quinta-feira, 13 de abril de 2006

O PAPA MANDA EM DEUS

MAIS UM DISPARATE DA IGREJA CATÓLICA

Por estas bandas o agnosticismo militante sempre nos fez sorrir das coisas que a Igreja Católica diz por vezes com enorme solenidade.

Lê-se hoje no Portugal Diário que «Passar demasiado tempo a ler jornais, a ver televisão ou a navegar na Internet são alguns dos «novos pecados» anunciados pela Igreja Católica.» «O anúncio de que estas actividades passaram a ser pecadoras foi feito ontem no Vaticano pelo Cardeal James Francis Stafford, Penitenciário-Mor, ao presidir ao Rito da Reconciliação, celebração que era tradicional em Roma até ao Renascimento.»

Presume-se, do que se conhece das regras do Catecismo, que quem morrer sem confessar estes pecados irá parar ao inferno.

Isto é o Vaticano e exorbitar as suas funções de Estado e a ordenar a Deus que passe a castigar mais estes pecadores com o fogo eterno.

ALTO! ISTO É UM ASSALTO

No mundo do futebol português, quando há património por delapidar e ainda cheira a dinheiro, aparecem sempre candidatos disponíveis para se “imolarem” no sacrifício terrível de conduzir o clube à miséria.

É o que acontece no SCP (Sporting Clube de Portugal) que já tem três protocandidatos à presidência do clube.

Mas quando não há património nem cheta, é vê-los escassearem que nem espécimes raras em vias de extinção.

É o que se perspectiva acontecer no Benfica que, coitado, ao que parece só terá um recandidato (o actual presidente) empurrado à força por uns quantos amigalhaços que, na falta de património e de cheta, se contentam apenas com o aparecerem na TV de vez em quando.

sábado, 8 de abril de 2006

QUEM PODE, PODE

A memória costuma ser curta mas creio que ainda há quem se lembra no que deu o episódio caricato da fúria de Alberto João Jardim contra a presença dos chineses na Madeira: o embaixador chinês foi de imediato até ao Funchal, pôs em sentido os responsáveis do Governo Regional da Madeira e mandou calar Alberto João.

O qual, ao contrário do que sempre fora seu hábito, meteu o rabo entre as pernas e nunca mais falou dos chineses.

É, de facto, preciso ter muita força e poder para mandar calar um troglodita como Jardim que nunca por nunca nenhum Presidente da República e nenhum chefe do seu partido, o PSD, conseguiu fazer calar. Enfrentou-os sempre, a todos, e continuou sempre a dizer bacoradas sobre bacoradas desafiando-os sem pudor ou contenção.

Vem isto a propósito da “rusga” que as autoridades sanitárias fizeram há bem poucos dias aos restaurantes chineses em Portugal. Pelo que foi noticiado, 14 deles foram de imediato encerrados por falta de higiene. Mas o pior, para os chineses, terá sido a passagem das filmagens que se fizeram sem autorização dos proprietários dos restaurantes, filmagens que a SIC (e aqui há um mistério a desvendar: porquê só a SIC teve conhecimento da “rusga”; e quem a avisou?) realizou no interior dos mesmos e apresentou pornograficamente ao público mostrando o desmazelo reinante nas cozinhas desses restaurantes.

Quem como nós viveu na China e conhece bem a mentalidade, a susceptibilidade e o sentido da honra dos chineses, sabe bem o quão funda foi a ofensa que nesse caso lhes foi feita. Acabaram de fazer aos chineses aquilo que eles menos gostam na vida: fizeram, com a “rusga” e a sua divulgação pornográfica, que os chineses “perdessem a cara”.

E quem faz “perder a cara” a um chinês, faz-lhe a maior das ofensas. E compra a maior das guerras.

Para já a SIC foi obrigada, há dois dias, a convidar o responsável pela ASAE (A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica) - entidade que executou a “rusga” e encerrou 14 restaurantes - a prestar declarações ao telejornal daquela estação de televisão, tendo-se o mesmo desculpado com o argumento de que «não fiscalizamos apenas restaurantes chineses, mas também padarias e pastelarias portuguesas». Só não explicou porque é que quando fiscalizam as tais padarias e pastelarias não levam atrás as câmaras da SIC para mostrar a coisa ao grande público. Nessas declarações o mesmo responsável da ASAE terá confirmado ter aceitado um convite para almoçar com o embaixador chinês em Lisboa.

E agora, o mesmo homem que fora à Madeira mandar calar Alberto João vai dizer mais ou menos isto ao responsável da ASAE quando almoçarem:

- Para começar, acabou-se a perseguição aos comerciantes chineses. E independentemente do que vierem a fazer para reparar os prejuízos que acabam de provocar aos proprietários dos restaurantes (a afluência aos mesmos caiu 50% na sequência da “rusga” da semana passada), o Governo de Pequim decidiu já suspender a apreciação de “X” projectos empresariais portugueses na China, e pondera o cancelamento de encomendas, no valor de “Y” milhões de euros, que tínhamos feito à indústria portuguesa.

Para além disso exigimos que organizem um programa de reabilitação da imagem dos restaurantes e do comércio chinês em Portugal.

Transmita isso aos seus superiores e passe muito bem.


Aposto que dentro de pouco tempo vamos ter os meios de comunicação a louvar e a publicitar "gratuitamente" (alguém há-de pagar) os restaurantes chineses.

Havemos de ver se sim ou não.

É que... quem pode, pode mesmo!

quinta-feira, 6 de abril de 2006

UMA BOA E BELA ALTERNATIVA

Fernando Venâncio, do Aspirina B, acha que estar, por exemplo, pregado toda a vida atrás de um balcão a vender suspensórios é uma vida melhor que a dos miúdos que, segundo ele, em Dublin, protegidos pelo Estado católico, e por isso não necessitados de um emprego, passam a vida na bebedeira.

Eu não vejo em que é que uma bebedeirazita diária não é bem melhor que o tédio de, por exemplo, um emprego atrás de um balcão a vender suspensórios. Toda a vida.

E até acho que é bem melhor andar na bebedeira do que a trabalhar monotonamente. Se se puder, claro, andar na bebedeira. Mas ao que parece, aqueles miúdos podem.

Parafraseando o nosso “ex”, Sampaio, apetece-me dizer:

Há mais Vida para além do Trabalho.

domingo, 2 de abril de 2006

BOM DOMINGO

A minha capacidade imaginativa permanece no Buraco Negro em que entrou desde há doze dias. Resta-me a esperança de, tal como acontece na Física e na Astronomia, o buraco não ser nem negro nem buraco.

Como me apetece estar activo e não me desgosta andar por aqui na blogosfera a passarinhar, aproveitei os grandes passeios que tenho dado nela (blogosfera) e refiz em parte a lista, aqui ao lado, dos blogues que habitualmente mais visito.

quinta-feira, 30 de março de 2006

BOA NOITE



Saí hoje de uma marinada de dez dias em que não houve por aqui vestígio algum de ideia nenhuma; que o mesmo é dizer: vestígio nenhum de, sequer, uma única ideia.

Confesso-o sem o menor rebuço – é a verdade pura e dura para mim - a cabeça não funcionou. Positivamente não funcionou!

Estava já a ficar nervoso com a situação e até cheguei a encarar a hipótese de escrever um texto qualquer sem sentido nenhum (embora com palavras com significado), com apenas a finalidade de mostrar que estava vivo; do género: “tenho um amigo que sofre de
PNEUMONOULTRAMICROSCOPICOSILICOVOLCANOCONIOSE
.(*)

Mas eis que apareceu na blogosfera esta tábua de salvação: um convite para fazer uma prova de avaliação do meu QI (hoje diz-se Quociente Intelectual e não Quociente de Inteligência – este é complexo e ainda não há quem o saiba avaliar).

E querem saber no que é que deu a minha prova?

Ei-la:

«Your QI is 132»

«Your Intellectual Type is Inventive Inquisitor. You have the unusual distinction of being equally good at math and verbal skills. This means you are a creative thinker and are uniquely good at teaching others through experiences. You are also a great improviser and very good at handling change.»


Li e reli o relatório acima resumido.

E entre o preocupado e o contente fiz a seguinte análise ao mesmo:

«Your QI is 132.» Aqui comecei a ficar contente (diz-se que o QI de Bush é de 76).

«Your Intellectual Type is Inventive Inquisitor.» Aqui imaginei-me logo a dar umas dicas ao celebérrimo Torquemada: “esfolar os hereges, cobrir-lhes o corpo com sal e piri-piri e só depois levá-los à fogueira”.

«You have the unusual distinction of being equally good at math and verbal skills.» Imaginei-me logo no Governo, pois, não há dúvida nenhuma de que sou um autêntico cigano.

«This means you are a creative thinker and are uniquely good at teaching others through experiences.» Bem, isso eu já sabia (é o que elas me têm dito ao longo da vida).

«You are also a great improviser and very good at handling change». Ouviste, ó Sócrates! Põe-te a pau que qualquer dia ainda crio um partido e estarás arrumado.

(*)Doença pulmonar causada pela aspiração de particulas de silício contidas em poeiras vulcânicas.

terça-feira, 21 de março de 2006

TOME NOTA

O senhor Director Geral das Prisões terá declarado hoje numa comissão parlamentar que «os presos com hepatite C não estão a ser tratados convenientemente».

Interrogado sobre o porquê desta situação o senhor Ministro da Saúde respondeu, aos microfones da Antena 1 (noticiário das 18 horas de hoje) que «o tratamento mais eficaz contra a hepatite C custa, por doente e por semana, “cinquenta contos”»; e mais disse que o Estado não tem dinheiro para custear esse tratamento.

Não queremos aqui discutir se os presos têm ou não direito ao tratamento mais eficaz; nem sequer se têm direito ou não a tratamento.

O que queremos aqui fazer, solenemente, é chamar a atenção de você que nos lê para o seguinte:

Dentro de algum tempo não muito distante teremos a mesma justificação relativamente a tratamentos dos doentes em geral abrangidos pela Segurança Social.

Desde já avançamos com uma pergunta:

Os governos e os ministros existem para resolver os problemas do País ou somente para justificar a má resolução ou mesmo a não resolução dos problemas que é suposto resolverem?

sábado, 18 de março de 2006

BASTA!

Basta dessa diarreia de palavras; dessa incontinência verbal permanente; desse desfiar ininterrupto de historietas sem interesse, cheias de banalidades – basta desse atentado anticultural que, salvo raríssimas excepções, se está a perpetrar quotidianamente aos microfones da Antena 2 da RDP.

Queremos música erudita!

Não queremos palavras, palavras, palavras!

Não queremos o lixo palavroso que nos tem sido servido!

Chega! Todos estamos certamente fartos de sofrer com a situação actual da Antena 2.

Senhores ou senhoras (quem sejam) que mandam nisso: façam o favor de nos acudir.

Manda a mais pequenina réstia de bom senso que quem de direito dê uma varridela profunda na Antena 2 e lhe devolva a dignidade que já teve e que deve continuar a ter.

BASTA!

Nota:
Essa destruição da programação da Antena 2 está a ser levada a cabo com a justificação patética que se pode conferir aqui neste texto da mesma estação emissora:

«A programação da Antena 2, em 2006, reflecte uma atitude de abertura a novas ideias, em busca de novos ouvintes e novos hábitos sem comprometer a fidelidade do actual auditório

Uma lástima, é o que isso é. Uma verdadeira lástima.

Editado às 9:14 AM de 19/03/2006:
Se concorda connosco não fique calado.
Mande-lhes um e-mail ou envie-lhes um fax.
Proteste. Faça-se ouvir.

E-mail: antena2@rdp.pt

Fax Acção Cultural: 213 820 170

sexta-feira, 17 de março de 2006

UMA DIFERENÇA SUBSTANCIAL

UMA IMAGEM PREMONITÓRIA



Na primeira reunião semanal entre o Presidente da República e o Primeiro-Ministro notaram-se várias diferenças em relação às mesmas reuniões no passado (recente e longínquo) entre outros presidentes e primeiros-ministros: desde logo o desaparecimento de cena dos confortáveis sofás; e o aparecimento de uma austera mesinha de trabalho.

Se Sócrates marcou a sua posição burguesa transportando um caderno moleskine, já Cavaco mostrou a sua origem humilde trazendo um simples caderno escolar.

Mas a grande diferença está na ocupação do Tapete do Poder: a cadeira de Cavaco Silva tem os quatro pés assentes sobre o tapete (restando-lhe muito espaço atrás e à direita), enquanto a de Sócrates está praticamente fora desse tapete, tendo o direito de apenas colocar, com grande dificuldade, os dois pés da frente sobre o dito, não podendo conquistar mais tapete senão avançando contra Cavaco.

Assim será o futuro.

A DANÇA DO MALABARISTA

Na coluna “OPINIÃO” do Diário de Notícias é suposto cada interveniente dar a sua opinião sobre os assuntos que aborda.

Pois bem, hoje é (melhor, seria) a vez de António Vitorino dar a sua opinião sobre o tema que certamente lhe terá sido proposto pelo jornal, “Quotas” (as quotas de mulheres na vida pública portuguesa).

É sabido que o PS é defensor e proponente da existência de quotas para a entrada de mulheres na vida política e em cargos relevantes das instituições públicas do País. Seria, portanto, de todo o interesse saber qual a opinião de António Vitorino, dirigente do PS, sobre o assunto. Tanto mais que ele aceitou escrever, de livre vontade, sobre o tema.

E o que é que este inteligentíssimo profissional e político nos diz?

Limita-se a relatar-nos como o problema tem sido até agora encarado, em Portugal e em alguns países estrangeiros, para terminar dizendo:

«Este debate vai ser retomado agora entre nós. Haveremos de voltar ao tema, claro. Por ora, contudo, cumpre assinalar que é um debate relevante que não se esgota na feitura de uma lei…»

E blá-blá-blá e blá-blá-blá.

Isto é: de “Opinião” – nicles batatóide!

quinta-feira, 16 de março de 2006

BOM DIA

Achille Papin, personagem de “A Festa de Babette” de Karen Blixen:

«O que é a fama? O que é a glória? O túmulo a todos nos espera.»

COMENTÁRIOS PARA QUÊ?

Aqui há cerca de quatro anos os autoproclamados “partidos democráticos” quiseram dar a mão aos chamados “renovadores” do Partido Comunista e julgaram que o conseguiriam legislando no sentido de proibir as votações de braço no ar (que o PCP usava nos seus congressos) pensando que com isso libertariam os opositores internos do PCP do medo que a votação de braço no ar lhes provocava dando-lhes a oportunidade de, no anonimato do voto secreto, poderem derrotar as teses da direcção do partido.

Como se sabe, a alteração da forma de votar nada de novo trouxe aos congressos do PCP. E os “renovadores” desaparecem um por um a ponto de já há muito tempo se ter deixado de falar deles.

Pois bem, hoje surge-nos a notícia de que delegados ao congresso deste fim-de-semana do PSD - partido mais que “democrata”, como bem sabemos – estão a exigir que as votações para a alteração dos estatutos do PSD se façam de braço no ar.

Dá para acreditar?

Claro que dá!

O oportunismo e o golpismo político; a falta de memória; a falta de seriedade de políticos desta praça explicam facilmente este incrível desejo de “inversão democrática” da forma de expressão do voto.

domingo, 12 de março de 2006

PICASSO

ABSORTO


Concordam certamente comigo:
O contraste entre a cor dos olhos e a cor do pelo é digno de um quadro de Breughel.

NÃO GOSTOU, ESTÁ VISTO



Abri hoje o site da Presidência da República e perguntei ao Picasso o que achava do discurso de Cavaco Silva na cerimónia da tomada de posse.

Resposta do meu gato:

«O que importa agora é a higiene. Quando acabar de me alindar, vou fazer um chichi; e depois, se ainda houver tempo, falarei de ninharias».

Ele lá sabe. Mas que não gostou da pobreza do site, lá isso é incontestável.

COMO PROMETIDO (5)

MOSTRO A APROXIMAÇÃO À ILHA DO FOGO



Saído do aeroporto da Praia, o avião de 40 lugares ruma a Oeste demandando a ilha do vulcão.

O aparelho voa alto mas não atinge a altitude de 2.829 m de onde o colosso de fogo, silencioso e vigilante, tem à vista as restantes nove ilhas do arquipélago.

Mesmo assim somos presenteados com belas imagens, como esta, que nos transmitem toda a beleza mas também todo o carácter austero e dominador da ilha guardiã do Atlântico Norte.

sábado, 11 de março de 2006

REQUIEM PARA O ESPECTRO

Apenas duas postas mais abaixo escrevi:

«Não me vou cansar de saudar a chegada de Vasco Pulido Valente à blogosfera.»

Ah, pois não! Não me cansarei, não senhor.

É que mal chegaram (ele e Constança) já estão de partida.

A blogosfera não é para espíritos muito sensíveis.

Não aguentaram o peso do lixo da caixa de comentários que imprudentemente e em má hora abriram. - É que ninguém tem estômago para digerir a imundície que normalmente lá se encontra -. E eles morreram da indigestão desse lixo altamente tóxico. Desiludidos com a baixa qualidade dos seus “comentadores” refugiam-se agora nos jornais. Também as reacções que lhes terão chegado via e-mail deverão ter tido um papel importante nessa decisão.

Por outro lado os seus editores na imprensa (e o editor livreiro de Vasco) devem ter-lhes “alertado” para o perigo da banalização da sua intervenção pública na blogosfera.

Nisto, de facto, Pacheco Pereira é o mestre de todos eles: ubérrimo de ideias, capaz de produzir resmas de texto todos os dias, faz constantemente novas variações sobre temas que lhe são caros e aos quais volta sempre como quem os aborda pela vez primeira. Não insulta, não responde à letra ou, pura e simplesmente, não responde de todo.

E teve o cuidado, a atitude prudente, de não abrir caixa de comentários no seu blogue.

A caixa de comentários é o buraco no soalho que alberga por baixo os ninhos de ratos que roem com supino instinto destruidor o conteúdo das postas dos blogues. É por aí que a existência dos blogues é ameaçada e muitas vezes é extinta.

O Espectro sucumbiu muito às mãos desses ratos.

Que tenha um bom descanso lá onde a sua alma for parar.

quinta-feira, 9 de março de 2006

CHAMEM A POLÍCIA!

Nós éramos os campeões da gestão; do pronto-pagamento, das contas em dia, do “não-devemos-ao -fisco”, da contenção nos gastos, dos treinadores-bons-e-baratos, do “não-entramos-em-loucuras”, etc., etc..

Toda essa euforia reconhecia, no fundo, a obra ingente, sensacional e inteligente, de um homem - José Roquette.

Incensámo-lo e endeusámo-lo; e quando começou a ficar casmurro aceitámos que se fosse embora e deixasse alguém no seu lugar - Dias da Cunha.

Digno continuador de Roquette: homem recto, sagaz nos negócios, sóbrio nas despesas e um grande negociador e gestor. Com ele o Sporting continuaria no bom caminho, tinha credibilidade junto das entidades bancárias e respirava uma saúde financeira de se lhe tirar o chapéu.

Saiu Dias da Cunha e deixou lá Soares Franco. - Bom gestor, e pa-ta-tí e pa-ta-tá, e blá-blá-blá, e blá-blá-blá.

Hoje sai a notícia:

«O Conselho Directivo do Sporting revelou esta quinta-feira que o clube deve cerca de 237 milhões de euros (M€) a entidades bancárias, razão pela qual pretende vender o património não desportivo.»

Afinal o Sporting está ainda pior do que o Benfica; clube que tanto gozo nos deu achincalhar de cada vez que saía nos jornais mais uma notícia das suas fabulosas dívidas.

Pergunto:

Não se pode meter essa gente toda na cadeia?

Andaram por lá a enganar o pagode e no fim o que queriam era afinal sugar o património imobiliário do Sporting Clube de Portugal.

Agora sim, vamos ser como os outros: entregamos o estádio, os terrenos, as inúmeras casas que sucessivas gerações de sportinguistas foram deixando ao clube em herança, e ficamos apenas com as camisolas.

Ele há cada espécie de ladrão que não há imaginação capaz de a conceber.

domingo, 5 de março de 2006

DERRUBANDO MITOS

Não me vou cansar de saudar a chegada de Vasco Pulido Valente à blogosfera.

Vejam bem como o homem continua a ajudar-nos a descobrir as incongruências dos figurões políticos da praça portuguesa e a identificar os disparates dos infalíveis comentadores da coisa.

Hoje vem dizer-nos aqui que Portugal já teve um Presidente da República pedófilo;

e informa-nos aqui que a prolífica Clara Ferreira Alves (que eu já ouvi ser tratada por doutora sem recusar tal tratamento) não passa de uma “santanete” ingrata que hoje anda a morder a mão que ainda há bem pouco tempo lhe chegava a comida à boca.

NEM MAIS

Eu, reconhecidamente ninguém, como, aliás, todos os que me conhecem bem sabem que sou (ou não sou), mesmo assim permito-me congratular com o que escreve Vasco Pulido Valente nesta memorável posta de que ressalto apenas esta parte:

«Agora, escrever é uma variante de pisar ovos. Os mestres do "correcto" vigiam, como nunca vigiaram os coronéis de Salazar. Até a sociedade portuguesa de repente acordou puritana. Cada cidadão, cada medíocre, cada engraçadinho pode esconder um polícia. Pior ainda: um delator e um explorador do escândalo. Os grandes crimes (como de resto os pequenos delitos) contra o corpo ou qualquer espécie de igualdade não se toleram, nem se desculpam. E, entretanto, o indivíduo morreu. Não fui feito para isto.»

Leia a posta toda aqui e fique a conhecer a opinião de quem está farto da forma de vida que temos na sociedade de hoje.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

COMO PROMETIDO (4)

CONTO O QUE EU SOFRI EM CABO VERDE

Sofri uma permanente tortura musical.

É um catchapum, catchapum, catchapum constante que inferniza até as pedras da calçada.

Em todo o lado e a toda a hora há sempre uma “coluna” de som, um cantor, um músico ou um grupo musical a debitar decibéis, ao berros, nos ouvidos de quem passa ou não pode fugir.

Mesmo naquela piscina excelente, elogiada aqui mais abaixo, passei dois dias de tortura musical permanente. Valeu-me, nos restantes dias, os protestos de vários hóspedes cujos levaram o gerente a silenciar a máquina trituradora dos ouvidos.

Em todo o hotel havia sempre música de Cabo Verde. Permanentemente. E o engraçado é que no bar do hotel, onde ela até se justificaria, não havia música; mas havia um televisor sempre ligado e a fumegar.

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Exemplo de tortura logo à chegada ao aeroporto da Praia.

COMO PROMETIDO (3)

CONTO O QUE EU APRECIEI EM CABO VERDE



A excelente piscina de água salgada do Hotel Xaguate, na Ilha do Fogo. Uma das melhores piscinas que conheço tomando para comparação as de alguns destinos turísticos internacionalmente emblemáticos: Madeira; Algarve; Macau; Ilha de Phuket, na Tailândia; Ilha de Pankor, na Malásia, entre outros.

Parabéns aos proprietários portugueses que em boa hora recuperaram o Hotel e deram ao Fogo essa bela peça de infra-estrutura turística que tanta falta vinha fazendo.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2006

COMO PROMETIDO (2)

CONTO O QUE EU OUVI EM CABO VERDE

Naquele domingo de manhã (iniciava-se aparentemente pacato o dia 19 deste mês de Fevereiro) estava eu, como fazia, aliás, todos os dias àquela hora, a ouvir as primeiras notícias locais quando subitamente sou esmagado pela naturalidade com que a locutora de serviço lia a seguinte notícia:

«Na cidade da Praia foram hoje encontrados os corpos de três pessoas baleadas mortalmente durante a última noite de sábado...» etc., etc.

E dei comigo a pensar que o equivalente a esta notícia seria talvez ouvirmos a TSF informar-nos, com toda a normalidade:

Na cidade da Lisboa foram hoje encontrados os corpos de trinta pessoas baleadas mortalmente durante a última noite de sábado.

Mas o que é isto, minha gente?!

O senhor primeiro-ministro de Cabo verde não tem nada a dizer sobre como vai o Governo combater essa onda de violência?

O senhor Presidente da República não tem nada a dizer sobre o que pensa desta onda de violência?

Vão ficar todos calados?

É que este acontecimento é gravíssimo.

Matanças dessas não podem continuar a acontecer. E sobretudo não podem ser encaradas como a coisa mais natural do mundo.

domingo, 26 de fevereiro de 2006

COMO PROMETIDO (1)

CONTO O QUE EU VI EM CABO VERDE



Nesta viagem que agora acabou encontrei um país onde a população não vota maioritariamente no Presidente recandidato apoiado pelo partido que havia apenas três semanas ganhara de forma clara as eleições legislativas, mas vota sim, maioritariamente, no candidato apoiado pela oposição.

Isso:

numa prova clara de que, a despeito de toda a "clubização" (pretende-se que os partidos políticos sejam encarados pelos eleitores como um clube desportivo cujo emblema se apoia sempre mesmo quando não se concorda com o que lá se passa) – a despeito de toda a "clubização", dizíamos – os eleitores tiveram o discernimento suficiente para fazerem, de forma consciente, a escolha do candidato que mais garantias lhes dava;

numa prova clara de que quem reside no país não gostou da actuação que o seu Presidente tivera durante cinco anos de mandato e queria vê-lo de lá para fora não o reconduzindo no cargo.

No meu entender Pedro Pires é agora um Presidente mais fraco do que era pelo facto importante de ter saído derrotado no interior do país estando ele sentado na cadeira presidencial desde há cinco anos e beneficiando do apoio de todo um Governo legitimado nas urnas havia apenas três semanas.

É certo que a emigração o elegeu claramente (e os emigrantes não são menos cabo-verdianos que os residentes no País); mas o estigma de ter sido preterido por quem vive – digamos assim - dentro de casa com ele, de manhã à noite, todos os santos dias, é um estigma demasiadamente vincado que, no meu entender, o diminui de forma significativa para todo o mandato de cinco anos que ainda o espera.

Carlos Veiga tornou-se uma sombra demasiado grande para Pedro Pires.

E ficou demonstrado que Veiga tem capital político e apoio popular suficientes para ser um dia eleito Presidente da República.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

ADEUS E ATÉ AO MEU REGRESSO

De partida para ir inspeccionar o terreno em Cabo Verde, após duas eleições, a ver se as pedras ainda estão no seu lugar, prometo voltar lá para o final deste mês em que darei conta do que vir, cheirar e testar, se assim achar dever fazer.

Isto quer dizer que este blogue não será actualizado durante as próximas duas semanas. - Não que não haja hipótese para isso: há por lá computadores ligados à Internet; o que não há é tempo para manigâncias destas -.

Fiquem bem.

Djarfogo espera-me. Verdade!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006

A SAÚDE QUE MATA

Vasco Pulido Valente (suponho que ainda) um fumador inveterado, a propósito da lei da proibição de fumar no Reino Unido:

«O Ocidente que deixou de acreditar fosse no que fosse, acredita fervorosamente na saúde. Não se percebe este amor ao corpo. Um indivíduo que não fume, que não beba, que se obrigue disciplinadamente a uma dieta punitiva e faça exercício sem parar ganha o extraordinário privilégio de trabalhar muito mais, durante muito mais tempo. Ou, pior ainda, acaba por cair numa velhice patética e por morrer entubado e espicaçado e com médicos que o tratam como quem trata o problema de uma rã

Leia aqui a posta na sua totalidade e fique bem disposto.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

A ERUDIÇÃO JÁ ERA

Julgo que é suposto a Antena 2 da RDP ser uma estação de rádio de música erudita.

Sendo-o não se compreende que um apresentador(?) de programas não saiba falar Português.

Hoje, cerca das 8:50 da manhã, o apresentador(?) de serviço falava de qualquer coisa que acontecera «de prepósito».

Inadmissível!

Já Pacheco Pereira, aqui há pouco tempo, no Abrupto, desabafava que a Antena 2 estava tendo cada vez mais palavras e cada vez menos música.

É verdade: eles, agora, falam, falam, falam... e a música até parece um jingle para a entrada desses artistas da fala.

Mas se ao menos falassem bom Português!...

Apetece dizer: até parece que é de prepósito.

domingo, 12 de fevereiro de 2006

PRESIDENCIAIS EM CABO VERDE

Hoje é dia de eleições presidenciais em Cabo Verde. Segundo todas as previsões Pedro Pires prepara-se para ser reeleito pelos eleitores que deram a vitória ao PAICV (Partido Africano para a Independência de Cabo Verde) nas legislativas de há três semanas - partido que o apoia oficialmente com a legítima e empenhada intervenção do primeiro-ministro na campanha eleitoral.

É de desejar que o exercício do previsível próximo mandato presidencial de Pires não continue no tom cinzento e deslustrado em que ocorreu o último, e ponha de novo Cabo Verde no mapa internacional a que por direito próprio pertence.

É preciso que o próximo Presidente:

1. Se lembre que há uma parte do mundo onde vivem centenas de milhar de cabo-verdianos, chamada Europa;

2. Não se esqueça, no plano interno, que o povo quando dá um mandato presidencial a alguém não o faz para que este esteja quietinho e calado deixando rédea solta ao Governo, mas seja antes um árbitro atento e interventor quanto baste para que o partido do poder não se torne no partido único;

3. Se lembre de dizer ao país quais os grandes desígnios nacionais, nos planos interno e externo;

4. Se lembre de dizer ao país o que pensa da (des)organização dessa instituição base da sociedade cabo-verdiana, a família, e do seu papel na educação dos jovens;

5. O que pensa da problemática da droga (nas suas mais variadas vertentes) em Cabo Verde;

6. O que pensa das desigualdades gritantes na distribuição da riqueza nacional pelas nove ilhas habitadas do arquipélago;

No fundo, espera-se que o próximo Presidente diga aos cabo-verdianos que desta vez ele é mesmo o Presidente e vai exercer o seu mandato com visibilidade e eficácia.

É que os eleitores cabo-verdianos vão hoje às urnas eleger um Presidente

e não um mero habitante do palácio presidencial.


Editado às 23:33 do dia 12/02/06:
Telefonema de Cabo Verde garante que Pires vai à frente na contagem dos votos e se estima que terá uma diferença de cerca de seis mil votos mais que Carlos Veiga; mais foi dito que na Ilha do Fogo (de onde Pires é natural) este ganhou com uma diferença de quatro mil votos.

Reeditado às 11:18 do dia 26/02/06:
Como se ficou a saber pela divulgação dos resultados eleitorais, feita pela Comossão Nacional de Eleições (CNE) cabo-verdiana, afinal Pedro Pires perdeu as eleições em Cabo Verde tendo-as ganho graças aos votos da emigração.
Eis os resultados definitivos:
Pedro Pires: 50,98%
Carlos Veiga: 49,02%

sábado, 11 de fevereiro de 2006

DE CÓCORAS

MAS O IRAQUE FICA JUSTIFICADO

Uma maioria significativa de governos de países ocidentais colocou-se de cócoras perante o Islão por causa das tão faladas caricaturas da Dinamarca. O medo tolhe-lhes o raciocínio e obriga-os a aceitar cobardemente a sentença dos ayatholas e dos imans que em nome de religião se sentam na cadeira do poder e fazem política com todas as letras.

É a globalização a funcionar no seu maior esplendor:

Já não há fronteiras rigidamente definidas e o território jurisdicional de cada governo passou a ser o planeta inteiro.

E no meio da balbúrdia instalada quem esfrega as mãos de contente são o senhor Bush e a senhora Condoleezza Rice.

É que se o Irão e os restantes países muçulmanos se acham no direito de condenar, ameaçar e actuar contra países ocidentais pelo simples facto de haver, nestes, jornais que publicaram caricaturas de Maomé;

Então também o senhor George Bush tem toda a legitimidade de mandar pôr o Irão em sentido e, em o querendo, lhe mandar despejar em cima umas valentes toneladas de bombas e, quiçá, experimentar a eficácia de uma ou outra armazinha nuclear que esteja a apodrecer nos armazéns do exército americano.

Com este comportamento os países árabes acabam por legitimar, à posteriori, a invasão do Iraque pelos Estados Unidos.

E eu que sempre fui contra a invasão do Iraque, hoje tenho as maiores dúvidas de que a América não tenha feito precisamente aquilo que devia fazer.

É que a Civilização Ocidental, tal como a conhecemos, está, de facto, ameaçada.

E é imperativo que quem quer continuar a viver nela esteja ao lado dos que a defendem.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

RIR É O MELHOR REMÉDIO

DE FACTO

Mar Salgado parodia com muito humor o actual momento dos lampiões da Luz.

Eu, adepto de «paleontólogos», rio a bom rir com o humor de FNV.

domingo, 5 de fevereiro de 2006

PREVISÃO ACERTADA

Entretenham-se a ler O Espectro pois lá está acontecendo precisamente o que eu previra quando disse, há apenas 4 dias, aqui em baixo:

«Estes dois blogueiros vão por certo ajudar-nos a descobrir as incongruências dos figurões políticos da praça portuguesa e a identificar os disparates dos infalíveis comentadores da coisa».

Leiam as postas intituladas:

A REFERÊNCIA,
TOLERÂNCIAS,
A LEI DO MAIS FORTE,

e digam-me se não é de saudar as chegadas de Constança Cunha e Sá (ccs) e de Vasco Pulido Valente (vpv) à blogosfera.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006

APENAS UM SLOGAN INFELIZ

A candidatura de Carlos Veiga terá tido (digo assim porque não sei se o slogan é oficial) a infeliz ideia de produzir um slogan um pouco pretensioso e deslocado da realidade, o qual dirá “O Pai da Democracia”.

Por causa disso já recebi, pela Internet, dois reenvios da seguinte mensagem da Sra. Ariane Morais Abreu:

«Livre de qualquer afilhaçao partidaria, acho revelador (e infeliz) o slogan de campanha do Carlos Veiga : " O PAI DA DEMOCRACIA" porque se deve antes de tudo analizar e ponderar as palavras utilizadas em termos de comunicaçao social e eleitoral.
Uma questao: O Pai da Democracia em si ou em geral??
O(s) autor(es) desliza(m) sem dar conta nos mesmos tipos de substantivos, sintomaticos dos desvios e da perversao do poder politico, cuja conotaçao paternalista e absolutista nao coaduna com o belo lema: "Um Presidente para todos". Ele(s) condena(m) mas parafrasea os piores slogans propagandistas que caracterizam ainda hoje presidentes e governos que nada têm a ver com a ideia e a pratica democraticas.
Quanto ao candidato Carlos Veiga, certamente nao imaginou o impacto negativo e a contradiçao estructural e conjontural deste slogan. Nao é necessario dizer-se o melhor para agir da melhor maneira, e se teimam em deificar o "homus politicus" desta forma, ele certamente passara a pensar si mesmo como um demurgio todo poderoso (precisamente o que condena a mensagem do candidato Carlos Veiga). Em materia de estado, ja sabemos onde tais deturpamentos ja conduziram milhares de seres humanos.
Entao sejamos criticos mas coherentes, intransigentes mas justos, militantes mas lucidos...
QUE O MELHOR GANHA!!! E "rezamos" que o candidato eleito seja efectivamente o melhor Presidente para TODOS os Cabo-verdianos.»


A um dos “reenviantes” respondi da única forma que na altura me pareceu mais adequada, com o intuito de pôr uma certa água na fervura. É que não me parece que o caso mereça tamanho alarido e seja motivo de lapidação do candidato Carlos Veiga.

E respondi escrevendo o seguinte:

«Convenhamos que julgar um político pela simples análise de um slogan (com o qual pode nem sequer ter nada a ver) é de um exagero e de uma enormidade inauditos.

Não fica nada bem a quem o faz; e não fica nada bem a quem apoia quem o faz.

Sejamos francos: o slogan em causa, "O Pai da Democracia", a existir, é, de facto, infeliz.

Carlos Veiga é, quanto muito, um filho da Democracia.

Mas ver nesse slogan de campanha eleitoral um prenúncio de futura perversão do regime é outro exagero e outra enormidade inauditos.

Tenhamos calma e sejamos justos. E não pretendamos sequer insinuar que o pai da democracia é Pedro Pires.

Porque também não o é.

E fiquemos por aqui.

Deixemos o veredicto das eleições presidenciais cabo-verdianas aos eleitores e deixemo-nos destes exercícios tristes de pitonisas da política.»

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

NOTÍCIA FRESCA

O Professor Vasco Pulido Valente (ou simplesmente vpv, como é bem conhecido pelos leitores dos jornais e revistas) é um fenómeno característico de amor/ódio.

Por vezes amamo-lo e por vezes odiámo-lo, consoante o que escreve nos agrada pela consonância com o que pensamos; ou nos desagrada e fere pela dissonância.

Mas, uma coisa é certa: mesmo quando nos fere, gostamos sempre de o ler.

Pois bem, aqui o temos na blogosfera, acompanhando Constança Cunha e Sá (ccs), neste novo blogue chamado O Espectro.

Estes dois blogueiros vão por certo ajudar-nos a descobrir as incongruências dos figurões políticos da praça portuguesa e a identificar os disparates dos infalíveis comentadores da coisa.

Desde já, bem-vindos à blogosfera!

terça-feira, 31 de janeiro de 2006

UMA BRINCADEIRA DE MAU GOSTO

Alguém do Governo falou da possibilidade da liberalização da venda dos medicamentos pela Internet.

Logo veio a público o presidente da Ordem dos Farmacêuticos “aplaudir” a notícia dizendo que achava muito bem que o Governo «permitisse às farmácias vender medicamentos pela Internet».

É claro que o Sr. presidente da Ordem dos Farmacêuticos está a brincar: fingiu não perceber que o que é preciso é permitir que os laboratórios farmacêuticos vendam os medicamentos directamente aos doentes – sem, portanto, a intermediação desnecessária das farmácias.

O retalhista dos medicamentos, isto é, o lobby das farmácias não quer largar o osso de tutano sumarento que é a sua altíssima margem de lucro obtida pela simples entrega ao doente de um medicamento que lhe é fornecido (muitas vezes na hora) pelo laboratório fabricante.

Hoje, pelo simples acto de receber com uma mão e entregar com a outra um medicamento, as farmácias chegam a empochar 25% a 35% sobre o preço do dito cujo.

As farmácias são um intermediário caríssimo cuja função urge atenuar nos bolsos dos doentes.

Esta é uma boa medida deste Governo desmantelador do Serviço Nacional de Saúde;

esta é a excepção que vem confirmar a regra de que o que é preciso é deixar de apoiar os doentes na doença.

A PATRANHA

No programa da SIC Notícias, “Quadratura do Círculo”, emitido quarta-feira à noite, o Dr. Jorge Coelho exibiu um número do Jornal espanhol "El Pais" que titulava mais ou menos isto na primeira página:

«A Ford planeia fazer 25000 despedimentos na sua divisão da América do Norte»

Mostrando o jornal com esse título, Jorge Coelho fez um pequeno comício tendente a branquear a ineficácia do Governo Sócrates no combate ao desemprego, chegando a dizer que “enquanto na América iam suceder aqueles despedimentos, aqui em Portugal o Governo estava a conseguir captar largas fatias de investimento estrangeiro”.

No corpo da notícia, que pode ser consultada aqui o que está escrito é isto:

«Ford, el tercer fabricante de coches del mundo, presentó ayer un drástico plan de ajuste por el que eliminará entre 25.000 y 30.000 empleados en su división de América del Norte hasta 2012, el equivalente al 25% de su plantilla.»

Fica claro, quando se lê toda a notícia, que o Dr. Jorge Coelho nos tentou enganar com a patranha de que «enquanto nos Estados Unidos a Ford fazia saber que iria despedir 25 mil trabalhadores, em Portugal o Governo estava a conseguir dinamizar a economia com investimento estrangeiro» (leia-se: a criar emprego em vez de fazer despedimentos); mas só terá enganado os telespectadores mais distraídos, pois que, qualquer indivíduo com dois dedos de testa via logo que se tratava de pura demagogia.

Tendo os Estados Unidos uma força de trabalho de cerca de 149,3 milhões de pessoas; e tendo Portugal uma força de trabalho de cerca de 5,5 milhões; está bom de ver que ao despedimento de 25 mil trabalhadores nos Estados Unidos corresponde o despedimento de apenas 921 trabalhadores em Portugal (coisa que aqui acontece em mês, mês e meio).

Acresce que os despedimentos que a Ford planeia fazer são sobretudo no Canadá e no México, e menos nos Estados Unidos. E é previsto que sejam feitos em cerca de três a seis anos, como está, aliás, escrito na notícia («até o ano de 2012»); não é de imediato.

Se Jorge Coelho tivesse tido um pouco mais em conta a inteligência de quem o ouvia, ao comparar Portugal com os Estados Unidos deveria dizer que aquela notícia do El Pais significaria o mesmo que haver em Portugal 921 despedimentos nos próximos três a seis anos.

Que bom que seria!... Que bom! Haver só cerca de 150 a 200 despedimentos por ano em Portugal.

Sabemos que por estes dias os dirigentes do PS andam zonzos com os 14% do seu candidato presidencial. Mas seria avisado que não pensassem que é com estas demagogias que recuperarão os votos que perderam desde as legislativas; só cá em casa perderam 100% desses votos, isto é, quatro votos.

Um pouco menos de demagogia e um pouco mais de lisura de processos não ficariam mal a Jorge Coelho na Quadratura do Círculo.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2006

NEVÃO EM LISBOA




Aqui nos Olivais Sul, na Zona Oriental de Lisboa, não somente nevou a bom nevar, como caiu um grande nevão que estas fotografias, tiradas cerca das 14 horas de domingo passado, documentam em toda a sua beleza.

Houve miúdos e graúdos brincando com a neve que em alguns locais atingiu os 30 centímetros de espessura. Uma maravilha.

domingo, 29 de janeiro de 2006

SPOOOOOOOOOORTING !



De vez em quando o Sporting puxa dos seus galões de fidalgo e mete a ralé na ordem.

Foi isso que aconteceu, ontem, na Luz, depois de os pés-rapados do Benfica terem andado a semana toda a dizer baboseiras nos botequins, entre os seus habituais copos de três e sandes de coiratos.

E apesar de o Benfica ter impedido - não fornecendo bilhetes em número minimamente suficiente - que os adeptos de elite, do Sporting, marcassem presença condigna no palco onde se deu a degola dos fala-baratos vermelhos, a equipa do Sporting não se encolheu e afinfou três bolas no fiofó dos benfiquistas.

Talvez tenha sido melhor assim: poupou-se no desinfectante que se tem que usar de cada vez que se visita o Estádio da Luz.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2006

UM AUTÊNTICO MESTRE



Hoje, como sempre, aliás, o Picasso veio para cima da secretária ajudar-me a blogar. Quando eu lhe disse que apreciava muito os textos políticos de Pacheco Pereira — eis a cara que ele fez.

Não é por eu ser mais dele do que ele é meu; não é por ele ser gato, sequer; mas a verdade é que o Picasso é um ser extraordinário: exprime clara e inequivocamente, por mímica facial e pelo seu comportamento, opiniões variadas sobre a política nacional e internacional.

Não se esqueçam que já contei aqui que quando Jorge Sampaio nomeou Santana Lopes para substituir o fugitivo Durão Barroso no cargo de primeiro-ministro, o Picasso fez chichi sobre uma fotografia do Senhor Presidente. Juro que é verdade.

CURTO-CIRCUITO NEURONAL

JPP escreve hoje no Abrupto:

«Pouco a pouco, os partidos políticos democráticos (PS, PSD, CDS) conhecem uma lenta, mas segura, dissolução. Se se quiser, assiste-se uma mudança para outra coisa, menos poderosa, mais vulnerável do que a anterior, mais frágil. Esta é uma afirmação que se tem que escrever e ler com muita prudência, uma afirmação que deve ser lida com um grão de sal, e acima de tudo não deve ser tida como uma constatação de um facto, mas de uma tendência. Todavia, como tendência parece-me ter fundamento, à luz de mais uma série de acontecimentos recentes ocorridos à volta das eleições presidenciais. Não é um juízo de valor, é uma constatação de facto

Está bem! Essa «constatação de facto» «não deve ser lida como uma constatação de facto».

É um pouco como dizermos a alguém: olha, vai ali à rua ver se lá estou.

CABO VERDE NO MUNDO

Segundo uma publicação anual da americana CIA (Central Intelligence Agency) era esta a esperança de vida, ao nascer, Nos Estados Unidos, em Cabo Verde, Na Guiné Bissau e em Angola, no ano de 2005.


HOMENS:
Estados Unidos---74,89 anos
Cabo Verde-------67,13 anos
Guiné Bissau-----44,77 anos
Angola------------37,28 anos

MULHERES:
Estados Unidos---80,77 anos
Cabo Verde-------73,86 anos
Guiné Bissau-----48,52 anos
Angola------------39,64 anos

MÉDIA:
Estados Unidos---77,71 anos
Cabo Verde-------70,45 anos
Guiné Bissau-----46,41 anos
Angola------------38,43 anos

Um estudo comparado dos índices de desenvolvimento dos vários países do planeta destaca nitidamente Cabo Verde do resto dos países da zona geográfica em que ele está inserido aproximando-o muito das zonas europeia e norte-americana.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2006

O NININHO NO QUENTINHO


COM ESTE FRIO... SÓ MESMO AQUI

O DR.(?) TAMBOR



Os média, em Portugal, são assim! O que é que se há-de fazer?

Agora só se houve falar de Manuel Alegre, Manuel Alegre, Manuel Alegre.

Alegre, Alegre, Alegre.

Só se houve isto.

E assim vão continuar até à exaustão. O que, por certo, não demorará muito tempo.

É que não se vê como é que um indivíduo destes (no caso Manuel Alegre)

que passou toda uma campanha eleitoral a falar apenas de «cidadania» e «coragem» (agora estou-me a rir porque ao escrever coragem bati com o dedo entre as teclas de “i” e de “o” e então saiu “coiragem”) – mas, como eu estava escrevendo – que falou apenas de «cidadania» e «coragem», sem ter dito mais nada; sem ter debitado uma única ideia; que foi simplesmente panfletário no sentido mais serôdio do termo;

como é que um indivíduo destes pode ser levado a sério a ponto de já haver quem se interroga se esse senhor (que alguns chamam Dr., mas outros dizem não o ser) vai constituir um partido político, um movimento de cidadãos, um isto um aquilo!?

Quando vai acabar esta doideira?

Quando é que esta gente vai perceber que o voto em Manuel Alegre foi apenas um não-voto em José Sócrates?

Quando é que esta gente vai perceber que Manuel Alegre, nestas eleições, foi apenas um tambor?

Quando?

ASSIM É QUE É FALAR CLARO



Correia de Campos, ministro da Saúde do actual Governo, dando mais uma vez prova da sua falta de jeito para a política, quando instado a pronunciar-se sobre o que aconteceria à política do Governo, agora que Cavaco Silva, um Presidente oriundo da direita, fora eleito - disse apenas isto na noite das eleições presidenciais:

«A política deste Governo não é de esquerda nem de direita; é uma política nacional.»

Para nós - eleitores que votámos PS nas legislativas, mas que agora não estamos com ele nesta deriva para a direita – isso não é novidade nenhuma. De há muito que concluíramos que este Governo deixara de merecer a nossa confiança; e provámo-lo com o nosso voto diferente nas presidenciais.

Mas foi bom ouvir o ministro dizer isso; porque assim fica mais claro aos restantes socialistas ainda enganados perceberem o que verdadeiramente se está a passar com este Governo de José Sócrates:

«não é de esquerda nem de direita»

Nem sequer é do PS

E muito menos é socialista.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2006

O MEU VOTO

Afinal sempre valeu a pena eu ter ido votar. O meu voto serviu, em suma, para aquilo que eu pretendia com ele: emagrecer o cabide.

---------->
56% nas sondagens -------------------->50% dos votos expressos

domingo, 22 de janeiro de 2006

DAR A MÃO À PALMATÓRIA

Afinal Manuel Alegre tinha razão quando acusou a empresa Eurosondagem, do dirigente socialista, Rui Oliveira e Costa, de estar a manipular em seu desfavor os números das sondagens prejudicando-o relativamente a Mário Soares.

É que, agora que estão contados os votos, todos podemos facilmente concluir que a Eurosondagem estava mesmo a tentar fazer «O Milagre das Rosas».

Uma autêntica vergonha!

Uma coisa inadmissível!

Rui Oliveira e Costa tão cedo não recuperará credibilidade para a sua empresa.

14%

É QUANTO VALE O HOJE O GOVERNO DE JOSÉ SÓCRATES

14%

Tantos os votos que Mário Soares, o candidato do Partido Socialista, obteve nestas eleições presidenciais.

Disso não há a menor dúvida: só 14% dos portugueses estão hoje com o Governo, pois que:

Os votos de Manuel Alegre não pertencem ao PS. Alegre candidatou-se, não o esqueçamos, contra o candidato do PS e contra o PS;

E por maioria de razão os votos dos outros candidatos da esquerda, mas sobretudo os votos de Cavaco Silva, também não pertencem ao PS.

Portanto, o PS tem hoje – sublinhemos isto a traço grosso – apenas 14% de apoio dos portugueses.

ELEIÇÕES EM CABO VERDE

Em Cabo Verde hoje foi dia de eleições legislativas.

Por telefone obtivemos a informação de se estar a confirmar uma significativa derrota do partido da oposição, o MpD (Movimento para a Democracia).

TEMOS PRESIDENTE



Iniciou-se agora em Portugal a contagem decrescente para as eleições legislativas antecipadas de 2008 e para o enterro político do Governo de José Sócrates.

VOU VOTAR

AFINAL VOU VOTAR

Decidi há pouco que talvez o meu voto sirva para alguma coisa.

Por isso lá estarei na mesa de voto antes que a coisa feche.

sábado, 21 de janeiro de 2006

CULINÁRIA ESPECIAL



Não se entende lá muito bem este fenómeno: foi preciso que Alexandra Lencastre atingisse os 40 anos de idade para haver um corrupio inusitado na imprensa portuguesa que não regateia elogios à sua beleza e forma físicas.

Até a Grande Loja se meteu ao barulho e trouxe a moça aqui para a blogosfera

Será que está a acontecer agora com Alexandra aquilo que se passa sempre com a perdiz... que, como sabemos, é mais apreciada quando já está em decomposição?!

O CENTRO DO MUNDO



Podemos ter (e temos) muita coisa contra os Estados Unidos; mas numa coisa estamos com eles; os apreciamos e admiramos:

eles são o centro do mundo no que ao desenvolvimento tecnológico e à Ciência da Comunicação diz respeito.

Observemos este mapa [publicado pela Brian Reid's USENET Traffic Flow Maps (circa 1986-95)], referente ao dia 13 de Maio de 1993, ilustrativo do fluxo de notícias dentro dos Estados Unidos e no mundo.

E concluamos que isto é

Simplesmente impressionante.

domingo, 15 de janeiro de 2006

NEM RACISTAS NEM XENÓFOBOS

APENAS CABO-VERDIANOS



«Fiscais da Câmara Municipal da Praia denunciam Director»

«Nós fiscais da Câmara Municipal da Praia, de costa virada com o senhor Director desta Instituição, subcomissàrio Faustino Garcia, " Tino". por causa da divisão de comparticipação de multas nesta direcção. O motivo é que durante este ano, só para o director, lá vão 440.000$00 que dá para comprar um carro para passear com a família dele. Enquanto para alguns o dinheiro não dá nem para comprar uma bicicleta e para os restantes policias, colocados, neste destacamento, também não foge às regras para os seus bolsos entraram 440.000 mil, embora este dividido por 10 efectivo, durante este ano entre 1° e 2° semestre.

Sabendo que o actual director tem 50% do vencimento do cargo que ele assumiu, mais 800$00 por ser chefe de destacamento, sobre os seus 10 policias efectivos, tudo isso só para o actual director, recebe da parte da Câmara durante este ano de 2005 cerca de 956000$00 e os restantes policias efectivos recebe da Câmara 60.000$00 cada um deles por ano e ainda mais comparticipação de multas acima referida.

Por causa da imagem televisiva passada, o jornal da noite do dia 29 de Dezembro, sobre o protesto que os fiscais disseram do director, começou a sua vingança, um por um, essa começou por aqueles que estudem à noite, ele colocou no turno à noite, e os que não estudam ele colocou na caiada., subúrbio desta cidade, dois período durante 15 dias, mas tudo isso somente para os fiscais desta direcção, porque, para os seus policias que também estudam, a noite não foram escalados, tampouco para aqueles que estudam diurno não foram prejudicados.

Para o sobrinho dele que também trabalha na câmara, em tão pouco tempo, cerca de quatro meses atrás, colocaram-lhe em Monte Babosa, com direito a subsidio de transporte, isso de modo a lhe facilitar os estudos, à noite.

Agora nós gostaríamos de saber, junto de quem de direito, o porquê do nosso descontentamento e o motivo desse clima dentro dessa direcção.

Mais grave ainda é que o actual Director anda a autorizar a pessoas amigas e familiares construir, clandestinamente, como é o caso de um africano, que tem uma autorização da parte do senhor director a escavar um terreno, na zona de ponta Achada Santo António, numa zona miradora para Palmarejo, com duas máquinas de grande potência, com quatro camiões durante todo o dia. Os fiscais telefonaram para o Director, mostrando o ponto da situação, ele recusou continuar a conversa alegando estar numa reunião, contudo meia hora depois o Director se encontrava junto com este africano a almoçar, e no dia seguinte, quando a equipa de fiscalização deslocou até o local para de novo fazer uma fiscalização, o africano já se encontrava com a autorização nas mãos, assumindo que já tinha falado com o senhor Faustino. Em monte vermelho, também, recebemos uma queixa contra o senhor Faustino e quando deslocamos até lá, prendemos matérias de construção, e era da comadre dele, que nem sequer passa a multa dos matérias e tão pouco nem multa da transcrição feita pela mesma.»


Para além de reflectir o aspecto da corrupção, do compadrio, e da prática de liberdade de imprensa e de expressão em Cabo Verde, esta notícia – claramente escrita por um cabo-verdiano pouco instruído - reflecte cabal e definitivamente um aspecto importantíssimo que já tínhamos referido quando escrevemos o seguinte aqui:

«o cabo-verdiano, qualquer que ele seja, não se considera "preto"»;

tal é o facto de esta denúncia se referir duas vezes a «um africano» (obviamente um não cabo-verdiano).

Faltava uma prova de que tínhamos razão; de que estávamos certos quando dissemos aqui que o cabo-verdiano não se considera "preto";

pois agora essa prova chegou com a redacção desta denúncia.

É que não cremos que os fiscais denunciadores sejam brancos, albinos, amarelos ou vermelhos;

eles são cabo-verdianos,

isto é: não “pretos”.

Mais nada!

2008 À VISTA DESARMADA

SEM EIRA NEM BEIRA… NEM CAGATEIRA(*)



José Sócrates apareceu ontem pela primeira vez num comício de Mário Soares para lhe declarar publicamente o apoio e pedir aos portugueses uma votação maciça no candidato.

É claro que isso foi apenas uma encenação para cumprir o dever, pois Sócrates sabe perfeitamente que já não tem a maioria dos portugueses com ele e com o PS (só aqui em casa perdeu já 100% dos 4 votos obtidos nas últimas eleições legislativas).

Estou até convencido que Sócrates, neste momento, é uma menos-valia política em eleições. As intervenções dele a favor de Soares só fazem com que este perca cada vez mais intenções de voto dos portugueses.

Encurralado por Cavaco e Marcelo, José Sócrates entrou já em contagem decrescente para 2008 (ano de eleições antecipadas). Até lá só lhe resta cumprir afanosamente a tarefa de desmantelar o Estado a favor dos privados… até que um líder do PSD o venha substituir e dê seguimento a esse ingente projecto - preparando e dirigindo os funerais do Estado Previdência (é mesmo assim: não é Providência) e dando lugar ao poder das seguradoras que gerarão pequenas e médias ilhas de beneficiários com seguros precários, e um mar imenso de gente sem eira nem beira nem cagateira – muito à moda dos Estados Unidos onde se morre na rua por não se ter direito a assistência na doença.

(*) “Cagateira”, na Ilha do Fogo, designa o órgão sexual feminino quando se quer referir ao mesmo de forma achavascalhada. E é normalmente associada à frase “sem eira nem beira” para, rimando, reforçar a condição absoluta e definitivamente desgraçada daquele a quem se refere daquela forma.

terça-feira, 10 de janeiro de 2006

PRESIDENCIAIS EM PORTUGAL



Eu voto Freitas do Amaral!

Perceberam ou não?

CULINÁRIA NATURAL



Pelo Natal ofereceram-me esta belíssima faca de cozinha.

Ela corta mosquitos em voo quanto mais carne, peixe legumes ou outra coisa qualquer.

Pois bem, utilizei hoje a faca pela primeira vez; resultado: cinco cortes no polegar direito e dois no indicador esquerdo.

Quem entende de cozinha sabe que estou falando verdade pois estes são os dedos mais expostos aos “cortes cozinheiros”.

Mas estou feliz: vieram os amigos almoçar comigo e elogiaram muito a comida do cozinheiro aleijado;

e, claro, o sabor excelente das hemácias cá do eu. He, he!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2006

BOM DIA



Hoje tive a felicidade de acordar e encontrar este postal no espelho da casa de banho.

Significa que vou envelhecendo... em harmonia e felicidade familiar – o que não é nada mau nos dias que correm, convenhamos.

sábado, 31 de dezembro de 2005

BOA NOITE DE S. SILVESTRE E BOM ANO NOVO

Passe o ano com a inesquecível música “Boas Festas” do meu querido e saudoso amigo Luís Morais.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2005

A TODOS BOAS FESTAS

São os desejos de "África Minha", nesta quadra festiva, endereçados a todos os amigos e leitores deste blogue.


BOM NATAL

sábado, 17 de dezembro de 2005

ALEGRE DESESPERO



O desespero começou a tomar conta de Manuel Alegre.

Ele desconfia que as sondagens feitas pela empresa Eurosondagem são propositadamente falsificadas pelo socialista Rui Oliveira e Costa, que dirige essa empresa, com o propósito de prejudicarem a sua candidatura em benefício da de Mário Soares.

Nisto Manuel Alegre está a fazer exactamente o mesmo que fazia Santana Lopes sempre que via fugir-lhe o chão debaixo dos pés: dizia que era uma tramóia que lhe estavam a fazer - até que o chão se abriu e ele foi literalmente engolido por um enorme buraco, como se viu.

Mas o problema de Manuel Alegre é mais sério: não se trata apenas de poder vir a estatelar-se politicamente ao comprido; pode é vir a ter menos votos dos que precisa para que possa pagar as despesas da sua campanha eleitoral com o dinheirinho dos contribuintes.

P.S. De tão desesperado Alegre nem reparou que a empresa de Rui Oliveira e Costa está mas é feita com o PSD – então não é que as sondagens hoje reveladas dão uma subida de Cavaco Silva, podendo o homem de pau ganhar as eleições à primeira volta!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2005

TRANSPARÊNCIA PRECISA-SE

As despesas das campanhas eleitorais de Mário Soares, Cavaco Silva e Francisco Louçã, sabemos nós quem angaria dinheiro para elas: são o PS, o PSD e o BE.

Mas quem é que angaria dinheiro para as despesas da campanha de Manuel Alegre?

Quem o apoia financeiramente?

Ou será que o vate anda a vender biliões de livros na vasta China e ninguém sabe!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2005

UMA AUTÊNTICA BOMBA



O Prémio Nobel da Literatura deste ano, o escritor Inglês, Harold Pinter, acaba de desferir, contra a América de Bush e o Reino Unido de Balir, o mais mortífero soco no estômago que alguma vez alguém concebeu à face da Terra.

No seu discurso de aceitação do Prémio, apresentado à Academia Sueca, Harold Pinter foi terrivelmente demolidor contra a política externa americana - a de ontem e a de hoje, esta protagonizada por George Bush .

E condenou severamente o seguidismo canino dos seus irmãos britânicos em que o expoente máximo é hoje o primeiro-ministro Tony Blair.

O discurso de Pinter é uma peça analítica de uma qualidade e de uma consistência ideológica e moral únicas. É um libelo acusatório gravíssimo e seríssimo que não deixa à América, a Bush e a Blair, a mais pequena oportunidade de defesa ou escapatória – tal a clareza dos argumentos expendidos, dos exemplos práticos históricos apresentados - tal a clareza com que retrata os crimes que imputa à América.

No fim do seu discurso, Pinter é sublimemente cáustico e de uma ironia que raia o insulto e constitui uma punição dos que chama criminosos.

Com efeito, propôs-se escrever uma comunicação à nação para George Bush ler na televisão aos americanos.

«I know that President Bush has many extremely competent speech writers but I would like to volunteer for the job myself. I propose the following short address which he can make on television to the nation. I see him grave, hair carefully combed, serious, winning, sincere, often beguiling, sometimes employing a wry smile, curiously attractive, a man's man.»

«'God is good. God is great. God is good. My God is good. Bin Laden's God is bad. His is a bad God. Saddam's God was bad, except he didn't have one. He was a barbarian. We are not barbarians. We don't chop people's heads off. We believe in freedom. So does God. I am not a barbarian. I am the democratically elected leader of a freedom-loving democracy. We are a compassionate society. We give compassionate electrocution and compassionate lethal injection. We are a great nation. I am not a dictator. He is. I am not a barbarian. He is. And he is. They all are. I possess moral authority. You see this fist? This is my moral authority. And don't you forget it.'»

O que dirão os pachecos e delgados do discurso de Harold Pinter?

Clique aqui e leia o texto completo do discurso de Pinter.

sábado, 3 de dezembro de 2005

LIVRE, REBELDE E ANTI-VEDETA

UM GÉNIO (ATÉ NA NORMALIDADE QUE ASSUMIA)



Consta que certa vez Pelé terá considerado Best «dos melhores jogadores de sempre».

Numa outra ocasião, na imprensa e sobre o mesmo assunto, Best foi de novo secundarizado numa comparação com Pelé.

Confrontado com o assunto, Best, dizendo-se honrado com a comparação, terá acrescentado:

«Se Pelé jogasse pela Irlanda do Norte e eu pelo Brasil, gostaria de saber se diriam a mesma coisa».

JÁ AGORA... POIS ENTÃO...



MÃO NA MÃO

COISA NA COISA

quinta-feira, 1 de dezembro de 2005

PORQUE A ETERNIDADE NÃO EXISTE



Segundo o jornal A Bola, de hoje, «Estima-se que mais de 500 mil pessoas marcarão presença no funeral de George Best, no sábado, em Belfast (Irlanda do Norte).»

É preciso dizer, mais uma vez, que se tratará de meio milhão de pessoas no funeral de um futebolista.

Aos olhos das gerações mais recentes (nascidas de setenta para cá) pode parecer um fenómeno inexplicável; mas não é.

George Best, para além de ter sido um génio a jogar futebol - talvez o primeiro futebolista verdadeiramente tecnicista e malabarista das Ilhas Britânicas (nascido na Irlanda do Norte) -, foi talvez o primeiro futebolista mundial a impor a sua liberdade individual a um clube de futebol profissional (e logo ao Manchester United).

Naquele tempo os futebolistas eram autênticas propriedades dos clubes; autênticos escravos nas mãos dos dirigentes do futebol (o Eusébio que conte a sua verdadeira história – apesar de ter sido o melhor de sempre em Portugal, conta-se que uma vez Salazar “decretou” que passasse a ser património do Estado, imagine-se).

Mas estávamos a falar de George Best.

Best não acatava as “normas de escravidão” impostas aos futebolistas de então e por isso era visto nos pubs a beber cerveja com os amigos; frequentava bares e discotecas; namorava em plena rua, à frente de todo o mundo (é preciso dizer que nessa altura isso dava pelo menos uma ida à esquadra mais próxima); e maravilhava o mundo do futebol com os seus dribles e toques geniais na bola; uma corrida serpenteante e imparável rumo às balizas adversárias; golos monumentais de recorte artístico inimitável; tudo feito sem alarde de sobranceria ou vedetismo por um atleta de cabelos compridos à Beatle e cerrada barba castrista ou comunista. Tudo nele era novo e revolucionário para o seu tempo - sobretudo para a ultra-conservadora sociedade inglesa de então.

É por tudo isso, e por Best ter sido apenas um homem como qualquer outro homem livre – é por isso - que todos os que o conhecemos lhe prestamos homenagem nesta hora que vai a enterrar este verdadeiro símbolo da Liberdade Individual e um grande, grande e inigualável artista.

Best sabia que ninguém viveria ou viverá por ele.

Por isso fez muito bem em ser ele a viver a sua própria vida.

Até sempre George Best.

sábado, 26 de novembro de 2005

O BALÃO FURADO

Há pelo “país intelectual” inteiro um furor desmesurado à volta do pianista Domingos António, um “coitadinho” que Duarte Lima terá descoberto nos confins de Trás Os Montes a tocar piano no tampo de uma mesa por não dispor do instrumento para exercitar os seus magníficos dedos.

Vai daí, Duarte Lima moveu mundos e fundos para apoiar o desgraçado pianista que actualmente aparece em tudo quando é lado a dar recitais que extasiam plateias inteiras de embasbacados melómanos(?) nacionais.

As notícias - nos jornais, rádio e televisão - têm sido frequentes e laudatórias.

Ainda ontem, no programa “Contraditório” da Antena 1 da RDP, Carlos Magno teceu um rasgadíssimo elogio ao pianista que, no meu entender, terá sido colocado em pé de igualdade (senão mais acima) de Maria João Pires, Adriano Jordão, Pedro Burmester e muitos outros músicos consagrados.

Como não percebo nada de música - para aprender alguma coisa costumo ler crítica musical escrita por gente tida por séria, honesta, conhecedora e competente -.

E foi ao ler (como faço sempre todos os dias) o blogue Crítico Musical, de Henrique Silveira, que encontrei um texto que (mais uma vez no meu entender) vem relativizar as qualidades do pianista “coitadinho” e explicar a génese do fenómeno mediático que o tem acompanhado desde que Duarte Lima fez a tal viagem a Trás Os Montes e o descobriu naquele exercício impossível de tocador de tampo de mesa.

Henrique Silveira não esteve com meias medidas e escreveu assim sobre Domingos António:

«Além de ter escutado Domingos António duas vezes em concerto veio-me parar às mãos o CD do mesmo jovem. Devo dizer que já fiquei de cabelos em pé anteriormente, de modo que não foi surpresa a má qualidade interpretativa e a percepção do longo caminho que Domingos António terá de percorrer para se tornar num pianista de nível elevado, ou mesmo de nível médio.»

Se se interessa por estas coisas: leia aqui o texto todo de Henrique Silveira

quinta-feira, 24 de novembro de 2005

DA FIABILIDADE DAS SONDAGENS

Ontem a TSF noticiava: «Cavaco Silva ganha à primeira volta com 57% dos votos».

Hoje é o Diário de Notícias que noticia: «Cavaco Silva perde terreno», só recolhe 44% das intenções de voto .

Esta é a realidade das sondagens em Portugal – há-as para todos os gostos e para todos os fins; que cada um escolha a que mais lhe agradar.

É por isso mesmo que não vale a pena colaborar com as empresas de sondagens. Se e quando lhe telefonarem a fazer inquéritos, mande-lhes dar uma volta ao bilhar grande. É que elas dão os verdadeiros números a quem lhes encomenda as sondagens, e dão-nos (a nós, seres manipuláveis) os números da mentira que convém ao “encomendador”.

Vão brincar mas é com a madrinha torta delas.

domingo, 20 de novembro de 2005

EU VOYEUR ME CONFESSO

A Margarida (que é a Pokas, e é a Alentejoka) é uma exibicionista com alguma classe, muito charme e carradas de sensualidade. E eu que sou um voyeur inveterado - mas exigente e nada exclusivista - ao apanhá-la em poses como esta, por exemplo, não poderia deixar de partilhar o acontecimento convosco.

Não há dúvidas, creio eu, de que a miúda é dona de um “rabioske” mimoso, bastante convidativo; e de que trata esse seu valioso jardim das delícias com todo o esmero que aqui se pode constatar.

Se você gosta, como eu, de espreitar pelo buraco da fechadura, não perca tempo e vá já visitar a Pokas. Veja primeiro aqui, aqui, e aqui, e depois decida-se por uma visita mais prolongada.

Comente as fotos, se quiser; atire-se de cabeça se for suficientemente parvo para o fazer.

Mas se se acha um observador crítico com alguma capacidade de análise psicológica, então leia os comentários deixados por outros e reconheça mais uma vez a crua natureza frágil dos homens. De certos homens, claro – você não!, que ideia!

Tenha um bom domingo.

sábado, 19 de novembro de 2005

GOVERNO MULTIPLICA OS PÃES

«No ano passado os professores faltaram a 9 milhões de horas de aula. Cada aluno perdeu em média 3 horas de aulas por semana.»

O fenómeno aconteceu da seguinte forma:

Um professor faltou a uma aula de 1 hora de duração a uma turma de 20 alunos;

Sendo assim: cada aluno ficou sem 1 hora de aula;

Logo: 20 alunos ficaram sem 20 horas de aulas;

Conclusão: o professor faltou a 20 horas de aulas.

É assim que se transforma 1 em 20.

E o pagode, enganado, engole a patranha, aplaude o Governo e enxota os professores madraços...

Pois que... «pimenta no olho do vizinho é refresco».

Até ao dia em que o mesmo Governo habilidoso, ou algum patrão chico-esperto que aprende depressa, resolva inventar outra patranha semelhante que lixe, desta vez... o pagode.

Nessa altura, por certo, ouvir-se-á: ajudem-me! aqui d’el rei que me estão a f....!

segunda-feira, 14 de novembro de 2005

BOM DIA

Recebi de Carlos Fonseca, Titá, uma sentença de Buda que transcrevo com gosto:

Certa vez perguntaram a Buda:

«O que mais te surpreende na HUMANIDADE?»

E ele respondeu:

«OS HOMENS.
Porque perdem a saúde para juntar dinheiro,
depois perdem dinheiro para recuperarem a saúde.
E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do
presente de tal forma que acabam por não viver nem o
presente nem o futuro, e vivem como se nunca fossem morrer e
morrem como se nunca tivessem vivido!»

domingo, 13 de novembro de 2005

O C… E AS CALÇAS

SERÁ QUE A VIOLÊNCIA EM FRANÇA INTERESSA A CABO VERDE?

Para já assistimos de cadeirão à violência que assola e se alastra em França.

Mas a Europa está preocupada pois parece que a coisa é séria e ameaça atingir outros países. A Alemanha, por exemplo, começou já a discutir uma nova política de integração dos imigrantes.

As causas dos problemas de base destes acontecimentos são múltiplas e algumas delas bem velhinhas; mas ao que parece a espoleta que veio incendiar tudo chamar-se-á “globalização”.

Com as dificuldades económicas a aumentar; com os desafios comerciais impostos pela globalização dos mercados, a Europa (começando pela França) iniciou o processo de centrifugação dos imigrantes (magrebinos, sobretudo, para já).

Pelo andar previsível da carruagem da globalização, outras comunidades estrangeiras virão certamente a ser abrangidas.

Perante este cenário quero apenas perguntar:

Terá alguma importância pensar ainda a questão da “Integração de Cabo Verde na União Europeia”, ou estes problemas que (para já só em França) atingem os imigrantes são problemas que só acontecem aos outros e nunca por nunca baterão à porta dos cabo-verdianos emigrados, em geral, e do Governo de Cabo Verde, em particular?

Querem os inteligentes que defendem o isolamento de Cabo Verde em relação aos restantes países «neocolonialistas» e «fascistas» da Europa explicar-nos como é que se descalçará esta previsível e apertada bota se (e quando) o problema se colocar de forma dura e crua aos cabo-verdianos?

Haverá alguma «parceria» que nos valha, se (e quando) isso suceder?

sábado, 12 de novembro de 2005

BOM DIA

NEM TUDO É MAU NA AMÉRICA

Para além da proverbial liberdade sexual das pródigas teenagers americanas, e da sólida e séria organização comercial – na América pode-se comprar de tudo, de olhos fechados, pois, o consumidor está protegido contra todas as possibilidades de fraudes e outras circunstâncias que o podem lesar – para além disso, dizíamos, a América é uma terra de bons escritores, de intelectuais de mentes desempoeiradas, com boas bases culturais, e nada deprimidos (excepção feita a Woody Allen) que, com alguma frequência, nos brindam com livros interessantíssimos e de fácil leitura (coisa um pouco difícil de encontrar aqui deste lado do Atlântico), livros que nos dispõem bem e nos fazem levar a vida com um sorriso nos lábios e, até, a pecar sem remorsos de qualquer espécie. Tal é a escrita de Anthony Bourdin.

Bem, talvez a escrita nem seja dele. Anthony Bourdin é um renomado cozinheiro nova-iorquino que poderá muito bem ter recorrido a algum dos muitos escritores desempregados e sem nome que pululam na América para o ajudar a escrever o livro que estou a ler. Mas, para o caso tanto faz, pois, o que estamos aqui a elogiar é a qualidade dos escritores americanos.

Atentemos numa passagem do livro em questão, que aborda de forma aparentemente ligeira e despretensiosa um tema tabu, um “assunto para esquecer” – as cruzadas empreendidas no passado pelas nações católicas contra os povos incréus e os hereges -.

Reza assim:

«Diz-se que os cruzados de antigamente costumavam parar na igreja do mosteiro da sua terra antes de ir para a guerra, onde podiam comprar indulgências. Era uma espécie de cartão de crédito seguro e garantido para o céu, imagino eu, e as negociações eram provavelmente assim:

- Abençoai-me pai, porque vou pecar. Estou disposto a violar, pilhar e desmembrar pelo caminho todo, através da Europa do Sul e Norte de África, pronunciar o nome do Senhor em vão, cometer sodomia com todos e mais alguns, saquear os lugares sagrados do Islão, matar mulheres e crianças e animais, deixando-os em pilhas fumegantes… como também, é claro, divertir-me com as habituais brincadeiras militares de tirar olhos, desmembrar inocentes, atirar os cães a um urso acorrentado e pegar fogo ao que calhar. Dada esta lista de pecados, padre, quanto é que me vai custar?

- Terá de ser um novo tecto para a sacristia, meu filho, talvez alguns tapetes para aqui. Ouvi dizer que fazem lindos tapetes para onde tu vais… e, digamos, quinze por cento do grosso como dízima?

- Negócio fechado.

- Vai em paz, meu filho.»


Se leu e não gostou, olhe: tome cicuta; ou então, leia o último Saramago.
Em alternativa, venha a Lisboa e faça um mergulho da Ponte 25 de Abril.

sábado, 5 de novembro de 2005

UMA QUESTÃO DE MASSA CINZENTA

Há um burlão de meia-tigela que desde há vários meses tem tentado fazer com que eu lhe abra a porta do meu computador pessoal para que algum comparsa seu me devasse a informação contida no disco duro e tente furtar-me dados que lhes permitam burlar terceiros em meu nome ou, pior ainda para mim, fazer alguma transferência do meu dinheiro depositado em bancos portugueses para a conta deles algures por essa América Latina fora.

Digo que esse burlão tem comparsas porque todos eles os têm e também porque lhe não reconheço inteligência suficiente para fazer esse tipo de "tarefas cibernáuticas" sozinho.

Pelo escrito fica claro que conheço muito bem a identidade e o modus operandi desse desgraçado que poderia ter sido gente e se perdeu no mundo do crime menor.

Teve tempo para se tornar um grande e sofisticado burlão e ladrão; mas não teve a inteligência e a “capacidade de trabalho” suficientes para atingir esse nível apreciável de sofisticação.

Depois de algumas décadas da “profissão” mantém-se ainda ao nível de um reles pilha-galinhas.

Costuma enviar-me, com alguma frequência, emails com remetentes fictícios, mas suficientemente sugestivos de qual a sua verdadeira origem pois que, sendo eu infinitamente mais inteligente do que ele, facilmente pude descobrir a verdadeira identidade do desgraçado, desde o primeiro momento.

Dei-lhe corda durante meses para ver até onde queria chegar. Confesso que fiquei desapontado pois o pilha-galinhas não fez qualquer tentativa com alto grau de sofisticação que me desse gozo desfazer: limitou-se a insistir em pedir-me que lhe abrisse a porta, lhe deixasse instalar-se no meu cadeirão, servir-se do meu computador e levar para casa (que não tem) o que bem lhe apetecesse.

Estive para lhe escrever directamente e dizer-lhe: ó pá, tu és um reles ladrãozinho de m…. a quem eu não importaria de dar uma esmola atendendo a que te conheço desde há muitas décadas e sei que vives na miséria e hás-de de morrer na valeta. Mas achei que o desgraçado não merecia esse tratamento e então resolvi pôr a coisa aqui no blogue pois haverá leitores meus a quem o pirata terá tentado enganar ou pensa tentar enganar proximamente.

Ponham-se a pau e descubram a careca desse bandidinho fogoso quando e se ele vos bater à porta.

segunda-feira, 31 de outubro de 2005

NOTÍCIAS DA GUINÉ

A Guiné-Bissau volta a dar sinais de vida, digo, de morte.

O habitual, afinal...

Já estranhávamos tanta normalidade desde há longuíssimos três meses a esta parte.

domingo, 30 de outubro de 2005

BOA NOITE

E não se esqueçam de atrasar os relógios.

DE UMA NOITE DE TEMPESTADE

A noite, agitada de crescentes tempestades,
como se torna subitamente imensa -,
como se habitualmente estivesse recolhida
nas ínfimas dobras do tempo.
Não acaba onde as estrelas tentam detê-la
nem começa no meio da floresta,
nem no meu semblante
nem na tua forma.
Os candeeiros balbuciam e não sabem:
mentimos luz?
É a noite a única realidade
desde há milhares de anos...


(Rainer Maria Rilke)

sábado, 29 de outubro de 2005

ACONTECEU O INIMAGINÁVEL



O Hospital de S. Francisco Xavier (um hospital central da capital de Portugal) fez publicar, nesta última segunda-feira, nos jornais, um anúncio pedindo «médicos especialistas em Obstetrícia/Ginecologia» para trabalharem em regime de «Contrato Individual de Trabalho na modalidade de 35 horas semanais».

Tiveram o cuidado de não dizerem quantos médicos pretendem contratar e, sobretudo, abstiveram-se de publicitar quanto pretendem pagar a cada um deles.

Mas, apesar disso, ou muito nos enganamos, ou esse anúncio vai ficar sem uma única resposta.

Este é um acontecimento inimaginável há bem poucos anos atrás em que os médicos, às vezes, chegavam ao extremo de recorrerem aos tribunais para disputarem entre si um lugar posto a concurso. E também é inimaginável que o próprio anúncio pudesse acontecer no passado.

Longe vai o tempo em que era prestigiante para um médico pertencer ao “quadro de um Hospital Central”, ou ser, simplesmente, Interno de um desses hospitais.

E o anúncio em causa é ainda menos motivador em termos de pretígio, pois, não oferece sequer um lugar de Interno, quanto mais um lugar no “quadro” daquele hospital.

É um anúncio que pretende recrutar uma espécie de empregada doméstica a prazo - um médico com contrato precário de alguns meses, renovável.

E se há médicos (há, mas poucos) que ainda aceitam esse tipo de contrato, a tendência é para que cada vez menos o façam, pois, ganha-se hoje, no privado, em uma semana de cinco dias de trabalho (sem se fazer qualquer serviço de urgência), mais do dobro do que se ganha num hospital em um mês de trabalho fazendo, ainda por cima, quatro serviços de urgência de 12 horas de duração (integrados nas tais 35 horas de que fala o anúncio), mais um de 24 horas ao fim de semana.

Como poderemos constatar dentro de pouco tempo, para nossa infelicidade, a coisa vai ficar mesmo muito preta para os lados dos hospitais, no que ao número de médicos diz respeito.

E não se pense que o solução virá do estrangeiro. Esta é uma tonteria que de vez em quando é dita por alguém; já se publicaram anúncios no estrangeiro pedindo médicos e nem por isso vieram.

Só quem nunca emigrou é que pensa que é fácil fazer desenraizar um cidadão da sua pátria para ir trabalhar a pataco noutro lado qualquer.

A COISA ESTÁ MEMSO PRETA, acreditem!

quinta-feira, 27 de outubro de 2005

EU APOIO A GREVE DOS JUIZES

Porque quando os juízes dizem:
- nós somos um órgão de soberania e queremos tratamento diferenciado -
o Governo responde:
- vocês são funcionários públicos e como tal devem ser tratados -;

Porque quando os juízes dizem:
- nós vamos fazer greve -
o Governo responde:
- Vocês não podem fazer greve porque são um órgão de soberania -.

É por isso que apoio a greve dos juízes:

Porque não se pode tratar um órgão de soberania como um simples grupo de funcionários públicos - porque isso é nivelar por baixo;

E não se pode pretender que quem é tratado como funcionário público se comporte como órgão de soberania.

quarta-feira, 26 de outubro de 2005

COMO LIXAR O ZÉ

Parece que, finalmente, a realidade se está a impor à incompetência, à fantasia e à demagogia de muitos governantes deste País.

À incompetência daqueles que tinham o dever de saber que, no domínio da Saúde, quanto mais se trabalha e se produz - maior é a despesa do Estado;

À fantasia daqueles que julgavam que seria possível combater listas de espera cirúrgicas e de consultas de especialidade - baixando custos e cortando nos orçamentos dos hospitais;

À demagogia daqueles que pretenderam, e ainda pretendem, convencer o Zé Povinho de que a despesa da Saúde só é tamanha porque os mandriões dos médicos e dos enfermeiros só se limitam a ganhar o ordenado sem nada produzirem.

Ao que se diz nos mentideros políticos de Lisboa, parece que o Governo acordou para a realidade e já quer – sabem o quê? – já quer que se produza menos nos hospitais; que se gaste menos: consumindo menos, diagnosticando menos, tratando menos.

Para já é o que se diz nos mentideros; mas... não costuma haver fumo sem fogo.

A ser assim, no fundo, o Governo vai querer é que os médicos finjam que os doentes não estão doentes e passem a mandá-los para casa entretidos com dois comprimidos de Aspirina e um frasco de água de malvas.

Estamos acostumados a que em Portugal as modas, as correntes filosóficas, as novidades, o progresso, etc., só cheguem passadas décadas da sua vigência no estrangeiro.

Ora bem, se os políticos e governantes portugueses amam tanto o liberalismo económico e pretendem, por isso, extinguir o Estado-previdência - o que deveriam ter feito, em primeiro lugar, desde há umas duas décadas, era o seguinte:

olharem bem para os Estados Unidos para verificarem:

- primeiro, que os maiores aliados das companhias seguradoras (e do próprio Estado americano) são as associações dos médicos;

- e segundo, que só com um relacionamento privilegiado entre as seguradoras, o Estado e as associações dos médicos é possível poupar nos gastos da Saúde...

... e lixar o Zé Povinho.

Mas, em Portugal, o que se pretendeu, e se pretende ainda, é:

lixar o Zé Povinho, lixando, de passagem, tudo e todos: incluindo médicos e enfermeiros.

Assim não dá. Porque nunca deu em lado nenhum.

Meus caros senhores políticos e senhores governantes: não se consegue lixar o Zé Povinho, lixando tudo e todos ao mesmo tempo.

Por isso, será que vem aí uma santa aliança qualquer contra o Zé Povinho?

Aguardamos, atentos e intrigados.

sábado, 22 de outubro de 2005

BOM DIA

DIA DE OUTONO

Senhor: é tempo. O Verão foi muito longo.
Lança a tua sombra sobre os relógios de sol
e solta os ventos sobre os campos.

Ordena aos últimos frutos que amadureçam;
dá-lhes ainda dois dias meridionais,
apressa-os para a plenitude e verte
a última doçura no vinho pesado.

Quem agora não tem casa, já não vai construí-la.
Quem agora está só, assim ficará por muito tempo,
velará, lerá, escreverá longas cartas
e vagueará inquieto pelas alamedas acima e abaixo,
quando caírem as folhas.


(Rainer Maria Rilke)

quinta-feira, 20 de outubro de 2005

SIRVAM-SE À VONTADE

Natália Correia disse certa vez que a poesia era «para comer».

Talvez estivesse a pensar na poesia de Rainer Maria Rilke.

Substancial como sempre:



SOLIDÃO

A solidão é como uma chuva.
Ergue-se do mar ao encontro das noites;
de planícies distantes e remotas
sobe ao céu, que sempre a guarda.
E do céu tomba sobre a cidade.


Cai como chuva nas horas ambíguas,
quando todas as vielas se voltam para a manhã,
e quando os corpos, que nada encontraram,
desiludidos e tristes se separam;
e quando aqueles que se odeiam
têm de dormir juntos na mesma cama:

então, a solidão vai com os rios...

domingo, 16 de outubro de 2005

A ÁGUA E O AZEITE

F. C. PORTO-0 BENFICA-2

Gostei que a equipa do simpático, competente e urbano, Ronald Koeman, tivesse batido de forma tão categórica a equipa do auto-suficiente, ingénuo e suicida, Co Adriaanse.

Ficou mais uma vez provado que, em situações não viciadas, a inteligência e o conhecimento levam sempre a melhor sobre a prosápia, a incompetência e o autismo.

José Peseiro devia, também ele, tirar ilações sobre o que se passou ontem no Porto.

E pedir a demissão do cargo que ocupa no Sporting.

Parabéns aos lampiões de uma figa.

domingo, 9 de outubro de 2005

sábado, 8 de outubro de 2005

CANTANDO A MULHER



Ouvi hoje na Antena 2 da RDP um poema de Vinicius de Moraes cantando a Mulher.

Não resisti a colocá-lo em O Baú de Salmoura.

Se gosta da poesia de Vinicius, dê um salto ao Baú e delicie-se por um bocadinho.

AUTÁRQUICAS 2005


Candidatos em dia de reflexão.

ALTA TRAIÇÃO

Eu era amigo do casal.

Ele tinha uma namorada que engravidou.
Perguntou-me se eu lhe podia indicar uma clínica em Espanha onde a miúda pudesse fazer o aborto.
Eu indiquei-lhe a clínica onde o aborto foi realizado.

Ela soube o que se passara com a namorada do marido.
E soube que fora eu a indicar a clínica.

Então, por isso, ela cortou relações comigo.

Mas não cortou relações com o marido.

O marido que tinha a namorada.
O marido que engravidara a namorada.
O marido que me perguntou pela clínica.
O marido que levou a namorada à clínica.
O marido que pagou o aborto.
O marido que continua com a namorada.

Com ele, ela não cortou relações.

Comigo é que ela cortou relações.

sexta-feira, 7 de outubro de 2005

CHAPEAU PARA HENRIQUE SILVEIRA

Henrique Silveira surpreendeu-me, hoje, com esta posta radical que, no meu entender, ilustra claramente a crise de Estado que o País inegavelmente atravessa neste momento histórico de dúvidas e incertezas.

Eu digo que me surpreendeu, não porque não o considerasse um sagaz examinador da conjuntura e um sólido conhecedor da História Pátria;

surpreendeu-me é pela radicalidade da linguagem empregue, agora, na escalpelização da situação actual de Portugal.

Mas devo dizer que essa radicalidade me merece toda a compreensão, pois, creio que Portugal chegou ao ponto em que os paninhos quentes - não só não resolvem nada, como ainda, mais facilmente, contribuem para a morte do moribundo.

Os meus parabéns pela prosa!

O meu Viva! pela coragem de se expor a este nível.

domingo, 2 de outubro de 2005

PAÇOS DE FERREIRA-3 SPORTING-0

O jogo acabou há bem pouco.

Interrogado sobre o mesmo, o Mongolóide que todos nós conhecemos voltou a dizer:

«Fomos infelizes». E acrescentou: «Estamos tristes».

Mas o pior é isto: esse atrasado mental reconhece todos os defeitos da equipa coxa que ele próprio armou (e devia ter armado de outra forma); reconhece as falhas dos jogadores; mas nunca por nunca reconhece a sua própria incapacidade e incompetência.

É claro que tem de haver alguém que lhe diga isso e lhe mostre a porta da rua.

UI, (UI-UI), (UI-UI)

Lê-se hoje no jornal O Jogo que a SAD do Sporting se prepara para contratar José Couceiro para substituir o atrasado mental do Peseiro no cargo de treinador da equipa principal de futebol.

Quer dizer: sai um José Mongolóide e entra um José Sabichão sem quaisquer provas dadas como treinador de futebol, seja onde for.

Oh sorte malvada!

Oh triste sina!

Quem nos acode?!

Quem nos livra destes Josés?!

sábado, 1 de outubro de 2005

VOLTA PETER SCHMEICHEL!



A indignação toma conta da família sportinguista que já não tem mais paciência para aturar Peseiro e Dias da Cunha .

José Peseiro está quase na rua. Mas falta o quase.

É que com o gago, Dias da Cunha, como presidente, nunca se sabe: só quando mesmo for anunciada oficialmente pelo clube a sua saída é que teremos a certeza que o cancro do Sporting foi finalmente extirpado.

Mas urge também contratar um guarda-redes de categoria.

Como eu já dissera - se Ricardo não serve, também não é Nelson a solução do problema. Aliás, viu-se contra os suecos: Nelson tem o defeito que eu lhe apontara aqui: hesita muito e tem saídas em falso, ficando por vezes a meio da viagem, comprometendo irremediavelmente a defesa com isso.

Volta Peter Schmeichel!