quarta-feira, 30 de setembro de 2009

ELOCUBRAÇÃO OITAVA:

“Ser culto es el único modo de ser libre”
José MARTÍ (1853-1895)

“L’heure de nous-même est venue”, Aimé CÉSAIRE (1913-2008), in Lettre à Maurice Thorez, Paris 1956.

Na verdade e, na realidade é já clássico, se opor a Grã-Bretanha à França.
A primeira é creditada de uma descolonização plenamente assumida, negociada e pacífica, em consonância com uma temperada lógica levada ao pragmatismo e à apreciação, sem estados de alma pelos seus interesses.
A segunda (a França, obviamente) conotada com uma descolonização, infinitamente, mais reticente e conflituosa, que explicaria a sua crispação acerca de uma concepção toda jacobina da indivisibilidade da República e da grandeza nacional.
E, entre estes dois extremos, as descolonizações “secundárias” constituiriam casos intermédios, mais próximos da Grã-Bretanha para a descolonização belga e da França, para as descolonizações holandesa e portuguesa.

Por essa razão, a emancipação das possessões britânicas não está isenta da presença de provas de força prolongadas. Eis porque, seria imprudente erigir como em modelo determinadas retiradas precipitadas, deixando, frente a frente, como nos casos da Índia ou da Palestina, populações condenadas ao afrontamento pelo apagamento da potência arbitral.
Opostamente, a França conseguiu, no âmbito dos seus mandatos e protectorados, com convulsões (é certo) a uma Independência negociada, do mesmo modo que conduziu em África negra as etapas de um descolonização pacífica.
No atinente, às duas guerras coloniais, em que se comprometeu, fazem surgir situações excepcionais às quais a Inglaterra não foi confrontada, de modo tão veemente. Ou seja: a confusão do nacionalismo e do colonialismo na Indochina e a presença na Argélia de uma comunidade europeia numerosa que nada conseguia demover em abandonar o território argelino.

Importante, consignar, que por mais esquemática que for, esta tipologia, não é menos fundamentada. Explicitando:
--- Quer na Índia, quer em África, a Grã-Bretanha soube fazer a economia das guerras prolongadas e se envidar, numa política evolutiva do Império, que já tinha dada provas com os Dominions. De anotar, que Dominion (vocábulo inglês), é o nome dado, antes de 1947, a diversas parcelas da Commonwealth, politicamente independentes, porém, unidas à Coroa por vínculos da vassalagem (Canadá, Austrália e a Nova Zelândia constituíam Dominions).
--- O mérito cabe, antes de mais, aos Trabalhistas. De feito, menos impregnados que os conservadores da mística imperial, admitiram que, tendo em conta, o enfraquecimento do país, se afigura, assaz quimérico querer conduzir, frente a frente, a construção do Estado Providência, a manutenção de um nível elevado de despesas militares e uma política de força no Império. Aliás, esta apreciação realista, era tanto mais, fundamentada, pois que a Commonwealth oferecia uma estrutura de acolhimento de colónias admitidas à Independência e em que a Metrópole podia conservar a sua influência cultural e os seus interesses económicos.
--- Eis porque, em se separando, desde 1950, a pedido da Índia e do Paquistão, da sua designação de British para apenas ser a Commonwealth of Nations, esta Organização perderia o seu carácter imperial em benefício de uma Comunidade Multiracial e Linguística de que a França não soube ofertar o equivalente.
--- O Retorno dos conservadores em 1951 coincidiu, obviamente com um endurecimento repressivo (na Malásia, no Quénia, no Chipre), porém, o malogro/fracasso da Expedição de Suez, derradeira metamorfose da política canhoneira foi melhor compreendida na Inglaterra do que em França.
--- Enfim e, em suma: É, por conseguinte, num quase consenso dos partidos políticos e da opinião pública que o gabinete do então Primeiro-Ministro, Harold MACMILLAN (1894-1983) vai assumir a partir de 1957 o fundamental da descolonização africana por pouco que sejam preparadas as transições mínimas e respeitada a representação das minorias.

E, no atinente, a França, com duas guerras coloniais e uma démarche infinitamente mais renitente, existe realmente, uma especificidade da descolonização francesa.
Não que na peugada da famigerada conferência de Brazzavile (capital da actual República do Congo, ocorrida no já remoto ano de 1944), no seu repúdio “de tout système colonial fondé sur l’arbitraire”, os constituintes de 1946 não tenham sinceramente tentado inovar.
No entanto, ao lado de algumas reformas, efectivamente, inovadoras, a décalage rapidamente aparece entre a generosidade dos princípios e o tradicionalismo das disposições constitucionais, enquanto, identicamente o diálogo mudava repentinamente de direcção na Argélia, na Indochina e em Madagáscar em benefício do recurso à força.
Exagerado no culto dos fundadores de Impérios e persuadido que a posição da França estava condicionada pela sua manutenção, ao pessoal político da IVª República faltou, salvo raríssimas excepções, perspicácia e coragem, por vícios de funcionamento do regímen cuja a instabilidade crónica impedia toda a reforma de envergadura e deixava o campo livre aos lobbies de todas a espécie.
Eis porque, a Guerra da Argélia, a tendo varrido, cabe ao General Charle de GAULLE (1890-1970), que não tinha, contudo não tinha provado, aquando da Libertação de uma grande audácia, neste domínio, de virar a página da Colonização, desde que fosse (consoante ele) do interesse da França, posição expressa, outrossim e ainda, na célebre Conferência de Imprensa, em 14 de Abril de 1961, ou seja: “La décolonisation est notre intérêt, et par coséquent notre politique”.

Lisboa, 30 Setembro 2009
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo)
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COM BUGALHOS EM VEZ DE ALHOS

Finalmente Pacheco Pereira apareceu na blogosfera.
Para ― tal como em relação à existência das famosíssimas armas de destruição massiva no Iraque cuja inexistência nunca aceitou claramente ― falar do acessório e deixar de lado a questão mais que fundamental: o conflito institucional em que participa de corpo inteiro o Senhor Presidente da República.

Bom seria que JPP nos dissesse se concorda com a evolução deste conflito tal como concordou com a evolução da invasão do Iraque mesmo depois de se saber que todo o mundo tinha sido enganado com a pretensa existência das tais armas fantasmas que para ele, JPP, nunca deixaram de existir mesmo não existindo ou antes pelo contrário.
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terça-feira, 29 de setembro de 2009

PREOCUPANTE! MUITO PREOCUPANTE!

1) Não fiquei minimamente esclarecido ― antes pelo contrário ―, fiquei é mais confuso ainda com o que disse há pouco o Senhor Presidente da República na comunicação que fez ao País: falou de emails da Presidência da República quando devia era falar e dar explicações sobre os emails do jornal PÚBLICO revelados pelo Diário de Notícias e que implicavam um acessor seu (que acabou por demitir).

2) A declaração do Senhor Presidente da República, a meu ver, introduz, melhor, constitui mais um factor de instabilidade para o País ao fazer com que a relação institucional entre o Presidente da República e o Primeiro-Ministro (se este for José Sócrates) tenda a ficar ainda mais degradada do que já era.

3) É bizarro que SÓ HOJE o Senhor Presidente da República tenha reunido entidades especializadas em segurança para ficar a saber aquilo que todos nós cidadãos comuns que lidamos quotidianamente com computadores sabemos: que todos os sistemas informáticos de comunicações têm vulnerabilidades ― TODOS ―: O do Sr. Obama; o da CIA; o do Pentágono; os dos bancos; o, o e o... E mais bizarro ainda é que apesar de se saber isso latamente e desde sempre (passe o exagero) o Senhor Presidente da República só agora tenha ficado tão preocupado com essa revelação.

4) Por fim: Acho muito preocupante o que está a passar-se ao mais alto nível do Estado Português.
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ONDE ESTÁ O WALLY?

Vinha escrever alguma coisa sobre o desaparecimento de Pacheco Pereira da blogosfera desde a noite do passado dia 25 deste Setembro eleitoral;

Mas ainda bem que dei primeiro uma volta por blogues da minha preferência (sem atender à cor política, como é mais que óbvio), pois, encontrei no Blasfémias esta posta (ilustrada) que resume e encerra em si tudo que de mais importante há a dizer sobre o tema em questão desde o desaparecimento do Wally.
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ELOCUBRAÇÃO SÉTIMA:

Estudando os meandros da Descolonização:

“Ser culto es el único modo de ser libre”
José MARTÍ (1853-1895).

“a luta de libertação, que é a expressão mais complexa
do vigor cultural de um povo, da sua identidade, enriquece
a cultura e abre-lhe novas perspectivas de desenvolvimento.
As manifestações culturais adquirem um conteúdo novo e
Encontram novas formas de expressão. Tornam-se assim
Um instrumento de informação e de formação política, não somente na luta pela independência, como ainda na grande batalha pelo progresso.”
Amílcar CABRAL (1924-1973).

Nota Prévia:
Oficialmente, já não existe espaços coloniais.
De feito, a vetusta Ordem Mundial, a dos Impérios cuja a potência se media pela alna e vara das suas possessões coloniais respectivas, se desmoronou, na metade do Século XX pretérito. Eis porque, neste sentido, a descolonização se assume, como um episódio major da História contemporânea, comparável, em importância à “guerra-fria”, com a qual interfere parcialmente.

Efectivamente, deste modo, mais que nunca, se impõe conhecer os móbeis e as modalidades respectivas, pacíficos ou violentos, desta emancipação dos povos, identicamente, discernir a complexidade através das suas heranças e das suas sequelas.
Demais, de sublinhar, que o levantamento/retirada do elo/vínculo de sujeição política, não significou (ou que, escassamente) a Independência económica e cultural dos novos Estados. Todavia, esta balkanização do Mundo pôde degenerar, em múltiplas tensões e conflitos, sobre os quais se enxertaram, de um e de outro lado, memórias antagonistas, que constituem tantas contas mal saldadas.

(A)
Pela sua duração e pela violência que pôde se revestir, pelo seu custo humano, sem dúvida nenhuma, incalculável, seguramente, sobremaneira pesado e pelas paixões que desencadeou, a Descolonização, bem se assume, como um dos Acontecimentos major da segunda metade do século XX pretérito, do mesmo modo, que a bipolarização Este/Oeste ou os avanços e os recuos do “comunismo”.
Esta importância se lê, outrossim, numa herança significativa cujo o Mundo actual é ainda, mais ou menos, tributário, mesmo se não for evidente poder distinguir as sequelas directas da emancipação propriamente dita, das grandes mutações pós-coloniais ou dos efeitos mais recentes da mundialização.
Todavia, afirmar acerca do carácter inelutável da descolonização não pressagia, em nada acerca do êxito do empreendimento. Este pode ter outorgado aos povos, a sua dignidade e o domínio da sua própria história, entretanto, o levantamento do elo de subordinação política não significa, de modo algum, uma libertação real.
Integrados no Terceiro Mundo, ulteriormente no “Sul”, os espaços descolonizados permanecem na busca de um desenvolvimento em que, nem os dirigentes, nem o Mundo desenvolvido, não lhes asseguraram os meios, a despeito das múltiplas formas de “ajuda” e de “cooperação”.De sublinhar, entretanto, se não colocou, seriamente em causa a bipolarização oriunda da Guerra, a descolonização multiplicou as fontes de conflitos bilaterais ou regionais, que as diversas formas de reagrupamento dos países dela provenientes, não souberam, nem prevenir e nem controlar.
Enfim e, em suma: Ela (referindo-se, obviamente à descolonização) se encontra, outrossim, na origem de migrações humanas contrastadas, propícias à construção de memórias dolorosas e conflituosas às quais o historiador tenta, sem demasiada ilusão acerca do seu poder de arbitragem, trazer alguma clareza.

(B)
O elo enformador da sujeição colonial é de natureza fundamentalmente política, visto que é estabelecido, ou antes, imposto, de povo para povo e decorre da sobreposição de duas idades sucessivas da própria colonização. Ou seja:
--- A primeira, de tipo mercantil, consecutiva às grandes descobertas, edificada sobre a economia de tráfego e de plantação, sobreviveu parcialmente, nas Antilhas, na Independência dos Estados Unidos e da América Latina.
--- A Segunda, por sua vez, vinculada ao progresso e necessidades da Evolução industrial, pois que a colonização, estando suposto, abrir um acesso privilegiado às matérias-primas e uma saída para os produtos industriais.
A este imperativo major económico, outros se vieram ajuntar, designadamente, de ordem demográfica, estratégica ou de mero prestígio. O fim das guerras napoleónicas e a estabilização europeia de 1815 tiveram para efeito, deslocar para o ultramar, a competição internacional, da qual as pequenas potências (Portugal, Bélgica) e os Estados de formação mais recente (Itália, Alemanha) não quiseram permanecer à distância. A África foi, então, o Continente designado para esta expansão, conduzida, desta vez, sem plano definido, ao preço de guerras extenuantes e homicidas.

(C)
A descolonização, pode-se entender, ainda, na acepção lata (Lato sensu), como o conjunto das respostas contestatárias da ordem colonial, ou na acepção estrita (strictu sensu), como a fase derradeira deste movimento, a da sua liquidação efectiva.
Identicamente, se impõe distinguir, nesta vaga de emancipação, o que releva da colonização propriamente dita, que supõe uma depressão fundiária em benefício de um colonato estrangeiro e a implantação de uma administração específica, que releva da forma mais geral do imperialismo edificado, num domínio de carácter económico ou estratégico.

(D)
Como todo Evento complexo, a descolonização resulta de uma enorme variedade de causas estruturais e conjunturais, internas e internacionais, económicas e políticas. Pelos seus êxitos como pelos seus fracassos, isto é, pelas suas contradições, o imperialismo colonial desfraldou forças, que deviam, cedo ou tarde, se revirar contra si próprio.
Demais e, por outro, a “pacificação” interior dos territórios conquistados, celebrada como um dos adquiridos majores da colonização se revelou a prazo, como a condição primeira da eclosão de uma identidade nacional, ou, cada vez menos, de um sentimento de pertença territorial.
Identicamente, a revolução sanitária foi geradora de uma explosão demográfica incontrolável que colocou os colonatos europeus, numa situação de inferioridade manifesta.
Identicamente, temos, a consignar, ainda, que a promoção de uma elite indígena aculturada, só podia revirar contra o poder colonial, os valores liberais nos quais tinha sido educada. Ao inverso, a exploração económica e os mecanismos de permuta, demasiado onerosos e, exclusivamente, favorecedores, ipso facto, dos colonatos e das metrópoles, mantiveram as massas camponesas, num estado de atraso e de indigência que desmentia a afirmação ritual de uma colonização ao serviço do progresso e do bem-estar de todos, enquanto a marginalização das elites, antigas ou novas, em empregos subalternos, engendravam múltiplas frustrações e, como corolário lógico, a reivindicação de uma reconquista do poder político.

(E)
A estes dados estruturais, as duas Guerras Mundiais vieram desempenhar (um tanto ou quanto, de modo providencial) o papel de revelador das fragilidades do domínio colonial e, outrossim, de aceleradores de uma reivindicação de emancipação. Deste modo, temos que:
--- A Primeira Guerra Mundial, sem dúvida, quase nada, abalou o prestígio das potências vitoriosas. Ao contrário, consolidou mesmo as suas influências, induzindo-as, na peugada dos princípios wilsonianos e da revolução russa, os verdadeiros e autênticos gérmenes de uma contestação, coagindo à se amplificar, sob o impacto da crise de 1929, crise essa, particularmente rude para as economias e a condição de vida e de existência dos colonizados.
--- Todavia, é o segundo conflito Mundial, que influi, sobremaneira, na qualidade do Acontecimento/Evento, fundador da descolonização, procedente de uma vasta redistribuição das forças, em benefício de duas grandes potências, imperialistas, obviamente, hostis, uma e outra, à perpetuação do colonialismo europeu.
--- Enfim, no âmbito desta bipolarização, se juntaram os efeitos de uma mundialização, concomitantemente, política (ONU) e económica (a libertação e a reorientação das permutas) que tornaria, simultaneamente, mais difícil e menos útil, isto é, mais custosa, a conservação dos impérios coloniais, enquanto, identicamente, a reivindicação de Independência tinha ganho, durante a guerra, em audiência e em determinação respectiva.

(F)
Perante o conjunto destas mutações (ora enunciadas), que conferem a descolonização o seu carácter inelutável e fatal, as potências coloniais se mostraram, diversa e desigualmente conscientes.
Com efeito, paradoxalmente, são os países, os mais enfraquecidos pela guerra, tais como a França e os Países Baixos, que recusaram tomar nota, enquanto a Grã-Bretanha, melhor a propósito da conexão de forças, se aprestava para passar a mão na Ásia.
Esta discrepância de percepção e de comportamento convida a esquematizar uma Tipologia das descolonizações.
Todavia, de sublinhar, antes de mais, que nenhuma Independência foi adquirida, sem qualquer prova de força prévia e que, não menos, de uma vintena de entre elas, foram conquistadas, ao fim de uma sangrenta e renhida guerra de Libertação Nacional.

Lisboa, 25 Setembro 2009
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).
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domingo, 27 de setembro de 2009

A TRISTEZA DO CÃO DIZ TUDO


O cão do Sr. Silva
reflecte bem
o ambiente de consternação que reina lá em casa.

Projecção de resultados às 20:00h

(ATENÇÃO: É UMA PROJECÇÃO):

PS: 36% – 40%
PSD: 26,3% - 30,3%
CDS:8,6% - 11,6%
BE: 8,5% - 11,5%
PCP: 6% - 9%

Esperemos que não haja novo desmaio aquando do empossamento dos membros do novo Governo.
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JÁ ESTÁ!

JÁ VOTEI.

Deleguei o meu voto nesta menina.
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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

AINDA A TEMPO

Esmiuçando a coisa:

Eu não voto na Direita porque o meu mapa genético é radicalmente contrário a uma hipótese destas ― e se só houvesse uma de duas escolhas, eu preferiria morrer a votar na Direita ―.

Não voto no «Sucatas» (como lhe chamou hoje uma popular na televisão) porque tenho memória; detesto profundamente maiorias absolutas; e não me deixo enganar facilmente (e muito menos com truques de feira e pantominas para televisão divulgar).

Não voto no Bloco de Esquerda porque sofro de hemorróidas, como, aliás, já disse.

Finalmente: Não me repugna votar no PC porque para mim é um partido fiável, cuidadoso e bem conhecido, e sei que enquanto estiver abaixo dos 15% não constituirá perigo para as minhas hemorróidas e travará os desvarios direitistas do PS ou os totalitarismos das direitas.
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GEOGRAFIA ABRÚPTICA




Coloca o Reino da Dinamarca mesmo ao lado dos “Pastéis”.

PARTIDAS DO DESTINO

Eu votei em Mário Soares para Presidente da República.

(Eu sei, eu sei que Soares ficou em terceiro lugar!)

E a maioria dos eleitores portugueses votou em Cavaco Silva...

Pois... aí têm o Presidente que elegeram ― e é muito bem-feita!
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quinta-feira, 24 de setembro de 2009

COM PAPAS E BOLOS...

Não se sabe que ventania sopra lá para os lados de Belém; mas parece que não é coisa boa.
Então não é que depois de tudo o que veio a público sobre as “escutas” e a demissão do assessor do Presidente, Fernando Lima, temos agora que:

BELÉM REVELA SECGREDO DIPLOMÁTICO:

"Sua Santidade o Papa Bento XVI efectuará uma visita a Portugal no próximo ano, em resposta ao convite que lhe foi endereçado pelo Presidente da República. Para lá do programa oficial, Sua Santidade o Papa Bento XVI deslocar-se-á ao Santuário Mariano de Fátima, onde presidirá às cerimónias religiosas de 13 de Maio", lê-se na nota publicada hoje no site da Presidência da República.

O cardeal patriarca de Lisboa, D. José da Cruz Policarpo, confirmou essa quebra de segredo diplomático por parte da Presidência da República ao declarar que a hierarquia da igreja já sabia dessa visita e que ficara combinado só noticiá-la depois das eleições de domingo próximo, sendo por isso segredo diplomático.

Que se pretenderia (pretenderá) com essa quebra de protocolo por parte da Presidência da República?

Pensa alguém em Belém que a divulgação desse segredo a três dias das eleições é benéfica para os portugueses em geral? Ou será outra a razão dessa divulgação? Ou nenhuma?

Se é outra e é aquela em que estamos a pensar... Mais um tiro saíu pela culatra a Belém.
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ELOCUBRAÇÃO SEXTA:

“Ser culto es el único modo de ser libre”.
José MARTÍ (1853-1895).

Cada Sociedade tem o Governo que merece…

Da “Actuação” dos jornalistas:

Os jornalistas são contestados, concretamente, no atinente ao seu grau de liberdade a respeito dos “homens das finanças”, dos proprietários e dos dirigentes de médias, das suas técnicas de selecção, de construção e de difusão da Informação. Em suma: as condições e os meios de informação são julgados, tão importantes como os determinantes ideológicos, de alcance imediatamente políticos.
Sim, efectivamente, numa Sociedade, numa democracia amplamente edificada sobre a opinião, a possibilidade de agir sobre esta, de aproveitar da sua mobilidade, conta tanto como a verdade do seu conteúdo. Durante uma campanha eleitoral, de desafio de elevado grau de importância, o relacionamento com os jornalistas capazes de actuar, com eficácia sobre a opinião volátil de numerosos eleitores; pode ser decisivo.
Demais, ainda, no âmbito desta dinâmica, o comentário político das sondagens repetidas, relativas às escolhas e às intenções de voto, possui um efeito, quase imediato, por interpretação das etapas da corrida perseguição avocada pelos candidatos principais.
De sublinhar, entretanto e avisadamente, que mais notável ainda é a relação de proximidade, de familiaridade, de convivência estabelecida entre um candidato e os jornalistas acreditados, colocados sob o controlo dos conselheiros de campanha.
Na verdade, cada grupo de jornalistas, que segue um determinado candidato, na sua campanha pessoal, acaba por lhe estar progressivamente vinculado, visto que o segue, em permanência…
Todavia, o que é facto é que “a democracia desejada” deveria ser participativa pelo menos, enquanto representativa. O que conduziria, a não deixar unicamente aos jornalistas, o estabelecimento dos factos e da sua interpretação respectiva. Sim, pelo contrário, em complementar o seu profissionalismo e a sua experiência vivida, em contacto com os cidadãos. No entanto e, sem embargo, este jornalismo da cidadania poderia constituir apenas um mero artifício.

A despeito de tudo, não há dúvida nenhuma, que a Internet, por ser, assaz acessível, a um núcleo vasto de cibernautas, opera no imediato [se questiona, responde; se exprime, transmite], representa, actualmente média, que mais pode transformar uma campanha eleitoral, lato sensu.
Sim, efectivamente, é o tempo dos “sites” e dos “BLOG(S)”, dos jornais pessoais ou das personalidades abertas à permuta. Sim, é o tempo das redes, onde todas as informações, inclusive, os rumores e as mentiras manipuladores podem, massiva e continuadamente circular.
De feito, estamos perante um fenómeno, assaz interessante, em que o écran informático concorre com o denominado écran catódico. Concorre, aliás, mais geralmente, com médias tradicionais, na idêntica medida da desconfiança aposta acerca dos jornalistas, que não souberam manter uma boa distância, garantia das boas práticas de ofício. De facto, a Tecnologia da Informação e da Comunicação comanda, uma e outra, tornando, actualmente acessível a Todos, uma determinada construção do social.
Eis porque, mais que nunca, os jornalistas sentem então coagidos, a inventar uma nova fórmula de cumplicidade com os receptores das suas informações e das suas análises respectivas, correndo o risco de acrescentar novas razões de mal-entendido e de desconfiança.
É, no âmbito desta dinâmica e perspectiva respectiva, que os homens políticos, os seus agentes de marketing, compreenderam o “interesse de investir no mundo virtual”, visto que neste estão, obviamente, as “metamorfoses” que se movem, porém, são as de homens reais e constituem, ipso facto, simultaneamente uma mesma e idêntica realidade. Pode-se já imaginar o modo de agir e de actuar por um (o virtual) para influenciar o outro (o encarnado). Enfim, a colocação em situação trivial ou ridícula dos políticos, que constituía a função dos humoristas, a utilização dos “bonecos animados”, etc., constituem, outrossim, ocasiões de se realizar, com a cumplicidade instrumental das novas tecnologias.
Na verdade, todos estes tipos de processos e jogos, não possuem, meramente, apenas uma função de divertimento de temática política. Assinalam, outrossim, uma mudança no relacionamento com os políticos e, por extensão óbvia, com a própria política, lato sensu. Estes (referindo-se aos políticos) já não pertencem a um espaço dissemelhante, separado em que eles próprios, tornados diferentes pela sua indumentária, feita de simbólico e de sacralidade, designadamente, atingir o cargo supremo. Em suma: são recolocados, num espaço mais comum: tornando-se próximos ou relevam de uma proximidade simulada, a que os jogos de simulação e as montanhas vídeo manifestam. Todavia, praticando-a em excesso, no desígnio de caricatura, ordinariamente.

Eis porque, se afirma, reiterando à saciedade, que, hodiernamente, as campanhas eleitorais (lato sensu) se jogam com os meios da Internet, concretamente, com a sua competência e capacidade mobilizadora, pois que libertam a palavra, a argumentação e a demonstração que permitem, outrossim as perversões da busca épica de influência, a mentira, o rumor, a manipulação.
De anotar, que neste assunto, os primeiros são os norte-americanos. De feito, foram os primeiros a experimentar a utilização intensiva da Internet, numa campanha eleitoral, multiplicando as equipas de benévolos cibernautas, que nutrem o positive campaining para o seu candidato e o negative campaining contra o seu adversário. (…).

O que é facto é, que:
Os Estados-Maiores de campanha, os conselheiros em marketing
Político, têm a certeza que a Internet terá muito rapidamente
Idêntico impacto que a Televisão, no decurso da década de 1960.

Não há dúvida nenhuma, que a contribuição da Internet na campanha eleitoral é, assaz evidente. O seu volume e a sua intensidade respectiva, fornecendo a prova têm sido, todavia, tão decisiva? Nada é menos seguro...

E, Rematando adequadamente:
A Idade de médias se tornou, no das dramatizações das grandes encenações do político, da “Teatrocracia” extrema. Já não estamos, unicamente, num tempo agonístico, sim, efectivamente, num momento de confrontação dos projectos e dos programas. Trata-se, sim, efectivamente, de um período de exasperação do espectacular. E, num nível de intensidade, sem precedente, em que a oportunidade de prosápia, de aposta na imagem, de estar em destaque é aproveitada e, de que maneira.
Donde, as reuniões públicas, as televisões e as rádios, os jornais e os magazines pelas montanhas imagens, a Internet e uma dramaturgia acessível, em contínuo (pelos textos, as imagens, as paródias e os jogos de conteúdo político) contribuem, em conjunto, na construção dramática da campanha.
E, explicitando assertivamente:
--- O eleitor é reduzido a um mero espectador e jogador, em que o seu interesse se sustenta desta conexão contrária aos efeitos do tédio, da lassidão, da desilusão.
--- Por seu turno, os candidatos são promovidos a condição de actores, de talentos desiguais. Todavia, jamais se reduzem ao estado de um actor político austero, se preservando unicamente a expressão das suas convicções e do seu programa eleitoral.
--- Entretanto, vale a pena, sublinhar, que o seu “jogo de cena” importa tanto (mais) como o próprio conteúdo das suas propostas.
--- Enfim e, em suma: A construção mediática, a dramatização pelo afrontamento dos suportes da imprensa, talham pelos textos, pelas fotografias, pelas imagens live, a figura dos heróis ou das personagens.

Finalmente, para cada um dos candidatos, não existe igualdade das oportunidades, neste domínio e, por razões que não têm em conta a desigualdade dos meios disponíveis. O “físico”, o talento do actor e o papel pelo qual se define, a sua capacidade de tirar proveito das situações imprevistas, contam mais. E, no atinente, concretamente, aos candidatos “dominantes” sob observação e comparação contínuas, se espera, sobremodo, performances.
De feito, os seus papéis se elaboram, a pouco e pouco, à medida das peripécias da campanha, visto que um papel principal assegura a continuidade:
--- Para Sócrates, o herói em movimento, sempre lá, onde se desenrola a acção (where the action is, segundo a fórmula norte-americana);
--- Para Manuela, o da heroína que surge, escuta, recebe a inspiração ao serviço da salvação de “todos”;
--- Para Paulo Portas, o do herói que Portugal profundo guia (que vem do interior);
--- Enfim, Loução e Jerónimo de Sousa, quiçá e, porque não, os “autênticos offside (s)!...

Assim, aparece o casting e a starisation da vida lusa, neste Portugalex de sempre!... Ai Jesus!

Lisboa, 22 Setembro 2009
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).
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terça-feira, 22 de setembro de 2009

FALTA POUCO PARA SE SABER...



...Se aquele «certamente» é uma declaração de fé; um conhecimento de causa; ou se é apenas papismo.

ELOCUBRAÇÃO QUINTA:

“Ser culto es el único modo de ser libré”
José MARTI (1853-1895)

Cada Sociedade tem o Governo que merece…

Prosseguindo:

Identicamente, se pode asseverar acerca dos efeitos da voz dos candidatos. De feito, a comparação dos jogos de voz dos candidatos dominantes, pode ser conduzida como o seria de comediantes comprometidos numa idêntica performance.
Deste modo, se pode asseverar, que a voz de campanha eleitoral de Sócrates é, quiçá, grave, melhor dominada, colocada diferentemente, conservando o candidato o mesmo timbre e procurando uma tonalidade que “visa conseguir” um falar que complementa “gestos menos simples, mais refreados”. No fundo, no fundo, “é o que pretende segredar nos ouvidos” dos Portugueses.
Em contrapartida, a voz da Manuela, se pode avaliar, em função do timbre que muda “evoluindo para os graves” e da diferença introduzida “no campo léxico”. Todavia, a característica, que merece, sobretudo valorizar, seja: “uma forma de se exprimir” que desconcerta, “destacando vocábulos e sílabas”, enquanto, ela “introduz um elemento de proximidade”. É a resposta a constrangimento novo que se impõe na competição aos dois actores em confronto político: engendrar proximidade, introduzir acentos pessoais, fazer ressaltar o autêntico.

Os Actores, segundo os Médias são definidos, enquanto tais, imediatamente identificáveis, pelos traços pessoais, que enformam a sua fala e o seu jeu, pelos lugares de retirada e de preparação para a performance que assumem os seus Quartéis-Generais.
Ele deve, quiçá ir à conquista do eleitorado popular, procurar um contacto que lhe pode ser recusado até à rejeição.
Ela, por sua vez, quão populista, portadora de uma “certeza” (absoluta) da sua “popularidade”, obter a escuta das pessoas, se lhe afigura, assaz relevante, porquanto pretende manifestar, sobremodo que só a ela, se deve esta ampla adesão.

É, efectivamente, em torno, destes focos, em que cada acontecimento da campanha eleitoral se talha, em que circulam estratégias, amigos e pretendentes, que a informação se difunde e, outrossim o rumor. O apoio dos entusiastas, dos convencidos e dos simpatizantes aí se manifestam, sobretudo, nos momentos excepcionais, aquando das aparições organizadas de cada um dos actores principais. Estes locais são os sobre os quais os jornalistas e os produtores de imagens mediatizadas procuram elementos, se tornando centrais, na sua construção narrativa da campanha eleitoral.
Para o maior número de pessoas, são os movimentos dos candidatos, as suas deslocações que os levam ao encontro dos seus eleitores e dos notáveis que lhe são próximos, os seus meetings promotores de enormes ajuntamentos “teatralizados”, que conferem a impressão de uma relação directa, de uma presença física propícia para um conhecimento emocional, mais afectivo na relação de afinidade com o actor político em “tournée”. Todavia, o conhecimento indirecto é sobremaneira preponderante e se efectua via médias, Internet e as trocas informáticas. É na batalha assumida por intermédio dos ecrans que a vitória pode parecer acessível ou em vias de se apagar, anunciando uma derrota, quase certa.

A imagem restitui o momento de intensidade de uma conexão, a que se urde, de modo efémero, entre um actor/candidato e um público numeroso ou uma multidão e uma colocação em situação por um local significante, uma cenografia, um espaço cénico e um ambiente. O lugar, pela sua história e pela sua função principal, se concilia, acentuando o que será a dominante da prestação, o que vai singularizar a argumentação dramatizada e adestrar limites à liberdade de improvisação. A demonstração pela escolha do espaço político e o ordenamento político do espaço se edificam, diversificando os aspectos de uma mesma candidatura (sobrecarregada) a sua própria “pigmentação” na aparência e no estilo argumentante dos candidatos…

Estes momentos, que se podem asseverar, de “teatrocráticos”, que servem para forjar poder imediato, da confiança oriunda do entusiasmo colectivo, do estado de união, são construídos, de forma a ser vividos directamente, no mesmo local e lugar e ressentidos indirectamente por intermédio de médias. Teatro vivo (live) e Teatro de imagens montadas, concomitantemente. São concebidos para ser eventualmente reiterados e adaptados aquando das prestações efectuadas nas cidades de Província, nas digressões em que cada candidato leva na sua comitiva, gentes da caravana Manuela Ferreira Leite, ou do séquito José Sócrates. De anotar, por seu turno, cada cidade se encontra associada, pela sua própria história à uma inflexão ideológica, à uma temática, à uma provação… cujo húmus vem ao de cima e, que é aproveitado pelos candidatos, de molde enviesado, ou seja, ao sabor das conveniências eleitorais, visando uma mera caça ao voto, obviamente…

De feito, a prática da dramatização política “pelas cidades”, cada vez melhor, acertadas pelos peritos em comunicação, se vincula particularmente à boa escolha da cidade, onde se realiza o derradeiro meeting, antes da votação. Este lugar/local é onde são construídas as últimas imagens (quiçá) decisivas.
Todas estas cenas, repartidas consoante uma geografia política atenta e ponderadamente estudada pelos referidos peritos em comunicação e marketing eleitoral do meio social, constituem espaços dramáticos, onde o jogo da confrontação se desenrola, de modo, quão espectacular, onde os actores políticos são avaliados em função da sua aparência, da sua conduta, do “papel” e do seu savoir-dire, em que os participantes julgam estar “em directo”, em condições emocionais, relevando da psicologia das multidões. O candidato, a candidata como personagem apanhado numa história assume, cada vez mais e mais, como uma autêntica pressão a que é necessário se conciliar…
Aqui, concretamente, neste lugar/local, se nos depara uma epidemia de fotojornalistas, seguindo, sem parar (sem dar tréguas) os meetings e as deslocações, na província, enredados entre o desejo de surpreender o candidato ao natural e o controlo dos responsáveis de campanha. Na verdade, é preciso repetir as imagens, evitando a repetição, sublinhando as diferenças, sustentando a impressão de participação, em momentos históricos.
Demais, todos os candidatos sabem que os instantâneos já não existem, que a imagem é “predeterminada, predestinada” e, ainda mais (muito mais, aliás) que determinadas imagens são “aferrolhadas”. A personagem torna, simultaneamente actor e director de imagens. (…).

E, já agora, no atinente, às emissões televisivas entram, com um efeito maciço, no jogo de imagens, com menos de credibilidade duradoira que outorgada às imagens (em life) tiradas da proximidade física…
Ante a profusão de imagens, ante os confrontos televisivos orientados pelos canais, controlados pelos agentes de comunicação dos actores, confrontados, ante a profusão das actualidades de campanha postas em imagens, a questão do verídico é permanente. Se coloca, obviamente, a propósito de toda a imagem veiculada, porém, no caso das imagens políticas de robusta parada (o que é levado ao extremo, aquando de uma eleição importante), a questão se coloca, com uma acuidade, de enorme e relevante intensidade.
Donde e daí, obviamente, se impõe, atentar nas seguintes interrogações:
--- Trata-se de um parecer verdadeiro?
--- De um falar verdadeiro?
--- De um prometer verdadeiro? Enfim!...

E, rematando:
--- A “dramatização” releva da política -espectáculo, adentro de uma realização mais ordinária, quando se inscreve no interior de um programa concebido para divertir e ser transmitido numa secção horária de grande audiência. Atente-se bem nos telejornais das três estações televisivas…
--- Por seu turno, os canais da rádio utilizam, de forma análoga, o jogo das vozes e músicas, o das imagens áudio e tão pouco, imagens visuais pelas quais são substituídas (…).
--- Outrossim e, ainda: o jogo por televisões interpostas se torna brutal, implacável, em momentos estimados de elevado risco.
Estamos, sim, como sempre, ante uma campanha, quão confusa, estéril, por um efeito de “telecracia” que visa a colocar o eleitor sob a influência deletéria, em detrimento de uma prestação e de um programa integralmente credíveis. Por outro, por uma relação ambígua com os jornalistas, menos claramente identificados: as ideologias políticas geradoras de identidade óbvia recuaram perante as motivações do interesse pessoal e êxito fácil, do marketing político armado de novas tecnologias, criando, assim, as condições de uma confusão dos papéis.
Eis porque, a resposta à estas causas do afastamento e de dúvida foi procurada no recurso à “política do contacto próximo” (political close contact). Em suma: o recurso às situações de co-presença e de diálogo (os painéis), antes que a porta fechada dos candidatos e dos jornalistas sozinhos.

E, para finalizar avisadamente:
--- Este modelo de campanha assumido numa feição, um tanto ou quanto deturpada (campanha, soit disant, participativa), pelos “políticos” portugueses, de apelo para a consciencialização dos “verdadeiros problemas das verdadeiras pessoas”, não elimina (não eliminou, aliás) a dúvida da assunção em espectáculo e da manipulação postuladas pelos conselheiros em comunicação.
--- E nem, tão pouco, destes jogos que orientam a dinâmica das emoções, designadamente.
Estas práticas se afiguram ante os olhos dos críticos como procedimentos da ilusão, associada à trivial curiosidade para o mundo das pessoas.

Finalmente, a campanha se desenrolou, sob o signo de “anedotas”,”fait-divers”, “intrigas” e demais quejandos do género, o que faz (e fez, aliás) distrair, mais uma vez, os portugueses, no atinente aos verdadeiros debates!...Existiu debates? To be or not to be that is the question! …Obviously!

Lisboa, 20 Setembro 2009
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo)
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sábado, 19 de setembro de 2009

SANTA INGENUIDADE

José Manuel Fernandes (ex-) Director do jornal “Público” (e com ele muita gente outra), admirou-se de «como é possível que emails trocados dentro da empresa (de um jornalista para outro jornalista), tenham saído de lá para outro jornal».

Não entendeu JMF que mesmo que mande um email de si para si mesmo, esse email, embora entrando na mesma caixa de correio em que é escrito, dá primeiro uma grande volta quase instantânea por computadores externos à redacção do Público, passando entre outros por um computador externo (o server ou servidor de internet) de onde é enviado para o seu destinatário (reenviado para ele neste caso), MAS TAMBÉM REGISTADO per omnia seculum seculorum em arquivos situados um pouco por “”, sendo que, de certeza, será registado em arquivos americanos onde vai dormir. Só no seu trajecto, em Portugal, entre a redacção do jornal Público, o servidor português, e regressando depois à redacção do jornal Público, é possível haver a sua intersecção por “piratas” informáticos e outros que saibam fazer isso.

Mas a maneira mais fácil de entrar numa caixa de correio alheia é colocar no computador de onde a mesma é acedida um programinha chamado keylogger cuja missão é transmitir para determinado cliente tudo o que é teclado nesse computador; o keylogger até pode ser instalado via email, sem a necessidade de o espião se deslocar ao local de destino. Uma vez na posse da password do email, é só lá ir a partir de qualquer outro computador e ler tudo o que por lá se escreve.

TUDO MUITO SIMPLES.

Não cobro nada por esta consulta. Este é o meu contributo para a segurança dos dados em circulação na rede.

P.S. Se não quer ser lido ou escutado por terceiros, faça como o Bin Laden: escreva bilhetinhos à mão ou mande recados orais através de estafetas fiéis e incorruptíveis.
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A MELHOR DE HOJE

É bom começar o dia assim:
Com muito humor:

«FAXISMO:
s. m., sistema político em que é possível obter licenciaturas por fax.»

BOM DIA

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

DOENTE ME CONFESSO

Acho. É minha opinião. Que o Sr. Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, tem intervindo objectivamente na vida partidária; e agora na campanha eleitoral, favorecendo o PSD e desfavorecendo o PS.

Desde alguns textos de vetos políticos; passando por algumas declarações como as sobre a pretensa “asfixia democrática”; e agora a declaração hoje feita de que «depois das eleições» vai-se informar e ocupar-se melhor de questões de segurança ― sabendo-se como se sabe hoje que foi um assessor seu (certamente com o seu consentimento) quem plantou num jornal a notícia de que Belém poderia estar a ser escutado pelo Governo ― tudo isso é, para mim, uma evidência de interferência na campanha eleitoral.

Deus! Perdoai-me mais uma vez! E crê que já fui suficientemente castigado por isso ― José Sócrates foi eleito com o meu voto ― !...

Como primeiro-ministro, Sócrates lixou-me e lixou a maioria dos portugueses com uma actuação altamente lesiva do interesse de todos: foi arrogante com as oposições, cruel com os professores, desastrado com os juízes, insensível com os funcionários públicos e os trabalhadores (baixando as pensões de reforma e alterando o cálculo das mesmas no mesmo sentido); fragilizou até ao limite da “zona perigosa” os serviços hospitalares públicos promovendo uma política de extinção das Carreiras Médicas que desertificou os hospitais dos quadros mais experientes e mais válidos, ao mesmo tempo que entregava a gestão de muitos deles (hospitais) a administrações de tipo empresarial e mesmo fabril que acabaram por promover a mercenarização de grande parte do trabalho médico através da contratação de “empresas” sem a imprescindível avaliação curricular e exame de capacidades profissionais; em suma: José Sócrates lixou tudo em que o Governo meteu a mão.

Mas o paradoxal nisto tudo é que José Sócrates é, neste momento, o único candidato a primeiro-ministro a dar aos portugueses algum grau de esperança de que o que resta da destruição que causou até agora vai ser em parte preservado não se o entregando aos abutres ainda mais à direita do que ele, ou aos que à esquerda já têm o dedo untado com vaselina apontado à classe média.

Não votarei agora no PS ― Isso é claro! Isso é claríssimo para mim!

Mas desejo que Sócrates ganhe as eleições com maioria relativa.

É que eu sofro de hemorróidas!...
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quinta-feira, 17 de setembro de 2009

ELOCUBRAÇÃO QUARTA:

Na peugada das Eleições…

“Ser culto es el único modo de ser libré”
José MARTI (1853-1895)

Cada Sociedade tem o Governo que merece…

Vem se afirmando, repetida e exaustivamente, que os Portugueses se desinteressaram da “política” e, mais ainda, dos próprios “políticos”, de quem nada esperam.
Com efeito, nos nossos dias, a eleição (as eleições) se mostra (m) como uma mera experimentação, fazendo surdir o que mascara e dissimula o curso ordinário das coisas, a rotina que perde a vivacidade, tornando menos insuportável a incapacidade dos poderes. O tempo eleitoral é o momento em que tudo se apresenta, numa espécie de desencaixotamento das queixas, recriminações e reclamações respectivas, continuadamente aberta. Eis porque, um tanto ou quanto, num tom eufemístico, se assevera, tratar-se de uma escassa e rara ocasião “verdadeiramente democrática”.
É, outrossim, o tempo de um ritual político de inversão, em que as pessoas, o povo “dispõem do poder” de abanar os políticos, de os colocar na situação de incerteza ou de derrota. É bem isto, que é preciso colectar, classificar, ordenar e tornar significante para além da dispersão dos factos e dos eventos.

A Incerteza eleitoral corrobora o exercício da democracia, o simulacro das vias confirma a utilização autocrática das Instituições políticas, visto que, o resultado estando adquirido, antecipadamente (à partida), sem surpresa, como o são, os dados estatísticos, que o exprimem. Enfim, é o grau de incerteza que determina o grau de intensidade dramática de uma campanha eleitoral.
Costuma, em princípio atingir uma duração propícia para a repetição do inesperado, aos ressaltos, a queda e derrota das retóricas e demais quejandos. Todavia, outrossim, pela sua própria durabilidade, engendra fases de lassidão, momentos de saturação e expectativa impaciente do término do drama, a sua conclusão respectiva. Os candidatos, eles próprios se esfalfam, pois urge forçar a presença, fixar o voto dos jovens, ainda, assaz flutuante que pode trazer a diferença decisiva.

Vivemos, sem dúvida, o momento da agonia da Democracia Ocidental, em que o sistema, degenerado, se converteu, num modelo, de um autêntico mau gosto, de meros círculos eleitorais. É o verdadeiro momento da distribuição, deleteriamente aliciadora de um programado “bodo aos pobres”, em que, ipso facto, os “sacos azuis” reservados para a ocasião e efeitos respectivos, circulam, a rodos, por tudo quanto é sítio. Enfim!...
Sim, efectivamente, deste modo, tudo vai por saltos e ressaltos, paixões devotas e paixões homicidas. Eis porque, se asseverou, desde há já demasiado tempo e que, se assume, eloquentemente na vetusta asserção: A política releva do trágico! E, cada vez menos, neste tempo, em que as histórias se impõem, como substituto da História e o poder se enfatua como gerador de ficções dramáticas ou/e romanescas. Todavia, todos os actores, as primeiras figuras, designadamente, não são equivalentes, nem na escolha do desafio, nem na performance.

Vejamos, então, um pouco mais, em pormenor:
(1) José Sócrates:
---Suscita paixões extremas: o vínculo a um homem cuja a coragem e a vontade de triunfar inspiram, efectivando o quase salvador de um país privado de herdeiros de verdadeiro governo, por um lado, a desconfiança total a respeito de um homem cujas as certezas, a confiança em si e o gosto de si, a vontade de omnipresença pela acção e de decisão em todas as coisas levam a recear e temer uma deriva autocrática, por outro. É desta contradição, da fuga exercida na acção política eleita como meio existencial, que resultam as representações de um “herói” empenhado numa sequência de conquistas.
---De feito, o espaço nacional se conquista pelo espaço mediático, o espaço do exterior (o dos outros), que não se encontra ainda, amplamente aberto a eventuais e possíveis conquistas. Nesse espaço, a figura do “herói” se assume delicada ou em negativo, sendo, deste modo, a sua identificação, assaz incerta.
---E, parafraseando, o escritor francês, Jean-Marc PARISIS: “Il parle et se montre beaucoup, mais l’important est ce qu’il ne dit pas et ce qu’on ne voit pas… Derrière ses sourires, il y a des cauchemars dont il a le secret. De lui émane un fort parfum de tragédie ».
(2) Manuela Ferreira Leite :
a. Portadora, soit disant, de todos os conspectos de uma mulher de boas origens e de “boa educação” (e, por que não, quiçá de “boa” instrução académica) que reage aos constrangimentos do seu meio pelo seu caucionamento social-democrático.
b. Enfim, a candidata: o seu “charme” é reconhecido (aparentemente), sublinhado, sobretudo pelos seus apaniguados/lacaios, no entanto, concomitantemente a liga: torna um ícone, todavia, os ícones são feitos para a adoração e não para a condução política das Nações, uma madona, porém, as madonas existem para o culto da beleza e, a revelação pela Arte e, sobre uma forma, mais crítica, torna a Santa Padroeira social-democrática que leva a boa palavra. Uma social-democrata cujo o conservadorismo obsoleto estaria dissimulado, uma espécie de devota “solidária”, uma “patriota” vinculada ao estandarte verde/rubro e à divinação do hino nacional…
c. Sim, enfim, uma “mulher” que “ousa” (segundo os seus apaniguados, obviamente), a despeito dos entraves que os “dignitários” e os “barões” do seu partido (o PSD) queriam lhe atar, que arvora uma paixão popular (“populista”, asseveram quiçá os seus adversários?).
d. Faz frente: “Sou uma mulher firme e em pé”. Se sobre este fundo, se acrescenta mais as ausências/deserções, outrossim, as traições, as feridas sofridas, no decurso da campanha, aparecem todos os elementos necessários para uma dramatização dos efeitos do mérito e a procura (a todo o custo e preço) do poder, afrontamentos em que a “solidez” do carácter e a vontade de vencer em prol do serviço do “bem”, se aventuram.

Das duas personagens principais apostados neste drama em numerosos episódios e inversões de situação é Sócrates que assume o papel mais turbulento, o mais ofensivo, enquanto Manuela se remete aos papéis reunidos de autor-actor-encenador que escreve, gere, encena a sua peça e a interpreta: título possível: O verdadeiro nascimento da “Democracia participativa”.
Para ambos, a prestação possui, em si mesma, uma dimensão, uma significação política, visto que é consoante esse critério que ela (referindo-se, obviamente à prestação) será apreciada.
E, enquanto o texto representado, composto e adaptado, no decurso do movimento dramático é julgado sobre o que exprime e deixa entender, sobre o que modela a sua expressão. Um modelo mais centrado sobre a procura do resultado, sobre a performance com afrontamento concorrencial e imagem da empresa eficaz, para o “texto” Sócrates; um modelo de recepção e acolhimento respectivo de todas as palavras urbanas, outrossim de todos os lamentos e de composição da récita, ao mesmo tempo (regularmente), para o texto Manuela.

Em termos, imediatamente políticos, ter-se-á asseverado, que estes “textos” representados constituem o suporte de um programa, de contornos flutuantes conforme as reacções das audiências. Nas sociedades ultramodernas, simultaneamente “numerizadas” e “teatralizadas”, o segundo destes aspectos introduz, com uma evidência, cada vez mais e mais, marcada a necessidade de uma avaliação efectuada segundo os critérios dos espectáculos. Os candidatos são, primeiramente experimentados, apreciados, desejados ou não, de modo imediato, à partir da sua “imagem” e do seu modo de falar, da sua voz, evidentemente. A sua presença na imagem, as suas posturas, o seu gestual peculiar e a expressividade do seu rosto fazem da impressão ressentida um juízo espontâneo, não elaborada, monótona e insipidamente carregada de afectos.

NEVOEIRO
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra.
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro…

É a hora!
Valete, Fratres.
10.12.1928
Fernando PESSOA
In Mensagem

Nota final:
Esta ELOCUBRAÇÃO é dedicada ao nosso Grande Amigo (notre frère aimé), o Dr. Fortunato Vaz RODRIGUES, com um robusto abraço do Chicão.

Lisboa, 16 Setembro 2009
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo)
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quarta-feira, 16 de setembro de 2009

ELOCUBRAÇÃO TERCEIRA:

No cerne da Mundialização das desigualdades:

(I)
A escala Mundial, não é surpreendente que a extensão das desigualdades dos ganhos e das fortunas tenha, outrossim mudada de escala de valores. O concurso dos rendimentos dos proprietários e dirigentes de empresas (financeiras ou não), os dos ídolos em todos os géneros, negociando em hasta pública os seus retratos, os seus juízos de cybercafé, os seus vestuários de um dia, a sua presença física, mesmo em meias não vestidos, os prestidigitadores de dinheiro negro, explica a emergência de uma coorte já fornecida de ricos Mundiais, de todas as obediências nacionais ou raças, dispondo, em comum, de meios financeiros, outrora indispensáveis.
Enfim, representando, puramente o “individual”, alguns, nascidos em berço de oiro da Sorte, do seu trabalho ou do seu Génio, acedem, enquanto vivo (termo da lógica do Mercado salvador) a um estatuto próximo da Santidade religiosa.

(II)
Uma Nova desigualdade oriunda da Mundialização, se acrescenta, doravante a às tradicionais de um Capitalismo que favorece muito legitimamente as aptidões individuais cujos os titulares de um QI médio, entre outros se recusam a considerar a raridade. A evolução dos rendimentos da Economia de mercado, por excelência, a dos Estados Unidos da América é significativa: o crescimento não é para todos, ou nada de modo idêntico.
O salário real médio americano é quase igual ao seu nível de há, aproximadamente, três décadas. O rendimento de um homem de trinta (30) anos é inferior de 12% ao que era há trinta (30) anos. A quase totalidade dos frutos do crescimento foi aos 5% para os mais ricos, pioneiros dos actuais”verdadeiros ricos”.
Eis porque, um indivíduo sobre vinte (20) pode sonhar americano, enquanto os dezanove (19) outros se adaptaram (constituindo esta capacidade a qualidade fundamental do humanóide), antes de mais, fazendo trabalhar as mulheres (inclusive as amas de cor), trabalhando mais bastante tempo, se endividando, enfim, o que teve para efeito, através dos proventos bancários, de alimentar o bacinete dos 5% e, in fine, provocar a crise actual dos empréstimos hipotecários que não podem ser reembolsados. Em suma: a acumulação do passado, favorecendo a evolução do consumo, permitiu o fundamental desta adaptação.

(III)
Que existe de mais necessário, que se ocupar de si próprio e, antes de tudo, do seu Corpo, deste corpo cujos os tormentos, mesmo congeminados, prejudicam ao único objectivo que granjeia: a sua felicidade, melhor, o seu bem-estar? Corpo que enclaustra em si próprio, a aziaga ideia de envelhecer, por vezes, durante bastante tempo (demasiado mesmo?) ante uma extinção, que não é preciso afrontar.
Representemos, de modo individual, relaxemos, diminuamos a tensão, após termos nutrido Bio, ter bebido uma água verdadeiramente pura, estarmos afastados de todos os vapores perigosos das energias não renováveis. Sejamos verdadeiramente verdes, antes de outorgar ao nosso psique, uma atenção que ela não reclama, aliás, não antes que tenhamos dispensado todos os cuidados devidos ao nosso “Hardware”!

(IV)
Esta evolução dos modos de vida norte-americanos precedem, como, se amiúde, a dos Europeus, seria completamente admirável, se não tivesse incitado alguns caturras, cada vez mais e mais numerosos, a associar, duas disposições, que exprimem muito, vinculados a mercantilização: o anti-intelectualismo e o anti-racionalismo.
E, explicitando, de modo consentâneo as coisas, temos que:
(1) O primeiro assenta no postulado que “saber demasiado é perigoso”, saber demasiado, outrossim, como apreciar demasiado o que os Europeus, no âmbito da história mais longa, denominam Cultura. Este princípio é quiçá excessivo, porém não desprovido de alguma sensatez. Tantos seres vivem como podem, sem saber grande coisa e correm o risco de se sentir destabilizados, se estudam. As vidas vegetativas, num nível de desenvolvimento idêntico ao dos países denominados desenvolvidos se desenrolam muito bem, sem nenhum sentimento de culpabilidade e sem comentários. Este postulado releva, em parte, de uma verificação e outorga boa consciência ao grande número, o que favorece, aliás, a ordem Social.
(2) O segundo é quiçá mais pernicioso, em todo o caso, coloca problema, tendo em conta, o seu renascimento na Nação, onde o Progresso científico foi, nestes últimos anos, o mais rápido. O êxito crescente deste anti-racionalismo se compreende facilmente. Este postula, que nenhum facto, nem nenhuma ideia, releva de um saber científico irrefutável, sim, na verdade, só existe meras opiniões. Esta atitude, por sua vez, legitima todas as seitas: o incógnito, se aspirando a todas as opiniões possíveis, assim como, a todos os recuos, como o que traduz o Criacionismo. Subsiste então, o facto que, aproximadamente, metade de cidadãos norte-americanos, são evangelistas e o facto que o Mundo foi criado tal dia a tal hora, por uma potência divina se encontra doravante, sob a sua pressão, é ensinado nas escolas. Os caturras correm o risco de o permanecer demasiado tempo e a Idade que denunciam se revelar duradoura (mais que o seu próprio ambiente).

(V)
Estas duas disposições, enunciadas e estudadas, podem parecer sobremaneira paradoxais. O anti-racionalismo, designadamente, tendo em conta o papel das elites cientificas norte-americanas, do domínio militar até à Biologia, passando pelo conjunto das descobertas físicas que permitiram o advento da Internet.
Paradoxo aparente, unicamente na medida em que se vê, muito bem, como podem se articular, no domínio político, a coexistência de uma minoria hiper-racionalista e de uma grande maioria ignorante da História e da Geografia, fora da sua rua, onde se encontram estes arquétipos da vida social norte-americana: donas de casa periodicamente desesperadas cujas as preocupações não parecem ultrapassar o seu estrito interesse, sem mesmo passar pela sua cozinha. Esta desigualdade cultural, a do saber, se acrescenta relativamente à desigualdade económica e à da riqueza. Se adicionam, aliás, sem se corresponder. Os ricos texanos, segundo o que nos ensinava este extraordinário Dalas, que virtualmente a vulgarizou antes da Hora do Mundo desenvolvido, só aprovam para o conhecimento do seu ambiente dissemelhante do que feminino ou petrolífero, um interesse apaixonado.

(VI)
Não há dúvida nenhuma, que as duas Américas, a dos Prémios Nobel e a das “donas de casa exploradas”, dos seus esposos (evidentemente), amiúde frustradas e dos seus progenitores condenados à mesma sorte, só fazem favorecer o exercício, assaz racional, do poder económico político concentrado nas mãos de alguns. Estamos ante uma pseudo democracia (uma democracia sonhada que se presta ao estatuto de produto de apelo à exportação).

(VII)
Na verdade e, na realidade, os USA suplantaram para sempre, a “Bona velha Albion” cuja a influência é, cada vez mais e mais, reduzida no perímetro londrino.
Antes de mais, de elucidar, que o vocábulo Albion é um nome alternativo, de conotação poética da Grã-Bretanha, ou da Inglaterra. É uma helenização renovada do nome da Grã-Bretanha, Alba.
E, reatando, o fio da nossa elocubração e raciocínio respectivo, de feito, para apreciar o poder ideológico do Mercado, basta substituir os Estados Unidos da América pela Inglaterra, no trecho da obra “Para além do bem e do mal” em que o filósofo alemão Friedrich NIETZCHE (1884-1900), assertivamente avisa, nestes termos: “No fundo, todos os moralistas estão decididos a dar razão à moralidade [americana], na medida em que esta moral será útil à Humanidade ou à felicidade do maior número […]. Pretenderiam, custe o que custar, se persuadir que o esforço para a felicidade [americana] quero dizer o conforto e a moda (e, em última instância), um assento no [Congresso], que tudo isso, se encontra precisamente na senda da virtude, enfim, que toda a virtude que jamais existiu, em qualquer parte do Mundo, se encarnou num tal esforço. Nenhuma destas vagarosas bestas de rebanho da consciência perturbada (ou comprada), (que empreenderam fazer observar a causa do egoísmo como a do bem-estar geral), jamais quis compreender e pressentir que o bem-estar geral não é um ideal, um fim único, uma escolha concebível de um modo qualquer, mas tudo simplesmente um vomitório”.

(VIII)
De consignar, todavia, que NIETZCHE não era nisso, menos demasiado filósofo, demasiado europeu, sim, assaz pragmático, o que os herdeiros imigrantes norte-americanos são e permanecerão muito tempo. Aliás, sem o dizer, nem o escrever, alguns de entre eles sabem que “existe uma hierarquia entre homem e homem e, por conseguinte, outrossim entre moral e moral”, se opondo firmemente ao juízo do filósofo alemão acerca dos Anglo-Saxões, segundo o qual: “é uma espécie de homens modestos e forçosamente medíocres como estes [Americanos] utilitários […] sem entusiasmo nem graça […], sem génio e sem espírito” (salvo os que ocupam o vértice da hierarquia que compreenderam perfeitamente que o exercício do seu poder é tanto mais tranquilo e proveitoso, se a base for anti-intelectual e mesmo anti-racional…?!).

Lisboa, 14 Setembro 2009
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).
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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

MAS QUE GRANDE SURPRESA!

Não se pode estar mais de acordo. Eu vi apenas a casa de Paulo Portas: Meu Deus! Aquela decoração nem sequer é kitsch como diz JPP ― é simplesmente inqualificável ―: desde o azulão do céu com as estrelinhas brilhantes na parede, passando pelo aquário e por aquele painel “publicitário” rotativo ora mostrando Winston Churchill, ora Corto Maltese, ora Sharon Stone (coitada, fez pena ver a ex-sex symbol naquela companhia), e terminando naquelas cores tremendíssimas das paredes, tudo aquilo faz lembrar cenas e ambientes de certos livros infantis muito coloridos, muito coloridos, ou ainda dos bonecos Pini Pons.

Não se viu um gato, um cão, uma arara ou qualquer outro animal doméstico que, por exemplo, faça cocó lá em casa e dê assim ao menos um cheirinho mais natural àquele ambiente de celulóide.

Fiquei francamente perplexo. Não imaginava nada daquilo...
.

ELOCUBRAÇÃO SEGUNDA:

O económico é abstracto;
O social pertence à realidade quotidiana…

NP:
O Corporativismo jamais foi, nem supremo,
Nem superior e, não será jamais. Bastar-lhe-á
Ser o estado último do Capitalismo triunfante
Do qual foi o preâmbulo, antes da Industrialização
E do qual será o herdeiro, uma vez, pacificada (quiçá)
A violência necessária a toda a criação, fosse ela de
Valor.
O Capitalismo, por seu turno, está condenado a ser
Apenas uma transição, tanto menos, duradoira, se
geral e rápido for o seu Êxito.
Afinal, o proveito inteligente não se transforma
Em rendimento? E o progresso técnico, oriundo do
Génio de alguns, incorporado e espalhado no conjunto
Dos Povos do Planeta, não possui razão fundamental,
Até único, para democratizar a sorte invejável dos
Capitalistas (leia-se, outrossim possuidores de rendimentos),
Activos e inactivos, seguros da estabilidade da sua
Condição?

A árvore, ela, brota por razões oriundas do Céu: Deus
Decide. Todavia, são os homens que assumem o
Revezamento para se os partilhar. O económico é abstracto;
O social pertence à realidade quotidiana…

(a) Na verdade, esta incapacidade das teorias económicas e capitalistas em responder à interrogação: “Porquê é que fulano ganha mais do que eu ganho? É justo? Que fazer para melhorar a minha condição? “ explica, obviamente, a focalização sobre o social, sobre a pertença a um ofício, a uma profissão, a um tipo de actividade e edifica, in fine, as raízes do Corporativismo.

(b) De feito, as duas políticas económicas (liberal e keynesiana) sob a égide das quais se desenvolveu o mundo Ocidental, pioneiro de uma industrialização doravante Mundial foram sobremaneira apresentadas, falsamente como antagónicas. Os seus meios de garantir o desenvolvimento eram dissemelhantes: economia da oferta para os liberais; economia da procura entre os reformistas. Porém, tinham idêntico objectivo: o crescimento no longo prazo, isto é, a acumulação colectiva e individual de bens materiais e imateriais o que acaba precisamente por os tornar obsoletas.

(c) Com efeito, cada Ser produz e exige, tanto mais, quanto nada possui. Quanto mais êxito tiver, em acumular, tanto mais a sua preocupação fundamental passa a ser manter e conservar e, cada vez menos, produzir, se concentrando, sempre mais, sobre a sua herança, os seus louros e os seus bens respectivos. E eis que o êxito da sua conjugação, desde mais de meio século desemboca, na sua totalidade, normalmente no seu retraimento e apagamento respectivo. Processo hegeliano, obviamente: um de mais!


(d) As duas Virtudes Cardinais do Corporativismo se devem precisamente à perfeita conciliação de um egoísmo temperado (leia-se “sociável”) e de uma redução considerável do risco major de baixa de nível de vida e, sobretudo, da perda de um emprego que determina a economia da vida quotidiana.


(e) Uma vez afastada a eventualidade de ver amputados senão aniquilados os direitos adquiridos pela sua actividade, a “pura” segurança se obtém, sem dificuldade, com prazer, mesmo, na participação a uma Comunidade de religião, de raça, de raízes geográficas, de língua, às vezes a vários de entre elas, onde a cumplicidade é evidente no interior de um grupo cujas as regras de vida e as atitudes morais são, assaz próximas. Além disso, é ali onde se assume o húmus privilegiado do princípio dinástico: as crianças encontram mais facilmente o seu lugar no interior da Corporação do seu respectivo pai (ou da sua mãe) que algures, no famigerado “mercado do emprego”.

Precisando as coisas:
--- Corporativismo para garantir a perenidade dos seus meios de existência;
--- Comunitarismo para a viver e a
--- Felicidade se encontra, tanto mais no rendez-vous quanto mais elevado for o nível de desenvolvimento da Nação ou do Continente de pertença.

(f) Quando a pobreza for geral (excepto para um diminuto número), a ambição individual constitui a única saída aberta e vale ser protegida quaisquer que sejam os riscos. E, outrossim, a ambição colectiva como, aliás, demonstraram Grandes Povos.


(g) De anotar, todavia, que à medida que o nível de vida médio se eleva, o receio do risco aumenta com a vontade de não obedecer, sem pestanejar, às palavras de ordem colectivas. Um pequeno empurrão e o risco torna irracional para a maioria, conduzindo a empreender sob a batuta do dissabor de obedecer, sem reivindicar.


(h) Donde qualquer que seja a situação original, presentemente em que o Capitalismo triunfou pelo baixar dos braços do seu adversário, o Corporativismo acabará sempre por se impor, aliado a um Comunitarismo que se alimenta da circulação Mundial das populações transportando nas suas costas e, para muito tempo, os seus modos de vida.


(i) O Continente poderá continuar a desempenhar um papel que depende do peso da História não estudada, todavia, vivida. O Corporativismo europeu será sempre mais estruturado, em todo o caso, muito mais demasiado tempo, que o norte-americano que advirá infalivelmente e o asiático que o precederá provavelmente.


(j) E, rematando: De feito, de qualquer modo (seja como for), o Corporativismo é um regime cujo o equilíbrio é bem superior ao do colectivismo e do capitalismo, que lhe outorgará, tanto mais célere, as suas cartas de Nobreza, que serão mundializadas, quiçá, com êxito…


Lisboa, 11 Setembro 2009
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista – Cidadão do Mundo).
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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

UM TIRO NO ESTÔMAGO

Frequentemente ouvimos ou lemos que fulano ou sicrano do partido tal “deu um tiro no próprio pé” significando com isso que se prejudicou com algum dito ou feito que pretendia tivesse efeito contrário ao obtido.

Pois bem, Francisco Louçã, há dois dias, no “debate” que teve com José Sócrates, confirmou que no programa eleitoral do Bloco de Esquerda, este partido, se for governo, se propõe legislar no sentido de ACABAR COM AS DEDUÇÕES FISCAIS DAS DESPESAS DE SAÚDE E DE EDUCAÇÃO em sede de IRS.

Eu creio que com aquela declaração Louçã fez perder centenas de milhar de votos ao Bloco de Esquerda. E que quer o PS, quer a Direita, não precisam de mais nada para combater o Bloco nesta campanha eleitoral, senão “avisar a malta” que eles querem acabar com aquelas deduções fiscais no IRS.

Quando ouvi aquilo, disse logo para os meus botões:

― É pá! G’anda tiro no estômago!

Naquele momento a classe média devia estar toda de boca aberta dizendo: ― Olh’ó gajo!... Embala-nos naquele discurso inflamado de «Justiça nisto, justiça naquilo, justiça em tudo»; mas tem o dedo escondido untado de vaselina e pronto para no-lo enfiar lá onde mais dói! ―.

Pensei nos trezentos mil professores e numa vastíssima fatia de funcionários públicos que sabem muito bem quanto deduzem por ano em despesas de saúde e educação e quão importante é para eles esse reembolso no Verão.

Louçã explicou que propõe essa medida porque defende saúde gratuita para todos (todos?) e ensino gratuito para todos (todos?). Ninguém com meio dedo de testa acredita que isso será algum dia possível em Portugal. O que se sabe é que acabar com aquelas deduções fiscais é facílimo e obtém-se num fósforo; mas que criar aquelas gratuitidades é impossível.

Para já só em países e territórios muito ricos, como a Líbia ou Macau, por exemplo, a Saúde e a Educação são gratuitas. Agora, na Europa?!...

Ficaríamos sem as deduções fiscais, sem saúde gratuita e sem educação gratuita.

Em suma: f****** e mal pagos.
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NO POK, NO POK

Um indivíduo resolveu ligar para um restaurante que vende comida para fora, mas que, por motivos religiosos não confecciona pratos que contenham carne de porco. Eis a conversa hilariante, gravada, das tentativas de encomenda feitas.


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ELOCUBRAÇÃO PRIMEIRA:

(Kwame Kondé propõe-nos nesta rentrée a manutenção da sua apreciada colaboração, a partir de agora sob o tema “Elocubrações”. É com todo o prazer que o recebemos de volta e aqui têm o seu primeiro texto):

Quiçá a Fraqueza ou
As Fraquezas Humanas!?

Efectivamente, o Mal existe. Aliás, todos
Os males que provocam a desordem
(individual ou social) estão no cerne/imo
dos Seres Humanos, suficientemente numerosos
(senão de todos) para que o seu convénio total
e definitivo constitua mais uma das utopias!
Na Sociedade, os homens são inevitavelmente
Atraídos pela vontade de se explorar, não de
Se reconciliar, numa parúsia dançante.
Enfim, não há dúvida nenhuma, que todas as
Religiões prometem a todos, a Eternidade,
Todavia, velam, esperando a que uns não
Agridem demasiado os outros…

(1) A Evolução das técnicas, desde aproximadamente, meio século, em particular, a emergência da Informação, permite a mundialização de novos mercados às dimensões tanto mais sedutoras que os bens materiais atingiram já a sua maturidade. Eis porque, a compra de um Banco Central, emitindo “Gates” pelo seu epónimo não traria mais novidade na Sociedade Mundial que a origem financeira desta intenção eventual.
(2) Evidentemente, o “Individualismo” é a chave do crescimento exponencial de todos os Mercados cuja a oferta e a procura, se dirigem, com enorme êxito, nem ao Bem, nem ao Mal, porém, ao que, sem dúvida, justifica o termo de Pecado nas religiões mediterrâneas: a Fraqueza ou, antes (melhor dito) as Fraquezas Humanas.
(3) Com efeito, aproximadamente metade da mensagem da Internet diz respeito, senão exclusivamente ao sexo, pelo menos, o que o envolve: a procura de uma alma gémea, mais exactamente afortunada e amável para a mulher e de preferência libidinosa e cozinheira para o homem, sem contar, menos numerosos, todos os (as) que a desejam de “bonne religion”.
(4) Sim, efectivamente, no âmbito desta procura, ponto de fronteiras e menos de raça que foi um tempo, porém, mais um empurrão para a redução das desigualdades intercontinentais. Fraqueza tanto como a procura dos êxtases pretendidos por todas as drogas disponíveis, cujo o número se incrementa com os progressos dos nossos conhecimentos químicos e cujo o uso, o dos álcoois, designadamente, acompanha os denominados de “relaxamento/descontracção”.
(5) Eis porque, outrossim e, ainda, no âmbito desta dinâmica, quando a música nisso se mistura, o endomorfismo provocado pelas algazarras pedestres junta-se ao ambiente. A canção latina está inteiramente voltada para a alcova. A sinfonia germânica nasce na floresta, onde aspira retornar tão depressa quanto possível. O Rock e demais outras variantes dos sincopados norte-americanos manifestam a intensidade de um relaxamento necessário às vidas normalizadas ao estilo germânico, entretanto sem floresta.
(6) Eis nos ante o Mercado próspero Mundial tanto como o do sexo e que, presentemente, excede ele, outrossim, o da procura. O desenvolvimento, assaz célere, de um Mercado Mundial dos jogos de dinheiro, o do Poker, entre demais outros e de todos os géneros de apostas, permitido pela Internet e favorecido pelos Médias que nisso encontra seguramente a sua “conta”, manifesta a vontade dos jogadores de se subtrair a todos os constrangimentos regulamentares públicos, a principiar pela punção fiscal da qual são “vítimas”: Pouco importa o risco de perder sem poder exercer o menor controlo sobre as vias do acesso, pouco importa o de não receber o seu ganho, desde que tenha a embriaguês, mesmo muito passageira, de se imaginar enfim rico!
(7) Estes três Mercados cujo o desenvolvimento permanece sempre quão promissor, não tendo mesmo esgotado as suas potencialidades no âmbito das Nações Ocidentais, correspondem à procura premente da disposição humana, a mais espalhada: o receio de um tédio que se envida em dissipar. O que os Europeus denominam, ainda Cultura implica enormes esforços.
(8) Explicitando, assertivamente:
--- As belas imagens bastam às crianças e a todos os que sentem a nostalgia.
--- A idolatria, em particular, após ter passado pelo buraco da fechadura, já não é o peculiar e sui generis das singulares tribos primitivas (o que jamais foi).
--- A multidão de PLATÃO adorava já, algumas estátuas e vivia na intimidade das personalidades às quais confiava a sua sorte ou o que estimava.
--- Ás vezes, os mesmos numa ordem qualquer.
Na verdade, evidentemente, os meios actuais da comunicação das imagens e dos textos (imagens sobretudo, menos fatigantes) permitem que o desejo de ver o ou a que enxota o seu tédio seja satisfeito a muito débil custo. Demais, ele (ela) pode mesmo experimentar comunicar directamente com o objecto da sua atenção, até da sua paixão. Com ele (ela) pode “blogar” e partilhar as suas fraquezas e as suas alegrias, quaisquer que sejam as suas qualidades menores e as suas condições necessárias. A “pipolização” não possui fronteiras naturais, unicamente as indefinidas, da aptidão dos indivíduos médios em se pretender desviar a atenção pelos que escaparam à sua condição.
(9) Aliás, efectivamente, a dos “outros universos”tão pouco, que têm para eles a extraordinária superioridade de ser desconhecidos e de procurar a sorte de admiração que faz olvidar o quadro familiar. Os mais comuns dizem respeito ao mundo da violência e ao crime. O velho romance policial, mais ou menos, bem escrito e bem-educado, se desvaneceu em benefício das séries do mesmo nome. Em acreditando, que a contemplação dos corpos inertes e a procura dos seus homicidas, oferecidas doravante, em contínuo, por pouco que o telespectador ou o cibernauta propensos a mudar de canal, se confundem com a aquisição de uma cultura “moderna” em série.
(10) E, finalmente, visando Rematar, pertinentemente, se afigura necessário, consignar, com ênfase, que nos Estados Unidos da América, esta mercadização se estendeu, desde há, muito, muito tempo, até às religiões cujos os adeptos vêm a importância do seu número ponderado pelas suas superfícies financeiras. Donde e daí:
--- É, realmente o mercado da religião que o pretende?
--- Todavia, o dinheiro e o fanatismo (misticismo se o pretende) fizeram excelente conúbio, uma ajuda outorgada aos dois pela televisão.
De feito, o dinheiro arrecadado no momento destas celebrações que os Gregos outrora reservavam à vida da sua Cidade, não diz respeito ao resto do Mundo, ao conteúdo do fanatismo que aliado ao anti-racionalismo ajuda os evangelistas a se organizar em torno do Criacionismo? De elucidar adequadamente, que CRIACIONISMO, outrossim, Fixismo (em oposição a evolucionismo) é a doutrina segundo a qual o Mundo foi criado por Deus.
Hélas! Sempre, sempre o Mercado! Pas d’argent, pas de Suisse, se asseverou eis cinquenta anos, nos países, onde o Catolicismo conhecera a pacificação. Enfim, sem dinheiro, não há religião: Assim vai o Progresso da Metafísica!

Lisboa, 10 Setembro 2009
KWAME KONDÉ
(Intelectual/Internacionalista --- Cidadão do Mundo).
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sábado, 5 de setembro de 2009

VIRAM?

O jogo acacabou há bocado.

DINAMARCA 1-1 PORTUGAL

Golo de Portugal marcado por Liedson.

Não digo mais nada!...
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QUIROZ É UM COBARDE

O jogo está no intervalo. E Portugal perde por uma bola a zero.

Toda a gente viu a falta que fez lá na frente um verdadeiro ponta-de-lança: tantas bolas boas desperdiçadas, algumas a seis sete metros do guarda-redes!

Raio de merda de treinador este que se foi arranjar!

Liedson é para jogar desde o início. É assim que ele marca golos; não é a jogar meias-partes ou quartas partes dos jogos.

Tem alguma lógica convocar um ponta-de-lança para uma selecção que não tem mais nenhum e colocá-lo no banco de suplentes?

Francamente!...
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QUEIROZ E LIEDSON

O jogo vai começar.

Oxalá Portugal ganhe por 10 a zero mesmo que jogue apenas com o guarda-redes.

Mas convocar Liedson e deixá-lo no banco de suplentes é um mau sinal e um mau princípio.

Se querem marcar golos, Liedson tem que jogar o maior espaço de tempo possível.

Assim é perigoso...

É à Carlos Queiroz...

Infelizmente todos já se habituaram a ver isto: até os dinamarqueses.
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VAMOS E VENHAMOS

A coisa é muito simples. Mas também é séria.

Quem conhece e seguiu o percurso político, a prática e a composição directiva do Partido Socialista desde o 25 de Abril de 1974 até hoje, não pode deixar de tirar esta conclusão:

As sucessivas direcções do PS foram mudando o partido desde então, adaptando-o aos novos tempos que foram surgindo, com sucessivas e constantes guinadas ao centro e à direita ― sendo que a primeira mudança de fundo sucedeu com Mário Soares quando o mesmo “meteu o Socialismo na gaveta” ―.

José Sócrates, politicamente inculto e sem qualquer ideologia (é ouvi-lo e lê-lo nos discursos e nas entrevistas para se tirar esta conclusão), escaqueirou completamente o que restava do património histórico e ideológico do Partido Socialista e hoje é um homem só: nenhum dirigente histórico do PS claramente respeitado, com peso político incontestado, veio até hoje defendê-lo abertamente, dar a cara por ele de forma evidente, veemente e dura como seria de esperar; ficou apenas com o seu ministro Santos Silva, qual bombeiro incendiário, lançando ontem gasolina no fogo e hoje sem mãos a medir para atenuar as labaredas que já estão às portas do castelo.

Sócrates descredibilizou a Escola atirando alunos e pais contra professores e achincalhando estes através da sua ministra da educação, Maria de Lurdes Rodrigues; permitiu e incentivou, através do seu ex-ministro Correia de Campos, a sangria nas instituições do Serviço Nacional de Saúde, sobretudo nos hospitais públicos, ― com a saída dos melhores médicos, desmantelando sem qualquer alternativa válida as Carreiras Médicas e lançando incertezas e enormes dificuldades no funcionamento e idoneidade de Serviços Hospitalares essenciais, alguns hoje tão desfalcados que grande parte das vezes têm mais de 60% de elementos externos ao hospital, contratados sem qualquer avaliação interna, a assegurarem as urgências ―; atacou os juízes e os funcionários públicos num falso combate àquilo que ele chamou de “privilégios”, retirando-lhes com isso parte da sua dignidade e credibilidade.

Os ataques às “corporações” (como se disse então) foram também acompanhados por ataques individuais (feitos por “funcionários” solícitos pretendendo apresentar serviço) que levaram alguns de nós e relembrar os tempos da PIDE.

Quem não se lembra do “Caso Charrua”: em que o professor Fernando Charrua foi denunciado por um bufo e depois punido por superior hierárquico por puro delito de opinião (PRIVADA): fizera em privado um comentário jocoso sobre a licenciatura do primeiro-ministro. Só isso.

Quem não se lembra da demissão da directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho por a mesma ter permitido (ainda por cima sem o saber) a colocação de um cartaz em que se adicionava a uma entrevista do então ministro da Saúde, Correia de Campos, a frase «Façam como o ministro, não venham ao SAP».


Não se pode ter a memória curta. E se, como se diz, “cá se fazem cá se pagam”, então Sócrates merece pagá-las cá.

Mas agora, calma que eu não vou bem por aí!

Por aquilo que Manuela Ferreira Leite fez no passado quando foi ministra da Educação e depois ministra das Finanças (péssima em ambas as pastas) e por aquilo que lhe temos ouvido em sussurro (porque não fala claramente de nada ― limita-se apenas a martelar a palavra “verdade” em jeito de anúncio publicitário tipo “água mole em pedra dura” ―), um Governo de Manuela Ferreira Leite agravará a maior parte dos problemas criados por Sócrates (sobretudo nas áreas da Saúde e da Educação) e, ao tentar criar um Estado minimalista ― propósito, aliás, que se depreende de várias declarações dispersas daquela senhora ― levantará clamor popular. Creio que é nisto que estava a Pensar Medina Carreira quando disse que se se mantiver o mesmo rumo na governação do país, no período 2015/2020 «o regime democrático será substituído».

O problema é este: Eu não sei escolher o sentido do meu voto neste momento. Terei que meditar muito para saber o que vou fazer com ele (o voto).

O que me apetece é dizer aos partidos políticos: baralhem e dêem de novo.
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