quarta-feira, 13 de setembro de 2006

SHOW DE BOLA













Estes dois excelentes jogadores do Sporting , Didier Drogba e Rivaldo, acompanhados ontem à noite por mais nove magníficos, puseram o Inter de Milão em sentido e disseram à máfia futeboleira local: este ano só com um rigoroso controlo das arbitragens, baseado na mais descarada corrupção, será possível ao F. C. do Porto ombrear connosco na luta pelo título.

Sim, que o Benfica ainda tem que comer muita papinha e recrutar muito apito corrupto para entrar nesse despique.

Editado, hoje, 17/09/2006, às 10:55 AM.
Como se viu no jogo de ontem, parece que a máfia não se queda a dormir: o Sporting perdeu pelo menos um ponto devido a um golo irregular, escandalosamente marcado com a mão, e obscenamente validado pelo "árbitro" João Ferreira, configurando matéria de polícia e de Justiça.

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

NA MOUCHE

Na Grande Loja o advogado José António Barreiros (JAB) arrasa, de uma ponta à outra, com esta posta, o «pacto sobre a Justiça» celebrado pelo PS e o PSD.

Não há cabeça nenhuma com um mínimo de equilíbrio que não concorde com aquilo que JAB diz.

Vá até à Grande Loja e teste a sua sanidade mental. Se não concordar com o que ler... olhe: marque uma consulta no psiquiatra. Já.

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

BODO AOS POBRES

Eis como ler o Público online sem pagar.

[Advertência fundamental: procure ler o jornal de há dois dias ou mais para trás ainda. Procure artigos e notícias relevantes porque as pequenas coisas não serão encontradas; mas também não interessam, não é?]

Comecemos então a lição.

1 - Vá à página do público online.
2 – Na coluna da direita, onde diz “EDIÇÃO IMPRESSA”, escolha mais abaixo um número dos “Últimos 7 dias”.
4 - Procure a notícia ou artigo que queira ler e do texto da sua introdução copie uma frase.
5 - Vá ao Google Search e pesquise por essa frase (hão-de lhe aparecer alguns sítios com esse conteúdo).
4 - No sítio que se refere ao jornal PUBLICO clique onde diz “Em cache”.

E pronto! Já está!

Exemplo:
Eu quis ler o que escreveu Eduardo Prado Coelho, no jornal “Público”, no dia 5 de Setembro, sobre o presidente do Gil Vicente, o Sr. Fiúza.

Fui ao Google e pesquisei por prado coelho fiúza (convém usar sempre minúsculas para facilitar a busca).

Entre vários sítios com referências a Prado Coelho e a Fiúza encontrei este do jornal “Público”:

PUBLICO.PT
Eduardo Prado Coelho o fio do horizonte ... O senhor António Fiúza, responsável pelo Gil Vicente, tomou o gosto pelas rádios e televisões e fala como se ...
jornal.publico.clix.pt/noticias.asp?a=2006&m=09&d=01&uid=&id=95748&sid=10531 - 35k -
Em cache - Páginas semelhantes

Fiz então como lhe disse: cliquei na palavra “Em cache” e cheguei ao artigo de EPC.

Tão simples como isso.

Eis três exemplos de conteúdos “pagos” que poderá ler gratuitamente através do Google:

A crónica de Vasco Pulido Valente, no Público

O ultimato da FIFA à Federação, no Expresso

Ligação Lisboa Porto de comboio em 1864, no Público

Passe bem.

P.S. Mas não se esqueça que isto não funciona bem com o jornal do dia; nem com o do dia anterior. Tem que ser de há dois dias ou mais.
P.P.S. Este método também funciona para o "Expresso" e todos os outros jornais "trancados".

NÃO POSSO CONCORDAR

No Esplanar, CL (Carlos Leone) verbera nesta posta as seguintes palavras escritas no jornal Público por EPC (Eduardo Prado Coelho):

«O senhor António Fiúza, responsável pelo Gil Vicente, tomou o gosto pelas rádios e televisões e fala como se estivesse à frente das cruzadas. É pena que fale tanto porque os erros de português são muitos e vão avultando. Mas o referido senhor sente uma espécie de missão histórica e o clube de Barcelos está disposto a ir "até ao fim do mundo"»


E por causa desta prosa CL diz que EPC fez um «insulto gratuito» a Fiúza.

Mas onde é que está o insulto? No dizer o que é verdade: que Fiúza comete erros de Português? No compará-lo aos cruzados de antanho?

Eu não vejo aqui insulto nenhum. Então já não se tem a liberdade de criticar com palavras mordazes, e frases comparativas que ridicularizam, uma figura que nos parece ridícula e que fala mal a língua de Camões?

Por isso acho que EPC não insultou ninguém.

Que CL lhe queira chegar a roupa ao pelo porque EPC insultou – e concordo que insultou mesmo, e gratuitamente – o seu amigo João Pedro George, acho muito bem que o faça. Os amigos são para as ocasiões e quem ofende o meu amigo também me ofende a mim. Só fica bem a CL esta atitude. Mas, por favor, não diabolize EPC a ponto de lhe recusar uma prosa mordaz e certeira como essa sobre o presidente do Gil Vicente.

É que não há insulto.

Aprecio imenso o que escreve CL no Esplanar; mas acho que desta vez excedeu-se na sua crítica a EPC. Traído talvez pela amizade que o une a JP George.

Acontece.

domingo, 3 de setembro de 2006

SÓ PODE MESMO

Eu sei que os médicos não têm amigos; e que se se pudesse extingui-los era o que a maioria das pessoas faria.

Ser médico causa azia até ao mais empedernido estômago.

Mas se vejo certos senhores levando a cabo, afincada e reiteradamente, com toda a sanha que imaginar se possa, uma campanha pessoal contra os médicos, digo:

Cá está mais um que foi pisado por um senhor doutor. Por certo também terá tido na vida a sua "experiência amarga" com algum médico de permeio.

Só pode ser isso.

Editado às 15:42 de 7/Set/2006 para introdução de linguagem menos agressiva; mas sem desvirtuar o sentido do texto.

domingo, 20 de agosto de 2006

BOA TARDE DE DOMINGO

De regresso de uma ausência que também incluiu férias (há fotos que serão mais tarde dadas à estampa) vos ofereço um cheirinho. Apenas. De Joyce.


«Morosa deleitação, chama-lhe o ventrudo Aquino, frate porcospino. Antes da queda Adão trepava mas não gozava. Deixá-lo chamar: teu corpo é gostosura

terça-feira, 25 de julho de 2006

PARABÉNS ISRAEL

ACÇÃO 100% EFICAZ


Assim é que deve ser: a aviação israelita bombardeou e vaporizou integralmente um posto de observação das Nações Unidas, incluindo, como é óbvio, os observadores da ONU que lá estavam.



É a eficácia elevada ao máximo - pois assim não ficou ninguém para contar o que se estava a passar naquela zona de conflito.

Parabéns Israel!

Entretanto, lá no Irão, átomo a átomo, lá vão os iranianos concebendo a bomba nuclear que pretendem um dia usar algures (um pouco como quem usa uma calculadora para fazer contas de subtrair).

domingo, 23 de julho de 2006

PERGUNTAR OFENDE?

Dois sindicalistas da PSP acabam de sofrer duras sanções por «ofensas ao primeiro-ministro e ao director nacional da PSP».

Aqueles dirigentes sindicais foram aposentados compulsivamente por declarações, consideradas ofensivas, feitas à comunicação social: um disse que iam «enviar o primeiro-ministro para o Quénia»; e outro disse que «o director não servia sequer para dirigir um grupo de escuteiros».

O secretário de Estado que assinou o despacho punitivo foi o Dr. José Magalhães, ex-comentador político, bem conhecido, aliás, dos leitores de jornais e dos telespectadores portugueses.

Que me lembre nunca o Dr. Magalhães terá defendido publicamente idêntico procedimento contra, por exemplo, o Dr. Alberto João Jardim ou o Sr. Jaime Ramos, da Madeira, que – estes sim – já chamaram, ao longo dos anos, todos os nomes feios que há nos dicionários, a Presidentes de República, primeiros-ministros, ministros, e demais fauna política do "contenente".

Por isso pergunto: neste caso de punição dos sindicalistas da polícia com este rigor que parece despropositado (e não tenhamos medo das palavras: que parece estalinista), estaremos ou não perante um caso de uso de força excessiva contra os mais fracos, e de nítida manifestação de fraqueza perante os mais fortes?

Responda quem souber.

sexta-feira, 21 de julho de 2006

IRONIAS DO DESTINO

Iniciei hoje o dia com uma visita rápida ao Diário Digital e ao Diário de Notícias para ler umas larachas e saber que Israel continua a saga anti-palestina bem na senda, aliás, da saga anti-semita de Hitler.

E pensei que a futura bomba nuclear do Irão é para fazer o papel da antiga bomba atómica americana utilizada na Segunda Grande Guerra contra o Japão.

E dei comigo a dizer: Israel igual a Hiroshima.

Depois dediquei-me a coisas mais sérias antes de partir para o trabalho: a leitura de alguns blogues de referência.

E nos blogues descobri esta inenarrável posta em que Pacheco chora, contrito, a «solidão» em que o mundo deixa Israel – coitadito, franzino, pobre, indefeso – lutar sozinho contra os mauzões palestinianos.

Tenham todos um bom dia.

terça-feira, 18 de julho de 2006

UMA BRINCADEIRA

E AGORA ISTO:

A falta de pontaria dos avançados portugueses no campeonato do mundo levou-nos a defender (brincando) que quem lá fazia falta era Liedson, o levezinho do Sporting. Chegámos até a enviar uma mensagem a este nosso (de nós os sportinguistas) ponta de lança dizendo-lhe o que pensávamos.

Pois não é que essa nossa brincadeira foi levada a sério e já hoje o Diário Digital nos traz a notícia de que «O avançado do Sporting Liedson mostrou-se disponível, na conferência de imprensa na Academia de Alcochete, para obter a dupla nacionalidade, o que lhe permitirá integrar a selecção nacional, tal como o seu compatriota Deco.»!

Pensando bem até é capaz de não ser leviandade nenhuma naturalizar o rapaz e pô-lo a tratar as redes dos adversários da selecção portuguesa como tem sido seu hábito tratar as redes dos pobres lampiões da Segunda Circular: afinfando golos e mais golos lá dentro, fazendo lembrar o Mário Jardel de outros tempos.

domingo, 16 de julho de 2006

CASSANDRA VOLTA À LIÇA

Colho, desta posta no Abrupto, em que o autor analisa uma exposição da pintura de José Cândido Dominguez Alvarez, na Fundação Calouste Gulbenkian, a seguinte conclusão expressa (sublinhados da minha responsabilidade):

«A pintura de Alvarez não é ingénua é metafísica. Aqueles homenzinhos patéticos, reduzidos a símbolos torturados ou hirtos são os homens do século XX, mais números do que homens, mais ícones do que homens, mais vírgulas e pontos numa paisagem do que coisas que agem. Por isso, volto a Kafka, porque foi Kafka que primeiro nos mostrou que os homens do século XX iriam ser assim, andando como John Cleese com passos de "silly walk", no meio de uma burocracia que lhes retira individualidade e poder

Ao ler isto, penso: esta constatação conclusão afirmação do Abrupto é intrigante. E é intrigante porque: se Pacheco está convicto de que «os homens do século XX são assim»; mas Pacheco tem vindo a condenar todos aqueles portugueses que, não usando (no seu entender) uma calculadora, têm gasto o que ganham, em prol do seu bem-estar: em viagens turísticas, festas, restaurantes, carros e roupas de marca; então o que Pacheco quer para os portugueses é o puro refinamento da sua condição de «homenzinhos patéticos, reduzidos a símbolos torturados ou hirtos», pessoas sem «individualidade e poder».

É que a mim me parece que não há muito por onde retirar outra conclusão diferente. Tanto mais que, como é sabido, não é apanágio das grandes massas a dedicação a uma vida de grande actividade intelectual ou então ao enriquecimento interior através do retiro, da meditação e da contemplação.

No meu entender Pacheco está a passar agora por aquilo a que estão condenados todos aqueles que falam de tudo o tempo todo: falam, falam, falam, até que, às tantas, já não conseguem sindicar o que disseram e escreveram no passado, defendendo hoje aquilo que ontem condenavam com veemência.

Lembramo-nos bem que Pacheco fez uma viagem da esquerda radical para o centro-direita – do MRPP para o PSD –; e sabemos bem que, desde há já dois bons pares de anos, Pacheco tem andado entre o centro-esquerda (nos tempos dos governos Barroso e Lopes) e a direita liberal (agora neste tempo do governo Sócrates). Talvez esteja aqui a fonte da contradição revelada.

Mas que se trata de contradição – lá isso é verdade.

De uma posição, no passado, de aposta nos valores da sociedade portuguesa para superação de desafios vários, rumo a um futuro promissor (tempos do MRPP), temos agora a visão catastrofista da actual sociedade portuguesa.

E pergunta-se: o que é que mudou mais de então para cá? O País ou Pacheco Pereira?

Numa só coisa podemos concordar (numa coisa muito pequena) com Pacheco: uma parte dos homens das grandes cidades e da sua cintura industrial serão, de alguma forma (mas só parcialmente), «homens do século XX»; os restantes habitantes, a grande maioria dos portugueses, felizmente, não entra nesse barco. E talvez seja por isso mesmo que Pacheco os crítica negando-lhes a liberdade de festejarem a vida e se divertirem, pois não se enquadram nas fronteiras definidas pelo Liberalismo de Pacheco.

sábado, 15 de julho de 2006

BOM DIA




Brancas mãos, rubra tua boca
E teu corpo é gostosura
Bebe comigo na cama
Beija, toma, é noite escura.






«Ele chega, pálido vampiro, por borrascas seus olhos, seu velame morcegueiro ensanguentando o mar, boca contra o beijo de sua, dela, boca.

Seus lábios sugavam e abocanhavam descarnados lábios de vento: boca contra o ventre dela.

Toca-me. Olhos doces. Mão doce doce doce. Estou sozinha aqui. Oh, toca-me logo, agora. Qual é essa palavra sabida de todos os homens? Estou mesmo aqui sozinha. Triste também. Toca, toca-me.»

[James Joyce]

segunda-feira, 10 de julho de 2006

ATENÇÃO, MUITA ATENÇÃO

Arthur Schopenhauer escreveu hoje uma posta no Abrupto condenando e avisando os portugueses de que a vida deve ser trabalho e depressão em vez de folguedo e divertimento. Bem sabemos que deste autor não se poderia esperar outra coisa; nem sequer um meio-termo, como, por exemplo, festejem e sejam felizes mas não se esqueçam de trabalhar também. Não, o que é preciso é que os portugueses se dêem parte de pobretes, coitados, infelizes, burros de carga, escravos do trabalho, e outras coisas mais que os destruam de vez como alma com direito ao prazer e à felicidade.

Depois, sim. Um dia, lá no assento etéreo onde forem parar, terão a recompensa divina pelos sacrifícios terrenos.

Amém!

Este homem a mandar seria um autêntico pesadelo: proibiria por certo as viagens turísticas, as festas (todas as festas, mesmo as festas privadas); os bares, discotecas, cinemas, restaurantes; as casas de alterne, os cabarés e as casas de putas; betonaria as praias e encheria as piscinas de entulho; venderia uma caderneta de racionamento sexual aos casais, aos unidos de facto, e aos namorados. Todo o prazer seria rigorosamente controlado. Em nome do Liberalismo.

Amém!

domingo, 9 de julho de 2006

ACABOU-SE!

REQUIEM PARA ESTE PERIQUITO

Para mim não há mais Mundiais ou Campeonatos da Europa. Quero o meu tempo para melhores ocupações do que a pepineira do futebol. Uma excepção apenas à regra: o Sporting; só o Sporting.

Mas não quero despedir-me do futebol sem dizer que o faço com prazer pois gostei muito – queria mesmo isso – de ver este treinador francês, que tem cara de periquito e usa casaquinho assemelhando-se às asinhas do passarinho, e que andou a fazer campanha suja contra os excelentes jogadores portugueses, ser despedido deste Mundial por uma Itália pragmática que marcou e empatou o jogo com um golo irregular contra uma França que, também ela, tinha marcado através de um penálti inexistente – Itália que depois esperou que eles morressem na praia na discussão das grandes penalidades.

Deu-me gozo ver a desolação do periquito.

CORAÇÕES AO ALTO

Agora que acabou o Mundial para a selecção portuguesa, lamente-se mais uma vez a falta que fez Liedson para calar os alemães com três ou quatro golos, das carradas de oportunidades de marcar que Portugal teve, e mude-se o interesse do futebol para outra coisa qualquer que o mereça.

Dou uma ajuda quase involuntária: nas minhas habituais deambulações pela Net encontrei o blogue de Uma Stripper Brasileira em Londres, que assina com o nome de Maya Velvet.

Convido-vos a visitar o blogue desta felina e espero que postem lá muitos comentários pois dá-me sempre imenso gozo ler as patetices que nós os homens costumamos escrever às mulheres.

Bom Domingo.

E estejam descansados que hoje a Itália vai dar uma surra aos chauvinistas franceses.

sábado, 8 de julho de 2006

BOM DIA E BOM ALMOÇO

Leopold Bloom comia com gosto os órgãos internos de quadrúpedes e aves. Apreciava sopa de miúdos de aves, moelas amendoadas, um coração assado recheado, fatias de fígado empanadas fritas, ovas de bacalhau fritas. Mais do que tudo gostava de rins de carneiro grelhados, que davam ao seu palato um delicado sabor de tenuemente aromatizada urina.
...
Os carvões avermelhavam.
Outra fatia de pão e manteiga; três, quatro: bem. Ela não gostava de prato cheio. Bem. Virou-se da bandeja, levantou a chaleira da grade e colocou-a de lado sobre o fogo. Esta ali assentou, parada e atarracada, o bico saltado para fora. Xícara de chá prestes. Boca seca. A gata andava tesa ao redor da perna da mesa com o rabo ao alto.
– Minhau!

[James Joyce]

sexta-feira, 7 de julho de 2006

EU NÃO DISSE?!

O DN de hoje noticia que José Manuel Fernandes quer "refundar" o jornal Público procedendo a várias modificações editoriais, rescisões de contratos e despedimento de pessoal, etc., etc.

Uma das razões que terão levado a essa “refundação” é o facto de se ter verificado que - e passo a citar - «O Público perdeu 4391 leitores no primeiro trimestre do ano relativamente ao período homólogo de 2005».

Deixem que pelo menos por uma única vez eu possa dizer:

Estão a ver que eu tinha razão quando, a 05/04/2005, eu escrevi isto: «O jornal "PÚBLICO" acaba de morrer aqui na Net. Os seus produtores acharam que já chegava de dar abébias aos cibernautas e toca de cobrar dinheiro a quem queira ler On-line o jornal.
Vão acabar como o outro: ficam muito satisfeitos porque vendem um produto caro, valioso e da melhor qualidade. Com um senão apenas: não têm é comprador para ele»
.

A 23/05/2005 regressei ao tema e fiz esta posta.

Estão a ver?

Mas o problema, certamente, não é só do Público. O "Expresso" que nos diga por onde andam as suas tiragens desde que também passou a cobrar para ser lido pela internet. Decerto terão baixado.

Independentemente do aspecto comercial (de as vendas terem baixado desde que começaram a cobrar para serem lidos pela internet) o mais importante é a perda de influência social que estes jornais vão sofrendo; tanto mais que é a classe média, aquela que tem mais acesso à internet, que se vai afastando deles.

As luminárias que fazem os jornais nunca perceberam que quem lê online também compra o jornal em papel; que uma coisa não impede a outra.

E nunca perceberam que quem tem Net e não lê (porque é pago) um jornal online, não tem o mínimo encentivo para comprá-lo em papel.

É assim tão difícil perceber isto?

AINDA A ANTENA2

Depois de um protesto indignado contra a programação da Antena2, e de, em Maio passado, ter trocado esta correspondência com o subdirector de dita estação de rádio, recebi, agora, um e-mail simpático de Margarida Aires, cujo respondi nos termos que se seguem:

[e-mail de Margarida Aires]:
«Caro A...
Antes de mais peço desculpa pelo atraso na resposta ao seu e-mail.
A pergunta que se põe é “estamos” quem?
Sabe que um dia fizemos a experiência de, à tarde, durante uma hora e meia só passar música, sem dizer nada. Acredite ou não, as pessoas telefonaram a reclamar. Ainda hoje falei com uma pessoa que elogiou o facto de, durante a madrugada, se ter passado falar, a apresentar as obras, por exemplo. Pela nossa experiência, nem todas as pessoas preferem só música, há também quem goste de ouvir uma boa entrevista, uma boa conversa e, de facto, recebemos elogios nesse sentido.
Cumprimenta,
Margarida Aires
Antena2»


[Minha resposta]:
Cara, Margarida Aires:
Depois de um e-mail malcriado do Senhor João Almeida que teve o cuidado de me escrever a partir do endereço dele na netcabo.pt; e-mail que mereceu resposta adequada, cuja anexo para seu conhecimento; faz bem ler esta sua resposta demonstrativa de que nem tudo ainda estará perdido na Antena2. Obrigado por isso; e pela gentileza que teve em, mesmo com algum perdoável atraso, responder ao meu protesto indignado.

Respeitando embora a experiência que me relata, creia, minha senhora, que é minha convicção que os ouvintes que teriam ficado satisfeitos com dita experiência, já não devem escutar, como eu, por hoje, a Antena2. Não quero especular minimamente sobre o universo social a que pertencerão esses ouvintes [a que se refere], nem se buscam na emissora apenas sinais consoladores de presença humana – voz humana, independentemente do que é dito –, pois seria demasiada soberba da minha parte fazer tal exercício e concluir que a Antena2 estaria a ser interpretada como emissora de ruído benfazejo.

Devo acrescentar, aliás, e para que fique claro, que eu protestei contra aquilo que considerei um excesso de palavras ligeiras e não contra o enquadramento e apresentação de peças musicais.

Estará certamente a Antena2 a perder os ouvintes que quis perder. E a ganhar aqueles que quis ganhar. Só o futuro nos dirá se a actual direcção dessa emissora está a consolidar a presença da estação no panorama cultural nacional, ou se, antes lhe está a fazer, inadvertidamente, os preparativos funerários. Temo muito que esteja a acontecer esta última hipótese. Mas é apenas um temor meu que espero se venha a verificar não ter fundamento.
Cumprimentos, e mais uma vez obrigado pela sua gentileza.
ASM

quinta-feira, 6 de julho de 2006

RESCALDO DE UM ACIDENTE

LIEDSON RESOLVE(RIA)

O que faltou contra a França foi Liedson. Para, das muitas oportunidades criadas por Portugal, ele marcar três ou quatro golos ao careca do Barthez.

Urge, por isso, nacionalizar o levezinho do Sporting; de contrário não haverá títulos para a selecção portuguesa.


De Mau Tempo no Canil colho esta citação do jornal espanhol El País que me vem dar razão quanto à falta que Liedson faz à selecção portuguesa: «Portugal "pagó la ausencia de um delantero de garantias (...) Es um defecto que viene de lejos y que pesa gravemente sobre el equipo».

quarta-feira, 5 de julho de 2006

AVISO À NAVEGAÇÃO



Atenção à falta de cobertura do segundo poste aquando da marcação de cantos e livres das faixas laterais.

Contra a França pode ser fatal.

domingo, 2 de julho de 2006

MUSEU DE CERA SCOLARI

OU AS VÍTIMAS DE FELIPÃO

Depois de ontem terem sido esbofeteados pela prestação da selecção portuguesa comandada por Scolari, cada um destes senhores vai receber uma rolha para tapar o buraco de onde lhes sai o ressábio, a inveja e as asneiras; e para onde costumam entrar as moscas e as rolhas merecidas.



sábado, 1 de julho de 2006

IRRA QUE É DEMAIS!

A massa cinzenta dos jogadores portugueses começa a liquefazer-se e nem contra dez (obrigado senhor árbitro – nós já previramos isso) conseguem meter um golito que seja.

Vamos ver no que vai dar o prolongamento.

Será que é preciso que o árbitro dê mais uma ajudinha?

Estou convencido de que se algum jogador português se lembrar de se deixar cair na área inglesa, o árbitro marcará de pronto uma grande penalidade contra os bifes. Mas não vejo ciência na cabeça dos portugueses para adivinharem que devem fazer esse teatro.

OBSERVATÓRIO 2

Ao que parece, hoje, o desejo germânico de ver os adeptos ingleses fora da Alemanha, suplanta indisfarçavelmente o interesse comercial de os ter a gastar dinheiro por mais alguns dias.

Basta olhar para a origem do árbitro da partida para se chegar a esta conclusão – um argentino.

Haverá no mundo nação mais hostil aos ingleses que a nação argentina?

Vamos estar atentos ao trabalho do senhor Elizondo Horacio pois ele pode revelar-se um autêntico profissional da “arbitragem à moda da FIFA” e beneficiar Portugal rumo à semifinal da prova.

Mas Portugal pode não precisar de qualquer ajuda pois tem melhor equipa que os ingleses e já o demonstrou na primeira parte do jogo.

OBSERVATÓRIO

Logo mais vamos ver se sai BOSTA ou coisa diferente.

A FIFA e a organização alemã deste “Mundial” devem estar divididas quanto a este jogo.

Por um lado os adeptos ingleses não são bem-vindos aos alemães, o que levaria a pensar que tudo se faria para que a Inglaterra fosse já para casa.

Mas esses adeptos são em grande número e garantem bons negócios aos hotéis, restaurantes, bares e cervejarias; o que faz crer que o negócio é capaz de falar mais alto.

Daí que a dúvida vai permanecer no nosso espírito até vermos para que lado pende a vontade de quem manda na arbitragem.

As razões fundamentais de uma “decisão” da FIFA, a favor de um ou outro contendor, passam mais por aqui do que pelo facto de Portugal ter uma boa equipa capaz de derrotar a Inglaterra e garantir um lugar na semifinal.

sexta-feira, 30 de junho de 2006

UMA ZITA DE CALÇAS

Num artigo publicado no Abrupto, Pacheco Pereira entretém-se a fazer um longo arrazoado preambular e diagnóstico da actual situação económica e social do País, tendo inteira razão na escalpelização do período Guterres da política portuguesa; dos períodos “barrosista” e “santanista” do PSD no Governo; na acção de Manuela Ferreira Leite enquanto Ministra das Finanças de José Barroso; e ainda na acção do actual primeiro-ministro português, José Sócrates.

Bem à portuguesa, todo o historial e o diagnóstico da situação, passada e actual, estão perfeitamente concebidos e expostos.

A páginas tantas da leitura desse texto, a porca começa a torcer o rabo porque vemos que estamos chegando ao fim do mesmo sem vislumbramos ponta de solução alternativa para os problemas elencados e analisados.

Mas é apenas uma ilusão nossa, pois que, o fino analista e comentador de tudo; aquele que tem sempre a preocupação de fazer autocitações como tendo “previsto” tudo no passado (apenas porque desconfiara que o que analisara viria a dar para o torto), lá mais para o final do texto aparece com uma receita milagrosa que não explica minimamente o que é que seja sem ser uma selva económica onde a incompetente classe empresarial portuguesa, tomando inteiramente nas suas predadoras mãos os destinos do erário público, “governará” os dinheiros dos nossos impostos a seu bel-prazer.

Diz-nos então Pacheco Pereira (destaques da minha responsabilidade):

«A reconfiguração do modelo do nosso Estado devia apenas garantir uma protecção social mínima para quem realmente a exige, limitar a esse mínimo de solidariedade social básica o carácter distributivo dos impostos, assim libertando para cada um a gestão da parte da sua "segurança" que está para além do mínimo garantido e para a economia recursos de que o Estado tem vindo a apropriar-se numa espiral cada vez maior.»

O que, no meu entender, significaria: puta que pariu para os mais pobres.

terça-feira, 27 de junho de 2006

UMA BOSTA DE MUNDIAL

Vê-se claramente que o interesse da FIFA é que a Alemanha e o Brasil disputem a final da copa do mundo de futebol.

Pelo meio, e enquanto não chega esse dia, as arbitragens vão cometendo indisfarçáveis pulhices no julgamento de lances capitais para o desfecho das partidas permitindo que as selecções mais mediáticas (aquelas que garantem mais negócios) passem à fase seguinte.

Ontem a Itália eliminou a Austrália com uma grande penalidade fantasma marcada pelo árbitro no último minuto da partida.

Hoje, quando o Brasil estava mesmo na mó de baixo, subjugado pelos fantásticos pretos do Gana, viu ser-lhe validado um segundo golo marcado em nítida posição de fora de jogo.

É com atitudes dessas que se remexe a porcaria de que é feita a fedorenta BOSTA deste campeonato do mundo.

Juro que este é o último mundial que eu vejo.

A partir do seu final juntar-me-ei ao clube “antifutebolândia” do Pacheco Pereira.

Quantos livros bons se deixa de ler (ou reler) para assistir a esta BOSTA?

Francamente!

domingo, 25 de junho de 2006

NINGUÉM BRINCA COM O CÉU

NEM OS MATEMÁTICOS

A protestante Holanda só podia mesmo baquear perante a inabalável fé do católico Portugal.

Eu logo vi que aquela potente e sofisticada antena de telecomunicação, em forma de cruz, encimando aquela enorme coroa(*) de bronze que a imagem da Senhora do Caravagio trazia na cabeça, escondendo um potente rádio emissor, constituía sinal mais que evidente de que os holandeses estavam arrumados à partida.

As ondas hertzianas da celestial Senhora fritaram por certo de tal maneira a mioleira dos holandeses que estes ficaram desorientados perante um Portugal privilegiado que acreditou desde o princípio na acção que as divindades não deixariam de exercer no jogo; mas a deficiente tecnologia celestial fez com que também os portugueses (e o próprio árbitro - meu Deus!) sentissem os seus miolos escaldados - mas pela exuberância da fritura da vizinha mioleira holandesa.

Quando vejo milagres destes pergunto quase sempre: porque será que os deuses e os santos agem sempre pela negativa? É que em vez de desorientar os holandeses e, por tabela, abalar os portugueses e o próprio árbitro, obrigando com isso os espectadores a assistir a um jogo de pancadaria, recheado de faltas e expulsões, poderiam antes transformar temporariamente os portugueses em super-homens oferecendo-nos por esta via uma inolvidável partida de futebol!

Rais parta a Senhora!

Mas, de qualquer forma... obrigado, Senhora do Caravagio.

(*) Pela evidente desproporção entre a Senhora e sua carga, via-se logo que ali havia marosca: o rádio escondido era tão grande que antes se diria: - aquilo não é uma santa com uma coroa na cabeça; aquilo é uma coroa com uma santa por baixo.

A FÉ CONTRA A MATEMÁTICA

Hoje, antes do Portugal Holanda, verifica-se a existência de duas posições curiosas, muito significativas a meu ver.

Por um lado temos Portugal:
Onde impera a fé numa provável vitória logo à noite sobre a Holanda; fé baseada na infalível máxima “não há duas sem três”, não há cinco sem seis, e por aí fora. É que de 9 jogos entre as duas selecções, Portugal ganhou 5, empatou 3, e perdeu apenas 1. Para quem tem fé, claro que isto só pode prenunciar mais uma vitória. Tanto mais que as Senhoras do Caravagio e de Fátima, como se sabe, foram arregimentadas para a peleja.

Do lado holandês:
Fazem-se contas de cabeça e diz-se: se de 9 jogos entre as duas selecções, a Holanda perdeu 5, empatou 3, e ganhou apenas 1 – então, pela lei das probabilidades, é a Holanda que tem as maiores probabilidades de ganhar o décimo jogo de logo à noite.

E nós aqui estaremos logo mais para ver quem tem mais força: se Nossa (salvo seja) Senhora do Caravagio, se o matemático e geómetra holandês, Christian Hygens.

Christian Hygens deu, em 1657, um grande impulso ao desenvolvimento da Probabilidade com a publicação do primeiro tratado formal sobre probabilidades. A esse estudo deve-se o conceito de esperança matemática de grande relevância para o Cálculo de Probabilidades e Estatística.

Mas… atendendo a que, no século XVI, o matemático e jogador italiano, Jerónimo Cardano (1501-1576), decidiu estudar as probabilidades de ganhar em vários jogos de azar, sendo assim o primeiro, o iniciador da teoria das probabilidades, ao escrever um argumento teórico para calcular probabilidades (resumido daqui) talvez tenhamos que telefonar ao seleccionador italiano pedindo-lhe que confirme ou desminta a teoria dos holandeses.

Será que uma divindade ou duas podem baralhar essas contas todas e dar a Portugal mais um argumento inequívoco de que o Império da Fé é mais importante do que o simples e humano poder da Matemática?

Porque não? Não foi assim com Nuno Álvares Pereira em Aljubarrota? Não foi assim que o Comunismo Científico de Marx foi derrotado pelo Ocidente católico e crente no segredo de Fátima?

Então:
Tenhais fé, ó crentes do rectângulo luso! Logo mais o Sol dançará segunda vez nos céus e prenunciará a vitória de Portugal.

sexta-feira, 23 de junho de 2006

A PROVA FINAL

A Presidência da República de Timor distribuiu a seguinte tradução de uma mensagem que Xanana Gusmão terá dirigido «ao povo e aos membros da FRETILIN».

Trata-se um discurso atabalhoado, idiota e incendiário.

É um discurso inadmissível num Presidente de qualquer República.

Perante este discurso, Nino Vieira, Kumba Ialá e outros que tais, são autênticos Chefes de Estado merecedores de todos os encómios, admiração e respeito.

Com este discurso, Xaxana Gusmão acaba de provar à saciedade que é um oportunista, um vaidoso, um indivíduo mal preparado para qualquer cargo sério de chefia, mesmo que intermédia, quanto mais para o cargo de Chefe de Estado.

O desplante, a insensatez, o oportunismo, o golpismo, a falta de sentido de Estado - tudo isso junto - está revelado, nua e cruamente, nesta parte do discurso em que Xanana diz:

«Por isso mesmo, enquanto Presidente da República, não aceito o resultado do Congresso [da FRETILIN] do dia 17 – 19 de Maio passado, exijo à Comissão Política Nacional da Fretilin, a imediatamente organizar um Congresso Extraordinário para eleger, de acordo com a Lei no. 3/2004, sobre os Partidos Políticos, uma Direcção nova do Partido.»

Mas onde é que já se viu um Presidente da República intervir tão descaradamente na vida de um partido político, chegando ao ponto de «exigir uma direcção nova do partido» que – para cúmulo dos cúmulos - há pouco mais de um mês acabara de eleger os seus órgão dirigentes em congresso!?

Eu, a partir de hoje, quero dizer daqui ao senhor Xanana, que da ajuda que o Governo Português lhe presta há uma parte que está a mais e que eu agradecia que devolvesse a Portugal: trata-se da parte que corresponde aos meus impostos pagos aqui em Portugal.

E declaro solenemente que não autorizo o Governo Português a utilizar o dinheiro correspondente aos meus impostos para ajudar o pavão conspirador de Timor.

Tenho dito.

Nota:
Xanana não é o primeiro caso em que o silêncio de uma pessoa é interpretado como prova de sabedoria e bom senso. O silêncio de que Xanana era fonte, como se prova agora, era o silêncio de quem não sabia bem o que dizer; de quem não tinha ideias e não tinha mesmo nada para dizer. Aliás, aquele seu hábito de falar muito lentamente à procura das palavras, já chamara a atenção de que aquela cabeça deveria estar vazia. E ESTAVA.

Sobre as atitudes do senhor Xanana, o “Blasfémias”
tem esta posta com a qual concordo integralmente.

quinta-feira, 22 de junho de 2006

ESTÁ TUDO EXPLICADO

Um lento mental associado a um Prémio Nobel do cinismo e da duplicidade, baseando-se numa afirmação de um jornal australiano, está em vias de efectivar um golpe de Estado em Timor.

Algum tempo depois de o primeiro-ministro australiano, John Howard, ter declarado que o Governo timorense estava a governar mal o país, Xanana Gusmão terá tomado a posição de exigir a demissão do primeiro-ministro eleito, Mari Alkatiri, baseando-se numa notícia de um jornal australiano que implicava o primeiro-ministro timorense na distribuição de armas a uma milícia apelidada (também pelos australianos) de “Esquadrão da Morte” e que teria como “missão” liquidar figuras políticas de oposição ao Governo. A milícia seria pretensamente criada e equipada por um ex-ministro de Alkatiri, Rogério Lobato.

Esse mesmo governo timorense terá deixado de “governar bem”, no dia em que decidiu atribuir a exploração do petróleo do mar de Timor a uma empresa italiana, em desfavor de empresas australianas. Até essa data Alkatiri merecera elogios sonoros por parte do senhor John Howard.

Quer dizer: foi uma notícia de jornal que fez agir Xanana.

Bastou a palavra escrita de um jornal australiano para o senhor Xanana acreditar que tudo o que foi escrito nesse jornal era verdade. Não foi preciso nenhuma diligência ou investigação para apuramento da verdade. O senhor Presidente Xanana não espera por inquéritos e averiguações levadas a cabo por instituições competentes do Estado timorense e por organismos internacionais credíveis. Basta-lhe a notícia de um jornal da terra de onde sua mulher (dele, Xanana) é natural para desatar a pedir a demissão de um Primeiro-ministro.

Isto, se não é uma brincadeira, é no mínimo ridículo.

Aqui de longe e com nenhuma ligação, sequer afectiva, (era só o que faltava) a Timor; sem qualquer simpatia pessoal ou política por Alkatiri, não posso deixar de me lembrar do que me dissera certa vez um antigo capitão do exército português que fizera naquele território várias missões na época colonial:

«Meu amigo, aquela gente é falsa; de uma falsidade que raia o nível de quem luta pela sobrevivência. Não conhecem sequer a mão de quem os alimenta. Se assistissem a um jogo de futebol, bateriam sempre palmas a quem estivesse a ganhar; e se a posição do vencedor mudasse trinta vezes durante o jogo, trinta vezes eles mudariam o sentido do seu apoio.»

domingo, 18 de junho de 2006

GOSTEI DE LER

[TAMBÉM ISTO É POESIA]

«Hordas de pretos»

«Vagas e vagas de pretos das tribos Gana e Gwi avançaram contra a fortaleza checa. Repito: mesmo a ganhar avançavam sete ou oito pretos à vez. Hordas de pretos a jogarem ao muda aos cinco acaba aos dez. E ficaram chateados com o apito final: queriam estar ali toda a noite. Pretos e mais pretos. Lindos.»


In Mau Tempo no Canil

BOM DIA

OFRENDA

¡Oh cómo florece mi cuerpo, desde cada vena
con más aroma, desde que te conozco!
Mira, ando más esbelto y más derecho,
y tú tan sólo esperas...¿pero quién eres tú?

Mira: yo siento cómo distancio,
cómo pierdo lo antiguo, hoja tras hoja.
Sólo tu sonrisa permanece
como muchas estrellas sobre ti,
y pronto también sobre mí.

A todo aquello que a través de mi infancia
sin nombre aún refulge, como el agua,
le voy a dar tu nombre en el altar
que está encendido de tu pelo
y rodeado, leve, de tus pechos.

RAINER MARÍA RILKE
Austria, Praga (1875-1926)

sábado, 17 de junho de 2006

A «PRETO» E «BRANCO»

Minha cara Maria do Amparo, e meus caros, João Vicêncio, Mário Ventura e Ubaldo Mendes:

Eu, quando escrevo «branco», não quero dizer que é branco. Pois também quando escrevo «preto», não estou a querer dizer que é preto.

Explicando melhor: quando escrevo «branco», quero dizer que não é «preto»; e quando escrevo «preto», quero dizer que não é «branco».

Só isso.

quinta-feira, 15 de junho de 2006

CRIMES EM ANGOLA

Sou dono de uma mente fantasista e maldosa que insiste em pregar-me as piores partidas. Por isso sofro, sofro muito.

Quando adormeço ou apenas cochilo cabeceando de sono, costuma aparecer-me um velho funcionário administrativo que me conta histórias de Angola, do tempo do colonialismo (décadas de cinquenta e sessenta) com a maior desfaçatez e não menor inconsciência dos crimes que relata. É um indivíduo que se pretende íntegro, senhor de boa conduta moral e crítico acérrimo da dissolução dos bons velhos costumes portugueses desta sua amada pátria, Portugal.

Costuma contar-me essas histórias na presença de outros ex-administrativos que estiveram ao mesmo tempo em Angola, os quais nunca o desmentem e dos quais algumas vezes se socorre para lhe avalizarem partes ou o todo de algum relato.

Já perdi a conta aos crimes e atrocidades por ele relatados ao longo do último lustro. Há cerca de vinte anos que me aparece nesses momentos de fuga à realidade, mas só nestes últimos cinco anos é que esse patriota (como às vezes se auto-intitula) resolveu desatar a língua e deixar sair os relatos do horror que lhe vai na memória: rapto de pessoas, amputações, violações e sodomização de menores, assassinatos gratuitos; tudo isso é relatado como se fosse uma prática habitual e normal de um certo período colonial, com exacerbação «no tempo do terrorismo», como ele soe precisar.

Ontem foram duas as revelações que me fez enquanto eu pegava não pegava no meu sono da tarde. Primeira revelação: havia na barragem de Cambambe um motorista branco que quando bebia uns copos começava a olhar para os pretos mais salientes que estivessem por perto. E se calhasse, por exemplo, encontrar um que usasse uma barbicha, começava a meter-se “amigavelmente” com ele até lhe ganhar a confiança, e, como fazia quase sempre, afagando-lhe a barbicha lhe dizia: – sabes, pareces o Lumumba. Vem daí dar uma volta, vamos para o jipe dar um passeio –. E partia com o preto a quem alguns quilómetros depois enfiava um balázio na nuca. – «Desfez-se de dezenas deles» – garante o administrativo perturbando o meu descanso.

Segunda revelação: um dia, numa localidade qualquer do interior, a autoridade administrativa formou um pequeno grupo que fez uma matança de 114 pessoas. Abriram uma vala enorme onde amontoaram os corpos que, contudo, mal couberam na vala comum ficando algumas pernas e braços de fora. Como já se fazia tarde e aquela malta estava cansada, o heróico e valente administrativo concluiu o “trabalho” munido de uma catana com a qual decepou e capinou os braços e pernas que se mantinham desenterrados.

Estes são pequeníssimos exemplos das histórias macabras que esse personagem me traz nos pesadelos que me acometem quando tento conciliar o sono, ou quando o desvario de minha mente malsã resolve afogar-me em cenas de horror. Muito tenho sofrido ao longo dos últimos cinco anos com as histórias que esse personagem do além, que povoa o meu sono e me tira a paz que eu busco quando estou cansado, insistentemente faz questão de me contar. Se trago hoje aqui estas histórias, é porque já não aguento mais sozinho a tortura que os relatos desses crimes assustadores me tem causado a ponto de eu me sentir enlouquecer.

Peço desculpas por trazer-vos estes relatos, mas foi o meu psicanalista que assim me aconselhou: – «deves falar disso a toda a gente, e se tens um blogue então ainda melhor: basta escreveres isso uma vez» –.

Foi o que fiz.

ADEUS CAREIRA PT

Há um mês comprei uma pequena caixinha, o PAP2 da Linksys, activei um contrato com a empresa Netcall e passei assim a usufruir de:

1) SMS gratuitos e sem limite para telemóveis de todo o mundo;
2) Telefonemas gratuitos para utilizadores da rede Netcall;
3) Telefonemas para números fixos e telemóveis dos Estados Unidos ao custo de €0,017 (atenção: não é 17 cêntimos, é um cêntimo vírgula sete), isto é: 4$00 antigos por minuto de conversação (pela PT paga 60$00 ao minuto, isto é, 15 vezes mais);Telefonemas a preços muito mais baixos do que os da PT para qualquer destino no globo terrestre. Exemplo: MACAU € 0,042, isto é, 8$50 antigos (pela PT paga 30 vezes mais, isto é €1,258);
4) Recepção e emissão de Fax aos custos acima referidos;
5) Não pagamento de qualquer taxa ou aluguer de equipamento;
6) Não obrigatoriedade de consumo mínimo: faz-se o “carregamento” da conta quando e na importância que se quiser fazer.

No fundo exerci uma parte, pequenina embora, mas uma parte interessante da minha liberdade de escolha.

As minhas contas dizem-me que vou gastar entre um terço a um quinto do que pagava à PT pelo serviço de telefone fixo. NADA MAU.

Confira as taxas de PT aqui

E confira as da Netcall aqui

Nota: esta posta foi publicada há cinco dias atrás, mas como foi por mim acidentalmente apagada, volta hoje, pelo seu interesse informativo, à publicação.

terça-feira, 13 de junho de 2006

REGISTO XENÓFILO

VAI COMEÇAR AGORA O FRANÇA SUIÇA

Para que fique registado:

A selecção francesa vai começar o jogo com sete pretos e um argelino (Zinedine Zidane).

Lembro que cada equipa só tem onze jogadores.

segunda-feira, 12 de junho de 2006

ÓDIO COM ÓDIO SE PAGA

COM ÓDIO SE PAGA,
Com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga. . . . . . . . . . . .
Eis exposta a capa obscena e terrorista da edição de 9 deste mês do jornal americano New York Post.

Depois queixem-se da desumanidade do terrorismo árabe!

sábado, 10 de junho de 2006

AVISO À NAVEGAÇÃO





Sempre curioso de conhecer as últimas novidades no domínio da informática - mais concretamente no domínio do software e do hardware para o utilizador doméstico - inscrevi-me como beta-tester da querida Microsoft do não menos querido Bill Gates. Nessa condição pude fazer o download da versão Beta 2 do já famoso futuro Windows Vista, a nova plataforma ultramoderna para computadores de secretária.

Instalei ontem o sistema operativo no meu computador e comecei a fazer algumas experiências no sentido de apurar da possibilidade de fazer backup e restore integrais desse sistema num mesmo computador, e a cópia integral ou a migração do sistema para outro computador.

Para o primeiro caso tentei instalar o programa Acronis True Image 9.0.; Resultado: o Windows Vista não me permitiu concluir a instalação do mesmo; e não me deu qualquer explicação pela recusa.

Para o segundo caso instalei o programa PC Relocator. Resultado: estando o programa instalado, quando o tentei usar o Windows Vista "disse-me" que não era conveniente fazê-lo; e não me permitiu o seu uso.

Conclusão mais que óbvia: a Microsoft prepara-se para nos vender um sistema operativo cheio de restrições à nossa salutar tendência de bem piratear em toda a sela.

Mas se esse propósito da Microsoft é bem compreendido por quem só usa software original, já o mesmo não deverá acontecer, mesmo com os utilizadores mais escrupulosos, quanto à impossibilidade que vai haver de quem quer que seja ter uma cópia restaurável do seu ambiente de trabalho; ficando assim o incauto escrupuloso condenado a refazer tudo de novo - desde o princípio - de cada vez que uma desgraça (vírus ou quebras de hardware, por exemplo) o impeça de continuar a utilizar o seu querido PC, dizendo: tão habituado que eu estava a esta máquina! e não é que agora vou ter que começar tudo de novo!...

Conselho de mestre: arreigue-se no uso do seu Windows XP; faça cópias seguras e integrais do disco duro do seu computador; não vá atrás de modas quando vier aí a publicidade ao novo Windows Vista; e fique de plantão para se rir dos incautos que cairão nas mãos do Bill que os vai ter de rédea curta, insatisfeitos e sempre com a carteira aberta.

NA GUINÉ DE NINO

Jornalistas sofrem «Estranhos acidentes» ou morrem de «doença prolongada» que desconheciam ter.

ADEUS CAREIRA PT

Há um mês comprei uma pequena caixinha, o PAP2 da Linksys, activei um contrato com a empresa Netcall e passei assim a usufruir de:

1) SMS gratuitos e sem limite para telemóveis de todo o mundo;
2) Telefonemas gratuitos para utilizadores da rede Netcall;
3) Telefonemas para números fixos e telemóveis dos Estados Unidos ao custo de €0,017, isto é: 4$00 antigos por minuto de conversação. Pela PT paga-se €0,30, isto é, 60$00 antigos (quinze vezes mais caro);
4) Telefonemas a preços muito mais baixos do que os da PT para qualquer destino no globo terrestre. Exemplo: Cabo Verde €0.24, isto é, 50$00 ao minuto. Pela PT são €0,84, isto é, 170$00 ao minuto (maior que três vezes mais); MACAU €0,017, isto é, 4$00 antigos por minuto; pela PT paga-se €1,267, isto é, (setenta e quatro vezes mais);
5) Emissão de Fax aos baixos custos acima referidos;
6) Não pagamento de qualquer taxa ou aluguer de equipamento;
7) Não obrigatoriedade de consumo mínimo: faz-se o “carregamento” da conta quando e na importância que se quiser.

Quer dizer: exercitei uma parte, pequenina embora, mas uma parte interessante da minha liberdade de escolha. E beneficiei com isso.

As minhas contas dizem-me que vou gastar entre um terço a um quinto do que pagava à PT pelo serviço de telefone fixo. Nada mau.

Nota:
Confira as tarifas da PT aqui.

E confira as tarifas da Netcall aqui.

O PUZZLE TIMORENSE

Interessante esta entrevista
de Mari Alkatiri ao Expresso. Em que se percebe, nas entrelinhas, que Xanana Gusmão tem tanto de cordeiro como de lobo. E que há, no Governo, uma rolha boiante (Ramos Horta) no papel de contra-espionagem bilateral – “representa” Xanana e é, ao mesmo tempo, ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo de Alkatiri -: uma situação complexa que não augura uma solução rápida para os intrincados problemas políticos que Timor vive neste momento.

sexta-feira, 9 de junho de 2006

PERGUNTA INDISCRETA



Pode haver médicos e médicas doentes mentais, a receber ou a necessitar (caso mais grave porque sem ajuda) de acompanhamento psiquiátrico, a trabalhar nos hospitais, na profissão?

domingo, 4 de junho de 2006

NA FEIRA DO LIVRO

BILHETE POSTAL – 15 de Fevereiro de 2000

Remetente
Luís Pacheco
em viagem para o PARAÍSO
Via TAP
(carimbo de 16/02/2001)

Destinatário
Senhor RAPOSÃO
Livraria UNI-VERSO
Rua do Concelho
2900 Setúbal

5.ª feira, 15/Fev./2001

Caro Colega Editor e Livreiro e Nobre Amigo:
Fugi do Montijo, vai para 1 mês. Apaixonei-me por uma gaiata (21 anos), casada e o corno do marido queria dar-me um TIRO. Vá dar tiros no “buraco” certo que era onde a esposa não tinha o TIROTEIO que desejava (e eu não podia compensar).
Saudades do além-Tejo só do Carlos César(1), que foi à minha frente, para encenar a minha chegada triunfal. Se vires o Bocage, dá-lhe um poema teu.

Abraço
L. Pacheco


(1) Setubalense dedicado ao teatro, já falecido à data desta missiva.

Do livro “Cartas ao Léu”
Autor: Luís Pacheco
Editora: quasi

BOM DIA

Amigo, não suporto mais o calor. Abra por favor esta torneira e dissolva-me em água fria
.

terça-feira, 30 de maio de 2006

VIDA DE GATO

Sem disposição para blogar hoje, Picasso, sob o calor de Lisboa, derrete-se como manteiga.

MICRO CAUSA (PRÓPRIA)

[Dantes fora o inferno das labaredas no estômago. Agora, devagarinho, cuidadosamente, com gestos lentos de levitador profissional, como um ladrão que pisa folhas secas por baixo da janela do dono da casa, cá vou ensaiando o acompanhamento líquido das refeições - primeiro água natural, depois chás descafeinados, agora água tónica ou coca-cola, depois... depois talvez um gole de vinho tinto a acompanhar um prato de bacalhau.]

Mas para quando, meu Deus, um whisky, um conhaque, um perfumadíssimo Palácio da Brejoeira?!

Para quando o regresso ao rafting, ao parapente, ao salto de pára-quedas, ao puro prazer das touradas de morte. De copo na mão!

É assim tão difícil vencer o Helicobacter, a Natureza, o determinismo do código genético, ou mesmo Deus?!

domingo, 28 de maio de 2006

"AQUELE AMIGO DAS BORGAS"

Agostinho Oliveira, treinador da selecção dos sub21 de Portugal, terá declarado aos jornalistas:

«Continuo a acreditar [no apuramento], tal como o Einstein o fez».

Aqui e aqui já gozaram à farta com a frase do treinador dos sub21.

Eu não tinha era reparado que para além do absurdo e do risível daquela frase, o grande Agostinho diz: «o Einstein». Isto é: “aquele gajo porreiro que bebia uns copos com a gente ali na tasca da esquina”.

TIMOR JÁ ESTÁ A ARDER

Como os serviços secretos americanos e australianos tinham previsto, vinha aí (já veio) chumbo grosso em Timor. Por isso prepararam e executaram a evacuação atempada dos seus cidadãos.

Lembremo-nos que esses dois países ofereceram a Portugal a oportunidade de fazer o mesmo aos portugueses residentes em Timor. Absurdamente armado ao pingarelho, o governo português, mostrando-se ofendido com a oferta, recusou-a liminarmente.

Agora que o braseiro está aceso e já não há civis americanos e australianos em Timor, é ver o espectáculo triste e lamentável de civis portugueses dormindo na rua, ao relento, nas imediações do aeroporto de Díli, à espera que alguém os tire de lá para fora.

Não fora a “ingerência” (no dizer de Freitas do Amaral) dos australianos, que enviaram militares para Timor, mesmo antes da autorização da ONU, a esta hora algum português poderia já estar feito em churrasco.

O que vale é que a Austrália está sempre de olho em Timor e ao menor burburinho aparece para tomar conta da situação cortando as vazas à Indonésia. Eu sei que é por causa do petróleo de Timor, eu sei!; mas ao menos a Austrália não faz cabidela com o sangue dos timorenses.

quarta-feira, 24 de maio de 2006

DELIRIUM TREMENS

Depois de uma endoscopia alta e duas biopsias à mucosa do bandulho, concluiu-se que o meu estimado estômago era vítima de gastrite crónica associada à presença de Helicobacter Pylori.

Assim, desde há quatro dias que estou submetido a um tratamento brutal com doses maciças de antibióticos e de um inibidor da bomba de protões.

Hoje, ao quarto dia de tratamento, já me apeteceu uns camarões fritos à minha moda, regados por larguíssimos litros de cerveja. Isto significa que o rapaz está aí, está curado.

domingo, 21 de maio de 2006

RDP ANTENA 2

UMA CORRESPONDÊNCIA EDIFICANTE

Eis uma breve correspondência entre um ouvinte anónimo (eu) e o senhor director-adjunto da Antena 2, Sr. João Almeida.


Email de protesto enviado por mim:

«A quem de direito na Antena 2:

Basta dessa diarreia de palavras; dessa incontinência verbal permanente; desse desfiar ininterrupto de historietas sem interesse, cheias de banalidades – basta desse atentado anticultural que, salvo raríssimas excepções, se está a perpetrar quotidianamente aos microfones da Antena 2 da RDP.

Queremos música erudita!

Não queremos palavras, palavras, palavras!

Não queremos o lixo palavroso que nos tem sido servido!

Chega! Estamos todos fartos de sofrer com a situação actual da Antena 2.

Manda a mais pequenina réstia de bom senso que quem de direito dê uma varridela profunda na Antena 2 e lhe devolva a dignidade que já teve e que deve continuar a ter.»

Resposta do senhor director-adjunto [Com três chamadas de atenção, da minha responsabilidade, para erros ortográficos contidos no texto]:

«Senhor ouvinte.

Com que direito fala na 1ª pessoa do plural? "Queremos"? "Estamos todos"? Quem o nomeou ou mandatou para se apresentar como representante de todos? Porque se acha no direito de representar todos os ouvintes? Que presunção é essa? Porque não demonstra alguma modéstia e diz antes "quero", ou "estou farto"? Fique sabendo que não pensam "todos" como o senhor.
E mais: fique sabendo que NENHUMA rádio estatal clássica se comporta como rádio gira-discos. TODAS têm locução, ocupando com palavra, em média, cerca de 25% do tempo de antena (dados da UER - União Europeia de Rádios). A Antena 2 tem, ao longo de um dia, em média, 20% da emissão ocupada com locução. As rádios que têm menos tempo de locução são privadas e baseiam-se em play-lists(1), ou seja, são máquinas, e não pessoas, que escolhem a música. O senhor, obviamente, não gosta de ouvir falar porque já sabe tudo o que há para saber, e não precisa de (ou não quer que) ninguém que lhe diga nada. Mas, sendo esse o caso, escolha o senhor a sua própria música. Use CD's. A Antena 2 não se dirige a quem tem a certeza de que sabe tudo e não quer ouvir ninguém a falar. Dirige-se aos outros, que não conhecem tudo, ou pelo menos não têm essa presunção... e têm curiosidade em saber mais.
A Antena 2 feneceu ao longo de anos, com o auditório a envelhecer, tendo a média de idades passado de 45 para 55 anos ao longo de uma década. Isto quer dizer que eram sempre os mesmos a escutar, e que íam(2) envelhecendo, ou até morrendo, sem que a A2 mobilizasse as novas gerações. Os últimos estudos de audiências (ao longo do último semestre) comprovam que o auditório da A2 rejuvenesceu, com a média etária dos ouvintes a passar dos 55, de novo, para os 45 anos, e com tendência para rejuvenescer ainda mais. Significa que o auditório está a mudar, com pessoas mais jovens, algo que o deverá certamente enervar, já que o senhor, claramente, não gosta do nosso tempo. Problema seu. Não queira é impôr(3) o seu parâmetro aos outros, nem ter a pretensão de que representa todos... porque na verdade, simplesmente, só se representa a si próprio.

Passe bem.

João Almeida»


[ (1) Escreve-se playlists e não “play-lists”]
[ (2) Escreve-se iam (sem acento agudo no “i”) e não “íam”]
[ (3) Escreve-se impor (sem acento circunflexo) e não “impôr”]


Contra-resposta minha:

«Senhor João Almeida:

A sua resposta ao meu protesto merece-me a seguinte contra-resposta:

Quem preza a Língua Portuguesa sabe que o uso da primeira pessoa do plural pode ser feito por qualquer sujeito individual quando este pretende retirar a um texto ou fala a carga de arrogância que o uso da primeira pessoa do singular lhes transmitiria. Faça este exercício simples e conclua por si: pegue no texto do meu protesto e substitua o plural pelo singular e veja a diferença. Não que o texto que lhe enviei não continuasse, mesmo assim, a ser arrogante; mas, lendo a sua resposta, se calhar, o senhor mereceria que o tivesse escrito na primeira pessoa do singular.

Mesmo sem "nomeação" ou "mandato" sempre lhe vou dizendo que se estivesse minimamente atento ao que se escreve (nos blogues, por exemplo) admitiria que eu pudesse, falando no plural, como ouvinte, interpelar "quem de direito na Antena 2" (não a si pessoalmente) sobre aquilo que no meu entender (e, pelos vistos, não só no meu) é o mar de palavras sem interesse que hoje afoga a música nessa rádio.

Só lhe vou dar dois exemplos, entre muitos (com sublinhados meus):

Exemplo I

No dia 04-01-2006, Pacheco Pereira escrevia o seguinte no blogue "Abrupto":»

«BOAS COISAS NA COMUNICAÇÃO SOCIAL PORTUGUESA EM 2005, VISTAS POR UM GRANDE (EM QUANTIDADE) CONSUMIDOR
...

PÉSSIMAS COISAS NA COMUNICAÇÃO SOCIAL PORTUGUESA EM 2005, VISTAS PELO MESMO»
...
«A Antena 2 é demasiado loquaz. Muito se fala naquela rádio, num tom entre o pedante e o falsamente íntimo, tirando limpidez à música. »

«Tem aqui o link para confirmar:
http://abrupto.blogspot.com/2006_01_01_abrupto_archive.html
#113640941290714023

Exemplo II

No dia 11-01-2006 Álvaro José Ferreira escrevia o seguinte no blogue "Bem Comum":»
...
«Admito que a Antena 2 precisasse de alguns ajustamentos de modo a torná-la menos temática e mais ecléctica (a exemplo do canal 3 da BBC Radio), mas parece-me que há uma forma mais adequada e eficaz de conquistar novos públicos para o canal do que fazer cedências à facilidade.
...
Talvez com esta grelha a Antena 2 venha a conquistar alguns dos tradicionais ouvintes da Antena 1 que não se revêem na programação musical que vem sendo implementada. É provável que as audiências subam, mas haverá certamente a fuga de alguns melómanos mais exigentes e exclusivistas da música clássica. Talvez os ouvintes que venham a ser conquistados ultrapassem em número os que vão desertar, mas há uma questão que se impõe: não estará a Antena 2 a desempenhar agora uma parte do papel que caberia à Antena 1?»

« Nota: Estando a RTP e a RDP sob a alçada da mesma administração, e tendo a obsessão com as audiências sido abandonada na televisão, não entendo ela estar a ter a sua máxima expressão na rádio. Tal dever-se-á ao facto da rádio ter menos visibilidade e, como tal, ser descurada pelo poder político? Se alguém tiver uma explicação verosímil, faça o favor de ma dar.»


«Tem aqui o link para confirmar:
http://bemcomum.blogspot.com/2006/01/nova-grelha-da-antena-2-entrou-em.html

Como vê, não estou só.

Certamente não ignora que ainda existem tertúlias em Portugal. Pois então digo-lhe que eu frequento tertúlias onde se debate música e onde se tem falado da programação da Antena 2. É um direito dos ouvintes. Por isso sei o que é que pensam muitas outras pessoas sobre a desvirtuação que a programação da Antena 2 tem sofrido no sentido da sua aproximação qualitativa a um baixo patamar cultural. E também por esta razão julgo também poder falar no plural.

Diz-me que estão a fazer isso para captar mais público jovem. Olhe: aconselho-o a ler "Apocalípticos e Integrados", de Umberto Eco, para conhecer a opinião deste ilustre intelectual e linguista de renome internacional, entre outras coisas sobre a transmissão de conhecimentos eruditos ao grande público. Ficará a saber que Eco é de opinião que quando se quer transmitir conteúdo erudito a alguém não se deve transigir na linguagem (que deve sempre ser erudita) pois que, quando esta não é entendida logo à primeira, obriga o destinatário a cultivar-se até que a compreenda e passe, por isso, a ser um pouco mais culto do que era – quer porque passou a compreender essa linguagem, quer ainda porque passou a ter mais conhecimentos veiculados por essa mesma linguagem (conhecimentos só passíveis de serem bem transmitidos se se não fizer «cedências ao facilitismo»).

Mas se a grande preocupação dos gestores da Antena 2 vai continuar a ser a procura desesperada de (qualquer) audiência, então dou-lhe uma receita infalível: transmitam programas desportivos e antenas abertas sobre o desporto; transmitam relatos de futebol com música erudita nos intervalos. Vai ver que conseguirão captar, num instante, uma larguíssima fatia de ouvintes.

Agora permita-me que lhe diga o quão desiludido fiquei com a qualidade da sua resposta.

Fui saber quem o senhor era e disseram-me que é o director-adjunto da Antena 2 (se me informaram mal peço desculpas).

Então, senhor director-adjunto, é assim, desse modo ligeiro, pesporrente e auto-suficiente, que se permite, no exercício do seu cargo, dirigir-se a um ouvinte anónimo que faz um protesto (indignado embora) contra uma rádio que considera palavrosa e pouco culta? (Rádio que fora, até há pouco tempo, na opinião desse ouvinte, de muito melhor qualidade).

É assim que se responde?

Eu não me dirigi a si pessoalmente. Eu dirigi-me a "quem de direito na Antena 2". Que esse "quem de direito" seja o senhor, muito bem! Mas quando me responde de forma pessoal, sem se identificar do ponto de vista profissional, nos termos ligeiros e pouco dignos em que o faz, desqualifica-se profissionalmente (é a minha opinião) e dá uma péssima imagem da cúpula que hoje dirige a Antena 2.

Não sei se o Conselho de Administração da RDP ficaria contente em conhecer o texto integral do meu protesto e o da sua resposta.

Creio que, no mínimo, ficaria desapontado. Consigo, senhor director-adjunto.

Não sei se quer fazer essa experiência. Quer? É uma hipótese a considerar.

Vá por mim, senhor director-adjunto: quando ocupamos cargos de chefia, ainda por cima ao nível de director ou de director-adjunto, devemos ter estofo suficiente para engolir certos sapos e continuar a dar uma imagem polida do cargo, mesmo quando somos atingidos por aquilo que consideramos injusto (e, em certos casos, até, ofensivo). Devemos alardear superioridade moral (de preferência devemos tê-la efectivamente). Não devemos perder a cabeça e desatar à pancada com cada protestante. É que o senhor é pago também para ser polido e educado

Poderá dizer-me que eu não tenho o direito de fazer o protesto nos termos em que o fiz. Até posso concordar consigo neste aspecto e pedir desculpas. Mas eu sou apenas um simples e anónimo ouvinte e contribuinte fiscal com algum direito à indignação quando acho que esse bem público que é a Antena 2 está a morrer no seu propósito de veicular adequadamente música erudita (ou isso já não faz parte dos estatutos dessa rádio?). Mas o senhor, no cargo que ocupa, está-lhe vedado, deontologicamente, ser malcriado. É que, sendo-o, mancha logo o nome da Antena 2; e o da RDP. Ou será que isso não interessa?!

Para terminar quero ainda dizer-lhe que continuarei a lutar para a melhoria substancial da qualidade da programação da Antena 2, e por uma maior dignificação dessa rádio. Não ficarei pelo protesto que enviei a "quem de direito". Se for preciso chegar mais longe, tentarei consegui-lo. Porque a Antena 2 não é de ninguém em particular. É de todos.

Passe também muito bem.»

sábado, 20 de maio de 2006

UM PRIMOR JORNALÍSTICO

No Diário de Notícias já se escreve muito pior do que os putos de hoje o fazem quando abreviam palavras nas suas mensagens por telemóvel. Para além disso o redactor do DN abusa errando a ortografia de várias palavras.

«Valter Hugo Mãe, editor da Objecto Cardíaco, disse ao DN que esta era a decisão que esperava, mas que "ao o contrário do que possa parecer, não me alegra. pq acho q esta sit nunca devia ter chegado aos tribubais. Alegria deviamos [falta o acento agudo no "í"] ter qdo o exercício da cr+irca fosse consensual.»

Por este andar qualquer dia teremos os jornais portugueses escritos em crioulo.

Porque não?!

terça-feira, 16 de maio de 2006

OS PERIGOS DO “DIRECTO”

Há poucos dias, no programa da SIC Notícias, "Opinião Pública", um telespectador, intervindo em directo, teve palavras obscenas para a apresentadora de serviço.

Clique aqui e oiça o inimaginável


Parece que o caso já foi entregue às autoridades e espera-se que a sanção seja exemplar. Porque se a moda pega...

domingo, 14 de maio de 2006

A REDESCOBERTA DA PÓLVORA

De há algum tempo albergo em mim a sensação de que há qualquer coisa de revolucionário que distingue os intelectuais de hoje dos das gerações anteriores. E essa “qualquer coisa” parece consistir no exercício do óbvio em que se ocupa grande parte destes intelectuais.

Lá pelas bandas do Estado Civil, Pedro Mexia acaba de redescobrir a pólvora. Diz ele, melhor, escreve ele:

A beleza dura poucos anos. Não há quase nenhuma pessoa que seja bela uma vida inteira. E essa devastação progressiva do tempo sugere o fatal fascínio da beleza: a beleza é fascinante porque dura pouco. A beleza é fascinante porque é angustiante, porque está em contagem decrescente, porque (tal como todos nós) não anda no mundo muito tempo.

sábado, 13 de maio de 2006

PARABÉNS AMÉRICA

«O americano Justin Gatlin bateu ontem o recorde do mundo dos 100 metros, registando o tempo de 9.76 segundos, durante o Meeting de atletismo de Doha.»

«Justin Gatlin, campeão olímpico e do mundo em título dos 100 metros, melhorou em um centésimo a marca do jamaicano Asafa Powell (9.77), estabelecido a 14 de Junho de 2005, em Atenas, na Grécia.»


Está bem, eu acredito que tudo aconteceu dentro da normalidade. Afinal de contas a corrida não aconteceu nos Estados Unidos. É que nos Estados Unidos, como se sabe, os cronómetros são muito perfeitos e precisos. E quando se trata de desporto, impera a seriedade e a honestidade absolutas. Daí que seja de acreditar que Gatlin tenha retirado um centésimo de Segundo à marca do jamaicano Asafa Powell.

Mas se a corrida fosse na Jamaica. . .

Nota: A notícia é do DN . Não reparem nos erros de Português: o jornalista manda a concordância às urtigas e escreve que «a marca de Asafa Powell foi estabelecido»; e deixa duas vírgulas na gaveta, vírgulas que deveriam separar as palavras “em título” do resto da frase. Coisas de somenos hoje em dia quando para se ser jornalista basta não se ser analfabeto.

sexta-feira, 12 de maio de 2006

NO REINO DA FANTASIA

OU POEIRA PARA OS OLHOS DO PÚBLICO

Luís Graça, presidente do colégio da especialidade de Ginecologia e Obstetrícia da Ordem dos Médicos, referindo-se à falta de médicos obstetras para manter abertas todas as maternidades existentes no país, terá declarado ao Diário de Notícias, em forma de aviso «a quem garante que conseguirá médicos» para manter os blocos de partos abertos: «A Ordem vai estar atenta aos médicos turbo. Não podemos aceitar que cada um faça mais de uma urgência de 24 horas por semana.»

É preciso dizer aqui claramente que esta declaração de Luís Graça é apenas uma fantasia; é poeira lançada ao vento; e só como fantasia faz sentido. Luís Graça não deve desconhecer que o próprio Estado tem, neste preciso momento que o leitor me lê, obstetras contratados, através de contratos de empresa, os quais têm contratos válidos com mais de uma maternidade ou hospital do Estado onde prestam mais de 24 horas semanais de serviço de urgência obstétrica. E Luís Graça não pode desconhecer que a única forma que teria de fiscalizar o horário de trabalho desses obstetras seria seguir-lhes o passo, quotidiana e individualmente, para ver onde cada um entra para trabalhar em cada dia da semana. Isto porque os contratos são feitos em nome de empresas e não em nome individual; e a empresa, em teoria, tanto pode mandar hoje um trabalhador (obstetra), como amanhã outro. Claro que o trabalhador é sempre o mesmo; mas como, em teoria, não é obrigatório que o seja, a Ordem dos Médicos aí nada pode fazer porque sequer tem meios para averiguar a situação.

E mais: se porventura a Ordem viesse um dia a conseguir fazer uma fiscalização efectiva e proibisse os obstetras de realizarem mais de 24 horas semanais de urgência, TODAS AS MATERNIDADES DO PAÍS, sem qualquer excepção, teriam que fechar as portas. Mesmo depois de executado o anunciado encerramento das 11 maternidades.

É que não há obstetras em número suficiente no país.

E os únicos culpados desta situação são:

O Estado e a Ordem dos Médicos.

Que durante mais de uma década estabeleceram numerus clausus irrealistas para as Faculdades de Medicina e forneceram escassas vagas para formação de especialistas de Ginecologia e Obstetrícia, impedindo com isso que se formassem médicos e se formassem obstetras em número suficiente para as necessidades do país.

Tanto a Ordem dos Médicos como o ministro da Saúde estão agora aflitos e desorientados sem saberem como justificar o descalabro actual aos portugueses.

E ninguém diz a verdade.

Como nota de rodapé acrescenta-se mais este pormenor interessante em forma de pergunta: vai a Ordem dos Médicos proibir os médicos que façam 24 horas semanais de urgência, de trabalharem, de urgência, em maternidades privadas?

Vai mesmo?

Não brinquem comigo! . . .

domingo, 7 de maio de 2006

«MISERÁVEL»

Esta é a palavra que reuniu uma quase unanimidade dos jornalistas desportivos que cobriram o jogo Paços de Ferreira/Benfica.

Quando se referiram à actuação, hoje, do clube do homem vaca, quase todos disseram: «miserável».

E o senhor vaca, que andou toda a semana a pressionar, vergonhosamente, o adversário de hoje do Sporting, e que tinha toda a obrigação de fazer com que o Benfica ganhasse o seu jogo em Paços de Ferreira, não só viu o Sporting ganhar claramente ao Braga, como ainda viu o Benfica sofrer uma humilhante derrota por 3-1, tendo ainda feito uma exibição «miserável».

É caso para dizer que à desonestidade dos jogadores do Rio Ave, na semana passada, se somou hoje a desonestidade dos jogadores do Benfica.

É o que sucede quando se cospe para cima: o cuspo caiu hoje na cara do senhor Vaca.

No “Almocreve das petas” o benfiquista "masson" não faz a coisa por menos e diz isto do Benfica: Uma anedota de equipa, uma direcção gabarola.

AI TIMOR TIMOR

Noticia-se um pouco por todo o lado a fuga de cerca de setenta e cinco mil habitantes de Díli (a maioria da população da cidade, portanto) em direcção às montanhas de Timor, com medo de matanças entre facções “políticas” rivais que poderão acontecer por alturas do congresso da FRETILIN (o partido no poder), congresso que se realizará a 17, 18 e 19 deste mês.

Concomitantemente a essa fuga para as montanhas, dá-se, por parte da administração americana, no seguimento, aliás, de idêntica atitude assumida pela Austrália, a preparação para a retirada do seu pessoal diplomático e técnico de Timor.

Face a estes acontecimentos, Mari Alkatiri, primeiro-ministro de Timor-Leste, terá declarado ontem ao fim do dia: «Compreendo que o corpo diplomático tenha como preocupação a integridade física dos seus cidadãos, mas é um exagero. Díli não está sob fogo, nem há perspectivas disso. Compreendemos que a população da cidade, ainda traumatizada com o passado recente, tenha reagido como reagiu aos rumores. Mas já não entendemos quando os cidadãos estrangeiros residentes em Timor-Leste reagem da mesma forma, particularmente o corpo diplomático.»

Quer dizer: os timorenses que se conhecem muito bem (uns aos outros) e sabem muito bem aquilo de que foram capazes no passado recente - mortes sem fim -, fogem uns dos outros para as montanhas.

Os estrangeiros que nada conhecem daquilo – quer o primeiro-ministro Mari Alkatiri que lá continuem impávidos e serenos, expostos aos "brandos excessos" de que os timorenses deram recentemente sobejas provas de serem capazes.

É sabido que os serviços secretos americanos são eficazes e coligem muita informação em toda a parte do globo. Pois, se os americanos retiram o seu pessoal diplomático de Timor, não o farão certamente por medos infundados ou amadorismo na análise da situação naquele território.

No que diz respeito às autoridades portuguesas, há já muito quem se considera ofendido por os americanos lhes terem disponibilizado lugares no avião que deverá ir buscar os seus cidadãos; e seguindo os princípios dos "brandos costumes" e de “isto não vai acontecer” (assim a modos de quem diz “não há-de ser nada”, «é só fumaça», “só acontece aos outros”), lá vão deixando os seus cidadãos numa Díli quase deserta e a vinte mil quilómetros de distância de Lisboa.

Que Deus os proteja.

sábado, 6 de maio de 2006

ATÉ METE DÓ

OU O ESTADO A QUE O BENFICA CHEGOU

Escreve o Diário Digital:

Koeman «confia» no Braga para chegar ao segundo lugar.

O treinador do Benfica, Ronald Koeman, disse hoje ainda acreditar no segundo lugar, de acesso directo à Liga dos Campeões de futebol, confiando numa vitória do Benfica em Paços de Ferreira e no Sporting de Braga em Alvalade.

«Temos de pensar em ganhar ao Paços de Ferreira e depois esperar o resultado do Sporting-Sporting de Braga. Tenho confiança que o Braga e o seu treinador (Jesualdo Ferreira) vão fazer o máximo para complicar a vida ao Sporting»

O problema não está na esperança que o homem vaca possa ou não ter de que as coisas sucedam de determinada maneira; o problema está em, depois de o homem vaca ter dito na semana passada que os jogadores do Rio Ave eram desonestos, vir de novo, hoje, o mesmo vaca revelar desconfiança na honestidade dos profissionais do Sporting de Braga (treinador incluído) a ponto de os vir pressionar publica e desavergonhadamente.

Este holandês leiteiro a princípio parecia ser uma espécie de José Peseiro dos Países Baixos, mas veio a revelar-se ultimamente um misto de Octávio Machado e Valentim Loureiro.

E um bom aluno do honestíssimo José Veiga.

ELEIÇÃO À LA COREANA

Os delegados ao congresso do PSD elegeram ontem o seu Kim IL Sung com 91% dos votos expressos. As quase unanimidades deste calibre costumam ser a passadeira vermelha que conduz à porta de saída dos partidos. É como quando vêm os presidentes dos clubes de futebol declarar «total apoio ao treinador» - passadas umas quantas semanas lá vai o treinador de escantilhão pela porta fora.