domingo, 9 de novembro de 2008

CHOVER NO MOLHADO

ESTA GENTE NÃO PODE ESTAR TODA DOIDA...
E QUEM TEM RAZÃO, SER A MINISTRA DA EDUCAÇÃO.
NÃO PODE!

Eu sei que é chover no molhado; mas não posso deixar de me repetir e de repetir o que muita gente com tino tem dito:

«NÃO SE PODE GOVERNAR CONTRA AS PESSOAS»

E acrescento:

― Muito menos se pode governar contra aqueles com que se tem que contar directamente para fazer funcionar a governação.

Parece uma coisa simples de entender, mas, pelos vistos, não é.

É que há alguma diferença entre inteligência e esperteza.

Ontem os professores desceram à rua. E os autistas do governo teimam em ignorar a realidade (como é próprio daquela patologia, aliás).

sábado, 8 de novembro de 2008

BOM FIM-DE-SEMANA

O dia de trabalho hoje vai ser longo: vai ter 24 horas de duração.

Dê uma volta pelos jornais de sábado que tem muita coisa para ler; veja também os principais jornais americanos e perceba que Obama já começou a cumprir as suas promessas eleitorais mesmo antes de tomar posse como presidente dos Estados Unidos: em conferência de imprensa já disse que a prioridade na economia é ajudar a classe média a restabelecer-se e a restabelecer a saúde da economia americana; vai fazer, portanto, o contrário daquilo que o governo português tem feito desde há três anos a esta parte aqui no rectângulo.

E entretanto assiste-se a tentativas ridículas por parte de quem queira imitar-lhe os slogans de campanha!

Há gente que não se enxerga, não é?

Então, até amanhã.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

A PALAVRA AO LEITOR

Exm.o Senhor

Escrevo-lhe a propósito de uma coluna sobre o carácter e a postura moral e ética, acima de qualquer "politiquice" do Baptista-Bastos: é escandaloso que fizeram com ele, pois embora nunca tenha conversado muito com ele, conheço-o e leio-o.
Durante quase quarenta anos fui vizinho dele e da sua minúscula casa, já naquela altura em estado de conservação complicado. Durante esse perído assisti desde cedo às brutais investidas da PIDE (que não brincava) na sua casa, à sua fuga quando foi o famoso "assalto à Sé",no qual ele esteve envolvido até à ponta dos cabelos ( com armas até), tendo de fugir até as coisas acalmarem, deixando a sua mulher e os seus filhos pequenos na casa da sogra, aos sucessivos desempregos que aquele homem teve antes do 25 de Abril e aos problemas graves daí existentes. No Diário Popular ganhava ele (e todos os os outros jornalistas) três vezes menos que os estivadores que moravam lado a lado com ele e nunca se queixou:espartano, saía todas as manhãs de cara lavada para o trabalho. Nunca percebi como é que ele conseguiu escrever livros e ensaios naquelas condições e numa casa do tamanho de uma sala, onde viveram cinco pessoas (ele, a mulher e os seus três filhos). Na sua última vez, já na dita democracia durante o tempo do Cavaco ministro, despediram-no de vários jornais (ele estava na lista negra do primeiro-ministro), a sua casa estava já em estado caótico e muita gente em Alfama tinha sido realojada ou as suas habitações recuperadas com apoio camarário, estando os seus filhos no ensino superior oficial, não tendo outra hipótese senão tirar boas notas, pois não havia dinheiro suficiente para luxos de escolas privadas.Aliás, foram os únicos miúdos lá da rua que tiraram cursos superiores naquela altura!
O senhorio aumentava a renda e nunca fez obras. Após os tribunais não darem em nada, começou a escrever inúmeras cartas para a Câmara resolver a situação de todas as famílias envolvidas e anos depois lá saiu, após técnicos camarários fazerem vistorias as casas todas. O BB já com sessenta e tal anos, foi o último entre dezenas de famílias que de lá saíram para outros lados; entretanto a vida dele começou a endireitar, com os programas de televisão e a escrever regularmente.

Curiosamente, a amizade e a moral sempre estiveram para ele acima da ideologia política, pois sei que teve discussões enormes e até violentas fisicamente na sede do PCP entre meados dos anos setenta até aos anos oitenta, defendendo grandes amigos dele nos antípodas do que ele apoiou políticamente, tais como o João Coito (salazarista dos sete costados e jornalista do jornal o diabo), António Maria Zorro, entre outros que ele nunca sob circunstância alguma deixou de estenter a mão amiga, dar apoio e transmitir respeito.

Voltando à história: o senhorio, quando o prédio ficou devoluto fez obras e alugou dez vezes mais!
Não percebo o silêncio do Mário Crespo, quando ele próprio fez uma reportagem à anos na RTP, sobre um dos sucessivos desempregos do Baptista-Bastos. Muito menos o silêncio dele quando num frente a frente O Vicente Jorge Silva disse que tinha "vergonha de pedir uma casa", mas o Vicente não teve vergonha de pedir para ser deputado (coisa que o BB teria certamente vergonha): isto não se faz a um homem, quanto menos a um colega de trabalho! O Expresso fez cinco artigos contra o homem à três semanas cheios de ódio: não compreendo estes neo-liberais de uma amoralidade que me deixam estupefacto...
Nunca li nada nos Jornais que o BB não atacasse, quando não achava justo, quer à esquerda, quer à direita, até o João Soares, de quem não gosto nada, levou nas "bochechas" quando foi preciso. Fizeram muito mal a um homem demasiado sério, e eu sei que também devem achar que existem aqui uma série de invejas e ódios, despoletados só por colegas, aproveitado por políticos do piorio...algum povo vai atrás desta paródia!
Lembra aquela história do velho Leão cercado por chacais. Têm de ser muitos, pois "mano a mano" ninguém lá vai!!
O BB não se vendeu, nunca foi delator, nem escreveu artigos a elogiar nem a "engraxar" ninguém, senão acho que em vez de ter uma casa alugada à câmara, tinha uma casa própria num condomínio privado, como alguns dos seus colegas têm.
Ainda por cima ele vive ao lado da Quinta do Barros, que são só bairros sociais à volta, e ainda dizem que é um sítio de "classe média/alta"!...Eu tinha mais medo de saír dali à noite, do que em Alfama!
O homem deve andar pelos setenta e muitos anos, pelo que acho a afronta e a falta de respeito ainda maior por um cidadão que tudo fez para honrar e desenvolver o jornalismo em Portugal e é um dos maior escritores de Lisboa!... Ele não se "vendeu" aos trinta,nem aos quarenta, em situações muito piores,com filhos pequenos e era aos sessenta e tal, já velho e numa casa inqualificável?..Além disso se ele quisesse comprar casa, nenhum banco lhe concedia empréstimos - eu sei disso. Por outro lado se ele estivesse morto ou a viver na sua antiga casa, ninguém dizia nada! Eu acho que toda a gente enlouqueceu!...deve ser por causa do "crash" na bolsa, ou não?!

Ele e a família são muito respeitados no bairro de Alfama. pois os mais velhos sabem o que ele passou: os seus jovens colegas de trabalho pelos vistos esqueceram-se.

P.S.- Lembro-me de ele comprar uma minúscúla casa em Constância do Ribatejo,depois de ter feito dois trabalhos para a RTP por 800 contos (uma fortuna!...) e estar a contar isso todo contente lá na rua, para poder guardar as suas largas centenas de livros, porque já estavam a acumular-se na casa de banho!.. Mas acho que casa é tão pequena que a cama foi colocada por cima dos livros! O neoliberal Expresso ainda disse que é "casa de férias"! onde?...na Síbéria?...É só rir!

No Expresso o Miguel Sousa Tavares é um dos que o atacou, esquecendo-se que o Dr. Jorge Sampaio, quando foi Presidente da Câmara, cedeu uma casa ao Pai dele no Lumiar e o filho ainda ia lá visitá-lo!. E o malandro só ataca o BB por isso! Que pouca vergonha!...Eu tenho a certeza absoluta, porque a minha filha vive perto!


Será que vão todos atacá-lo como o fez o jornal Expresso, ou permanecer todos calados (como o Mário Crespo que tanto o louvou e dizia na TV que ele é o maior dos jornalistas, vai permanecer calado na televisão?). Basta lêr o Baptista-Bastos ontem, hoje, e esperemos que por muito tempo), para ver que ele não tem nada a ver com o caso das "casinhas da câmara"! A única coisa em comum é ele ser arrendatário da Câmara! Por comparação: Lá por eu viver em Alfama, não implica que seja fadista ou apregoe peixe!

Espero todos tomemos uma iniciativa após ler isto! Gosto muito do seu Blog: continue assim!
Saúde!

João Coelho
(empregado bancário na pré-reforma, enquanto ainda houver dinheiro em Portugal!)

GESTÃO DE PACOTILHA


Que a coisa nunca funcionou bem, já toda a gente sabia; mas agora a direcção de Vieira, do Benfica, enfiou o “clube dos seis milhões” num caixotinho chamado MEO que quase ninguém tem, fazendo com que o jogo de ontem fosse telespectado por escassos milhares de almas quando o poderia ter sido pelos habituais milhões de telespectadores de um canal generalista ou mesmo da SporTV; que fosse telespectado por larguíssimos milhares de cabo-verdianos e milhões de angolanos e pelo impagável senhor Xanana Gusmão ―, fazendo um manguito colossal a toda aquela gente.

(Não sei se em Cabo Verde e em Angola, que é onde o Benfica tem mais adeptos por metro quadrado, houve suicídios por causa do blackout vieirista).

Um amigo meu que tem a caixinha MEO disse-me que «aquilo é anedótico e de partir o coco»; que «a pouquíssimos minutos do final do jogo, com o Benfica a perder por 2-0 e mais perto de sofrer o terceiro golo do que de marcar, o “comentador”, um funcionário do clube, dizia ― quando no estádio já só metade do número de espectadores inicias lá permanecia ― que ainda era bem possível ao Benfica marcar (não dois mas) três golos aos turcos»...

?!...

Rev. JESSE JACKSON


KWAME KONDÉ (IV)

Intervenção Quarta...

O escritor português e Prémio Nobel de Literatura 1998, José SARAMAGO (n-1922), numa recente conferência de Imprensa, em Lisboa, a propósito do filme: “Ensaio sobre a cegueira”, do Realizador brasileiro Fernando MEIRELLES adaptado de um romance seu, criticou o Sistema Capitalista e a actual lógica de mercado, atribuindo responsabilidades aos “Grandes financeiros, os directores das grandes empresas e dos bancos”. E remata a sua intervenção, argumentando, desabrido e de modo lapidar, com a seguinte sentença: “Marx nunca teve tanta razão como hoje”. Ver mais pormenores sobre a entrevista em apreço na reportagem inserta no Semanário português, “Expresso”de 27 de Outubro de 2008.

Porém, na nossa óptica e perspectiva, não explicitou adequadamente o conteúdo de verdade e de fundo que a sua asserção assume, na sua essência primordial. Eis porque, nos ocorreu a ideia de tecer algumas considerações acerca da Actualidade do Magistério e Pensamento respectivo do filósofo alemão, KARL MARX. Assim, nesta dinâmica, esta nossa peça ensaística surge, enquadrada, adentro da Temática: Na Hora da Verdade!...No caso vertente, Intervenção Quarta, em que vamos apresentar, de forma pedagógica, o nosso contributo, visando uma elucidação, quão percuciente e apropriada no atinente à Actualidade, real das Ideias e Pensamento de Marx.

De feito e, na verdade, o marxismo (grosso modo, se assume como doutrina filosófica, política e económica oriunda da lavra de K. Marx, que analisa os processos históricos consoante métodos dialécticos e materialistas, à luz da luta das classes), constituiu—dizíamos—o movimento político de lutas mais importante contra as excentricidades/extravagâncias do sistema capitalista e do Liberalismo. Contudo, no decurso dos trinta (30) derradeiros anos do século XX pretérito, aparentemente perdeu muito da sua sedução, na sequência dos “êxitos” das “democracias” ocidentais, da “estabilidade” que geraram e do papel desempenhado pelo Estado Providência. Daí, o chorrilho de dislates aventado, por todo um coro de ignorantes, de vários quadrantes, fruto de opiniões apressadas, visando denegrir os válidos e robustos fundamentos da análise marxista, propalando uma mensagem adulterada de que realmente, havia perdida a sua pertinência efectiva.

Todavia, desde alguns anos, o contexto se encontra em vias de mudar. Com efeito, o Ultraliberalismo inaugurado por Ronald REAGAN nos USA e Margaret TCHATCHER no Reino Unido, provocou um incremento das desigualdades entre os pobres e os ricos e, outrossim, uma erosão da classe média. Por sua vez, o crescimento económico mundial não trouxe os proveitos prometidos à imensa maioria dos habitantes dos países mais pobres. Pelo contrário, do facto apenas aproveitou uma débil fatia da população, assim como os usurpadores de capitais das grandes empresas multinacionais.

De anotar, por outro, para tornar a Situação, ainda mais deletéria, por toda a parte no Mundo, aparecem receptáculos/reservatórios de mão-de-obra, com débeis remunerações sob a ameaça de deslocação de fábricas e de externalização da produção. Assiste-se, deste modo, ao retorno do que MARX denominou do “exército industrial de reserva”, que garantiu ao Capitalismo a preservação dos seus imensos lucros, permitindo exercer pressão sobre os salários. Por seu turno, as organizações sindicais e os Partidos operários, pela sua real fraqueza, já não podem impor aumentos de salários e um sistema fiscal de redistribuição das riquezas.

De feito, mais de cento e cinquenta (150) anos após o aparecimento do Capitalismo no século XIX, um novo ciclo parece seduzir com um incremento das desigualdades, das injustiças e da exploração dos trabalhadores. Eis porque, os conflitos vinculados às condições das permutas económicas e ao controlo dos recursos escassos vão se exacerbar a olhos vistos. Deste modo, se afigura sobremaneira provável que a análise marxista, como meio de explicação das situações políticas e económicas, recupera uma nova atracção/influência.

Enquadra-se, efectivamente nesta dinâmica, o caso sobremaneira paradigmático do Movimento altermundialista que vê nas fraquezas do Capitalismo globalizado as mesmas características que as do Capitalismo tal como o descrevia e o criticava MARX. Assim, a ausência de outros modelos de análise político-económico mais coerentes e mais pertinentes para lutar contra os efeitos nefastos do Capitalismo reforça as oportunidades de ver a análise marxista renascer e vir a ser o denominador comum dos movimentos de contestação que avisadamente proliferam, cada vez e mais, por todo o mundo.

Enfim e, em suma, eis porque, para todas as vítimas da Globalização, para todos les laissés pour compte da economia do mercado, para todos os indigentes, os escravos do trabalho e os proletários, a Actualidade do Magistério e do Pensamento respectivo de MARX é um dado inquestionável, absolutamente. E, parafraseando, lúcida e criticamente o filósofo e sociólogo Suíço, Jean ZIEGLER (n-1936), actualmente relator especial da Comissão dos Direitos do Homem (das Nações Unidas), sobre o Direito à Alimentação, urge, se impõe, evidentemente, gritar em alto e bom som: “A demain, Karl”, título, aliás, bastante sugestivo da sua obra, de cariz, um tanto ou quanto, premonitório, datada de 1991.

Lisboa, 03 de Novembro de 2008.

KWAME KONDÉ

terça-feira, 4 de novembro de 2008

KWAME KONDÉ (III)

Informação importante e assaz pertinente acerca do

GRUPO CÉNICO

“TCHON DI KAUBERDI”

Ao mesmo tempo que liquidamos a cultura colonial e os aspectos negativos da nossa própria cultura (…), devemos criar uma outra cultura baseada sobre as nossas tradições, mas respeitando tudo o que mundo conquistou hoje para servir o homem (…) Amilcar Cabral

«C’est un art ― referindo-se obviamente ao Teatro ― qui est très bien reçu par les peuples sous-développés. C’est pour eux un langage extrêmement direct. Il y a un besoin, une faim de théâtre en Afrique noire ». ― Aimé Césaire

Fazer Teatro, em Cabo Verde… foi, na realidade, o grande objectivo do grupo « Korda Kaoberdi ».…Nesta ordem de ideias, era necessário provar que Teatro em Cabo Verde teria, sem dúvida, que existir consequentemente em termos universais. ― Kwame Kondé

O grupo cénico “Tchon di Kauberdi” tem uma existência efectiva de quatro (4) anos. Trata-se de um grupo teatral, de cariz eminentemente experimental, visando a prática avisada de um Teatro Total, na verdadeira e genuína acepção da expressão.
De anotar, que a sua qualidade artística e cénica é fruto de um aturado e lúcido trabalho de fundo, ipso facto, et pour cause, perseverante, que vem desde os primórdios da sua criação e edificação, cujo corolário lógico foi a sua auspiciante Estreia, no tablado, perante um Público exigente, Evento esse, que se saldou por um êxito teatral indiscutível e teve lugar no Pequeno Auditório da Escola Superior de Teatro e Cinema (ESTC), Lisboa Portugal, no ano de 2006.
De salientar, outrossim que não foi, por mero acaso, que, desde a primeira hora do seu Advento temos tido um importante e elevado apoio Institucional e Artístico da ESTC, Instituição, aliás, de reconhecido prestígio nacional e internacional.

De consignar, outrossim e, ainda, que recentemente, recebemos mais um significativo Apoio Institucional oriundo desta magna Instituição, que é efectivamente, a Sociedade da Língua Portuguesa (SLP), cuja actual Presidente é a Professora Doutora Elsa Rodrigues dos Santos, que nos disponibilizou as instalações da sua Sede, em Lisboa para o nosso labor. Deste modo, poderemos levar a cabo, todo o nosso Trabalho de experimentação artística, teatral e estética, designadamente recherche/pesquisa, não só, no âmbito cénico e teatral propriamente dito, como também, no domínio cultural – lato sensu – e, por extensão óbvia, da nossa cultura nacional; ensaios, enfim, todo o leque de actividades, necessariamente consequentes, que um grupo cénico precisa para crescer e se desenvolver consentânea e apropriadamente.
Neste particular, vale a pena referir que está agendado, no Calendário de Actividades Culturais da SLP, actuações do Grupo, já na primeira semana do próximo mês de Dezembro de 2008 em curso, não só, na sua Sede em Lisboa, como outrossim e, ainda, em demais outras salas de espectáculos, quer em Lisboa, quer em outras localidades de Portugal.


Neste momento, por razões e motivos óbvios, o Grupo integra, no seu seio, vinte e cinco (25) elementos, nomeadamente, actores, cenógrafos, aderecista, músicos, bailarinos, sonoplasta, luminotécnico, assessor jurídico, etc, etc. Eis porque, o grupo cénico “Tchon di Kauberdi”assume-se plena e eloquentemente o Estatuto de Grupo teatral de vocação eminentemente experimental apostado na prática consentânea de um Teatro Total, pois que dispõe de estrutura e autonomia suficiente, que lhe confere a competência artística e cénica para levar avante, com eficácia segura, um tal desideratum.


Lisboa, 01 De Novembro de 2008.

Francisco FRAGOSO
(Encenador e Director artístico do grupo cénico “Tchon di Kauberdi”).


O BOMBEIRO PRESUNÇOSO

O Abrupto, lesto, veio ontem desculpar aqui Ferreira Leite considerando «inócua» a declaração desta sobre Cabo Verde e a Ucrânia.

Não tem razão Pacheco!

A declaração fere as pessoas; fere a relação entre as comunidades a que diz respeito; e desvenda um pouco o íntimo político de Ferreira Leite no que às relações internacionais de Portugal diz respeito.

Pacheco não sabe melhor do que aqueles a quem as declarações dizem respeito, se eles se sentem atingidos ou não. Quem sente é que sabe. Ao menos que Pacheco deixe que sejam os atingidos (cabo-verdianos ou ucranianos) a exprimirem os seus sentimentos.

«Inócua» uma ova!

EMTEMPO

Por recear não saber utilizar bem a ironia de forma a fazer-me entender claramente por todos os que me lêem, apresento aqui duas declarações muito curtas:

1) Tudo que tenho dito sobre Sarah Palin é pura brincadeira encontrando-se a verdade apenas quando falo da beleza da senhora.

2) Espero ― tenho mesmo a profunda esperança ― que Barak Obama ganhe as eleições presidenciais americanas dando uma grande, enorme, colossal abada a John McCain.


domingo, 2 de novembro de 2008

A FIGURA DA SEMANA

Como o BPN (Banco Português de Negócios) não lhe relatou as irregularidades que lá eram praticadas;

Constâncio «não sabia que existiam irregularidades no BPN».

E agora perguntemos: Sendo assim, como pode Constâncio vir dizer à malta que está tudo bem com os outros bancos?

Ou será que estes bancos relatariam alguma irregularidade ao Banco de Portugal caso as praticassem?

Socorro!

O SEGURO DE VIDA DE SÓCRATES

Hoje, à hora do almoço, numa entrevista à TSF, Manuela  Ferreira Leite, instada a falar sobre as obras do novo aeroporto e o projecto do TGV, não esteve com meias medidas:

«Estas obras são boas para combater o desemprego em Cabo Verde e na Ucrânia».

Oh santos senhores! Quem é que explica de uma vez por todas a esta pobre gente tipo Ferreira Leite e que tais (que infelizmente ainda há muita) que Portugal é um país de emigrantes que quase desde os seus primórdios teve sempre e tem uma larga fatia do seu povo procurando a vida no estrangeiro, e que, por isso mesmo deveriam ter muito cuidado e respeitinho quando falassem da imigração. É que há portugueses a rodos por este mundo fora (muitos labutando em Cabo Verde e ganhando lá a vida - até extensões de bancos portugueses comerciando clandestinamente em Cabo Verde há, como disse Constâncio hoje) o que dá aos cabo-verdianos, por exemplo, toda a legitimidade de quererem vir trabalhar em Portugal.

Ou não será assim?

Para além do mais deveriam saber que esta coisa da imigração tem muito que se lhe diga sendo por isso preciso ter muito tino quando se o aborda porque lhe costumam estar muito colados o racismo e a xenofobia que, como sabemos, não pedem licença para se manifestarem em certas pessoas. 

Para já uma Associação de Ucranianos em Portugal já respondeu a Ferreira Leite dizendo-lhe que «muitos ucranianos trabalharam já em Portugal, pagaram os seus impostos, descontaram para a Segurança Social e depois foram-se embora deixando tudo isso cá».

Será que Ferreira Leite vai propor ao governo reembolsar esses ucranianos?

Santa paciência!

Ó senhora, vá ver se chove, sim!?

EU ADORO ESTA MULHER!

E ISTO NÃO SE FAZ!

Meu Deus, gozaram com Sarah Palin!...

De um programa de rádio canadiano telefonaram à bela senhora fazendo-se passar pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy ― ingénua e crédula Sarah caiu na armadilha...

Alguns acham que ela fez uma figura ridícula ao telefone. Eu fiquei maravilhado com a genuinidade e disponibilidade espiritual de Sarah Palin.

Podem os americanos eleger Obama daqui a dois dias; mas Sarah Palin será a minha presidente espiritual daqui para o futuro. Não quero outro poder na Terra.

OBAMA 52%


Sondagem nacional da Gallup referente ao dia de ontem, 1 de Novembro (hoje ainda a América está a dormir):

OBAMA: 52%
McCain: 42%



GESTÃO EMPRESARIAL (FABRIL)

Vi este cartaz no Wehavekaos e como cidadão contribuinte e interveniente, social e politicamente, concordo com a mensagem.

Exige-se aos professores o cumprimento integral do horário de trabalho nas escolas? Então, força nisso: cumpram o horário de trabalho integralmente na escola. E não façam MAIS NADA (nenhuma acta, preparação de aulas, correcção de pontos, etc.) em casa; façam tudo isso na escola.

Eu, que tenho outra profissão que não a de professor, já faço isso há algum tempo (desde que também aplicaram a gestão empresarial lá no meu... coiso). Cumpro integralmente o horário de trabalho no local de trabalho (que é como eles querem), e o meu tempo em casa é isso mesmo ― é MEU! Deixei de trabalhar em casa... para o coiso, como fazia dantes. E só atendo o telemóvel porque ainda me resta algum respeito pela profissão, pelos outros, e porque me sentiria indigno se o não fizesse (como querem que eu faça ― na lógica que eles implantaram).

Querem que tudo funcione como nas fábricas?

Então vamos lá a isso e vejamos depois em que estado o País ficará com esta filosofia de gestão empresarial para tudo.

Raio de mentecaptos!

ORGULHO CABO-VERDIANO

Leio no blogue Sobre o Tempo que Passa do Prof. Doutor Jose´Adelino Maltez, linkado aqui ao lado, uma folha do seu diário de Timor, onde se encontra a leccionar, e fico orgulhoso por uma observação que Maltez faz acerca da democracia cabo-verdiana. Foi nesta passagem que transcrevo e sublinho:

«Acordo manhã e domingo e recordo que ainda ontem ao fim da tarde, sentado num sofá do Hotel Timor, estava, mui calma e serenamente o ex-chefe do governo Alkatiri, tomando cafezinho com a filha, a netinha e meia dúzia de amigos e amigas, assim se confirmando como a democracia é real nestas paragens e que a alternância custa, mas é efectiva. Por mim, que ainda não consegui compreender por dentro as divisões políticas entre timorenses, quase me apetece dizer que, entre os hortistas, os xananenses e os alkatirianos, todos eles irmãos, nascidos do mesmo nó de gerações, é mais o que os une do que aquilo que os divide. Uns são mais voltados para uma racionalidade finalística obtida entre os modelos moçambicano-europeus, outros, mais marcados pelos modelos internos do compromisso, mais orientalistas, mais racionais-axiológicos. Se os primeiros preferem o "state building", já os segundos tendem mais para o "nation building". Os dois são necessários e a alternância se for "à cabo-verde" pode ser o sal da terra».

A FOTO DE FRENTE


Ooooops!...

Ter-me-ei enganado... Ou terei sido enganado!?...
Terei fotografado uma outra... Ou foi ela que se vestiu depressa?...
Não sei. Mas acho que não me enganei  é ela! 

BOM DIA.

sábado, 1 de novembro de 2008

SAUDADES DO VERÃO


BOM DIA.

Amanhã publica-se a fotografia de frente. Não perca.

UM ARTIGO DE JORGE MORBEY

Do sempre fixe, Djibla (Daniel Mascarenhas), recebi este interessante e fundamentado artigo da autoria do nosso amigo comum Dr. Jorge Morbey, ex-adido cultural na Embaixada de Portugal na China, publicado na revista Hoje Macau, de Agosto.

MACAU 2008 - A LUSOFONIA EM FESTA

Radica na mais antiga tradição católica lusa o calendário de festas e romarias que assinalam a superação de crises originadas pela guerra, pela doença, por calamidades naturais, etc., cuja celebração inclui manifestações religiosas e profanas.

Os festejos anuais da Lusofonia em Macau, se bem que destituídos de programação de índole religiosa, parecem poder entroncar nessa mesma tradição. O ambiente de festa e alegria não deve, porém, ser impeditivo de alguma reflexão produzida entre os cidadãos originários dos países que têm o Português como sua língua oficial. 

A Lusofonia como, aliás, a Francofonia, a Hispanofonia e a Anglofonia, são espaços que radicam no fenómeno colonial e que assentam no uso da língua do ex-colonizador como cimento aglutinador das antigas colónias. Entre si e com as respectivas metrópoles do passado. Nesses espaços procura decantar-se a História de episódios de força e opressão, transformar em amigos anteriores inimigos, substituir a violência pretérita pelo diálogo, suprir a antiga exploração pela moderna cooperação.

Ao contrário das teses que sustentam que tais espaços existem para manter o espírito colonial, parece que no seu estádio actual eles existem como áreas de catarse ou expiação. E não parece que possam ir mais além, tendo em conta os fortes compromissos existentes entre os países europeus, no seio da União Europeia, que inviabilizam irremediavelmente a participação plena dos países membros da UE em qualquer outra “Comunidade de Povos”. Atente-se no modo como o Acordo de Shengen inviabiliza qualquer expectativa de livre circulação de cidadãos das antigas colónias no território das antigas metrópoles, apesar de pertencerem à mesma comunidade linguística – anglófona, francófona hispanófona ou lusófona.

O fenómeno colonial, na sua formulação pura e dura, foi a revalidação entre as potências coloniais europeias dos seus interesses de exploração em África, formalmente assumida na Conferência de Berlim, em 1885. Aí, muito antes de Shengen, Portugal viu-se forçado a aderir ao discurso colonial europeu, ao arrepio da sua própria tradição e muito para além da capacidade que se lhe exigiu, em resultado da então nova regra colonial europeia que determinava, sem apelo nem agravo, a ocupação efectiva dos territórios africanos.

O anticolonialismo do Século XX e a descolonização por ele determinada foi um facto sem antecedentes na História da Expansão Europeia porque se centrou no objectivo impreterível de reconquista da Soberania pelos povos colonizados.

O Século XIX assistiu à secessão das colónias americanas dos respectivos países ibéricos e o Século XVIII foi o tempo da independência das colónias inglesas da América do Norte, à excepção do Canadá para onde se deslocaram os colonos que preferiram manter-se leais à Coroa Britânica e que ficaram conhecidos por United Empire Loyalists.

A independência das colónias americanas foi um fenómeno sui generis, uma vez que os respectivos territórios não foram restituídos aos seus povos originários mas entregues aos europeus e seus descendentes que aí se tinham estabelecido. A descolonização dos Séculos XVIII e XIX constituiu, portanto, o resultado da secessão de interesses em conflito que opunham europeus geograficamente separados pelo Atlântico, mas unidos pela mesma língua. 

O Século XVII tinha sido a época de consolidação de uma nova ordem europeia no domínio do Mundo cujo exclusivo, ditado em Tordesilhas, deixou de pertencer aos países ibéricos e, em várias partes, foi derrubado e substituído por holandeses, ingleses e franceses. A abertura dos mares à navegação de outros países europeus, além de Portugal e de Espanha, resultou da acção da Reforma iniciada com Martim Lutero e teve por consequência o esvaziamento do poder central europeu pela autoridade pontifícia romana que vigorava desde a queda do Império Romano. 

A hegemonia portuguesa no Índico e no Pacífico durou perto de um século e foi profundamente abalada com a chegada em força dos Holandeses àqueles mares. A transferência de domínios entre países europeus – de Portugal católico para a Holanda protestante, principalmente - constituiu o pano de fundo em que emergiram as Cristandades Crioulas Lusófonas do Oriente.

Com a substituição da dominação portuguesa pela holandesa, permanecendo nas terras que as viram nascer, deportadas para outras paragens, ou forçadas à emigração, essas comunidades mestiças talharam a sua identidade própria que perdurou até aos nossos dias e que assenta em dois pilares principais: a religião católica e a língua crioula. 

A religião católica fora trazida pelos portugueses, directamente de Portugal ou através de Goa – a Roma do Oriente. Convertidos ou nascidos nela, com ela haviam de morrer, geração após geração de euro-asiáticos de origem portuguesa. 

A sua língua crioula era a língua portuguesa na formulação que lhe garantira o estatuto de língua franca no litoral da Ásia e da Oceania, desde o Século XVI até à sua substituição pelo inglês, no Século XIX. Holandeses, ingleses, dinamarqueses e franceses não podiam prescindir de um “língoa” [intérprete] a bordo para poderem comerciar nos portos do Oriente, na língua que era - nada mais, nada menos – aquela que as Cristandades Crioulas Lusófonas do Oriente falavam e, muitas delas, ainda falam. Tratados, contra os interesses portugueses, foram firmados entre representantes desses países europeus e poderes locais nessa mesma língua, por ser a única a que os europeus podiam recorrer para comunicar no Oriente. Ainda hoje, em muitas partes deste lado do Mundo, “Cristão” e “Português” são sinónimos.

A forte identidade das Cristandades Crioulas Lusófonas do Oriente cimentou-se em grande parte na adversidade. O conflito religioso nascido na Europa, entre católicos e protestantes, ramificou-se por todas as paragens do Oriente onde o poderio holandês se firmou. A profanação e a destruição de igrejas e mosteiros, a expulsão dos padres, a proibição de qualquer acto de culto católico, as deportações maciças, a redução de muitos à condição de escravos, compeliram os membros dessas cristandades à clandestinidade e à emigração: Macau, Índia, Insulíndia, Sião e Indochina foram os destinos principais.

Escondidos em suas casas ou refugiados nas florestas, os membros das Cristandades Crioulas Lusófonas celebravam como podiam os actos de culto. Sem padres e sem igrejas, organizaram-se em irmandades clandestinas que, ao fim de décadas, produziram fenómenos de cristalização cultural, de natureza religiosa - e linguística – que impediriam, por séculos, a sua plena integração nas paróquias católicas criadas posteriormente. Tais irmandades permaneceram até aos nossos dias e conservam determinadas prerrogativas que limitam a autoridade dos párocos, o que é visível em algumas celebrações onde os padres se limitam à Eucaristia e à Confissão dos fiéis porque, em tudo o mais, quem manda é a Irmandade. 

À medida que a dominação holandesa foi sendo substituída pela inglesa, as Comunidades Crioulas Lusófonas do Oriente foram ficando menos oprimidas e, em alguns casos, foram as próprias autoridades coloniais britânicas a tomar a iniciativa de lhes facultar padres portugueses.

Perdida a confiança que a Santa Sé depositara desde o Século XV em Sua Majestade Fidelíssima o Rei de Portugal, após o corte das relações diplomáticas por iniciativa do Governo liberal em 1833 e a extinção das ordens religiosas por decreto de 31 de Maio de 1834, o Padroado Português do Oriente sofreu um golpe mortal. Na Índia, no Ceilão - hoje Sri-Lanka -, no Sudeste Asiático, na China e na Oceania. Permanecendo - os que podiam - nas suas missões, os missionários do Padroado não seriam substituídos pelos seus confrades. O clero secular de Goa, numeroso e bem preparado, acorria em socorro das Cristandades Crioulas Lusófonas do Oriente que iam ficando sem religiosos. Quase sempre em vão. Os missionários da Propaganda Fidae e das Missions Étrangères de Paris já as ocupavam e os respectivos vigários apostólicos impediam-lhes o exercício do seu múnus. A expansão missionária francesa no Oriente começara ainda no século XVII.

As Cristandades Crioulas Lusófonas do Oriente, gente simples e temente a Deus, mantidas na ignorância dos conflitos entre Portugal e a Santa Sé, lutaram anos sem fim contra as novas autoridades eclesiásticas com quem conflituavam abertamente e às quais consideravam estrangeiras. Durante décadas pagaram por isso o elevado preço de lhes serem recusados os sacramentos a que só esporadicamente tinham acesso quando aportava um navio com um sacerdote, ainda que espanhol. Clamaram sempre pelo envio de clero. De Portugal, de Goa ou de Macau. Em vão.

A firme identidade das Cristandades Crioulas Lusófonas do Oriente, ainda hoje, evita o casamento dos seus membros com indivídos exteriores a elas e prefere que os futuros cônjuges provenham do seu seio ou de outras cristandades, ainda que distantes. Quando assim não acontece e o casamento une um membro seu a alguém que a ela não pertence, a regra é a conversão deste à religião católica e a aprendizagem da língua crioula.

Algumas dessas comunidades desfrutam de um status ou imagem social positivo nos países onde vivem. Outras, porém, são socialmente desqualificadas e os seus membros são depreciativamente designados por “negros”, apesar da sua côr mais clara - da pele, do cabelo e dos olhos - relativamente aos naturais com outras origens étnicas. 

A nível individual, nos países onde se encontram, podem encontrar-se membros originários destas comunidades nos mais elevados estratos da sociedade: do mundo da política à actividade empresarial próspera, nas mais elevadas funções da hierarquia eclesiástica ou simples párocos de aldeia. Onde se verifique a existência de uma significativa percentagem de membros destas comunidades no clero católico, isso parece resultar da intensa discriminação de que são objecto no acesso ao ensino público e ao mercado de trabalho – público e privado. Em regra, dedicam-se a actividades modestas. São pequenos proprietários, simples trabalhadores agrícolas ou pescadores. 

Com a descolonização das antigas colónias portuguesas de África foi restituído aos seus povos o direito de decidirem sobre as suas línguas nacionais. Em todas elas o português foi adoptado como língua oficial, ao mesmo tempo que se reconheceu expontânea dignidade às línguas maternas dos seus povos.

As Cristandades Crioulas Lusófonas do Oriente, substituído o domínio português, permaneceram sob domínio colonial europeu que as hostilizava ou, pelo menos, não dignificava. Assim permaneceram até à independência dos países em que se encontram, onde constituem minorias com reputação variável em cada um deles. Por naturais razões de unidade do Estado, esses países mantiveram como língua oficial o inglês – a lingua do último colonizador – e privilegiam uma das suas línguas como língua nacional.

O poder colonial inglês não descolonizou as Cristandades Crioulas Lusófonas, no sentido de restituir dignidade à sua identidade, de que a língua crioula faz parte integrante, o que, aliás, não era de esperar. Nem é de esperar que os poderes pós-coloniais de motu proprio venham a dedicar-lhes a atenção a que têm direito. 

A incapacidade de Portugal nesta matéria é uma evidência secular, filha da ignorância e do preconceito, como atestam alguns exemplos que se registam de seguida e que ocorreram num intervalo de cento e cinquenta anos.

1. José Joaquim Lopes de Lima, político português e administrador colonial - governador de Timor que cedeu a ilha das Flores aos holandeses -, no seu “Ensaios sobre a Statistica das Possessões Portuguesas no Ultramar..” (1844) dá uma pequena amostra da desconsideração e desrespeito nutrido em relação às Cristandades Crioulas e à língua por elas falada. No que respeita ao Crioulo de Cabo Verde, classificava-o de gíria ridícula, composto monstruoso de antigo Portuguez, e das Linguas de Guiné, que aquelle povo tanto présa, e os mesmos brancos se comprazem a imitar.

2. Em 1988, transmiti ao Secretário da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Albino Cleto, a disponibilidade do Governo de Macau em apoiar a ida de religiosos portugueses para a Missão de S José de Singapura e para a paróquia de S. Pedro de Malaca, em virtude de se encontrarem praticamente retirados, por doença e velhice, os últimos padres portugueses enviados pelo Bispo de Macau. Respondeu-me S. E. Reverendíssima - de um modo que me pareceu tocado de complexo colonial - que a iniciativa deveria partir do Arcebispo e Bispo respectivos. Sugeri que, ao menos, a Conferência Episcopal Portuguesa os convidasse para as comemorações do Centenário da Missionação e, nessa altura, se abordasse o assunto. Que se saiba, nenhum deles esteve nessas comemorações, por declinarem o convite ou por não terem sido convidados. Suponho que se verificou a segunda hipótese.

3. Em Janeiro de 1996, teve lugar em Malaca uma Conferência sobre “O Renascimento do Papiá-Cristão [Crioulo de Malaca] e o Desenvolvimento do Património Malaco-Português”, a que tive a honra de presidir na qualidade de Adido Cultural da Embaixada de Portugal e a convite da respectiva Comissão Organizadora. Entre as comunicações apresentadas, abordaram-se temas da maior importância: as dificuldades que sobreviriam para os pescadores, representando 30% da Comunidade, em consequência dos planos de desenvolvimento local que previam extensos aterros, afastando o mar para longe das suas casas; o estudo, então em curso, para avaliação do número de falantes do Crioulo [Kristang] e necessidades para o respectivo ensino; o crescente interesse da população estudantil da Malásia, espelhado em teses versando a influência do Português sobre o Malaio e de docentes universitários daquele país empenhados em trabalhos de investigação sobre o Papiá-Cristão; a sumariação dos crioulos existentes no mundo, seus diferentes estatutos, intercâmbio dos seus falantes para troca de experiências, inventário das respectivas necessidades, modos de entreajuda e internacionalização desse património comum espalhado por vários países; a complexidade do sistema educativo da Malásia em que coexistem várias línguas e que permite a inclusão de qualquer idioma – incluindo o Papiá-Cristão e o Português padrão – mediante requerimento de quinze pais ou encarregados de educação, etc.

Expressa ou implicitamente os oradores apelaram ao apoio de “Portugal e das Fundações Portuguesas”. Estávamos no início do ano de 1996. Uma das dez conclusões da Conferência consistiu no pedido de avaliação das possibilidades de ligação das Comunidades Crioulas Lusófonas à Comunidade de Povos de Língua Portuguesa (CPLP). Outra propunha que Portugal viabilizasse a organização de um pavilhão das Comunidades Crioulas Lusófonas na EXPO 98.
Tudo foi transmitido ao Governo português pelos canais habituais. A primeira resposta recebida enviava o preçário de arrendamento dos pavilhões! Insistiu-se através de nova diligência procurando explicar melhor o sentido e alcance do que se pretendia. A resposta ignorante que encerrou definitivamente o assunto foi a de que cada Comunidade deveria diligenciar a sua inclusão nas representações dos respectivos países à EXPO 98... 

Como me referiu o Arcebispo Emérito de Mandalay, na Birmânia, U Than Aung - descendente de portugueses - onde a maioria do clero católico é de origem portuguesa e cuja Comunidade tem as suas origens na cidade de Pegú no ano de 1600, quem nunca recebeu a mais ténue manifestação de solidariedade de Portugal nada tem a esperar daí. 

Na verdade, o que poderão as Cristandades Crioulas Lusófonas do Oriente esperar de Portugal? Reflectindo quanto baste, parece poder concluir-se que:

Não rendem votos aos partidos politicos portugueses, nem remessas de divisas como as dos lucrativos emigrantes portugueses no estrangeiro.

Não rendem votos aos partidos políticos, não proporcionam negócios, nem representam qualquer quota de mercado nas exportações portuguesas. 

Não proporcionam receitas de milhões de euros ao Fisco e à Segurança Social portuguesa, nem a sua força de trabalho está à disposição de empresários portugueses, como acontece com os imigrantes - de África, do Brasil e do Leste Europeu – em Portugal. 

Na estrutura do Governo e da Administração em Portugal não existe espaço nem atenção para as Cristandades Lusófonas do Oriente. Porque elas não são lucrativas para os cofres do Estado.

Ricas e poderosas instituições privadas de utilidade pública, criadas à custa de muito dinheiro levado de Macau para Portugal, em condições que não dignificaram o País e a que caberia prestar atenção às Cristandades Crioulas Lusófonas do Oriente - saber onde estão, quantos são, que carências têm e as potencialidades que nelas existem - encaram as poucas de cuja existência sabem vagamente como criaturas simpáticas a que, de vez em quando, se dão uns amendoins com o afecto próprio do visitante de uma aldeia de macacos num qualquer jardim zoológico.

As Cristandades Crioulas Lusófonas do Oriente são, assim, comunidades de excluídos da Lusofonia que a Lusofonia tem o dever de acolher no seu seio.

O fervor recente de promover internacionalmente a Língua Portuguesa não revela a mínima preocupação de cooperar na valorização desse Património Intangível da Humanidade que é constituído pelos crioulos de base portuguesa: do Oriente e de alguns dos Países de Língua Oficial Portuguesa.

Mas o desconsolo maior é que excluídos da Lusofonia acabamos por estar todos nós. Porque apesar do denominador comum que é a Língua Portuguesa – padrão ou crioula - enquanto estivermos privados da liberdade básica de todas as outras que é o direito de estar e de ir de um lado para o outro – jus manendi, ambulandi eunde ultro citroque –, de circular livremente entre os nossos países, a Lusofonia/CPLP pode ser tudo o que quiserem. Mas não é de certeza uma Comunidade de povos livres de circularem livremente entre os respectivos países.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

DE KWAME KONDÉ (II)

Na Hora da Verdade!...Segunda Intervenção…

Não há dúvida nenhuma, que a crise financeira do ano 2008 em curso, iniciada com a das “Subprimas” em 2007, é uma nova crise do capitalismo exactamente como se a conhece ciclicamente desde o século XIX. Com efeito, et pour cause, o Ultraliberalismo (leia-se, outrossim, liberalismo extremista) implantado sob os nefandos regimes da política britânica, Margaret TCHATCHER (n-1925), então Primeira Ministro e do actor/político norte -americano, Ronald REAGAN (1911-2004), então Presidente dos USA, nos anos de 1980, só podia acelerar o fenómeno, óbvia e absolutamente.
A voracidade e a obsessão do lucro, apanágio do Capitalismo Financeiro, quão inchado, aliás, como um bandulho à força de especulação abertamente desenfreada, visando, cada vez mais e mais, lograr o máximo de proventos, acabam de provocar explosão, em pleno voo, deste. Destarte, enquanto os patrões dos bancos saltam com o seu pára-quedas dourado o “mercado” só pôde reatar relações com os pára-quedas dos Estados, outrora menosprezadas, porquanto reputadas como empecilhos de poder lucrar, não só, em círculo, como outrossim e, ainda, ao redor e em torno, evidentemente.
E, eis porque, efectivamente, o verdadeiro slogan se revela ser eloquentemente: “individualização dos ganhos, mutualização das perdas”. Hélas!

Outrossim e, ainda, para ter como valor fundamental e como desígnio na existência, o domínio de sempre, o máximo de riquezas, livre, para impunemente empobrecer milhões de pessoas, o Ultraliberalismo acaba de conduzir o Mundo à beira do abismo. Sim, efectivamente, a crise está aí, indiscutivelmente e, em força. Donde e daí será, assaz árdua, dura, outrossim, profunda, quão elevadas forem as torres do Capitalismo Financeiro.

Na verdade e, na realidade, nada será como dantes. Vamos entrar num outro Mundo sem que ninguém possa saber exactamente com quê será concebido, engendrado e, finalmente produzido. Com efeito, é aquando das crises que intervêm as grandes mudanças. De anotar, porém, que opostamente à ideia usualmente admitida, a História Humana não é um longo rio tranquilo, pois que está ciclicamente submetida a enormes e profundas subversões/desordens, quer no âmbito das ideias ou da organização social. De consignar, por seu turno, que a relativa estabilidade dos derradeiros sessenta anos, teve a propensão e o condão respectivo de nos fazer olvidar, infelizmente do autêntico e real processo histórico e, de que maneira, a despeito da real presença dos sinais e sintomas anunciadores, ipso facto, assaz vatídicos.

Estamos, deveras, sem dúvida nenhuma, face à uma destas rupturas que mudam o sentido da História, para melhor ou para pior. No entanto, temos, efectivamente, uma oportunidade única de poder agir, actuando, evidentemente, com acerto e eficácia, para evitar, em tempo útil e oportuno, o cenário, assaz pessimista, que se perfila no horizonte, à saber, o Capitalismo de Estado, solução de mera recauchutagem, ipso facto, transitória, que restaurará, cedo ou tarde, sobre os atalhos, um liberalismo desenfreado.

E, rematando, dextramente avisado e, por extensão óbvia, de modo dialecticamente consequente e percuciente, esta nossa peça ensaística, urge, já não deixar à solitária falsa esquerda, a que já mostrou a sua acomodação ao sistema en place, o encargo de defender os nossos interesses. Eis porque, mais que nunca, chegou o momento azado para os Cidadãos conscientes, idóneos, no âmbito ecuménico e planetário assumir o domínio da Política, na genuína acepção do termo, para definir e promover um outro Modelo de Organização da Sociedade, retribuindo melhor o Trabalho, edificado sobre a liberdade, a criatividade, a igualdade das oportunidades, a solidariedade, a proximidade, a educação…Enfim e, em suma: Um Modelo jamais edificado sobre o “ter”, isto é, o domínio, sim, segura e evidentemente sobre o “Ser”, por razões e motivos, assaz óbvios. Esta que é, realmente, a Verdade nua e crua!...

Sim, já não há tempo para sonhos. Pois o Caminho
Está aberto. De todos os Confins paira uma voz,
Os Homens despertaram-se do longo Sono…
Eis que estamos para além do Princípio.
Tudo tomará o seu lugar e as coisas terão o seu Encanto.
Sim, efectivamente,
É a Hora da Verdade! Avante!...Avante!...Avante!...

Lisboa, 27 de Outubro de 2008.

KWAME KONDÉ

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

PALAVRAS PARA QUÊ?

É UM ARTISTA PORTUGUÊS

«Lembro-me do debate que houve na América quando, pela primeira vez, um católico se candidatou a presidente. O próprio Kennedy teve de vincar bem que nunca receberia ordens do Papa enquanto presidente dos EUA. Lembro-me bem do que isso significou

[José Sócrates em entrevista ao DN do dia 26/10/2008]

Note bem:

J. F. Kennedy fez aquelas declarações no dia 12 de Setembro de 1960 (veja aqui).

José Sócrates, nascido a 6 de Setembro de 1957, tinha então 3 anos e 6 dias de idade.

E... «Lembra-se bem do debate».

É este o primeiro ministro de Portugal.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

CÃOZADAS


Béu
béu-béu
béu-béu
rebéu-béu.

Rebéu-béu
béu-béu
béu-béu
rebéu-béu.

Au
au-au
au-au
rebéu-béu.

Rebéu-béu
au-au
au-au
rebéu-béu.

AUUUUUUUUuuuuuuuuuu!… … … …

DEUS EM CASA POR $5,000

A revista Wired publica uma notícia segundo a qual dois australianos construíram uma máquina de movimento perpétuo capaz de produzir cinco vezes mais energia do que aquela que é utilizada para a pôr a funcionar.

Isto contraria frontalmente a teoria fundamental que sustenta toda a Física ― a de que «A energia total do universo é constante» ― e que quer dizer que no domínio da produção de energia não há lugar a subprime, isto é, que toda a energia que se obtém por qualquer meio vem de uma fonte pré existente que por sua vez fica sem ela quando a utilizamos; não há, portanto, lugar a nenhum processo criativo a partir do NADA.

Mas estes australianos garantem que construíram Deus na sua garagem; e convidaram alguns jornalistas para ver, tocar e crer nesse Deus. Que já tem preço: cinco mil dólares (não sei se dólares americanos ou dólares australianos ― estes são ainda mais baratos).

A cadeia britânica de televisão Sky News deu a notícia:

domingo, 26 de outubro de 2008

O RETRATO DA EUROPA

OU DE COMO NOS ANDAM A ENGANAR

O Jornal inglês The Telegraph publicou ontem esta análise negra sobre a economia europeia. E deixou bem claro porque é que o Dólar é agora moeda de refúgio e porque é que o Euro está em queda livre.

Se alguma razão assiste ao analista, não há a mais pequenina sombra de dúvida (se é que dúvidas havia) de que o sarilho europeu, no que à crise financeira (e económica) diz respeito, é coisa muito séria capaz de tirar o sono até a uma pedra.

O que se tem assistido dos políticos inteligentes que governam a Europa é um teatro de sombras em que, de vez em quando, aparece, à boca de cena, alguém vindo da balbúrdia dos bastidores dizer à plateia, com a pose mais estudada deste mundo:

― Estamos a ultimar, com toda a calma e competência, os preparativos para vos apresentar a melhor peça de sempre do teatro europeu.

No que de imediato se recolhe ao saco de gatos em que consistem os bastidores.

Deus nos valha!

UM ALIADO DE PACHECO

Um cristão levanta-se de manhã e senta-se à secretária preparando-se para blogar ― a mão direita segurando o rato, a outra pousada do lado esquerdo do teclado.

Eis que o Picasso, judicioso e atento, salta para a secretária, dirige-se para longe do rato (que despreza), posta-se à minha esquerda (que é o lugar que ele gosta sempre de ocupar) e diz-me: 

desculpa lá mas hoje não te vou deixar poluir a blogosfera com os «99% de lixo» para que tens contribuído regularmente.

E, acto contínuo, deita-se ― deliberada, ostensiva e provocatoriamente ― sobre o meu antebraço imobilizando-me a escrita. E acrescenta:

Agora faz o favor de procurar  O Blogue do 1%  para eu ler; que isso é coisa de inteligente para inteligentes, e eu que sou inteligente só consumo dessa iguaria.

Já viram uma coisa destas?!...

De qualquer forma, BOM DIA.


sexta-feira, 24 de outubro de 2008

O DIÂMETRO DA COISA

A Europa tem o cu... que não lhe cabe um grão de arroz; percebe-se isso no frenesi com que os seus dirigentes andam de um lado para o outro, e nas declarações algo ambíguas que vão fazendo sobre a crise instalada.

Mas, no inicio, a Sra. Merkel, toda a leste (pelos vistos) do problema europeu, veio p’raí enxofrada de “estabilidade” dizer que isso da crise era lá com os americanos, pois, «eles a criaram, eles que a resolvessem». E os americanos (que até tinham na altura um enviado na Europa para concertar medidas de combate à crise com os europeus) regressaram a casa sem qualquer promessa ou compromisso e meteram (unilateralmente) mãos à obra no que à resolução da sua parte do problema dizia respeito.

Logo o dólar começou a subir e o Euro começou a descer; só então a Europa descobriu que afinal a coisa era também com ela ― e de que maneira era com ela! ― Toca então de pedir batatinhas à América ― já lá foram fazer duas cimeiras e está programada mais uma para 15 de Novembro.

Agora, neste ínterim, foram à China pedir, talvez... arrozinho; com o impagável Messieur Sarko e o fugitivo Sr. Barroso debitando bitaites na esperança de que a China faça alguma coisa para ajudar a Europa com o bidão de dólares que vem guardando de há muito. E declarou, então, Messieur Sarko:

«O mundo está mal e vive uma crise sem precedentes». «A persistente crise financeira põe em perigo o próprio futuro da humanidade».

Os chineses, ao que parece, nada responderam. Eles ― que maioritariamente têm braços curtos ― costumam, entretanto, fazer uns manguitos bem jeitosos.

Para já, como disse, os chineses nada responderam. E ainda não constou que tenham utilizado os braços para se expressarem.

Entretanto atentem no seguinte:

Cotação do EURO há uma semana (1,47 dólares)
Cotação do EURO hoje                  (1,26 dólares)

Uma desvalorização de 14% em apenas oito dias.

Adenda.

A China já respondeu, finalmente, aos apelos da Europa. O presidente chinês, Hu Jintao, disse o seguinte na conferência que decorre em Pequim:

«A China continuará a cooperar com o resto da comunidade internacional para assegurar a estabilidade financeira e económica internacional, mas, em primeiro lugar, deve gerir bens os seus assuntos.»

 

Leram bem o que ele disse?

 

Pois!...


Nota: Não tenho prazer nenhum em fazer esta croniqueta; até porque vivo na Europa e é aqui que ganho o meu sustento (em EURO). Mas não posso com o nível de saber e o grau de preparação desta gente que governa a Europa.


terça-feira, 21 de outubro de 2008

"AMPLAS NEGOCIATAS”

Se é Mário Soares quem o diz... não duvido!

«A Frente Ribeirinha. Li, com muito agrado e atenção, o artigo tão corajoso, lúcido e oportuno que Miguel Sousa Tavares escreveu no Expresso do passado sábado. Nele exprime a sua sensibilidade e indignação de lisboeta - que coincide com a minha - por as autoridades camarárias, portuárias ou seja quem for, estarem de novo a tirar a vista do Tejo aos lisboetas, aos portugueses e aos turistas, com a proliferação dos contentores e das construções e, consequentemente, vedando ao público as respectivas áreas. É um erro imperdoável - e uma falta manifesta de senso - o que se está a deixar fazer, sempre à socapa. Veja-se como as poucas áreas ajardinadas à beira do Tejo estão cheias de gente nos fins-de-semana e nos feriados! A regra é sempre a mesma. Começam por pôr tapumes e quando os transeuntes acordam e os tapumes são retirados, o Tejo deixa de se ver, oculto pelas construções ou pelos contentores, agora já de três andares. Uma vergonha, que só pode resultar, como se suspeita, de amplas negociatas...»