sábado, 26 de novembro de 2005

O BALÃO FURADO

Há pelo “país intelectual” inteiro um furor desmesurado à volta do pianista Domingos António, um “coitadinho” que Duarte Lima terá descoberto nos confins de Trás Os Montes a tocar piano no tampo de uma mesa por não dispor do instrumento para exercitar os seus magníficos dedos.

Vai daí, Duarte Lima moveu mundos e fundos para apoiar o desgraçado pianista que actualmente aparece em tudo quando é lado a dar recitais que extasiam plateias inteiras de embasbacados melómanos(?) nacionais.

As notícias - nos jornais, rádio e televisão - têm sido frequentes e laudatórias.

Ainda ontem, no programa “Contraditório” da Antena 1 da RDP, Carlos Magno teceu um rasgadíssimo elogio ao pianista que, no meu entender, terá sido colocado em pé de igualdade (senão mais acima) de Maria João Pires, Adriano Jordão, Pedro Burmester e muitos outros músicos consagrados.

Como não percebo nada de música - para aprender alguma coisa costumo ler crítica musical escrita por gente tida por séria, honesta, conhecedora e competente -.

E foi ao ler (como faço sempre todos os dias) o blogue Crítico Musical, de Henrique Silveira, que encontrei um texto que (mais uma vez no meu entender) vem relativizar as qualidades do pianista “coitadinho” e explicar a génese do fenómeno mediático que o tem acompanhado desde que Duarte Lima fez a tal viagem a Trás Os Montes e o descobriu naquele exercício impossível de tocador de tampo de mesa.

Henrique Silveira não esteve com meias medidas e escreveu assim sobre Domingos António:

«Além de ter escutado Domingos António duas vezes em concerto veio-me parar às mãos o CD do mesmo jovem. Devo dizer que já fiquei de cabelos em pé anteriormente, de modo que não foi surpresa a má qualidade interpretativa e a percepção do longo caminho que Domingos António terá de percorrer para se tornar num pianista de nível elevado, ou mesmo de nível médio.»

Se se interessa por estas coisas: leia aqui o texto todo de Henrique Silveira

quinta-feira, 24 de novembro de 2005

DA FIABILIDADE DAS SONDAGENS

Ontem a TSF noticiava: «Cavaco Silva ganha à primeira volta com 57% dos votos».

Hoje é o Diário de Notícias que noticia: «Cavaco Silva perde terreno», só recolhe 44% das intenções de voto .

Esta é a realidade das sondagens em Portugal – há-as para todos os gostos e para todos os fins; que cada um escolha a que mais lhe agradar.

É por isso mesmo que não vale a pena colaborar com as empresas de sondagens. Se e quando lhe telefonarem a fazer inquéritos, mande-lhes dar uma volta ao bilhar grande. É que elas dão os verdadeiros números a quem lhes encomenda as sondagens, e dão-nos (a nós, seres manipuláveis) os números da mentira que convém ao “encomendador”.

Vão brincar mas é com a madrinha torta delas.

domingo, 20 de novembro de 2005

EU VOYEUR ME CONFESSO

A Margarida (que é a Pokas, e é a Alentejoka) é uma exibicionista com alguma classe, muito charme e carradas de sensualidade. E eu que sou um voyeur inveterado - mas exigente e nada exclusivista - ao apanhá-la em poses como esta, por exemplo, não poderia deixar de partilhar o acontecimento convosco.

Não há dúvidas, creio eu, de que a miúda é dona de um “rabioske” mimoso, bastante convidativo; e de que trata esse seu valioso jardim das delícias com todo o esmero que aqui se pode constatar.

Se você gosta, como eu, de espreitar pelo buraco da fechadura, não perca tempo e vá já visitar a Pokas. Veja primeiro aqui, aqui, e aqui, e depois decida-se por uma visita mais prolongada.

Comente as fotos, se quiser; atire-se de cabeça se for suficientemente parvo para o fazer.

Mas se se acha um observador crítico com alguma capacidade de análise psicológica, então leia os comentários deixados por outros e reconheça mais uma vez a crua natureza frágil dos homens. De certos homens, claro – você não!, que ideia!

Tenha um bom domingo.

sábado, 19 de novembro de 2005

GOVERNO MULTIPLICA OS PÃES

«No ano passado os professores faltaram a 9 milhões de horas de aula. Cada aluno perdeu em média 3 horas de aulas por semana.»

O fenómeno aconteceu da seguinte forma:

Um professor faltou a uma aula de 1 hora de duração a uma turma de 20 alunos;

Sendo assim: cada aluno ficou sem 1 hora de aula;

Logo: 20 alunos ficaram sem 20 horas de aulas;

Conclusão: o professor faltou a 20 horas de aulas.

É assim que se transforma 1 em 20.

E o pagode, enganado, engole a patranha, aplaude o Governo e enxota os professores madraços...

Pois que... «pimenta no olho do vizinho é refresco».

Até ao dia em que o mesmo Governo habilidoso, ou algum patrão chico-esperto que aprende depressa, resolva inventar outra patranha semelhante que lixe, desta vez... o pagode.

Nessa altura, por certo, ouvir-se-á: ajudem-me! aqui d’el rei que me estão a f....!

segunda-feira, 14 de novembro de 2005

BOM DIA

Recebi de Carlos Fonseca, Titá, uma sentença de Buda que transcrevo com gosto:

Certa vez perguntaram a Buda:

«O que mais te surpreende na HUMANIDADE?»

E ele respondeu:

«OS HOMENS.
Porque perdem a saúde para juntar dinheiro,
depois perdem dinheiro para recuperarem a saúde.
E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do
presente de tal forma que acabam por não viver nem o
presente nem o futuro, e vivem como se nunca fossem morrer e
morrem como se nunca tivessem vivido!»

domingo, 13 de novembro de 2005

O C… E AS CALÇAS

SERÁ QUE A VIOLÊNCIA EM FRANÇA INTERESSA A CABO VERDE?

Para já assistimos de cadeirão à violência que assola e se alastra em França.

Mas a Europa está preocupada pois parece que a coisa é séria e ameaça atingir outros países. A Alemanha, por exemplo, começou já a discutir uma nova política de integração dos imigrantes.

As causas dos problemas de base destes acontecimentos são múltiplas e algumas delas bem velhinhas; mas ao que parece a espoleta que veio incendiar tudo chamar-se-á “globalização”.

Com as dificuldades económicas a aumentar; com os desafios comerciais impostos pela globalização dos mercados, a Europa (começando pela França) iniciou o processo de centrifugação dos imigrantes (magrebinos, sobretudo, para já).

Pelo andar previsível da carruagem da globalização, outras comunidades estrangeiras virão certamente a ser abrangidas.

Perante este cenário quero apenas perguntar:

Terá alguma importância pensar ainda a questão da “Integração de Cabo Verde na União Europeia”, ou estes problemas que (para já só em França) atingem os imigrantes são problemas que só acontecem aos outros e nunca por nunca baterão à porta dos cabo-verdianos emigrados, em geral, e do Governo de Cabo Verde, em particular?

Querem os inteligentes que defendem o isolamento de Cabo Verde em relação aos restantes países «neocolonialistas» e «fascistas» da Europa explicar-nos como é que se descalçará esta previsível e apertada bota se (e quando) o problema se colocar de forma dura e crua aos cabo-verdianos?

Haverá alguma «parceria» que nos valha, se (e quando) isso suceder?

sábado, 12 de novembro de 2005

BOM DIA

NEM TUDO É MAU NA AMÉRICA

Para além da proverbial liberdade sexual das pródigas teenagers americanas, e da sólida e séria organização comercial – na América pode-se comprar de tudo, de olhos fechados, pois, o consumidor está protegido contra todas as possibilidades de fraudes e outras circunstâncias que o podem lesar – para além disso, dizíamos, a América é uma terra de bons escritores, de intelectuais de mentes desempoeiradas, com boas bases culturais, e nada deprimidos (excepção feita a Woody Allen) que, com alguma frequência, nos brindam com livros interessantíssimos e de fácil leitura (coisa um pouco difícil de encontrar aqui deste lado do Atlântico), livros que nos dispõem bem e nos fazem levar a vida com um sorriso nos lábios e, até, a pecar sem remorsos de qualquer espécie. Tal é a escrita de Anthony Bourdin.

Bem, talvez a escrita nem seja dele. Anthony Bourdin é um renomado cozinheiro nova-iorquino que poderá muito bem ter recorrido a algum dos muitos escritores desempregados e sem nome que pululam na América para o ajudar a escrever o livro que estou a ler. Mas, para o caso tanto faz, pois, o que estamos aqui a elogiar é a qualidade dos escritores americanos.

Atentemos numa passagem do livro em questão, que aborda de forma aparentemente ligeira e despretensiosa um tema tabu, um “assunto para esquecer” – as cruzadas empreendidas no passado pelas nações católicas contra os povos incréus e os hereges -.

Reza assim:

«Diz-se que os cruzados de antigamente costumavam parar na igreja do mosteiro da sua terra antes de ir para a guerra, onde podiam comprar indulgências. Era uma espécie de cartão de crédito seguro e garantido para o céu, imagino eu, e as negociações eram provavelmente assim:

- Abençoai-me pai, porque vou pecar. Estou disposto a violar, pilhar e desmembrar pelo caminho todo, através da Europa do Sul e Norte de África, pronunciar o nome do Senhor em vão, cometer sodomia com todos e mais alguns, saquear os lugares sagrados do Islão, matar mulheres e crianças e animais, deixando-os em pilhas fumegantes… como também, é claro, divertir-me com as habituais brincadeiras militares de tirar olhos, desmembrar inocentes, atirar os cães a um urso acorrentado e pegar fogo ao que calhar. Dada esta lista de pecados, padre, quanto é que me vai custar?

- Terá de ser um novo tecto para a sacristia, meu filho, talvez alguns tapetes para aqui. Ouvi dizer que fazem lindos tapetes para onde tu vais… e, digamos, quinze por cento do grosso como dízima?

- Negócio fechado.

- Vai em paz, meu filho.»


Se leu e não gostou, olhe: tome cicuta; ou então, leia o último Saramago.
Em alternativa, venha a Lisboa e faça um mergulho da Ponte 25 de Abril.

sábado, 5 de novembro de 2005

UMA QUESTÃO DE MASSA CINZENTA

Há um burlão de meia-tigela que desde há vários meses tem tentado fazer com que eu lhe abra a porta do meu computador pessoal para que algum comparsa seu me devasse a informação contida no disco duro e tente furtar-me dados que lhes permitam burlar terceiros em meu nome ou, pior ainda para mim, fazer alguma transferência do meu dinheiro depositado em bancos portugueses para a conta deles algures por essa América Latina fora.

Digo que esse burlão tem comparsas porque todos eles os têm e também porque lhe não reconheço inteligência suficiente para fazer esse tipo de "tarefas cibernáuticas" sozinho.

Pelo escrito fica claro que conheço muito bem a identidade e o modus operandi desse desgraçado que poderia ter sido gente e se perdeu no mundo do crime menor.

Teve tempo para se tornar um grande e sofisticado burlão e ladrão; mas não teve a inteligência e a “capacidade de trabalho” suficientes para atingir esse nível apreciável de sofisticação.

Depois de algumas décadas da “profissão” mantém-se ainda ao nível de um reles pilha-galinhas.

Costuma enviar-me, com alguma frequência, emails com remetentes fictícios, mas suficientemente sugestivos de qual a sua verdadeira origem pois que, sendo eu infinitamente mais inteligente do que ele, facilmente pude descobrir a verdadeira identidade do desgraçado, desde o primeiro momento.

Dei-lhe corda durante meses para ver até onde queria chegar. Confesso que fiquei desapontado pois o pilha-galinhas não fez qualquer tentativa com alto grau de sofisticação que me desse gozo desfazer: limitou-se a insistir em pedir-me que lhe abrisse a porta, lhe deixasse instalar-se no meu cadeirão, servir-se do meu computador e levar para casa (que não tem) o que bem lhe apetecesse.

Estive para lhe escrever directamente e dizer-lhe: ó pá, tu és um reles ladrãozinho de m…. a quem eu não importaria de dar uma esmola atendendo a que te conheço desde há muitas décadas e sei que vives na miséria e hás-de de morrer na valeta. Mas achei que o desgraçado não merecia esse tratamento e então resolvi pôr a coisa aqui no blogue pois haverá leitores meus a quem o pirata terá tentado enganar ou pensa tentar enganar proximamente.

Ponham-se a pau e descubram a careca desse bandidinho fogoso quando e se ele vos bater à porta.

segunda-feira, 31 de outubro de 2005

NOTÍCIAS DA GUINÉ

A Guiné-Bissau volta a dar sinais de vida, digo, de morte.

O habitual, afinal...

Já estranhávamos tanta normalidade desde há longuíssimos três meses a esta parte.

domingo, 30 de outubro de 2005

BOA NOITE

E não se esqueçam de atrasar os relógios.

DE UMA NOITE DE TEMPESTADE

A noite, agitada de crescentes tempestades,
como se torna subitamente imensa -,
como se habitualmente estivesse recolhida
nas ínfimas dobras do tempo.
Não acaba onde as estrelas tentam detê-la
nem começa no meio da floresta,
nem no meu semblante
nem na tua forma.
Os candeeiros balbuciam e não sabem:
mentimos luz?
É a noite a única realidade
desde há milhares de anos...


(Rainer Maria Rilke)

sábado, 29 de outubro de 2005

ACONTECEU O INIMAGINÁVEL



O Hospital de S. Francisco Xavier (um hospital central da capital de Portugal) fez publicar, nesta última segunda-feira, nos jornais, um anúncio pedindo «médicos especialistas em Obstetrícia/Ginecologia» para trabalharem em regime de «Contrato Individual de Trabalho na modalidade de 35 horas semanais».

Tiveram o cuidado de não dizerem quantos médicos pretendem contratar e, sobretudo, abstiveram-se de publicitar quanto pretendem pagar a cada um deles.

Mas, apesar disso, ou muito nos enganamos, ou esse anúncio vai ficar sem uma única resposta.

Este é um acontecimento inimaginável há bem poucos anos atrás em que os médicos, às vezes, chegavam ao extremo de recorrerem aos tribunais para disputarem entre si um lugar posto a concurso. E também é inimaginável que o próprio anúncio pudesse acontecer no passado.

Longe vai o tempo em que era prestigiante para um médico pertencer ao “quadro de um Hospital Central”, ou ser, simplesmente, Interno de um desses hospitais.

E o anúncio em causa é ainda menos motivador em termos de pretígio, pois, não oferece sequer um lugar de Interno, quanto mais um lugar no “quadro” daquele hospital.

É um anúncio que pretende recrutar uma espécie de empregada doméstica a prazo - um médico com contrato precário de alguns meses, renovável.

E se há médicos (há, mas poucos) que ainda aceitam esse tipo de contrato, a tendência é para que cada vez menos o façam, pois, ganha-se hoje, no privado, em uma semana de cinco dias de trabalho (sem se fazer qualquer serviço de urgência), mais do dobro do que se ganha num hospital em um mês de trabalho fazendo, ainda por cima, quatro serviços de urgência de 12 horas de duração (integrados nas tais 35 horas de que fala o anúncio), mais um de 24 horas ao fim de semana.

Como poderemos constatar dentro de pouco tempo, para nossa infelicidade, a coisa vai ficar mesmo muito preta para os lados dos hospitais, no que ao número de médicos diz respeito.

E não se pense que o solução virá do estrangeiro. Esta é uma tonteria que de vez em quando é dita por alguém; já se publicaram anúncios no estrangeiro pedindo médicos e nem por isso vieram.

Só quem nunca emigrou é que pensa que é fácil fazer desenraizar um cidadão da sua pátria para ir trabalhar a pataco noutro lado qualquer.

A COISA ESTÁ MEMSO PRETA, acreditem!

quinta-feira, 27 de outubro de 2005

EU APOIO A GREVE DOS JUIZES

Porque quando os juízes dizem:
- nós somos um órgão de soberania e queremos tratamento diferenciado -
o Governo responde:
- vocês são funcionários públicos e como tal devem ser tratados -;

Porque quando os juízes dizem:
- nós vamos fazer greve -
o Governo responde:
- Vocês não podem fazer greve porque são um órgão de soberania -.

É por isso que apoio a greve dos juízes:

Porque não se pode tratar um órgão de soberania como um simples grupo de funcionários públicos - porque isso é nivelar por baixo;

E não se pode pretender que quem é tratado como funcionário público se comporte como órgão de soberania.

quarta-feira, 26 de outubro de 2005

COMO LIXAR O ZÉ

Parece que, finalmente, a realidade se está a impor à incompetência, à fantasia e à demagogia de muitos governantes deste País.

À incompetência daqueles que tinham o dever de saber que, no domínio da Saúde, quanto mais se trabalha e se produz - maior é a despesa do Estado;

À fantasia daqueles que julgavam que seria possível combater listas de espera cirúrgicas e de consultas de especialidade - baixando custos e cortando nos orçamentos dos hospitais;

À demagogia daqueles que pretenderam, e ainda pretendem, convencer o Zé Povinho de que a despesa da Saúde só é tamanha porque os mandriões dos médicos e dos enfermeiros só se limitam a ganhar o ordenado sem nada produzirem.

Ao que se diz nos mentideros políticos de Lisboa, parece que o Governo acordou para a realidade e já quer – sabem o quê? – já quer que se produza menos nos hospitais; que se gaste menos: consumindo menos, diagnosticando menos, tratando menos.

Para já é o que se diz nos mentideros; mas... não costuma haver fumo sem fogo.

A ser assim, no fundo, o Governo vai querer é que os médicos finjam que os doentes não estão doentes e passem a mandá-los para casa entretidos com dois comprimidos de Aspirina e um frasco de água de malvas.

Estamos acostumados a que em Portugal as modas, as correntes filosóficas, as novidades, o progresso, etc., só cheguem passadas décadas da sua vigência no estrangeiro.

Ora bem, se os políticos e governantes portugueses amam tanto o liberalismo económico e pretendem, por isso, extinguir o Estado-previdência - o que deveriam ter feito, em primeiro lugar, desde há umas duas décadas, era o seguinte:

olharem bem para os Estados Unidos para verificarem:

- primeiro, que os maiores aliados das companhias seguradoras (e do próprio Estado americano) são as associações dos médicos;

- e segundo, que só com um relacionamento privilegiado entre as seguradoras, o Estado e as associações dos médicos é possível poupar nos gastos da Saúde...

... e lixar o Zé Povinho.

Mas, em Portugal, o que se pretendeu, e se pretende ainda, é:

lixar o Zé Povinho, lixando, de passagem, tudo e todos: incluindo médicos e enfermeiros.

Assim não dá. Porque nunca deu em lado nenhum.

Meus caros senhores políticos e senhores governantes: não se consegue lixar o Zé Povinho, lixando tudo e todos ao mesmo tempo.

Por isso, será que vem aí uma santa aliança qualquer contra o Zé Povinho?

Aguardamos, atentos e intrigados.

sábado, 22 de outubro de 2005

BOM DIA

DIA DE OUTONO

Senhor: é tempo. O Verão foi muito longo.
Lança a tua sombra sobre os relógios de sol
e solta os ventos sobre os campos.

Ordena aos últimos frutos que amadureçam;
dá-lhes ainda dois dias meridionais,
apressa-os para a plenitude e verte
a última doçura no vinho pesado.

Quem agora não tem casa, já não vai construí-la.
Quem agora está só, assim ficará por muito tempo,
velará, lerá, escreverá longas cartas
e vagueará inquieto pelas alamedas acima e abaixo,
quando caírem as folhas.


(Rainer Maria Rilke)

quinta-feira, 20 de outubro de 2005

SIRVAM-SE À VONTADE

Natália Correia disse certa vez que a poesia era «para comer».

Talvez estivesse a pensar na poesia de Rainer Maria Rilke.

Substancial como sempre:



SOLIDÃO

A solidão é como uma chuva.
Ergue-se do mar ao encontro das noites;
de planícies distantes e remotas
sobe ao céu, que sempre a guarda.
E do céu tomba sobre a cidade.


Cai como chuva nas horas ambíguas,
quando todas as vielas se voltam para a manhã,
e quando os corpos, que nada encontraram,
desiludidos e tristes se separam;
e quando aqueles que se odeiam
têm de dormir juntos na mesma cama:

então, a solidão vai com os rios...

domingo, 16 de outubro de 2005

A ÁGUA E O AZEITE

F. C. PORTO-0 BENFICA-2

Gostei que a equipa do simpático, competente e urbano, Ronald Koeman, tivesse batido de forma tão categórica a equipa do auto-suficiente, ingénuo e suicida, Co Adriaanse.

Ficou mais uma vez provado que, em situações não viciadas, a inteligência e o conhecimento levam sempre a melhor sobre a prosápia, a incompetência e o autismo.

José Peseiro devia, também ele, tirar ilações sobre o que se passou ontem no Porto.

E pedir a demissão do cargo que ocupa no Sporting.

Parabéns aos lampiões de uma figa.

domingo, 9 de outubro de 2005

sábado, 8 de outubro de 2005

CANTANDO A MULHER



Ouvi hoje na Antena 2 da RDP um poema de Vinicius de Moraes cantando a Mulher.

Não resisti a colocá-lo em O Baú de Salmoura.

Se gosta da poesia de Vinicius, dê um salto ao Baú e delicie-se por um bocadinho.

AUTÁRQUICAS 2005


Candidatos em dia de reflexão.

ALTA TRAIÇÃO

Eu era amigo do casal.

Ele tinha uma namorada que engravidou.
Perguntou-me se eu lhe podia indicar uma clínica em Espanha onde a miúda pudesse fazer o aborto.
Eu indiquei-lhe a clínica onde o aborto foi realizado.

Ela soube o que se passara com a namorada do marido.
E soube que fora eu a indicar a clínica.

Então, por isso, ela cortou relações comigo.

Mas não cortou relações com o marido.

O marido que tinha a namorada.
O marido que engravidara a namorada.
O marido que me perguntou pela clínica.
O marido que levou a namorada à clínica.
O marido que pagou o aborto.
O marido que continua com a namorada.

Com ele, ela não cortou relações.

Comigo é que ela cortou relações.