Há um mês comprei uma pequena caixinha, o PAP2 da Linksys, activei um contrato com a empresa Netcall e passei assim a usufruir de:
1) SMS gratuitos e sem limite para telemóveis de todo o mundo;
2) Telefonemas gratuitos para utilizadores da rede Netcall;
3) Telefonemas para números fixos e telemóveis dos Estados Unidos ao custo de €0,017, isto é: 4$00 antigos por minuto de conversação. Pela PT paga-se €0,30, isto é, 60$00 antigos (quinze vezes mais caro);
4) Telefonemas a preços muito mais baixos do que os da PT para qualquer destino no globo terrestre. Exemplo: Cabo Verde €0.24, isto é, 50$00 ao minuto. Pela PT são €0,84, isto é, 170$00 ao minuto (maior que três vezes mais); MACAU €0,017, isto é, 4$00 antigos por minuto; pela PT paga-se €1,267, isto é, (setenta e quatro vezes mais);
5) Emissão de Fax aos baixos custos acima referidos;
6) Não pagamento de qualquer taxa ou aluguer de equipamento;
7) Não obrigatoriedade de consumo mínimo: faz-se o “carregamento” da conta quando e na importância que se quiser.
Quer dizer: exercitei uma parte, pequenina embora, mas uma parte interessante da minha liberdade de escolha. E beneficiei com isso.
As minhas contas dizem-me que vou gastar entre um terço a um quinto do que pagava à PT pelo serviço de telefone fixo. Nada mau.
Nota:
Confira as tarifas da PT aqui.
E confira as tarifas da Netcall aqui.
sábado, 10 de junho de 2006
O PUZZLE TIMORENSE

Interessante esta entrevistade Mari Alkatiri ao Expresso. Em que se percebe, nas entrelinhas, que Xanana Gusmão tem tanto de cordeiro como de lobo. E que há, no Governo, uma rolha boiante (Ramos Horta) no papel de contra-espionagem bilateral – “representa” Xanana e é, ao mesmo tempo, ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo de Alkatiri -: uma situação complexa que não augura uma solução rápida para os intrincados problemas políticos que Timor vive neste momento.
sexta-feira, 9 de junho de 2006
PERGUNTA INDISCRETA
domingo, 4 de junho de 2006
NA FEIRA DO LIVRO
BILHETE POSTAL – 15 de Fevereiro de 2000
Remetente
Luís Pacheco
em viagem para o PARAÍSO
Via TAP
(carimbo de 16/02/2001)
Destinatário
Senhor RAPOSÃO
Livraria UNI-VERSO
Rua do Concelho
2900 Setúbal
5.ª feira, 15/Fev./2001
Caro Colega Editor e Livreiro e Nobre Amigo:
Fugi do Montijo, vai para 1 mês. Apaixonei-me por uma gaiata (21 anos), casada e o corno do marido queria dar-me um TIRO. Vá dar tiros no “buraco” certo que era onde a esposa não tinha o TIROTEIO que desejava (e eu não podia compensar).
Saudades do além-Tejo só do Carlos César(1), que foi à minha frente, para encenar a minha chegada triunfal. Se vires o Bocage, dá-lhe um poema teu.
Abraço
L. Pacheco
(1) Setubalense dedicado ao teatro, já falecido à data desta missiva.
Do livro “Cartas ao Léu”
Autor: Luís Pacheco
Editora: quasi
Remetente
Luís Pacheco
em viagem para o PARAÍSO
Via TAP
(carimbo de 16/02/2001)
Destinatário
Senhor RAPOSÃO
Livraria UNI-VERSO
Rua do Concelho
2900 Setúbal
5.ª feira, 15/Fev./2001
Caro Colega Editor e Livreiro e Nobre Amigo:
Fugi do Montijo, vai para 1 mês. Apaixonei-me por uma gaiata (21 anos), casada e o corno do marido queria dar-me um TIRO. Vá dar tiros no “buraco” certo que era onde a esposa não tinha o TIROTEIO que desejava (e eu não podia compensar).
Saudades do além-Tejo só do Carlos César(1), que foi à minha frente, para encenar a minha chegada triunfal. Se vires o Bocage, dá-lhe um poema teu.
Abraço
L. Pacheco
(1) Setubalense dedicado ao teatro, já falecido à data desta missiva.
Do livro “Cartas ao Léu”
Autor: Luís Pacheco
Editora: quasi
terça-feira, 30 de maio de 2006
MICRO CAUSA (PRÓPRIA)
[Dantes fora o inferno das labaredas no estômago. Agora, devagarinho, cuidadosamente, com gestos lentos de levitador profissional, como um ladrão que pisa folhas secas por baixo da janela do dono da casa, cá vou ensaiando o acompanhamento líquido das refeições - primeiro água natural, depois chás descafeinados, agora água tónica ou coca-cola, depois... depois talvez um gole de vinho tinto a acompanhar um prato de bacalhau.]Mas para quando, meu Deus, um whisky, um conhaque, um perfumadíssimo Palácio da Brejoeira?!
Para quando o regresso ao rafting, ao parapente, ao salto de pára-quedas, ao puro prazer das touradas de morte. De copo na mão!
É assim tão difícil vencer o Helicobacter, a Natureza, o determinismo do código genético, ou mesmo Deus?!
domingo, 28 de maio de 2006
"AQUELE AMIGO DAS BORGAS"
Agostinho Oliveira, treinador da selecção dos sub21 de Portugal, terá declarado aos jornalistas:«Continuo a acreditar [no apuramento], tal como o Einstein o fez».
Aqui e aqui já gozaram à farta com a frase do treinador dos sub21.
Eu não tinha era reparado que para além do absurdo e do risível daquela frase, o grande Agostinho diz: «o Einstein». Isto é: “aquele gajo porreiro que bebia uns copos com a gente ali na tasca da esquina”.
TIMOR JÁ ESTÁ A ARDER
Como os serviços secretos americanos e australianos tinham previsto, vinha aí (já veio) chumbo grosso em Timor. Por isso prepararam e executaram a evacuação atempada dos seus cidadãos.Lembremo-nos que esses dois países ofereceram a Portugal a oportunidade de fazer o mesmo aos portugueses residentes em Timor. Absurdamente armado ao pingarelho, o governo português, mostrando-se ofendido com a oferta, recusou-a liminarmente.
Agora que o braseiro está aceso e já não há civis americanos e australianos em Timor, é ver o espectáculo triste e lamentável de civis portugueses dormindo na rua, ao relento, nas imediações do aeroporto de Díli, à espera que alguém os tire de lá para fora.
Não fora a “ingerência” (no dizer de Freitas do Amaral) dos australianos, que enviaram militares para Timor, mesmo antes da autorização da ONU, a esta hora algum português poderia já estar feito em churrasco.
O que vale é que a Austrália está sempre de olho em Timor e ao menor burburinho aparece para tomar conta da situação cortando as vazas à Indonésia. Eu sei que é por causa do petróleo de Timor, eu sei!; mas ao menos a Austrália não faz cabidela com o sangue dos timorenses.
quarta-feira, 24 de maio de 2006
DELIRIUM TREMENS
Depois de uma endoscopia alta e duas biopsias à mucosa do bandulho, concluiu-se que o meu estimado estômago era vítima de gastrite crónica associada à presença de Helicobacter Pylori.Assim, desde há quatro dias que estou submetido a um tratamento brutal com doses maciças de antibióticos e de um inibidor da bomba de protões.
Hoje, ao quarto dia de tratamento, já me apeteceu uns camarões fritos à minha moda, regados por larguíssimos litros de cerveja. Isto significa que o rapaz está aí, está curado.
domingo, 21 de maio de 2006
RDP ANTENA 2
UMA CORRESPONDÊNCIA EDIFICANTE
Eis uma breve correspondência entre um ouvinte anónimo (eu) e o senhor director-adjunto da Antena 2, Sr. João Almeida.
Email de protesto enviado por mim:
«A quem de direito na Antena 2:
Basta dessa diarreia de palavras; dessa incontinência verbal permanente; desse desfiar ininterrupto de historietas sem interesse, cheias de banalidades – basta desse atentado anticultural que, salvo raríssimas excepções, se está a perpetrar quotidianamente aos microfones da Antena 2 da RDP.
Queremos música erudita!
Não queremos palavras, palavras, palavras!
Não queremos o lixo palavroso que nos tem sido servido!
Chega! Estamos todos fartos de sofrer com a situação actual da Antena 2.
Manda a mais pequenina réstia de bom senso que quem de direito dê uma varridela profunda na Antena 2 e lhe devolva a dignidade que já teve e que deve continuar a ter.»
Resposta do senhor director-adjunto [Com três chamadas de atenção, da minha responsabilidade, para erros ortográficos contidos no texto]:
«Senhor ouvinte.
Com que direito fala na 1ª pessoa do plural? "Queremos"? "Estamos todos"? Quem o nomeou ou mandatou para se apresentar como representante de todos? Porque se acha no direito de representar todos os ouvintes? Que presunção é essa? Porque não demonstra alguma modéstia e diz antes "quero", ou "estou farto"? Fique sabendo que não pensam "todos" como o senhor.
E mais: fique sabendo que NENHUMA rádio estatal clássica se comporta como rádio gira-discos. TODAS têm locução, ocupando com palavra, em média, cerca de 25% do tempo de antena (dados da UER - União Europeia de Rádios). A Antena 2 tem, ao longo de um dia, em média, 20% da emissão ocupada com locução. As rádios que têm menos tempo de locução são privadas e baseiam-se em play-lists(1), ou seja, são máquinas, e não pessoas, que escolhem a música. O senhor, obviamente, não gosta de ouvir falar porque já sabe tudo o que há para saber, e não precisa de (ou não quer que) ninguém que lhe diga nada. Mas, sendo esse o caso, escolha o senhor a sua própria música. Use CD's. A Antena 2 não se dirige a quem tem a certeza de que sabe tudo e não quer ouvir ninguém a falar. Dirige-se aos outros, que não conhecem tudo, ou pelo menos não têm essa presunção... e têm curiosidade em saber mais.
A Antena 2 feneceu ao longo de anos, com o auditório a envelhecer, tendo a média de idades passado de 45 para 55 anos ao longo de uma década. Isto quer dizer que eram sempre os mesmos a escutar, e que íam(2) envelhecendo, ou até morrendo, sem que a A2 mobilizasse as novas gerações. Os últimos estudos de audiências (ao longo do último semestre) comprovam que o auditório da A2 rejuvenesceu, com a média etária dos ouvintes a passar dos 55, de novo, para os 45 anos, e com tendência para rejuvenescer ainda mais. Significa que o auditório está a mudar, com pessoas mais jovens, algo que o deverá certamente enervar, já que o senhor, claramente, não gosta do nosso tempo. Problema seu. Não queira é impôr(3) o seu parâmetro aos outros, nem ter a pretensão de que representa todos... porque na verdade, simplesmente, só se representa a si próprio.
Passe bem.
João Almeida»
[ (1) Escreve-se playlists e não “play-lists”]
[ (2) Escreve-se iam (sem acento agudo no “i”) e não “íam”]
[ (3) Escreve-se impor (sem acento circunflexo) e não “impôr”]
Contra-resposta minha:
«Senhor João Almeida:
A sua resposta ao meu protesto merece-me a seguinte contra-resposta:
Quem preza a Língua Portuguesa sabe que o uso da primeira pessoa do plural pode ser feito por qualquer sujeito individual quando este pretende retirar a um texto ou fala a carga de arrogância que o uso da primeira pessoa do singular lhes transmitiria. Faça este exercício simples e conclua por si: pegue no texto do meu protesto e substitua o plural pelo singular e veja a diferença. Não que o texto que lhe enviei não continuasse, mesmo assim, a ser arrogante; mas, lendo a sua resposta, se calhar, o senhor mereceria que o tivesse escrito na primeira pessoa do singular.
Mesmo sem "nomeação" ou "mandato" sempre lhe vou dizendo que se estivesse minimamente atento ao que se escreve (nos blogues, por exemplo) admitiria que eu pudesse, falando no plural, como ouvinte, interpelar "quem de direito na Antena 2" (não a si pessoalmente) sobre aquilo que no meu entender (e, pelos vistos, não só no meu) é o mar de palavras sem interesse que hoje afoga a música nessa rádio.
Só lhe vou dar dois exemplos, entre muitos (com sublinhados meus):
Exemplo I
No dia 04-01-2006, Pacheco Pereira escrevia o seguinte no blogue "Abrupto":»
«BOAS COISAS NA COMUNICAÇÃO SOCIAL PORTUGUESA EM 2005, VISTAS POR UM GRANDE (EM QUANTIDADE) CONSUMIDOR
...
PÉSSIMAS COISAS NA COMUNICAÇÃO SOCIAL PORTUGUESA EM 2005, VISTAS PELO MESMO»
...
«A Antena 2 é demasiado loquaz. Muito se fala naquela rádio, num tom entre o pedante e o falsamente íntimo, tirando limpidez à música. »
«Tem aqui o link para confirmar:
http://abrupto.blogspot.com/2006_01_01_abrupto_archive.html
#113640941290714023
Exemplo II
No dia 11-01-2006 Álvaro José Ferreira escrevia o seguinte no blogue "Bem Comum":»
...
«Admito que a Antena 2 precisasse de alguns ajustamentos de modo a torná-la menos temática e mais ecléctica (a exemplo do canal 3 da BBC Radio), mas parece-me que há uma forma mais adequada e eficaz de conquistar novos públicos para o canal do que fazer cedências à facilidade.
...
Talvez com esta grelha a Antena 2 venha a conquistar alguns dos tradicionais ouvintes da Antena 1 que não se revêem na programação musical que vem sendo implementada. É provável que as audiências subam, mas haverá certamente a fuga de alguns melómanos mais exigentes e exclusivistas da música clássica. Talvez os ouvintes que venham a ser conquistados ultrapassem em número os que vão desertar, mas há uma questão que se impõe: não estará a Antena 2 a desempenhar agora uma parte do papel que caberia à Antena 1?»
« Nota: Estando a RTP e a RDP sob a alçada da mesma administração, e tendo a obsessão com as audiências sido abandonada na televisão, não entendo ela estar a ter a sua máxima expressão na rádio. Tal dever-se-á ao facto da rádio ter menos visibilidade e, como tal, ser descurada pelo poder político? Se alguém tiver uma explicação verosímil, faça o favor de ma dar.»
«Tem aqui o link para confirmar:
http://bemcomum.blogspot.com/2006/01/nova-grelha-da-antena-2-entrou-em.html
Como vê, não estou só.
Certamente não ignora que ainda existem tertúlias em Portugal. Pois então digo-lhe que eu frequento tertúlias onde se debate música e onde se tem falado da programação da Antena 2. É um direito dos ouvintes. Por isso sei o que é que pensam muitas outras pessoas sobre a desvirtuação que a programação da Antena 2 tem sofrido no sentido da sua aproximação qualitativa a um baixo patamar cultural. E também por esta razão julgo também poder falar no plural.
Diz-me que estão a fazer isso para captar mais público jovem. Olhe: aconselho-o a ler "Apocalípticos e Integrados", de Umberto Eco, para conhecer a opinião deste ilustre intelectual e linguista de renome internacional, entre outras coisas sobre a transmissão de conhecimentos eruditos ao grande público. Ficará a saber que Eco é de opinião que quando se quer transmitir conteúdo erudito a alguém não se deve transigir na linguagem (que deve sempre ser erudita) pois que, quando esta não é entendida logo à primeira, obriga o destinatário a cultivar-se até que a compreenda e passe, por isso, a ser um pouco mais culto do que era – quer porque passou a compreender essa linguagem, quer ainda porque passou a ter mais conhecimentos veiculados por essa mesma linguagem (conhecimentos só passíveis de serem bem transmitidos se se não fizer «cedências ao facilitismo»).
Mas se a grande preocupação dos gestores da Antena 2 vai continuar a ser a procura desesperada de (qualquer) audiência, então dou-lhe uma receita infalível: transmitam programas desportivos e antenas abertas sobre o desporto; transmitam relatos de futebol com música erudita nos intervalos. Vai ver que conseguirão captar, num instante, uma larguíssima fatia de ouvintes.
Agora permita-me que lhe diga o quão desiludido fiquei com a qualidade da sua resposta.
Fui saber quem o senhor era e disseram-me que é o director-adjunto da Antena 2 (se me informaram mal peço desculpas).
Então, senhor director-adjunto, é assim, desse modo ligeiro, pesporrente e auto-suficiente, que se permite, no exercício do seu cargo, dirigir-se a um ouvinte anónimo que faz um protesto (indignado embora) contra uma rádio que considera palavrosa e pouco culta? (Rádio que fora, até há pouco tempo, na opinião desse ouvinte, de muito melhor qualidade).
É assim que se responde?
Eu não me dirigi a si pessoalmente. Eu dirigi-me a "quem de direito na Antena 2". Que esse "quem de direito" seja o senhor, muito bem! Mas quando me responde de forma pessoal, sem se identificar do ponto de vista profissional, nos termos ligeiros e pouco dignos em que o faz, desqualifica-se profissionalmente (é a minha opinião) e dá uma péssima imagem da cúpula que hoje dirige a Antena 2.
Não sei se o Conselho de Administração da RDP ficaria contente em conhecer o texto integral do meu protesto e o da sua resposta.
Creio que, no mínimo, ficaria desapontado. Consigo, senhor director-adjunto.
Não sei se quer fazer essa experiência. Quer? É uma hipótese a considerar.
Vá por mim, senhor director-adjunto: quando ocupamos cargos de chefia, ainda por cima ao nível de director ou de director-adjunto, devemos ter estofo suficiente para engolir certos sapos e continuar a dar uma imagem polida do cargo, mesmo quando somos atingidos por aquilo que consideramos injusto (e, em certos casos, até, ofensivo). Devemos alardear superioridade moral (de preferência devemos tê-la efectivamente). Não devemos perder a cabeça e desatar à pancada com cada protestante. É que o senhor é pago também para ser polido e educado
Poderá dizer-me que eu não tenho o direito de fazer o protesto nos termos em que o fiz. Até posso concordar consigo neste aspecto e pedir desculpas. Mas eu sou apenas um simples e anónimo ouvinte e contribuinte fiscal com algum direito à indignação quando acho que esse bem público que é a Antena 2 está a morrer no seu propósito de veicular adequadamente música erudita (ou isso já não faz parte dos estatutos dessa rádio?). Mas o senhor, no cargo que ocupa, está-lhe vedado, deontologicamente, ser malcriado. É que, sendo-o, mancha logo o nome da Antena 2; e o da RDP. Ou será que isso não interessa?!
Para terminar quero ainda dizer-lhe que continuarei a lutar para a melhoria substancial da qualidade da programação da Antena 2, e por uma maior dignificação dessa rádio. Não ficarei pelo protesto que enviei a "quem de direito". Se for preciso chegar mais longe, tentarei consegui-lo. Porque a Antena 2 não é de ninguém em particular. É de todos.
Passe também muito bem.»
Eis uma breve correspondência entre um ouvinte anónimo (eu) e o senhor director-adjunto da Antena 2, Sr. João Almeida.Email de protesto enviado por mim:
«A quem de direito na Antena 2:
Basta dessa diarreia de palavras; dessa incontinência verbal permanente; desse desfiar ininterrupto de historietas sem interesse, cheias de banalidades – basta desse atentado anticultural que, salvo raríssimas excepções, se está a perpetrar quotidianamente aos microfones da Antena 2 da RDP.
Queremos música erudita!
Não queremos palavras, palavras, palavras!
Não queremos o lixo palavroso que nos tem sido servido!
Chega! Estamos todos fartos de sofrer com a situação actual da Antena 2.
Manda a mais pequenina réstia de bom senso que quem de direito dê uma varridela profunda na Antena 2 e lhe devolva a dignidade que já teve e que deve continuar a ter.»
Resposta do senhor director-adjunto [Com três chamadas de atenção, da minha responsabilidade, para erros ortográficos contidos no texto]:
«Senhor ouvinte.
Com que direito fala na 1ª pessoa do plural? "Queremos"? "Estamos todos"? Quem o nomeou ou mandatou para se apresentar como representante de todos? Porque se acha no direito de representar todos os ouvintes? Que presunção é essa? Porque não demonstra alguma modéstia e diz antes "quero", ou "estou farto"? Fique sabendo que não pensam "todos" como o senhor.
E mais: fique sabendo que NENHUMA rádio estatal clássica se comporta como rádio gira-discos. TODAS têm locução, ocupando com palavra, em média, cerca de 25% do tempo de antena (dados da UER - União Europeia de Rádios). A Antena 2 tem, ao longo de um dia, em média, 20% da emissão ocupada com locução. As rádios que têm menos tempo de locução são privadas e baseiam-se em play-lists(1), ou seja, são máquinas, e não pessoas, que escolhem a música. O senhor, obviamente, não gosta de ouvir falar porque já sabe tudo o que há para saber, e não precisa de (ou não quer que) ninguém que lhe diga nada. Mas, sendo esse o caso, escolha o senhor a sua própria música. Use CD's. A Antena 2 não se dirige a quem tem a certeza de que sabe tudo e não quer ouvir ninguém a falar. Dirige-se aos outros, que não conhecem tudo, ou pelo menos não têm essa presunção... e têm curiosidade em saber mais.
A Antena 2 feneceu ao longo de anos, com o auditório a envelhecer, tendo a média de idades passado de 45 para 55 anos ao longo de uma década. Isto quer dizer que eram sempre os mesmos a escutar, e que íam(2) envelhecendo, ou até morrendo, sem que a A2 mobilizasse as novas gerações. Os últimos estudos de audiências (ao longo do último semestre) comprovam que o auditório da A2 rejuvenesceu, com a média etária dos ouvintes a passar dos 55, de novo, para os 45 anos, e com tendência para rejuvenescer ainda mais. Significa que o auditório está a mudar, com pessoas mais jovens, algo que o deverá certamente enervar, já que o senhor, claramente, não gosta do nosso tempo. Problema seu. Não queira é impôr(3) o seu parâmetro aos outros, nem ter a pretensão de que representa todos... porque na verdade, simplesmente, só se representa a si próprio.
Passe bem.
João Almeida»
[ (1) Escreve-se playlists e não “play-lists”]
[ (2) Escreve-se iam (sem acento agudo no “i”) e não “íam”]
[ (3) Escreve-se impor (sem acento circunflexo) e não “impôr”]
Contra-resposta minha:
«Senhor João Almeida:
A sua resposta ao meu protesto merece-me a seguinte contra-resposta:
Quem preza a Língua Portuguesa sabe que o uso da primeira pessoa do plural pode ser feito por qualquer sujeito individual quando este pretende retirar a um texto ou fala a carga de arrogância que o uso da primeira pessoa do singular lhes transmitiria. Faça este exercício simples e conclua por si: pegue no texto do meu protesto e substitua o plural pelo singular e veja a diferença. Não que o texto que lhe enviei não continuasse, mesmo assim, a ser arrogante; mas, lendo a sua resposta, se calhar, o senhor mereceria que o tivesse escrito na primeira pessoa do singular.
Mesmo sem "nomeação" ou "mandato" sempre lhe vou dizendo que se estivesse minimamente atento ao que se escreve (nos blogues, por exemplo) admitiria que eu pudesse, falando no plural, como ouvinte, interpelar "quem de direito na Antena 2" (não a si pessoalmente) sobre aquilo que no meu entender (e, pelos vistos, não só no meu) é o mar de palavras sem interesse que hoje afoga a música nessa rádio.
Só lhe vou dar dois exemplos, entre muitos (com sublinhados meus):
Exemplo I
No dia 04-01-2006, Pacheco Pereira escrevia o seguinte no blogue "Abrupto":»
«BOAS COISAS NA COMUNICAÇÃO SOCIAL PORTUGUESA EM 2005, VISTAS POR UM GRANDE (EM QUANTIDADE) CONSUMIDOR
...
PÉSSIMAS COISAS NA COMUNICAÇÃO SOCIAL PORTUGUESA EM 2005, VISTAS PELO MESMO»
...
«A Antena 2 é demasiado loquaz. Muito se fala naquela rádio, num tom entre o pedante e o falsamente íntimo, tirando limpidez à música. »
«Tem aqui o link para confirmar:
http://abrupto.blogspot.com/2006_01_01_abrupto_archive.html
#113640941290714023
Exemplo II
No dia 11-01-2006 Álvaro José Ferreira escrevia o seguinte no blogue "Bem Comum":»
...
«Admito que a Antena 2 precisasse de alguns ajustamentos de modo a torná-la menos temática e mais ecléctica (a exemplo do canal 3 da BBC Radio), mas parece-me que há uma forma mais adequada e eficaz de conquistar novos públicos para o canal do que fazer cedências à facilidade.
...
Talvez com esta grelha a Antena 2 venha a conquistar alguns dos tradicionais ouvintes da Antena 1 que não se revêem na programação musical que vem sendo implementada. É provável que as audiências subam, mas haverá certamente a fuga de alguns melómanos mais exigentes e exclusivistas da música clássica. Talvez os ouvintes que venham a ser conquistados ultrapassem em número os que vão desertar, mas há uma questão que se impõe: não estará a Antena 2 a desempenhar agora uma parte do papel que caberia à Antena 1?»
« Nota: Estando a RTP e a RDP sob a alçada da mesma administração, e tendo a obsessão com as audiências sido abandonada na televisão, não entendo ela estar a ter a sua máxima expressão na rádio. Tal dever-se-á ao facto da rádio ter menos visibilidade e, como tal, ser descurada pelo poder político? Se alguém tiver uma explicação verosímil, faça o favor de ma dar.»
«Tem aqui o link para confirmar:
http://bemcomum.blogspot.com/2006/01/nova-grelha-da-antena-2-entrou-em.html
Como vê, não estou só.
Certamente não ignora que ainda existem tertúlias em Portugal. Pois então digo-lhe que eu frequento tertúlias onde se debate música e onde se tem falado da programação da Antena 2. É um direito dos ouvintes. Por isso sei o que é que pensam muitas outras pessoas sobre a desvirtuação que a programação da Antena 2 tem sofrido no sentido da sua aproximação qualitativa a um baixo patamar cultural. E também por esta razão julgo também poder falar no plural.
Diz-me que estão a fazer isso para captar mais público jovem. Olhe: aconselho-o a ler "Apocalípticos e Integrados", de Umberto Eco, para conhecer a opinião deste ilustre intelectual e linguista de renome internacional, entre outras coisas sobre a transmissão de conhecimentos eruditos ao grande público. Ficará a saber que Eco é de opinião que quando se quer transmitir conteúdo erudito a alguém não se deve transigir na linguagem (que deve sempre ser erudita) pois que, quando esta não é entendida logo à primeira, obriga o destinatário a cultivar-se até que a compreenda e passe, por isso, a ser um pouco mais culto do que era – quer porque passou a compreender essa linguagem, quer ainda porque passou a ter mais conhecimentos veiculados por essa mesma linguagem (conhecimentos só passíveis de serem bem transmitidos se se não fizer «cedências ao facilitismo»).
Mas se a grande preocupação dos gestores da Antena 2 vai continuar a ser a procura desesperada de (qualquer) audiência, então dou-lhe uma receita infalível: transmitam programas desportivos e antenas abertas sobre o desporto; transmitam relatos de futebol com música erudita nos intervalos. Vai ver que conseguirão captar, num instante, uma larguíssima fatia de ouvintes.
Agora permita-me que lhe diga o quão desiludido fiquei com a qualidade da sua resposta.
Fui saber quem o senhor era e disseram-me que é o director-adjunto da Antena 2 (se me informaram mal peço desculpas).
Então, senhor director-adjunto, é assim, desse modo ligeiro, pesporrente e auto-suficiente, que se permite, no exercício do seu cargo, dirigir-se a um ouvinte anónimo que faz um protesto (indignado embora) contra uma rádio que considera palavrosa e pouco culta? (Rádio que fora, até há pouco tempo, na opinião desse ouvinte, de muito melhor qualidade).
É assim que se responde?
Eu não me dirigi a si pessoalmente. Eu dirigi-me a "quem de direito na Antena 2". Que esse "quem de direito" seja o senhor, muito bem! Mas quando me responde de forma pessoal, sem se identificar do ponto de vista profissional, nos termos ligeiros e pouco dignos em que o faz, desqualifica-se profissionalmente (é a minha opinião) e dá uma péssima imagem da cúpula que hoje dirige a Antena 2.
Não sei se o Conselho de Administração da RDP ficaria contente em conhecer o texto integral do meu protesto e o da sua resposta.
Creio que, no mínimo, ficaria desapontado. Consigo, senhor director-adjunto.
Não sei se quer fazer essa experiência. Quer? É uma hipótese a considerar.
Vá por mim, senhor director-adjunto: quando ocupamos cargos de chefia, ainda por cima ao nível de director ou de director-adjunto, devemos ter estofo suficiente para engolir certos sapos e continuar a dar uma imagem polida do cargo, mesmo quando somos atingidos por aquilo que consideramos injusto (e, em certos casos, até, ofensivo). Devemos alardear superioridade moral (de preferência devemos tê-la efectivamente). Não devemos perder a cabeça e desatar à pancada com cada protestante. É que o senhor é pago também para ser polido e educado
Poderá dizer-me que eu não tenho o direito de fazer o protesto nos termos em que o fiz. Até posso concordar consigo neste aspecto e pedir desculpas. Mas eu sou apenas um simples e anónimo ouvinte e contribuinte fiscal com algum direito à indignação quando acho que esse bem público que é a Antena 2 está a morrer no seu propósito de veicular adequadamente música erudita (ou isso já não faz parte dos estatutos dessa rádio?). Mas o senhor, no cargo que ocupa, está-lhe vedado, deontologicamente, ser malcriado. É que, sendo-o, mancha logo o nome da Antena 2; e o da RDP. Ou será que isso não interessa?!
Para terminar quero ainda dizer-lhe que continuarei a lutar para a melhoria substancial da qualidade da programação da Antena 2, e por uma maior dignificação dessa rádio. Não ficarei pelo protesto que enviei a "quem de direito". Se for preciso chegar mais longe, tentarei consegui-lo. Porque a Antena 2 não é de ninguém em particular. É de todos.
Passe também muito bem.»
sábado, 20 de maio de 2006
UM PRIMOR JORNALÍSTICO
No Diário de Notícias já se escreve muito pior do que os putos de hoje o fazem quando abreviam palavras nas suas mensagens por telemóvel. Para além disso o redactor do DN abusa errando a ortografia de várias palavras.«Valter Hugo Mãe, editor da Objecto Cardíaco, disse ao DN que esta era a decisão que esperava, mas que "ao o contrário do que possa parecer, não me alegra. pq acho q esta sit nunca devia ter chegado aos tribubais. Alegria deviamos [falta o acento agudo no "í"] ter qdo o exercício da cr+irca fosse consensual.»
Por este andar qualquer dia teremos os jornais portugueses escritos em crioulo.
Porque não?!
terça-feira, 16 de maio de 2006
OS PERIGOS DO “DIRECTO”
Há poucos dias, no programa da SIC Notícias, "Opinião Pública", um telespectador, intervindo em directo, teve palavras obscenas para a apresentadora de serviço.Parece que o caso já foi entregue às autoridades e espera-se que a sanção seja exemplar. Porque se a moda pega...
domingo, 14 de maio de 2006
A REDESCOBERTA DA PÓLVORA
De há algum tempo albergo em mim a sensação de que há qualquer coisa de revolucionário que distingue os intelectuais de hoje dos das gerações anteriores. E essa “qualquer coisa” parece consistir no exercício do óbvio em que se ocupa grande parte destes intelectuais.Lá pelas bandas do Estado Civil, Pedro Mexia acaba de redescobrir a pólvora. Diz ele, melhor, escreve ele:
A beleza dura poucos anos. Não há quase nenhuma pessoa que seja bela uma vida inteira. E essa devastação progressiva do tempo sugere o fatal fascínio da beleza: a beleza é fascinante porque dura pouco. A beleza é fascinante porque é angustiante, porque está em contagem decrescente, porque (tal como todos nós) não anda no mundo muito tempo.
sábado, 13 de maio de 2006
PARABÉNS AMÉRICA
«O americano Justin Gatlin bateu ontem o recorde do mundo dos 100 metros, registando o tempo de 9.76 segundos, durante o Meeting de atletismo de Doha.»«Justin Gatlin, campeão olímpico e do mundo em título dos 100 metros, melhorou em um centésimo a marca do jamaicano Asafa Powell (9.77), estabelecido a 14 de Junho de 2005, em Atenas, na Grécia.»
Está bem, eu acredito que tudo aconteceu dentro da normalidade. Afinal de contas a corrida não aconteceu nos Estados Unidos. É que nos Estados Unidos, como se sabe, os cronómetros são muito perfeitos e precisos. E quando se trata de desporto, impera a seriedade e a honestidade absolutas. Daí que seja de acreditar que Gatlin tenha retirado um centésimo de Segundo à marca do jamaicano Asafa Powell.
Mas se a corrida fosse na Jamaica. . .
Nota: A notícia é do DN . Não reparem nos erros de Português: o jornalista manda a concordância às urtigas e escreve que «a marca de Asafa Powell foi estabelecido»; e deixa duas vírgulas na gaveta, vírgulas que deveriam separar as palavras “em título” do resto da frase. Coisas de somenos hoje em dia quando para se ser jornalista basta não se ser analfabeto.
sexta-feira, 12 de maio de 2006
NO REINO DA FANTASIA
OU POEIRA PARA OS OLHOS DO PÚBLICO
Luís Graça, presidente do colégio da especialidade de Ginecologia e Obstetrícia da Ordem dos Médicos, referindo-se à falta de médicos obstetras para manter abertas todas as maternidades existentes no país, terá declarado ao Diário de Notícias, em forma de aviso «a quem garante que conseguirá médicos» para manter os blocos de partos abertos: «A Ordem vai estar atenta aos médicos turbo. Não podemos aceitar que cada um faça mais de uma urgência de 24 horas por semana.»
É preciso dizer aqui claramente que esta declaração de Luís Graça é apenas uma fantasia; é poeira lançada ao vento; e só como fantasia faz sentido. Luís Graça não deve desconhecer que o próprio Estado tem, neste preciso momento que o leitor me lê, obstetras contratados, através de contratos de empresa, os quais têm contratos válidos com mais de uma maternidade ou hospital do Estado onde prestam mais de 24 horas semanais de serviço de urgência obstétrica. E Luís Graça não pode desconhecer que a única forma que teria de fiscalizar o horário de trabalho desses obstetras seria seguir-lhes o passo, quotidiana e individualmente, para ver onde cada um entra para trabalhar em cada dia da semana. Isto porque os contratos são feitos em nome de empresas e não em nome individual; e a empresa, em teoria, tanto pode mandar hoje um trabalhador (obstetra), como amanhã outro. Claro que o trabalhador é sempre o mesmo; mas como, em teoria, não é obrigatório que o seja, a Ordem dos Médicos aí nada pode fazer porque sequer tem meios para averiguar a situação.
E mais: se porventura a Ordem viesse um dia a conseguir fazer uma fiscalização efectiva e proibisse os obstetras de realizarem mais de 24 horas semanais de urgência, TODAS AS MATERNIDADES DO PAÍS, sem qualquer excepção, teriam que fechar as portas. Mesmo depois de executado o anunciado encerramento das 11 maternidades.
É que não há obstetras em número suficiente no país.
E os únicos culpados desta situação são:
O Estado e a Ordem dos Médicos.
Que durante mais de uma década estabeleceram numerus clausus irrealistas para as Faculdades de Medicina e forneceram escassas vagas para formação de especialistas de Ginecologia e Obstetrícia, impedindo com isso que se formassem médicos e se formassem obstetras em número suficiente para as necessidades do país.
Tanto a Ordem dos Médicos como o ministro da Saúde estão agora aflitos e desorientados sem saberem como justificar o descalabro actual aos portugueses.
E ninguém diz a verdade.
Como nota de rodapé acrescenta-se mais este pormenor interessante em forma de pergunta: vai a Ordem dos Médicos proibir os médicos que façam 24 horas semanais de urgência, de trabalharem, de urgência, em maternidades privadas?
Vai mesmo?
Não brinquem comigo! . . .
Luís Graça, presidente do colégio da especialidade de Ginecologia e Obstetrícia da Ordem dos Médicos, referindo-se à falta de médicos obstetras para manter abertas todas as maternidades existentes no país, terá declarado ao Diário de Notícias, em forma de aviso «a quem garante que conseguirá médicos» para manter os blocos de partos abertos: «A Ordem vai estar atenta aos médicos turbo. Não podemos aceitar que cada um faça mais de uma urgência de 24 horas por semana.»É preciso dizer aqui claramente que esta declaração de Luís Graça é apenas uma fantasia; é poeira lançada ao vento; e só como fantasia faz sentido. Luís Graça não deve desconhecer que o próprio Estado tem, neste preciso momento que o leitor me lê, obstetras contratados, através de contratos de empresa, os quais têm contratos válidos com mais de uma maternidade ou hospital do Estado onde prestam mais de 24 horas semanais de serviço de urgência obstétrica. E Luís Graça não pode desconhecer que a única forma que teria de fiscalizar o horário de trabalho desses obstetras seria seguir-lhes o passo, quotidiana e individualmente, para ver onde cada um entra para trabalhar em cada dia da semana. Isto porque os contratos são feitos em nome de empresas e não em nome individual; e a empresa, em teoria, tanto pode mandar hoje um trabalhador (obstetra), como amanhã outro. Claro que o trabalhador é sempre o mesmo; mas como, em teoria, não é obrigatório que o seja, a Ordem dos Médicos aí nada pode fazer porque sequer tem meios para averiguar a situação.
E mais: se porventura a Ordem viesse um dia a conseguir fazer uma fiscalização efectiva e proibisse os obstetras de realizarem mais de 24 horas semanais de urgência, TODAS AS MATERNIDADES DO PAÍS, sem qualquer excepção, teriam que fechar as portas. Mesmo depois de executado o anunciado encerramento das 11 maternidades.
É que não há obstetras em número suficiente no país.
E os únicos culpados desta situação são:
O Estado e a Ordem dos Médicos.
Que durante mais de uma década estabeleceram numerus clausus irrealistas para as Faculdades de Medicina e forneceram escassas vagas para formação de especialistas de Ginecologia e Obstetrícia, impedindo com isso que se formassem médicos e se formassem obstetras em número suficiente para as necessidades do país.
Tanto a Ordem dos Médicos como o ministro da Saúde estão agora aflitos e desorientados sem saberem como justificar o descalabro actual aos portugueses.
E ninguém diz a verdade.
Como nota de rodapé acrescenta-se mais este pormenor interessante em forma de pergunta: vai a Ordem dos Médicos proibir os médicos que façam 24 horas semanais de urgência, de trabalharem, de urgência, em maternidades privadas?
Vai mesmo?
Não brinquem comigo! . . .
domingo, 7 de maio de 2006
«MISERÁVEL»
Esta é a palavra que reuniu uma quase unanimidade dos jornalistas desportivos que cobriram o jogo Paços de Ferreira/Benfica.Quando se referiram à actuação, hoje, do clube do homem vaca, quase todos disseram: «miserável».
E o senhor vaca, que andou toda a semana a pressionar, vergonhosamente, o adversário de hoje do Sporting, e que tinha toda a obrigação de fazer com que o Benfica ganhasse o seu jogo em Paços de Ferreira, não só viu o Sporting ganhar claramente ao Braga, como ainda viu o Benfica sofrer uma humilhante derrota por 3-1, tendo ainda feito uma exibição «miserável».
É caso para dizer que à desonestidade dos jogadores do Rio Ave, na semana passada, se somou hoje a desonestidade dos jogadores do Benfica.
É o que sucede quando se cospe para cima: o cuspo caiu hoje na cara do senhor Vaca.
No “Almocreve das petas” o benfiquista "masson" não faz a coisa por menos e diz isto do Benfica: Uma anedota de equipa, uma direcção gabarola.
AI TIMOR TIMOR
Noticia-se um pouco por todo o lado a fuga de cerca de setenta e cinco mil habitantes de Díli (a maioria da população da cidade, portanto) em direcção às montanhas de Timor, com medo de matanças entre facções “políticas” rivais que poderão acontecer por alturas do congresso da FRETILIN (o partido no poder), congresso que se realizará a 17, 18 e 19 deste mês.Concomitantemente a essa fuga para as montanhas, dá-se, por parte da administração americana, no seguimento, aliás, de idêntica atitude assumida pela Austrália, a preparação para a retirada do seu pessoal diplomático e técnico de Timor.
Face a estes acontecimentos, Mari Alkatiri, primeiro-ministro de Timor-Leste, terá declarado ontem ao fim do dia: «Compreendo que o corpo diplomático tenha como preocupação a integridade física dos seus cidadãos, mas é um exagero. Díli não está sob fogo, nem há perspectivas disso. Compreendemos que a população da cidade, ainda traumatizada com o passado recente, tenha reagido como reagiu aos rumores. Mas já não entendemos quando os cidadãos estrangeiros residentes em Timor-Leste reagem da mesma forma, particularmente o corpo diplomático.»
Quer dizer: os timorenses que se conhecem muito bem (uns aos outros) e sabem muito bem aquilo de que foram capazes no passado recente - mortes sem fim -, fogem uns dos outros para as montanhas.
Os estrangeiros que nada conhecem daquilo – quer o primeiro-ministro Mari Alkatiri que lá continuem impávidos e serenos, expostos aos "brandos excessos" de que os timorenses deram recentemente sobejas provas de serem capazes.
É sabido que os serviços secretos americanos são eficazes e coligem muita informação em toda a parte do globo. Pois, se os americanos retiram o seu pessoal diplomático de Timor, não o farão certamente por medos infundados ou amadorismo na análise da situação naquele território.
No que diz respeito às autoridades portuguesas, há já muito quem se considera ofendido por os americanos lhes terem disponibilizado lugares no avião que deverá ir buscar os seus cidadãos; e seguindo os princípios dos "brandos costumes" e de “isto não vai acontecer” (assim a modos de quem diz “não há-de ser nada”, «é só fumaça», “só acontece aos outros”), lá vão deixando os seus cidadãos numa Díli quase deserta e a vinte mil quilómetros de distância de Lisboa.
Que Deus os proteja.
sábado, 6 de maio de 2006
ATÉ METE DÓ
OU O ESTADO A QUE O BENFICA CHEGOU
Escreve o Diário Digital:
Koeman «confia» no Braga para chegar ao segundo lugar.
O treinador do Benfica, Ronald Koeman, disse hoje ainda acreditar no segundo lugar, de acesso directo à Liga dos Campeões de futebol, confiando numa vitória do Benfica em Paços de Ferreira e no Sporting de Braga em Alvalade.
«Temos de pensar em ganhar ao Paços de Ferreira e depois esperar o resultado do Sporting-Sporting de Braga. Tenho confiança que o Braga e o seu treinador (Jesualdo Ferreira) vão fazer o máximo para complicar a vida ao Sporting»
O problema não está na esperança que o homem vaca possa ou não ter de que as coisas sucedam de determinada maneira; o problema está em, depois de o homem vaca ter dito na semana passada que os jogadores do Rio Ave eram desonestos, vir de novo, hoje, o mesmo vaca revelar desconfiança na honestidade dos profissionais do Sporting de Braga (treinador incluído) a ponto de os vir pressionar publica e desavergonhadamente.
Este holandês leiteiro a princípio parecia ser uma espécie de José Peseiro dos Países Baixos, mas veio a revelar-se ultimamente um misto de Octávio Machado e Valentim Loureiro.
E um bom aluno do honestíssimo José Veiga.
Escreve o Diário Digital:
Koeman «confia» no Braga para chegar ao segundo lugar.
O treinador do Benfica, Ronald Koeman, disse hoje ainda acreditar no segundo lugar, de acesso directo à Liga dos Campeões de futebol, confiando numa vitória do Benfica em Paços de Ferreira e no Sporting de Braga em Alvalade.
«Temos de pensar em ganhar ao Paços de Ferreira e depois esperar o resultado do Sporting-Sporting de Braga. Tenho confiança que o Braga e o seu treinador (Jesualdo Ferreira) vão fazer o máximo para complicar a vida ao Sporting»
O problema não está na esperança que o homem vaca possa ou não ter de que as coisas sucedam de determinada maneira; o problema está em, depois de o homem vaca ter dito na semana passada que os jogadores do Rio Ave eram desonestos, vir de novo, hoje, o mesmo vaca revelar desconfiança na honestidade dos profissionais do Sporting de Braga (treinador incluído) a ponto de os vir pressionar publica e desavergonhadamente.
Este holandês leiteiro a princípio parecia ser uma espécie de José Peseiro dos Países Baixos, mas veio a revelar-se ultimamente um misto de Octávio Machado e Valentim Loureiro.
E um bom aluno do honestíssimo José Veiga.
ELEIÇÃO À LA COREANA
Os delegados ao congresso do PSD elegeram ontem o seu Kim IL Sung com 91% dos votos expressos. As quase unanimidades deste calibre costumam ser a passadeira vermelha que conduz à porta de saída dos partidos. É como quando vêm os presidentes dos clubes de futebol declarar «total apoio ao treinador» - passadas umas quantas semanas lá vai o treinador de escantilhão pela porta fora.
quinta-feira, 27 de abril de 2006
terça-feira, 25 de abril de 2006
SHAME ON YOU
SHAME ON YOU MR. SÓCRATES
A esquerda, que julgava ter um Governo e o está a perder (ou já o perdeu) para a direita, acaba de ganhar um Presidente da República que julgava ser de direita e que hoje surpreendeu meio mundo com o discurso que acaba de fazer.
O discurso de Cavaco Silva, hoje, no Parlamento, na cerimónia do 25 de Abril, constituiu um valente murro no estômago da direita (e no estômago do Governo Sócrates).
Cavaco, que alguns sempre disseram nunca ter sido de direita, mostrou hoje enormes preocupações com a larguíssima parte mais desfavorecida da sociedade portuguesa (parte em que em certos aspectos foi integrada a classe média) reclamando veementemente uma política de inclusão social dos mais desfavorecidos (afinal aqueles que são vítimas de exclusão social).
O PCP e o Bloco de Esquerda não aplaudiram o discurso por motivos apenas ideológicos; O PSD aplaudiu por oportunismo político; o PS de Sócrates, desagradavelmente surpreendido, não aplaudiu; mas o PS não socrático, aquele que não está com o Governo mas ainda tem medo de o dizer, aplaudiu com algum vigor.
Cavaco trouxe hoje uma réstia de esperança à esquerda.
QUEM DIRIA!...
Reeditada às 15:04
Os arautos da direita já começaram a bater em Cavaco.
No "Blasfémias", João Miranda já reagiu dizendo:
«Parece que o discurso do Cavaco foi escrito pelo Sampaio».
Também a Helena Matos já botou faladura contra Cavaco.
Pacheco, esse, está noutro registo.
A esquerda, que julgava ter um Governo e o está a perder (ou já o perdeu) para a direita, acaba de ganhar um Presidente da República que julgava ser de direita e que hoje surpreendeu meio mundo com o discurso que acaba de fazer.O discurso de Cavaco Silva, hoje, no Parlamento, na cerimónia do 25 de Abril, constituiu um valente murro no estômago da direita (e no estômago do Governo Sócrates).
Cavaco, que alguns sempre disseram nunca ter sido de direita, mostrou hoje enormes preocupações com a larguíssima parte mais desfavorecida da sociedade portuguesa (parte em que em certos aspectos foi integrada a classe média) reclamando veementemente uma política de inclusão social dos mais desfavorecidos (afinal aqueles que são vítimas de exclusão social).
O PCP e o Bloco de Esquerda não aplaudiram o discurso por motivos apenas ideológicos; O PSD aplaudiu por oportunismo político; o PS de Sócrates, desagradavelmente surpreendido, não aplaudiu; mas o PS não socrático, aquele que não está com o Governo mas ainda tem medo de o dizer, aplaudiu com algum vigor.
Cavaco trouxe hoje uma réstia de esperança à esquerda.
QUEM DIRIA!...
Reeditada às 15:04
Os arautos da direita já começaram a bater em Cavaco.
No "Blasfémias", João Miranda já reagiu dizendo:
«Parece que o discurso do Cavaco foi escrito pelo Sampaio».
Também a Helena Matos já botou faladura contra Cavaco.
Pacheco, esse, está noutro registo.
HERESIA E MENTIRA NO PARLAMENTO
Estou a ouvir todos os discursos que estão ser feitos esta manhã no Parlamento, na cerimónia de comemoração do 32º aniversário do 25 de Abril.
Tudo o que até agora foi dito era o esperado (do Bloco de Esquerda, do CDS, do PCP e do PSD). Mas fico de boca aberta ao ouvir Vera Jardim, do PS. Porque, primeiro parece que ele e Sócrates pertencem a partidos diferentes pois que ele defende ideologicamente aquilo que Sócrates não cumpre no Governo; e segundo, porque ele acaba por dizer depois que Sócrates anda a cumprir aquilo que o PS defende. Uma confusão tremenda que nos leva a concluir que a intervenção de Vera Jardim teve dois propósitos antagónicos: dizer-nos que o PS é de esquerda e defende o que não vemos o Governo praticar; e defender o seu secretário-geral, o chefe desse mesmo PS, José Sócrates, utilizando para tal aquilo que no mínimo é uma heresia política que contém uma mentira: o agradecimento ao Primeiro-Ministro (está aqui a heresia) por estar a levar a cabo as políticas defendidas pelo PS (e esta é a mentira).
Tudo o que até agora foi dito era o esperado (do Bloco de Esquerda, do CDS, do PCP e do PSD). Mas fico de boca aberta ao ouvir Vera Jardim, do PS. Porque, primeiro parece que ele e Sócrates pertencem a partidos diferentes pois que ele defende ideologicamente aquilo que Sócrates não cumpre no Governo; e segundo, porque ele acaba por dizer depois que Sócrates anda a cumprir aquilo que o PS defende. Uma confusão tremenda que nos leva a concluir que a intervenção de Vera Jardim teve dois propósitos antagónicos: dizer-nos que o PS é de esquerda e defende o que não vemos o Governo praticar; e defender o seu secretário-geral, o chefe desse mesmo PS, José Sócrates, utilizando para tal aquilo que no mínimo é uma heresia política que contém uma mentira: o agradecimento ao Primeiro-Ministro (está aqui a heresia) por estar a levar a cabo as políticas defendidas pelo PS (e esta é a mentira).
25 DE ABRIL DIA DA LIBERDADE
Invertendo esta posta do “Blasfémias”, hoje, no dia de mais um aniversário do 25 de Abril criador do Portugal Democrático, faz todo o sentido escrever o seguinte:Suponho que nesta altura a ideia deve ter sentido para alguém. Não estou a ver bem para quem, mas deve haver alguém pelo meio que acredite que o método poderá produzir desenvolvimento. E qual é o método? Assaltar a função pública e tal como as empresas colocá-la nas mãos dos privados, roubar o erário público e distribuir os recursos financeiros do Estado aos capitalistas mais retrógrados e incapazes da União Europeia, proibir o direito ao trabalho dos cidadãos, aumentar os lucros dos bancos mediante a redução drástica dos impostos a eles aplicáveis, colocar o destino das vidas dos portugueses nas mãos de empresários sem escrúpulos ou formação, permitir aos empresários o regabofe geral sobre a riqueza nacional, abrir sectores estratégicos para a sobrevivência nacional à incompetente e catastrófica iniciativa privada, distribuir terras e empresas públicas por quem não tem nem os meios nem a competência para as trabalhar, imitar economias falhadas, diminuir drasticamente os salários e as pensões, subsidiar empresas falidas com a dívida pública e entregar a economia aos caprichos de privados incompetentes e sem escrúpulos. «Este é o plano para concretizar o D de Desenvolvimento». Com surpresa, alguns acabarão por perceber que não resulta. Outros talvez não.
P.S. Só quem não viveu antes do 25 de Abril ou não conhece a História pode acreditar na incompetente classe empresarial portuguesa. Teve um Império nas mãos durante 500 anos. E ao contrário de outras potências coloniais (Holanda, França, Inglaterra, Espanha) viveu sempre de tanga e de tanga ficou com o fim do Império. E há quem queira agora convencer-nos que se compra competência a metro em algum supermercado mundial.
domingo, 23 de abril de 2006
A REALIDADE E OS ERROS

Eis um exemplo claro de como o subjectivismo nos pode atraiçoar o raciocínio crítico.
Leia-se a posta de JPP e a resposta do leitor, Rui Almeida.
A inscrição num pilar da Ponte 25 de Abril, que a fotografia mostra, mereceu de Pacheco Pereira determinada interpretação.
Ao esclarecer que “Dr. Salazar” é hoje o nome de uma banda de música, o leitor escangalhou completamente o exercício interpretativo de Pacheco Pereira.
Agora pergunto: quantas outras afirmações aparentemente categóricas de Pacheco Pereira (e de muitos outros) na sua função de comentador político terão já enfermado do mesmo tipo de erro?
PICASSO RESPONDE AO CORREIO
Aumente clicando na imagem
Recebi algum correio electrónico alertando-me para o sacrilégio que Picasso teria cometido ao participar, pela Páscoa, num ensaio doméstico da “cerimónia do lava-pés”. E houve até quem lhe chamasse «ateu».
Posto perante o conteúdo do correio, o meu gato não esteve com cerimónias. E declarou: «diz lá a esse pessoal que eu não sou ateu; sou é agnóstico – o que é coisa bem diferente».
Ainda no outro dia estávamos os dois a ver uma série da National Geographic Channel sobre felinos em que se mostrava um imponente tigre malaio. Nisso o Picasso, muito impressionado, fazendo menção de se ajoelhar, interrogou-me num último momento de dúvida: – será este o meu Deus?
Ao que eu lhe respondi: – É um simples tigre, ó Picasso. Então, qual é a tua?
Bolas – disse o Picasso – Estava mesmo a ver que ainda tinha que ir todos os domingos à missa dos animais no Jardim Zoológico. Safaste-me agora de boa. Imagina só a carrada de pulgas que eu havia de trazer de cada vez que lá fosse. Acho mesmo que o melhor ainda é tornar-me ateu. Bolas! Pulgas! Eu?!
Recebi algum correio electrónico alertando-me para o sacrilégio que Picasso teria cometido ao participar, pela Páscoa, num ensaio doméstico da “cerimónia do lava-pés”. E houve até quem lhe chamasse «ateu».Posto perante o conteúdo do correio, o meu gato não esteve com cerimónias. E declarou: «diz lá a esse pessoal que eu não sou ateu; sou é agnóstico – o que é coisa bem diferente».
Ainda no outro dia estávamos os dois a ver uma série da National Geographic Channel sobre felinos em que se mostrava um imponente tigre malaio. Nisso o Picasso, muito impressionado, fazendo menção de se ajoelhar, interrogou-me num último momento de dúvida: – será este o meu Deus?
Ao que eu lhe respondi: – É um simples tigre, ó Picasso. Então, qual é a tua?
Bolas – disse o Picasso – Estava mesmo a ver que ainda tinha que ir todos os domingos à missa dos animais no Jardim Zoológico. Safaste-me agora de boa. Imagina só a carrada de pulgas que eu havia de trazer de cada vez que lá fosse. Acho mesmo que o melhor ainda é tornar-me ateu. Bolas! Pulgas! Eu?!
sábado, 22 de abril de 2006
XÔ! SEU “BRASILEIRO”

JPP escreveu esta pequenina posta no seu Abrupto (realces da minha responsabilidade):
«Nós temos o nacionalismo típico dos pobrezinhos: o astronauta brasileiro foi quase sempre designado no Telejornal das 12 horas da RTP1 como "lusófono", e o ter-se falado português no espaço como o evento principal da viagem. Como se Portugal tivesse algum mérito, algum papel, na ida para o espaço do nosso estimado brasileiro.»
Escrito assim, isto até parece apenas uma crítica ao provincianismo português. Mas contém, inegável e indisfarçavelmente, um feio gesto de chega p’ra lá, seu “brasileiro”.
Será que os brasileiros fizeram ultimamente algo a JPP?
sexta-feira, 21 de abril de 2006
CRUCIFICADO
Lá na Grande Loja continua foguetório cerrado. E o bombo da festa é Pacheco Pereira.Mas não tem de que se queixar. Pôs-se a jeito quando, num momento de exaltação, se assumiu neste texto como que o Amurabi* da blogosfera portuguesa.
Já antes, no dia 10/04/06, tinha metido espectacularmente o pé na poça quando, recusando aos brasileiros a prerrogativa de falarem a língua portuguesa, escreveu: «À minha volta fala-se brasileiro, língua dos empregados de restaurante em Portugal, produto da globalização.».
A ofensa aos brasileiros - não sejamos minimalistas - foi grande. Foi como se um inglês algum dia escrevesse ou dissesse: "À minha volta fala-se americano, língua de soldados no Iraque, produto da globalização".
Mas JPP pode bem com estes ataques e reacções adversas às suas opiniões. O que não consegue é evitar o fenómeno de dessacralização (com concomitante crucificação) que vai acontecendo à imagem de comentador imparcial e descomprometido que ao longo do tempo, um pouco persistentemente, tentou criar.
Enfim, vicissitudes de quem anda à chuva.
(*) Também se encontra grafado como Hamurábi e Hammurabi.
VÊM AÍ OS “VELHÕES”
OU UM GOLFINHO NA CAPOEIRA
Quando os políticos dizem alguma coisa; quando os governantes dizem alguma coisa; é preciso saber ler muito para além do significado das palavras para se saber o que querem dizer. É preciso não se ser ingénuo.
Tenha-se em atenção o seguinte: a propaganda deste Governo parece ser feita por uma central competente de grandes especialistas em marketing e publicidade. Central de tal maneira competente que é capaz de nos convencer a levar para casa, comprado com o dinheiro que não temos, um golfinho verdadeiro para colocarmos na piscina que para o efeito devíamos ter mas também não temos.
É disso que se trata quando nos vêm falar dos extremos, carinhosos e luxuosos cuidados de saúde que pretendem oferecer aos nossos queridos velhinhos tão abandonados, coitadinhos, pelas suas famílias.
Embora nos estejam a falar no «aumento das camas hospitalares destinadas a este tipo de pacientes, no aumento das equipas de centros de saúde que prestam apoio domiciliário e numa maior ligação entre os hospitais e as instituições de apoio social, como lares e centros de dia» o que parece pretender-se verdadeiramente é privilegiar estes últimos aspectos: os lares e os centros de dia. Porque se poupará muito dinheiro aliviando os hospitais desse tipo de doentes. Doentes que não terão nos “velhões” a mesma qualidade, e muito menos a mesma assiduidade de tratamento que têm nos hospitais.
Trocado por miúdos, o que o Governo (com ou sem intenção) vai acabar por fazer com a criação dos tão propalados “cuidados continuados” é aumentar o número de armazéns para velhos (acabará por criar “velhões” à moda dos vidrões), armazéns onde se depositará os velhos para que estes não ocupem camas hospitalares que são muito caras de manter quando ocupadas pelos mesmos doentes, sobretudo quando esses doentes são pessoas definitivamente acamadas e “ameaçam” fazer ocupações longas - quiçá até à morte.
Concordo plenamente que as camas hospitalares sejam destinadas a doentes com possibilidades de recuperação a curto, médio prazo. É que também me saem do bolso as ocupações de longo prazo, confesso.
Mas não creio que os privados que exploram os lares tenham a virtude de dar uma assistência mesmo que apenas sofrível aos inúmeros doentes crónicos e idosos que lhes serão postos nas mãos quando se criarem os tais “velhões”. A lógica do lucro falará mais alto. O que é normal e não é condenável. Condenável é que se tomem decisões que permitam que tal lógica venha a vingar nos cuidados que é suposto prestar-se aos velhinhos - como se se estivesse a dar a estes o melhor dos mundos para os seus últimos dias.
Vai aumentar, com toda a certeza, o sofrimento dos doentes crónicos acamados e dos doentes terminais. Disso não se tenha a menor dúvida.
E era bom que você que me lê também as não tenha. Porque se tiver a desdita de chegar a velho e não tiver familiares que tratem de si – estará tramado, meu caro. Passará as passas do Algarve antes de morrer. E se forem só as do Algarve até me quer parecer que terá muita sorte.
Reeditado às 6:53 AM de 22 de Abril de 2006
Quando os políticos dizem alguma coisa; quando os governantes dizem alguma coisa; é preciso saber ler muito para além do significado das palavras para se saber o que querem dizer. É preciso não se ser ingénuo.Tenha-se em atenção o seguinte: a propaganda deste Governo parece ser feita por uma central competente de grandes especialistas em marketing e publicidade. Central de tal maneira competente que é capaz de nos convencer a levar para casa, comprado com o dinheiro que não temos, um golfinho verdadeiro para colocarmos na piscina que para o efeito devíamos ter mas também não temos.
É disso que se trata quando nos vêm falar dos extremos, carinhosos e luxuosos cuidados de saúde que pretendem oferecer aos nossos queridos velhinhos tão abandonados, coitadinhos, pelas suas famílias.
Embora nos estejam a falar no «aumento das camas hospitalares destinadas a este tipo de pacientes, no aumento das equipas de centros de saúde que prestam apoio domiciliário e numa maior ligação entre os hospitais e as instituições de apoio social, como lares e centros de dia» o que parece pretender-se verdadeiramente é privilegiar estes últimos aspectos: os lares e os centros de dia. Porque se poupará muito dinheiro aliviando os hospitais desse tipo de doentes. Doentes que não terão nos “velhões” a mesma qualidade, e muito menos a mesma assiduidade de tratamento que têm nos hospitais.
Trocado por miúdos, o que o Governo (com ou sem intenção) vai acabar por fazer com a criação dos tão propalados “cuidados continuados” é aumentar o número de armazéns para velhos (acabará por criar “velhões” à moda dos vidrões), armazéns onde se depositará os velhos para que estes não ocupem camas hospitalares que são muito caras de manter quando ocupadas pelos mesmos doentes, sobretudo quando esses doentes são pessoas definitivamente acamadas e “ameaçam” fazer ocupações longas - quiçá até à morte.
Concordo plenamente que as camas hospitalares sejam destinadas a doentes com possibilidades de recuperação a curto, médio prazo. É que também me saem do bolso as ocupações de longo prazo, confesso.
Mas não creio que os privados que exploram os lares tenham a virtude de dar uma assistência mesmo que apenas sofrível aos inúmeros doentes crónicos e idosos que lhes serão postos nas mãos quando se criarem os tais “velhões”. A lógica do lucro falará mais alto. O que é normal e não é condenável. Condenável é que se tomem decisões que permitam que tal lógica venha a vingar nos cuidados que é suposto prestar-se aos velhinhos - como se se estivesse a dar a estes o melhor dos mundos para os seus últimos dias.
Vai aumentar, com toda a certeza, o sofrimento dos doentes crónicos acamados e dos doentes terminais. Disso não se tenha a menor dúvida.
E era bom que você que me lê também as não tenha. Porque se tiver a desdita de chegar a velho e não tiver familiares que tratem de si – estará tramado, meu caro. Passará as passas do Algarve antes de morrer. E se forem só as do Algarve até me quer parecer que terá muita sorte.
Reeditado às 6:53 AM de 22 de Abril de 2006
quinta-feira, 20 de abril de 2006
UMA HISTÓRIA PARA CRIANCINHAS
Desde os primeiros tempos de Luís Filipe Pereira como ministro da Saúde do Governo de José Barroso; passando pelo mesmo Luís Filipe como ministro do Governo surreal de Santana Lopes; e continuando, nos três primeiros meses do actual Governo, com o ministro Correia de Campos; a palavra de ordem para o sector da Saúde parece ter sido sempre:Toca a trabalhar malandros!
Toca a aumentar a produtividade, seus mandriões de uma figa!
E toca de gastar menos dinheiro, seus esbanjadores!
Para conseguir esse desiderato, os dois primeiros governos acima nomeados engendraram e nomearam para dirigir, com sucesso comercial, as linhas de produção das fábricas, perdão, dos hospitais públicos, autênticas administrações fabris - com experiência reconhecida na EDP, na GALP, em fábricas de salsichas, de parafusos, etc. - administrações essas que, na sua acção, primaram pela eficácia (a sério, isto é verdade) adoptando como uma das primeiras medidas a exigência do aumento do número de consultas externas. Outra medida emblemática foi o ultra propagandeado PECLEC (programa especial de combate às listas de espera cirúrgicas).
Atente-se na palavra combate que, no nosso entender, mostra bem o voluntarismo, a certeza, a determinação, a fúria com que se arrancou rumo à vitória e à poupança do erário público.
Agora é que era! Agora é que a produtividade hospitalar ia mesmo aumentar e atingir números mágicos que talvez até os levassem a conseguir lucros fabulosos no mercado da Saúde.
...
As coisas começaram a funcionar como o previsto:
aumentou-se o número de consultas
e aumentou-se o número de intervenções cirúrgicas (que passaram a também poderem ser realizadas pelo sector privado, com o Estado a pagar).
Tic-tac, tic-tac, tic-tac.
O tempo foi passando...
Até que...
- Aqui d’el rei que a despesa está a aumentar!
- Mas afinal o que é isto?!
- O que é que se está a passar?
Foi então que se ouviu uma voz funda vinda lá do cimo da copa de uma azinheira da Quinta Pedagógica:
«O que se passa é muito simples, senhores gestores industriais, salsicheiros e de ferragens.
O que se passa é que:
Mais consultas significam mais receitas médicas.
Mais receitas médicas significam mais medicamentos.
E mais medicamentos significam mais despesa.
Mais consultas significam mais exames complementares de diagnóstico.
E mais exames complementares de diagnóstico significam mais despesa.
Mais cirurgias significam mais gasto de material cirúrgico e de medicamentos;
e significam mais dias de internamento.
E tudo isso junto significa mais despesa.»
«Ai é!? E nós que julgávamos que o aumento de produtividade levava sempre ao aumento dos lucros!» - Disseram em coro as bocas das cabecinhas pensadoras das administrações.
E desde esse dia nunca mais se pronunciou a palavra produtividade nos hospitais.
E as administrações de tipo fabril começam lentamente, e bem, a ser substituídas por outras: talvez menos "eficazes", talvez menos voluntariosas, talvez menos "produtivas". E talvez menos gastadoras.
domingo, 16 de abril de 2006
ASSIM NÃO DÁ
Sporting 0 – Estrela da Amadora 0
Assim o Sporting não conseguirá garantir o 2º lugar do campeonato.
E a culpa é, toda ela, de Paulo Bento.
Não se pode perdoar a Paulo Bento o não ter feito alinhar Michael Essien, Frank Lampard, Didier Drogba e Herman Crespo.
Quando se possui artistas deste gabarito e se os deixa ficar no banco, o jogo só podia mesmo dar num empate, pois o resto da equipa do Sporting é igual ou pior que a do Estrela da Amadora.
Assim o Sporting não conseguirá garantir o 2º lugar do campeonato.
E a culpa é, toda ela, de Paulo Bento.
Não se pode perdoar a Paulo Bento o não ter feito alinhar Michael Essien, Frank Lampard, Didier Drogba e Herman Crespo.
Quando se possui artistas deste gabarito e se os deixa ficar no banco, o jogo só podia mesmo dar num empate, pois o resto da equipa do Sporting é igual ou pior que a do Estrela da Amadora.
sexta-feira, 14 de abril de 2006
ESTE NÃO É O MEU SUPREMO
Num acórdão recentemente divulgado pelos meios de comunicação social, o Supremo Tribunal de Justiça, num caso de maus-tratos a menores, pronunciou-se nos seguintes termos:
«Qual é o bom pai de família que, por uma ou duas vezes, não dá palmadas no rabo dum filho que se recusa ir para a escola, que não dá uma bofetada a um filho que lhe atira com uma faca ou que não manda um filho de castigo para o quarto quando ele não quer comer?
Quanto às duas primeiras, pode-se mesmo dizer que a abstenção do educador constituiria, ela sim, um negligenciar educativo.»
Lê-se e não se acredita!
Sabemos bem que os tribunais, por mais superiores que sejam, são constituídos por pessoas em tudo semelhantes aos demais cidadãos, diferenciando-se destes apenas por possuírem preparação técnica específica na área da justiça.
Daí que se entenda que possam errar tal como qualquer comum mortal que habita o planeta.
E neste acórdão, no meu entender, o Tribunal Supremo errou. Errou, não em matéria de Justiça, mas em matéria clínica; em matéria médica. E produziu um acórdão deplorável.
Não se encontra manual pedagógico nenhum, tratado nenhum de psicologia infantil, manual terapêutico psiquiátrico nenhum – tudo material científico rigorosamente concebido após estudos e investigações aprofundados, debates e experiências várias – que dê a mais pequena cobertura às teses do Supremo. Antes pelo contrário: não se deve dar tabefes e bofetadas às crianças, e não se deve castigar as crianças aprisionando-as em quartos escuros como método educativo. Isso é condenável.
Esta minha afirmação é corroborada pelo professor de Educação Especial e Reabilitação da Universidade Técnica de Lisboa, David Rodrigues, que declarou ao Diário de Notícias: "Não há qualquer referência, em lado algum, à punição como forma de aprendizagem para qualquer criança, com deficiência ou não".
Mas o Supremo Tribunal de Justiça disse o contrário.
E errou.
Para um melhor juízo do leitor aqui tem a ligação para o texto integral do acórdão em causa
«Qual é o bom pai de família que, por uma ou duas vezes, não dá palmadas no rabo dum filho que se recusa ir para a escola, que não dá uma bofetada a um filho que lhe atira com uma faca ou que não manda um filho de castigo para o quarto quando ele não quer comer?
Quanto às duas primeiras, pode-se mesmo dizer que a abstenção do educador constituiria, ela sim, um negligenciar educativo.»
Lê-se e não se acredita!
Sabemos bem que os tribunais, por mais superiores que sejam, são constituídos por pessoas em tudo semelhantes aos demais cidadãos, diferenciando-se destes apenas por possuírem preparação técnica específica na área da justiça.
Daí que se entenda que possam errar tal como qualquer comum mortal que habita o planeta.
E neste acórdão, no meu entender, o Tribunal Supremo errou. Errou, não em matéria de Justiça, mas em matéria clínica; em matéria médica. E produziu um acórdão deplorável.
Não se encontra manual pedagógico nenhum, tratado nenhum de psicologia infantil, manual terapêutico psiquiátrico nenhum – tudo material científico rigorosamente concebido após estudos e investigações aprofundados, debates e experiências várias – que dê a mais pequena cobertura às teses do Supremo. Antes pelo contrário: não se deve dar tabefes e bofetadas às crianças, e não se deve castigar as crianças aprisionando-as em quartos escuros como método educativo. Isso é condenável.
Esta minha afirmação é corroborada pelo professor de Educação Especial e Reabilitação da Universidade Técnica de Lisboa, David Rodrigues, que declarou ao Diário de Notícias: "Não há qualquer referência, em lado algum, à punição como forma de aprendizagem para qualquer criança, com deficiência ou não".
Mas o Supremo Tribunal de Justiça disse o contrário.
E errou.
Para um melhor juízo do leitor aqui tem a ligação para o texto integral do acórdão em causa
quinta-feira, 13 de abril de 2006
O PAPA MANDA EM DEUS
MAIS UM DISPARATE DA IGREJA CATÓLICA
Por estas bandas o agnosticismo militante sempre nos fez sorrir das coisas que a Igreja Católica diz por vezes com enorme solenidade.
Lê-se hoje no Portugal Diário que «Passar demasiado tempo a ler jornais, a ver televisão ou a navegar na Internet são alguns dos «novos pecados» anunciados pela Igreja Católica.» «O anúncio de que estas actividades passaram a ser pecadoras foi feito ontem no Vaticano pelo Cardeal James Francis Stafford, Penitenciário-Mor, ao presidir ao Rito da Reconciliação, celebração que era tradicional em Roma até ao Renascimento.»
Presume-se, do que se conhece das regras do Catecismo, que quem morrer sem confessar estes pecados irá parar ao inferno.
Isto é o Vaticano e exorbitar as suas funções de Estado e a ordenar a Deus que passe a castigar mais estes pecadores com o fogo eterno.
Por estas bandas o agnosticismo militante sempre nos fez sorrir das coisas que a Igreja Católica diz por vezes com enorme solenidade.Lê-se hoje no Portugal Diário que «Passar demasiado tempo a ler jornais, a ver televisão ou a navegar na Internet são alguns dos «novos pecados» anunciados pela Igreja Católica.» «O anúncio de que estas actividades passaram a ser pecadoras foi feito ontem no Vaticano pelo Cardeal James Francis Stafford, Penitenciário-Mor, ao presidir ao Rito da Reconciliação, celebração que era tradicional em Roma até ao Renascimento.»
Presume-se, do que se conhece das regras do Catecismo, que quem morrer sem confessar estes pecados irá parar ao inferno.
Isto é o Vaticano e exorbitar as suas funções de Estado e a ordenar a Deus que passe a castigar mais estes pecadores com o fogo eterno.
ALTO! ISTO É UM ASSALTO

No mundo do futebol português, quando há património por delapidar e ainda cheira a dinheiro, aparecem sempre candidatos disponíveis para se “imolarem” no sacrifício terrível de conduzir o clube à miséria.É o que acontece no SCP (Sporting Clube de Portugal) que já tem três protocandidatos à presidência do clube.
Mas quando não há património nem cheta, é vê-los escassearem que nem espécimes raras em vias de extinção.
É o que se perspectiva acontecer no Benfica que, coitado, ao que parece só terá um recandidato (o actual presidente) empurrado à força por uns quantos amigalhaços que, na falta de património e de cheta, se contentam apenas com o aparecerem na TV de vez em quando.
sábado, 8 de abril de 2006
QUEM PODE, PODE
A memória costuma ser curta mas creio que ainda há quem se lembra no que deu o episódio caricato da fúria de Alberto João Jardim contra a presença dos chineses na Madeira: o embaixador chinês foi de imediato até ao Funchal, pôs em sentido os responsáveis do Governo Regional da Madeira e mandou calar Alberto João.O qual, ao contrário do que sempre fora seu hábito, meteu o rabo entre as pernas e nunca mais falou dos chineses.
É, de facto, preciso ter muita força e poder para mandar calar um troglodita como Jardim que nunca por nunca nenhum Presidente da República e nenhum chefe do seu partido, o PSD, conseguiu fazer calar. Enfrentou-os sempre, a todos, e continuou sempre a dizer bacoradas sobre bacoradas desafiando-os sem pudor ou contenção.
Vem isto a propósito da “rusga” que as autoridades sanitárias fizeram há bem poucos dias aos restaurantes chineses em Portugal. Pelo que foi noticiado, 14 deles foram de imediato encerrados por falta de higiene. Mas o pior, para os chineses, terá sido a passagem das filmagens que se fizeram sem autorização dos proprietários dos restaurantes, filmagens que a SIC (e aqui há um mistério a desvendar: porquê só a SIC teve conhecimento da “rusga”; e quem a avisou?) realizou no interior dos mesmos e apresentou pornograficamente ao público mostrando o desmazelo reinante nas cozinhas desses restaurantes.
Quem como nós viveu na China e conhece bem a mentalidade, a susceptibilidade e o sentido da honra dos chineses, sabe bem o quão funda foi a ofensa que nesse caso lhes foi feita. Acabaram de fazer aos chineses aquilo que eles menos gostam na vida: fizeram, com a “rusga” e a sua divulgação pornográfica, que os chineses “perdessem a cara”.
E quem faz “perder a cara” a um chinês, faz-lhe a maior das ofensas. E compra a maior das guerras.
Para já a SIC foi obrigada, há dois dias, a convidar o responsável pela ASAE (A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica) - entidade que executou a “rusga” e encerrou 14 restaurantes - a prestar declarações ao telejornal daquela estação de televisão, tendo-se o mesmo desculpado com o argumento de que «não fiscalizamos apenas restaurantes chineses, mas também padarias e pastelarias portuguesas». Só não explicou porque é que quando fiscalizam as tais padarias e pastelarias não levam atrás as câmaras da SIC para mostrar a coisa ao grande público. Nessas declarações o mesmo responsável da ASAE terá confirmado ter aceitado um convite para almoçar com o embaixador chinês em Lisboa.
E agora, o mesmo homem que fora à Madeira mandar calar Alberto João vai dizer mais ou menos isto ao responsável da ASAE quando almoçarem:
- Para começar, acabou-se a perseguição aos comerciantes chineses. E independentemente do que vierem a fazer para reparar os prejuízos que acabam de provocar aos proprietários dos restaurantes (a afluência aos mesmos caiu 50% na sequência da “rusga” da semana passada), o Governo de Pequim decidiu já suspender a apreciação de “X” projectos empresariais portugueses na China, e pondera o cancelamento de encomendas, no valor de “Y” milhões de euros, que tínhamos feito à indústria portuguesa.
Para além disso exigimos que organizem um programa de reabilitação da imagem dos restaurantes e do comércio chinês em Portugal.
Transmita isso aos seus superiores e passe muito bem.
Aposto que dentro de pouco tempo vamos ter os meios de comunicação a louvar e a publicitar "gratuitamente" (alguém há-de pagar) os restaurantes chineses.
Havemos de ver se sim ou não.
É que... quem pode, pode mesmo!
quinta-feira, 6 de abril de 2006
UMA BOA E BELA ALTERNATIVA
Fernando Venâncio, do Aspirina B, acha que estar, por exemplo, pregado toda a vida atrás de um balcão a vender suspensórios é uma vida melhor que a dos miúdos que, segundo ele, em Dublin, protegidos pelo Estado católico, e por isso não necessitados de um emprego, passam a vida na bebedeira.Eu não vejo em que é que uma bebedeirazita diária não é bem melhor que o tédio de, por exemplo, um emprego atrás de um balcão a vender suspensórios. Toda a vida.
E até acho que é bem melhor andar na bebedeira do que a trabalhar monotonamente. Se se puder, claro, andar na bebedeira. Mas ao que parece, aqueles miúdos podem.
Parafraseando o nosso “ex”, Sampaio, apetece-me dizer:
Há mais Vida para além do Trabalho.
domingo, 2 de abril de 2006
BOM DOMINGO
A minha capacidade imaginativa permanece no Buraco Negro em que entrou desde há doze dias. Resta-me a esperança de, tal como acontece na Física e na Astronomia, o buraco não ser nem negro nem buraco.Como me apetece estar activo e não me desgosta andar por aqui na blogosfera a passarinhar, aproveitei os grandes passeios que tenho dado nela (blogosfera) e refiz em parte a lista, aqui ao lado, dos blogues que habitualmente mais visito.
quinta-feira, 30 de março de 2006
BOA NOITE

Saí hoje de uma marinada de dez dias em que não houve por aqui vestígio algum de ideia nenhuma; que o mesmo é dizer: vestígio nenhum de, sequer, uma única ideia.
Confesso-o sem o menor rebuço – é a verdade pura e dura para mim - a cabeça não funcionou. Positivamente não funcionou!
Estava já a ficar nervoso com a situação e até cheguei a encarar a hipótese de escrever um texto qualquer sem sentido nenhum (embora com palavras com significado), com apenas a finalidade de mostrar que estava vivo; do género: “tenho um amigo que sofre de
PNEUMONOULTRAMICROSCOPICOSILICOVOLCANOCONIOSE”.(*)
Mas eis que apareceu na blogosfera esta tábua de salvação: um convite para fazer uma prova de avaliação do meu QI (hoje diz-se Quociente Intelectual e não Quociente de Inteligência – este é complexo e ainda não há quem o saiba avaliar).
E querem saber no que é que deu a minha prova?
Ei-la:
«Your QI is 132»
«Your Intellectual Type is Inventive Inquisitor. You have the unusual distinction of being equally good at math and verbal skills. This means you are a creative thinker and are uniquely good at teaching others through experiences. You are also a great improviser and very good at handling change.»
Li e reli o relatório acima resumido.
E entre o preocupado e o contente fiz a seguinte análise ao mesmo:
«Your QI is 132.» Aqui comecei a ficar contente (diz-se que o QI de Bush é de 76).
«Your Intellectual Type is Inventive Inquisitor.» Aqui imaginei-me logo a dar umas dicas ao celebérrimo Torquemada: “esfolar os hereges, cobrir-lhes o corpo com sal e piri-piri e só depois levá-los à fogueira”.
«You have the unusual distinction of being equally good at math and verbal skills.» Imaginei-me logo no Governo, pois, não há dúvida nenhuma de que sou um autêntico cigano.
«This means you are a creative thinker and are uniquely good at teaching others through experiences.» Bem, isso eu já sabia (é o que elas me têm dito ao longo da vida).
«You are also a great improviser and very good at handling change». Ouviste, ó Sócrates! Põe-te a pau que qualquer dia ainda crio um partido e estarás arrumado.
(*)Doença pulmonar causada pela aspiração de particulas de silício contidas em poeiras vulcânicas.
terça-feira, 21 de março de 2006
TOME NOTA
O senhor Director Geral das Prisões terá declarado hoje numa comissão parlamentar que «os presos com hepatite C não estão a ser tratados convenientemente».
Interrogado sobre o porquê desta situação o senhor Ministro da Saúde respondeu, aos microfones da Antena 1 (noticiário das 18 horas de hoje) que «o tratamento mais eficaz contra a hepatite C custa, por doente e por semana, “cinquenta contos”»; e mais disse que o Estado não tem dinheiro para custear esse tratamento.
Não queremos aqui discutir se os presos têm ou não direito ao tratamento mais eficaz; nem sequer se têm direito ou não a tratamento.
O que queremos aqui fazer, solenemente, é chamar a atenção de você que nos lê para o seguinte:
Dentro de algum tempo não muito distante teremos a mesma justificação relativamente a tratamentos dos doentes em geral abrangidos pela Segurança Social.
Desde já avançamos com uma pergunta:
Os governos e os ministros existem para resolver os problemas do País ou somente para justificar a má resolução ou mesmo a não resolução dos problemas que é suposto resolverem?
Interrogado sobre o porquê desta situação o senhor Ministro da Saúde respondeu, aos microfones da Antena 1 (noticiário das 18 horas de hoje) que «o tratamento mais eficaz contra a hepatite C custa, por doente e por semana, “cinquenta contos”»; e mais disse que o Estado não tem dinheiro para custear esse tratamento.
Não queremos aqui discutir se os presos têm ou não direito ao tratamento mais eficaz; nem sequer se têm direito ou não a tratamento.
O que queremos aqui fazer, solenemente, é chamar a atenção de você que nos lê para o seguinte:
Dentro de algum tempo não muito distante teremos a mesma justificação relativamente a tratamentos dos doentes em geral abrangidos pela Segurança Social.
Desde já avançamos com uma pergunta:
Os governos e os ministros existem para resolver os problemas do País ou somente para justificar a má resolução ou mesmo a não resolução dos problemas que é suposto resolverem?
sábado, 18 de março de 2006
BASTA!
Basta dessa diarreia de palavras; dessa incontinência verbal permanente; desse desfiar ininterrupto de historietas sem interesse, cheias de banalidades – basta desse atentado anticultural que, salvo raríssimas excepções, se está a perpetrar quotidianamente aos microfones da Antena 2 da RDP.
Queremos música erudita!
Não queremos palavras, palavras, palavras!
Não queremos o lixo palavroso que nos tem sido servido!
Chega! Todos estamos certamente fartos de sofrer com a situação actual da Antena 2.
Senhores ou senhoras (quem sejam) que mandam nisso: façam o favor de nos acudir.
Manda a mais pequenina réstia de bom senso que quem de direito dê uma varridela profunda na Antena 2 e lhe devolva a dignidade que já teve e que deve continuar a ter.
BASTA!
Nota:
Essa destruição da programação da Antena 2 está a ser levada a cabo com a justificação patética que se pode conferir aqui neste texto da mesma estação emissora:
«A programação da Antena 2, em 2006, reflecte uma atitude de abertura a novas ideias, em busca de novos ouvintes e novos hábitos sem comprometer a fidelidade do actual auditório.»
Uma lástima, é o que isso é. Uma verdadeira lástima.
Editado às 9:14 AM de 19/03/2006:
Se concorda connosco não fique calado.
Mande-lhes um e-mail ou envie-lhes um fax.
Proteste. Faça-se ouvir.
E-mail: antena2@rdp.pt
Fax Acção Cultural: 213 820 170
Queremos música erudita!
Não queremos palavras, palavras, palavras!
Não queremos o lixo palavroso que nos tem sido servido!
Chega! Todos estamos certamente fartos de sofrer com a situação actual da Antena 2.
Senhores ou senhoras (quem sejam) que mandam nisso: façam o favor de nos acudir.
Manda a mais pequenina réstia de bom senso que quem de direito dê uma varridela profunda na Antena 2 e lhe devolva a dignidade que já teve e que deve continuar a ter.
BASTA!
Nota:
Essa destruição da programação da Antena 2 está a ser levada a cabo com a justificação patética que se pode conferir aqui neste texto da mesma estação emissora:
«A programação da Antena 2, em 2006, reflecte uma atitude de abertura a novas ideias, em busca de novos ouvintes e novos hábitos sem comprometer a fidelidade do actual auditório.»
Uma lástima, é o que isso é. Uma verdadeira lástima.
Editado às 9:14 AM de 19/03/2006:
Se concorda connosco não fique calado.
Mande-lhes um e-mail ou envie-lhes um fax.
Proteste. Faça-se ouvir.
E-mail: antena2@rdp.pt
Fax Acção Cultural: 213 820 170
sexta-feira, 17 de março de 2006
UMA DIFERENÇA SUBSTANCIAL
UMA IMAGEM PREMONITÓRIA

Na primeira reunião semanal entre o Presidente da República e o Primeiro-Ministro notaram-se várias diferenças em relação às mesmas reuniões no passado (recente e longínquo) entre outros presidentes e primeiros-ministros: desde logo o desaparecimento de cena dos confortáveis sofás; e o aparecimento de uma austera mesinha de trabalho.
Se Sócrates marcou a sua posição burguesa transportando um caderno moleskine, já Cavaco mostrou a sua origem humilde trazendo um simples caderno escolar.
Mas a grande diferença está na ocupação do Tapete do Poder: a cadeira de Cavaco Silva tem os quatro pés assentes sobre o tapete (restando-lhe muito espaço atrás e à direita), enquanto a de Sócrates está praticamente fora desse tapete, tendo o direito de apenas colocar, com grande dificuldade, os dois pés da frente sobre o dito, não podendo conquistar mais tapete senão avançando contra Cavaco.
Assim será o futuro.

Na primeira reunião semanal entre o Presidente da República e o Primeiro-Ministro notaram-se várias diferenças em relação às mesmas reuniões no passado (recente e longínquo) entre outros presidentes e primeiros-ministros: desde logo o desaparecimento de cena dos confortáveis sofás; e o aparecimento de uma austera mesinha de trabalho.
Se Sócrates marcou a sua posição burguesa transportando um caderno moleskine, já Cavaco mostrou a sua origem humilde trazendo um simples caderno escolar.
Mas a grande diferença está na ocupação do Tapete do Poder: a cadeira de Cavaco Silva tem os quatro pés assentes sobre o tapete (restando-lhe muito espaço atrás e à direita), enquanto a de Sócrates está praticamente fora desse tapete, tendo o direito de apenas colocar, com grande dificuldade, os dois pés da frente sobre o dito, não podendo conquistar mais tapete senão avançando contra Cavaco.
Assim será o futuro.
A DANÇA DO MALABARISTA
Na coluna “OPINIÃO” do Diário de Notícias é suposto cada interveniente dar a sua opinião sobre os assuntos que aborda.
Pois bem, hoje é (melhor, seria) a vez de António Vitorino dar a sua opinião sobre o tema que certamente lhe terá sido proposto pelo jornal, “Quotas” (as quotas de mulheres na vida pública portuguesa).
É sabido que o PS é defensor e proponente da existência de quotas para a entrada de mulheres na vida política e em cargos relevantes das instituições públicas do País. Seria, portanto, de todo o interesse saber qual a opinião de António Vitorino, dirigente do PS, sobre o assunto. Tanto mais que ele aceitou escrever, de livre vontade, sobre o tema.
E o que é que este inteligentíssimo profissional e político nos diz?
Limita-se a relatar-nos como o problema tem sido até agora encarado, em Portugal e em alguns países estrangeiros, para terminar dizendo:
«Este debate vai ser retomado agora entre nós. Haveremos de voltar ao tema, claro. Por ora, contudo, cumpre assinalar que é um debate relevante que não se esgota na feitura de uma lei…»
E blá-blá-blá e blá-blá-blá.
Isto é: de “Opinião” – nicles batatóide!
Pois bem, hoje é (melhor, seria) a vez de António Vitorino dar a sua opinião sobre o tema que certamente lhe terá sido proposto pelo jornal, “Quotas” (as quotas de mulheres na vida pública portuguesa).
É sabido que o PS é defensor e proponente da existência de quotas para a entrada de mulheres na vida política e em cargos relevantes das instituições públicas do País. Seria, portanto, de todo o interesse saber qual a opinião de António Vitorino, dirigente do PS, sobre o assunto. Tanto mais que ele aceitou escrever, de livre vontade, sobre o tema.
E o que é que este inteligentíssimo profissional e político nos diz?
Limita-se a relatar-nos como o problema tem sido até agora encarado, em Portugal e em alguns países estrangeiros, para terminar dizendo:
«Este debate vai ser retomado agora entre nós. Haveremos de voltar ao tema, claro. Por ora, contudo, cumpre assinalar que é um debate relevante que não se esgota na feitura de uma lei…»
E blá-blá-blá e blá-blá-blá.
Isto é: de “Opinião” – nicles batatóide!
quinta-feira, 16 de março de 2006
BOM DIA
Achille Papin, personagem de “A Festa de Babette” de Karen Blixen:
«O que é a fama? O que é a glória? O túmulo a todos nos espera.»
«O que é a fama? O que é a glória? O túmulo a todos nos espera.»
COMENTÁRIOS PARA QUÊ?
Aqui há cerca de quatro anos os autoproclamados “partidos democráticos” quiseram dar a mão aos chamados “renovadores” do Partido Comunista e julgaram que o conseguiriam legislando no sentido de proibir as votações de braço no ar (que o PCP usava nos seus congressos) pensando que com isso libertariam os opositores internos do PCP do medo que a votação de braço no ar lhes provocava dando-lhes a oportunidade de, no anonimato do voto secreto, poderem derrotar as teses da direcção do partido.
Como se sabe, a alteração da forma de votar nada de novo trouxe aos congressos do PCP. E os “renovadores” desaparecem um por um a ponto de já há muito tempo se ter deixado de falar deles.
Pois bem, hoje surge-nos a notícia de que delegados ao congresso deste fim-de-semana do PSD - partido mais que “democrata”, como bem sabemos – estão a exigir que as votações para a alteração dos estatutos do PSD se façam de braço no ar.
Dá para acreditar?
Claro que dá!
O oportunismo e o golpismo político; a falta de memória; a falta de seriedade de políticos desta praça explicam facilmente este incrível desejo de “inversão democrática” da forma de expressão do voto.
Como se sabe, a alteração da forma de votar nada de novo trouxe aos congressos do PCP. E os “renovadores” desaparecem um por um a ponto de já há muito tempo se ter deixado de falar deles.
Pois bem, hoje surge-nos a notícia de que delegados ao congresso deste fim-de-semana do PSD - partido mais que “democrata”, como bem sabemos – estão a exigir que as votações para a alteração dos estatutos do PSD se façam de braço no ar.
Dá para acreditar?
Claro que dá!
O oportunismo e o golpismo político; a falta de memória; a falta de seriedade de políticos desta praça explicam facilmente este incrível desejo de “inversão democrática” da forma de expressão do voto.
domingo, 12 de março de 2006
PICASSO
NÃO GOSTOU, ESTÁ VISTO

Abri hoje o site da Presidência da República e perguntei ao Picasso o que achava do discurso de Cavaco Silva na cerimónia da tomada de posse.
Resposta do meu gato:
«O que importa agora é a higiene. Quando acabar de me alindar, vou fazer um chichi; e depois, se ainda houver tempo, falarei de ninharias».
Ele lá sabe. Mas que não gostou da pobreza do site, lá isso é incontestável.
COMO PROMETIDO (5)
MOSTRO A APROXIMAÇÃO À ILHA DO FOGO

Saído do aeroporto da Praia, o avião de 40 lugares ruma a Oeste demandando a ilha do vulcão.
O aparelho voa alto mas não atinge a altitude de 2.829 m de onde o colosso de fogo, silencioso e vigilante, tem à vista as restantes nove ilhas do arquipélago.
Mesmo assim somos presenteados com belas imagens, como esta, que nos transmitem toda a beleza mas também todo o carácter austero e dominador da ilha guardiã do Atlântico Norte.

Saído do aeroporto da Praia, o avião de 40 lugares ruma a Oeste demandando a ilha do vulcão.
O aparelho voa alto mas não atinge a altitude de 2.829 m de onde o colosso de fogo, silencioso e vigilante, tem à vista as restantes nove ilhas do arquipélago.
Mesmo assim somos presenteados com belas imagens, como esta, que nos transmitem toda a beleza mas também todo o carácter austero e dominador da ilha guardiã do Atlântico Norte.
sábado, 11 de março de 2006
REQUIEM PARA O ESPECTRO
Apenas duas postas mais abaixo escrevi:
«Não me vou cansar de saudar a chegada de Vasco Pulido Valente à blogosfera.»
Ah, pois não! Não me cansarei, não senhor.
É que mal chegaram (ele e Constança) já estão de partida.
A blogosfera não é para espíritos muito sensíveis.
Não aguentaram o peso do lixo da caixa de comentários que imprudentemente e em má hora abriram. - É que ninguém tem estômago para digerir a imundície que normalmente lá se encontra -. E eles morreram da indigestão desse lixo altamente tóxico. Desiludidos com a baixa qualidade dos seus “comentadores” refugiam-se agora nos jornais. Também as reacções que lhes terão chegado via e-mail deverão ter tido um papel importante nessa decisão.
Por outro lado os seus editores na imprensa (e o editor livreiro de Vasco) devem ter-lhes “alertado” para o perigo da banalização da sua intervenção pública na blogosfera.
Nisto, de facto, Pacheco Pereira é o mestre de todos eles: ubérrimo de ideias, capaz de produzir resmas de texto todos os dias, faz constantemente novas variações sobre temas que lhe são caros e aos quais volta sempre como quem os aborda pela vez primeira. Não insulta, não responde à letra ou, pura e simplesmente, não responde de todo.
E teve o cuidado, a atitude prudente, de não abrir caixa de comentários no seu blogue.
A caixa de comentários é o buraco no soalho que alberga por baixo os ninhos de ratos que roem com supino instinto destruidor o conteúdo das postas dos blogues. É por aí que a existência dos blogues é ameaçada e muitas vezes é extinta.
O Espectro sucumbiu muito às mãos desses ratos.
Que tenha um bom descanso lá onde a sua alma for parar.
«Não me vou cansar de saudar a chegada de Vasco Pulido Valente à blogosfera.»
Ah, pois não! Não me cansarei, não senhor.
É que mal chegaram (ele e Constança) já estão de partida.
A blogosfera não é para espíritos muito sensíveis.
Não aguentaram o peso do lixo da caixa de comentários que imprudentemente e em má hora abriram. - É que ninguém tem estômago para digerir a imundície que normalmente lá se encontra -. E eles morreram da indigestão desse lixo altamente tóxico. Desiludidos com a baixa qualidade dos seus “comentadores” refugiam-se agora nos jornais. Também as reacções que lhes terão chegado via e-mail deverão ter tido um papel importante nessa decisão.
Por outro lado os seus editores na imprensa (e o editor livreiro de Vasco) devem ter-lhes “alertado” para o perigo da banalização da sua intervenção pública na blogosfera.
Nisto, de facto, Pacheco Pereira é o mestre de todos eles: ubérrimo de ideias, capaz de produzir resmas de texto todos os dias, faz constantemente novas variações sobre temas que lhe são caros e aos quais volta sempre como quem os aborda pela vez primeira. Não insulta, não responde à letra ou, pura e simplesmente, não responde de todo.
E teve o cuidado, a atitude prudente, de não abrir caixa de comentários no seu blogue.
A caixa de comentários é o buraco no soalho que alberga por baixo os ninhos de ratos que roem com supino instinto destruidor o conteúdo das postas dos blogues. É por aí que a existência dos blogues é ameaçada e muitas vezes é extinta.
O Espectro sucumbiu muito às mãos desses ratos.
Que tenha um bom descanso lá onde a sua alma for parar.
quinta-feira, 9 de março de 2006
CHAMEM A POLÍCIA!
Nós éramos os campeões da gestão; do pronto-pagamento, das contas em dia, do “não-devemos-ao -fisco”, da contenção nos gastos, dos treinadores-bons-e-baratos, do “não-entramos-em-loucuras”, etc., etc..
Toda essa euforia reconhecia, no fundo, a obra ingente, sensacional e inteligente, de um homem - José Roquette.
Incensámo-lo e endeusámo-lo; e quando começou a ficar casmurro aceitámos que se fosse embora e deixasse alguém no seu lugar - Dias da Cunha.
Digno continuador de Roquette: homem recto, sagaz nos negócios, sóbrio nas despesas e um grande negociador e gestor. Com ele o Sporting continuaria no bom caminho, tinha credibilidade junto das entidades bancárias e respirava uma saúde financeira de se lhe tirar o chapéu.
Saiu Dias da Cunha e deixou lá Soares Franco. - Bom gestor, e pa-ta-tí e pa-ta-tá, e blá-blá-blá, e blá-blá-blá.
Hoje sai a notícia:
«O Conselho Directivo do Sporting revelou esta quinta-feira que o clube deve cerca de 237 milhões de euros (M€) a entidades bancárias, razão pela qual pretende vender o património não desportivo.»
Afinal o Sporting está ainda pior do que o Benfica; clube que tanto gozo nos deu achincalhar de cada vez que saía nos jornais mais uma notícia das suas fabulosas dívidas.
Pergunto:
Não se pode meter essa gente toda na cadeia?
Andaram por lá a enganar o pagode e no fim o que queriam era afinal sugar o património imobiliário do Sporting Clube de Portugal.
Agora sim, vamos ser como os outros: entregamos o estádio, os terrenos, as inúmeras casas que sucessivas gerações de sportinguistas foram deixando ao clube em herança, e ficamos apenas com as camisolas.
Ele há cada espécie de ladrão que não há imaginação capaz de a conceber.
Toda essa euforia reconhecia, no fundo, a obra ingente, sensacional e inteligente, de um homem - José Roquette.
Incensámo-lo e endeusámo-lo; e quando começou a ficar casmurro aceitámos que se fosse embora e deixasse alguém no seu lugar - Dias da Cunha.
Digno continuador de Roquette: homem recto, sagaz nos negócios, sóbrio nas despesas e um grande negociador e gestor. Com ele o Sporting continuaria no bom caminho, tinha credibilidade junto das entidades bancárias e respirava uma saúde financeira de se lhe tirar o chapéu.
Saiu Dias da Cunha e deixou lá Soares Franco. - Bom gestor, e pa-ta-tí e pa-ta-tá, e blá-blá-blá, e blá-blá-blá.
Hoje sai a notícia:
«O Conselho Directivo do Sporting revelou esta quinta-feira que o clube deve cerca de 237 milhões de euros (M€) a entidades bancárias, razão pela qual pretende vender o património não desportivo.»
Afinal o Sporting está ainda pior do que o Benfica; clube que tanto gozo nos deu achincalhar de cada vez que saía nos jornais mais uma notícia das suas fabulosas dívidas.
Pergunto:
Não se pode meter essa gente toda na cadeia?
Andaram por lá a enganar o pagode e no fim o que queriam era afinal sugar o património imobiliário do Sporting Clube de Portugal.
Agora sim, vamos ser como os outros: entregamos o estádio, os terrenos, as inúmeras casas que sucessivas gerações de sportinguistas foram deixando ao clube em herança, e ficamos apenas com as camisolas.
Ele há cada espécie de ladrão que não há imaginação capaz de a conceber.
domingo, 5 de março de 2006
DERRUBANDO MITOS
Não me vou cansar de saudar a chegada de Vasco Pulido Valente à blogosfera.
Vejam bem como o homem continua a ajudar-nos a descobrir as incongruências dos figurões políticos da praça portuguesa e a identificar os disparates dos infalíveis comentadores da coisa.
Hoje vem dizer-nos aqui que Portugal já teve um Presidente da República pedófilo;
e informa-nos aqui que a prolífica Clara Ferreira Alves (que eu já ouvi ser tratada por doutora sem recusar tal tratamento) não passa de uma “santanete” ingrata que hoje anda a morder a mão que ainda há bem pouco tempo lhe chegava a comida à boca.
Vejam bem como o homem continua a ajudar-nos a descobrir as incongruências dos figurões políticos da praça portuguesa e a identificar os disparates dos infalíveis comentadores da coisa.
Hoje vem dizer-nos aqui que Portugal já teve um Presidente da República pedófilo;
e informa-nos aqui que a prolífica Clara Ferreira Alves (que eu já ouvi ser tratada por doutora sem recusar tal tratamento) não passa de uma “santanete” ingrata que hoje anda a morder a mão que ainda há bem pouco tempo lhe chegava a comida à boca.
NEM MAIS
Eu, reconhecidamente ninguém, como, aliás, todos os que me conhecem bem sabem que sou (ou não sou), mesmo assim permito-me congratular com o que escreve Vasco Pulido Valente nesta memorável posta de que ressalto apenas esta parte:
«Agora, escrever é uma variante de pisar ovos. Os mestres do "correcto" vigiam, como nunca vigiaram os coronéis de Salazar. Até a sociedade portuguesa de repente acordou puritana. Cada cidadão, cada medíocre, cada engraçadinho pode esconder um polícia. Pior ainda: um delator e um explorador do escândalo. Os grandes crimes (como de resto os pequenos delitos) contra o corpo ou qualquer espécie de igualdade não se toleram, nem se desculpam. E, entretanto, o indivíduo morreu. Não fui feito para isto.»
Leia a posta toda aqui e fique a conhecer a opinião de quem está farto da forma de vida que temos na sociedade de hoje.
«Agora, escrever é uma variante de pisar ovos. Os mestres do "correcto" vigiam, como nunca vigiaram os coronéis de Salazar. Até a sociedade portuguesa de repente acordou puritana. Cada cidadão, cada medíocre, cada engraçadinho pode esconder um polícia. Pior ainda: um delator e um explorador do escândalo. Os grandes crimes (como de resto os pequenos delitos) contra o corpo ou qualquer espécie de igualdade não se toleram, nem se desculpam. E, entretanto, o indivíduo morreu. Não fui feito para isto.»
Leia a posta toda aqui e fique a conhecer a opinião de quem está farto da forma de vida que temos na sociedade de hoje.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2006
COMO PROMETIDO (4)
CONTO O QUE EU SOFRI EM CABO VERDE
Sofri uma permanente tortura musical.
É um catchapum, catchapum, catchapum constante que inferniza até as pedras da calçada.
Em todo o lado e a toda a hora há sempre uma “coluna” de som, um cantor, um músico ou um grupo musical a debitar decibéis, ao berros, nos ouvidos de quem passa ou não pode fugir.
Mesmo naquela piscina excelente, elogiada aqui mais abaixo, passei dois dias de tortura musical permanente. Valeu-me, nos restantes dias, os protestos de vários hóspedes cujos levaram o gerente a silenciar a máquina trituradora dos ouvidos.
Em todo o hotel havia sempre música de Cabo Verde. Permanentemente. E o engraçado é que no bar do hotel, onde ela até se justificaria, não havia música; mas havia um televisor sempre ligado e a fumegar.
---->
Exemplo de tortura logo à chegada ao aeroporto da Praia.
Sofri uma permanente tortura musical.
É um catchapum, catchapum, catchapum constante que inferniza até as pedras da calçada.
Em todo o lado e a toda a hora há sempre uma “coluna” de som, um cantor, um músico ou um grupo musical a debitar decibéis, ao berros, nos ouvidos de quem passa ou não pode fugir.
Mesmo naquela piscina excelente, elogiada aqui mais abaixo, passei dois dias de tortura musical permanente. Valeu-me, nos restantes dias, os protestos de vários hóspedes cujos levaram o gerente a silenciar a máquina trituradora dos ouvidos.
Em todo o hotel havia sempre música de Cabo Verde. Permanentemente. E o engraçado é que no bar do hotel, onde ela até se justificaria, não havia música; mas havia um televisor sempre ligado e a fumegar.
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Exemplo de tortura logo à chegada ao aeroporto da Praia.
COMO PROMETIDO (3)
CONTO O QUE EU APRECIEI EM CABO VERDE

A excelente piscina de água salgada do Hotel Xaguate, na Ilha do Fogo. Uma das melhores piscinas que conheço tomando para comparação as de alguns destinos turísticos internacionalmente emblemáticos: Madeira; Algarve; Macau; Ilha de Phuket, na Tailândia; Ilha de Pankor, na Malásia, entre outros.
Parabéns aos proprietários portugueses que em boa hora recuperaram o Hotel e deram ao Fogo essa bela peça de infra-estrutura turística que tanta falta vinha fazendo.

A excelente piscina de água salgada do Hotel Xaguate, na Ilha do Fogo. Uma das melhores piscinas que conheço tomando para comparação as de alguns destinos turísticos internacionalmente emblemáticos: Madeira; Algarve; Macau; Ilha de Phuket, na Tailândia; Ilha de Pankor, na Malásia, entre outros.
Parabéns aos proprietários portugueses que em boa hora recuperaram o Hotel e deram ao Fogo essa bela peça de infra-estrutura turística que tanta falta vinha fazendo.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2006
COMO PROMETIDO (2)
CONTO O QUE EU OUVI EM CABO VERDE
Naquele domingo de manhã (iniciava-se aparentemente pacato o dia 19 deste mês de Fevereiro) estava eu, como fazia, aliás, todos os dias àquela hora, a ouvir as primeiras notícias locais quando subitamente sou esmagado pela naturalidade com que a locutora de serviço lia a seguinte notícia:
«Na cidade da Praia foram hoje encontrados os corpos de três pessoas baleadas mortalmente durante a última noite de sábado...» etc., etc.
E dei comigo a pensar que o equivalente a esta notícia seria talvez ouvirmos a TSF informar-nos, com toda a normalidade:
Na cidade da Lisboa foram hoje encontrados os corpos de trinta pessoas baleadas mortalmente durante a última noite de sábado.
Mas o que é isto, minha gente?!
O senhor primeiro-ministro de Cabo verde não tem nada a dizer sobre como vai o Governo combater essa onda de violência?
O senhor Presidente da República não tem nada a dizer sobre o que pensa desta onda de violência?
Vão ficar todos calados?
É que este acontecimento é gravíssimo.
Matanças dessas não podem continuar a acontecer. E sobretudo não podem ser encaradas como a coisa mais natural do mundo.
Naquele domingo de manhã (iniciava-se aparentemente pacato o dia 19 deste mês de Fevereiro) estava eu, como fazia, aliás, todos os dias àquela hora, a ouvir as primeiras notícias locais quando subitamente sou esmagado pela naturalidade com que a locutora de serviço lia a seguinte notícia:
«Na cidade da Praia foram hoje encontrados os corpos de três pessoas baleadas mortalmente durante a última noite de sábado...» etc., etc.
E dei comigo a pensar que o equivalente a esta notícia seria talvez ouvirmos a TSF informar-nos, com toda a normalidade:
Na cidade da Lisboa foram hoje encontrados os corpos de trinta pessoas baleadas mortalmente durante a última noite de sábado.
Mas o que é isto, minha gente?!
O senhor primeiro-ministro de Cabo verde não tem nada a dizer sobre como vai o Governo combater essa onda de violência?
O senhor Presidente da República não tem nada a dizer sobre o que pensa desta onda de violência?
Vão ficar todos calados?
É que este acontecimento é gravíssimo.
Matanças dessas não podem continuar a acontecer. E sobretudo não podem ser encaradas como a coisa mais natural do mundo.
domingo, 26 de fevereiro de 2006
COMO PROMETIDO (1)
CONTO O QUE EU VI EM CABO VERDE


Nesta viagem que agora acabou encontrei um país onde a população não vota maioritariamente no Presidente recandidato apoiado pelo partido que havia apenas três semanas ganhara de forma clara as eleições legislativas, mas vota sim, maioritariamente, no candidato apoiado pela oposição.
Isso:
numa prova clara de que, a despeito de toda a "clubização" (pretende-se que os partidos políticos sejam encarados pelos eleitores como um clube desportivo cujo emblema se apoia sempre mesmo quando não se concorda com o que lá se passa) – a despeito de toda a "clubização", dizíamos – os eleitores tiveram o discernimento suficiente para fazerem, de forma consciente, a escolha do candidato que mais garantias lhes dava;
numa prova clara de que quem reside no país não gostou da actuação que o seu Presidente tivera durante cinco anos de mandato e queria vê-lo de lá para fora não o reconduzindo no cargo.
No meu entender Pedro Pires é agora um Presidente mais fraco do que era pelo facto importante de ter saído derrotado no interior do país estando ele sentado na cadeira presidencial desde há cinco anos e beneficiando do apoio de todo um Governo legitimado nas urnas havia apenas três semanas.
É certo que a emigração o elegeu claramente (e os emigrantes não são menos cabo-verdianos que os residentes no País); mas o estigma de ter sido preterido por quem vive – digamos assim - dentro de casa com ele, de manhã à noite, todos os santos dias, é um estigma demasiadamente vincado que, no meu entender, o diminui de forma significativa para todo o mandato de cinco anos que ainda o espera.
Carlos Veiga tornou-se uma sombra demasiado grande para Pedro Pires.
E ficou demonstrado que Veiga tem capital político e apoio popular suficientes para ser um dia eleito Presidente da República.


Nesta viagem que agora acabou encontrei um país onde a população não vota maioritariamente no Presidente recandidato apoiado pelo partido que havia apenas três semanas ganhara de forma clara as eleições legislativas, mas vota sim, maioritariamente, no candidato apoiado pela oposição.
Isso:
numa prova clara de que, a despeito de toda a "clubização" (pretende-se que os partidos políticos sejam encarados pelos eleitores como um clube desportivo cujo emblema se apoia sempre mesmo quando não se concorda com o que lá se passa) – a despeito de toda a "clubização", dizíamos – os eleitores tiveram o discernimento suficiente para fazerem, de forma consciente, a escolha do candidato que mais garantias lhes dava;
numa prova clara de que quem reside no país não gostou da actuação que o seu Presidente tivera durante cinco anos de mandato e queria vê-lo de lá para fora não o reconduzindo no cargo.
No meu entender Pedro Pires é agora um Presidente mais fraco do que era pelo facto importante de ter saído derrotado no interior do país estando ele sentado na cadeira presidencial desde há cinco anos e beneficiando do apoio de todo um Governo legitimado nas urnas havia apenas três semanas.
É certo que a emigração o elegeu claramente (e os emigrantes não são menos cabo-verdianos que os residentes no País); mas o estigma de ter sido preterido por quem vive – digamos assim - dentro de casa com ele, de manhã à noite, todos os santos dias, é um estigma demasiadamente vincado que, no meu entender, o diminui de forma significativa para todo o mandato de cinco anos que ainda o espera.
Carlos Veiga tornou-se uma sombra demasiado grande para Pedro Pires.
E ficou demonstrado que Veiga tem capital político e apoio popular suficientes para ser um dia eleito Presidente da República.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006
ADEUS E ATÉ AO MEU REGRESSO
De partida para ir inspeccionar o terreno em Cabo Verde, após duas eleições, a ver se as pedras ainda estão no seu lugar, prometo voltar lá para o final deste mês em que darei conta do que vir, cheirar e testar, se assim achar dever fazer.
Isto quer dizer que este blogue não será actualizado durante as próximas duas semanas. - Não que não haja hipótese para isso: há por lá computadores ligados à Internet; o que não há é tempo para manigâncias destas -.
Fiquem bem.
Djarfogo espera-me. Verdade!
Isto quer dizer que este blogue não será actualizado durante as próximas duas semanas. - Não que não haja hipótese para isso: há por lá computadores ligados à Internet; o que não há é tempo para manigâncias destas -.
Fiquem bem.
Djarfogo espera-me. Verdade!
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006
A SAÚDE QUE MATA
Vasco Pulido Valente (suponho que ainda) um fumador inveterado, a propósito da lei da proibição de fumar no Reino Unido:
«O Ocidente que deixou de acreditar fosse no que fosse, acredita fervorosamente na saúde. Não se percebe este amor ao corpo. Um indivíduo que não fume, que não beba, que se obrigue disciplinadamente a uma dieta punitiva e faça exercício sem parar ganha o extraordinário privilégio de trabalhar muito mais, durante muito mais tempo. Ou, pior ainda, acaba por cair numa velhice patética e por morrer entubado e espicaçado e com médicos que o tratam como quem trata o problema de uma rã.»
Leia aqui a posta na sua totalidade e fique bem disposto.
«O Ocidente que deixou de acreditar fosse no que fosse, acredita fervorosamente na saúde. Não se percebe este amor ao corpo. Um indivíduo que não fume, que não beba, que se obrigue disciplinadamente a uma dieta punitiva e faça exercício sem parar ganha o extraordinário privilégio de trabalhar muito mais, durante muito mais tempo. Ou, pior ainda, acaba por cair numa velhice patética e por morrer entubado e espicaçado e com médicos que o tratam como quem trata o problema de uma rã.»
Leia aqui a posta na sua totalidade e fique bem disposto.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006
A ERUDIÇÃO JÁ ERA
Julgo que é suposto a Antena 2 da RDP ser uma estação de rádio de música erudita.
Sendo-o não se compreende que um apresentador(?) de programas não saiba falar Português.
Hoje, cerca das 8:50 da manhã, o apresentador(?) de serviço falava de qualquer coisa que acontecera «de prepósito».
Inadmissível!
Já Pacheco Pereira, aqui há pouco tempo, no Abrupto, desabafava que a Antena 2 estava tendo cada vez mais palavras e cada vez menos música.
É verdade: eles, agora, falam, falam, falam... e a música até parece um jingle para a entrada desses artistas da fala.
Mas se ao menos falassem bom Português!...
Apetece dizer: até parece que é de prepósito.
Sendo-o não se compreende que um apresentador(?) de programas não saiba falar Português.
Hoje, cerca das 8:50 da manhã, o apresentador(?) de serviço falava de qualquer coisa que acontecera «de prepósito».
Inadmissível!
Já Pacheco Pereira, aqui há pouco tempo, no Abrupto, desabafava que a Antena 2 estava tendo cada vez mais palavras e cada vez menos música.
É verdade: eles, agora, falam, falam, falam... e a música até parece um jingle para a entrada desses artistas da fala.
Mas se ao menos falassem bom Português!...
Apetece dizer: até parece que é de prepósito.
domingo, 12 de fevereiro de 2006
PRESIDENCIAIS EM CABO VERDE
Hoje é dia de eleições presidenciais em Cabo Verde. Segundo todas as previsões Pedro Pires prepara-se para ser reeleito pelos eleitores que deram a vitória ao PAICV (Partido Africano para a Independência de Cabo Verde) nas legislativas de há três semanas - partido que o apoia oficialmente com a legítima e empenhada intervenção do primeiro-ministro na campanha eleitoral.
É de desejar que o exercício do previsível próximo mandato presidencial de Pires não continue no tom cinzento e deslustrado em que ocorreu o último, e ponha de novo Cabo Verde no mapa internacional a que por direito próprio pertence.
É preciso que o próximo Presidente:
1. Se lembre que há uma parte do mundo onde vivem centenas de milhar de cabo-verdianos, chamada Europa;
2. Não se esqueça, no plano interno, que o povo quando dá um mandato presidencial a alguém não o faz para que este esteja quietinho e calado deixando rédea solta ao Governo, mas seja antes um árbitro atento e interventor quanto baste para que o partido do poder não se torne no partido único;
3. Se lembre de dizer ao país quais os grandes desígnios nacionais, nos planos interno e externo;
4. Se lembre de dizer ao país o que pensa da (des)organização dessa instituição base da sociedade cabo-verdiana, a família, e do seu papel na educação dos jovens;
5. O que pensa da problemática da droga (nas suas mais variadas vertentes) em Cabo Verde;
6. O que pensa das desigualdades gritantes na distribuição da riqueza nacional pelas nove ilhas habitadas do arquipélago;
No fundo, espera-se que o próximo Presidente diga aos cabo-verdianos que desta vez ele é mesmo o Presidente e vai exercer o seu mandato com visibilidade e eficácia.
É que os eleitores cabo-verdianos vão hoje às urnas eleger um Presidente
e não um mero habitante do palácio presidencial.
Editado às 23:33 do dia 12/02/06:
Telefonema de Cabo Verde garante que Pires vai à frente na contagem dos votos e se estima que terá uma diferença de cerca de seis mil votos mais que Carlos Veiga; mais foi dito que na Ilha do Fogo (de onde Pires é natural) este ganhou com uma diferença de quatro mil votos.
Reeditado às 11:18 do dia 26/02/06:
Como se ficou a saber pela divulgação dos resultados eleitorais, feita pela Comossão Nacional de Eleições (CNE) cabo-verdiana, afinal Pedro Pires perdeu as eleições em Cabo Verde tendo-as ganho graças aos votos da emigração.
Eis os resultados definitivos:
Pedro Pires: 50,98%
Carlos Veiga: 49,02%
É de desejar que o exercício do previsível próximo mandato presidencial de Pires não continue no tom cinzento e deslustrado em que ocorreu o último, e ponha de novo Cabo Verde no mapa internacional a que por direito próprio pertence.
É preciso que o próximo Presidente:
1. Se lembre que há uma parte do mundo onde vivem centenas de milhar de cabo-verdianos, chamada Europa;
2. Não se esqueça, no plano interno, que o povo quando dá um mandato presidencial a alguém não o faz para que este esteja quietinho e calado deixando rédea solta ao Governo, mas seja antes um árbitro atento e interventor quanto baste para que o partido do poder não se torne no partido único;
3. Se lembre de dizer ao país quais os grandes desígnios nacionais, nos planos interno e externo;
4. Se lembre de dizer ao país o que pensa da (des)organização dessa instituição base da sociedade cabo-verdiana, a família, e do seu papel na educação dos jovens;
5. O que pensa da problemática da droga (nas suas mais variadas vertentes) em Cabo Verde;
6. O que pensa das desigualdades gritantes na distribuição da riqueza nacional pelas nove ilhas habitadas do arquipélago;
No fundo, espera-se que o próximo Presidente diga aos cabo-verdianos que desta vez ele é mesmo o Presidente e vai exercer o seu mandato com visibilidade e eficácia.
É que os eleitores cabo-verdianos vão hoje às urnas eleger um Presidente
e não um mero habitante do palácio presidencial.
Editado às 23:33 do dia 12/02/06:
Telefonema de Cabo Verde garante que Pires vai à frente na contagem dos votos e se estima que terá uma diferença de cerca de seis mil votos mais que Carlos Veiga; mais foi dito que na Ilha do Fogo (de onde Pires é natural) este ganhou com uma diferença de quatro mil votos.
Reeditado às 11:18 do dia 26/02/06:
Como se ficou a saber pela divulgação dos resultados eleitorais, feita pela Comossão Nacional de Eleições (CNE) cabo-verdiana, afinal Pedro Pires perdeu as eleições em Cabo Verde tendo-as ganho graças aos votos da emigração.
Eis os resultados definitivos:
Pedro Pires: 50,98%
Carlos Veiga: 49,02%
sábado, 11 de fevereiro de 2006
DE CÓCORAS
MAS O IRAQUE FICA JUSTIFICADO
Uma maioria significativa de governos de países ocidentais colocou-se de cócoras perante o Islão por causa das tão faladas caricaturas da Dinamarca. O medo tolhe-lhes o raciocínio e obriga-os a aceitar cobardemente a sentença dos ayatholas e dos imans que em nome de religião se sentam na cadeira do poder e fazem política com todas as letras.
É a globalização a funcionar no seu maior esplendor:
Já não há fronteiras rigidamente definidas e o território jurisdicional de cada governo passou a ser o planeta inteiro.
E no meio da balbúrdia instalada quem esfrega as mãos de contente são o senhor Bush e a senhora Condoleezza Rice.
É que se o Irão e os restantes países muçulmanos se acham no direito de condenar, ameaçar e actuar contra países ocidentais pelo simples facto de haver, nestes, jornais que publicaram caricaturas de Maomé;
Então também o senhor George Bush tem toda a legitimidade de mandar pôr o Irão em sentido e, em o querendo, lhe mandar despejar em cima umas valentes toneladas de bombas e, quiçá, experimentar a eficácia de uma ou outra armazinha nuclear que esteja a apodrecer nos armazéns do exército americano.
Com este comportamento os países árabes acabam por legitimar, à posteriori, a invasão do Iraque pelos Estados Unidos.
E eu que sempre fui contra a invasão do Iraque, hoje tenho as maiores dúvidas de que a América não tenha feito precisamente aquilo que devia fazer.
É que a Civilização Ocidental, tal como a conhecemos, está, de facto, ameaçada.
E é imperativo que quem quer continuar a viver nela esteja ao lado dos que a defendem.
Uma maioria significativa de governos de países ocidentais colocou-se de cócoras perante o Islão por causa das tão faladas caricaturas da Dinamarca. O medo tolhe-lhes o raciocínio e obriga-os a aceitar cobardemente a sentença dos ayatholas e dos imans que em nome de religião se sentam na cadeira do poder e fazem política com todas as letras.
É a globalização a funcionar no seu maior esplendor:
Já não há fronteiras rigidamente definidas e o território jurisdicional de cada governo passou a ser o planeta inteiro.
E no meio da balbúrdia instalada quem esfrega as mãos de contente são o senhor Bush e a senhora Condoleezza Rice.
É que se o Irão e os restantes países muçulmanos se acham no direito de condenar, ameaçar e actuar contra países ocidentais pelo simples facto de haver, nestes, jornais que publicaram caricaturas de Maomé;
Então também o senhor George Bush tem toda a legitimidade de mandar pôr o Irão em sentido e, em o querendo, lhe mandar despejar em cima umas valentes toneladas de bombas e, quiçá, experimentar a eficácia de uma ou outra armazinha nuclear que esteja a apodrecer nos armazéns do exército americano.
Com este comportamento os países árabes acabam por legitimar, à posteriori, a invasão do Iraque pelos Estados Unidos.
E eu que sempre fui contra a invasão do Iraque, hoje tenho as maiores dúvidas de que a América não tenha feito precisamente aquilo que devia fazer.
É que a Civilização Ocidental, tal como a conhecemos, está, de facto, ameaçada.
E é imperativo que quem quer continuar a viver nela esteja ao lado dos que a defendem.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006
RIR É O MELHOR REMÉDIO
DE FACTO
Mar Salgado parodia com muito humor o actual momento dos lampiões da Luz.
Eu, adepto de «paleontólogos», rio a bom rir com o humor de FNV.
Mar Salgado parodia com muito humor o actual momento dos lampiões da Luz.
Eu, adepto de «paleontólogos», rio a bom rir com o humor de FNV.
domingo, 5 de fevereiro de 2006
PREVISÃO ACERTADA
Entretenham-se a ler O Espectro pois lá está acontecendo precisamente o que eu previra quando disse, há apenas 4 dias, aqui em baixo:
«Estes dois blogueiros vão por certo ajudar-nos a descobrir as incongruências dos figurões políticos da praça portuguesa e a identificar os disparates dos infalíveis comentadores da coisa».
Leiam as postas intituladas:
A REFERÊNCIA,
TOLERÂNCIAS,
A LEI DO MAIS FORTE,
e digam-me se não é de saudar as chegadas de Constança Cunha e Sá (ccs) e de Vasco Pulido Valente (vpv) à blogosfera.
«Estes dois blogueiros vão por certo ajudar-nos a descobrir as incongruências dos figurões políticos da praça portuguesa e a identificar os disparates dos infalíveis comentadores da coisa».
Leiam as postas intituladas:
A REFERÊNCIA,
TOLERÂNCIAS,
A LEI DO MAIS FORTE,
e digam-me se não é de saudar as chegadas de Constança Cunha e Sá (ccs) e de Vasco Pulido Valente (vpv) à blogosfera.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006
APENAS UM SLOGAN INFELIZ
A candidatura de Carlos Veiga terá tido (digo assim porque não sei se o slogan é oficial) a infeliz ideia de produzir um slogan um pouco pretensioso e deslocado da realidade, o qual dirá “O Pai da Democracia”.
Por causa disso já recebi, pela Internet, dois reenvios da seguinte mensagem da Sra. Ariane Morais Abreu:
«Livre de qualquer afilhaçao partidaria, acho revelador (e infeliz) o slogan de campanha do Carlos Veiga : " O PAI DA DEMOCRACIA" porque se deve antes de tudo analizar e ponderar as palavras utilizadas em termos de comunicaçao social e eleitoral.
Uma questao: O Pai da Democracia em si ou em geral??
O(s) autor(es) desliza(m) sem dar conta nos mesmos tipos de substantivos, sintomaticos dos desvios e da perversao do poder politico, cuja conotaçao paternalista e absolutista nao coaduna com o belo lema: "Um Presidente para todos". Ele(s) condena(m) mas parafrasea os piores slogans propagandistas que caracterizam ainda hoje presidentes e governos que nada têm a ver com a ideia e a pratica democraticas.
Quanto ao candidato Carlos Veiga, certamente nao imaginou o impacto negativo e a contradiçao estructural e conjontural deste slogan. Nao é necessario dizer-se o melhor para agir da melhor maneira, e se teimam em deificar o "homus politicus" desta forma, ele certamente passara a pensar si mesmo como um demurgio todo poderoso (precisamente o que condena a mensagem do candidato Carlos Veiga). Em materia de estado, ja sabemos onde tais deturpamentos ja conduziram milhares de seres humanos.
Entao sejamos criticos mas coherentes, intransigentes mas justos, militantes mas lucidos...
QUE O MELHOR GANHA!!! E "rezamos" que o candidato eleito seja efectivamente o melhor Presidente para TODOS os Cabo-verdianos.»
A um dos “reenviantes” respondi da única forma que na altura me pareceu mais adequada, com o intuito de pôr uma certa água na fervura. É que não me parece que o caso mereça tamanho alarido e seja motivo de lapidação do candidato Carlos Veiga.
E respondi escrevendo o seguinte:
«Convenhamos que julgar um político pela simples análise de um slogan (com o qual pode nem sequer ter nada a ver) é de um exagero e de uma enormidade inauditos.
Não fica nada bem a quem o faz; e não fica nada bem a quem apoia quem o faz.
Sejamos francos: o slogan em causa, "O Pai da Democracia", a existir, é, de facto, infeliz.
Carlos Veiga é, quanto muito, um filho da Democracia.
Mas ver nesse slogan de campanha eleitoral um prenúncio de futura perversão do regime é outro exagero e outra enormidade inauditos.
Tenhamos calma e sejamos justos. E não pretendamos sequer insinuar que o pai da democracia é Pedro Pires.
Porque também não o é.
E fiquemos por aqui.
Deixemos o veredicto das eleições presidenciais cabo-verdianas aos eleitores e deixemo-nos destes exercícios tristes de pitonisas da política.»
Por causa disso já recebi, pela Internet, dois reenvios da seguinte mensagem da Sra. Ariane Morais Abreu:
«Livre de qualquer afilhaçao partidaria, acho revelador (e infeliz) o slogan de campanha do Carlos Veiga : " O PAI DA DEMOCRACIA" porque se deve antes de tudo analizar e ponderar as palavras utilizadas em termos de comunicaçao social e eleitoral.
Uma questao: O Pai da Democracia em si ou em geral??
O(s) autor(es) desliza(m) sem dar conta nos mesmos tipos de substantivos, sintomaticos dos desvios e da perversao do poder politico, cuja conotaçao paternalista e absolutista nao coaduna com o belo lema: "Um Presidente para todos". Ele(s) condena(m) mas parafrasea os piores slogans propagandistas que caracterizam ainda hoje presidentes e governos que nada têm a ver com a ideia e a pratica democraticas.
Quanto ao candidato Carlos Veiga, certamente nao imaginou o impacto negativo e a contradiçao estructural e conjontural deste slogan. Nao é necessario dizer-se o melhor para agir da melhor maneira, e se teimam em deificar o "homus politicus" desta forma, ele certamente passara a pensar si mesmo como um demurgio todo poderoso (precisamente o que condena a mensagem do candidato Carlos Veiga). Em materia de estado, ja sabemos onde tais deturpamentos ja conduziram milhares de seres humanos.
Entao sejamos criticos mas coherentes, intransigentes mas justos, militantes mas lucidos...
QUE O MELHOR GANHA!!! E "rezamos" que o candidato eleito seja efectivamente o melhor Presidente para TODOS os Cabo-verdianos.»
A um dos “reenviantes” respondi da única forma que na altura me pareceu mais adequada, com o intuito de pôr uma certa água na fervura. É que não me parece que o caso mereça tamanho alarido e seja motivo de lapidação do candidato Carlos Veiga.
E respondi escrevendo o seguinte:
«Convenhamos que julgar um político pela simples análise de um slogan (com o qual pode nem sequer ter nada a ver) é de um exagero e de uma enormidade inauditos.
Não fica nada bem a quem o faz; e não fica nada bem a quem apoia quem o faz.
Sejamos francos: o slogan em causa, "O Pai da Democracia", a existir, é, de facto, infeliz.
Carlos Veiga é, quanto muito, um filho da Democracia.
Mas ver nesse slogan de campanha eleitoral um prenúncio de futura perversão do regime é outro exagero e outra enormidade inauditos.
Tenhamos calma e sejamos justos. E não pretendamos sequer insinuar que o pai da democracia é Pedro Pires.
Porque também não o é.
E fiquemos por aqui.
Deixemos o veredicto das eleições presidenciais cabo-verdianas aos eleitores e deixemo-nos destes exercícios tristes de pitonisas da política.»
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006
NOTÍCIA FRESCA
O Professor Vasco Pulido Valente (ou simplesmente vpv, como é bem conhecido pelos leitores dos jornais e revistas) é um fenómeno característico de amor/ódio.
Por vezes amamo-lo e por vezes odiámo-lo, consoante o que escreve nos agrada pela consonância com o que pensamos; ou nos desagrada e fere pela dissonância.
Mas, uma coisa é certa: mesmo quando nos fere, gostamos sempre de o ler.
Pois bem, aqui o temos na blogosfera, acompanhando Constança Cunha e Sá (ccs), neste novo blogue chamado O Espectro.
Estes dois blogueiros vão por certo ajudar-nos a descobrir as incongruências dos figurões políticos da praça portuguesa e a identificar os disparates dos infalíveis comentadores da coisa.
Desde já, bem-vindos à blogosfera!
Por vezes amamo-lo e por vezes odiámo-lo, consoante o que escreve nos agrada pela consonância com o que pensamos; ou nos desagrada e fere pela dissonância.
Mas, uma coisa é certa: mesmo quando nos fere, gostamos sempre de o ler.
Pois bem, aqui o temos na blogosfera, acompanhando Constança Cunha e Sá (ccs), neste novo blogue chamado O Espectro.
Estes dois blogueiros vão por certo ajudar-nos a descobrir as incongruências dos figurões políticos da praça portuguesa e a identificar os disparates dos infalíveis comentadores da coisa.
Desde já, bem-vindos à blogosfera!
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