quinta-feira, 30 de março de 2006

BOA NOITE



Saí hoje de uma marinada de dez dias em que não houve por aqui vestígio algum de ideia nenhuma; que o mesmo é dizer: vestígio nenhum de, sequer, uma única ideia.

Confesso-o sem o menor rebuço – é a verdade pura e dura para mim - a cabeça não funcionou. Positivamente não funcionou!

Estava já a ficar nervoso com a situação e até cheguei a encarar a hipótese de escrever um texto qualquer sem sentido nenhum (embora com palavras com significado), com apenas a finalidade de mostrar que estava vivo; do género: “tenho um amigo que sofre de
PNEUMONOULTRAMICROSCOPICOSILICOVOLCANOCONIOSE
.(*)

Mas eis que apareceu na blogosfera esta tábua de salvação: um convite para fazer uma prova de avaliação do meu QI (hoje diz-se Quociente Intelectual e não Quociente de Inteligência – este é complexo e ainda não há quem o saiba avaliar).

E querem saber no que é que deu a minha prova?

Ei-la:

«Your QI is 132»

«Your Intellectual Type is Inventive Inquisitor. You have the unusual distinction of being equally good at math and verbal skills. This means you are a creative thinker and are uniquely good at teaching others through experiences. You are also a great improviser and very good at handling change.»


Li e reli o relatório acima resumido.

E entre o preocupado e o contente fiz a seguinte análise ao mesmo:

«Your QI is 132.» Aqui comecei a ficar contente (diz-se que o QI de Bush é de 76).

«Your Intellectual Type is Inventive Inquisitor.» Aqui imaginei-me logo a dar umas dicas ao celebérrimo Torquemada: “esfolar os hereges, cobrir-lhes o corpo com sal e piri-piri e só depois levá-los à fogueira”.

«You have the unusual distinction of being equally good at math and verbal skills.» Imaginei-me logo no Governo, pois, não há dúvida nenhuma de que sou um autêntico cigano.

«This means you are a creative thinker and are uniquely good at teaching others through experiences.» Bem, isso eu já sabia (é o que elas me têm dito ao longo da vida).

«You are also a great improviser and very good at handling change». Ouviste, ó Sócrates! Põe-te a pau que qualquer dia ainda crio um partido e estarás arrumado.

(*)Doença pulmonar causada pela aspiração de particulas de silício contidas em poeiras vulcânicas.

terça-feira, 21 de março de 2006

TOME NOTA

O senhor Director Geral das Prisões terá declarado hoje numa comissão parlamentar que «os presos com hepatite C não estão a ser tratados convenientemente».

Interrogado sobre o porquê desta situação o senhor Ministro da Saúde respondeu, aos microfones da Antena 1 (noticiário das 18 horas de hoje) que «o tratamento mais eficaz contra a hepatite C custa, por doente e por semana, “cinquenta contos”»; e mais disse que o Estado não tem dinheiro para custear esse tratamento.

Não queremos aqui discutir se os presos têm ou não direito ao tratamento mais eficaz; nem sequer se têm direito ou não a tratamento.

O que queremos aqui fazer, solenemente, é chamar a atenção de você que nos lê para o seguinte:

Dentro de algum tempo não muito distante teremos a mesma justificação relativamente a tratamentos dos doentes em geral abrangidos pela Segurança Social.

Desde já avançamos com uma pergunta:

Os governos e os ministros existem para resolver os problemas do País ou somente para justificar a má resolução ou mesmo a não resolução dos problemas que é suposto resolverem?

sábado, 18 de março de 2006

BASTA!

Basta dessa diarreia de palavras; dessa incontinência verbal permanente; desse desfiar ininterrupto de historietas sem interesse, cheias de banalidades – basta desse atentado anticultural que, salvo raríssimas excepções, se está a perpetrar quotidianamente aos microfones da Antena 2 da RDP.

Queremos música erudita!

Não queremos palavras, palavras, palavras!

Não queremos o lixo palavroso que nos tem sido servido!

Chega! Todos estamos certamente fartos de sofrer com a situação actual da Antena 2.

Senhores ou senhoras (quem sejam) que mandam nisso: façam o favor de nos acudir.

Manda a mais pequenina réstia de bom senso que quem de direito dê uma varridela profunda na Antena 2 e lhe devolva a dignidade que já teve e que deve continuar a ter.

BASTA!

Nota:
Essa destruição da programação da Antena 2 está a ser levada a cabo com a justificação patética que se pode conferir aqui neste texto da mesma estação emissora:

«A programação da Antena 2, em 2006, reflecte uma atitude de abertura a novas ideias, em busca de novos ouvintes e novos hábitos sem comprometer a fidelidade do actual auditório

Uma lástima, é o que isso é. Uma verdadeira lástima.

Editado às 9:14 AM de 19/03/2006:
Se concorda connosco não fique calado.
Mande-lhes um e-mail ou envie-lhes um fax.
Proteste. Faça-se ouvir.

E-mail: antena2@rdp.pt

Fax Acção Cultural: 213 820 170

sexta-feira, 17 de março de 2006

UMA DIFERENÇA SUBSTANCIAL

UMA IMAGEM PREMONITÓRIA



Na primeira reunião semanal entre o Presidente da República e o Primeiro-Ministro notaram-se várias diferenças em relação às mesmas reuniões no passado (recente e longínquo) entre outros presidentes e primeiros-ministros: desde logo o desaparecimento de cena dos confortáveis sofás; e o aparecimento de uma austera mesinha de trabalho.

Se Sócrates marcou a sua posição burguesa transportando um caderno moleskine, já Cavaco mostrou a sua origem humilde trazendo um simples caderno escolar.

Mas a grande diferença está na ocupação do Tapete do Poder: a cadeira de Cavaco Silva tem os quatro pés assentes sobre o tapete (restando-lhe muito espaço atrás e à direita), enquanto a de Sócrates está praticamente fora desse tapete, tendo o direito de apenas colocar, com grande dificuldade, os dois pés da frente sobre o dito, não podendo conquistar mais tapete senão avançando contra Cavaco.

Assim será o futuro.

A DANÇA DO MALABARISTA

Na coluna “OPINIÃO” do Diário de Notícias é suposto cada interveniente dar a sua opinião sobre os assuntos que aborda.

Pois bem, hoje é (melhor, seria) a vez de António Vitorino dar a sua opinião sobre o tema que certamente lhe terá sido proposto pelo jornal, “Quotas” (as quotas de mulheres na vida pública portuguesa).

É sabido que o PS é defensor e proponente da existência de quotas para a entrada de mulheres na vida política e em cargos relevantes das instituições públicas do País. Seria, portanto, de todo o interesse saber qual a opinião de António Vitorino, dirigente do PS, sobre o assunto. Tanto mais que ele aceitou escrever, de livre vontade, sobre o tema.

E o que é que este inteligentíssimo profissional e político nos diz?

Limita-se a relatar-nos como o problema tem sido até agora encarado, em Portugal e em alguns países estrangeiros, para terminar dizendo:

«Este debate vai ser retomado agora entre nós. Haveremos de voltar ao tema, claro. Por ora, contudo, cumpre assinalar que é um debate relevante que não se esgota na feitura de uma lei…»

E blá-blá-blá e blá-blá-blá.

Isto é: de “Opinião” – nicles batatóide!

quinta-feira, 16 de março de 2006

BOM DIA

Achille Papin, personagem de “A Festa de Babette” de Karen Blixen:

«O que é a fama? O que é a glória? O túmulo a todos nos espera.»

COMENTÁRIOS PARA QUÊ?

Aqui há cerca de quatro anos os autoproclamados “partidos democráticos” quiseram dar a mão aos chamados “renovadores” do Partido Comunista e julgaram que o conseguiriam legislando no sentido de proibir as votações de braço no ar (que o PCP usava nos seus congressos) pensando que com isso libertariam os opositores internos do PCP do medo que a votação de braço no ar lhes provocava dando-lhes a oportunidade de, no anonimato do voto secreto, poderem derrotar as teses da direcção do partido.

Como se sabe, a alteração da forma de votar nada de novo trouxe aos congressos do PCP. E os “renovadores” desaparecem um por um a ponto de já há muito tempo se ter deixado de falar deles.

Pois bem, hoje surge-nos a notícia de que delegados ao congresso deste fim-de-semana do PSD - partido mais que “democrata”, como bem sabemos – estão a exigir que as votações para a alteração dos estatutos do PSD se façam de braço no ar.

Dá para acreditar?

Claro que dá!

O oportunismo e o golpismo político; a falta de memória; a falta de seriedade de políticos desta praça explicam facilmente este incrível desejo de “inversão democrática” da forma de expressão do voto.

domingo, 12 de março de 2006

PICASSO

ABSORTO


Concordam certamente comigo:
O contraste entre a cor dos olhos e a cor do pelo é digno de um quadro de Breughel.

NÃO GOSTOU, ESTÁ VISTO



Abri hoje o site da Presidência da República e perguntei ao Picasso o que achava do discurso de Cavaco Silva na cerimónia da tomada de posse.

Resposta do meu gato:

«O que importa agora é a higiene. Quando acabar de me alindar, vou fazer um chichi; e depois, se ainda houver tempo, falarei de ninharias».

Ele lá sabe. Mas que não gostou da pobreza do site, lá isso é incontestável.

COMO PROMETIDO (5)

MOSTRO A APROXIMAÇÃO À ILHA DO FOGO



Saído do aeroporto da Praia, o avião de 40 lugares ruma a Oeste demandando a ilha do vulcão.

O aparelho voa alto mas não atinge a altitude de 2.829 m de onde o colosso de fogo, silencioso e vigilante, tem à vista as restantes nove ilhas do arquipélago.

Mesmo assim somos presenteados com belas imagens, como esta, que nos transmitem toda a beleza mas também todo o carácter austero e dominador da ilha guardiã do Atlântico Norte.

sábado, 11 de março de 2006

REQUIEM PARA O ESPECTRO

Apenas duas postas mais abaixo escrevi:

«Não me vou cansar de saudar a chegada de Vasco Pulido Valente à blogosfera.»

Ah, pois não! Não me cansarei, não senhor.

É que mal chegaram (ele e Constança) já estão de partida.

A blogosfera não é para espíritos muito sensíveis.

Não aguentaram o peso do lixo da caixa de comentários que imprudentemente e em má hora abriram. - É que ninguém tem estômago para digerir a imundície que normalmente lá se encontra -. E eles morreram da indigestão desse lixo altamente tóxico. Desiludidos com a baixa qualidade dos seus “comentadores” refugiam-se agora nos jornais. Também as reacções que lhes terão chegado via e-mail deverão ter tido um papel importante nessa decisão.

Por outro lado os seus editores na imprensa (e o editor livreiro de Vasco) devem ter-lhes “alertado” para o perigo da banalização da sua intervenção pública na blogosfera.

Nisto, de facto, Pacheco Pereira é o mestre de todos eles: ubérrimo de ideias, capaz de produzir resmas de texto todos os dias, faz constantemente novas variações sobre temas que lhe são caros e aos quais volta sempre como quem os aborda pela vez primeira. Não insulta, não responde à letra ou, pura e simplesmente, não responde de todo.

E teve o cuidado, a atitude prudente, de não abrir caixa de comentários no seu blogue.

A caixa de comentários é o buraco no soalho que alberga por baixo os ninhos de ratos que roem com supino instinto destruidor o conteúdo das postas dos blogues. É por aí que a existência dos blogues é ameaçada e muitas vezes é extinta.

O Espectro sucumbiu muito às mãos desses ratos.

Que tenha um bom descanso lá onde a sua alma for parar.

quinta-feira, 9 de março de 2006

CHAMEM A POLÍCIA!

Nós éramos os campeões da gestão; do pronto-pagamento, das contas em dia, do “não-devemos-ao -fisco”, da contenção nos gastos, dos treinadores-bons-e-baratos, do “não-entramos-em-loucuras”, etc., etc..

Toda essa euforia reconhecia, no fundo, a obra ingente, sensacional e inteligente, de um homem - José Roquette.

Incensámo-lo e endeusámo-lo; e quando começou a ficar casmurro aceitámos que se fosse embora e deixasse alguém no seu lugar - Dias da Cunha.

Digno continuador de Roquette: homem recto, sagaz nos negócios, sóbrio nas despesas e um grande negociador e gestor. Com ele o Sporting continuaria no bom caminho, tinha credibilidade junto das entidades bancárias e respirava uma saúde financeira de se lhe tirar o chapéu.

Saiu Dias da Cunha e deixou lá Soares Franco. - Bom gestor, e pa-ta-tí e pa-ta-tá, e blá-blá-blá, e blá-blá-blá.

Hoje sai a notícia:

«O Conselho Directivo do Sporting revelou esta quinta-feira que o clube deve cerca de 237 milhões de euros (M€) a entidades bancárias, razão pela qual pretende vender o património não desportivo.»

Afinal o Sporting está ainda pior do que o Benfica; clube que tanto gozo nos deu achincalhar de cada vez que saía nos jornais mais uma notícia das suas fabulosas dívidas.

Pergunto:

Não se pode meter essa gente toda na cadeia?

Andaram por lá a enganar o pagode e no fim o que queriam era afinal sugar o património imobiliário do Sporting Clube de Portugal.

Agora sim, vamos ser como os outros: entregamos o estádio, os terrenos, as inúmeras casas que sucessivas gerações de sportinguistas foram deixando ao clube em herança, e ficamos apenas com as camisolas.

Ele há cada espécie de ladrão que não há imaginação capaz de a conceber.

domingo, 5 de março de 2006

DERRUBANDO MITOS

Não me vou cansar de saudar a chegada de Vasco Pulido Valente à blogosfera.

Vejam bem como o homem continua a ajudar-nos a descobrir as incongruências dos figurões políticos da praça portuguesa e a identificar os disparates dos infalíveis comentadores da coisa.

Hoje vem dizer-nos aqui que Portugal já teve um Presidente da República pedófilo;

e informa-nos aqui que a prolífica Clara Ferreira Alves (que eu já ouvi ser tratada por doutora sem recusar tal tratamento) não passa de uma “santanete” ingrata que hoje anda a morder a mão que ainda há bem pouco tempo lhe chegava a comida à boca.

NEM MAIS

Eu, reconhecidamente ninguém, como, aliás, todos os que me conhecem bem sabem que sou (ou não sou), mesmo assim permito-me congratular com o que escreve Vasco Pulido Valente nesta memorável posta de que ressalto apenas esta parte:

«Agora, escrever é uma variante de pisar ovos. Os mestres do "correcto" vigiam, como nunca vigiaram os coronéis de Salazar. Até a sociedade portuguesa de repente acordou puritana. Cada cidadão, cada medíocre, cada engraçadinho pode esconder um polícia. Pior ainda: um delator e um explorador do escândalo. Os grandes crimes (como de resto os pequenos delitos) contra o corpo ou qualquer espécie de igualdade não se toleram, nem se desculpam. E, entretanto, o indivíduo morreu. Não fui feito para isto.»

Leia a posta toda aqui e fique a conhecer a opinião de quem está farto da forma de vida que temos na sociedade de hoje.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

COMO PROMETIDO (4)

CONTO O QUE EU SOFRI EM CABO VERDE

Sofri uma permanente tortura musical.

É um catchapum, catchapum, catchapum constante que inferniza até as pedras da calçada.

Em todo o lado e a toda a hora há sempre uma “coluna” de som, um cantor, um músico ou um grupo musical a debitar decibéis, ao berros, nos ouvidos de quem passa ou não pode fugir.

Mesmo naquela piscina excelente, elogiada aqui mais abaixo, passei dois dias de tortura musical permanente. Valeu-me, nos restantes dias, os protestos de vários hóspedes cujos levaram o gerente a silenciar a máquina trituradora dos ouvidos.

Em todo o hotel havia sempre música de Cabo Verde. Permanentemente. E o engraçado é que no bar do hotel, onde ela até se justificaria, não havia música; mas havia um televisor sempre ligado e a fumegar.

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Exemplo de tortura logo à chegada ao aeroporto da Praia.

COMO PROMETIDO (3)

CONTO O QUE EU APRECIEI EM CABO VERDE



A excelente piscina de água salgada do Hotel Xaguate, na Ilha do Fogo. Uma das melhores piscinas que conheço tomando para comparação as de alguns destinos turísticos internacionalmente emblemáticos: Madeira; Algarve; Macau; Ilha de Phuket, na Tailândia; Ilha de Pankor, na Malásia, entre outros.

Parabéns aos proprietários portugueses que em boa hora recuperaram o Hotel e deram ao Fogo essa bela peça de infra-estrutura turística que tanta falta vinha fazendo.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2006

COMO PROMETIDO (2)

CONTO O QUE EU OUVI EM CABO VERDE

Naquele domingo de manhã (iniciava-se aparentemente pacato o dia 19 deste mês de Fevereiro) estava eu, como fazia, aliás, todos os dias àquela hora, a ouvir as primeiras notícias locais quando subitamente sou esmagado pela naturalidade com que a locutora de serviço lia a seguinte notícia:

«Na cidade da Praia foram hoje encontrados os corpos de três pessoas baleadas mortalmente durante a última noite de sábado...» etc., etc.

E dei comigo a pensar que o equivalente a esta notícia seria talvez ouvirmos a TSF informar-nos, com toda a normalidade:

Na cidade da Lisboa foram hoje encontrados os corpos de trinta pessoas baleadas mortalmente durante a última noite de sábado.

Mas o que é isto, minha gente?!

O senhor primeiro-ministro de Cabo verde não tem nada a dizer sobre como vai o Governo combater essa onda de violência?

O senhor Presidente da República não tem nada a dizer sobre o que pensa desta onda de violência?

Vão ficar todos calados?

É que este acontecimento é gravíssimo.

Matanças dessas não podem continuar a acontecer. E sobretudo não podem ser encaradas como a coisa mais natural do mundo.

domingo, 26 de fevereiro de 2006

COMO PROMETIDO (1)

CONTO O QUE EU VI EM CABO VERDE



Nesta viagem que agora acabou encontrei um país onde a população não vota maioritariamente no Presidente recandidato apoiado pelo partido que havia apenas três semanas ganhara de forma clara as eleições legislativas, mas vota sim, maioritariamente, no candidato apoiado pela oposição.

Isso:

numa prova clara de que, a despeito de toda a "clubização" (pretende-se que os partidos políticos sejam encarados pelos eleitores como um clube desportivo cujo emblema se apoia sempre mesmo quando não se concorda com o que lá se passa) – a despeito de toda a "clubização", dizíamos – os eleitores tiveram o discernimento suficiente para fazerem, de forma consciente, a escolha do candidato que mais garantias lhes dava;

numa prova clara de que quem reside no país não gostou da actuação que o seu Presidente tivera durante cinco anos de mandato e queria vê-lo de lá para fora não o reconduzindo no cargo.

No meu entender Pedro Pires é agora um Presidente mais fraco do que era pelo facto importante de ter saído derrotado no interior do país estando ele sentado na cadeira presidencial desde há cinco anos e beneficiando do apoio de todo um Governo legitimado nas urnas havia apenas três semanas.

É certo que a emigração o elegeu claramente (e os emigrantes não são menos cabo-verdianos que os residentes no País); mas o estigma de ter sido preterido por quem vive – digamos assim - dentro de casa com ele, de manhã à noite, todos os santos dias, é um estigma demasiadamente vincado que, no meu entender, o diminui de forma significativa para todo o mandato de cinco anos que ainda o espera.

Carlos Veiga tornou-se uma sombra demasiado grande para Pedro Pires.

E ficou demonstrado que Veiga tem capital político e apoio popular suficientes para ser um dia eleito Presidente da República.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

ADEUS E ATÉ AO MEU REGRESSO

De partida para ir inspeccionar o terreno em Cabo Verde, após duas eleições, a ver se as pedras ainda estão no seu lugar, prometo voltar lá para o final deste mês em que darei conta do que vir, cheirar e testar, se assim achar dever fazer.

Isto quer dizer que este blogue não será actualizado durante as próximas duas semanas. - Não que não haja hipótese para isso: há por lá computadores ligados à Internet; o que não há é tempo para manigâncias destas -.

Fiquem bem.

Djarfogo espera-me. Verdade!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006

A SAÚDE QUE MATA

Vasco Pulido Valente (suponho que ainda) um fumador inveterado, a propósito da lei da proibição de fumar no Reino Unido:

«O Ocidente que deixou de acreditar fosse no que fosse, acredita fervorosamente na saúde. Não se percebe este amor ao corpo. Um indivíduo que não fume, que não beba, que se obrigue disciplinadamente a uma dieta punitiva e faça exercício sem parar ganha o extraordinário privilégio de trabalhar muito mais, durante muito mais tempo. Ou, pior ainda, acaba por cair numa velhice patética e por morrer entubado e espicaçado e com médicos que o tratam como quem trata o problema de uma rã

Leia aqui a posta na sua totalidade e fique bem disposto.