domingo, 14 de dezembro de 2008

KWAME KONDÉ

INTERVENÇÃO DÉCIMA PRIMEIRA:

As perguntas fundamentais, aquelas que dizem respeito ao
Elevado sentido da Vida, merecem atenta reflexão. Demais, na
Realidade, constituiria uma autêntica estultícia menosprezá-las,
Por mera superficialidade ou Indiferença/alheamento.


(1) É um facto sobremodo eloquente que todos os homens, sem excepção, têm Sede da Vida e da Existência. Eis porque, passam de um poço a outro, num vaguear incessante, acompanhando um desejo inesgotável orientado para os múltiplos bens do corpo e do espírito.
No nosso tempo, esta procura parece ter-se tornado uma verdadeira corrida tumultuosa: produzir e consumir, possuir muitas coisas e realizar muitas experiências, procurar impressões, cada vez mais novas, o prazer e o útil imediato, tudo e de seguida. Porém, muitos têm a sensação de correr sem uma meta, de se encherem de coisas, que se revelam vazias e quão ocas. Muitos lamentam o empobrecimento das relações humanas: anonimato, alheamento, encontros superficiais e instrumentalizantes, marginalização dos mais débeis, conflitualidade e delinquência. Tudo contrasta, efectivamente, com o que parece ser o nosso anseio mais profundo: amar e ser amado, de modo assaz consequente.

(2) O sentimento de vazio, o desejo de prazer e de prepotência, a despeito de constituir, na sua dinâmica pragmática, uma lógica aparentemente coerente, porém, se arvora sobremaneira triste, por ser, a assunção plena de um modelo de liberdade, dialecticamente estéril. 

(3) Sim, outrossim, possuímos uma aguda consciência da nossa liberdade (pessoal). Todavia, a liberdade, se não perseguir objectivos dignos do homem não tem, obviamente sentido e, por isso, mesmo, se afigura estéril e, assaz infecunda. Demais, para sermos veridicamente livres, devemos procurar a Verdade e o Bem, de forma dialecticamente consentânea e adequada. 

(4) Assumidamente, hoje, nos nossos dias, nutrimos uma elevada consideração pelas Ciências que procuram e obtêm, aliás, um crescente domínio sobre os fenómenos naturais e sociais. Porém, podem essas ciências, designadamente:
--indicar os fins para os quais se deve orientar o poder que nos colocam nas mãos?
--por outro, é, porventura, razoável prestar atenção apenas ao que se pode ver e tocar, calcular e controlar experimentalmente?
--Outrossim e, ainda: não se deixa, assim, de fora o núcleo central da nossa pessoa e da dos outros, que é constituído pela confiança, pelo amor, pela beleza, pela bondade, pela alegria, por tudo quanto torna a Vida digna de ser vivida?

(5) Destarte, urge, a fortiori, libertarmos dos preconceitos e conformismos. E, concomitantemente, se impõe, mais que nunca, sermos sinceros e honestos connosco próprios para que possamos levar a sério as Egrégias Interrogações que cada um de nós traz dentro de si, designadamente:
--Quem sou eu? Quem somos nós?
--De onde venho? De onde viemos?
--Para onde estou a caminhar? Para onde estamos a caminhar? Etc.
E, ainda, obviamente:
--A Realidade é absurda ou inteligível?
--A Vida é um Dom, um Destino cego ou um Acaso?
--Porquê esta Sede que nenhuma conquista consegue extinguir?
--O que devo esperar e o que devo fazer?
--Enfim e, em suma: O que devemos esperar e o que devemos fazer?
Com efeito, comungando criticamente com o matemático, físico e filósofo francês, Blaise PASCAL (1623-1662), “a ordem do pensamento começa a partir do próprio autor, do próprio fim”. Na verdade, quem evita as perguntas fundamentais, foge de si mesmo, pois que, evidentemente, a indiferença, o hedonismo e o activismo estulto não são uma solução. Sim, ipso facto, uma mera evasão, quão irresponsável e, não só!...
E, rematando, de forma consentânea e apropriada, na verdade, “Aquele que tem sede, venha. Aquele que o deseja, receba gratuitamente a água da Vida” (Ap. 22,17).

Esta “posta” surgiu-nos, na sequência do diálogo que tivemos, ontem, (dia 09 de Dezembro de 2008), com a nossa colega e amiga, a Drª. Ana Paula Vieira, a quem a dedicamos, por motivos e razões, assaz óbvios, acompanhado de um robusto abraço de amizade, admiração e reconhecimento.

Lisboa, 10 Dezembro de 2008

KWAME KONDÉ

LUTAR LUTAR LUTAR

Definitivamente o português não nasceu para ser feliz como nação; e julga que pode ser feliz individualmente.

É ver como o português se comporta quando faz parte dos governos: trata muitíssimo bem de si e dos seus (como é fácil de constatar olhando para ex-membros de governos) e trata muito mal os seus concidadãos (como é também facílimo de ver constatando o empobrecimento progressivo da população portuguesa em geral).

Assim, quando um português sobe ao governo de Portugal, governa segundo a sua índole, quando o que se esperaria era que governasse segundo o interesse dos seus concidadãos; segundo o interesse nacional.

É por isso que hoje temos os professores na rua; e é por isso que amanhã teremos os médicos em greve.

É por isso que os ricos ficarão mais ricos (recompensados por todas as falcatruas, desfalques e ladroeiras várias); e os pobres ficarão mais pobres (pois não há quem neles pense e quem se solidarize com eles).

É por isso que urge lutar. Lutar sempre. Continuadamente. Contra quem está no poder. Porque quem está no poder está no poder para si e para os seus. E ao menor esmorecimento na luta contra o poder... mais uma malfeitoria será feita.

Apesar de tudo BOM DIA.

sábado, 13 de dezembro de 2008

THE BLOODY OLIVE



Gosta de teatro? Gosta de Cinema?

Então de que está à espera?!

Clique e veja The Bloody Olive.

E tenha um Bom Fim-de-semana!
.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

ÚLTIMA HORA

Que se saiba,
Manuel Dias Loureiro
continua,
calma e silenciosamente,

CONSELHEIRO DO ESTADO A QUE ISTO CHEGOU.


E do Presidente da República... não se houve falar.

Quanto à imprensa: parece que há um pacto de silêncio sobre o caso BPN, tal a escassês de notícias.

Glup! (Isto fui eu a engolir em seco).

SUPREMA COERÊNCIA

NO FECHO DA BELA GUANTÁNAMO

«Portugal está disponível para acolher presos de Guantánamo no âmbito de uma iniciativa da União Europeia para ajudar os Estados Unidos a encerrar o centro de detenção de suspeitos de terrorismo, afirmou hoje o chefe da diplomacia portuguesa.»

É coerente, sim senhor.

Se Portugal ajudou na abertura e funcionamento daquele campo de tortura;

Deve ajudar no fecho do mesmo para assim fechar com chave de ouro a sua participação na Bela Obra Humanitária de Guantánamo.

BOM DIA

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

O VOO DA CORUJA

Mas o que é que faz alguém blogar às quatro da manhã?

Não é insónia, não senhor.

― E se vos disser que é por ter dormido demais?

Precisando de apenas cinco horas de sono por dia (não se admirem porque o nosso Marcelo diz que só precisa de três ― 3 horitas apenas ― e eu acredito, sinceramente), encostei-me a ver tv na cama cerca das dez e meia da noite, e, resultado ― adormeci, e às três e meia já aqui estava (e ainda estou), fresco que nem uma alface, vendo o que acontece pela blogosfera fora enquanto meio mundo dorme. E não vive. E vegeta. E está semimorto. E desperdiça a vida...

Coitados dos seres lânguidos de fraquinho metabolismo basal! A vida não foi feita para eles, sendo apenas um acidente no percurso do seu sono.

É é!

UM PAÍS ÚNICO NO MUNDO

Há sempre qualquer coisinha: aquela pitadinha de sorte; a mãozinha da Senhora de Fátima; ou qualquer outro acaso benfazejo saído da dobra do último minuto dos acontecimentos, que torna Portugal diferente, melhor, ou menos mau que os outros países.

Constâncio declarou ontem:

«Ao contrário da UE, o País não está em recessão».

Sabemos que só faltam 21 dias para se declarar Portugal em recessão; mas enquanto o pau vai e vem... Portugal é diferente dos outros.

Para cumprir a tradição.

Amém.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

MORREU ALÇADA BAPTISTA

António Alçada Baptista costumava fazer férias em Cabo Verde. Certa vez vi-o por lá numa esplanada ― estava ali mesmo numa mesa ao lado da minha ― estive para lhe dirigir a palavra mas não tive o impulso suficiente para o fazer. Lamento que assim tenha acontecido; terei perdido uma grande oportunidade de conhecer um homem que todos dizem que era um bom amigo e um excelente conversador para além de um interessante ficcionista, memorialista e ensaísta.

Ouvi-o hoje na Antena 2, numa entrevista gravada não há muito tempo, dizer:

«Penso que é preferível ser-se pescador em Cabo Verde do que operário na Alemanha».

domingo, 7 de dezembro de 2008

KWAME KONDÉ

Intervenção Décima:

Nota Prévia:

Boicotagem: Acção ou efeito de boicotar; boicote.
Boicotar: Fazer oposição aos negócios de (outrem); deixar de comprar (mercadoria) com o fito de a desvalorizar; criar embaraços aos interesses ou negócios; outrossim se diz boicotear.
Boicote: O mesmo que boicotagem. Forma de pressão que consiste em isolar uma pessoa, grupo ou mesmo país, através da ruptura das relações sociais, económicas ou políticas com o desígnio de o levar a ceder ao que se pretende. O lexema boicote deriva do nome do administrador irlandês Charles BOYCOTT (1832-1897) que, pelo seu rigor impiedoso, foi isolado pelos rendeiros em 1880.
Elenco sinonímico:
Boicotagem: boicote; bloqueio; dificuldade, impedimento, inibição; interdição.
Boicotar: boicotear; interditar; bloquear; blocar; obstar, dificultar, impedir, inibir.
Boicote: boicotagem; dificuldade, impedimento, inibição; bloqueio; interdição.

(1) No plano etimológico, com efeito, o lexema/vocábulo Boicote/Boicotagem é o epónimo do nome de Charles Cunningham BOYCOTT (1832-1897), administrador no Condado de Mayo na Irlanda a quem a “Liga agrária” infligiu em 1879, um bloqueio porque não queria baixar as rendas dos seus rendeiros durante a Grande fome.

(2) E, explicitando adequadamente as ideias de fundo, um Boicote é, efectivamente um acordo voluntário, visando infligir um prejuízo/dano financeiro ou moral a um indivíduo, à uma empresa ou a um país, pela recusa sistemática de comprar as suas mercadorias, manter relações (sociais, culturais, económicas) ou participar num Evento/acontecimento público, ou então numa eleição. O objectivo desta recusa colectiva é exercer represálias, ou fazer pressão sobre o alvo para que responda à sua solicitação precisa.
De sublinhar, que as empresas podem ser sobremaneira sensíveis aos apelos de boicotagem, não unicamente por causa da queda das vendas, sim, efectivamente, porém, pelo impacto causado sobre a sua imagem de marca.

(3) E, sem ser exaustivo, obviamente, vamos apresentar algumas razões de apelo ao boicote, designadamente:
---Política;
---Condições de fabrico supostas injustas (trabalho infantil, exploração dos operários);
---Não respeito dos direitos do Homem;
---Deslocalização e encerramento de fábricas;
---Poluição;
---Risco sanitário (exemplo OGM);
---Eleições adulteradas/viciadas;
---Razões filosóficas ou religiosas;
---Etc., etc., etc.
De anotar, que um boicote é tanto mais eficaz quanto melhor se saiba utilizar os modernos meios de comunicação e congregar os média numa assunção eficaz para a causa que defende. Pode, em determinadas circunstâncias, se estender sobre vários anos. Ao invés uma mera ameaça de boicotagem pode por vezes, conduzir a rápidos resultados.

(4) Finalmente, o boicote constitui, nos dias de hoje, mais que nunca, um verdadeiro meio de pressão do qual dispõem os consumidores “cidadãos” que se sentem responsáveis e conscientes das suas compras.
Tornar actor do consumo conduz à se colocar a questão de saber o que se cauciona através do acto de compra. A boicotagem nisso constitui uma das suas consequências.

(5) A decisão de consumir é uma escolha individual. Todos, sem excepção têm a possibilidade, a liberdade, o direito (e, por que não, obviamente, o dever) de escolher a quem vai outorgar o seu dinheiro. Conquanto, seja insignificante à escala individual, o poder de comprar ou não tal ou tal produto é considerável quando reportado aos milhares ou dezenas de milhares de consumidores determinados.

(6) Enfim e, em suma: Deveras, múltiplas são as motivações que podem assumidamente estar na origem do boicote, nomeadamente:
Ecológica (contra um produto, uma empresa poluidora).
Ética (contra uma empresa que opera em países, onde se pratica o trabalho infantil e onde se explora os operários).
Moral (contra um País que desencadeia uma guerra).
Todavia, na verdade, a boicotagem é uma arma, assaz difícil e, quão problemática de manusear. De feito, a escolha do alvo é determinante. Demais, outrossim, a acção do boicote só deve deixar em apuros, o alvo e molestar, o menos possível, os demais outros actores da economia, evidentemente.

Lisboa, 04 Dezembro de 2008.
KWAME KONDÉ

CAUSA NOSSA

Olav Aalberg é um norueguês, casado com uma cabo-verdiana, que divulga na rádio do seu país a música de Cabo Verde. Olav escreveu-me a solicitar fotografias de músicos cabo-verdianos para divulgação. Por isso resolvi trazer até aqui este assunto para que os leitores que tenham algumas fotografias de bandas musicais ou de músicos do nosso "arquipélago das mornas" mas façam chegar para satisfação do pedido deste nosso amigo.

Antecipadamente agradecemos.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

OUTRA CAGADA DO PANTERA

Eusébio já tinha expelido a sentença de que “Cristiano Ronaldo não era o melhor do mundo; que o melhor do mundo era o Kaká”. Depois, como todos sabemos, Eusébio teve que engolir o que defecara e hoje passa a vida a elogiar Cristiano Ronaldo.

E agora, qual foi a cagada?

Eusébio disse ao jornal Record «não gosto nada do Sporting»; mas disse-o como quem diz “eu detesto e sempre detestei profundamente o Sporting”.

Estaria no seu pleníssimo direito se isso fosse verdade; quem conhece o passado moçambicano de Eusébio sabe de ginjeira que o que ele disse é uma refinadíssima mentira. Ou então ele é um farsante da pior espécie.

Mas adiante.

O que é que dirão os sportinguistas, como eu, disto tudo?!

Eu, para já, digo perguntando:

O que se pode esperar de um tipo que mesmo depois de viver 50 anos em Portugal é incapaz de falar, incapaz de articular uma frase coerente que seja que exprima uma única ideia que se entenda? Uma só!

Dispensemos-lhe a importância que dispensamos às abóboras.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

PORREIRO PÁ!

Foi Sócrates quem o disse:

«As famílias portuguesas, em 2009, podem esperar ter melhor rendimento disponível». Isto devido à «baixa da Euribor, a uma inflação mais baixa e ao aumento de 2,9% nos salários dos funcionários públicos».

Já viram a maravilha?!... Como é que ninguém ainda se tinha lembrado de provocar uma crise económica e financeira global para resolver os problemas tremendos que vinham ameaçando de crise as maiores economias do mundo!?

Mal, muito mal vão aqueles que como Barak Obama pretendem tomar medidas e mais medidas para acabar com a crise.

Isso não se faz! Uma coisa tão boa e pensam logo em dar cabo dela!

Não há o direito!...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

DÁ-ME CÁ UMAS GANAS!...

COM SINDICALISTAS DESTES
OS PROFESSORES NÃO PRECISAM DE INIMIGOS

Basta ouvi-lo. Não é preciso vê-lo. Para um indivíduo ficar logo indisposto.

E não tem nada a ver com o que ele diz, mas sim com a forma como ele o diz. Parece do tipo Chico esperto que lá na tasca da esquina domina toda a teoria do futebol, da arbitragem e da gestão do Benfica, que entre duas imperiais e um pires de tremoços arrasa o trabalho de Scolari, desvaloriza Cristiano Ronaldo, endireita económica e socialmente o País, e diz que de vez em quando está ao telefone com José Mourinho.

Creio que ele faz tanto mal à luta dos professores que por causa dele estes são bem capazes de vir a perder a batalha que ora travam. É que um primeiro-ministro que veja e oiça este homem só pode mesmo é pensar o seguinte: ― vou dar cabo deste tipo, custe o que custar; quem pensa ele que é?

Pois! Creiam que é mesmo isso que apetece.

KWAME KONDÉ

INTERVENÇÃO NONA:
Na peugada da grande realidade enformadora do devir do Homem:

Assumidamente o progresso histórico da Humanidade e o
Empenhamento pessoal quotidiano, são sustentados, por uma
Implícita confiança, no Sentido global da Vida Humana e de
Toda a Realidade. Essa confiança é necessária para agir.
Contudo, de sublinhar avisadamente, não parece se justificar,
Sem um Fundamento, quão elevado e sumamente Transcendente,
Por motivos e razões óbvios.


(1) Com efeito, geração após geração, o Homem passa pela Terra. Atravessa as situações e as experiências mais diversas, sem jamais deter. Observa e age; procura, encontra, entretanto volta a procurar. Transforma sem tréguas o Mundo e a si próprio, por intermédio do labor e da Economia, da Comunicação e da Cultura, da Política e da Religião. Através dos séculos, coordena uma história comum, entretecida de luz e de sombra, de conquista e de desaires.

(2) O prodigioso desenvolvimento das Ciências e da Técnica imprime, hoje, nos nossos dias, no dealbar do nosso século XXI, em curso, despontando sob o Signo da Incerteza, às mudanças uma vertiginosa aceleração. Possuímos, outrossim, uma imensa quantidade de bens e um enorme poder sobre a Natureza. Demais, eis porque, podemos oferecer soluções novas e, assaz inovadoras, a problemas antigos, sobremaneira vetustos e prístinos, designadamente, fome, a(s) enfermidade(s), a ignorância, a lassidão. Por seu turno, cada dia que passa, a Consciência da dignidade e dos Direitos fundamentais do Homem se incrementa em bom ritmo. De feito, por outro, uma rede, cada vez mais densa de relacionamentos envolve o Mundo, através de um contínuo movimento de pessoas vinculado à uma intensa permuta de informações, de bens de serviços. São, obviamente, sinais positivos, os quais parecem indicar que estamos caminhando, seguramente, para um Porvir de Liberdade da Pessoa, de Unidade do Género Humano e de Integração efectiva com a própria Natureza.

(3) Todavia, de salientar, que o progresso gera outrossim novas formas de opressão, novos perigos e receios. A tecnologia traz consigo o esgotamento dos recursos naturais, a poluição do ambiente, o espectro de uma catástrofe ecológica. Porém, o Subdesenvolvimento continua a existir e de que maneira, malfadadamente. De facto, jamais, como actualmente, no nosso mundo hodierno, tantas pessoas sofrem atrozmente de fome. Sim, efectivamente, a Dignidade da Pessoa é mais proclamada do que respeitada e a interdependência Planetária encontra-se bem longe de se tornar Solidariedade. Pelo contrário, cada vez mais e mais, se estende o domínio do homem sobre o homem, se assumindo deleteriamente através de regimes totalitários, controlo e manipulação da opinião pública, exploração, marginalização, violência difusa, comércio da droga, pornografia desenfreada, corroendo e aviltando consciências. Enfim, um autêntico caos humanamente exprimindo!

(4) Na verdade e, na realidade, sobretudo, hodiernamente, o Progresso surde atravessado por inquietantes contradições. Cada conquista se revela precária; cada solução coloca novos problemas; a embriaguez do poder conduz ao risco de terminar na autodestruição. Eis porque, então espontânea e inopinadamente, surge assertivamente a pergunta, quão oportuna e quão avisada: Tem Sentido, o empreendimento histórico da Humanidade? Qual o seu objectivo? Enfim, não se irá desvanecer, porventura, no nada, como imensa destruição?
E, rematando assozanadamente, por outro:
--Será que poderemos resignar ao Pessimismo?
No entanto, de feito, de imediato, se impõe, como corolário lógico, ou seja:
Se queremos, efectivamente, edificar uma convivência livre e solidária e promover uma utilização da Ciência e da Técnica digna do Homem, precisamos, acima de tudo, de valores, como outrossim e, ainda, de normas éticas comuns. Evidentemente, demais, torna-se, antes disso, necessária uma atitude lúcida e fundamental de confiança no atinente à si próprio (a nós próprio), aos demais outros e à Realidade, em geral e, no seu todo, absolutamente.

Lisboa, 01 de Dezembro de 2008.
KWAME KONDÉ

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

METEOROLOGIA POLÍTICA

Para o PS se sentir com coragem suficiente para enfrentar e afrontar Cavaco Silva obrigando-o a promulgar o Estatuto dos Açores, é porque “já lhe cheirou a cadáver” (cavaquista) em qualquer lado.

Ou então já viu qualquer coisa no horizonte.




ESTAMOS A BRINCAR OU QUÊ?

Como disse aqui enviei um protesto ao provedor do telespectador sobre a forma diferente como Judite de Sousa tratou, primeiro Dias Loureiro (branda e dolentemente) e depois Victor Constâncio, (agressiva e contundentemente) em entrevistas que fez recentemente a cada um deles.

Ora bem, atentem só na resposta (para mentecaptos) recebida da chefe de gabinete do Sr. Provedor:

« Exm. Sr(a) [ASM]
Em nome do Provedor do Telespectador agradeço o e-mail que enviou.
Efectivamente as últimas entrevistas realizadas pela jornalista Judite de Sousa provocaram por parte de muitos telespectadores diferentes reacções. Em regra, os telespectadores analizaram o comportamento da jornalista como «agressiva» face à Ministra da Educação e ao Governador do Banco de Portugal e grande «bonomia» em relação ao Dr. Dias Loureiro. Mas também alguns telespectadores interpretam de outro modo, considerando que a jornalista Judite de Sousa adoptou para com o Dr. Dias Loureiro o estilo de deixar o entrevistado falar em «roda livre», o que não concorreu - dizem alguns outros telespectadores - a favor do Dr. Dias Loureiro.
Conforme se constata, trata-se, afinal, da adopção de estilo, o que é característico da forma de entrevistar desta jornalista.
Não tem entendido o Provedor, no âmbito das suas competências, de ter de intrometer-se no «estilo próprio» de cada jornalista.
Contudo, e tendo em conta as observações críticas dos telespectadores, do conteúdo das mesmas vai dar conhecimento à jornalista Judite de Sousa.
Renovando os nossos agradecimentos pela sua colaboração
Com os meus melhores cumprimentos
P/ Chefe de Gabinete dos Provedores
Ana Clara Nunes»

Claro que não me fiquei por aqui. Enviei à Sra. chefe de gabinete a seguinte contra-resposta:

Oh Senhora Chefe de Gabinete (na antecâmara do gabinete do Sr. Provedor que pelos vistos não deve ser incomodado com estas minudências)!

«estilo próprio»?!...

Mas que estilo próprio?

Ou será antes estilos próprios? Isto é: a cada entrevistado o tratamento que mais convém.

Que mais convém a quem sabemos!

Cordialmente.

ASM

Nota (em tempo): Acabei de reparar que quem me respondeu não foi sequer a chefe de gabinete lá do homem; foi a D. Ana Clara Nunes, em nome da chefe de gabinete. Eu devia, portanto, endereçar a minha resposta à:

D. Ana Crara Nuunes (na antecâmara do gabinete da chefe de gabinete que está na antecâmara do gabinete do Sr. Provedor).

Digam lá se este Portugalinho bonitinho retratado nesta resposta em nome do Provedor do Telespectador não é uma beleza de organização e chuchadeira!

MANIFESTO PESSOAL

Penso que é hoje consensual a afirmação de que o PCP (Partido Comunista Português) é necessário à democracia portuguesa.

Entre outras coisas não menos importantes, o PCP é necessário para garantir o equilíbrio político que leve à, e garanta a, estabilidade da sociedade portuguesa.

Mas essa arrogância desmedida do PCP, manifestada largamente neste seu último congresso, em se declarar “o único” à esquerda; em querer confiscar toda a Esquerda colocando tudo o mais à direita, é, no meu entender, um pensamento paleolítico de um totalitarismo pornográfico e demencial que não pode ser aceite.

Eu não sou do PCP nem voto no PCP. Primeiro porque não quero (e sou livre de não querer! E ponto final!), depois porque não reconheço o PCP como um partido que queira construir a verdadeira democracia que é aquela que traga liberdade para todos (liberdade de expressão do pensamento em primeiro lugar). E por isso eu detesto o fundamentalismo ideológico fossilizado do PCP.

O PCP é de esquerda; o Bloco de Esquerda é de esquerda; o Manuel Alegre e a Helena Roseta são de esquerda; eu também sou de esquerda.

E o que é que o PCP tem a ver com isto? NADA!

O PCP que lute no seu campo enquanto os outros lutarão no deles, já que o PCP quer continuar isolado no seu gueto.

Fui militante da UEC (União dos Estudantes Comunistas), nos anos setenta, antes do 25 de Abril (no tempo em que essas coisas doíam); sempre fui e sou de esquerda; sou do tempo da Zita Seabra, da Sita Valles, do Domingos Lopes (que parece que hoje é um dos ideólogos do PCP) e quando dava jeito, depois do 25 de Abril, eu era designado pelo “Camarada das Colónias” ― quero com isto dizer que conheço minimamente o que a casa gasta ― e não admito a quem quer que seja, dentro ou fora do PCP ― nem ao seu secretário-geral (que por sinal aderiu ao PCP 4 dias depois do 25 de Abril de 74) ―, que me passe qualquer certidão ideológica ou cartão com que eu tenha que me identificar de cada vez que tomo uma posição política em Portugal ou fora dele.

Era só o que faltava!...

domingo, 30 de novembro de 2008

VI ISTO NO BLASFÉMIAS

E NÃO RESISTO À PUBLICAÇÃO

KWAME KONDÉ

Intervenção Oitava:

“De olhos bem abertos”:

Estudando didacticamente algumas Noções/Conceitos, enformando, em substância, expressões/nomenclaturas, cuja a actualidade, merece uma reflexão, quão atenta e, ipso facto, muito bem atenta, mesmo, obviamente.

(a) Define-se como Etnocentrismo (ou menos tecnicamente, como chauvinisme) a Identificação normal de tudo a mesma coisa, todos, da sua sociedade de pertença e a valorização por todos da sua própria cultura. Com efeito, sob pena, aliás, de se marginalizar, todo indivíduo é, e deve ser em algum grau, atingido de etnocentrismo.

(b) Antes de mais, se afigura percuciente, consignar que não se deve confundir, evidentemente Etnocentrismo com Racismo. De feito, racismo consiste em pretender:
Que existe raças distintas;
Que determinadas raças são inferiores às demais outras;
E que esta inferioridade não é social ou cultural: Sim, efectivamente, que ela é inata, como outrossim, ipso facto, biologicamente determinada.

(c) De salientar, entretanto, que quer o Etnocentrismo, quer o Racismo opõem-se aos contactos entre as culturas. Contactos esses, aliás, que são outrossim, quão antigos e prístinos como a diversidade das culturas e a prática das permutas e trocas. Todavia, a despeito destes obstáculos, contactos se realizam e produzem, obviamente uma aculturação, sendo definida esta, magistralmente pelo conceituado etnólogo e eminente docente universitário francês, de prestígio internacional, Denys CUCHE como: “ensemble des phénoménes qui résultent d’un contact continu et direct entre groupes d’individus de cultures différentes et qui entraînent des changements dans les modeles (patterns) culturels initiaux de l’un ou des deux groupes”.

(d) Donde e daí, a Aculturação, obviamente é um fenómeno consentido que é necessário diferençar do Etnocídio, que, grosso modo, significa “la destruction systematique de la culture d’un groupe, c’est-à-dire l’élimination par tous les moyens non seulement de ses modes de vie mais aussi de ses modes de pensée. L’ethocide est donc une déculturation volontaire et programée”, conforme eloquentemente nos ensina ainda o mestre CUCHE.

(e) E, para uma melhor elucidação do seu respectivo conteúdo de verdade, acrescenta CUCHE que este termo em apreço, “renvoie à une réalité, attestée par les historiens et les etnologues, celle d’opérations systématiques d’éradication culturelle et religieuse dans des populations indigénes à des fins d’assimilation dans la culture et la religion des conquérants ».

(f) Enfim e, em suma, rematando dextramente, o Etnocídio deve ser ele mesmo, sim, evidentemente diferençado do Genocídio, que vai até ao extremo máximo, ou seja: a Eliminação física deliberada de uma população dada.

Lisboa, 29 de Novembro de 2008.

KWAME KONDÉ

COMA NA COZINHA

OVOS MEXIDOS COM BACON

Primeiro ponha a mesa dispondo os talheres, o guardanapo, o copo e as bebidas que vai usar (sumo de fruta, café, leite frio ou mesmo cerveja ― porque não? Aqui não há ortodoxias).

Depois faça o seguinte e por esta ordem para que coma os ovos quentinhos: no forno regulado a 110 graus Celsius ponha a aquecer o prato e o pão. Pegue em duas frigideiras não aderentes e coloque-as em posição no fogão. Bata dois ovos (por pessoa) aos quais adicionou duas colheres das de sobremesa de natas Parmalat (não use aquela coisa aquosa e desenxabida da Mimosa ― aquela, para mim, porcaria que eles vendem com o nome de natas), deite uma pitada de sal e bata bem. Numa das frigideiras, em lume médio, ponha as fatias de bacon a fritar; ao mesmo tempo, na outra frigideira, deite uma colher das de sopa de manteiga Becel (bem lhe basta o colesterol do bacon), acenda o lume baixinho e quando a manteiga começar a derreter-se deite os ovos batidos e vá mexendo delicadamente com uma espátula de madeira ou uma das outras paneleirosas da ASAE. Entretanto vire as fatias de bacon para fritar o outro lado.

Quando os ovos estiverem no ponto (de preferência moles ― ovos mexidos secos é coisa de bimbo) sirva-os, com as fatias de bacon, no prato quente. Coma com o pãozinho quentinho estaladiço e beba a sua bebida preferida (para mim sumo de laranja ou cerveja ― é que às vezes estou de ressaca, confesso) e no fim tome o seu cafezinho.

E tenha UM EXCELENTE DIA!

sábado, 29 de novembro de 2008

MAIS VALE TARDE


Pois é, eu sei que é um pouco tarde; mas é agora. Tenho vergonha, sim, que seja só agora e penitencio-me por isso.

A barbárie terrorista em Bombaim teve o condão de me tirar pela primeira vez (e talvez definitivamente) da trincheira onde sempre estive por razões que me custa agora reconhecer.

A terroristas deste calibre, mata-se primeiro e pergunta-se o nome depois.

Nenhuma Razão pode justificar uma coisa destas. NENHUMA.

Pela primeira vez admito acções preventivas contra o terrorismo. Haverá vítimas inocentes nestas acções, eu sei; mas essas vítimas serão sempre em muitíssimo menor número do que as vítimas inocentes do terrorismo.

ACREDITE SE QUISER

Em duas escolas inglesas 2500 alunos foram submetidos a uma prova da disciplina de Física que servira para avaliar alunos do seu escalão no ano de 1963.

Quer adivinhar quais foram as classificações obtidas por estes modernos alunos?

ZERO!

Não houve um só aluno dentre os 2500 examinados que respondesse a uma só questão que fosse, ou que tivesse sequer esboçado a resolução de um problema.

Consta que os meninos foram ainda submetidos a provas das décadas posteriores e então a classificação foi subindo para chegar aos 45% de respostas certas (mesmo assim uma negativa) para a prova da década de 90 considerada a mais fácil dentre todas elas.

Isto faz-me lembrar qualquer coisa relacionada com... notas da disciplina de Matemática em Portugal.

Ou não será assim?...

BOM DIA

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

APROVEITE ENQUANTO É TEMPO

Os destinos turísticos exóticos estão a ficar impraticáveis?
Tailândia e Índia estão perigosas?
Então, e que tal uma vizitinha a Cabo Verde
enquanto aquilo vai estando seguro?!...

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

O PRESIDENTE FOI CLARO

Sobre Dias Loureiro e a sua condição de conselheiro de Estado. E Ferreira Fernandes, com a inteligência, a clareza e a economia de palavras que lhe são características, analizou aqui a posição de Cavaco Silva.

É isso mesmo: Cavaco acredita que Loureiro não mentiu, pelo que Cavaco acredita, logicamente, que o ex-governador do Banco de Portugal, António Marta, mentiu.

E ponto final. Até que as coisas se clarifiquem e se fique a saber o que se passou e o que se vai passar com Dias Loureiro, e como ficará a credibilidade de Cavaco Silva depois disso. Será que aumentará?...

KWAME KONDÉ

INTERVENÇÃO Sétima:

A BIOMEDICINA como Cultura:


Duas “marcas” para Principiar adequadamente:
A Cultura é um bem fundamental, necessário, ipso facto, à Vida e ao Crescimento do Homem. Sim, na verdade, um Património comum do qual todas as pessoas recebem e para o qual todos contribuem.
Eis porque, de feito, cada cultura é chamada a abrir-se et pour cause, ao diálogo inter-cultural e ao Encontro com a Plenitude Existencial…
Por seu turno, o lexema Biomedicina (bio+medicina), no plano etimológico, busca, fundo, as suas origens em: bio do grego bios, ou “vida” e medicina do latim: medicina, ae (sc. Ars), arte de curar. E, quiçá, evidentemente, por outras palavras, contudo, sem “perverter” obviamente, a sua noção/conceito de fundo, se assume como Medicina Clínica baseada na aplicação dos Princípios das Ciências, em especial, designadamente:
Biologia
Bioquímica
Bioengenharia
Biofísica e
Biotecnologia.

Sim, efectivamente, a BIOMEDICINA, se encontra, em plena revolução desde o início do Século XIX. A partir de 1846, os cirurgiões utilizam a anestesia pelo éter sulfúrico. Põem ulteriormente em prática a anti-sepsia, preconizada (entre 1867 e 1871) pelo cirurgião inglês Joseph LISTER (1827-1912) e a assepsia, em 1886, pelo químico e biologista/biólogo francês, Louis PASTEUR (1822-1895). Eis porque, a Cirurgia revolucionou com o facto, enquanto o fisiologista francês Claude BERNARD (1813-1878) dá a derradeira demão ao Método experimental e dezenas de médicos de grande talento aperfeiçoam dextramente a Clínica e o seu exercício respectivo.
Deste modo, o conhecimento do vivo se diversifica, por toda a parte. E, no âmbito desta dinâmica, vetustas instituições – a Faculdade de Medicina, o Hospital – são reorganizadas.

(2) Donde e daí, resulta, evidentemente uma prática biomédica que já não tem nada a ver com as práticas de Saúde dos Europeus do Século XVIII. Os seus êxitos espectaculares asseguram a sua adopção, por toda a parte no Mundo. Entra, outrossim, por outro, em concorrência com as Medicinas vernáculas, as do curandeiro, do Xamã ou do algebrista de aldeia. De facto, a biomedicina veicula escolhas culturais, porquanto diz respeito à reptos/desafios de principal importância: a vida, o passamento/trespasse, o sofrimento, as práticas dizendo respeito ao corpo. Outrossim e, ainda, desconecta, em particular, o corpo dos seus sofrimentos do ambiente social e afectivo.

(3) Todavia, ao inverso, o Xamã e o curandeiro de aldeia não separam os sofrimentos do corpo dos eventos/acontecimentos da existência humana. Conhecem os seus azucrinamentos. Averiguam, tanto como, ainda por cima, acerca dos sofrimentos e dos órgãos afectados como relações à entourage, sonhos, devoções para com os deuses e os defuntos.

(4) Enfim e, em suma: Nas Sociedades europeias, o médico de família, do campo ou de bairro assumem o revezamento do curandeiro. Porém, esta função tende a desaparecer, a passos largos, sob a pressão da racionalização e da especialização das prescrições. Eis porque, efectivamente, as escolhas da BIOMEDICINA entram, por conseguinte, em emulação com as Medicinas vernáculas e daí, a sua “globalização” faz, por conseguinte, integralmente parte da “globalização” da Cultura.

Lisboa, 26 de Novembro de 2008.

KWAME KONDÉ

terça-feira, 25 de novembro de 2008

PELOS OLHOS ADENTRO


É óbvio que Manuel Dias Loureiro deixou de ter condições para continuar como conselheiro de Estado.

E só quem não quer é que não vê isso.


UMA AUTÊNTICA VERGONHA

Quem assistiu à panhonhice que foi, aí há quatro dias atrás, a entrevista de Judite de Sousa a Dias Loureiro, e a comparar com a agressividade salivante de Judite na que fez ontem a Victor Constâncio, só pode concluir uma coisa: que Judite, quando entrevistou Dias Loureiro, não esteve ao serviço da televisão pública. E também não esteve ao serviço do contribuinte pagador da RTP.

O comportamento de Judite de Sousa na entrevista a Dias Loureiro foi, no mínimo, vergonhoso, antiético e nada, mesmo nada, profissional.

O Sindicato dos Jornalistas e os órgãos próprios de supervisão da comunicação social deviam pronunciar-se publicamente sobre este caso. Porque os jornalistas não estão isentos do dever de cumprimento da deontologia que os orienta. Ao menos isso; já que a direcção da RTP, ao que se tem visto, não está lá muito interessada em pugnar para que haja isenção que se veja no tratamento dos seus noticiários e programas de opinião.

Nota: Como cidadão e contribuinte, e pagador da taxa da rádio, enviei um protesto formal à RTP.


domingo, 23 de novembro de 2008

AH G’ANDA GUINÉ!

Na Guiné-Bissau a construção da democracia continua de vento em popa. Menos de um mês depois de eleições, dezenas de militares entraram na última noite na residência do presidente da república para lhe desejarem "um bom sono". Aconteceu que Nino Vieira já se tinha precatado, ao que parece avisado a tempo (diz-se que desde as dez horas da noite) por quem tinha conhecimento da coisa.

Antes de Nino, os assassinos frustrados rendiam-se e depois negociavam a paz pondo como condição prévia o perdão dos revoltosos. Mas com Nino as coisas, ao que sempre se disse, nunca foram bem assim; diz-se que Nino, na boa tradição, aliás, dos presidentes africanos sobreviventes a atentados, prefere antes mandar dar um “tratamento especial” aos seus adversários para que estes nunca mais se lembrem de o tentar matar.

Kumba Yalá que se cuide.

HETERODOXIAS

Cerca das oito da manhã começaram por aqui os preparativos para uma feijoada à transmontana.

Quando vi que a coisa estava a correr de feição e com excelentes perspectivas de resultados, enviei um convite ao meu primo Augusto nestes termos de que peço desculpas por serem tudo menos ortodoxos num convite:

«Se visses a cara com que está a ficar esta feijoada, cairias de cu. A matança está aprazada para as doze e trinta».

Tenho pena é de não ser administrador de nenhum banco. Se o fosse talvez estivesse a feijoar na Tailândia ou noutro paraíso qualquer.

Mas talvez também não...

Já não sei o que é melhor!

BOM DIA outra vez.

UM CLARO VENCEDOR

Depois de vários anos a experimentar browsersInternet Explorer, Safari, Opera, Google Chrome (desde há dois meses) ― concluímos que o vencedor é...

MOZILLA FIREFOX

É seguríssimo; muito rápido; elegante; facilmente personalizável; tem plugins a dar c’um pau; e, muito importante, é código aberto, o que quer dizer que qualquer um que o saiba fazer pode alterá-lo sendo por isso adoptado pelos hackers como seu browser preferido ― razão pela qual normalmente não o atacam (mais uma enorme vantagem, como é óbvio).

BOM DIA

sábado, 22 de novembro de 2008

KWAME KONDÉ

INTERVENÇÃO SEXTA:

Abordando pedagogicamente alguns dos novos “ópios do povo”:


“O crescimento é um sedativo que sufoca a contestação,
permite aos governos evitar o afrontamento com os ricos,
impede construir uma economia justa e durável. O
crescimento permitiu a estratificação social que o próprio
Daily Mail (quotidiano conservador) deplora presentemente”.
George Monbiot no The Guardian. Artigo publicado no
The Guardian e retomado no Courier International de 2
a 9 de Janeiro de 2008.



Na sua lúcida e acutilante crítica da “Filosofia do direito” de Friedrich Hegel (1770-1831), no ano de 1844, Karl MARX fazia da religião o “ópio do povo”, isto é, um poderoso antálgico, permitindo aos seres humanos suportar a sua miserável condição com a esperança de um hipotético além.
De feito, se a Religião desempenha ainda este papel, todavia, com a Secularização da Sociedade, perdeu o monopólio de guardião da Paz Social, pois que, efectivamente outras fontes de esperança factícias, de ilusões, de exutórios, de toda espécie, se desenvolveram, ou melhor dito, apareceram, de que maneira e, em autêntica catadupa.
Credulidade, inveja, facilidade, gregarismo…as debilidades humanas são exploradas para desviar o espírito dos cidadãos dos reais problemas, para mobilizar a sua atenção respectiva sobre questões secundárias, insignificantes ou fúteis, para os arredar, ao fim e ao cabo, dos verdadeiros problemas.

Posto isto, vamos então, abordar alguns dos novos “ópios do povo”, independentemente do álcool, do tabaco ou das drogas “clássicas”. Assim, temos:

(1) Lotaria e demais outros jogos de azar:
De feito, com uma aposta módica e uma igualdade das oportunidades, constituem um sucedâneo de “democracia”. A probabilidade de ganhar milhões e um lugar ao sol é ínfima, salvo para o Estado ou para os que os organizam.

(2) O Desporto Espectáculo
Na verdade e, sem sombra de dúvidas, aliás, o vínculo social que o “fenómeno” Desporto Espectáculo pretende urdir é ilusório. Pelo contrário, pelo fenómeno de “meutes sportives”, o desporto espectáculo exacerba as paixões exclusivas, o chauvinismo, a exclusão e o narcisismo colectivo. Porém, constitui, sobretudo, um poderoso meio para canalizar as pulsões de revolta e subtrair as consciências das causas reais da miséria, das desigualdades e da injustiça.

(3) A Televisão:
Suportada por interesses financeiros e mercantis, a Televisão transforma o telespectador em consumidor. E, para captar a sua atenção, propõe uma agressão visual que progressivamente reduz as capacidades cognitivas e, não só…

(4) Os Jogos Vídeos:
Assevera-se que as crianças e os adolescentes sabem estabelecer a diferença entre a ficção e a realidade. E a que ponto, todavia? Os fenómenos de adição da qual são vítimas os adolescentes e os jovens adultos, já não são a demonstrar, obviamente. Os jogos, sem fim, são concebidos para estimular a vontade e o apetite de jogar sempre, o máximo de tempo possível, correndo o risco de dependência e de isolamento social que isto acarreta, como acontece, aliás, com as drogas clássicas, facto, bem conhecido, hodiernamente, em todo o Mundo, sem excepção…

(5) Os mundos virtuais:
Com efeito, estes mundos artificiais por INTERNET acolhem comunidades de utilizadores que vivem uma “outra vida”, sob forma de autêntica metamorfose com todo o seu cortejo de consequências, sobremaneira nefastas. Demais, outrossim, como os vídeos, os mundos virtuais são, assaz consumidores de tempo e susceptíveis de coarctar toda e qualquer tentativa válida conducente, ipso facto, a um encarar, de modo dialecticamente consequente, a árdua realidade, enformando, em substância, o “verdadeiro” Mundo Humano.

Enfim, rematando, um tanto ou quanto, pertinentemente, não há dúvida nenhuma, que urge se emancipar, na verdadeira e genuína acepção do termo e da expressão respectiva, permanecendo, mestre e dono do seu próprio tempo livre de consciência. Eis, sim, efectivamente, um dos grandes reptos/desafios da Humanidade, neste dealbar, assaz conturbado, do nosso Século XXI, despontando, sob o Signo da Incerteza…

Lisboa, 20 de Novembro de 2008.
KWAME KONDÉ

AÍ ESTÁ - ERA UMA VEZ

Depois daquele patético, contraditório, incrível e inenarrável apoio de Sá Fernandes ao governo, defendendo os contentores em Alcântara, o Bloco de Esquerda só podia mesmo era dar um pontapé no c. a tão incoerente quão ridícula personagem.

Tínhamos vaticinado aqui que José Sá Fernandes não teria o apoio do BE nas próximas autárquicas. Não tardou muito, e hoje o DN acaba de trazer esta notícia da rotura iminente da ligação de Sá Fernandes ao Bloco, sob o título “Bloco de Esquerda corta com José Sá Fernandes”.

«... o BE ficou também particularmente incomodado com o facto de Sá Fernandes ter defendido, na RTP, as posições do executivo socialista na polémica com os contentores de Alcântara. O vereador e Miguel Sousa Tavares - que é o rosto visível de uma petição contra o alargamento do terminal de contentores de Alcântara - envolveram-se em grande polémica televisiva.»

Estejamos atentos para ver que botas políticas irá, de agora em diante, Sá Fernandes lamber na tentativa mais que certa de continuar a saborear o mel do poder autárquico que tão facilmente lhe besuntou a mente e lhe adocicou as convicções que de forma aparentemente intrépida defendia até há pouquíssimos meses atrás.

EIS PORQUE GOSTO CADA VEZ MAIS DOS ANIMAIS

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

ACABOU DE LAVAR AS MÃOS

MANUEL DIAS LOUREIRO

CONSELHEIRO DE ESTADO


Esteve há bocadinho na RTP1 numa entrevista à jornalista Judite de Sousa.

Durante essa entrevista ficou claro que Dias Loureiro pretendeu fazer passar a imagem de que tudo de ilegal e irregular que se passou enquanto esteve no BPN (Banco Português de Negócios) e na SLN (Sociedade Lusa de Negócios), se passou sem o seu conhecimento embora a sua assinatura de gestor tenha sido aposta em contas que pelos vistos se vieram a revelar fraudulentas.

Num caso manifestou dúvidas sobre a lisura de umas contas, mas Oliveira e Costa mandou-o voltar ao seu gabinete duas horas depois tendo-lhe então convencido, com algumas explicações muito simples, de que estava tudo bem. Então assinou as contas de boa-fé.

Tudo muito simples, tudo muito naive.

Só lhe faltou dizer que, sem que ele quisesse, a sua (dele) mão foi ao BPN, assinou lá umas contas voltando depois para casa e colando-se de novo ao seu corpo.

Para além disso e dessa confiança cega na pessoa que lhe pedia a assinatura das contas, desconhecia quase tudo que saltou hoje para a ribalta nos jornais e televisões ― disse, aliás, várias vezes «Eu não sabia».

Resta saber se isso é suficiente para convencer o Ministério Público de que nada tem a ver com as irregularidades detectadas na SLN, BPN; e se mantém ainda condições para continuar como Conselheiro de Estado.

Bem!.. Acho dever lembrar que... Isto aqui é Portugal.


Editado às 9:21 AM de 22/11/2008 para acrescentar o seguinte:
João Marcelino, director do DN, ajuda aqui a perceber-se melhor a fragilidade e a naivité das respostas de Dias Loureiros a Judite de Sousa.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

ESCAQUEIRE-SE A EDUCAÇÃO

ENSINAR PARA QUÊ?

INSTALE-SE A GUERRILHA

Acabei de ouvir agora a ministra da educação em directo na rádio.


Entendi que anunciou à malta que algumas coisinhas vão mudar no processo de avaliação dos professores para que tudo fique na mesma.

Tal como desde o início deste ano lectivo, os professores continuarão a trabalhar no processo de avaliação, continuarão as suas maratonas de reuniões para o efeito, e, desde que façam isso, podem ficar sem tempo para preparar e dar aulas que não há problemas, pois,

ensinar os alunos é coisa de somenos e talvez nem interessa lá muito ao país que isso aconteça.

Digo eu.

BRASIL 6 - 2 PORTUGAL

AI QUE SAUDADES AI AI

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

KWAME KONDÉ

Intervenção Quinta:

Da Mundialização/Globalização:

Nota Prévia:


Na verdade e, na realidade, a globalização não é a Mundialização!
Com efeito, a Mundialização são fluxos, movimentos. Existe, pelo menos, desde o fim do século XIX, em que as permutas se intensificaram e a economia se internacionalizou.
Por seu turno, a Globalização é um fenómeno recente, se enquadrando, no princípio de uma mutação radical, obviamente, económica e financeira, sobretudo, outrossim, humana: a integração e a inter-conexão tornaram tal que cada um, hodiernamente, deve viver quotidianamente ao nível local, com laços territoriais e uma identidade cultural, ciente do Sentimento de pertencer à globalidade do Mundo.
De anotar, finalmente, que esta enunciada tensão entre o local e o global caracteriza, em última análise, a Globalização.

(1)---Efectivamente, durante o Século XX pretérito, o Estado nação se afirmou como a forma política dominante nos quatro cantos do Planeta. A guerra-fria e a Política das grandes Potências só fizeram consolidar esta hegemonia. No Terceiro mundo, a propensão para o reforço do Estado, até mesmo, a sua pura e mera importação, caracteriza o Período pós-colonial. Ora, desde, aproximadamente, quatro (4) lustros, este modelo de governação, que envolve, outrossim, uma representação unitária do colectivo sobre um território delimitado, se encontra no centro de todos os debates no atinente à Globalização.

(2)---Assim, no âmbito desta dinâmica, uma das questões que acode à memória, incessantemente, diz respeito ao Destino do Estado-nação. Os adeptos das teses globalistas vêm na sua debilitação um traço marcante da mutação que se iniciou no término do século XX pretérito. Por sua vez, os seus adversários se desculpam com esta tese declinista e clamam, alto e bom som, que a forma estatal, em análise e apreço, longe de se encontrar enfraquecida, possui ainda, lindos dias, perante si e pode se tornar o instrumento eficaz das novas dinâmicas internacionais. E, para discernir o acesso deste debate, necessário se afigura ter sempre presente no espírito que estamos ante algo que coloca, frente a frente, de cada lado, teóricos e “profissionais da política”, cujo o discurso se apresenta não unicamente como uma verificação autenticada, outrossim porém, respeitante ao modo preditivo, tendo cada qual em consideração, a evolução do estado de coisas vigente e a perspectiva de um melhoramento dos dispositivos institucionais.

(3)---De feito et pour cause, um pouco por toda a parte, se faz notar à que ponto a Figura do Estado-nação se encontra, assaz debilitada, com a abertura dos mercados. Cada vez mais, as praças financeiras parecem estar transformado no Centro dos dispositivos do Poder e tudo se passa como se as evoluções da economia mundial delimitassem a margem de decisão oferta aos governantes. Este debilitamento das soberanias é inseparável de uma tomada de consciência colectiva do enfraquecimento de capacidades de regulação, enquanto, do mesmo modo, os mercados impõem, cada vez mais, a sua influência/acção sobre o funcionamento das nossas sociedades. Eis porque, ipso facto, se pode falar dum autêntico “retrait de l’Etat”, indo alguns mesmo a encarar o óbito desta forma de organização social.
De consignar, que nesta dinâmica, o que é seguro, é que os Governos nacionais têm visto a sua esfera de iniciativa diminuir, a olhos vistos. Com efeito, o Estado sofre actualmente de uma diminuição do seu poder, porquanto a expansão das forças transnacionais reduz o controlo dos Governos individuais sobre as actividades dos cidadãos e dos outros povos. Outrossim, por seu turno, a mobilidade crescente dos capitais induzida pelo desenvolvimento dos mercados financeiros globais transforma o equilíbrio dos poderes entre o Estado e mercado e gera pressões sobre o Estado para desenvolver políticas favoráveis ao mercado, limitando os deficits públicos e a protecção social, a baixa do imposto, a privatização e a desregulação do mercado do trabalho.
Neste contexto, os domínios tradicionais da actividade estatal (defesa, economia, Saúde, lei e ordem) não podem ser aprontadas sem institucionalizar formas de colaboração multilateral. Outrossim, verifica-se uma assimetria entre as autoridades que exercem os Estados sobre a Sociedade e a sua influência/acção limitada sobre a Economia no interior mesmo do seu território. Este se encontra, deste modo, inevitavelmente enfraquecido pela integração acelerada das economias nacionais numa “Economia global do mercado”.

(4)---Destarte e, por razões assaz óbvias, esta situação, ora expendida, mina o Estado-nação, efectivamente.
E, para uma melhor explicitação do nosso pensamento e raciocínio respectivo, vale a pena trazer à colação, os ensinamentos da lavra dos antropólogos norte-americanos, Jean e Jonh COMAROFF (da Universidade de Chicago) exarados na interessante obra científica: “Millenal Capitalism. First thoughts on a Second Coming” (2000). Ou seja: Segundo estes conceituados antropólogos/sociólogos a Situação analisada corrói efectivamente o Estado-nação por três razões, designadamente:
---Os Estados-nações perderam o controlo da moeda e das permutas. Neste domínio, a noção de fronteira se avoca, cada vez menos, pertinente;
---As firmas transnacionais já não possuem sítio e lugar estáveis e podem se instalar, onde querem;
---Uma divisão transnacional emergiu com os trabalhadores ilegais atravessando as fronteiras, em grande escala.
Deste modo, tudo se passa, aliás, como se a Globalização tivesse mudado as regras do jogo. Donde e daí, a acumulação flexível e a hegemonia do capital financeiro incrementaram ainda mais a dependência económica e, nos casos dos países em desenvolvimento, as políticas de ajustamento estrutural impulsionadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) contribuíram para limitar as margens de manobra dos Estados nacionais. Pode-se acrescentar, que os Estados estão, cada vez menos, habilitados para desempenhar um papel redistributivo, pois escasseiam actualmente recursos suficientes e, mais ainda, concretamente, no Terceiro mundo, onde os programas de afinação estrutural e as medidas de austeridade contribuíram para os reduzir consideravelmente.
Empecido por forças intergovernamentais e transnacionais, o Estado hodierno inscreve a sua acção em dinâmicas regional e global e, desta forma, o seu devir queda inseparável deste tecido de interacções. Eis porque, se tem, por conseguinte, de se haver com uma verdadeira dessacralização das soberanias, na medida em que as políticas públicas estão profundamente condicionadas por realidades económicas e financeiras dificilmente domáveis à escala das nações. E, se se raciocina, então, concretamente, em termos de territorialidade, necessário, se afigura, outrossim, tomar a sério, a extraordinária expansão das colossais metrópoles do Capitalismo transnacional, estas autênticas e verdadeiras “cidades globais”, onde se concentra uma parte importante do poder económico global, que aí se encontra insanamente valorizado.
De salientar, outrossim e, ainda, que um outro elemento que parece concorrer para o enfraquecimento dos dispositivos estatais tradicionais é a formação de grandes unidades/conjuntos, integrando regiões inteiras do Globo, nomeadamente: a União europeia (EU), o Mercado comum do Sul (MERCOSUL) e a ARENA na América; Associação de Nações do Sueste Asiático (ASEAN), Ásia-Pacific Economic Cooperaton (APEC), na Ásia.
De anotar, que aí se pode apreciar o delineamento de modelos de governação mais adaptados às exigências do global e à complexidade dos novos desafios/reptos. Por seu turno, o crescimento das organizações inter-e transnacionais, das Nações Unidas e das suas agências respectivas aos grupos de pressão e movimentos sociais, tende a alterar a forma e a dinâmica do Estado e da Sociedade civil. Enfim e, em suma, de salientar, que o Estado se converteu numa verídica arena de policy-making fragmentada, penetrada pelas redes transnacionais.

(5)---Prosseguindo, avisadamente, temos, deste modo, que a Globalização está, outrossim marcada pela instauração de Políticas supranacionais num quadro regionalizado. Vejamos, então:
a)-Neste sentido, a União europeia constitui exemplo paradigmático, pois que desenvolve concomitantemente formas de cooperação intergovernamentais, outrossim, porém, uma verdadeira política comunitária em âmbitos como a Agricultura e as Políticas regionais, com designadamente a criação ou o reforço de redes económicas transfronteiriças.
b)-Demais, identicamente, na América e no Pacífico, se vê intensificar as iniciativas diplomáticas inter-regionais. Entretanto, no plano internacional, se encontra longe dos meados do século XIX, em que se se contentava com duas ou três conferências inter-estatais, enquanto actualmente se conta por milhares, por ano.
Eis porque, finalmente, no fundo, no fundo, a necessidade de acções multilaterais aparece francamente ditada pelas exigências de cooperação, no âmbito da matéria de Segurança em áreas tão dissemelhantes como a “luta contra o terrorismo”, os traficantes de droga, a imigração ilegal ou a pedofilia. De feito, realmente, um Estado sozinho dificilmente pode fazer frente isoladamente à estes problemas. Outrossim, o Unilaterismo e a neutralidade já não constituem estratégias de defesa credíveis, pois que as instituições de Segurança, globais e regionais assumiram uma importância nova. Identicamente, as Indústrias militares implicam formas de co-produção e de cooperação transnacionais que materializam as joint ventures, as alianças, a subempreitada. Aliás et pour cause, face à Globalização da violência, a segurança nacional tornou um assunto multilateral. Sim, efectivamente, o que se encontrava no cerne da actividade estatal, só se pode realizar se os Estados trabalharem conjuntamente.
Enfim e, em suma: ora actualmente, a necessidade das cooperações trans-governamentais, por um lado, a escalada em potência das solidariedades interestaduais transfronteiriças, por outro, concorrem para limitar as ambições do Estado. Por conseguinte, como se pode compreender, o que funciona, evidentemente, é uma forma de governação pública estratificada (multilayered public governance), com dissemelhantes polaridades globais, regionais e locais. Esta, por seu turno, deve se harmonizar com o desenvolvimento das “autoridades” privadas, :das organizações não governamentais (ONGs), fundações, think tank, associações comerciais, sindicatos do crime. E, eis porque, enfim, não constitui um mero acaso, se toda uma série de programas que relevavam do Estado Providência foram privatizadas, subempreitadas às ONGS.

E, para rematar adequadamente e, em conformidade, se o Estado sobrevive, não menos se olvidou das suas pretensões em ser o único centro de toda regulação. Eis que tange o dobre da soberania e se inaugura, então, a Era do Estado pós-soberano, ampliado e inscrito num processo mais amplo da regulação complexa e estratificada. E, assim, se reforça o papel da Sociedade Civil, sendo o vínculo exclusivo, entre território e Estado, quebrado. Desta forma, se implantaram níveis de governação que se estendem para o interior e para além das fronteiras. Demais, no âmbito desta dinâmica, novas formas de política multilateral e global foram, outrossim, estabelecidas, constituindo, por conseguinte, a rede de actividades, algo assaz denso, intervindo em novos fóruns, que são, na verdade, a ONU, o G8, o FMI, a OMC ou a EU, enfim!...

Lisboa, 14 de Novembro de 2008

KWAME KONDÉ

terça-feira, 18 de novembro de 2008

DE GAFFE EM GAFFE ATÉ À DERROTA FINAL

Ouvi há pouco declarações de Manuela Ferreira Leite na rádio.

Que «o governo errou na forma como pretendeu fazer reformas», porque:

Primeiro hostilizou os médicos, depois tentou fazer a reforma e não conseguiu.

Hostilizou os juízes, os funcionários públicos, os professores e por isso quando quis fazer reformas naqueles sectores não conseguiu.

Concluiu então, Manuela, que «não é possível fazer reformas contra as classes profissionais».

Estava a achar tudo isso muito atinado, fui concordando, até que...

Postulou que não se consegue fazer reformas em democracia.

Assim:
«Eu não acredito em reformas, quando se está em democracia..."
«Quando não se está em democracia é outra conversa, eu digo como é que é, e faz-se».

E acrescentou este grande disparate:
«E até não sei se a certa altura não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia».

Para além da contradição que isso encerra, porque primeiro disse que «não é possível fazer reformas contra as classes profissionais», é uma confissão de total descrédito no sistema democrático, coisa que o mais inepto candidato a líder político nunca diria. Nem a brincar.

Mais que uma gaffe é talvez um sinal claro de que algo vai mal naquela cabeça.

COITADO DO PSD.

AI LIBERDADE LIBERDADAE

OBAMA ENTRISTECIDO...

Primeiro disseram-lhe que não podia ir ao seu barbeiro de há 14 anos cortar o cabelo.

Agora disseram-lhe que vai ter de deixar de usar o seu telemóvel Blackbarry pois não é conveniente que mande ou receba mensagens pessoais (e talvez mesmo telefonemas não filtrados pelos serviços secretos) pois isso é coisa que um Presidente dos Estados Unidos não deve (e não pode) fazer.



...E EU, FELIZ DA VIDA...

...Estou de folga!

Após o almoço vou até à Baixa entregar jogo na minha tabacaria de sempre; dou um salto à Pastelaria Chinesa para cumprimentar e dar dois dedos de conversa a uma tertúlia de amigos; irei à Fnac para ver e talvez comprar umas coisinhas que preciso; beberei uma imperial ao fim da tarde na Cervejaria Portugália da Almirante Reis; e recolho-me a casa com umas compritas a fazer numa mercearia de bairro para dar uma mãozinha nos preparativos da janta.

Aguarda-me em casa um vinhito branco do Fogo para o jantar e um calicezinho de medronheira da boa para a sossega.

É que eu não fui eleito coisa nenhuma!...


UMA VERGONHA

UM HORROR É O QUE É

Ver Ricardo Sá Fernandes, o outrora intrépido “Zé”, defensor de causas públicas, hoje vereador da Câmara Municipal de Lisboa, eleito como independente nas listas do Bloco de Esquerda (que no meu entender traiu descaradamente) ― a comiciar ontem na RTP, ao lado da representante do governo, em defesa dos contentores em Alcântara.

Foi uma imagem grotesca aquela que me ficou das intervenções de Sá Fernandes negando tudo em que dizia acreditar aqui há bem pouco tempo; titubeando, engasgando-se, fugindo à discussão do essencial para se situar no acessório e na lateral do problema.

Foi uma ― mais uma ― confirmação de que os homens têm um “preço”; e de que António Costa, com a habilidade que se lhe reconhece, soube bem meter o outrora folclórico “guerreiro do túnel do Marquês” no bolso.

Curioso será ver para que lado virará o cata-vento político de Sá Fernandes, o que fará para sobreviver na Câmara de Lisboa sem novo apoio do Bloco de Esquerda, nas próximas autárquicas. Sim, porque não acreditamos que, uma vez saboreado o mel do poder autárquico, Sá Fernandes queira regressar ao trabalho na profissão.

É por esta e por outras, que, quanto mais conheço os homens, mais gosto dos animais.

domingo, 16 de novembro de 2008

NOXA NOSSA

Uma das formas de emagrecer ― pouco elegante e pouco saudável, diga-se; e medicamente não recomendada, diga-se também ― é vomitar após as refeições. Não o querendo fazer e sendo sensível do estômago, siga então este conselho: abstenha-se de vir aqui depois de comer.