja a instabilidade crónica impedia toda a reforma de envergadura e deixava o campo livre aos lobbies de todas a espécie.
Eis porque, a Guerra da Argélia, a tendo varrido, cabe ao General Charle de GAULLE (1890-1970), que não tinha, contudo não tinha provado, aquando da Libertação de uma grande audácia, neste domínio, de virar a página da Colonização, desde que fosse (consoante ele) do interesse da França, posição expressa, outrossim e ainda, na célebre Conferência de Imprensa, em 14 de Abril de 1961, ou seja: “La décolonisation est notre intérêt, et par coséquent notre politique”.

Lisboa, 30 Setembro 2009
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo)
.

COM BUGALHOS EM VEZ DE ALHOS

Finalmente Pacheco Pereira apareceu na blogosfera.
Para ― tal como em relação à existência das famosíssimas armas de destruição massiva no Iraque cuja inexistência nunca aceitou claramente ― falar do acessório e deixar de lado a questão mais que fundamental: o conflito institucional em que participa de corpo inteiro o Senhor Presidente da República.

Bom seria que JPP nos dissesse se concorda com a evolução deste conflito tal como concordou com a evolução da invasão do Iraque mesmo depois de se saber que todo o mundo tinha sido enganado com a pretensa existência das tais armas fantasmas que para ele, JPP, nunca deixaram de existir mesmo não existindo ou antes pelo contrário.
.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

PREOCUPANTE! MUITO PREOCUPANTE!

1) Não fiquei minimamente esclarecido ― antes pelo contrário ―, fiquei é mais confuso ainda com o que disse há pouco o Senhor Presidente da República na comunicação que fez ao País: falou de emails da Presidência da República quando devia era falar e dar explicações sobre os emails do jornal PÚBLICO revelados pelo Diário de Notícias e que implicavam um acessor seu (que acabou por demitir).

2) A declaração do Senhor Presidente da República, a meu ver, introduz, melhor, constitui mais um factor de instabilidade para o País ao fazer com que a relação institucional entre o Presidente da República e o Primeiro-Ministro (se este for José Sócrates) tenda a ficar ainda mais degradada do que já era.

3) É bizarro que SÓ HOJE o Senhor Presidente da República tenha reunido entidades especializadas em segurança para ficar a saber aquilo que todos nós cidadãos comuns que lidamos quotidianamente com computadores sabemos: que todos os sistemas informáticos de comunicações têm vulnerabilidades ― TODOS ―: O do Sr. Obama; o da CIA; o do Pentágono; os dos bancos; o, o e o... E mais bizarro ainda é que apesar de se saber isso latamente e desde sempre (passe o exagero) o Senhor Presidente da República só agora tenha ficado tão preocupado com essa revelação.

4) Por fim: Acho muito preocupante o que está a passar-se ao mais alto nível do Estado Português.
.

ONDE ESTÁ O WALLY?

Vinha escrever alguma coisa sobre o desaparecimento de Pacheco Pereira da blogosfera desde a noite do passado dia 25 deste Setembro eleitoral;

Mas ainda bem que dei primeiro uma volta por blogues da minha preferência (sem atender à cor política, como é mais que óbvio), pois, encontrei no Blasfémias esta posta (ilustrada) que resume e encerra em si tudo que de mais importante há a dizer sobre o tema em questão desde o desaparecimento do Wally.
.

ELOCUBRAÇÃO SÉTIMA:

Estudando os meandros da Descolonização:

“Ser culto es el único modo de ser libre”
José MARTÍ (1853-1895).

“a luta de libertação, que é a expressão mais complexa
do vigor cultural de um povo, da sua identidade, enriquece
a cultura e abre-lhe novas perspectivas de desenvolvimento.
As manifestações culturais adquirem um conteúdo novo e
Encontram novas formas de expressão. Tornam-se assim
Um instrumento de informação e de formação política, não somente na luta pela independência, como ainda na grande batalha pelo progresso.”
Amílcar CABRAL (1924-1973).

Nota Prévia:
Oficialmente, já não existe espaços coloniais.
De feito, a vetusta Ordem Mundial, a dos Impérios cuja a potência se media pela alna e vara das suas possessões coloniais respectivas, se desmoronou, na metade do Século XX pretérito. Eis porque, neste sentido, a descolonização se assume, como um episódio major da História contemporânea, comparável, em importância à “guerra-fria”, com a qual interfere parcialmente.

Efectivamente, deste modo, mais que nunca, se impõe conhecer os móbeis e as modalidades respectivas, pacíficos ou violentos, desta emancipação dos povos, identicamente, discernir a complexidade através das suas heranças e das suas sequelas.
Demais, de sublinhar, que o levantamento/retirada do elo/vínculo de sujeição política, não significou (ou que, escassamente) a Independência económica e cultural dos novos Estados. Todavia, esta balkanização do Mundo pôde degenerar, em múltiplas tensões e conflitos, sobre os quais se enxertaram, de um e de outro lado, memórias antagonistas, que constituem tantas contas mal saldadas.

(A)
Pela sua duração e pela violência que pôde se revestir, pelo seu custo humano, sem dúvida nenhuma, incalculável, seguramente, sobremaneira pesado e pelas paixões que desencadeou, a Descolonização, bem se assume, como um dos Acontecimentos major da segunda metade do século XX pretérito, do mesmo modo, que a bipolarização Este/Oeste ou os avanços e os recuos do “comunismo”.
Esta importância se lê, outrossim, numa herança significativa cujo o Mundo actual é ainda, mais ou menos, tributário, mesmo se não for evidente poder distinguir as sequelas directas da emancipação propriamente dita, das grandes mutações pós-coloniais ou dos efeitos mais recentes da mundialização.
Todavia, afirmar acerca do carácter inelutável da descolonização não pressagia, em nada acerca do êxito do empreendimento. Este pode ter outorgado aos povos, a sua dignidade e o domínio da sua própria história, entretanto, o levantamento do elo de subordinação política não significa, de modo algum, uma libertação real.
Integrados no Terceiro Mundo, ulteriormente no “Sul”, os espaços descolonizados permanecem na busca de um desenvolvimento em que, nem os dirigentes, nem o Mundo desenvolvido, não lhes asseguraram os meios, a despeito das múltiplas formas de “ajuda” e de “cooperação”.De sublinhar, entretanto, se não colocou, seriamente em causa a bipolarização oriunda da Guerra, a descolonização multiplicou as fontes de conflitos bilaterais ou regionais, que as diversas formas de reagrupamento dos países dela provenientes, não souberam, nem prevenir e nem controlar.
Enfim e, em suma: Ela (referindo-se, obviamente à descolonização) se encontra, outrossim, na origem de migrações humanas contrastadas, propícias à construção de memórias dolorosas e conflituosas às quais o historiador tenta, sem demasiada ilusão acerca do seu poder de arbitragem, trazer alguma clareza.

(B)
O elo enformador da sujeição colonial é de natureza fundamentalmente política, visto que é estabelecido, ou antes, imposto, de povo para povo e decorre da sobreposição de duas idades sucessivas da própria colonização. Ou seja:
--- A primeira, de tipo mercantil, consecutiva às grandes descobertas, edificada sobre a economia de tráfego e de plantação, sobreviveu parcialmente, nas Antilhas, na Independência dos Estados Unidos e da América Latina.
--- A Segunda, por sua vez, vinculada ao progresso e necessidades da Evolução industrial, pois que a colonização, estando suposto, abrir um acesso privilegiado às matérias-primas e uma saída para os produtos industriais.
A este imperativo major económico, outros se vieram ajuntar, designadamente, de ordem demográfica, estratégica ou de mero prestígio. O fim das guerras napoleónicas e a estabilização europeia de 1815 tiveram para efeito, deslocar para o ultramar, a competição internacional, da qual as pequenas potências (Portugal, Bélgica) e os Estados de formação mais recente (Itália, Alemanha) não quiseram permanecer à distância. A África foi, então, o Continente designado para esta expansão, conduzida, desta vez, sem plano definido, ao preço de guerras extenuantes e homicidas.

(C)
A descolonização, pode-se entender, ainda, na acepção lata (Lato sensu), como o conjunto das respostas contestatárias da ordem colonial, ou na acepção estrita (strictu sensu), como a fase derradeira deste movimento, a da sua liquidação efectiva.
Identicamente, se impõe distinguir, nesta vaga de emancipação, o que releva da colonização propriamente dita, que supõe uma depressão fundiária em benefício de um colonato estrangeiro e a implantação de uma administração específica, que releva da forma mais geral do imperialismo edificado, num domínio de carácter económico ou estratégico.

(D)
Como todo Evento complexo, a descolonização resulta de uma enorme variedade de causas estruturais e conjunturais, internas e internacionais, económicas e políticas. Pelos seus êxitos como pelos seus fracassos, isto é, pelas suas contradições, o imperialismo colonial desfraldou forças, que deviam, cedo ou tarde, se revirar contra si próprio.
Demais e, por outro, a “pacificação” interior dos territórios conquistados, celebrada como um dos adquiridos majores da colonização se revelou a prazo, como a condição primeira da eclosão de uma identidade nacional, ou, cada vez menos, de um sentimento de pertença territorial.
Identicamente, a revolução sanitária foi geradora de uma explosão demográfica incontrolável que colocou os colonatos europeus, numa situação de inferioridade manifesta.
Identicamente, temos, a consignar, ainda, que a promoção de uma elite indígena aculturada, só podia revirar contra o poder colonial, os valores liberais nos quais tinha sido educada. Ao inverso, a exploração económica e os mecanismos de permuta, demasiado onerosos e, exclusivamente, favorecedores, ipso facto, dos colonatos e das metrópoles, mantiveram as massas camponesas, num estado de atraso e de indigência que desmentia a afirmação ritual de uma colonização ao serviço do progresso e do bem-estar de todos, enquanto a marginalização das elites, antigas ou novas, em empregos subalternos, engendravam múltiplas frustrações e, como corolário lógico, a reivindicação de uma reconquista do poder político.

(E)
A estes dados estruturais, as duas Guerras Mundiais vieram desempenhar (um tanto ou quanto, de modo providencial) o papel de revelador das fragilidades do domínio colonial e, outrossim, de aceleradores de uma reivindicação de emancipação. Deste modo, temos que:
--- A Primeira Guerra Mundial, sem dúvida, quase nada, abalou o prestígio das potências vitoriosas. Ao contrário, consolidou mesmo as suas influências, induzindo-as, na peugada dos princípios wilsonianos e da revolução russa, os verdadeiros e autênticos gérmenes de uma contestação, coagindo à se amplificar, sob o impacto da crise de 1929, crise essa, particularmente rude para as economias e a condição de vida e de existência dos colonizados.
--- Todavia, é o segundo conflito Mundial, que influi, sobremaneira, na qualidade do Acontecimento/Evento, fundador da descolonização, procedente de uma vasta redistribuição das forças, em benefício de duas grandes potências, imperialistas, obviamente, hostis, uma e outra, à perpetuação do colonialismo europeu.
--- Enfim, no âmbito desta bipolarização, se juntaram os efeitos de uma mundialização, concomitantemente, política (ONU) e económica (a libertação e a reorientação das permutas) que tornaria, simultaneamente, mais difícil e menos útil, isto é, mais custosa, a conservação dos impérios coloniais, enquanto, identicamente, a reivindicação de Independência tinha ganho, durante a guerra, em audiência e em determinação respectiva.

(F)
Perante o conjunto destas mutações (ora enunciadas), que conferem a descolonização o seu carácter inelutável e fatal, as potências coloniais se mostraram, diversa e desigualmente conscientes.
Com efeito, paradoxalmente, são os países, os mais enfraquecidos pela guerra, tais como a França e os Países Baixos, que recusaram tomar nota, enquanto a Grã-Bretanha, melhor a propósito da conexão de forças, se aprestava para passar a mão na Ásia.
Esta discrepância de percepção e de comportamento convida a esquematizar uma Tipologia das descolonizações.
Todavia, de sublinhar, antes de mais, que nenhuma Independência foi adquirida, sem qualquer prova de força prévia e que, não menos, de uma vintena de entre elas, foram conquistadas, ao fim de uma sangrenta e renhida guerra de Libertação Nacional.

Lisboa, 25 Setembro 2009
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).
.

domingo, 27 de setembro de 2009

A TRISTEZA DO CÃO DIZ TUDO


O cão do Sr. Silva
reflecte bem
o ambiente de consternação que reina lá em casa.

Projecção de resultados às 20:00h

(ATENÇÃO: É UMA PROJECÇÃO):

PS: 36% – 40%
PSD: 26,3% - 30,3%
CDS:8,6% - 11,6%
BE: 8,5% - 11,5%
PCP: 6% - 9%

Esperemos que não haja novo desmaio aquando do empossamento dos membros do novo Governo.
.

JÁ ESTÁ!

JÁ VOTEI.

Deleguei o meu voto nesta menina.
.

sábado, 26 de setembro de 2009

DE STASIS EM STASIS ATÉ SE PASSAR

Mais uma prova de como o futebol e o clubismo futebolístico são capazes de tornar insana mesmo a mente mais equilibrada e brilhante.
.