domingo, 2 de julho de 2006

MUSEU DE CERA SCOLARI

OU AS VÍTIMAS DE FELIPÃO

Depois de ontem terem sido esbofeteados pela prestação da selecção portuguesa comandada por Scolari, cada um destes senhores vai receber uma rolha para tapar o buraco de onde lhes sai o ressábio, a inveja e as asneiras; e para onde costumam entrar as moscas e as rolhas merecidas.



sábado, 1 de julho de 2006

IRRA QUE É DEMAIS!

A massa cinzenta dos jogadores portugueses começa a liquefazer-se e nem contra dez (obrigado senhor árbitro – nós já previramos isso) conseguem meter um golito que seja.

Vamos ver no que vai dar o prolongamento.

Será que é preciso que o árbitro dê mais uma ajudinha?

Estou convencido de que se algum jogador português se lembrar de se deixar cair na área inglesa, o árbitro marcará de pronto uma grande penalidade contra os bifes. Mas não vejo ciência na cabeça dos portugueses para adivinharem que devem fazer esse teatro.

OBSERVATÓRIO 2

Ao que parece, hoje, o desejo germânico de ver os adeptos ingleses fora da Alemanha, suplanta indisfarçavelmente o interesse comercial de os ter a gastar dinheiro por mais alguns dias.

Basta olhar para a origem do árbitro da partida para se chegar a esta conclusão – um argentino.

Haverá no mundo nação mais hostil aos ingleses que a nação argentina?

Vamos estar atentos ao trabalho do senhor Elizondo Horacio pois ele pode revelar-se um autêntico profissional da “arbitragem à moda da FIFA” e beneficiar Portugal rumo à semifinal da prova.

Mas Portugal pode não precisar de qualquer ajuda pois tem melhor equipa que os ingleses e já o demonstrou na primeira parte do jogo.

OBSERVATÓRIO

Logo mais vamos ver se sai BOSTA ou coisa diferente.

A FIFA e a organização alemã deste “Mundial” devem estar divididas quanto a este jogo.

Por um lado os adeptos ingleses não são bem-vindos aos alemães, o que levaria a pensar que tudo se faria para que a Inglaterra fosse já para casa.

Mas esses adeptos são em grande número e garantem bons negócios aos hotéis, restaurantes, bares e cervejarias; o que faz crer que o negócio é capaz de falar mais alto.

Daí que a dúvida vai permanecer no nosso espírito até vermos para que lado pende a vontade de quem manda na arbitragem.

As razões fundamentais de uma “decisão” da FIFA, a favor de um ou outro contendor, passam mais por aqui do que pelo facto de Portugal ter uma boa equipa capaz de derrotar a Inglaterra e garantir um lugar na semifinal.

sexta-feira, 30 de junho de 2006

UMA ZITA DE CALÇAS

Num artigo publicado no Abrupto, Pacheco Pereira entretém-se a fazer um longo arrazoado preambular e diagnóstico da actual situação económica e social do País, tendo inteira razão na escalpelização do período Guterres da política portuguesa; dos períodos “barrosista” e “santanista” do PSD no Governo; na acção de Manuela Ferreira Leite enquanto Ministra das Finanças de José Barroso; e ainda na acção do actual primeiro-ministro português, José Sócrates.

Bem à portuguesa, todo o historial e o diagnóstico da situação, passada e actual, estão perfeitamente concebidos e expostos.

A páginas tantas da leitura desse texto, a porca começa a torcer o rabo porque vemos que estamos chegando ao fim do mesmo sem vislumbramos ponta de solução alternativa para os problemas elencados e analisados.

Mas é apenas uma ilusão nossa, pois que, o fino analista e comentador de tudo; aquele que tem sempre a preocupação de fazer autocitações como tendo “previsto” tudo no passado (apenas porque desconfiara que o que analisara viria a dar para o torto), lá mais para o final do texto aparece com uma receita milagrosa que não explica minimamente o que é que seja sem ser uma selva económica onde a incompetente classe empresarial portuguesa, tomando inteiramente nas suas predadoras mãos os destinos do erário público, “governará” os dinheiros dos nossos impostos a seu bel-prazer.

Diz-nos então Pacheco Pereira (destaques da minha responsabilidade):

«A reconfiguração do modelo do nosso Estado devia apenas garantir uma protecção social mínima para quem realmente a exige, limitar a esse mínimo de solidariedade social básica o carácter distributivo dos impostos, assim libertando para cada um a gestão da parte da sua "segurança" que está para além do mínimo garantido e para a economia recursos de que o Estado tem vindo a apropriar-se numa espiral cada vez maior.»

O que, no meu entender, significaria: puta que pariu para os mais pobres.

terça-feira, 27 de junho de 2006

UMA BOSTA DE MUNDIAL

Vê-se claramente que o interesse da FIFA é que a Alemanha e o Brasil disputem a final da copa do mundo de futebol.

Pelo meio, e enquanto não chega esse dia, as arbitragens vão cometendo indisfarçáveis pulhices no julgamento de lances capitais para o desfecho das partidas permitindo que as selecções mais mediáticas (aquelas que garantem mais negócios) passem à fase seguinte.

Ontem a Itália eliminou a Austrália com uma grande penalidade fantasma marcada pelo árbitro no último minuto da partida.

Hoje, quando o Brasil estava mesmo na mó de baixo, subjugado pelos fantásticos pretos do Gana, viu ser-lhe validado um segundo golo marcado em nítida posição de fora de jogo.

É com atitudes dessas que se remexe a porcaria de que é feita a fedorenta BOSTA deste campeonato do mundo.

Juro que este é o último mundial que eu vejo.

A partir do seu final juntar-me-ei ao clube “antifutebolândia” do Pacheco Pereira.

Quantos livros bons se deixa de ler (ou reler) para assistir a esta BOSTA?

Francamente!

domingo, 25 de junho de 2006

NINGUÉM BRINCA COM O CÉU

NEM OS MATEMÁTICOS

A protestante Holanda só podia mesmo baquear perante a inabalável fé do católico Portugal.

Eu logo vi que aquela potente e sofisticada antena de telecomunicação, em forma de cruz, encimando aquela enorme coroa(*) de bronze que a imagem da Senhora do Caravagio trazia na cabeça, escondendo um potente rádio emissor, constituía sinal mais que evidente de que os holandeses estavam arrumados à partida.

As ondas hertzianas da celestial Senhora fritaram por certo de tal maneira a mioleira dos holandeses que estes ficaram desorientados perante um Portugal privilegiado que acreditou desde o princípio na acção que as divindades não deixariam de exercer no jogo; mas a deficiente tecnologia celestial fez com que também os portugueses (e o próprio árbitro - meu Deus!) sentissem os seus miolos escaldados - mas pela exuberância da fritura da vizinha mioleira holandesa.

Quando vejo milagres destes pergunto quase sempre: porque será que os deuses e os santos agem sempre pela negativa? É que em vez de desorientar os holandeses e, por tabela, abalar os portugueses e o próprio árbitro, obrigando com isso os espectadores a assistir a um jogo de pancadaria, recheado de faltas e expulsões, poderiam antes transformar temporariamente os portugueses em super-homens oferecendo-nos por esta via uma inolvidável partida de futebol!

Rais parta a Senhora!

Mas, de qualquer forma... obrigado, Senhora do Caravagio.

(*) Pela evidente desproporção entre a Senhora e sua carga, via-se logo que ali havia marosca: o rádio escondido era tão grande que antes se diria: - aquilo não é uma santa com uma coroa na cabeça; aquilo é uma coroa com uma santa por baixo.

A FÉ CONTRA A MATEMÁTICA

Hoje, antes do Portugal Holanda, verifica-se a existência de duas posições curiosas, muito significativas a meu ver.

Por um lado temos Portugal:
Onde impera a fé numa provável vitória logo à noite sobre a Holanda; fé baseada na infalível máxima “não há duas sem três”, não há cinco sem seis, e por aí fora. É que de 9 jogos entre as duas selecções, Portugal ganhou 5, empatou 3, e perdeu apenas 1. Para quem tem fé, claro que isto só pode prenunciar mais uma vitória. Tanto mais que as Senhoras do Caravagio e de Fátima, como se sabe, foram arregimentadas para a peleja.

Do lado holandês:
Fazem-se contas de cabeça e diz-se: se de 9 jogos entre as duas selecções, a Holanda perdeu 5, empatou 3, e ganhou apenas 1 – então, pela lei das probabilidades, é a Holanda que tem as maiores probabilidades de ganhar o décimo jogo de logo à noite.

E nós aqui estaremos logo mais para ver quem tem mais força: se Nossa (salvo seja) Senhora do Caravagio, se o matemático e geómetra holandês, Christian Hygens.

Christian Hygens deu, em 1657, um grande impulso ao desenvolvimento da Probabilidade com a publicação do primeiro tratado formal sobre probabilidades. A esse estudo deve-se o conceito de esperança matemática de grande relevância para o Cálculo de Probabilidades e Estatística.

Mas… atendendo a que, no século XVI, o matemático e jogador italiano, Jerónimo Cardano (1501-1576), decidiu estudar as probabilidades de ganhar em vários jogos de azar, sendo assim o primeiro, o iniciador da teoria das probabilidades, ao escrever um argumento teórico para calcular probabilidades (resumido daqui) talvez tenhamos que telefonar ao seleccionador italiano pedindo-lhe que confirme ou desminta a teoria dos holandeses.

Será que uma divindade ou duas podem baralhar essas contas todas e dar a Portugal mais um argumento inequívoco de que o Império da Fé é mais importante do que o simples e humano poder da Matemática?

Porque não? Não foi assim com Nuno Álvares Pereira em Aljubarrota? Não foi assim que o Comunismo Científico de Marx foi derrotado pelo Ocidente católico e crente no segredo de Fátima?

Então:
Tenhais fé, ó crentes do rectângulo luso! Logo mais o Sol dançará segunda vez nos céus e prenunciará a vitória de Portugal.

sexta-feira, 23 de junho de 2006

A PROVA FINAL

A Presidência da República de Timor distribuiu a seguinte tradução de uma mensagem que Xanana Gusmão terá dirigido «ao povo e aos membros da FRETILIN».

Trata-se um discurso atabalhoado, idiota e incendiário.

É um discurso inadmissível num Presidente de qualquer República.

Perante este discurso, Nino Vieira, Kumba Ialá e outros que tais, são autênticos Chefes de Estado merecedores de todos os encómios, admiração e respeito.

Com este discurso, Xaxana Gusmão acaba de provar à saciedade que é um oportunista, um vaidoso, um indivíduo mal preparado para qualquer cargo sério de chefia, mesmo que intermédia, quanto mais para o cargo de Chefe de Estado.

O desplante, a insensatez, o oportunismo, o golpismo, a falta de sentido de Estado - tudo isso junto - está revelado, nua e cruamente, nesta parte do discurso em que Xanana diz:

«Por isso mesmo, enquanto Presidente da República, não aceito o resultado do Congresso [da FRETILIN] do dia 17 – 19 de Maio passado, exijo à Comissão Política Nacional da Fretilin, a imediatamente organizar um Congresso Extraordinário para eleger, de acordo com a Lei no. 3/2004, sobre os Partidos Políticos, uma Direcção nova do Partido.»

Mas onde é que já se viu um Presidente da República intervir tão descaradamente na vida de um partido político, chegando ao ponto de «exigir uma direcção nova do partido» que – para cúmulo dos cúmulos - há pouco mais de um mês acabara de eleger os seus órgão dirigentes em congresso!?

Eu, a partir de hoje, quero dizer daqui ao senhor Xanana, que da ajuda que o Governo Português lhe presta há uma parte que está a mais e que eu agradecia que devolvesse a Portugal: trata-se da parte que corresponde aos meus impostos pagos aqui em Portugal.

E declaro solenemente que não autorizo o Governo Português a utilizar o dinheiro correspondente aos meus impostos para ajudar o pavão conspirador de Timor.

Tenho dito.

Nota:
Xanana não é o primeiro caso em que o silêncio de uma pessoa é interpretado como prova de sabedoria e bom senso. O silêncio de que Xanana era fonte, como se prova agora, era o silêncio de quem não sabia bem o que dizer; de quem não tinha ideias e não tinha mesmo nada para dizer. Aliás, aquele seu hábito de falar muito lentamente à procura das palavras, já chamara a atenção de que aquela cabeça deveria estar vazia. E ESTAVA.

Sobre as atitudes do senhor Xanana, o “Blasfémias”
tem esta posta com a qual concordo integralmente.

quinta-feira, 22 de junho de 2006

ESTÁ TUDO EXPLICADO

Um lento mental associado a um Prémio Nobel do cinismo e da duplicidade, baseando-se numa afirmação de um jornal australiano, está em vias de efectivar um golpe de Estado em Timor.

Algum tempo depois de o primeiro-ministro australiano, John Howard, ter declarado que o Governo timorense estava a governar mal o país, Xanana Gusmão terá tomado a posição de exigir a demissão do primeiro-ministro eleito, Mari Alkatiri, baseando-se numa notícia de um jornal australiano que implicava o primeiro-ministro timorense na distribuição de armas a uma milícia apelidada (também pelos australianos) de “Esquadrão da Morte” e que teria como “missão” liquidar figuras políticas de oposição ao Governo. A milícia seria pretensamente criada e equipada por um ex-ministro de Alkatiri, Rogério Lobato.

Esse mesmo governo timorense terá deixado de “governar bem”, no dia em que decidiu atribuir a exploração do petróleo do mar de Timor a uma empresa italiana, em desfavor de empresas australianas. Até essa data Alkatiri merecera elogios sonoros por parte do senhor John Howard.

Quer dizer: foi uma notícia de jornal que fez agir Xanana.

Bastou a palavra escrita de um jornal australiano para o senhor Xanana acreditar que tudo o que foi escrito nesse jornal era verdade. Não foi preciso nenhuma diligência ou investigação para apuramento da verdade. O senhor Presidente Xanana não espera por inquéritos e averiguações levadas a cabo por instituições competentes do Estado timorense e por organismos internacionais credíveis. Basta-lhe a notícia de um jornal da terra de onde sua mulher (dele, Xanana) é natural para desatar a pedir a demissão de um Primeiro-ministro.

Isto, se não é uma brincadeira, é no mínimo ridículo.

Aqui de longe e com nenhuma ligação, sequer afectiva, (era só o que faltava) a Timor; sem qualquer simpatia pessoal ou política por Alkatiri, não posso deixar de me lembrar do que me dissera certa vez um antigo capitão do exército português que fizera naquele território várias missões na época colonial:

«Meu amigo, aquela gente é falsa; de uma falsidade que raia o nível de quem luta pela sobrevivência. Não conhecem sequer a mão de quem os alimenta. Se assistissem a um jogo de futebol, bateriam sempre palmas a quem estivesse a ganhar; e se a posição do vencedor mudasse trinta vezes durante o jogo, trinta vezes eles mudariam o sentido do seu apoio.»

domingo, 18 de junho de 2006

GOSTEI DE LER

[TAMBÉM ISTO É POESIA]

«Hordas de pretos»

«Vagas e vagas de pretos das tribos Gana e Gwi avançaram contra a fortaleza checa. Repito: mesmo a ganhar avançavam sete ou oito pretos à vez. Hordas de pretos a jogarem ao muda aos cinco acaba aos dez. E ficaram chateados com o apito final: queriam estar ali toda a noite. Pretos e mais pretos. Lindos.»


In Mau Tempo no Canil

BOM DIA

OFRENDA

¡Oh cómo florece mi cuerpo, desde cada vena
con más aroma, desde que te conozco!
Mira, ando más esbelto y más derecho,
y tú tan sólo esperas...¿pero quién eres tú?

Mira: yo siento cómo distancio,
cómo pierdo lo antiguo, hoja tras hoja.
Sólo tu sonrisa permanece
como muchas estrellas sobre ti,
y pronto también sobre mí.

A todo aquello que a través de mi infancia
sin nombre aún refulge, como el agua,
le voy a dar tu nombre en el altar
que está encendido de tu pelo
y rodeado, leve, de tus pechos.

RAINER MARÍA RILKE
Austria, Praga (1875-1926)

sábado, 17 de junho de 2006

A «PRETO» E «BRANCO»

Minha cara Maria do Amparo, e meus caros, João Vicêncio, Mário Ventura e Ubaldo Mendes:

Eu, quando escrevo «branco», não quero dizer que é branco. Pois também quando escrevo «preto», não estou a querer dizer que é preto.

Explicando melhor: quando escrevo «branco», quero dizer que não é «preto»; e quando escrevo «preto», quero dizer que não é «branco».

Só isso.

quinta-feira, 15 de junho de 2006

CRIMES EM ANGOLA

Sou dono de uma mente fantasista e maldosa que insiste em pregar-me as piores partidas. Por isso sofro, sofro muito.

Quando adormeço ou apenas cochilo cabeceando de sono, costuma aparecer-me um velho funcionário administrativo que me conta histórias de Angola, do tempo do colonialismo (décadas de cinquenta e sessenta) com a maior desfaçatez e não menor inconsciência dos crimes que relata. É um indivíduo que se pretende íntegro, senhor de boa conduta moral e crítico acérrimo da dissolução dos bons velhos costumes portugueses desta sua amada pátria, Portugal.

Costuma contar-me essas histórias na presença de outros ex-administrativos que estiveram ao mesmo tempo em Angola, os quais nunca o desmentem e dos quais algumas vezes se socorre para lhe avalizarem partes ou o todo de algum relato.

Já perdi a conta aos crimes e atrocidades por ele relatados ao longo do último lustro. Há cerca de vinte anos que me aparece nesses momentos de fuga à realidade, mas só nestes últimos cinco anos é que esse patriota (como às vezes se auto-intitula) resolveu desatar a língua e deixar sair os relatos do horror que lhe vai na memória: rapto de pessoas, amputações, violações e sodomização de menores, assassinatos gratuitos; tudo isso é relatado como se fosse uma prática habitual e normal de um certo período colonial, com exacerbação «no tempo do terrorismo», como ele soe precisar.

Ontem foram duas as revelações que me fez enquanto eu pegava não pegava no meu sono da tarde. Primeira revelação: havia na barragem de Cambambe um motorista branco que quando bebia uns copos começava a olhar para os pretos mais salientes que estivessem por perto. E se calhasse, por exemplo, encontrar um que usasse uma barbicha, começava a meter-se “amigavelmente” com ele até lhe ganhar a confiança, e, como fazia quase sempre, afagando-lhe a barbicha lhe dizia: – sabes, pareces o Lumumba. Vem daí dar uma volta, vamos para o jipe dar um passeio –. E partia com o preto a quem alguns quilómetros depois enfiava um balázio na nuca. – «Desfez-se de dezenas deles» – garante o administrativo perturbando o meu descanso.

Segunda revelação: um dia, numa localidade qualquer do interior, a autoridade administrativa formou um pequeno grupo que fez uma matança de 114 pessoas. Abriram uma vala enorme onde amontoaram os corpos que, contudo, mal couberam na vala comum ficando algumas pernas e braços de fora. Como já se fazia tarde e aquela malta estava cansada, o heróico e valente administrativo concluiu o “trabalho” munido de uma catana com a qual decepou e capinou os braços e pernas que se mantinham desenterrados.

Estes são pequeníssimos exemplos das histórias macabras que esse personagem me traz nos pesadelos que me acometem quando tento conciliar o sono, ou quando o desvario de minha mente malsã resolve afogar-me em cenas de horror. Muito tenho sofrido ao longo dos últimos cinco anos com as histórias que esse personagem do além, que povoa o meu sono e me tira a paz que eu busco quando estou cansado, insistentemente faz questão de me contar. Se trago hoje aqui estas histórias, é porque já não aguento mais sozinho a tortura que os relatos desses crimes assustadores me tem causado a ponto de eu me sentir enlouquecer.

Peço desculpas por trazer-vos estes relatos, mas foi o meu psicanalista que assim me aconselhou: – «deves falar disso a toda a gente, e se tens um blogue então ainda melhor: basta escreveres isso uma vez» –.

Foi o que fiz.

ADEUS CAREIRA PT

Há um mês comprei uma pequena caixinha, o PAP2 da Linksys, activei um contrato com a empresa Netcall e passei assim a usufruir de:

1) SMS gratuitos e sem limite para telemóveis de todo o mundo;
2) Telefonemas gratuitos para utilizadores da rede Netcall;
3) Telefonemas para números fixos e telemóveis dos Estados Unidos ao custo de €0,017 (atenção: não é 17 cêntimos, é um cêntimo vírgula sete), isto é: 4$00 antigos por minuto de conversação (pela PT paga 60$00 ao minuto, isto é, 15 vezes mais);Telefonemas a preços muito mais baixos do que os da PT para qualquer destino no globo terrestre. Exemplo: MACAU € 0,042, isto é, 8$50 antigos (pela PT paga 30 vezes mais, isto é €1,258);
4) Recepção e emissão de Fax aos custos acima referidos;
5) Não pagamento de qualquer taxa ou aluguer de equipamento;
6) Não obrigatoriedade de consumo mínimo: faz-se o “carregamento” da conta quando e na importância que se quiser fazer.

No fundo exerci uma parte, pequenina embora, mas uma parte interessante da minha liberdade de escolha.

As minhas contas dizem-me que vou gastar entre um terço a um quinto do que pagava à PT pelo serviço de telefone fixo. NADA MAU.

Confira as taxas de PT aqui

E confira as da Netcall aqui

Nota: esta posta foi publicada há cinco dias atrás, mas como foi por mim acidentalmente apagada, volta hoje, pelo seu interesse informativo, à publicação.

terça-feira, 13 de junho de 2006

REGISTO XENÓFILO

VAI COMEÇAR AGORA O FRANÇA SUIÇA

Para que fique registado:

A selecção francesa vai começar o jogo com sete pretos e um argelino (Zinedine Zidane).

Lembro que cada equipa só tem onze jogadores.

segunda-feira, 12 de junho de 2006

ÓDIO COM ÓDIO SE PAGA

COM ÓDIO SE PAGA,
Com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga, com ódio se paga. . . . . . . . . . . .
Eis exposta a capa obscena e terrorista da edição de 9 deste mês do jornal americano New York Post.

Depois queixem-se da desumanidade do terrorismo árabe!

sábado, 10 de junho de 2006

AVISO À NAVEGAÇÃO





Sempre curioso de conhecer as últimas novidades no domínio da informática - mais concretamente no domínio do software e do hardware para o utilizador doméstico - inscrevi-me como beta-tester da querida Microsoft do não menos querido Bill Gates. Nessa condição pude fazer o download da versão Beta 2 do já famoso futuro Windows Vista, a nova plataforma ultramoderna para computadores de secretária.

Instalei ontem o sistema operativo no meu computador e comecei a fazer algumas experiências no sentido de apurar da possibilidade de fazer backup e restore integrais desse sistema num mesmo computador, e a cópia integral ou a migração do sistema para outro computador.

Para o primeiro caso tentei instalar o programa Acronis True Image 9.0.; Resultado: o Windows Vista não me permitiu concluir a instalação do mesmo; e não me deu qualquer explicação pela recusa.

Para o segundo caso instalei o programa PC Relocator. Resultado: estando o programa instalado, quando o tentei usar o Windows Vista "disse-me" que não era conveniente fazê-lo; e não me permitiu o seu uso.

Conclusão mais que óbvia: a Microsoft prepara-se para nos vender um sistema operativo cheio de restrições à nossa salutar tendência de bem piratear em toda a sela.

Mas se esse propósito da Microsoft é bem compreendido por quem só usa software original, já o mesmo não deverá acontecer, mesmo com os utilizadores mais escrupulosos, quanto à impossibilidade que vai haver de quem quer que seja ter uma cópia restaurável do seu ambiente de trabalho; ficando assim o incauto escrupuloso condenado a refazer tudo de novo - desde o princípio - de cada vez que uma desgraça (vírus ou quebras de hardware, por exemplo) o impeça de continuar a utilizar o seu querido PC, dizendo: tão habituado que eu estava a esta máquina! e não é que agora vou ter que começar tudo de novo!...

Conselho de mestre: arreigue-se no uso do seu Windows XP; faça cópias seguras e integrais do disco duro do seu computador; não vá atrás de modas quando vier aí a publicidade ao novo Windows Vista; e fique de plantão para se rir dos incautos que cairão nas mãos do Bill que os vai ter de rédea curta, insatisfeitos e sempre com a carteira aberta.

NA GUINÉ DE NINO

Jornalistas sofrem «Estranhos acidentes» ou morrem de «doença prolongada» que desconheciam ter.

ADEUS CAREIRA PT

Há um mês comprei uma pequena caixinha, o PAP2 da Linksys, activei um contrato com a empresa Netcall e passei assim a usufruir de:

1) SMS gratuitos e sem limite para telemóveis de todo o mundo;
2) Telefonemas gratuitos para utilizadores da rede Netcall;
3) Telefonemas para números fixos e telemóveis dos Estados Unidos ao custo de €0,017, isto é: 4$00 antigos por minuto de conversação. Pela PT paga-se €0,30, isto é, 60$00 antigos (quinze vezes mais caro);
4) Telefonemas a preços muito mais baixos do que os da PT para qualquer destino no globo terrestre. Exemplo: Cabo Verde €0.24, isto é, 50$00 ao minuto. Pela PT são €0,84, isto é, 170$00 ao minuto (maior que três vezes mais); MACAU €0,017, isto é, 4$00 antigos por minuto; pela PT paga-se €1,267, isto é, (setenta e quatro vezes mais);
5) Emissão de Fax aos baixos custos acima referidos;
6) Não pagamento de qualquer taxa ou aluguer de equipamento;
7) Não obrigatoriedade de consumo mínimo: faz-se o “carregamento” da conta quando e na importância que se quiser.

Quer dizer: exercitei uma parte, pequenina embora, mas uma parte interessante da minha liberdade de escolha. E beneficiei com isso.

As minhas contas dizem-me que vou gastar entre um terço a um quinto do que pagava à PT pelo serviço de telefone fixo. Nada mau.

Nota:
Confira as tarifas da PT aqui.

E confira as tarifas da Netcall aqui.

O PUZZLE TIMORENSE

Interessante esta entrevista
de Mari Alkatiri ao Expresso. Em que se percebe, nas entrelinhas, que Xanana Gusmão tem tanto de cordeiro como de lobo. E que há, no Governo, uma rolha boiante (Ramos Horta) no papel de contra-espionagem bilateral – “representa” Xanana e é, ao mesmo tempo, ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo de Alkatiri -: uma situação complexa que não augura uma solução rápida para os intrincados problemas políticos que Timor vive neste momento.

sexta-feira, 9 de junho de 2006

PERGUNTA INDISCRETA



Pode haver médicos e médicas doentes mentais, a receber ou a necessitar (caso mais grave porque sem ajuda) de acompanhamento psiquiátrico, a trabalhar nos hospitais, na profissão?

domingo, 4 de junho de 2006

NA FEIRA DO LIVRO

BILHETE POSTAL – 15 de Fevereiro de 2000

Remetente
Luís Pacheco
em viagem para o PARAÍSO
Via TAP
(carimbo de 16/02/2001)

Destinatário
Senhor RAPOSÃO
Livraria UNI-VERSO
Rua do Concelho
2900 Setúbal

5.ª feira, 15/Fev./2001

Caro Colega Editor e Livreiro e Nobre Amigo:
Fugi do Montijo, vai para 1 mês. Apaixonei-me por uma gaiata (21 anos), casada e o corno do marido queria dar-me um TIRO. Vá dar tiros no “buraco” certo que era onde a esposa não tinha o TIROTEIO que desejava (e eu não podia compensar).
Saudades do além-Tejo só do Carlos César(1), que foi à minha frente, para encenar a minha chegada triunfal. Se vires o Bocage, dá-lhe um poema teu.

Abraço
L. Pacheco


(1) Setubalense dedicado ao teatro, já falecido à data desta missiva.

Do livro “Cartas ao Léu”
Autor: Luís Pacheco
Editora: quasi

BOM DIA

Amigo, não suporto mais o calor. Abra por favor esta torneira e dissolva-me em água fria
.

terça-feira, 30 de maio de 2006

VIDA DE GATO

Sem disposição para blogar hoje, Picasso, sob o calor de Lisboa, derrete-se como manteiga.

MICRO CAUSA (PRÓPRIA)

[Dantes fora o inferno das labaredas no estômago. Agora, devagarinho, cuidadosamente, com gestos lentos de levitador profissional, como um ladrão que pisa folhas secas por baixo da janela do dono da casa, cá vou ensaiando o acompanhamento líquido das refeições - primeiro água natural, depois chás descafeinados, agora água tónica ou coca-cola, depois... depois talvez um gole de vinho tinto a acompanhar um prato de bacalhau.]

Mas para quando, meu Deus, um whisky, um conhaque, um perfumadíssimo Palácio da Brejoeira?!

Para quando o regresso ao rafting, ao parapente, ao salto de pára-quedas, ao puro prazer das touradas de morte. De copo na mão!

É assim tão difícil vencer o Helicobacter, a Natureza, o determinismo do código genético, ou mesmo Deus?!

domingo, 28 de maio de 2006

"AQUELE AMIGO DAS BORGAS"

Agostinho Oliveira, treinador da selecção dos sub21 de Portugal, terá declarado aos jornalistas:

«Continuo a acreditar [no apuramento], tal como o Einstein o fez».

Aqui e aqui já gozaram à farta com a frase do treinador dos sub21.

Eu não tinha era reparado que para além do absurdo e do risível daquela frase, o grande Agostinho diz: «o Einstein». Isto é: “aquele gajo porreiro que bebia uns copos com a gente ali na tasca da esquina”.

TIMOR JÁ ESTÁ A ARDER

Como os serviços secretos americanos e australianos tinham previsto, vinha aí (já veio) chumbo grosso em Timor. Por isso prepararam e executaram a evacuação atempada dos seus cidadãos.

Lembremo-nos que esses dois países ofereceram a Portugal a oportunidade de fazer o mesmo aos portugueses residentes em Timor. Absurdamente armado ao pingarelho, o governo português, mostrando-se ofendido com a oferta, recusou-a liminarmente.

Agora que o braseiro está aceso e já não há civis americanos e australianos em Timor, é ver o espectáculo triste e lamentável de civis portugueses dormindo na rua, ao relento, nas imediações do aeroporto de Díli, à espera que alguém os tire de lá para fora.

Não fora a “ingerência” (no dizer de Freitas do Amaral) dos australianos, que enviaram militares para Timor, mesmo antes da autorização da ONU, a esta hora algum português poderia já estar feito em churrasco.

O que vale é que a Austrália está sempre de olho em Timor e ao menor burburinho aparece para tomar conta da situação cortando as vazas à Indonésia. Eu sei que é por causa do petróleo de Timor, eu sei!; mas ao menos a Austrália não faz cabidela com o sangue dos timorenses.

quarta-feira, 24 de maio de 2006

DELIRIUM TREMENS

Depois de uma endoscopia alta e duas biopsias à mucosa do bandulho, concluiu-se que o meu estimado estômago era vítima de gastrite crónica associada à presença de Helicobacter Pylori.

Assim, desde há quatro dias que estou submetido a um tratamento brutal com doses maciças de antibióticos e de um inibidor da bomba de protões.

Hoje, ao quarto dia de tratamento, já me apeteceu uns camarões fritos à minha moda, regados por larguíssimos litros de cerveja. Isto significa que o rapaz está aí, está curado.

domingo, 21 de maio de 2006

RDP ANTENA 2

UMA CORRESPONDÊNCIA EDIFICANTE

Eis uma breve correspondência entre um ouvinte anónimo (eu) e o senhor director-adjunto da Antena 2, Sr. João Almeida.


Email de protesto enviado por mim:

«A quem de direito na Antena 2:

Basta dessa diarreia de palavras; dessa incontinência verbal permanente; desse desfiar ininterrupto de historietas sem interesse, cheias de banalidades – basta desse atentado anticultural que, salvo raríssimas excepções, se está a perpetrar quotidianamente aos microfones da Antena 2 da RDP.

Queremos música erudita!

Não queremos palavras, palavras, palavras!

Não queremos o lixo palavroso que nos tem sido servido!

Chega! Estamos todos fartos de sofrer com a situação actual da Antena 2.

Manda a mais pequenina réstia de bom senso que quem de direito dê uma varridela profunda na Antena 2 e lhe devolva a dignidade que já teve e que deve continuar a ter.»

Resposta do senhor director-adjunto [Com três chamadas de atenção, da minha responsabilidade, para erros ortográficos contidos no texto]:

«Senhor ouvinte.

Com que direito fala na 1ª pessoa do plural? "Queremos"? "Estamos todos"? Quem o nomeou ou mandatou para se apresentar como representante de todos? Porque se acha no direito de representar todos os ouvintes? Que presunção é essa? Porque não demonstra alguma modéstia e diz antes "quero", ou "estou farto"? Fique sabendo que não pensam "todos" como o senhor.
E mais: fique sabendo que NENHUMA rádio estatal clássica se comporta como rádio gira-discos. TODAS têm locução, ocupando com palavra, em média, cerca de 25% do tempo de antena (dados da UER - União Europeia de Rádios). A Antena 2 tem, ao longo de um dia, em média, 20% da emissão ocupada com locução. As rádios que têm menos tempo de locução são privadas e baseiam-se em play-lists(1), ou seja, são máquinas, e não pessoas, que escolhem a música. O senhor, obviamente, não gosta de ouvir falar porque já sabe tudo o que há para saber, e não precisa de (ou não quer que) ninguém que lhe diga nada. Mas, sendo esse o caso, escolha o senhor a sua própria música. Use CD's. A Antena 2 não se dirige a quem tem a certeza de que sabe tudo e não quer ouvir ninguém a falar. Dirige-se aos outros, que não conhecem tudo, ou pelo menos não têm essa presunção... e têm curiosidade em saber mais.
A Antena 2 feneceu ao longo de anos, com o auditório a envelhecer, tendo a média de idades passado de 45 para 55 anos ao longo de uma década. Isto quer dizer que eram sempre os mesmos a escutar, e que íam(2) envelhecendo, ou até morrendo, sem que a A2 mobilizasse as novas gerações. Os últimos estudos de audiências (ao longo do último semestre) comprovam que o auditório da A2 rejuvenesceu, com a média etária dos ouvintes a passar dos 55, de novo, para os 45 anos, e com tendência para rejuvenescer ainda mais. Significa que o auditório está a mudar, com pessoas mais jovens, algo que o deverá certamente enervar, já que o senhor, claramente, não gosta do nosso tempo. Problema seu. Não queira é impôr(3) o seu parâmetro aos outros, nem ter a pretensão de que representa todos... porque na verdade, simplesmente, só se representa a si próprio.

Passe bem.

João Almeida»


[ (1) Escreve-se playlists e não “play-lists”]
[ (2) Escreve-se iam (sem acento agudo no “i”) e não “íam”]
[ (3) Escreve-se impor (sem acento circunflexo) e não “impôr”]


Contra-resposta minha:

«Senhor João Almeida:

A sua resposta ao meu protesto merece-me a seguinte contra-resposta:

Quem preza a Língua Portuguesa sabe que o uso da primeira pessoa do plural pode ser feito por qualquer sujeito individual quando este pretende retirar a um texto ou fala a carga de arrogância que o uso da primeira pessoa do singular lhes transmitiria. Faça este exercício simples e conclua por si: pegue no texto do meu protesto e substitua o plural pelo singular e veja a diferença. Não que o texto que lhe enviei não continuasse, mesmo assim, a ser arrogante; mas, lendo a sua resposta, se calhar, o senhor mereceria que o tivesse escrito na primeira pessoa do singular.

Mesmo sem "nomeação" ou "mandato" sempre lhe vou dizendo que se estivesse minimamente atento ao que se escreve (nos blogues, por exemplo) admitiria que eu pudesse, falando no plural, como ouvinte, interpelar "quem de direito na Antena 2" (não a si pessoalmente) sobre aquilo que no meu entender (e, pelos vistos, não só no meu) é o mar de palavras sem interesse que hoje afoga a música nessa rádio.

Só lhe vou dar dois exemplos, entre muitos (com sublinhados meus):

Exemplo I

No dia 04-01-2006, Pacheco Pereira escrevia o seguinte no blogue "Abrupto":»

«BOAS COISAS NA COMUNICAÇÃO SOCIAL PORTUGUESA EM 2005, VISTAS POR UM GRANDE (EM QUANTIDADE) CONSUMIDOR
...

PÉSSIMAS COISAS NA COMUNICAÇÃO SOCIAL PORTUGUESA EM 2005, VISTAS PELO MESMO»
...
«A Antena 2 é demasiado loquaz. Muito se fala naquela rádio, num tom entre o pedante e o falsamente íntimo, tirando limpidez à música. »

«Tem aqui o link para confirmar:
http://abrupto.blogspot.com/2006_01_01_abrupto_archive.html
#113640941290714023

Exemplo II

No dia 11-01-2006 Álvaro José Ferreira escrevia o seguinte no blogue "Bem Comum":»
...
«Admito que a Antena 2 precisasse de alguns ajustamentos de modo a torná-la menos temática e mais ecléctica (a exemplo do canal 3 da BBC Radio), mas parece-me que há uma forma mais adequada e eficaz de conquistar novos públicos para o canal do que fazer cedências à facilidade.
...
Talvez com esta grelha a Antena 2 venha a conquistar alguns dos tradicionais ouvintes da Antena 1 que não se revêem na programação musical que vem sendo implementada. É provável que as audiências subam, mas haverá certamente a fuga de alguns melómanos mais exigentes e exclusivistas da música clássica. Talvez os ouvintes que venham a ser conquistados ultrapassem em número os que vão desertar, mas há uma questão que se impõe: não estará a Antena 2 a desempenhar agora uma parte do papel que caberia à Antena 1?»

« Nota: Estando a RTP e a RDP sob a alçada da mesma administração, e tendo a obsessão com as audiências sido abandonada na televisão, não entendo ela estar a ter a sua máxima expressão na rádio. Tal dever-se-á ao facto da rádio ter menos visibilidade e, como tal, ser descurada pelo poder político? Se alguém tiver uma explicação verosímil, faça o favor de ma dar.»


«Tem aqui o link para confirmar:
http://bemcomum.blogspot.com/2006/01/nova-grelha-da-antena-2-entrou-em.html

Como vê, não estou só.

Certamente não ignora que ainda existem tertúlias em Portugal. Pois então digo-lhe que eu frequento tertúlias onde se debate música e onde se tem falado da programação da Antena 2. É um direito dos ouvintes. Por isso sei o que é que pensam muitas outras pessoas sobre a desvirtuação que a programação da Antena 2 tem sofrido no sentido da sua aproximação qualitativa a um baixo patamar cultural. E também por esta razão julgo também poder falar no plural.

Diz-me que estão a fazer isso para captar mais público jovem. Olhe: aconselho-o a ler "Apocalípticos e Integrados", de Umberto Eco, para conhecer a opinião deste ilustre intelectual e linguista de renome internacional, entre outras coisas sobre a transmissão de conhecimentos eruditos ao grande público. Ficará a saber que Eco é de opinião que quando se quer transmitir conteúdo erudito a alguém não se deve transigir na linguagem (que deve sempre ser erudita) pois que, quando esta não é entendida logo à primeira, obriga o destinatário a cultivar-se até que a compreenda e passe, por isso, a ser um pouco mais culto do que era – quer porque passou a compreender essa linguagem, quer ainda porque passou a ter mais conhecimentos veiculados por essa mesma linguagem (conhecimentos só passíveis de serem bem transmitidos se se não fizer «cedências ao facilitismo»).

Mas se a grande preocupação dos gestores da Antena 2 vai continuar a ser a procura desesperada de (qualquer) audiência, então dou-lhe uma receita infalível: transmitam programas desportivos e antenas abertas sobre o desporto; transmitam relatos de futebol com música erudita nos intervalos. Vai ver que conseguirão captar, num instante, uma larguíssima fatia de ouvintes.

Agora permita-me que lhe diga o quão desiludido fiquei com a qualidade da sua resposta.

Fui saber quem o senhor era e disseram-me que é o director-adjunto da Antena 2 (se me informaram mal peço desculpas).

Então, senhor director-adjunto, é assim, desse modo ligeiro, pesporrente e auto-suficiente, que se permite, no exercício do seu cargo, dirigir-se a um ouvinte anónimo que faz um protesto (indignado embora) contra uma rádio que considera palavrosa e pouco culta? (Rádio que fora, até há pouco tempo, na opinião desse ouvinte, de muito melhor qualidade).

É assim que se responde?

Eu não me dirigi a si pessoalmente. Eu dirigi-me a "quem de direito na Antena 2". Que esse "quem de direito" seja o senhor, muito bem! Mas quando me responde de forma pessoal, sem se identificar do ponto de vista profissional, nos termos ligeiros e pouco dignos em que o faz, desqualifica-se profissionalmente (é a minha opinião) e dá uma péssima imagem da cúpula que hoje dirige a Antena 2.

Não sei se o Conselho de Administração da RDP ficaria contente em conhecer o texto integral do meu protesto e o da sua resposta.

Creio que, no mínimo, ficaria desapontado. Consigo, senhor director-adjunto.

Não sei se quer fazer essa experiência. Quer? É uma hipótese a considerar.

Vá por mim, senhor director-adjunto: quando ocupamos cargos de chefia, ainda por cima ao nível de director ou de director-adjunto, devemos ter estofo suficiente para engolir certos sapos e continuar a dar uma imagem polida do cargo, mesmo quando somos atingidos por aquilo que consideramos injusto (e, em certos casos, até, ofensivo). Devemos alardear superioridade moral (de preferência devemos tê-la efectivamente). Não devemos perder a cabeça e desatar à pancada com cada protestante. É que o senhor é pago também para ser polido e educado

Poderá dizer-me que eu não tenho o direito de fazer o protesto nos termos em que o fiz. Até posso concordar consigo neste aspecto e pedir desculpas. Mas eu sou apenas um simples e anónimo ouvinte e contribuinte fiscal com algum direito à indignação quando acho que esse bem público que é a Antena 2 está a morrer no seu propósito de veicular adequadamente música erudita (ou isso já não faz parte dos estatutos dessa rádio?). Mas o senhor, no cargo que ocupa, está-lhe vedado, deontologicamente, ser malcriado. É que, sendo-o, mancha logo o nome da Antena 2; e o da RDP. Ou será que isso não interessa?!

Para terminar quero ainda dizer-lhe que continuarei a lutar para a melhoria substancial da qualidade da programação da Antena 2, e por uma maior dignificação dessa rádio. Não ficarei pelo protesto que enviei a "quem de direito". Se for preciso chegar mais longe, tentarei consegui-lo. Porque a Antena 2 não é de ninguém em particular. É de todos.

Passe também muito bem.»

sábado, 20 de maio de 2006

UM PRIMOR JORNALÍSTICO

No Diário de Notícias já se escreve muito pior do que os putos de hoje o fazem quando abreviam palavras nas suas mensagens por telemóvel. Para além disso o redactor do DN abusa errando a ortografia de várias palavras.

«Valter Hugo Mãe, editor da Objecto Cardíaco, disse ao DN que esta era a decisão que esperava, mas que "ao o contrário do que possa parecer, não me alegra. pq acho q esta sit nunca devia ter chegado aos tribubais. Alegria deviamos [falta o acento agudo no "í"] ter qdo o exercício da cr+irca fosse consensual.»

Por este andar qualquer dia teremos os jornais portugueses escritos em crioulo.

Porque não?!

terça-feira, 16 de maio de 2006

OS PERIGOS DO “DIRECTO”

Há poucos dias, no programa da SIC Notícias, "Opinião Pública", um telespectador, intervindo em directo, teve palavras obscenas para a apresentadora de serviço.

Clique aqui e oiça o inimaginável


Parece que o caso já foi entregue às autoridades e espera-se que a sanção seja exemplar. Porque se a moda pega...

domingo, 14 de maio de 2006

A REDESCOBERTA DA PÓLVORA

De há algum tempo albergo em mim a sensação de que há qualquer coisa de revolucionário que distingue os intelectuais de hoje dos das gerações anteriores. E essa “qualquer coisa” parece consistir no exercício do óbvio em que se ocupa grande parte destes intelectuais.

Lá pelas bandas do Estado Civil, Pedro Mexia acaba de redescobrir a pólvora. Diz ele, melhor, escreve ele:

A beleza dura poucos anos. Não há quase nenhuma pessoa que seja bela uma vida inteira. E essa devastação progressiva do tempo sugere o fatal fascínio da beleza: a beleza é fascinante porque dura pouco. A beleza é fascinante porque é angustiante, porque está em contagem decrescente, porque (tal como todos nós) não anda no mundo muito tempo.

sábado, 13 de maio de 2006

PARABÉNS AMÉRICA

«O americano Justin Gatlin bateu ontem o recorde do mundo dos 100 metros, registando o tempo de 9.76 segundos, durante o Meeting de atletismo de Doha.»

«Justin Gatlin, campeão olímpico e do mundo em título dos 100 metros, melhorou em um centésimo a marca do jamaicano Asafa Powell (9.77), estabelecido a 14 de Junho de 2005, em Atenas, na Grécia.»


Está bem, eu acredito que tudo aconteceu dentro da normalidade. Afinal de contas a corrida não aconteceu nos Estados Unidos. É que nos Estados Unidos, como se sabe, os cronómetros são muito perfeitos e precisos. E quando se trata de desporto, impera a seriedade e a honestidade absolutas. Daí que seja de acreditar que Gatlin tenha retirado um centésimo de Segundo à marca do jamaicano Asafa Powell.

Mas se a corrida fosse na Jamaica. . .

Nota: A notícia é do DN . Não reparem nos erros de Português: o jornalista manda a concordância às urtigas e escreve que «a marca de Asafa Powell foi estabelecido»; e deixa duas vírgulas na gaveta, vírgulas que deveriam separar as palavras “em título” do resto da frase. Coisas de somenos hoje em dia quando para se ser jornalista basta não se ser analfabeto.

sexta-feira, 12 de maio de 2006

NO REINO DA FANTASIA

OU POEIRA PARA OS OLHOS DO PÚBLICO

Luís Graça, presidente do colégio da especialidade de Ginecologia e Obstetrícia da Ordem dos Médicos, referindo-se à falta de médicos obstetras para manter abertas todas as maternidades existentes no país, terá declarado ao Diário de Notícias, em forma de aviso «a quem garante que conseguirá médicos» para manter os blocos de partos abertos: «A Ordem vai estar atenta aos médicos turbo. Não podemos aceitar que cada um faça mais de uma urgência de 24 horas por semana.»

É preciso dizer aqui claramente que esta declaração de Luís Graça é apenas uma fantasia; é poeira lançada ao vento; e só como fantasia faz sentido. Luís Graça não deve desconhecer que o próprio Estado tem, neste preciso momento que o leitor me lê, obstetras contratados, através de contratos de empresa, os quais têm contratos válidos com mais de uma maternidade ou hospital do Estado onde prestam mais de 24 horas semanais de serviço de urgência obstétrica. E Luís Graça não pode desconhecer que a única forma que teria de fiscalizar o horário de trabalho desses obstetras seria seguir-lhes o passo, quotidiana e individualmente, para ver onde cada um entra para trabalhar em cada dia da semana. Isto porque os contratos são feitos em nome de empresas e não em nome individual; e a empresa, em teoria, tanto pode mandar hoje um trabalhador (obstetra), como amanhã outro. Claro que o trabalhador é sempre o mesmo; mas como, em teoria, não é obrigatório que o seja, a Ordem dos Médicos aí nada pode fazer porque sequer tem meios para averiguar a situação.

E mais: se porventura a Ordem viesse um dia a conseguir fazer uma fiscalização efectiva e proibisse os obstetras de realizarem mais de 24 horas semanais de urgência, TODAS AS MATERNIDADES DO PAÍS, sem qualquer excepção, teriam que fechar as portas. Mesmo depois de executado o anunciado encerramento das 11 maternidades.

É que não há obstetras em número suficiente no país.

E os únicos culpados desta situação são:

O Estado e a Ordem dos Médicos.

Que durante mais de uma década estabeleceram numerus clausus irrealistas para as Faculdades de Medicina e forneceram escassas vagas para formação de especialistas de Ginecologia e Obstetrícia, impedindo com isso que se formassem médicos e se formassem obstetras em número suficiente para as necessidades do país.

Tanto a Ordem dos Médicos como o ministro da Saúde estão agora aflitos e desorientados sem saberem como justificar o descalabro actual aos portugueses.

E ninguém diz a verdade.

Como nota de rodapé acrescenta-se mais este pormenor interessante em forma de pergunta: vai a Ordem dos Médicos proibir os médicos que façam 24 horas semanais de urgência, de trabalharem, de urgência, em maternidades privadas?

Vai mesmo?

Não brinquem comigo! . . .

domingo, 7 de maio de 2006

«MISERÁVEL»

Esta é a palavra que reuniu uma quase unanimidade dos jornalistas desportivos que cobriram o jogo Paços de Ferreira/Benfica.

Quando se referiram à actuação, hoje, do clube do homem vaca, quase todos disseram: «miserável».

E o senhor vaca, que andou toda a semana a pressionar, vergonhosamente, o adversário de hoje do Sporting, e que tinha toda a obrigação de fazer com que o Benfica ganhasse o seu jogo em Paços de Ferreira, não só viu o Sporting ganhar claramente ao Braga, como ainda viu o Benfica sofrer uma humilhante derrota por 3-1, tendo ainda feito uma exibição «miserável».

É caso para dizer que à desonestidade dos jogadores do Rio Ave, na semana passada, se somou hoje a desonestidade dos jogadores do Benfica.

É o que sucede quando se cospe para cima: o cuspo caiu hoje na cara do senhor Vaca.

No “Almocreve das petas” o benfiquista "masson" não faz a coisa por menos e diz isto do Benfica: Uma anedota de equipa, uma direcção gabarola.

AI TIMOR TIMOR

Noticia-se um pouco por todo o lado a fuga de cerca de setenta e cinco mil habitantes de Díli (a maioria da população da cidade, portanto) em direcção às montanhas de Timor, com medo de matanças entre facções “políticas” rivais que poderão acontecer por alturas do congresso da FRETILIN (o partido no poder), congresso que se realizará a 17, 18 e 19 deste mês.

Concomitantemente a essa fuga para as montanhas, dá-se, por parte da administração americana, no seguimento, aliás, de idêntica atitude assumida pela Austrália, a preparação para a retirada do seu pessoal diplomático e técnico de Timor.

Face a estes acontecimentos, Mari Alkatiri, primeiro-ministro de Timor-Leste, terá declarado ontem ao fim do dia: «Compreendo que o corpo diplomático tenha como preocupação a integridade física dos seus cidadãos, mas é um exagero. Díli não está sob fogo, nem há perspectivas disso. Compreendemos que a população da cidade, ainda traumatizada com o passado recente, tenha reagido como reagiu aos rumores. Mas já não entendemos quando os cidadãos estrangeiros residentes em Timor-Leste reagem da mesma forma, particularmente o corpo diplomático.»

Quer dizer: os timorenses que se conhecem muito bem (uns aos outros) e sabem muito bem aquilo de que foram capazes no passado recente - mortes sem fim -, fogem uns dos outros para as montanhas.

Os estrangeiros que nada conhecem daquilo – quer o primeiro-ministro Mari Alkatiri que lá continuem impávidos e serenos, expostos aos "brandos excessos" de que os timorenses deram recentemente sobejas provas de serem capazes.

É sabido que os serviços secretos americanos são eficazes e coligem muita informação em toda a parte do globo. Pois, se os americanos retiram o seu pessoal diplomático de Timor, não o farão certamente por medos infundados ou amadorismo na análise da situação naquele território.

No que diz respeito às autoridades portuguesas, há já muito quem se considera ofendido por os americanos lhes terem disponibilizado lugares no avião que deverá ir buscar os seus cidadãos; e seguindo os princípios dos "brandos costumes" e de “isto não vai acontecer” (assim a modos de quem diz “não há-de ser nada”, «é só fumaça», “só acontece aos outros”), lá vão deixando os seus cidadãos numa Díli quase deserta e a vinte mil quilómetros de distância de Lisboa.

Que Deus os proteja.

sábado, 6 de maio de 2006

ATÉ METE DÓ

OU O ESTADO A QUE O BENFICA CHEGOU

Escreve o Diário Digital:

Koeman «confia» no Braga para chegar ao segundo lugar.

O treinador do Benfica, Ronald Koeman, disse hoje ainda acreditar no segundo lugar, de acesso directo à Liga dos Campeões de futebol, confiando numa vitória do Benfica em Paços de Ferreira e no Sporting de Braga em Alvalade.

«Temos de pensar em ganhar ao Paços de Ferreira e depois esperar o resultado do Sporting-Sporting de Braga. Tenho confiança que o Braga e o seu treinador (Jesualdo Ferreira) vão fazer o máximo para complicar a vida ao Sporting»

O problema não está na esperança que o homem vaca possa ou não ter de que as coisas sucedam de determinada maneira; o problema está em, depois de o homem vaca ter dito na semana passada que os jogadores do Rio Ave eram desonestos, vir de novo, hoje, o mesmo vaca revelar desconfiança na honestidade dos profissionais do Sporting de Braga (treinador incluído) a ponto de os vir pressionar publica e desavergonhadamente.

Este holandês leiteiro a princípio parecia ser uma espécie de José Peseiro dos Países Baixos, mas veio a revelar-se ultimamente um misto de Octávio Machado e Valentim Loureiro.

E um bom aluno do honestíssimo José Veiga.

ELEIÇÃO À LA COREANA

Os delegados ao congresso do PSD elegeram ontem o seu Kim IL Sung com 91% dos votos expressos. As quase unanimidades deste calibre costumam ser a passadeira vermelha que conduz à porta de saída dos partidos. É como quando vêm os presidentes dos clubes de futebol declarar «total apoio ao treinador» - passadas umas quantas semanas lá vai o treinador de escantilhão pela porta fora.

terça-feira, 25 de abril de 2006

SHAME ON YOU

SHAME ON YOU MR. SÓCRATES
A esquerda, que julgava ter um Governo e o está a perder (ou já o perdeu) para a direita, acaba de ganhar um Presidente da República que julgava ser de direita e que hoje surpreendeu meio mundo com o discurso que acaba de fazer.

O discurso de Cavaco Silva, hoje, no Parlamento, na cerimónia do 25 de Abril, constituiu um valente murro no estômago da direita (e no estômago do Governo Sócrates).

Cavaco, que alguns sempre disseram nunca ter sido de direita, mostrou hoje enormes preocupações com a larguíssima parte mais desfavorecida da sociedade portuguesa (parte em que em certos aspectos foi integrada a classe média) reclamando veementemente uma política de inclusão social dos mais desfavorecidos (afinal aqueles que são vítimas de exclusão social).

O PCP e o Bloco de Esquerda não aplaudiram o discurso por motivos apenas ideológicos; O PSD aplaudiu por oportunismo político; o PS de Sócrates, desagradavelmente surpreendido, não aplaudiu; mas o PS não socrático, aquele que não está com o Governo mas ainda tem medo de o dizer, aplaudiu com algum vigor.

Cavaco trouxe hoje uma réstia de esperança à esquerda.

QUEM DIRIA!...

Reeditada às 15:04
Os arautos da direita já começaram a bater em Cavaco.
No "Blasfémias", João Miranda já reagiu dizendo:
«Parece que o discurso do Cavaco foi escrito pelo Sampaio».

Também a Helena Matos já botou faladura contra Cavaco.

Pacheco, esse, está noutro registo.

HERESIA E MENTIRA NO PARLAMENTO

Estou a ouvir todos os discursos que estão ser feitos esta manhã no Parlamento, na cerimónia de comemoração do 32º aniversário do 25 de Abril.

Tudo o que até agora foi dito era o esperado (do Bloco de Esquerda, do CDS, do PCP e do PSD). Mas fico de boca aberta ao ouvir Vera Jardim, do PS. Porque, primeiro parece que ele e Sócrates pertencem a partidos diferentes pois que ele defende ideologicamente aquilo que Sócrates não cumpre no Governo; e segundo, porque ele acaba por dizer depois que Sócrates anda a cumprir aquilo que o PS defende. Uma confusão tremenda que nos leva a concluir que a intervenção de Vera Jardim teve dois propósitos antagónicos: dizer-nos que o PS é de esquerda e defende o que não vemos o Governo praticar; e defender o seu secretário-geral, o chefe desse mesmo PS, José Sócrates, utilizando para tal aquilo que no mínimo é uma heresia política que contém uma mentira: o agradecimento ao Primeiro-Ministro (está aqui a heresia) por estar a levar a cabo as políticas defendidas pelo PS (e esta é a mentira).

25 DE ABRIL DIA DA LIBERDADE

Invertendo esta posta do “Blasfémias”, hoje, no dia de mais um aniversário do 25 de Abril criador do Portugal Democrático, faz todo o sentido escrever o seguinte:

Suponho que nesta altura a ideia deve ter sentido para alguém. Não estou a ver bem para quem, mas deve haver alguém pelo meio que acredite que o método poderá produzir desenvolvimento. E qual é o método? Assaltar a função pública e tal como as empresas colocá-la nas mãos dos privados, roubar o erário público e distribuir os recursos financeiros do Estado aos capitalistas mais retrógrados e incapazes da União Europeia, proibir o direito ao trabalho dos cidadãos, aumentar os lucros dos bancos mediante a redução drástica dos impostos a eles aplicáveis, colocar o destino das vidas dos portugueses nas mãos de empresários sem escrúpulos ou formação, permitir aos empresários o regabofe geral sobre a riqueza nacional, abrir sectores estratégicos para a sobrevivência nacional à incompetente e catastrófica iniciativa privada, distribuir terras e empresas públicas por quem não tem nem os meios nem a competência para as trabalhar, imitar economias falhadas, diminuir drasticamente os salários e as pensões, subsidiar empresas falidas com a dívida pública e entregar a economia aos caprichos de privados incompetentes e sem escrúpulos. «Este é o plano para concretizar o D de Desenvolvimento». Com surpresa, alguns acabarão por perceber que não resulta. Outros talvez não.

P.S. Só quem não viveu antes do 25 de Abril ou não conhece a História pode acreditar na incompetente classe empresarial portuguesa. Teve um Império nas mãos durante 500 anos. E ao contrário de outras potências coloniais (Holanda, França, Inglaterra, Espanha) viveu sempre de tanga e de tanga ficou com o fim do Império. E há quem queira agora convencer-nos que se compra competência a metro em algum supermercado mundial.

domingo, 23 de abril de 2006

A REALIDADE E OS ERROS

OU DE COMO É FÁCIL NOS ANGANARMOS

Foto retirada (sem autorização) do blogue "Abrupto"

Eis um exemplo claro de como o subjectivismo nos pode atraiçoar o raciocínio crítico.

Leia-se a posta de JPP e a resposta do leitor, Rui Almeida.

A inscrição num pilar da Ponte 25 de Abril, que a fotografia mostra, mereceu de Pacheco Pereira determinada interpretação.

Ao esclarecer que “Dr. Salazar” é hoje o nome de uma banda de música, o leitor escangalhou completamente o exercício interpretativo de Pacheco Pereira.

Agora pergunto: quantas outras afirmações aparentemente categóricas de Pacheco Pereira (e de muitos outros) na sua função de comentador político terão já enfermado do mesmo tipo de erro?

PICASSO RESPONDE AO CORREIO

Aumente clicando na imagem
Recebi algum correio electrónico alertando-me para o sacrilégio que Picasso teria cometido ao participar, pela Páscoa, num ensaio doméstico da “cerimónia do lava-pés”. E houve até quem lhe chamasse «ateu».

Posto perante o conteúdo do correio, o meu gato não esteve com cerimónias. E declarou: «diz lá a esse pessoal que eu não sou ateu; sou é agnóstico – o que é coisa bem diferente».

Ainda no outro dia estávamos os dois a ver uma série da National Geographic Channel sobre felinos em que se mostrava um imponente tigre malaio. Nisso o Picasso, muito impressionado, fazendo menção de se ajoelhar, interrogou-me num último momento de dúvida: – será este o meu Deus?

Ao que eu lhe respondi: – É um simples tigre, ó Picasso. Então, qual é a tua?

Bolas – disse o Picasso – Estava mesmo a ver que ainda tinha que ir todos os domingos à missa dos animais no Jardim Zoológico. Safaste-me agora de boa. Imagina só a carrada de pulgas que eu havia de trazer de cada vez que lá fosse. Acho mesmo que o melhor ainda é tornar-me ateu. Bolas! Pulgas! Eu?!

sábado, 22 de abril de 2006

XÔ! SEU “BRASILEIRO”



JPP escreveu esta pequenina posta no seu Abrupto (realces da minha responsabilidade):

«Nós temos o nacionalismo típico dos pobrezinhos: o astronauta brasileiro foi quase sempre designado no Telejornal das 12 horas da RTP1 como "lusófono", e o ter-se falado português no espaço como o evento principal da viagem. Como se Portugal tivesse algum mérito, algum papel, na ida para o espaço do nosso estimado brasileiro

Escrito assim, isto até parece apenas uma crítica ao provincianismo português. Mas contém, inegável e indisfarçavelmente, um feio gesto de chega p’ra lá, seu “brasileiro”.

Será que os brasileiros fizeram ultimamente algo a JPP?

sexta-feira, 21 de abril de 2006

CRUCIFICADO

Lá na Grande Loja continua foguetório cerrado. E o bombo da festa é Pacheco Pereira.

Mas não tem de que se queixar. Pôs-se a jeito quando, num momento de exaltação, se assumiu neste texto como que o Amurabi* da blogosfera portuguesa.

Já antes, no dia 10/04/06, tinha metido espectacularmente o pé na poça quando, recusando aos brasileiros a prerrogativa de falarem a língua portuguesa, escreveu: «À minha volta fala-se brasileiro, língua dos empregados de restaurante em Portugal, produto da globalização.».

A ofensa aos brasileiros - não sejamos minimalistas - foi grande. Foi como se um inglês algum dia escrevesse ou dissesse: "À minha volta fala-se americano, língua de soldados no Iraque, produto da globalização".

Mas JPP pode bem com estes ataques e reacções adversas às suas opiniões. O que não consegue é evitar o fenómeno de dessacralização (com concomitante crucificação) que vai acontecendo à imagem de comentador imparcial e descomprometido que ao longo do tempo, um pouco persistentemente, tentou criar.

Enfim, vicissitudes de quem anda à chuva.

(*) Também se encontra grafado como Hamurábi e Hammurabi.

VÊM AÍ OS “VELHÕES”

OU UM GOLFINHO NA CAPOEIRA
Quando os políticos dizem alguma coisa; quando os governantes dizem alguma coisa; é preciso saber ler muito para além do significado das palavras para se saber o que querem dizer. É preciso não se ser ingénuo.

Tenha-se em atenção o seguinte: a propaganda deste Governo parece ser feita por uma central competente de grandes especialistas em marketing e publicidade. Central de tal maneira competente que é capaz de nos convencer a levar para casa, comprado com o dinheiro que não temos, um golfinho verdadeiro para colocarmos na piscina que para o efeito devíamos ter mas também não temos.

É disso que se trata quando nos vêm falar dos extremos, carinhosos e luxuosos cuidados de saúde que pretendem oferecer aos nossos queridos velhinhos tão abandonados, coitadinhos, pelas suas famílias.

Embora nos estejam a falar no «aumento das camas hospitalares destinadas a este tipo de pacientes, no aumento das equipas de centros de saúde que prestam apoio domiciliário e numa maior ligação entre os hospitais e as instituições de apoio social, como lares e centros de dia» o que parece pretender-se verdadeiramente é privilegiar estes últimos aspectos: os lares e os centros de dia. Porque se poupará muito dinheiro aliviando os hospitais desse tipo de doentes. Doentes que não terão nos “velhões” a mesma qualidade, e muito menos a mesma assiduidade de tratamento que têm nos hospitais.

Trocado por miúdos, o que o Governo (com ou sem intenção) vai acabar por fazer com a criação dos tão propalados “cuidados continuados” é aumentar o número de armazéns para velhos (acabará por criar “velhões” à moda dos vidrões), armazéns onde se depositará os velhos para que estes não ocupem camas hospitalares que são muito caras de manter quando ocupadas pelos mesmos doentes, sobretudo quando esses doentes são pessoas definitivamente acamadas e “ameaçam” fazer ocupações longas - quiçá até à morte.

Concordo plenamente que as camas hospitalares sejam destinadas a doentes com possibilidades de recuperação a curto, médio prazo. É que também me saem do bolso as ocupações de longo prazo, confesso.

Mas não creio que os privados que exploram os lares tenham a virtude de dar uma assistência mesmo que apenas sofrível aos inúmeros doentes crónicos e idosos que lhes serão postos nas mãos quando se criarem os tais “velhões”. A lógica do lucro falará mais alto. O que é normal e não é condenável. Condenável é que se tomem decisões que permitam que tal lógica venha a vingar nos cuidados que é suposto prestar-se aos velhinhos - como se se estivesse a dar a estes o melhor dos mundos para os seus últimos dias.

Vai aumentar, com toda a certeza, o sofrimento dos doentes crónicos acamados e dos doentes terminais. Disso não se tenha a menor dúvida.

E era bom que você que me lê também as não tenha. Porque se tiver a desdita de chegar a velho e não tiver familiares que tratem de si – estará tramado, meu caro. Passará as passas do Algarve antes de morrer. E se forem só as do Algarve até me quer parecer que terá muita sorte.

Reeditado às 6:53 AM de 22 de Abril de 2006

REGISTO

ISTO ESTÁ A FICAR BONITO.

José, da Grande Loja,


desanca Pacheco Pereira .

quinta-feira, 20 de abril de 2006

UMA HISTÓRIA PARA CRIANCINHAS

Desde os primeiros tempos de Luís Filipe Pereira como ministro da Saúde do Governo de José Barroso; passando pelo mesmo Luís Filipe como ministro do Governo surreal de Santana Lopes; e continuando, nos três primeiros meses do actual Governo, com o ministro Correia de Campos; a palavra de ordem para o sector da Saúde parece ter sido sempre:

Toca a trabalhar malandros!

Toca a aumentar a produtividade, seus mandriões de uma figa!

E toca de gastar menos dinheiro, seus esbanjadores!

Para conseguir esse desiderato, os dois primeiros governos acima nomeados engendraram e nomearam para dirigir, com sucesso comercial, as linhas de produção das fábricas, perdão, dos hospitais públicos, autênticas administrações fabris - com experiência reconhecida na EDP, na GALP, em fábricas de salsichas, de parafusos, etc. - administrações essas que, na sua acção, primaram pela eficácia (a sério, isto é verdade) adoptando como uma das primeiras medidas a exigência do aumento do número de consultas externas. Outra medida emblemática foi o ultra propagandeado PECLEC (programa especial de combate às listas de espera cirúrgicas).

Atente-se na palavra combate que, no nosso entender, mostra bem o voluntarismo, a certeza, a determinação, a fúria com que se arrancou rumo à vitória e à poupança do erário público.

Agora é que era! Agora é que a produtividade hospitalar ia mesmo aumentar e atingir números mágicos que talvez até os levassem a conseguir lucros fabulosos no mercado da Saúde.

...

As coisas começaram a funcionar como o previsto:

aumentou-se o número de consultas

e aumentou-se o número de intervenções cirúrgicas (que passaram a também poderem ser realizadas pelo sector privado, com o Estado a pagar).

Tic-tac, tic-tac, tic-tac.

O tempo foi passando...

Até que...

- Aqui d’el rei que a despesa está a aumentar!

- Mas afinal o que é isto?!

- O que é que se está a passar?

Foi então que se ouviu uma voz funda vinda lá do cimo da copa de uma azinheira da Quinta Pedagógica:

«O que se passa é muito simples, senhores gestores industriais, salsicheiros e de ferragens.

O que se passa é que:

Mais consultas significam mais receitas médicas.
Mais receitas médicas significam mais medicamentos.
E mais medicamentos significam mais despesa.

Mais consultas significam mais exames complementares de diagnóstico.
E mais exames complementares de diagnóstico significam mais despesa.

Mais cirurgias significam mais gasto de material cirúrgico e de medicamentos;
e significam mais dias de internamento.
E tudo isso junto significa mais despesa

«Ai é!? E nós que julgávamos que o aumento de produtividade levava sempre ao aumento dos lucros!» - Disseram em coro as bocas das cabecinhas pensadoras das administrações.

E desde esse dia nunca mais se pronunciou a palavra produtividade nos hospitais.

E as administrações de tipo fabril começam lentamente, e bem, a ser substituídas por outras: talvez menos "eficazes", talvez menos voluntariosas, talvez menos "produtivas". E talvez menos gastadoras.

domingo, 16 de abril de 2006

ASSIM NÃO DÁ

Sporting 0 – Estrela da Amadora 0

Assim o Sporting não conseguirá garantir o 2º lugar do campeonato.

E a culpa é, toda ela, de Paulo Bento.

Não se pode perdoar a Paulo Bento o não ter feito alinhar Michael Essien, Frank Lampard, Didier Drogba e Herman Crespo.

Quando se possui artistas deste gabarito e se os deixa ficar no banco, o jogo só podia mesmo dar num empate, pois o resto da equipa do Sporting é igual ou pior que a do Estrela da Amadora.

sexta-feira, 14 de abril de 2006

UMA TRADIÇÃO MILENAR


Picasso participa num ensaio doméstico da cerimónia do lava-pés.

Reeditado às 0:22AM de 15 de Abril

ESTE NÃO É O MEU SUPREMO

Num acórdão recentemente divulgado pelos meios de comunicação social, o Supremo Tribunal de Justiça, num caso de maus-tratos a menores, pronunciou-se nos seguintes termos:

«Qual é o bom pai de família que, por uma ou duas vezes, não dá palmadas no rabo dum filho que se recusa ir para a escola, que não dá uma bofetada a um filho que lhe atira com uma faca ou que não manda um filho de castigo para o quarto quando ele não quer comer?
Quanto às duas primeiras, pode-se mesmo dizer que a abstenção do educador constituiria, ela sim, um negligenciar educativo.»


Lê-se e não se acredita!

Sabemos bem que os tribunais, por mais superiores que sejam, são constituídos por pessoas em tudo semelhantes aos demais cidadãos, diferenciando-se destes apenas por possuírem preparação técnica específica na área da justiça.

Daí que se entenda que possam errar tal como qualquer comum mortal que habita o planeta.

E neste acórdão, no meu entender, o Tribunal Supremo errou. Errou, não em matéria de Justiça, mas em matéria clínica; em matéria médica. E produziu um acórdão deplorável.

Não se encontra manual pedagógico nenhum, tratado nenhum de psicologia infantil, manual terapêutico psiquiátrico nenhum – tudo material científico rigorosamente concebido após estudos e investigações aprofundados, debates e experiências várias – que dê a mais pequena cobertura às teses do Supremo. Antes pelo contrário: não se deve dar tabefes e bofetadas às crianças, e não se deve castigar as crianças aprisionando-as em quartos escuros como método educativo. Isso é condenável.

Esta minha afirmação é corroborada pelo professor de Educação Especial e Reabilitação da Universidade Técnica de Lisboa, David Rodrigues, que declarou ao Diário de Notícias: "Não há qualquer referência, em lado algum, à punição como forma de aprendizagem para qualquer criança, com deficiência ou não".

Mas o Supremo Tribunal de Justiça disse o contrário.

E errou.

Para um melhor juízo do leitor aqui tem a ligação para o texto integral do acórdão em causa

quinta-feira, 13 de abril de 2006

O PAPA MANDA EM DEUS

MAIS UM DISPARATE DA IGREJA CATÓLICA

Por estas bandas o agnosticismo militante sempre nos fez sorrir das coisas que a Igreja Católica diz por vezes com enorme solenidade.

Lê-se hoje no Portugal Diário que «Passar demasiado tempo a ler jornais, a ver televisão ou a navegar na Internet são alguns dos «novos pecados» anunciados pela Igreja Católica.» «O anúncio de que estas actividades passaram a ser pecadoras foi feito ontem no Vaticano pelo Cardeal James Francis Stafford, Penitenciário-Mor, ao presidir ao Rito da Reconciliação, celebração que era tradicional em Roma até ao Renascimento.»

Presume-se, do que se conhece das regras do Catecismo, que quem morrer sem confessar estes pecados irá parar ao inferno.

Isto é o Vaticano e exorbitar as suas funções de Estado e a ordenar a Deus que passe a castigar mais estes pecadores com o fogo eterno.

ALTO! ISTO É UM ASSALTO

No mundo do futebol português, quando há património por delapidar e ainda cheira a dinheiro, aparecem sempre candidatos disponíveis para se “imolarem” no sacrifício terrível de conduzir o clube à miséria.

É o que acontece no SCP (Sporting Clube de Portugal) que já tem três protocandidatos à presidência do clube.

Mas quando não há património nem cheta, é vê-los escassearem que nem espécimes raras em vias de extinção.

É o que se perspectiva acontecer no Benfica que, coitado, ao que parece só terá um recandidato (o actual presidente) empurrado à força por uns quantos amigalhaços que, na falta de património e de cheta, se contentam apenas com o aparecerem na TV de vez em quando.

sábado, 8 de abril de 2006

QUEM PODE, PODE

A memória costuma ser curta mas creio que ainda há quem se lembra no que deu o episódio caricato da fúria de Alberto João Jardim contra a presença dos chineses na Madeira: o embaixador chinês foi de imediato até ao Funchal, pôs em sentido os responsáveis do Governo Regional da Madeira e mandou calar Alberto João.

O qual, ao contrário do que sempre fora seu hábito, meteu o rabo entre as pernas e nunca mais falou dos chineses.

É, de facto, preciso ter muita força e poder para mandar calar um troglodita como Jardim que nunca por nunca nenhum Presidente da República e nenhum chefe do seu partido, o PSD, conseguiu fazer calar. Enfrentou-os sempre, a todos, e continuou sempre a dizer bacoradas sobre bacoradas desafiando-os sem pudor ou contenção.

Vem isto a propósito da “rusga” que as autoridades sanitárias fizeram há bem poucos dias aos restaurantes chineses em Portugal. Pelo que foi noticiado, 14 deles foram de imediato encerrados por falta de higiene. Mas o pior, para os chineses, terá sido a passagem das filmagens que se fizeram sem autorização dos proprietários dos restaurantes, filmagens que a SIC (e aqui há um mistério a desvendar: porquê só a SIC teve conhecimento da “rusga”; e quem a avisou?) realizou no interior dos mesmos e apresentou pornograficamente ao público mostrando o desmazelo reinante nas cozinhas desses restaurantes.

Quem como nós viveu na China e conhece bem a mentalidade, a susceptibilidade e o sentido da honra dos chineses, sabe bem o quão funda foi a ofensa que nesse caso lhes foi feita. Acabaram de fazer aos chineses aquilo que eles menos gostam na vida: fizeram, com a “rusga” e a sua divulgação pornográfica, que os chineses “perdessem a cara”.

E quem faz “perder a cara” a um chinês, faz-lhe a maior das ofensas. E compra a maior das guerras.

Para já a SIC foi obrigada, há dois dias, a convidar o responsável pela ASAE (A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica) - entidade que executou a “rusga” e encerrou 14 restaurantes - a prestar declarações ao telejornal daquela estação de televisão, tendo-se o mesmo desculpado com o argumento de que «não fiscalizamos apenas restaurantes chineses, mas também padarias e pastelarias portuguesas». Só não explicou porque é que quando fiscalizam as tais padarias e pastelarias não levam atrás as câmaras da SIC para mostrar a coisa ao grande público. Nessas declarações o mesmo responsável da ASAE terá confirmado ter aceitado um convite para almoçar com o embaixador chinês em Lisboa.

E agora, o mesmo homem que fora à Madeira mandar calar Alberto João vai dizer mais ou menos isto ao responsável da ASAE quando almoçarem:

- Para começar, acabou-se a perseguição aos comerciantes chineses. E independentemente do que vierem a fazer para reparar os prejuízos que acabam de provocar aos proprietários dos restaurantes (a afluência aos mesmos caiu 50% na sequência da “rusga” da semana passada), o Governo de Pequim decidiu já suspender a apreciação de “X” projectos empresariais portugueses na China, e pondera o cancelamento de encomendas, no valor de “Y” milhões de euros, que tínhamos feito à indústria portuguesa.

Para além disso exigimos que organizem um programa de reabilitação da imagem dos restaurantes e do comércio chinês em Portugal.

Transmita isso aos seus superiores e passe muito bem.


Aposto que dentro de pouco tempo vamos ter os meios de comunicação a louvar e a publicitar "gratuitamente" (alguém há-de pagar) os restaurantes chineses.

Havemos de ver se sim ou não.

É que... quem pode, pode mesmo!

quinta-feira, 6 de abril de 2006

UMA BOA E BELA ALTERNATIVA

Fernando Venâncio, do Aspirina B, acha que estar, por exemplo, pregado toda a vida atrás de um balcão a vender suspensórios é uma vida melhor que a dos miúdos que, segundo ele, em Dublin, protegidos pelo Estado católico, e por isso não necessitados de um emprego, passam a vida na bebedeira.

Eu não vejo em que é que uma bebedeirazita diária não é bem melhor que o tédio de, por exemplo, um emprego atrás de um balcão a vender suspensórios. Toda a vida.

E até acho que é bem melhor andar na bebedeira do que a trabalhar monotonamente. Se se puder, claro, andar na bebedeira. Mas ao que parece, aqueles miúdos podem.

Parafraseando o nosso “ex”, Sampaio, apetece-me dizer:

Há mais Vida para além do Trabalho.

domingo, 2 de abril de 2006

BOM DOMINGO

A minha capacidade imaginativa permanece no Buraco Negro em que entrou desde há doze dias. Resta-me a esperança de, tal como acontece na Física e na Astronomia, o buraco não ser nem negro nem buraco.

Como me apetece estar activo e não me desgosta andar por aqui na blogosfera a passarinhar, aproveitei os grandes passeios que tenho dado nela (blogosfera) e refiz em parte a lista, aqui ao lado, dos blogues que habitualmente mais visito.