domingo, 29 de junho de 2008

DOS PERIGOS DAS COISAS ONLINE

É de facto uma tentação usufruir das ofertas de utilização gratuita, online, de software, espaços de armazenamento em disco (para fotografias, documentos, etc.).

Penso que já basta que os serviços de inteligência de vários países, com expressão relevante para os Estados Unidos da América, fiquem para sempre com os conteúdos dos nossos emails e conversações tidas online.

Penso que ninguém no seu perfeito juízo aceitará a falsa benesse que é oferecerem-nos espaço em disco, em servidores localizados por este mundo fora, para armazenarmos «em segurança» ― dizem eles ― os nossos documentos, fotografias e o mais que produzimos num computador.

Para nos aliciar há hoje uma oferta bastante variada de programas que não precisamos comprar, antes podendo utilizá-los com toda a facilidade através da internet.

Usem-nos os ingénuos; ou aqueles que nada têm a esconder. Eu tenho.

ACIDENTE OU CRIME?

Custa-me muito escrever isto. Hoje, num almoço, falando com um familiar muito próximo de Carlos Alhinho, comentei o azar que ele terá tido ao espreitar pela caixa do elevador no momento em que a porta se abrira e o mesmo vinha de um andar superior tendo-lhe batido na cabeça e feito com que caísse pelo precipício de seis andares abaixo dele encontrando a morte no acidente.

Não foi assim ― asseverou-me o familiar de Alhinho ― Porque o corpo foi encontrado sobre o elevador que estaria abaixo e não acima dele. Por outro lado ― continuou o familiar ― foi encontrado sangue na porta do elevador, no piso do qual Carlos Alhinho terá “caído”.

Não comento nem especulo demasiado. Apenas lembro que Carlos Alhinho encontrou a morte em Benguela, Angola. Onde infelizmente não consta que a investigação criminal seja um exemplo de sucesso e clareza. E onde etc., etc., etc.

sábado, 28 de junho de 2008

UM HOMEM INTELIGENTE

Sempre se soube. Bill Gates é um homem inteligente. Apesar de ser a pessoa mais rica do mundo sempre viveu com alguma modéstia: não tem avião particular; não tem iate; não possui automóvel de luxo e muito menos faz colecção de carros de luxo; sempre se vestiu "normal" e "blazémente" e nunca ostentou riqueza.

Pelo menos tudo isso se disse e se diz dele.

Reformou-se agora e diz que vai dedicar-se a acções filantrópicas.

Moçambique está nas sua prioridades: doou há tempos mais de cem milhões de dólares para o combate à malária naquele país. Salvou certamente com isso muitas e muitas vidas: centenas de milhar senão mesmo milhões de pessoas.

Ele sabe quão precária é a vida humana (a dele também) e por isso talvez não tenha agido até hoje como um ser imortal.

É destas pessoas que o mundo e a humanidade precisam.

Pelo que me toca, obrigado Bill Gates!

BOA NOITE


domingo, 22 de junho de 2008

CATARSE

Eu sei que há obrigações sociais; há obrigações familiares; há obrigações de classe e de grupo; há obrigações de toda a ordem. Que devem ser cumpridas. Apesar de muitas delas ― eu diria, a maior parte delas ― serem para nós um fardo, um contratempo, uma estopada, uma chatice.

Obrigações são obrigações ― Obrigam! Ponto final. Eu sei!

Mas permitam-me um desabafo. Um desabafo cuja revelação pública me desqualifica sobremaneira; mas que mesmo assim me permito fazer:

Detesto. Profundamente. Dar pêsames. Apresentar “os meus sentimentos”. Quando a morte de alguém me deixa indiferente e insensível.

Detesto. Profundamente. Receber pêsames. Ouvir alguém apresentar-me “os seus sentimentos”. Quando sei que a morte de um familiar meu lhe é perfeitamente indiferente e o deixa insensível.

Eu fui a apenas três funerais na minha vida. Deveria ter ido a trinta, a sessenta, ou mesmo a mais funerais. Talvez. Mas não fui.

Lamento não ter podido estar presente a alguns poucos funerais. Eu estava longe ou impossibilitado de comparecer em tempo útil.

De resto, c’est tout.

Peço desculpas pelos incumprimentos havidos e pelos que hão-de haver.

E quero ainda dizer o seguinte: eu dispenso os pêsames não sentidos; agradeço que não mos dêem; e não ficarei minimamente agastado por não receber pêsames. Como disse, até agradeço.

E de visitas para dar pêsames... então nem me falem!...

Fim da parte séria.

Agora uma anedota verídica que eu gostaria que se aplicasse a mim. Consta que Fidjim di Djodjó era um indivíduo avesso a ir a funerais. Vivia na Ilha do Fogo e de cada vez que faltava a um funeral ouvia recriminações várias ao longo de muitos dias. Então um dia resolveu justificar-se assim:

«Eu só vou a enterros de quem vai ao meu».

Boa!

sexta-feira, 20 de junho de 2008

RADICALMENTE DISSEMELHANTE

Henrique Silveira ao ataque:

«No ensino alemão os meninos têm de aprender: se estão a ter maus resultados aumenta-se o número de aulas, fazem-se programas especiais e estudam mais, mas não se baixa o grau de exigência. O objectivo é a formação, é a preparação. Em Portugal quando os meninos chumbam muito fazem-se exames mais fáceis.»

BOLA DE CRISTAL

Primeira predição: Luís Felipe Scolari será despedido do comando técnico do Chelsea antes de terminar a primeira liga inglesa.

Porque o “método Scolari” não resulta fora dos países latinos e falta-lhe quase em absoluto a moderna e científica metodologia do treino que hoje se pratica nos grandes clubes de futebol. Em Portugal Scolari recebeu sempre os jogadores já preparados por terceiros e bastava-lhe “escalá-los” para ter êxito; no Chelsea vai ter de preparar os jogadores e não saberá fazê-lo segundo as exigências do futebol moderno.

Segunda predição: se Cristiano Ronaldo rumar a Madrid não será lá o mesmo jogador fantástico que tem sido no Manchester United.

Porque no Manchester United Ronaldo tem toda a equipa a trabalhar para ele e para os seus êxitos; no Real Madrid não há nenhum Wayne Rooney e ninguém estará disposto a trabalhar para que Ronaldo brilhe: ficará a falar sozinho em campo, isto é, dir-lhe-ão que jogue sozinho e mostre o que vale.

Fixemos a data destas predições: 20 de Junho de 2008

Notas: 1) Carlos Queiroz está aqui porque ele é o verdadeiro homem-chave dos êxitos de Ronaldo; porque é o homem que revolucionou o departamento técnico do Manchester United; porque é aquilo que Scolari deveria ser no Chelsea e não será.
2) Sobre Scolari, leia esta posta de Francisco José Viegas e sorria.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

ACABOU

O jogo acabou com o resultado final de 2-3 a desfavor de Portugal.

Com uma melhor defesa (aérea), dando crédito aos avisos prévios feitos por Mourinho, o resultado poderia muito bem ser 2-1 a favor de Portugal.

Agora que se acabou a frescura do Euro 2008, é a crise que volta à pátria portuguesa e aos bolsos do portuga.

O Governo que se ponha a pau; que invente um entretenimento qualquer para distrair o pagode porque senão o povo virá à rua mais cedo do que se possa pensar.

É que a coisa está a ficar mesmo preta.

QUEM SABE SABE

Portugal perde neste momento com a Alemanha por três bolas a uma em jogo dos quartos de final do campeonato europeu de futebol.

Pelos vistos o treinador alemão entendeu bem o que Mourinho dissera aqui. É que dois dos três golos alemães foram obtidos em jogadas aéreas que mostraram bem a fraqueza defensiva (aérea) portuguesa denunciada por Mourinho.

domingo, 15 de junho de 2008

AS QUALIDADES DE SCOLARI

Comecemos o dia com boa disposição.

A imprensa inglesa, que não brinca em serviço, já começou a devassar a vida de Scolari. Numa recolha breve de opiniões de pessoas que privaram com Scolari no passado, pode ler-se no The Sun uma passagem engraçada contendo a opinião de um ex-colega de equipa de Scolari no Caxias Futebol Club, César Bagatini, guarda-redes, que diz o seguinte:

«Eu costumo dizer brincando que a melhor defesa que alguma vez fiz na minha vida foi a um passe atrasado que Felipão me fez.»

BOM DIA E BOM DOMINGO

sábado, 14 de junho de 2008

sexta-feira, 13 de junho de 2008

O AFFAIR DECO

Parece que os jornalistas portugueses não lêem os jornais estrangeiros. Só pode!

Continuar a noticiar que Deco viajou para Barcelona, quando há notícias credíveis de que foi à Croácia encontrar-se com o dono do Chelsea, que lá tem um iate ancorado, é um sinal claro de preguiça profissional funcionando esses jornalistas apenas como caixa de ressonância dos porta-vozes da Federação Portuguesa de Futebol e dos pândegos que rodeiam Scolari e Madail.

Francisco José Viegas já colocou o dedo na ferida ao estranhar aqui a balda que consistiu a autorização para a ausência de Deco do grupo da selecção portuguesa.

Mas o pior de tudo não é isso, é o que pode começar a suceder com os outros atletas da selecção: todos passaram a ter o direito de se ausentarem para tratar da sua vidinha.

Estou em crer, e oxalá eu seja desmentido, que Deco, após ter assinado contrato com o Chelsea, já não vai jogar tão bem como o vinha fazendo quando ainda se estava a mostrar aos potenciais clubes compradores.

Pelos vistos não há nada a fazer contra os ancestrais brandos costumes portugueses. Que Scolari aprendeu e bem como devem ser praticados.

PALAVRAS DE JOSÉ MOURINHO


As escolhas de Scolari comprometem as nossas oportunidades de glória.

A passagem de Portugal aos quartos-de-final era mais que esperada, qualificámo-nos num grupo fraco.

Scolari falhou em não corrigir a fraqueza defensiva de Portugal QUATRO anos depois de ter perdido o Euro 2004 numa demonstração dessa fraqueza que nos ficou na memória.

A equipa portuguesa tem demonstrado já uma lendária fraqueza defensiva e só não tem claudicado porque os técnicos adversários não têm lido as coisas correctamente.

Sofremos o empate num canto e quase concedemos um segundo golo que nos poria a perder [contra a República Checa].

Com o guarda-redes Ricardo estático entre a baliza e os defesas que não são muito altos, somos frágeis quando a bola viaja pelo ar.

Teríamos melhores resultados se optássemos por uma defesa à zona em vez do homem-a-homem que andamos a praticar.

O homem-a-homem só deve ser usado quando os nossos jogadores são mais altos que os adversários o que não é o caso.

Talvez com esta modificação pudéssemos evitar males maiores.


Nota: O jornal data a crónica de 13 de Maio em vez da data de hoje, 13 de Junho. Eles também se enganam.

EXPOSIÇÃO DE ANATOMIA

Hayley-Marie

LIÇÃO DE ANATOMIA

Sharon Stone

quinta-feira, 12 de junho de 2008

OS PUTOS DO SPORTING

Eu sei, eu sei que estão a jogar noutros clubes. Eu sei!

Mas viram ontem os putos do Sporting derrubar a sólida República Checa, viram?

Viram a jogatana de Simão, Ronaldo e Quaresma?

O Moutinho esteve ontem um pouco baço por "culpa" de Deco e de Petit, mas parece um autêntico botânico examinando as espécies à lupa e com o auxílio de uma pinça delicada.

Enquanto durar a pilha aos putos do Sporting, os adeptos portugueses não têm que se preocupar: vai ser alegria até mais não.

Mas que chatice esta crise que se agrava a cada dia que passa!...

Já deram conta que Sócrates já se tornou pequenino, já não mete medo a ninguém, já não consegue fazer-se escutar e se prepara para perder a maioria absoluta e talvez até as próximas eleições?

Não?!...


quarta-feira, 11 de junho de 2008

DO JORNAL "A SEMANA"

Foi publicado hoje no jornal A Semana, de Cabo Verde, o seguinte artigo da autoria da Dra. Vanda Évora. Não resisto a publicá-lo na íntegra e com sublinhados de minha autoria (coisa de que peço desculpas à autora).

Destaco esta frase contundente que não pode ser ignorada:


«NUM ESTADO DE DIREITO, OS RESULTADOS ELEITORAIS NÃO AMNISTIAM NEM FAZEM PRESCREVER OS CRIMES»


ENTÃO, JUSTIÇA?

Não faço parte do grupo que se limita a apontar as desgraças da nossa Justiça. Penso que vamos sobrevivendo apesar delas e ouso afirmar que reconhecer apenas ganhos ou só recuos na sua administração demonstra, no mínimo, uma visão muito redutora da vida e das coisas.
Também é tautológico afirmar que a sociedade cabo-verdiana está cada vez mais complexa e que as mudanças rápidas que a vida actual nos impõe quer no País quer no mundo inteiro levam a que as adaptações sejam muitas vezes dolorosas e imperfeitas. E é neste contexto de grandes desafios e de alguma desorientação que a Justiça também tem que se situar e perspectivar-se e onde todos têm que ser capazes de novos desempenhos técnicos, políticos, sociais e éticos.
Por isso, as críticas que se impõem ao sistema judicial devem ser contundentes mas responsáveis, sem maniqueísmos e desresponsabilização de quem quer que seja, mormente do cidadão. Esporadicamente aparecem cavaleiros andantes (e solitários) mandando bordoadas a torto e a direito que caem fundo na alma de alguns injustiçados mas que ficam por aí. Para quando uma acção concertada para escalpelizar o nosso sistema judicial?
Pois não será exagerado afirmar que a representação tradicional da Justiça em Cabo Verde está em crise, em consonância com o que se passa com a Medicina, a Engenharia, o Ensino, enfim com toda a classe dos doutores, engenheiros, professores, padres e gerentes de bancos. Como refere o Dr. Laborinho Lúcio há que assumir a dessacralização dessas actividades e tirar as consequências que se impõe. De deuses da terra, todos somos, enfim, postos em causa, o que não deixa de consubstanciar uma fase muito interessante da nossa evolução social.
Somos postos em causa mas também nos pomos em causa. Basta ver que até os protagonistas mais reservados do sistema judicial, os magistrados, já se levantaram para questionar publicamente aspectos que consideram relevantes para resolver os estrangulamentos já crónicos do aparelho judicial e os seus problemas de classe, incluindo os mais comezinhos. É bom ter presente que ao pôr em causa o sistema, todos os seus protagonistas também estão a ser interpelados sobre o próprio desempenho e não devem temer a crítica nem se eximir da necessária auto-crítica.
Pessoalmente, sempre esperei por este momento de maturação e os restantes interventores no sistema judicial e os cidadãos não deviam perder esta oportunidade para se pôr os pontos nos ii.
É um momento em que os problemas da Justiça devem ser equacionados conjuntamente com todos os interventores no sistema judicial e instituições que os representam, com o Governo, a Assembleia Nacional, o Presidente da República, a Associação Nacional dos Municípios de Cabo Verde e a Sociedade Civil porque o cidadão tem que se envolver para compreender o que se passa na justiça cabo-verdiana e estar armado para as suas exigências e deficiências.
Não tenho a pretensão de enumerar aqui os imensos problemas da justiça (o jornal não me daria todas as suas páginas).
Permitam-me, apenas, atirar uma pedra no charco pantanoso em que ela se foi transformando:
Entendo que o maior problema do nosso sistema judicial não é ordenamento jurídico (é uma obra humana e imperfeita como todas); não é a deficiente formação humana e técnica de alguns dos seus servidores (estamos todos em aprendizagem contínua, cometendo erros e podendo corrigi-los); não é a falta de instalações dignas (São Vicente foi considerado durante muito tempo uma comarca modelo e é a última que vai ter instalações condignas); não será por falta de meios materiais porque os utentes pagam e muito pelos serviços que demandam, sentindo mesmo que a justiça é tratada como um bem de luxo; não é pelo vencimento dos magistrados (alguns ganham mal pelo que trabalham e outros ganham demais pelo que não trabalham); não é a irresponsabilidade do sistema pelos prejuízos que causa aos cidadãos pelas más e tardias decisões judiciais. Estas são grandes dificuldades do sistema mas, felizmente, sanáveis, se houver vontade política e diálogo, com argumentação racional.
Tenho por mim que o grande problema do sistema judicial reside no facto de se ter generalizado o sentimento de que se deve servir do Direito para ludibriar a Justiça, impunemente. As questões éticas e deontológicas passaram para o último plano. Os valores da liberdade, da justiça, da segurança e da paz social não estão subjacentes em toda a prática judiciária. É pressuposto que a legislação os consagre mas, como toda a obra humana terá os seus defeitos, cabe aos julgadores e aos que demandam a justiça (também com as suas deficiências) fazer o exercício permanente de questionamento próprio e do sistema que não pode fechar-se à sociedade como em tempos idos. Os julgadores, os servidores da justiça e os cidadãos não podem desculpar-se com as condições de trabalho, com leis imperfeitas, com falta de legislação, não podem perder a noção da razoabilidade, do bom senso e do senso comum, do interesse colectivo e do interesse individual e da compatibilização entre estes últimos. A luta entre as garantias e a segurança tem que ser equilibrada, em nome dos valores acima referidos, da liberdade, da justiça, da segurança e da paz social.
Os magistrados, os advogados, os oficiais de justiça deveriam, no mínimo, ter a noção exacta dos factos ilícitos ou criminosos que podem fazer perigar a vida da nossa sociedade.
Deviam ter consciência de que, se o país se deixar enredar pelo narcotráfico, pela lavagem de capitais, pela corrupção generalizada, pelo tráfico humano, pelos crimes ambientais e urbanísticos, os cabo-verdianos (mesmo aqueles que se juntam à criminalidade organizada) deixarão de ter espaço na própria terra, a comunidade internacional vai nos abandonar à nossa sorte, a nossa morabeza e a nossa paz vão acabar.
A Assembleia Nacional, o Presidente da República, o Governo e os cidadãos deste País devem ter presente que os poderes judicial, legislativo e executivo são separados mas interdependentes. Se o poder judicial não responde por si, nós os cidadãos devemos exigir que a Assembleia Nacional, a Presidência da República e o Governo interpelem clara e peremptoriamente os Conselhos Superiores da Magistratura Judicial e do Ministério Público para que digam ao País, directamente e sem frases rebuscadas e incompreensíveis para o grande público, o que se passa, efectivamente, com o sector da Justiça e procurem, connosco, a saída para a crise em que ela mergulhou.
E não valem os discursos anuais de circunstância, quer da situação quer da oposição, quer da abertura dos anos judiciais ou os resultados da Africabarometer. A maior parte da população não lida directamente com a justiça mas sente difusa e doridamente a sua acção ou omissão. Faça-se uma sondagem séria entre os actores judiciários e utentes da justiça e terão as verdades, segundo o ponto de vista de cada um, para uma visão global e equilibrada.
Os poderes públicos não podem deixar criminosos à solta, não podem permitir que presos ligados à grande criminalidade sejam libertados pela mais alta instância judicial do País (porque o Supremo Tribunal de Justiça deixa expirar prazos de apreciação de recursos), os poderes políticos não podem fingir que não têm conhecimento de casos de corrupção generalizada, enriquecimentos ilícitos, lavagem de capitais, agora mais nas Câmaras Municipais porque os bancos resolveram apertar em valores elevados, não podem alhear-se de crimes ambientais que acontecem nas suas jurisdições (com única e honrosa excepção do Dr. Vital Moeda, na Comarca do Sal, jovem magistrado, sensato e destemido que nos estimula a continuar a acreditar).
Não podem tomar conhecimento de crimes públicos gravíssimos e olhar para o lado, assobiando, a fingir que nada sabem.
Porque é que não se investigam os sinais exteriores de riqueza de titulares de cargos públicos e certos e determinados privados, sendo conhecidos os montantes dos respectivos vencimentos e rendimentos?
Será que venceu em Cabo Verde a tese de que há que deixar o crime imperar para se criar riqueza? Se sim, o risco é enorme e lamento já por quem tenha que recolher os cacos da nossa miséria moral.
Muitas leis, mal são publicadas, transformam-se em leis mortas, substituídas por um “direito” não escrito que grassa por Cabo Verde. Por exemplo, manda o politicamente correcto que se afirma que o novo Código Eleitoral cumpriu a sua missão, mas todos sabemos o que se passou. Alguém precisa dizer que o rei vai nu!
Em tempo de grande competitividade, de desemprego, de instabilidade económica, financeira e social também ditados pelo que se passa lá fora, a Justiça, mais propriamente os tribunais, não podem continuar a ser um factor de estrangulamento ao desenvolvimento económico e social do País porque incapazes de responder às demandas, com celeridade e competência técnica em várias matérias. Onde estão as assessorias técnicas para que os magistrados decidam competente e coerentemente? Onde está a humildade dos magistrados, dos advogados para reconhecerem que afinal… … só sabem que nada sabem?
Temos que ser razoáveis para reconhecer que a justiça cabo-verdiana é lenta em alguns casos e noutros não. É mais lenta nalguns Tribunais e Procuradorias que noutros. É mais lenta no que tange a determinados processos que outros, por razões também de ordem processual. Pode ser lenta por litigância de má-fé. É lenta porque, por razões várias, só se responde à necessidade de mais juízos, mais magistrados e mais funcionários tardiamente e desta forma não se poderá satisfazer à acumulação que, entretanto, aconteceu. É lenta também porque há magistrados que não trabalham e não há contingentação que resolva este problema se os Conselhos Superiores de Magistratura não agem nem reagem. Penso que a situação deveria ser analisada, nos Tribunais, caso a caso. Com estes problemas, para além da legislação processual civil desadequada, da prática dos advogados, da performance e quantidade dos oficiais de justiça, está relacionada a questão neste momento, muito actual, do estatuto dos magistrados.
É um problema delicado que deve ser tratado com ponderação e que, no meu entender, ultrapassa a esfera de competência político-constitucional, devendo os cidadãos pronunciarem-se também.
Obviamente que todos os advogados e os cidadãos que representam terão muitos casos cuja decisão tarda muito a chegar, sendo alguns até desesperantes. A “culpa” pode ser repartida entre magistrados, advogados, partes do processo, secretarias, peritos, recursos. Há processos que simplesmente emperram (param) e não há explicação que convença o utente da justiça. Outros há que andam sobre rodas. E quando há magistrados com sensibilidade, algumas decisões flúem. Mas se não quiserem produzir ou se trabalharem mal, nada acontece. A justiça estará cansada? O Ministério Público só aprecia essencialmente a pequena criminalidade para não se meter em confusões e só toma conta dos crimes graves, se houver flagrante?
Porque é que finge não ouvir denúncias desses crimes? Essas omissões terão o efeito perverso de fazer recrudescer a criminalidade porque a prevenção geral e a especial não acontecem. O pequeno criminoso que assiste à festa dos grandes é convidado a imitar estes últimos e, literalmente, está a gostar! E convém ter-se presente que, num Estado de Direito, os resultados eleitorais não amnistiam nem fazem prescrever os crimes.
É tempo também de, nos Tribunais e Procuradorias, se começar a trabalhar para os resultados, sem descurar os meios é claro, mas tendo presente que não interessam peças processuais prolixas e bem elaboradas do ponto de vista meramente académico, quando o cidadão precisa compreender o que se passa na justiça e ser capaz de apreender imediatamente o sentido das decisões que lhe digam respeito.

Quem sacode a nossa justiça?

Vanda Évora

terça-feira, 10 de junho de 2008

Depois de ter adquirido esta magnífica objectiva
AF-S DX VR Zoom-NIKKOR 18-200mm f/3.5-5.6G IF-ED



Não resisti e pedi o corpo que ela merece: Nikon D300



Alguns resultados serão mostrados aqui no próximo Verão.


PREOCUPAÇÕES

Hoje é o dia 10 de Junho.
Claro que não é nenhuma novidade.
Mas aquela de hoje ser o «Dia da Raça»...
deixou-me muito pensativo...

sábado, 7 de junho de 2008

NEM MAIS

Esta vem no MAR SALGADO:

«Acabaram com a agricultura, com o tintol a martelo, com as morcelas caseiras, com o tabaco nos restaurantes, com o escudo, com a frota pesqueira, com o Aquilino nas escolas, com a tropa obrigatória. Agora espantam-se porque o povo só se sente patriota com a selecção? Pensassem nisso antes.»

TOTALMENTE DE ACORDO

200% DE ACORDO COM PACHECO PEREIRA

quando diz aqui que:

«Não é por acaso que a televisão que é paga com o dinheiro dos contribuintes para fazer uma coisa inefável que é o “serviço público”, ou seja ter outras prioridades que não sejam as audiências, é a que mais (ou uma das que mais) mergulharam na visão do país como um enorme campo de futebol e dos telespectadores como tendo uma bola na cabeça...»

Mas... e aquela maravilha que são os miúdos do Sporting na selecção?!...

PORTUGAL 2 - 0 TURQUIA

O Ruinart já está a meio ― mas não estou sozinho.

Os meninos do Sporting (Ronaldo, Nani e Moutinho) foram fantásticos. O Moutinho, então, foi apenas o melhor em campo: a preparação que ele fez para o golo do Raul Meireles foi uma coisa do outro mundo.

Pepe, Petit e Ricardo Carvalho foram essenciais para garantir uma exibição soberba ― a melhor dos últimos anos.

Parabéns à selecção portuguesa.

ALEGRE E SÓCRATES NO JARDIM DO PS

(Veja até ao fim)


Big Buck Bunny from Blender Foundation on Vimeo.

BLOCO-NOTAS

1) Uma garrafa de vinho branco Chã* (14%), do Fogo, bien frappé;
2) Grisine qb;
3) Tostas estaladiças de pão francês com laivos de manteiga de alho;
4) Cubinhos de queijo feta passados por azeite virgem cru, polvilhados com orégãos;
5) Morangos frescos ao natural;
6) Passas e tâmaras passadas;
7) Na estufa, aguardando o final, uma garrafa de champanhe Ruinart.

E agora venha daí o jogo que quero ver os miúdos do Sporting a partir a loiça!...

*O vinho Chã é produzido, com todo o rigor, por um enólogo e outros profissionais italianos, na ilha do Fogo, com uvas tintas e brancas cultivadas em terrenos vulcânicos de regiões montanhosas da ilha e é de uma qualidade excepcional em qualquer parte do mundo.

Para quem percebe da coisa devo dizer que o branco da Chã é equiparável (sem a menor perda) ao vinho branco português, “Quinta dos Carvalhais Encruzado”, que em 1998 foi considerado «O melhor branco português».

REFEIÇÃO MATINAL

Comecei bem esta manhã de sábado. Obrigado JPP por este poema de Charles Simic:

(E como, como Natalia Correia dizia, «A poesia é para comer», quando chegar à parte em destaque mastigue-a bem.)

There's a book called
"A Dictionary of Angels."
No one has opened it in fifty years,
I know, because when I did,
The covers creaked, the pages
Crumbled. There I discovered

The angels were once as plentiful
As species of flies.
The sky at dusk
Used to be thick with them.
You had to wave both arms
Just to keep them away.

Now the sun is shining
Through the tall windows.
The library is a quiet place.
Angels and gods huddled
In dark unopened books.
The great secret lies
On some shelf Miss Jones
Passes every day on her rounds
.

She's very tall, so she keeps
Her head tipped as if listening.
The books are whispering.
I hear nothing, but she does.

A RAZÃO DE SER DO MEU "Mas..."

Quem não lê Ferreira Fernandes diariamente, não sabe o que perde. Hoje, por exemplo, perderia isto:

 “ANÁLISE CALMA E PONDERADA

«Se me perguntarem: "Onde vais?" Responderei: "Vou para a festa!" Sinto-me como quando desembarco em Nova Iorque, que é o mesmo que sentia o Fabrice da Cartuxa de Parma e o Eugène de Rastignac da Comédia Humana ao chegarem a Paris. É entre nós dois, Cristiano Ronaldo. O que não quer dizer que não te traia com o Nani. O que eu peço é só ser fascinado. Só. No ponto em que estou, não custa nada. Três fintas, uma delas daquelas que sentam um turco. Um golo num canto insuspeito. Uma bola domada no peito. Quero geometria, muita geometria, lusa geometria, passando tangentes aos outros, nunca secantes. Quero ver a garra de Petit, o único tipo com cara de ciclista que venceu no fute. Quero uma cavalgada de Bosingwa passando o Bósforo. Quero Ricardo Carvalho imperial como um otomano de antigamente. Quero só tudo. Deco parado a olhar. Se quando ele não olha faz maravilhas, imaginem quando um estádio pára, a Terra deixa de rodar e Deco olha. Quero vir da festa exausto.»

terça-feira, 3 de junho de 2008

PONTOS DE VISTA

Não afino pelo mesmo diapazão, mas, convenhamos: teria o seu benefício a selecção portuguesa ser eliminada o mais rapidamente possível deste Europeu de Futebol.

Assim como o preço da gasolina atingir os três ou mesmo quatro euros o litro.

Estes dois acontecimentos teriam certamente o condão de trazer Portugal à consciência de si. Mas...