quarta-feira, 25 de outubro de 2006

APAZIGUEMOS O NOSSO ESPÍRITO

DAS HISTÓRIAS DE PLÁGIO

Com a primeira página de Ulisses, manuscrita por James Joyce.




STATELY, PLUMP BUCK MULLIGAN CAME FROM THE STAIRHEAD, bearing a bowl of lather on which a mirror and a razor lay crossed. A yellow dressinggown, ungirdled, was sustained gently behind him by the mild morning air. He held the bowl aloft and intoned:

--INTROIBO AD ALTARE DEI.

Halted, he peered down the dark winding stairs and called out coarsely:

--Come up, Kinch! Come up, you fearful jesuit!

Solemnly he came forward and mounted the round gunrest. He faced about and blessed gravely thrice the tower, the surrounding land and the awaking mountains. Then, catching sight of Stephen Dedalus, he bent towards him and made rapid crosses in the air, gurgling in his throat and shaking his head. Stephen Dedalus, displeased and sleepy, leaned his arms on the top of the staircase and looked coldly at the shaking gurgling face that blessed him, equine in its length, and at the light untonsured hair, grained and hued like pale oak.

Buck Mulligan peeped an instant under the mirror and then covered the bowl smartly.

--Back to barracks! he said sternly.

He added in a preacher's tone:

--For this, O dearly beloved, is the genuine Christine: body and soul and blood and ouns. Slow music, please. Shut your eyes, gents. One moment. A little trouble about those white corpuscles. Silence, all.

CAI MAIS UM MITO?

GRANDE SERÁ O ESTRONDO
(Se se confirmar a acusação de plágio)


Nunca li “Equador”, o romance de Miguel Sousa Tavares, pelo que só posso dizer assim:

A serem verdadeiras as transcrições feitas no blogue português “FREEDOMTOCOPY”, de passagens do livro escrito por Sousa Tavares e do livro de Dominique Lapierre e Larry Collins, «Freedom at Midnight», 2ª Edição, 2002,

Poucas dúvidas restarão de que poderá tratar-se de plágio, pelo menos nas partes referidas naquele blogue; e em algumas passagens (também no memso referidas) será apenas e só mera tradução.

Repetimos: a serem verdadeiras aquelas transcrições – e não se viu ainda, por parte de Miguel Sousa Tavares, um desmentido cabal que nos convença do contrário, ou uma mera explicação das estranhíssimas profundas semelhanças dos dois textos – não podemos senão admitir que o tonitruante comentador da TVI terá colocado a pata na poça;

Que o homem que se gabou de «ter posto os portugueses a ler»,

Poderá ter posto os portugueses a ler sim, mas… Dominique Lapierre e Larry Collins. Pelo menos nalgumas passagens do livro.

Triste. Muito triste! Se for verdade.

Será mais um ídolo popular (não meu) que cai.

Esta acusação anónima de plágio fez-nos lembrar a Clara Pinto Correia que, depois de um plágio/tradução de uma crónica no The New Yorker, desapareceu da cena literária e jornalística durante cerca de três anos e agora, como quem começa de novo, lá vai escrevendo uns artiguelhos em revistas e jornais de segunda e terceira categorias.

Estaremos perante um caso de mais um sapateiro e sua chinela?...

Nota: Vou comprar os dois livros. E vou tirar, por mim, as minhas conclusões. Primeiro vou ler as páginas referenciadas no “FREEDOMTOCOPY”. E se nelas encontrar o que se transcreve naquele blogue, então não terei muitas dúvidas em dizer que "Equador", pelo menos naquelas passagens, é mesmo um plágio. Mas depois lerei os dois livros pois por certo deliciar-me-ei com o que vou ler: é que a qualidade dos textos transcritos é boa e convida à leitura completa dos "originais".

Actulaizado (26/10/2006, 07:09PM)
Ao que temos lido por aí na blogosfera, o blogue “FREEDOMTOCOPY” será mal intencionado e terá alterado o início de “Equador” de Muiguel Sousa Tavares (MST) para fazê-lo assemelhar-se, ou mesmo coincidir, com o início de «Freedom at Midnight», de Dominique Lapierre e Larry Collins, lançando sobre o autor de “Equador” uma falsa acusação de plágio. Mas os autores da denúncia voltaram a reafirmar que os inícios dos dois livros narram os mesmos factos e neles intervêm personagens similares.

Mas também já lemos que «Freedom at Midnight» narra factos históricos que MST terá transcrito para o seu livro, não sendo isso um plágio. Mas os autores da denúncia defendem-se e contra-atacam dizendo que MST não faz citações de textos históricos pois que os alterou a seu benefício fazendo «copianço».

Urge, portanto, comprar os livros. Não com a finalidade última de saber se MST plagiou ou não, mas para um salutar exercício de leitura comparativa. Não é mal visto, não senhor.

Actualizado (31/10/2006, 07:28PM)
Não queremos entrar em especulações. Mas apenas dizer que o endereço do blogue que denunciou o eventual plágio de Miguel Sousa Tavares serve agora uma página do próprio romance de MST tendo desaparecido os textos da denúncia de plágio e os fragmentos que, segundo o denunciante, demonstrariam a veracidade da denúncia.

Alguém tratou de fazer desaparecer os textos que nos permitiriam fazer alguma comparação entre fragmentos dos dois livros em causa.

Pense o leitor o que quiser sobre este facto.

terça-feira, 24 de outubro de 2006

DA IGREJA CATÓLICA (2)

A INQUISIÇÃO E AS TESTEMUNHAS
«A opinião de todos os Canonistas é que em matéria de heresia o irmão pode testemunhar contra o irmão e o filho contra o pai. É que deve-se obedecer antes a Deus do que aos pais. E se é permitido matar o pai, quando ele for inimigo da pátria, por maior razão ainda se pode denunciá-lo quando for culpado de heresia. De resto o filho que denuncie o seu pai fica livre das penas que o direito prevê contra os filhos de herejes, como recompensa por o ter denunciado.»

«As Testemunhas domésticas, isto é, os pais, os amigos e os criados do Acusado são admitidas a testemunhar contra ele, mas nunca a favor dele

«Em rigor, bastam dois testemunhos para condenar definitivamente em matéria de heresia.»

sábado, 21 de outubro de 2006

PRÉMIO ORELHAS DE BURRO

Para Joaquim Rita, jornalista e comentador desportivo

Que hoje à tarde disse isto na Sportv durante o jogo de futebol
Chelsea v Portsmouth:

«Claude Makelele é o barómetro que controla a temperatura do jogo.»



Claude Makelele
Sem dúvida um barómetro sorridente.

DA IGREJA CATÓLICA (1)

A INQUISIÇÃO E OS HEREGES
«O processo pelo método de inquisição é portanto baseado, como ficou dito, em rumores públicos; mas esses mesmos rumores públicos têm que ser constatados por duas testemunhas. Para que com isto se obtenha uma prova completa, importa que as duas testemunhas sejam pessoas respeitadas e tidas como honestas. É bastante para constatar a má reputação do Acusado que elas digam ter ouvido dizer a fulano ou a sicrano que o Acusado é hereje*. O seu depoimento faz fé, mesmo que as duas testemunhas não o tenham ouvido dizer a idênticas pessoas



(*) A palavra “herege” encontra-se grafada no texto com “j”. Parece que ao tempo era essa a grafia correcta.

Notas:
1) Texto extraído de um Abregé do “Manual dos Inquisidores”, fruto do trabalho de Frei Nicolau Emérico (1320-1399), edição de 1607, que pretende dar uma ideia, quanto possível completa, do Código Criminal da Santa Inquisição.
2) Destaques da nossa autoria.

O PIDE MAU E O PIDE BOM

Dos jornais: «preço da electricidade aumenta 6%»

Esta história do aumento do preço da energia fez-me muito lembrar a táctica dos dois pides.

Aquela velha e bem conhecida tática da PIDE para obtenção de confissões aos presos políticos: primeiro aparecia na sala de interrogatório ou tortura o pide mau que maltratava, sovava, e torturava o prisioneiro; depois aparecia o pide bom que “acudia” ao prisioneiro, lhe dava água a beber, lhe chegava uma cadeira, o ajudava a sentar-se, e com falinhas mansas de falso amigo o aconselhava convencendo-o a “falar” porque senão o mauzão voltaria para lhe aplicar mais “tratamento” daquele sem que ele, o bonzão, pudesse impedir a malfeitoria.

No fim, a acção conjugada dos dois biltres tinha por único objectivo, como é bom de ver, fazer confessar o prisioneiro para depois o incriminar no julgamento político que se seguiria no legendário e famigerado Tribunal Plenário.

Com o preço da energia aconteceu agora o seguinte: primeiro apareceu a Entidade Reguladora do Sector Energético a divulgar aos quatro ventos que a energia para os consumidores domésticos iria subir 15,7% no próximo ano; depois apareceu o nosso bom amigo Ministro da Economia a proteger-nos declarando alto e bom som que não senhor, não se irá permitir tal malfeitoria: o preço da energia aumentará, sim senhor, mas apenas 6%.

E é assim que se consegue aplicar um aumento brutal de 6%. Brutal porque num país onde os salários vão aumentar apenas uns míseros 1,5%. Abaixo da inflação, portanto. O que quer dizer que vão diminuir no próximo ano.

E esse aumento brutal de 6%, mercê do anúncio prévio bombástico dos 15,7%, parece uma benesse graças à intervenção do Governo por via do senhor Ministro da Economia.

E é assim que se transforma uma coisa má numa coisa boa.

E nós engolimos isto com a maior das naturalidades. E acreditamos que o senhor ministro foi surpreendido pelo anúncio dos 15,7%, por parte da Entidade Reguladora.

Estamos, na verdade, todos de parabéns.

E viva Portugal!

domingo, 15 de outubro de 2006

A SAPATEIRA ALÉM DA CHINELA

Ana Gomes, a fogosa deputada do Partido Socialista, gaba-se de ter feito esta fotografia:


Que é apenas e só uma autêntica aberração estética.

Já tivéramos no mesmo blogue as maminhas, de Vital Moreira, apelidadas de «lugares de encanto».

E agora calhou-nos a “estragação” da vista da nave do Mosteiro de Alcobaça por uma enorme cruz preta inutilizando completamente a fotografia - como se alguém a tivesse censurado com um marcador grosso.

Quando é que pessoas sem talento para isso aprendem que não é o preço das máquinas fotográficas que faz o bom fotógrafo, antes sendo-o apenas o talento para aquela arte!

terça-feira, 10 de outubro de 2006

GRANDE NOVIDADE...

O LENTO VERBAL (MENTAL?) FOI APANHADO

Relatório pode implicar Xanana na violência de Díli

Segundo o DN: «O Presidente Xanana Gusmão poderá vir a ser esta semana implicado pelas Nações Unidas na violência que ocorreu em Timor-Leste durante os meses de Abril e Maio, e que se saldou num número ainda indeterminado de mortos e feridos, provocando uma onda de milhares de refugiados no país.»

domingo, 8 de outubro de 2006

LER PARA CRER

«Um sujeito de meia-idade, forte, barbudo, mal-enjorcado, aspecto magrebino»

É assim, com toda esta polidez que por certo lhe advém da sua impecável formação diplomática, que a deputada do PS, Ana Gomes, descreve Pacheco Pereira.

O Dicionário da Academia define enjorcado como «quem se vestiu mal, à pressa ou atabalhoadamente.»

Já o termo magrebino não figura naquele dicionário. Nem sequer o termo Magrebe, o que já é mais grave. Aliás, quem consulta aquele dicionário com alguma regularidade sabe que o mesmo, sendo, segundo dizem alguns entendidos, um dos melhores da língua portuguesa, deixa, contudo, muitíssimo a desejar pois, com frequência se depara nele com enormes lacunas.

No nº 1497 da “Revista” do Expresso, de Junho de 2001, Vasco Graça Moura faz a seguinte apreciação de dita obra:

«Estamos perante uma coisa que não justifica as muitas centenas de milhares de contos que nela foram despendidos. E que não só labora em equívocos muito discutíveis, como induz outros equívocos com consequências ainda imprevisíveis neste momento para a nossa língua e para o seu património semântico e expressivo. ...Mas o pior é que, se este dicionário não permite ler muito de que os grandes autores da língua portuguesa do passado escreveram, ... ele também não permite ler uma parte muito significativa dos autores modernos.»

Mas sempre podemos adiantar que Magrebe é identificado como a parte ocidental da África, ao norte do Deserto do Sara. Magrebe significa, em árabe, «onde põe o sol».

Magrebinos são os habitantes do Magrebe; são basicamente, árabes e berberes.

RADIOGRAFIA DE UM PAÍS

Não resisto a transcrever, na íntegra, esta posta do Professor Doutor Henrique Silveira no blogue Crítico Musical:

«A tão propalada falta de qualificação da função pública não será espelho da falta de qualificação de toda a gente neste país?
Dizer-se que o sector mais qualificado do país, o do ensino superior, tem falta de qualificação é mesmo a maior aberração que tenho lido ultimamente, será que não bastam os mestrados e os doutoramentos, os papers, os livros, as publicações para os alunos e as participações e organização de conferências. Será que ficar de 10 a 15 anos a prazo antes da nomeação definitiva na Universidade não será prova mais que suficiente?
Enfim, não será esta falta de qualificação reflectida primeiramente na própria classe política? Alguém me diz onde o primeiro ministro José Sócrates tirou o curso quando nem o próprio senhor o sabe dizer? Vejo uma biografia miserável de um político carreirista sem nada feito fora da área politiqueira e que acaba a dirigir um país.
A qualificação da nossa classe política é vergonhosa, o atraso deste país é vergonhoso, mas isso deveria ser um estímulo para melhorar, não para destruir o que de relativamente bom existe. Cortar na educação neste país é o que tem sido feito desde sempre e deu naquilo que somos. Como será possível desenvolver Portugal cortando na educação?»

A VISÃO DO ARTISTA

De uma carta de Herr Cazotte:

«Vi, num baile da corte, uma rapariga com um vestido branco, filha de guerreiros, em cujo universo a arte, ou o artista, nunca existiram. E exclamei como Miguel-Ângelo: “O meu maior triunfo esconde-se dentro daquele bloco de mármore”

sexta-feira, 6 de outubro de 2006

EU TAMBÉM NÃO

«Não acredito na bondade do ser humano».

Desde que ouvi Jaime Nogueira Pinto afirmar e reafirmar esta verdade, sem qualquer rebuço, aí há cerca de dois anos, num debate televisivo, que passei a admirá-lo profundamente.

Independentemente de ele ser um homem de direita.

quinta-feira, 5 de outubro de 2006

SINAIS

Há pouco mais de uma semana Marcelo Rebelo de Sousa, nas suas “Escolhas”, na RTP1, terá comentado mais ou menos isto (cito de cor pelo que as palavras não serão todas as mesmas que ele disse) sobre a acção do Senhor Ministro da Saúde:

«Ele faz as coisas de forma avulsa. Tem o hábito de aproveitar as entrevistas para anunciar as medidas do seu ministério. Apresenta-as de forma desgarrada: hoje uma medida, amanhã outra, e depois outra e outra, tudo de forma caótica, desgarrada. Dá a sensação que ele não tem um plano para a Saúde. Pelo menos ninguém conhece qualquer plano para a Saúde. Assim não é a melhor forma de fazer as coisas. Ele deveria apresentar um plano concreto e dizer: bem agora vamos fazer isto, depois aquilo, e depois aqueloutro. Assim é que era. Mas como está a fazer é que não. É tudo muito confuso, caótico, desgarrado e fica-se com a sensação de que não há plano nenhum e vai-se fazendo as coisas de forma avulsa, uma a uma, para depois ver no que tudo vai dar.»

Jorge Coelho, ontem, na Quadratura do Círculo, na SIC Notícias, afirmou (cito também de cor pelo que as palavras não serão todas as mesmas que ele disse):

«Eu tenho a maior das dúvidas quando vejo os tecnocratas a tratar de assuntos políticos; nisto do encerramento das urgências eu vou informar-me, vou ver no que isso dá e depois me pronuncio. Se é apenas para poupar dinheiro, há muito por onde cortar sem ser na Saúde».

E este é um peso pesado do PS a falar.

É isso: já começa a ser mais que evidente aquilo que os profissionais da Saúde sempre disseram, desde o primeiro minuto, sobre a acção do Governo no domínio da Saúde: o que se está a fazer é apenas e só uma política de corte de despesas. Cortes a esmo com a finalidade única de poupar dinheiro. «O bem-estar das populações», «a segurança das grávidas», «melhor Saúde», etc., tudo isso é treta para enganar papalvos. Hoje, na Saúde, está tudo pior. Para os doentes, para os profissionais da Saúde, para as populações. Tudo pior sobretudo para os mais pobres.

Está a chegar-se ao ponto em que só os cegos é que ainda não vêm o que verdadeiramente se está a passar – mas até eles irão ver, se a coisa continuar por este caminho.

E o que mais impressiona – mesmo quando entra pelos olhos adentro do mais perfeito imbecil que o Serviço Nacional de Saúde (que era um dos melhores da Europa comunitária) já está hoje moribundo e em estertor mortis – é ver revelar-se, quotidianamente, nos mais diversos meios e nas mais diversas conversas, a sanha atávica portuguesa contra os médicos levando ainda muito mentecapto, muito traumatizado, muito invejoso, muito palerma a bater palmas ao Senhor ministro da Saúde e, fazendo coro com os representantes do poder económico dominante (estes sim reais beneficiários da morte do Serviço Nacional de Saúde) pedindo mais e mais medidas restritivas, mais e mais cortes nas despesas da Saúde, em suma, mais e mais asfixia do Serviço Nacional de Saúde.

Mas depois. Um dia. Quando esses mentecaptos. Quando esses traumatizados estiverem doentes. Hão-de ir tratar-se sim. Mas é naquele sítio que bem sabemos qual é.

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

A ERA DOS ANALFABETOS

Aqui pode encontrar muitas gafes de Lula da Silva, presidente do Brasil.

Três delas são para mim hilariantes:

1) No aniversário da RBS, 02/06/2004, em Brasília:

"Todo brasileiro tem motivos para se sentir otimista. As perspectivas só são ruins para os desempregados."

2) Na Radiobras e em vários jornais, falando no Dia Internacional da Mulher, em 8 de março de 2004:

"Eu sou filho de uma mulher que nasceu analfabeta."

3) No lançamento do programa Brasil Alfabetizado, em 08/09/2003:

"Não é mérito, mas, pela primeira vez na história da República, a República tem um presidente e um vice-presidente que não têm diploma universitário. Possivelmente, se nós tivéssemos, poderíamos fazer muito mais."

Pois, o problema é esse mesmo.

NÃO CONSUMA LIXO

Há p’raí muita gente a congratular-se por o jornal Público estar de novo online, gratuitamente.

Diga-se como informação que o que o Público disponibiliza agora online é apenas o lixo noticioso e a publicidade.

Porque os editoriais e os artigos de opinião – afinal aquilo que é o mais importante do conteúdo do jornal – continuam a ser apenas acessíveis aos assinantes (aos que pagam para ler).

Por isso, caro amigo, siga o meu conselho e continue a ler gratuitamente a parte paga do jornal.

domingo, 1 de outubro de 2006

O REGERSSO DO FILHO PRÓDIGO

Este livro é uma preciosidade e uma raridade.

Publicado pela Quetzal, conheceu uma única edição (de há muito esgotada) nos anos 80, e nunca mais ninguém quis saber dele.

Emprestado por mim a uma amiga em Macau, esteve sete longos anos longe das minhas estantes e confesso que temi pelo seu desaparecimento – desculpa lá, ó Elsa, mas raríssimas pessoas devolvem um livro emprestado, passados sete anos.

Mas eis que, finalmente ontem, durante um jantar de convívio de velhos amigos e conhecidos, a Elsa fez o favor de me mandar esta jóia de volta, num claríssimo sinal de grande amor pelos livros e do conhecimento de quão importante é para mim o convívio com esta preciosidade.

Aqui há cerca de quatro anos corri, sem sucesso, seca e Meca à procura de um exemplar para substituir o livro ausente; desesperado recorri ao editor Nelson de Matos que me aconselhou contactar a Quetzal pedindo-lhes que me arranjassem um exemplar ou que ao menos me facultassem uma cópia da matriz do livro. Nada feito: vasculhados os armazéns, nada fora encontrado. Não era possível.

Mas eis que, finalmente, a jóia está de novo em casa.

E que livro é este!? Querem saber?

Trata-se de um livro «escrito como um delicioso conto de fadas passado no século dezanove no grão-ducado de Babenhausen... é na realidade um curioso livro sobre a sedução. Herr Cazotte, o pintor da corte, quer seduzir Ehrengarda, a dama de honor da jovem princesa Ludmilla e para atingir os seus objectivos decide pintá-la como Vénus no banho, mas descobre, à sua custa, que por vezes o feitiço se vira contra o feiticeiro, ou seja, que o sedutor pode acabar irremediavelmente seduzido.»

Herr Cazotte – agora sou eu a dizê-lo – é uma personagem interessantíssima que tinha opiniões pessoalíssimas que às vezes generalizava mas apenas a um universo de eleitos. Numa carta à condessa Von Gassner encontra-se, por exemplo, esta passagem:

«Eu sou capaz de esvaziar uma garrafa de vinho do Reno até à última gota, mas sorvo lentamente um copo de aguardente fina e há castas raras de que ambiciono apenas respirar o aroma. O sedutor leal e honesto, quando alcançou o sorriso, o olhar de soslaio, a valsa ou as lágrimas, tira o chapéu à dama, o seu coração transborda de gratidão, só temendo uma coisa: a possibilidade de voltar a encontrá-la.»

Ah, já me esquecia do mais importante: a autora do livro é Karen Blixen, que também escreveu Out of África (muito conhecido em filme).

Passem bem.

sábado, 30 de setembro de 2006

GOSTARIA DE TER ESCRITO ISTO

O lixo

Ele desceu para esvaziar o lixo e, como era um sujeito literal, já não subiu.



(Pedro Mexia – Estado Civil)

O BIG-BANG PARA TODOS

Em princípio a física deveria ter por finalidade a busca da simplicidade derradeira. E, de facto, é isso mesmo que os físicos têm tentado ao estudar a natureza da matéria até ao mais ínfimo pormenor; até à mais ínfima partícula ou subpartícula; até às “cordas” e supercordas – fitas vibratórias de energia que oscilam em 11 dimensões, as quais incluem as três dimensões que já conhecemos, mais o tempo, e mais outras sete dimensões que, para nós, são simplesmente desconhecidas. (Alguns físicos dão o nome de membranas ou branas a essas fitas vibratórias).

Mas onde a porca torce o rabo é quando os físicos nos tentam explicar essa busca da simplicidade derradeira, do aparecimento da matéria a partir do nada, com descrições como esta, por exemplo:

«O processo ecpirótico começa muito longe, no passado indefinido, com um par de branas planas vazias colocadas paralelamente uma à outra num espaço curvo com cinco dimensões... As duas branas, que formam as paredes da quinta dimensão, podem ter surgido do nada, de repente, como uma flutuação quântica num passado ainda mais distante, e terem-se separado em seguida.»

Não desanime, caro leitor, pois vai sair daqui com pelo menos um conhecimento que lhe dou: ecpirótico vem da palavra grega que significa “conflagração”.

Bom dia e bom fim-de-semana.

domingo, 24 de setembro de 2006

OPORTUNISMO

Quando estou na cozinha e entra alguém perguntando se preciso de ajuda, respondo logo que sim.

– E o que é que queres que eu faça?

– Descasca aí quatro cabeças de alho, se fazes o favor.

– Mas precisas assim de tanto alho?

– Não. Mas eu guardo o resto no frigorífico.

A única coisa que detesto fazer na cozinha é descascar alho.

Os incautos que se precatam.

BOM DIA E BOM DOMINGO

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

OH SORTE MADRASTA!...

Lê-se e não se acredita:

«Governo aperta controlo das faltas por doença»

«O Governo aprovou hoje, na generalidade, um decreto que passa a exigir aos trabalhadores da administração pública uma declaração emitida pelas entidades competentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) para justificarem as suas faltas por doença.»


O afã de trucidar o funcionário público é tal que não vêm que esta é uma medida que vai totalmente ao arrepio do bom senso pois contraria frontalmente outras já tomadas no sentido de aliviar as urgências hospitalares.

A partir de agora o funcionário doente irá engrossar a bicha dos Centros de Saúde e entupir as já saturadas urgências hospitalares à procura de uma “baixa” para justificar a falta ao trabalho.

Esta é uma açorda de todo o tamanho que estes senhores educadores do povo acabam de cozinhar.

Veremos brevemente as consequências deste disparate.

Como fazia outrora a Igreja católica, pela Páscoa, em que o pecador comprava o perdão para poder comer carne de porco naquela quadra, seria bem melhor o Governo vender umas bulas para justificação de faltas. Assim sempre fazia uns dinheirinhos que cobririam o subsídio de doença.

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

UMA AUTÊNTICA CIGANADA

O Sr. Ministro da Saúde admite a hipótese de em breve o Governo instituir uma «taxa moderadora» para os doentes internados nos hospitais e para os doentes submetidos a cirurgias.

«Taxa moderadora» – disse ele.

Para moderar o quê? – Pergunto eu.

Se se entende a existência de tal taxa para moderar a procura das urgências hospitalares desentupindo-as com isso dos doentes que não apresentam casos de urgência médica ou cirúrgica e apenas procuram nas urgências uma consulta de rotina;

Já não se entende que se pense que os internamentos hospitalares e as cirurgias ocorrem por vontade dos doentes.

É chico-espertice a mais tentar “vender” um imposto ilegal com o nome de «taxa moderadora».

O povo burro vai levar tantas e tantas dessas que um dia há-de acordar. Pelo menos para pedir a extrema-unção.

domingo, 17 de setembro de 2006

QUEM É QUE FALOU EM MÁFIA?

O jogo de ontem entre o Sporting e o Paços de Ferreira parece demonstrar que a máfia não se queda a dormir: o Sporting perdeu pelo menos um ponto devido a um golo irregular, escandalosamente marcado com a mão, e obscenamente validado pelo "árbitro" João Ferreira, configurando matéria de polícia e de Justiça.

ÉDIPO REI

Depois de lida a edição em papel, conclui-se que o SOL não pretende ser o 24 Horas. Pretende é ser – melhor: já é – um Expresso 2. Mas é um Expresso 2 com laivos de 24 Horas na sua revista TABU onde o artigo de capa se intitula “Bebés trocados”, uma história com 34 anos (trinta e quatro) de troca de dois recém-nascidos numa maternidade.

Vendo bem não se poderia esperar coisa diferente. Afinal o SOL é feito pelo ex-director do Expresso, José António Saraiva, e por um grande e significativo grupo de ex-jornalistas do Expresso. Um grupo de ex-jornalistas que trabalharam quase toda uma vida no Expresso cujo carácter e feição moldaram ao longo de décadas (três para alguns, duas para outros) antes de o abandonarem.

O SOL é assim a modos que um projecto revanchista que releva de Freud o que ao complexo de Édipo diz respeito: o que aqueles filhos do Expresso (em última análise, de Francisco Pinto Balsemão) pretendem agora é consumar a morte do pai.

Se o SOL vingar terão dado o grito do Ipiranga libertando-se do complexo; mas se Balsemão (macaco velho de calo no rabo) reagir a preceito... ou muito nos enganamos ou o grupo dissidente irá parar ao divã do psiquiatra, isto é, afundar-se-á com o ocaso do SOL e viverá o resto dos seus dias ensombrado pela figura paterna.

Vai ser interessante seguir a trajectória que a partir de agora os dois semanários vão traçar no panorama jornalístico português.

E eu que deixara de comprar o Expresso que os “ex” faziam – porque o que este semanário trazia aos fim-de-semanas não era mais que histórias serôdias e notícias requentadas – vou ter que passar a comprar os dois Expressos (o Expresso pai e o Expresso filho) apenas para ir constatando as estratégias assassinas do progenitor e do seu rebento complexado.

sábado, 16 de setembro de 2006

ECLIPSE SOLAR

O novel semanário SOL começa mal.

A notícia de capa de hoje daquele jornal é a apreensão de uma casa de Isaltino Morais, no Algarve.

É com esta notícia foleira que aquele semanário, que tem a pretensão de destronar o Expresso, se estreia nas bancas querendo ganhar muitos leitores.

Tenham mas é juízo! Nestes temas de escandaleira o 24 Horas bate-vos a longa distância.

E se o público que querem cativar é o do universo do 24 Horas... estamos conversados: o novel semanário SOL corre mas é o risco de ser mais um jornal para servir de papel de embrulho e de limpeza de janelas.

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

SHOW DE BOLA













Estes dois excelentes jogadores do Sporting , Didier Drogba e Rivaldo, acompanhados ontem à noite por mais nove magníficos, puseram o Inter de Milão em sentido e disseram à máfia futeboleira local: este ano só com um rigoroso controlo das arbitragens, baseado na mais descarada corrupção, será possível ao F. C. do Porto ombrear connosco na luta pelo título.

Sim, que o Benfica ainda tem que comer muita papinha e recrutar muito apito corrupto para entrar nesse despique.

Editado, hoje, 17/09/2006, às 10:55 AM.
Como se viu no jogo de ontem, parece que a máfia não se queda a dormir: o Sporting perdeu pelo menos um ponto devido a um golo irregular, escandalosamente marcado com a mão, e obscenamente validado pelo "árbitro" João Ferreira, configurando matéria de polícia e de Justiça.

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

NA MOUCHE

Na Grande Loja o advogado José António Barreiros (JAB) arrasa, de uma ponta à outra, com esta posta, o «pacto sobre a Justiça» celebrado pelo PS e o PSD.

Não há cabeça nenhuma com um mínimo de equilíbrio que não concorde com aquilo que JAB diz.

Vá até à Grande Loja e teste a sua sanidade mental. Se não concordar com o que ler... olhe: marque uma consulta no psiquiatra. Já.

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

BODO AOS POBRES

Eis como ler o Público online sem pagar.

[Advertência fundamental: procure ler o jornal de há dois dias ou mais para trás ainda. Procure artigos e notícias relevantes porque as pequenas coisas não serão encontradas; mas também não interessam, não é?]

Comecemos então a lição.

1 - Vá à página do público online.
2 – Na coluna da direita, onde diz “EDIÇÃO IMPRESSA”, escolha mais abaixo um número dos “Últimos 7 dias”.
4 - Procure a notícia ou artigo que queira ler e do texto da sua introdução copie uma frase.
5 - Vá ao Google Search e pesquise por essa frase (hão-de lhe aparecer alguns sítios com esse conteúdo).
4 - No sítio que se refere ao jornal PUBLICO clique onde diz “Em cache”.

E pronto! Já está!

Exemplo:
Eu quis ler o que escreveu Eduardo Prado Coelho, no jornal “Público”, no dia 5 de Setembro, sobre o presidente do Gil Vicente, o Sr. Fiúza.

Fui ao Google e pesquisei por prado coelho fiúza (convém usar sempre minúsculas para facilitar a busca).

Entre vários sítios com referências a Prado Coelho e a Fiúza encontrei este do jornal “Público”:

PUBLICO.PT
Eduardo Prado Coelho o fio do horizonte ... O senhor António Fiúza, responsável pelo Gil Vicente, tomou o gosto pelas rádios e televisões e fala como se ...
jornal.publico.clix.pt/noticias.asp?a=2006&m=09&d=01&uid=&id=95748&sid=10531 - 35k -
Em cache - Páginas semelhantes

Fiz então como lhe disse: cliquei na palavra “Em cache” e cheguei ao artigo de EPC.

Tão simples como isso.

Eis três exemplos de conteúdos “pagos” que poderá ler gratuitamente através do Google:

A crónica de Vasco Pulido Valente, no Público

O ultimato da FIFA à Federação, no Expresso

Ligação Lisboa Porto de comboio em 1864, no Público

Passe bem.

P.S. Mas não se esqueça que isto não funciona bem com o jornal do dia; nem com o do dia anterior. Tem que ser de há dois dias ou mais.
P.P.S. Este método também funciona para o "Expresso" e todos os outros jornais "trancados".

NÃO POSSO CONCORDAR

No Esplanar, CL (Carlos Leone) verbera nesta posta as seguintes palavras escritas no jornal Público por EPC (Eduardo Prado Coelho):

«O senhor António Fiúza, responsável pelo Gil Vicente, tomou o gosto pelas rádios e televisões e fala como se estivesse à frente das cruzadas. É pena que fale tanto porque os erros de português são muitos e vão avultando. Mas o referido senhor sente uma espécie de missão histórica e o clube de Barcelos está disposto a ir "até ao fim do mundo"»


E por causa desta prosa CL diz que EPC fez um «insulto gratuito» a Fiúza.

Mas onde é que está o insulto? No dizer o que é verdade: que Fiúza comete erros de Português? No compará-lo aos cruzados de antanho?

Eu não vejo aqui insulto nenhum. Então já não se tem a liberdade de criticar com palavras mordazes, e frases comparativas que ridicularizam, uma figura que nos parece ridícula e que fala mal a língua de Camões?

Por isso acho que EPC não insultou ninguém.

Que CL lhe queira chegar a roupa ao pelo porque EPC insultou – e concordo que insultou mesmo, e gratuitamente – o seu amigo João Pedro George, acho muito bem que o faça. Os amigos são para as ocasiões e quem ofende o meu amigo também me ofende a mim. Só fica bem a CL esta atitude. Mas, por favor, não diabolize EPC a ponto de lhe recusar uma prosa mordaz e certeira como essa sobre o presidente do Gil Vicente.

É que não há insulto.

Aprecio imenso o que escreve CL no Esplanar; mas acho que desta vez excedeu-se na sua crítica a EPC. Traído talvez pela amizade que o une a JP George.

Acontece.

domingo, 3 de setembro de 2006

SÓ PODE MESMO

Eu sei que os médicos não têm amigos; e que se se pudesse extingui-los era o que a maioria das pessoas faria.

Ser médico causa azia até ao mais empedernido estômago.

Mas se vejo certos senhores levando a cabo, afincada e reiteradamente, com toda a sanha que imaginar se possa, uma campanha pessoal contra os médicos, digo:

Cá está mais um que foi pisado por um senhor doutor. Por certo também terá tido na vida a sua "experiência amarga" com algum médico de permeio.

Só pode ser isso.

Editado às 15:42 de 7/Set/2006 para introdução de linguagem menos agressiva; mas sem desvirtuar o sentido do texto.

domingo, 20 de agosto de 2006

BOA TARDE DE DOMINGO

De regresso de uma ausência que também incluiu férias (há fotos que serão mais tarde dadas à estampa) vos ofereço um cheirinho. Apenas. De Joyce.


«Morosa deleitação, chama-lhe o ventrudo Aquino, frate porcospino. Antes da queda Adão trepava mas não gozava. Deixá-lo chamar: teu corpo é gostosura

terça-feira, 25 de julho de 2006

PARABÉNS ISRAEL

ACÇÃO 100% EFICAZ


Assim é que deve ser: a aviação israelita bombardeou e vaporizou integralmente um posto de observação das Nações Unidas, incluindo, como é óbvio, os observadores da ONU que lá estavam.



É a eficácia elevada ao máximo - pois assim não ficou ninguém para contar o que se estava a passar naquela zona de conflito.

Parabéns Israel!

Entretanto, lá no Irão, átomo a átomo, lá vão os iranianos concebendo a bomba nuclear que pretendem um dia usar algures (um pouco como quem usa uma calculadora para fazer contas de subtrair).

domingo, 23 de julho de 2006

PERGUNTAR OFENDE?

Dois sindicalistas da PSP acabam de sofrer duras sanções por «ofensas ao primeiro-ministro e ao director nacional da PSP».

Aqueles dirigentes sindicais foram aposentados compulsivamente por declarações, consideradas ofensivas, feitas à comunicação social: um disse que iam «enviar o primeiro-ministro para o Quénia»; e outro disse que «o director não servia sequer para dirigir um grupo de escuteiros».

O secretário de Estado que assinou o despacho punitivo foi o Dr. José Magalhães, ex-comentador político, bem conhecido, aliás, dos leitores de jornais e dos telespectadores portugueses.

Que me lembre nunca o Dr. Magalhães terá defendido publicamente idêntico procedimento contra, por exemplo, o Dr. Alberto João Jardim ou o Sr. Jaime Ramos, da Madeira, que – estes sim – já chamaram, ao longo dos anos, todos os nomes feios que há nos dicionários, a Presidentes de República, primeiros-ministros, ministros, e demais fauna política do "contenente".

Por isso pergunto: neste caso de punição dos sindicalistas da polícia com este rigor que parece despropositado (e não tenhamos medo das palavras: que parece estalinista), estaremos ou não perante um caso de uso de força excessiva contra os mais fracos, e de nítida manifestação de fraqueza perante os mais fortes?

Responda quem souber.

sexta-feira, 21 de julho de 2006

IRONIAS DO DESTINO

Iniciei hoje o dia com uma visita rápida ao Diário Digital e ao Diário de Notícias para ler umas larachas e saber que Israel continua a saga anti-palestina bem na senda, aliás, da saga anti-semita de Hitler.

E pensei que a futura bomba nuclear do Irão é para fazer o papel da antiga bomba atómica americana utilizada na Segunda Grande Guerra contra o Japão.

E dei comigo a dizer: Israel igual a Hiroshima.

Depois dediquei-me a coisas mais sérias antes de partir para o trabalho: a leitura de alguns blogues de referência.

E nos blogues descobri esta inenarrável posta em que Pacheco chora, contrito, a «solidão» em que o mundo deixa Israel – coitadito, franzino, pobre, indefeso – lutar sozinho contra os mauzões palestinianos.

Tenham todos um bom dia.

terça-feira, 18 de julho de 2006

UMA BRINCADEIRA

E AGORA ISTO:

A falta de pontaria dos avançados portugueses no campeonato do mundo levou-nos a defender (brincando) que quem lá fazia falta era Liedson, o levezinho do Sporting. Chegámos até a enviar uma mensagem a este nosso (de nós os sportinguistas) ponta de lança dizendo-lhe o que pensávamos.

Pois não é que essa nossa brincadeira foi levada a sério e já hoje o Diário Digital nos traz a notícia de que «O avançado do Sporting Liedson mostrou-se disponível, na conferência de imprensa na Academia de Alcochete, para obter a dupla nacionalidade, o que lhe permitirá integrar a selecção nacional, tal como o seu compatriota Deco.»!

Pensando bem até é capaz de não ser leviandade nenhuma naturalizar o rapaz e pô-lo a tratar as redes dos adversários da selecção portuguesa como tem sido seu hábito tratar as redes dos pobres lampiões da Segunda Circular: afinfando golos e mais golos lá dentro, fazendo lembrar o Mário Jardel de outros tempos.

domingo, 16 de julho de 2006

CASSANDRA VOLTA À LIÇA

Colho, desta posta no Abrupto, em que o autor analisa uma exposição da pintura de José Cândido Dominguez Alvarez, na Fundação Calouste Gulbenkian, a seguinte conclusão expressa (sublinhados da minha responsabilidade):

«A pintura de Alvarez não é ingénua é metafísica. Aqueles homenzinhos patéticos, reduzidos a símbolos torturados ou hirtos são os homens do século XX, mais números do que homens, mais ícones do que homens, mais vírgulas e pontos numa paisagem do que coisas que agem. Por isso, volto a Kafka, porque foi Kafka que primeiro nos mostrou que os homens do século XX iriam ser assim, andando como John Cleese com passos de "silly walk", no meio de uma burocracia que lhes retira individualidade e poder

Ao ler isto, penso: esta constatação conclusão afirmação do Abrupto é intrigante. E é intrigante porque: se Pacheco está convicto de que «os homens do século XX são assim»; mas Pacheco tem vindo a condenar todos aqueles portugueses que, não usando (no seu entender) uma calculadora, têm gasto o que ganham, em prol do seu bem-estar: em viagens turísticas, festas, restaurantes, carros e roupas de marca; então o que Pacheco quer para os portugueses é o puro refinamento da sua condição de «homenzinhos patéticos, reduzidos a símbolos torturados ou hirtos», pessoas sem «individualidade e poder».

É que a mim me parece que não há muito por onde retirar outra conclusão diferente. Tanto mais que, como é sabido, não é apanágio das grandes massas a dedicação a uma vida de grande actividade intelectual ou então ao enriquecimento interior através do retiro, da meditação e da contemplação.

No meu entender Pacheco está a passar agora por aquilo a que estão condenados todos aqueles que falam de tudo o tempo todo: falam, falam, falam, até que, às tantas, já não conseguem sindicar o que disseram e escreveram no passado, defendendo hoje aquilo que ontem condenavam com veemência.

Lembramo-nos bem que Pacheco fez uma viagem da esquerda radical para o centro-direita – do MRPP para o PSD –; e sabemos bem que, desde há já dois bons pares de anos, Pacheco tem andado entre o centro-esquerda (nos tempos dos governos Barroso e Lopes) e a direita liberal (agora neste tempo do governo Sócrates). Talvez esteja aqui a fonte da contradição revelada.

Mas que se trata de contradição – lá isso é verdade.

De uma posição, no passado, de aposta nos valores da sociedade portuguesa para superação de desafios vários, rumo a um futuro promissor (tempos do MRPP), temos agora a visão catastrofista da actual sociedade portuguesa.

E pergunta-se: o que é que mudou mais de então para cá? O País ou Pacheco Pereira?

Numa só coisa podemos concordar (numa coisa muito pequena) com Pacheco: uma parte dos homens das grandes cidades e da sua cintura industrial serão, de alguma forma (mas só parcialmente), «homens do século XX»; os restantes habitantes, a grande maioria dos portugueses, felizmente, não entra nesse barco. E talvez seja por isso mesmo que Pacheco os crítica negando-lhes a liberdade de festejarem a vida e se divertirem, pois não se enquadram nas fronteiras definidas pelo Liberalismo de Pacheco.

sábado, 15 de julho de 2006

BOM DIA




Brancas mãos, rubra tua boca
E teu corpo é gostosura
Bebe comigo na cama
Beija, toma, é noite escura.






«Ele chega, pálido vampiro, por borrascas seus olhos, seu velame morcegueiro ensanguentando o mar, boca contra o beijo de sua, dela, boca.

Seus lábios sugavam e abocanhavam descarnados lábios de vento: boca contra o ventre dela.

Toca-me. Olhos doces. Mão doce doce doce. Estou sozinha aqui. Oh, toca-me logo, agora. Qual é essa palavra sabida de todos os homens? Estou mesmo aqui sozinha. Triste também. Toca, toca-me.»

[James Joyce]

segunda-feira, 10 de julho de 2006

ATENÇÃO, MUITA ATENÇÃO

Arthur Schopenhauer escreveu hoje uma posta no Abrupto condenando e avisando os portugueses de que a vida deve ser trabalho e depressão em vez de folguedo e divertimento. Bem sabemos que deste autor não se poderia esperar outra coisa; nem sequer um meio-termo, como, por exemplo, festejem e sejam felizes mas não se esqueçam de trabalhar também. Não, o que é preciso é que os portugueses se dêem parte de pobretes, coitados, infelizes, burros de carga, escravos do trabalho, e outras coisas mais que os destruam de vez como alma com direito ao prazer e à felicidade.

Depois, sim. Um dia, lá no assento etéreo onde forem parar, terão a recompensa divina pelos sacrifícios terrenos.

Amém!

Este homem a mandar seria um autêntico pesadelo: proibiria por certo as viagens turísticas, as festas (todas as festas, mesmo as festas privadas); os bares, discotecas, cinemas, restaurantes; as casas de alterne, os cabarés e as casas de putas; betonaria as praias e encheria as piscinas de entulho; venderia uma caderneta de racionamento sexual aos casais, aos unidos de facto, e aos namorados. Todo o prazer seria rigorosamente controlado. Em nome do Liberalismo.

Amém!

domingo, 9 de julho de 2006

ACABOU-SE!

REQUIEM PARA ESTE PERIQUITO

Para mim não há mais Mundiais ou Campeonatos da Europa. Quero o meu tempo para melhores ocupações do que a pepineira do futebol. Uma excepção apenas à regra: o Sporting; só o Sporting.

Mas não quero despedir-me do futebol sem dizer que o faço com prazer pois gostei muito – queria mesmo isso – de ver este treinador francês, que tem cara de periquito e usa casaquinho assemelhando-se às asinhas do passarinho, e que andou a fazer campanha suja contra os excelentes jogadores portugueses, ser despedido deste Mundial por uma Itália pragmática que marcou e empatou o jogo com um golo irregular contra uma França que, também ela, tinha marcado através de um penálti inexistente – Itália que depois esperou que eles morressem na praia na discussão das grandes penalidades.

Deu-me gozo ver a desolação do periquito.

CORAÇÕES AO ALTO

Agora que acabou o Mundial para a selecção portuguesa, lamente-se mais uma vez a falta que fez Liedson para calar os alemães com três ou quatro golos, das carradas de oportunidades de marcar que Portugal teve, e mude-se o interesse do futebol para outra coisa qualquer que o mereça.

Dou uma ajuda quase involuntária: nas minhas habituais deambulações pela Net encontrei o blogue de Uma Stripper Brasileira em Londres, que assina com o nome de Maya Velvet.

Convido-vos a visitar o blogue desta felina e espero que postem lá muitos comentários pois dá-me sempre imenso gozo ler as patetices que nós os homens costumamos escrever às mulheres.

Bom Domingo.

E estejam descansados que hoje a Itália vai dar uma surra aos chauvinistas franceses.

sábado, 8 de julho de 2006

BOM DIA E BOM ALMOÇO

Leopold Bloom comia com gosto os órgãos internos de quadrúpedes e aves. Apreciava sopa de miúdos de aves, moelas amendoadas, um coração assado recheado, fatias de fígado empanadas fritas, ovas de bacalhau fritas. Mais do que tudo gostava de rins de carneiro grelhados, que davam ao seu palato um delicado sabor de tenuemente aromatizada urina.
...
Os carvões avermelhavam.
Outra fatia de pão e manteiga; três, quatro: bem. Ela não gostava de prato cheio. Bem. Virou-se da bandeja, levantou a chaleira da grade e colocou-a de lado sobre o fogo. Esta ali assentou, parada e atarracada, o bico saltado para fora. Xícara de chá prestes. Boca seca. A gata andava tesa ao redor da perna da mesa com o rabo ao alto.
– Minhau!

[James Joyce]

sexta-feira, 7 de julho de 2006

EU NÃO DISSE?!

O DN de hoje noticia que José Manuel Fernandes quer "refundar" o jornal Público procedendo a várias modificações editoriais, rescisões de contratos e despedimento de pessoal, etc., etc.

Uma das razões que terão levado a essa “refundação” é o facto de se ter verificado que - e passo a citar - «O Público perdeu 4391 leitores no primeiro trimestre do ano relativamente ao período homólogo de 2005».

Deixem que pelo menos por uma única vez eu possa dizer:

Estão a ver que eu tinha razão quando, a 05/04/2005, eu escrevi isto: «O jornal "PÚBLICO" acaba de morrer aqui na Net. Os seus produtores acharam que já chegava de dar abébias aos cibernautas e toca de cobrar dinheiro a quem queira ler On-line o jornal.
Vão acabar como o outro: ficam muito satisfeitos porque vendem um produto caro, valioso e da melhor qualidade. Com um senão apenas: não têm é comprador para ele»
.

A 23/05/2005 regressei ao tema e fiz esta posta.

Estão a ver?

Mas o problema, certamente, não é só do Público. O "Expresso" que nos diga por onde andam as suas tiragens desde que também passou a cobrar para ser lido pela internet. Decerto terão baixado.

Independentemente do aspecto comercial (de as vendas terem baixado desde que começaram a cobrar para serem lidos pela internet) o mais importante é a perda de influência social que estes jornais vão sofrendo; tanto mais que é a classe média, aquela que tem mais acesso à internet, que se vai afastando deles.

As luminárias que fazem os jornais nunca perceberam que quem lê online também compra o jornal em papel; que uma coisa não impede a outra.

E nunca perceberam que quem tem Net e não lê (porque é pago) um jornal online, não tem o mínimo encentivo para comprá-lo em papel.

É assim tão difícil perceber isto?

AINDA A ANTENA2

Depois de um protesto indignado contra a programação da Antena2, e de, em Maio passado, ter trocado esta correspondência com o subdirector de dita estação de rádio, recebi, agora, um e-mail simpático de Margarida Aires, cujo respondi nos termos que se seguem:

[e-mail de Margarida Aires]:
«Caro A...
Antes de mais peço desculpa pelo atraso na resposta ao seu e-mail.
A pergunta que se põe é “estamos” quem?
Sabe que um dia fizemos a experiência de, à tarde, durante uma hora e meia só passar música, sem dizer nada. Acredite ou não, as pessoas telefonaram a reclamar. Ainda hoje falei com uma pessoa que elogiou o facto de, durante a madrugada, se ter passado falar, a apresentar as obras, por exemplo. Pela nossa experiência, nem todas as pessoas preferem só música, há também quem goste de ouvir uma boa entrevista, uma boa conversa e, de facto, recebemos elogios nesse sentido.
Cumprimenta,
Margarida Aires
Antena2»


[Minha resposta]:
Cara, Margarida Aires:
Depois de um e-mail malcriado do Senhor João Almeida que teve o cuidado de me escrever a partir do endereço dele na netcabo.pt; e-mail que mereceu resposta adequada, cuja anexo para seu conhecimento; faz bem ler esta sua resposta demonstrativa de que nem tudo ainda estará perdido na Antena2. Obrigado por isso; e pela gentileza que teve em, mesmo com algum perdoável atraso, responder ao meu protesto indignado.

Respeitando embora a experiência que me relata, creia, minha senhora, que é minha convicção que os ouvintes que teriam ficado satisfeitos com dita experiência, já não devem escutar, como eu, por hoje, a Antena2. Não quero especular minimamente sobre o universo social a que pertencerão esses ouvintes [a que se refere], nem se buscam na emissora apenas sinais consoladores de presença humana – voz humana, independentemente do que é dito –, pois seria demasiada soberba da minha parte fazer tal exercício e concluir que a Antena2 estaria a ser interpretada como emissora de ruído benfazejo.

Devo acrescentar, aliás, e para que fique claro, que eu protestei contra aquilo que considerei um excesso de palavras ligeiras e não contra o enquadramento e apresentação de peças musicais.

Estará certamente a Antena2 a perder os ouvintes que quis perder. E a ganhar aqueles que quis ganhar. Só o futuro nos dirá se a actual direcção dessa emissora está a consolidar a presença da estação no panorama cultural nacional, ou se, antes lhe está a fazer, inadvertidamente, os preparativos funerários. Temo muito que esteja a acontecer esta última hipótese. Mas é apenas um temor meu que espero se venha a verificar não ter fundamento.
Cumprimentos, e mais uma vez obrigado pela sua gentileza.
ASM

quinta-feira, 6 de julho de 2006

RESCALDO DE UM ACIDENTE

LIEDSON RESOLVE(RIA)

O que faltou contra a França foi Liedson. Para, das muitas oportunidades criadas por Portugal, ele marcar três ou quatro golos ao careca do Barthez.

Urge, por isso, nacionalizar o levezinho do Sporting; de contrário não haverá títulos para a selecção portuguesa.


De Mau Tempo no Canil colho esta citação do jornal espanhol El País que me vem dar razão quanto à falta que Liedson faz à selecção portuguesa: «Portugal "pagó la ausencia de um delantero de garantias (...) Es um defecto que viene de lejos y que pesa gravemente sobre el equipo».

quarta-feira, 5 de julho de 2006

AVISO À NAVEGAÇÃO



Atenção à falta de cobertura do segundo poste aquando da marcação de cantos e livres das faixas laterais.

Contra a França pode ser fatal.

domingo, 2 de julho de 2006

MUSEU DE CERA SCOLARI

OU AS VÍTIMAS DE FELIPÃO

Depois de ontem terem sido esbofeteados pela prestação da selecção portuguesa comandada por Scolari, cada um destes senhores vai receber uma rolha para tapar o buraco de onde lhes sai o ressábio, a inveja e as asneiras; e para onde costumam entrar as moscas e as rolhas merecidas.



sábado, 1 de julho de 2006

IRRA QUE É DEMAIS!

A massa cinzenta dos jogadores portugueses começa a liquefazer-se e nem contra dez (obrigado senhor árbitro – nós já previramos isso) conseguem meter um golito que seja.

Vamos ver no que vai dar o prolongamento.

Será que é preciso que o árbitro dê mais uma ajudinha?

Estou convencido de que se algum jogador português se lembrar de se deixar cair na área inglesa, o árbitro marcará de pronto uma grande penalidade contra os bifes. Mas não vejo ciência na cabeça dos portugueses para adivinharem que devem fazer esse teatro.

OBSERVATÓRIO 2

Ao que parece, hoje, o desejo germânico de ver os adeptos ingleses fora da Alemanha, suplanta indisfarçavelmente o interesse comercial de os ter a gastar dinheiro por mais alguns dias.

Basta olhar para a origem do árbitro da partida para se chegar a esta conclusão – um argentino.

Haverá no mundo nação mais hostil aos ingleses que a nação argentina?

Vamos estar atentos ao trabalho do senhor Elizondo Horacio pois ele pode revelar-se um autêntico profissional da “arbitragem à moda da FIFA” e beneficiar Portugal rumo à semifinal da prova.

Mas Portugal pode não precisar de qualquer ajuda pois tem melhor equipa que os ingleses e já o demonstrou na primeira parte do jogo.

OBSERVATÓRIO

Logo mais vamos ver se sai BOSTA ou coisa diferente.

A FIFA e a organização alemã deste “Mundial” devem estar divididas quanto a este jogo.

Por um lado os adeptos ingleses não são bem-vindos aos alemães, o que levaria a pensar que tudo se faria para que a Inglaterra fosse já para casa.

Mas esses adeptos são em grande número e garantem bons negócios aos hotéis, restaurantes, bares e cervejarias; o que faz crer que o negócio é capaz de falar mais alto.

Daí que a dúvida vai permanecer no nosso espírito até vermos para que lado pende a vontade de quem manda na arbitragem.

As razões fundamentais de uma “decisão” da FIFA, a favor de um ou outro contendor, passam mais por aqui do que pelo facto de Portugal ter uma boa equipa capaz de derrotar a Inglaterra e garantir um lugar na semifinal.

sexta-feira, 30 de junho de 2006

UMA ZITA DE CALÇAS

Num artigo publicado no Abrupto, Pacheco Pereira entretém-se a fazer um longo arrazoado preambular e diagnóstico da actual situação económica e social do País, tendo inteira razão na escalpelização do período Guterres da política portuguesa; dos períodos “barrosista” e “santanista” do PSD no Governo; na acção de Manuela Ferreira Leite enquanto Ministra das Finanças de José Barroso; e ainda na acção do actual primeiro-ministro português, José Sócrates.

Bem à portuguesa, todo o historial e o diagnóstico da situação, passada e actual, estão perfeitamente concebidos e expostos.

A páginas tantas da leitura desse texto, a porca começa a torcer o rabo porque vemos que estamos chegando ao fim do mesmo sem vislumbramos ponta de solução alternativa para os problemas elencados e analisados.

Mas é apenas uma ilusão nossa, pois que, o fino analista e comentador de tudo; aquele que tem sempre a preocupação de fazer autocitações como tendo “previsto” tudo no passado (apenas porque desconfiara que o que analisara viria a dar para o torto), lá mais para o final do texto aparece com uma receita milagrosa que não explica minimamente o que é que seja sem ser uma selva económica onde a incompetente classe empresarial portuguesa, tomando inteiramente nas suas predadoras mãos os destinos do erário público, “governará” os dinheiros dos nossos impostos a seu bel-prazer.

Diz-nos então Pacheco Pereira (destaques da minha responsabilidade):

«A reconfiguração do modelo do nosso Estado devia apenas garantir uma protecção social mínima para quem realmente a exige, limitar a esse mínimo de solidariedade social básica o carácter distributivo dos impostos, assim libertando para cada um a gestão da parte da sua "segurança" que está para além do mínimo garantido e para a economia recursos de que o Estado tem vindo a apropriar-se numa espiral cada vez maior.»

O que, no meu entender, significaria: puta que pariu para os mais pobres.

terça-feira, 27 de junho de 2006

UMA BOSTA DE MUNDIAL

Vê-se claramente que o interesse da FIFA é que a Alemanha e o Brasil disputem a final da copa do mundo de futebol.

Pelo meio, e enquanto não chega esse dia, as arbitragens vão cometendo indisfarçáveis pulhices no julgamento de lances capitais para o desfecho das partidas permitindo que as selecções mais mediáticas (aquelas que garantem mais negócios) passem à fase seguinte.

Ontem a Itália eliminou a Austrália com uma grande penalidade fantasma marcada pelo árbitro no último minuto da partida.

Hoje, quando o Brasil estava mesmo na mó de baixo, subjugado pelos fantásticos pretos do Gana, viu ser-lhe validado um segundo golo marcado em nítida posição de fora de jogo.

É com atitudes dessas que se remexe a porcaria de que é feita a fedorenta BOSTA deste campeonato do mundo.

Juro que este é o último mundial que eu vejo.

A partir do seu final juntar-me-ei ao clube “antifutebolândia” do Pacheco Pereira.

Quantos livros bons se deixa de ler (ou reler) para assistir a esta BOSTA?

Francamente!

domingo, 25 de junho de 2006

NINGUÉM BRINCA COM O CÉU

NEM OS MATEMÁTICOS

A protestante Holanda só podia mesmo baquear perante a inabalável fé do católico Portugal.

Eu logo vi que aquela potente e sofisticada antena de telecomunicação, em forma de cruz, encimando aquela enorme coroa(*) de bronze que a imagem da Senhora do Caravagio trazia na cabeça, escondendo um potente rádio emissor, constituía sinal mais que evidente de que os holandeses estavam arrumados à partida.

As ondas hertzianas da celestial Senhora fritaram por certo de tal maneira a mioleira dos holandeses que estes ficaram desorientados perante um Portugal privilegiado que acreditou desde o princípio na acção que as divindades não deixariam de exercer no jogo; mas a deficiente tecnologia celestial fez com que também os portugueses (e o próprio árbitro - meu Deus!) sentissem os seus miolos escaldados - mas pela exuberância da fritura da vizinha mioleira holandesa.

Quando vejo milagres destes pergunto quase sempre: porque será que os deuses e os santos agem sempre pela negativa? É que em vez de desorientar os holandeses e, por tabela, abalar os portugueses e o próprio árbitro, obrigando com isso os espectadores a assistir a um jogo de pancadaria, recheado de faltas e expulsões, poderiam antes transformar temporariamente os portugueses em super-homens oferecendo-nos por esta via uma inolvidável partida de futebol!

Rais parta a Senhora!

Mas, de qualquer forma... obrigado, Senhora do Caravagio.

(*) Pela evidente desproporção entre a Senhora e sua carga, via-se logo que ali havia marosca: o rádio escondido era tão grande que antes se diria: - aquilo não é uma santa com uma coroa na cabeça; aquilo é uma coroa com uma santa por baixo.

A FÉ CONTRA A MATEMÁTICA

Hoje, antes do Portugal Holanda, verifica-se a existência de duas posições curiosas, muito significativas a meu ver.

Por um lado temos Portugal:
Onde impera a fé numa provável vitória logo à noite sobre a Holanda; fé baseada na infalível máxima “não há duas sem três”, não há cinco sem seis, e por aí fora. É que de 9 jogos entre as duas selecções, Portugal ganhou 5, empatou 3, e perdeu apenas 1. Para quem tem fé, claro que isto só pode prenunciar mais uma vitória. Tanto mais que as Senhoras do Caravagio e de Fátima, como se sabe, foram arregimentadas para a peleja.

Do lado holandês:
Fazem-se contas de cabeça e diz-se: se de 9 jogos entre as duas selecções, a Holanda perdeu 5, empatou 3, e ganhou apenas 1 – então, pela lei das probabilidades, é a Holanda que tem as maiores probabilidades de ganhar o décimo jogo de logo à noite.

E nós aqui estaremos logo mais para ver quem tem mais força: se Nossa (salvo seja) Senhora do Caravagio, se o matemático e geómetra holandês, Christian Hygens.

Christian Hygens deu, em 1657, um grande impulso ao desenvolvimento da Probabilidade com a publicação do primeiro tratado formal sobre probabilidades. A esse estudo deve-se o conceito de esperança matemática de grande relevância para o Cálculo de Probabilidades e Estatística.

Mas… atendendo a que, no século XVI, o matemático e jogador italiano, Jerónimo Cardano (1501-1576), decidiu estudar as probabilidades de ganhar em vários jogos de azar, sendo assim o primeiro, o iniciador da teoria das probabilidades, ao escrever um argumento teórico para calcular probabilidades (resumido daqui) talvez tenhamos que telefonar ao seleccionador italiano pedindo-lhe que confirme ou desminta a teoria dos holandeses.

Será que uma divindade ou duas podem baralhar essas contas todas e dar a Portugal mais um argumento inequívoco de que o Império da Fé é mais importante do que o simples e humano poder da Matemática?

Porque não? Não foi assim com Nuno Álvares Pereira em Aljubarrota? Não foi assim que o Comunismo Científico de Marx foi derrotado pelo Ocidente católico e crente no segredo de Fátima?

Então:
Tenhais fé, ó crentes do rectângulo luso! Logo mais o Sol dançará segunda vez nos céus e prenunciará a vitória de Portugal.

sexta-feira, 23 de junho de 2006

A PROVA FINAL

A Presidência da República de Timor distribuiu a seguinte tradução de uma mensagem que Xanana Gusmão terá dirigido «ao povo e aos membros da FRETILIN».

Trata-se um discurso atabalhoado, idiota e incendiário.

É um discurso inadmissível num Presidente de qualquer República.

Perante este discurso, Nino Vieira, Kumba Ialá e outros que tais, são autênticos Chefes de Estado merecedores de todos os encómios, admiração e respeito.

Com este discurso, Xaxana Gusmão acaba de provar à saciedade que é um oportunista, um vaidoso, um indivíduo mal preparado para qualquer cargo sério de chefia, mesmo que intermédia, quanto mais para o cargo de Chefe de Estado.

O desplante, a insensatez, o oportunismo, o golpismo, a falta de sentido de Estado - tudo isso junto - está revelado, nua e cruamente, nesta parte do discurso em que Xanana diz:

«Por isso mesmo, enquanto Presidente da República, não aceito o resultado do Congresso [da FRETILIN] do dia 17 – 19 de Maio passado, exijo à Comissão Política Nacional da Fretilin, a imediatamente organizar um Congresso Extraordinário para eleger, de acordo com a Lei no. 3/2004, sobre os Partidos Políticos, uma Direcção nova do Partido.»

Mas onde é que já se viu um Presidente da República intervir tão descaradamente na vida de um partido político, chegando ao ponto de «exigir uma direcção nova do partido» que – para cúmulo dos cúmulos - há pouco mais de um mês acabara de eleger os seus órgão dirigentes em congresso!?

Eu, a partir de hoje, quero dizer daqui ao senhor Xanana, que da ajuda que o Governo Português lhe presta há uma parte que está a mais e que eu agradecia que devolvesse a Portugal: trata-se da parte que corresponde aos meus impostos pagos aqui em Portugal.

E declaro solenemente que não autorizo o Governo Português a utilizar o dinheiro correspondente aos meus impostos para ajudar o pavão conspirador de Timor.

Tenho dito.

Nota:
Xanana não é o primeiro caso em que o silêncio de uma pessoa é interpretado como prova de sabedoria e bom senso. O silêncio de que Xanana era fonte, como se prova agora, era o silêncio de quem não sabia bem o que dizer; de quem não tinha ideias e não tinha mesmo nada para dizer. Aliás, aquele seu hábito de falar muito lentamente à procura das palavras, já chamara a atenção de que aquela cabeça deveria estar vazia. E ESTAVA.

Sobre as atitudes do senhor Xanana, o “Blasfémias”
tem esta posta com a qual concordo integralmente.

quinta-feira, 22 de junho de 2006

ESTÁ TUDO EXPLICADO

Um lento mental associado a um Prémio Nobel do cinismo e da duplicidade, baseando-se numa afirmação de um jornal australiano, está em vias de efectivar um golpe de Estado em Timor.

Algum tempo depois de o primeiro-ministro australiano, John Howard, ter declarado que o Governo timorense estava a governar mal o país, Xanana Gusmão terá tomado a posição de exigir a demissão do primeiro-ministro eleito, Mari Alkatiri, baseando-se numa notícia de um jornal australiano que implicava o primeiro-ministro timorense na distribuição de armas a uma milícia apelidada (também pelos australianos) de “Esquadrão da Morte” e que teria como “missão” liquidar figuras políticas de oposição ao Governo. A milícia seria pretensamente criada e equipada por um ex-ministro de Alkatiri, Rogério Lobato.

Esse mesmo governo timorense terá deixado de “governar bem”, no dia em que decidiu atribuir a exploração do petróleo do mar de Timor a uma empresa italiana, em desfavor de empresas australianas. Até essa data Alkatiri merecera elogios sonoros por parte do senhor John Howard.

Quer dizer: foi uma notícia de jornal que fez agir Xanana.

Bastou a palavra escrita de um jornal australiano para o senhor Xanana acreditar que tudo o que foi escrito nesse jornal era verdade. Não foi preciso nenhuma diligência ou investigação para apuramento da verdade. O senhor Presidente Xanana não espera por inquéritos e averiguações levadas a cabo por instituições competentes do Estado timorense e por organismos internacionais credíveis. Basta-lhe a notícia de um jornal da terra de onde sua mulher (dele, Xanana) é natural para desatar a pedir a demissão de um Primeiro-ministro.

Isto, se não é uma brincadeira, é no mínimo ridículo.

Aqui de longe e com nenhuma ligação, sequer afectiva, (era só o que faltava) a Timor; sem qualquer simpatia pessoal ou política por Alkatiri, não posso deixar de me lembrar do que me dissera certa vez um antigo capitão do exército português que fizera naquele território várias missões na época colonial:

«Meu amigo, aquela gente é falsa; de uma falsidade que raia o nível de quem luta pela sobrevivência. Não conhecem sequer a mão de quem os alimenta. Se assistissem a um jogo de futebol, bateriam sempre palmas a quem estivesse a ganhar; e se a posição do vencedor mudasse trinta vezes durante o jogo, trinta vezes eles mudariam o sentido do seu apoio.»

domingo, 18 de junho de 2006

GOSTEI DE LER

[TAMBÉM ISTO É POESIA]

«Hordas de pretos»

«Vagas e vagas de pretos das tribos Gana e Gwi avançaram contra a fortaleza checa. Repito: mesmo a ganhar avançavam sete ou oito pretos à vez. Hordas de pretos a jogarem ao muda aos cinco acaba aos dez. E ficaram chateados com o apito final: queriam estar ali toda a noite. Pretos e mais pretos. Lindos.»


In Mau Tempo no Canil

BOM DIA

OFRENDA

¡Oh cómo florece mi cuerpo, desde cada vena
con más aroma, desde que te conozco!
Mira, ando más esbelto y más derecho,
y tú tan sólo esperas...¿pero quién eres tú?

Mira: yo siento cómo distancio,
cómo pierdo lo antiguo, hoja tras hoja.
Sólo tu sonrisa permanece
como muchas estrellas sobre ti,
y pronto también sobre mí.

A todo aquello que a través de mi infancia
sin nombre aún refulge, como el agua,
le voy a dar tu nombre en el altar
que está encendido de tu pelo
y rodeado, leve, de tus pechos.

RAINER MARÍA RILKE
Austria, Praga (1875-1926)

sábado, 17 de junho de 2006

A «PRETO» E «BRANCO»

Minha cara Maria do Amparo, e meus caros, João Vicêncio, Mário Ventura e Ubaldo Mendes:

Eu, quando escrevo «branco», não quero dizer que é branco. Pois também quando escrevo «preto», não estou a querer dizer que é preto.

Explicando melhor: quando escrevo «branco», quero dizer que não é «preto»; e quando escrevo «preto», quero dizer que não é «branco».

Só isso.

quinta-feira, 15 de junho de 2006

CRIMES EM ANGOLA

Sou dono de uma mente fantasista e maldosa que insiste em pregar-me as piores partidas. Por isso sofro, sofro muito.

Quando adormeço ou apenas cochilo cabeceando de sono, costuma aparecer-me um velho funcionário administrativo que me conta histórias de Angola, do tempo do colonialismo (décadas de cinquenta e sessenta) com a maior desfaçatez e não menor inconsciência dos crimes que relata. É um indivíduo que se pretende íntegro, senhor de boa conduta moral e crítico acérrimo da dissolução dos bons velhos costumes portugueses desta sua amada pátria, Portugal.

Costuma contar-me essas histórias na presença de outros ex-administrativos que estiveram ao mesmo tempo em Angola, os quais nunca o desmentem e dos quais algumas vezes se socorre para lhe avalizarem partes ou o todo de algum relato.

Já perdi a conta aos crimes e atrocidades por ele relatados ao longo do último lustro. Há cerca de vinte anos que me aparece nesses momentos de fuga à realidade, mas só nestes últimos cinco anos é que esse patriota (como às vezes se auto-intitula) resolveu desatar a língua e deixar sair os relatos do horror que lhe vai na memória: rapto de pessoas, amputações, violações e sodomização de menores, assassinatos gratuitos; tudo isso é relatado como se fosse uma prática habitual e normal de um certo período colonial, com exacerbação «no tempo do terrorismo», como ele soe precisar.

Ontem foram duas as revelações que me fez enquanto eu pegava não pegava no meu sono da tarde. Primeira revelação: havia na barragem de Cambambe um motorista branco que quando bebia uns copos começava a olhar para os pretos mais salientes que estivessem por perto. E se calhasse, por exemplo, encontrar um que usasse uma barbicha, começava a meter-se “amigavelmente” com ele até lhe ganhar a confiança, e, como fazia quase sempre, afagando-lhe a barbicha lhe dizia: – sabes, pareces o Lumumba. Vem daí dar uma volta, vamos para o jipe dar um passeio –. E partia com o preto a quem alguns quilómetros depois enfiava um balázio na nuca. – «Desfez-se de dezenas deles» – garante o administrativo perturbando o meu descanso.

Segunda revelação: um dia, numa localidade qualquer do interior, a autoridade administrativa formou um pequeno grupo que fez uma matança de 114 pessoas. Abriram uma vala enorme onde amontoaram os corpos que, contudo, mal couberam na vala comum ficando algumas pernas e braços de fora. Como já se fazia tarde e aquela malta estava cansada, o heróico e valente administrativo concluiu o “trabalho” munido de uma catana com a qual decepou e capinou os braços e pernas que se mantinham desenterrados.

Estes são pequeníssimos exemplos das histórias macabras que esse personagem me traz nos pesadelos que me acometem quando tento conciliar o sono, ou quando o desvario de minha mente malsã resolve afogar-me em cenas de horror. Muito tenho sofrido ao longo dos últimos cinco anos com as histórias que esse personagem do além, que povoa o meu sono e me tira a paz que eu busco quando estou cansado, insistentemente faz questão de me contar. Se trago hoje aqui estas histórias, é porque já não aguento mais sozinho a tortura que os relatos desses crimes assustadores me tem causado a ponto de eu me sentir enlouquecer.

Peço desculpas por trazer-vos estes relatos, mas foi o meu psicanalista que assim me aconselhou: – «deves falar disso a toda a gente, e se tens um blogue então ainda melhor: basta escreveres isso uma vez» –.

Foi o que fiz.

ADEUS CAREIRA PT

Há um mês comprei uma pequena caixinha, o PAP2 da Linksys, activei um contrato com a empresa Netcall e passei assim a usufruir de:

1) SMS gratuitos e sem limite para telemóveis de todo o mundo;
2) Telefonemas gratuitos para utilizadores da rede Netcall;
3) Telefonemas para números fixos e telemóveis dos Estados Unidos ao custo de €0,017 (atenção: não é 17 cêntimos, é um cêntimo vírgula sete), isto é: 4$00 antigos por minuto de conversação (pela PT paga 60$00 ao minuto, isto é, 15 vezes mais);Telefonemas a preços muito mais baixos do que os da PT para qualquer destino no globo terrestre. Exemplo: MACAU € 0,042, isto é, 8$50 antigos (pela PT paga 30 vezes mais, isto é €1,258);
4) Recepção e emissão de Fax aos custos acima referidos;
5) Não pagamento de qualquer taxa ou aluguer de equipamento;
6) Não obrigatoriedade de consumo mínimo: faz-se o “carregamento” da conta quando e na importância que se quiser fazer.

No fundo exerci uma parte, pequenina embora, mas uma parte interessante da minha liberdade de escolha.

As minhas contas dizem-me que vou gastar entre um terço a um quinto do que pagava à PT pelo serviço de telefone fixo. NADA MAU.

Confira as taxas de PT aqui

E confira as da Netcall aqui

Nota: esta posta foi publicada há cinco dias atrás, mas como foi por mim acidentalmente apagada, volta hoje, pelo seu interesse informativo, à publicação.

terça-feira, 13 de junho de 2006

REGISTO XENÓFILO

VAI COMEÇAR AGORA O FRANÇA SUIÇA

Para que fique registado:

A selecção francesa vai começar o jogo com sete pretos e um argelino (Zinedine Zidane).

Lembro que cada equipa só tem onze jogadores.

segunda-feira, 12 de junho de 2006

ÓDIO COM ÓDIO SE PAGA

COM ÓDIO SE PAGA,
Com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga. . . . . . . . . . . .
Eis exposta a capa obscena e terrorista da edição de 9 deste mês do jornal americano New York Post.

Depois queixem-se da desumanidade do terrorismo árabe!

sábado, 10 de junho de 2006

AVISO À NAVEGAÇÃO





Sempre curioso de conhecer as últimas novidades no domínio da informática - mais concretamente no domínio do software e do hardware para o utilizador doméstico - inscrevi-me como beta-tester da querida Microsoft do não menos querido Bill Gates. Nessa condição pude fazer o download da versão Beta 2 do já famoso futuro Windows Vista, a nova plataforma ultramoderna para computadores de secretária.

Instalei ontem o sistema operativo no meu computador e comecei a fazer algumas experiências no sentido de apurar da possibilidade de fazer backup e restore integrais desse sistema num mesmo computador, e a cópia integral ou a migração do sistema para outro computador.

Para o primeiro caso tentei instalar o programa Acronis True Image 9.0.; Resultado: o Windows Vista não me permitiu concluir a instalação do mesmo; e não me deu qualquer explicação pela recusa.

Para o segundo caso instalei o programa PC Relocator. Resultado: estando o programa instalado, quando o tentei usar o Windows Vista "disse-me" que não era conveniente fazê-lo; e não me permitiu o seu uso.

Conclusão mais que óbvia: a Microsoft prepara-se para nos vender um sistema operativo cheio de restrições à nossa salutar tendência de bem piratear em toda a sela.

Mas se esse propósito da Microsoft é bem compreendido por quem só usa software original, já o mesmo não deverá acontecer, mesmo com os utilizadores mais escrupulosos, quanto à impossibilidade que vai haver de quem quer que seja ter uma cópia restaurável do seu ambiente de trabalho; ficando assim o incauto escrupuloso condenado a refazer tudo de novo - desde o princípio - de cada vez que uma desgraça (vírus ou quebras de hardware, por exemplo) o impeça de continuar a utilizar o seu querido PC, dizendo: tão habituado que eu estava a esta máquina! e não é que agora vou ter que começar tudo de novo!...

Conselho de mestre: arreigue-se no uso do seu Windows XP; faça cópias seguras e integrais do disco duro do seu computador; não vá atrás de modas quando vier aí a publicidade ao novo Windows Vista; e fique de plantão para se rir dos incautos que cairão nas mãos do Bill que os vai ter de rédea curta, insatisfeitos e sempre com a carteira aberta.

NA GUINÉ DE NINO

Jornalistas sofrem «Estranhos acidentes» ou morrem de «doença prolongada» que desconheciam ter.

ADEUS CAREIRA PT

Há um mês comprei uma pequena caixinha, o PAP2 da Linksys, activei um contrato com a empresa Netcall e passei assim a usufruir de:

1) SMS gratuitos e sem limite para telemóveis de todo o mundo;
2) Telefonemas gratuitos para utilizadores da rede Netcall;
3) Telefonemas para números fixos e telemóveis dos Estados Unidos ao custo de €0,017, isto é: 4$00 antigos por minuto de conversação. Pela PT paga-se €0,30, isto é, 60$00 antigos (quinze vezes mais caro);
4) Telefonemas a preços muito mais baixos do que os da PT para qualquer destino no globo terrestre. Exemplo: Cabo Verde €0.24, isto é, 50$00 ao minuto. Pela PT são €0,84, isto é, 170$00 ao minuto (maior que três vezes mais); MACAU €0,017, isto é, 4$00 antigos por minuto; pela PT paga-se €1,267, isto é, (setenta e quatro vezes mais);
5) Emissão de Fax aos baixos custos acima referidos;
6) Não pagamento de qualquer taxa ou aluguer de equipamento;
7) Não obrigatoriedade de consumo mínimo: faz-se o “carregamento” da conta quando e na importância que se quiser.

Quer dizer: exercitei uma parte, pequenina embora, mas uma parte interessante da minha liberdade de escolha. E beneficiei com isso.

As minhas contas dizem-me que vou gastar entre um terço a um quinto do que pagava à PT pelo serviço de telefone fixo. Nada mau.

Nota:
Confira as tarifas da PT aqui.

E confira as tarifas da Netcall aqui.

O PUZZLE TIMORENSE

Interessante esta entrevista
de Mari Alkatiri ao Expresso. Em que se percebe, nas entrelinhas, que Xanana Gusmão tem tanto de cordeiro como de lobo. E que há, no Governo, uma rolha boiante (Ramos Horta) no papel de contra-espionagem bilateral – “representa” Xanana e é, ao mesmo tempo, ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo de Alkatiri -: uma situação complexa que não augura uma solução rápida para os intrincados problemas políticos que Timor vive neste momento.

sexta-feira, 9 de junho de 2006

PERGUNTA INDISCRETA



Pode haver médicos e médicas doentes mentais, a receber ou a necessitar (caso mais grave porque sem ajuda) de acompanhamento psiquiátrico, a trabalhar nos hospitais, na profissão?

domingo, 4 de junho de 2006

NA FEIRA DO LIVRO

BILHETE POSTAL – 15 de Fevereiro de 2000

Remetente
Luís Pacheco
em viagem para o PARAÍSO
Via TAP
(carimbo de 16/02/2001)

Destinatário
Senhor RAPOSÃO
Livraria UNI-VERSO
Rua do Concelho
2900 Setúbal

5.ª feira, 15/Fev./2001

Caro Colega Editor e Livreiro e Nobre Amigo:
Fugi do Montijo, vai para 1 mês. Apaixonei-me por uma gaiata (21 anos), casada e o corno do marido queria dar-me um TIRO. Vá dar tiros no “buraco” certo que era onde a esposa não tinha o TIROTEIO que desejava (e eu não podia compensar).
Saudades do além-Tejo só do Carlos César(1), que foi à minha frente, para encenar a minha chegada triunfal. Se vires o Bocage, dá-lhe um poema teu.

Abraço
L. Pacheco


(1) Setubalense dedicado ao teatro, já falecido à data desta missiva.

Do livro “Cartas ao Léu”
Autor: Luís Pacheco
Editora: quasi

BOM DIA

Amigo, não suporto mais o calor. Abra por favor esta torneira e dissolva-me em água fria
.